Waiting For You
24 Capítulo Vinte e Três
Notas iniciais
Espero que curtam o capítulo haha
A gente se fala na N/A, ok? (;
Bella POV.
Minhas mãos tremiam com toda a força, embora eu tentasse me conter. Eu sentia meu coração bater cada vez mais rápido, assim como podia notar que minha perna pulava cada vez mais alto. Eu estava nervosa, ansiosa. Tudo o que eu queria era me virar para Edward e implorar que ele voltasse ao apartamento, que eu não conseguiria jantar com os pais dele.
Mas, de acordo com ele, Esme tinha pedido. E Henry tinha ficado tão animado...
Mesmo nervosa, como eu podia dizer não ao meu filho?
Soltei um suspiro pesado quando Edward parou em frente a um portão e acionou um controle. Encolhi-me contra o banco do carro, quase que como se quisesse me fundir a ele. Eu ainda não conseguia acreditar que estava chegando à casa dos Cullen, que eu veria os pais de Edward depois de tanto tempo. Ele tinha chegado ontem um pouco mais cedo do que eu achava que chegaria, já anunciando o que a mãe dele tinha sugerido. E desde então, eu tinha tentado me convencer que seria apenas um jantar, nada demais.
Mas não era apenas um jantar. Eles me odiavam, eu tinha certeza disso.
Os gritos animados de Henry me despertaram de meus devaneios, mas não foram suficientes para fazer com que eu me movesse. Eu notei que Edward já tinha estacionado o carro e que ele estava saindo, mas, mesmo assim, não me movi.
- Você não vai saí, mamãe? — Meu filho perguntou, quando o pai dele abriu a porta de trás e começou a tirá-lo de sua cadeirinha. — Você tem que conhecê meus vovós!
Eu empurrei um sorriso para fora do meu rosto e assenti, engolindo em seco logo em seguida. Eu continuei parada mesmo depois que Edward colocou um Henry ainda muito animado no chão. Eu o escutei dizer para ele ir esperar na porta, ainda sem encontrar forças para me mover. Provavelmente, eu estava agindo como uma criança, mas... eu realmente não queria ver nos olhos de Esme e Carlisle o ódio que eu sabia que eles sentiam por mim.
Edward abriu a porta da frente novamente e, por cerca de um segundo, pensei que ele fosse entrar e dar partida, deixando só Henry para jantar com os avós dele. Percebi que isso não aconteceria logo em seguida, já que ele não entrou, apenas se inclinou de modo que pudesse me olhar.
- Está tudo bem? — ele indagou. — Eu posso cancelar o jantar e marcar para outro dia, se você quiser.
Abri a boca para dizer que sim, de preferência para daqui a anos, mas logo sacudi a cabeça ao lembrar do olhar de Henry. Por ele, eu passaria algum tempo ali. Depois... eu podia ir embora, certo?
- Não, tudo bem — murmurei, enfim desgrudando minhas mãos do banco e retirando o cinto de segurança. — Podemos fazer isso hoje.
Minhas mãos estavam trêmulas enquanto eu abria e empurrava a porta. Henry estava parado ali, pulando de forma animada, esperando por nós. Ele pegou a minha mão quando me viu e saiu me puxando, nem mesmo esperando pelo seu pai.
- Vem, mamãe — ele gritou. — Eu vou te mostlar a minha vovó.
Eu o segui em silêncio, sem nem mesmo conseguir repreendê-lo por ele estar correndo daquela maneira. Estava tão distraída, pensando em meus próprios medos, que quase caí em cima do meu filho quando ele parou diante de uma porta dupla, branca.
Edward chegou naquele momento e pegou um molho de chaves do bolso, rindo da animação de Henry.
- Anda, papai — ele gritou novamente. — Able a pota.
Edward riu novamente e balançou a cabeça, mas não falou nada. Eu sabia que deveria pedir ao meu filho para se acalmar um pouco, mas não consegui nem fazer isso. Nem mesmo me acalmar eu estava conseguindo.
Eu pensei que fosse ter um ataque quando Edward finalmente abriu a porta e a empurrou, revelando uma sala que parecia exatamente com aquela que eu me lembrava, embora tivesse alguns detalhes novos. Eu fui a última a entrar, um pouco hesitante, ainda sendo puxada por Henry.
- Vovó! — ele gritou, virando a cabeça. Eu segui seu olhar e vi Esme saindo da cozinha. — Vem conhecê a minha mamãe!
Eu engoli em seco quando vi Esme se aproximar, não conseguindo identificar ao certo o olhar dela. Ela estendeu a mão e me deu um sorriso fraco, e eu estendi de volta, sorrindo um pouco também.
- Isabella — ela acenou. — Tudo bem?
Eu assenti, e engoli em seco.
- Oi, Esme — murmurei. — Tudo certo, e com você?
Ela balançou a cabeça de forma afirmativa, mas não disse nada.
- Alice deve estar terminando o banho — ela disse — e Carlisle está só atendendo ao telefone no escritório... Eles devem estar logo aqui.
Eu sorri novamente.
- Tudo bem — eu disse. — Obrigada pelo convite.
- Não foi nada — respondeu. Ela virou seu rosto para Henry, então, seu sorriso se tornando maior. — E você, querido? Não vai dar um abraço na sua avó?
Foi incrível ver Henry com os avós e a tia, por mais que eu estivesse tensa e mal conseguindo comer. Ele se dava bem com todos ali e era tratado como se fosse algo precioso, o que me fez sorrir. Foi um pouco estranho estar com todos, eu admito, ainda mais porque eles não conversavam comigo direito. Mas não houve acusações, o que eu já pensei que tinha sido algo bom, e eles se esforçaram bastante, eu pude perceber isso.
Mesmo assim, não pude deixar de pensar em como seriam os próximos anos. Seria sempre assim? Eles sempre me tratariam dessa forma ou era por que eles tinham medo de que eu machucasse seu filho e irmão novamente? Eu tentei me prender ao que Jasper tinha dito, que todos só precisavam de um tempo para confiar em mim novamente.
Ao final da noite, quando estávamos indo embora — Edward me levando para o apartamento antes de seguir para o seu -, eu soltei um suspiro de alívio. Poderia ter sido melhor, eu sabia, mas naquele momento eu só estava agradecendo por ele não ter sido pior. Ainda sentia que eles me odiavam, mas sabia que tinha sido bem melhor do que eu tinha imaginado. Agora, era só dar tempo ao tempo.
Talvez, futuramente, as coisas melhorassem ainda mais.
Edward POV.
Duas semanas depois.
Eu soltei um suspiro pesado enquanto, sentado na minha cadeira, em meu escritório, analisava a carta que Henry tinha escrito — mais desenhado do que tudo, já que ele ainda não tinha aprendido a ler nem a escrever — para o Papai Noel. Seus pedidos sempre tinham me feito sorrir, desde a primeira vez que ele tinha me mostrado, pedindo para colocar no coleio, para chegar ao tempo do Papai Noel ler. Eu já tinha comprado grande parte dos seus presentes e Bella, meus pais, Alice e Jasper ficariam encarregados de comprar o restante. Meu garoto teria tudo o que ele pediu em seu primeiro Natal comigo.
Eu já conseguia imaginar o olhar em seu rosto quando ele acordasse de manhã e visse a árvore cheia de presentes. Sabia que iria ter uma filmadora em minhas mãos durante todo o tempo, querendo manter aquele dia gravado para sempre, mas... eu não queria que o Natal chegasse... Simplesmente porque ele e Bella iriam embora no dia 26.
As passagens já tinham sido compradas.
Faltava menos de uma semana para isso acontecer e eu... eu não conseguia nem imaginar como seria levá-los até o aeroporto e depois... voltar para casa sozinho.
Eu sentiria falta do meu filho. Sentiria muita falta dele. Eu o conhecia há apenas alguns meses, mas meus sentimentos por ele já eram grandes demais; eu não podia nem mesmo explicar tal coisa. Não tê-lo comigo todos os dias, não poder vê-lo todos os dias, ver seu sorriso, ouvi-lo falando errado... acabaria comigo. Eu já havia perdido três anos da sua vida... e agora teria de viver longe dele?
Eu tentei aproveitar o máximo que podia durante essas semanas — que passaram mais rápido do que eu gostaria. Continuei trabalhando enquanto Henry estava na creche, mas logo me daria férias, por assim dizer. Hoje era o último dia dele lá, já que eles entrariam em recesso devido às festas de final de ano, e era o meu último dia aqui. Pelo menos, até o dia 26. Depois, eu tinha certeza de que mergulharia no trabalho novamente, mas... o que podia fazer? Ficar em casa, durante horas, sozinho, só serviria para me lembrar do que eu tive durante meses e que agora não tinha mais. Minha vida com Henry se resumiria a finais de semanas, férias, festas...
Coloquei a carta de Henry na mesa e esfreguei meu rosto nas mãos, desejando poder não pensar em tudo aquilo. Dei uma olhada rápida no relógio e gemi. As horas pareciam se arrastar quando eu estava longe de Henry, mas passavam em um piscar de olhos quando estávamos juntos.
Senti um pequeno sorriso nascer em meu rosto quando vi a foto de nós dois, aquela que Alice tinha me dado há um tempo. Ela continuava ali, no mesmo lugar, e eu continuava a sorrir sempre que a olhava. E acho que isso nunca mudaria.
E, também, havia Bella. Nós não conversarmos muito depois do jantar na casa dos meus pais. Como ela tinha dito, ela se mudara para o apartamento que Jasper havia ficado e, embora eu sentisse — e muito — a falta dela, eu estava grato por ela estar me dando esse tempo para curtir mais meu garoto. Eu precisava disso. Sabia que, um dia, teríamos de resolver nossa situação de uma vez por todas, mas sabia também que isso viria com o tempo. Ambos precisávamos disso, afinal. E eu precisava conseguir superar esse medo de ser abandonado e ter capacidade de confiar nela novamente.
O barulho do meu telefone tocando soou alto, tirando-me de meus devaneios e fazendo-me dar um pulo na cadeira devido ao susto que tinha tomado. Grunhi, desejando poder só ficar sozinho naquele momento, mas atendi ao telefone, sabendo que deveria ser algo importante.
- Sua mãe está aqui, Sr. Cullen. — Jessica disse. — Posso mandá-la entrar?
Eu sorri, embora ela não pudesse me ver.
- Claro — disse. — Não precisava nem perguntar.
Levantei-me da cadeira, após finalizar a curta ligação, e caminhei até a porta, a abrindo antes que minha mãe ou Jessica tivesse a chance de fazer isso. Sorri novamente quando vi Esme carregada de sacolas, sabendo que tudo o que tinha ali era para o meu filho. Eu deveria brigar um pouco, eu sabia, porque não queria que ele se tornasse um garoto mimado, mas... como eu podia negar? Era o seu primeiro Natal conosco e eu sabia que meus pais estavam animados para isso.
- Mais presentes, mãe? — eu indaguei, puxando-a para dentro do meu escritório e lhe dando um abraço. — Eu pensei que você já tivesse comprado todos os presentes que te falei da lista...
Ela riu, largando as sacolas no sofá, e deu de ombros, como se não se importasse com aquilo.
- Ah, você sabe — comentou. — Eu fui vendo um aqui, um ali... e sabia que meu neto iria gostar.
Revirei os olhos, sem conseguir deixar de esconder um sorriso.
- Mãe, ele vai ficar mimado — eu murmurei. — O que vamos dizer a ele quando ele ver todos esses presentes?
Ela deu de ombros novamente e sorriu, jogando-se no meu sofá. Eu caminhei até a ela e sentei-me ao seu lado.
- Vamos dizer que ele foi um bom garoto — respondeu. — E que é um ano especial, por isso ele está ganhando tantos presentes extras.
Eu ri, mas não falei mais nada.
- E o que senhora veio fazer aqui? — eu indaguei. — Além de vir visitar seu lindo filho, é claro.
Minha mãe revirou os olhos, mas sorriu.
- Sei que está quase na hora de Henry sair da creche — sorriu. — E eu vou levá-lo para tomar um sorvete. Por isso, vim pedir que você deixe esses presentes lá em casa, já que não quero correr o risco de ele ver e tudo o mais.
Eu ri novamente.
- Ah, é? — Ergui a sobrancelha. — E o que eu vou ficar fazendo enquanto vocês dois tomam sorvete?
Ela deu de ombros.
- Você pode se juntar a nós — começou -, depois de deixar os presentes em casa. Bem escondidos, por favor. Não queremos que ele descubra que o Papai Noel não exista tão cedo, certo?
Pela terceira vez, eu ri, mas não disse nada, sabendo que não adiantava discutir com a minha mãe. De alguma forma, ela sempre conseguia o que queria.
Acabou sendo divertido, passar um tempo com os dois. Depois que terminamos nosso passeio, eu levei Henry para ficar um pouco com a mãe no apartamento — como eu fazia, às vezes — e voltei à empresa. Já que estava me dando férias de quase dez dias, eu tinha algumas coisas para deixar para Emmett, que tomaria conta de tudo enquanto eu estivesse fora. Não demorei muito lá, no entanto. Menos de uma hora depois, eu estava saindo, pronto para curtir mais um pouquinho meu filho. Afinal, eu só tinha mais alguns dias com ele.
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Infelizmente, os próximos dias se passaram rápido demais e logo era véspera de Natal. Eu estava arrumando uma pequena mala com algumas roupas para mim e para Henry, já que passaríamos a noite na casa dos meus pais. A caminho daqui, eu pegaria Bella; ela passaria a noite lá também. Seria o nosso primeiro Natal juntos desde que ela tinha me deixado, há quatro anos, e tudo parecia diferente agora.
- Tá tudo plonto, papai? — Henry me indagou pela décima vez em menos de cinco minutos. — Se a gente demolar, o Papai Noel não vai passar!
Eu sorri, sentindo um sentimento bom tomar conta do meu coração. Era o meu primeiro Natal como pai e eu acho que estava tão animado quanto Henry — ou quase, pelo menos. Não via a hora dele dormir para poder ir colocar os presentes debaixo da árvore, não via a hora de amanhã cedo chegar, só para ver aquele olhar alegre em seu rosto ao ver todos os presentes debaixo da árvore. Minha família e eu não vivíamos isso há anos. Era bom ter uma nova razão para manter a tradição viva.
- O Papai Noel só passa depois que você estiver dormindo, campeão — eu sorri. — Você não precisa se preocupar, ok? Hoje teremos um jantar, sobremesa e só. Amanhã, você verá o que você ganhou.
Ele sorriu ainda mais, batendo palmas e pulando de animação.
- Eu fui um menino bonzinho, papai — ele continuou. — Eu vou ganhá todos os plesentes, não vou?
Eu escondi um sorriso ao me lembrar da quantidade de presentes que todos tinham comprado para ele — mais do que ele tinha pedido, até. Jasper e Charlie haviam mandado os seus, já que eles não podiam estar aqui. Charlie tinha que trabalhar, já que havia sido escalado, e Jasper tinha ido passar o Natal com a sua família. Todos os presentes estavam devidamente escondidos e eu sabia que meus pais também estavam ansiosos para ver Henry abri-los, mesmo que ele não soubesse — não por enquanto, pelo menos — quem os tinha comprado.
- Vamos ver o que você vai ganhar amanhã, garotão — murmurei, fechando o zíper e me colocando de pé. — Vamos? Vamos buscar a mamãe e ir para a casa da vovó?
Ele sorriu e soltou outro grito animado, antes de unir sua mão à minha.
Nós rapidamente pegamos Bella e fomos para a casa dos meus pais. Eu sabia que ela ainda estava um pouco ansiosa, já que foi um pouco estranho, por assim dizer, o primeiro jantar de todos nós juntos. Sabia que o Natal seria um pouco estranho também, mas a admirava por ela estar fazendo aquilo pelo nosso filho.
Estacionei no mesmo lugar de sempre assim que cheguei. Henry tinha aprendido a tirar o seu cinto e agora precisávamos brigar com ele quando ele fazia aquilo, principalmente agora que estava todo animado.
- Henry — eu disse, tirando meu cinto -, espera que o papai vai tirar você da cadeirinha? Eu já não pedi para esperar?
Ele parou imediatamente e fez beicinho para mim, o que sempre tornava difícil para mim xingá-lo. Eu continuei firme, porém; já sabia que ser pai não contava só com os momentos fáceis.
Alice e minha mãe já tinham o jantar pronto quando chegamos, a casa toda iluminada e decorada para o Natal. Bella os cumprimentou rapidamente, mas não fez qualquer tentativa de começar uma conversa. Ela ficou sempre perto de Henry, e eu, em uma tentativa de diminuir seu desconforto, mantive meus olhos em ambos.
Nós jantamos em meio a risadas e conversas — exceto por Bella, que se mantinha mais calada, ajudando Henry a comer sem sujar a sua roupa. Papeamos por horas e horas, sem nos dar conta delas. Henry se manteve acordado o quanto podia, mas eu sabia que ele não iria aguentar muito mais quando olhei para ele deitado no sofá, seus olhos fitando a árvore de Natal de forma sonolenta.
- Ei, campeão. — Eu me aproximei e me ajoelhei ao lado da sua cabeça, minha mão indo diretamente para a completa bagunça que era o seu cabelo. — Não quer ir deitar na cama?
Ele murmurou um ‘não’.
- Quelo espelar o Papai Noel, papai — sussurrou. — Eu consigo.
Eu sorri.
- Ele só vem depois que você ir deitar, filho — eu disse, me colocando de pé e o pegando no colo. — Vou levá-lo para a cama, ok? Amanhã, assim que você acordar, você chama o papai e nós poderemos abrir todos os seus presentes.
Ele resmungou contra o meu ombro, seus braços e pernas relaxados. Eu sorri, mesmo que ele não pudesse ver, e o levei para o quarto que minha mãe e Alice tinham preparado para ele. Ao contrário do seu quarto em meu apartamento, que era feito do tema do mar, aqui era uma selva, por assim dizer. E Henry o adorou.
Troquei sua roupa e o coloquei deitado, meu sorriso se tornando ainda maior ao ver quão feliz ele parecia estar, mesmo em seu sono. Beijei sua testa e arrumei as cobertas ao seu redor, sabendo que, em breve, eu não poderia mais fazer isso todos os dias.
- Boa noite, Henry — sussurrei. — Tenha bons sonhos, filho.
Eu ainda estava sorrindo quando desci, voltando para perto da minha família. E ainda estava sorrindo quando fui dormir naquela noite, ansioso para a manhã seguinte.
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- Papai! Acoda! — Henry gritou ao meu ouvido. — O Papai Noel chegou!
Eu resmunguei contra o travesseiro, sabendo que não tinham passado nem oito horas desde que eu tinha dormido, mas não pude deixar de sorrir quando Henry gritou novamente. Sentei-me na cama, esfregando os olhos, e sorri novamente ao vê-lo com os cabelos todo bagunçados e os olhos arregalados de animação.
- Vamos, papai! — ele gritou. — Todo mundo já acodou. Vamos pegá os plesentes!
Eu me levantei e deixei que ele me arrastasse para o primeiro andar, onde, realmente, todos já estavam acordados. Meu pai me entregou uma caneca cheia de café quando me joguei no sofá, ao seu lado, deixando que Henry seguisse até a árvore. Meus olhos percorreram rapidamente a sala, encontrando Bella parada ao lado da poltrona, uma caneca em sua mão também. Ela me olhou e sorriu rapidamente, antes de voltar a fitar nosso filho, que já pegava seu primeiro embrulho.
Passamos os próximos vinte minutos ali – minha mãe filmando tudo -, todos parados com sorrisos idiotas no rosto. Henry gritava a cada nova presente que abria, às vezes só correndo para pegar o próximo, às vezes vindo até a nós e mostrando o que o Papai Noel tinha lhe dado.
Foi difícil convencê-lo a largar os brinquedos de lado um pouco para podermos tomar o café da manhã. Depois, nós deixamos que ele voltasse a brincar um pouco e ficamos ali, apenas conversando. Só saímos da casa dos meus pais à noite, já que eles queriam curtir o neto um pouco. Levei Bella para o apartamento e combinei de pegá-la na manhã seguinte, e só então Henry e eu seguimos para a minha casa.
Ele estava exausto, como na noite anterior, e não demorou muito até que estivesse dormindo. Eu li um pouco para ele, mas não saí do seu quarto logo após ele adormecer. Fiquei questão de ficar ali durante um tempo, observando-o em seu sono, já sentindo falta dele sem ele ainda nem ter partido. Suspirando pesadamente, coloquei-me de pé, sabendo que deveria tentar dormir um pouco — mesmo que eu tivesse certeza de que não teria uma boa noite de sono.
- Papai te ama, Henry — sussurrei, depositando um beijo demorado em sua testa. — Muito.
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Diferente da noite anterior, naquele dia eu não acordei com um sorriso no rosto. O momento de Henry ir embora tinha chegado. Eu mal conseguir dormir, simplesmente porque sabia que ele partiria com a mãe muito em breve e que eu não o veria sempre que quisesse. Era cedo ainda, eu sabia disso antes mesmo de me levantar da cama, mas sabia também que não conseguiria voltar a dormir.
Levantei-me, por fim, e me arrumei, sem pressa alguma, antes de seguir para a cozinha. Preparei um café da manhã farto — com muito mais comida do que estava acostumado a fazer -, com tudo o que Henry gostava. Eu sabia que não deveria lotá-lo tanto assim principalmente no café da manhã, mas... um dia só não faria mal algum, certo?
Depois de tudo pronto, fui conferir as malas dele. Separei uma roupa para ele usar, deixei tudo pronto para um banho quente, e só depois o acordei. Ele resmungou, como sempre fazia, mas logo estava completamente acordado. Tentei demorar o máximo que podia para fazer tudo, como se pudesse adiar a sua partida, mas logo vi que não tinha mais jeito; estava na hora de levá-lo para o aeroporto.
Segui para o apartamento onde Bella estava ficando e esperei que ela descesse e entrasse no carro, antes de seguir para o aeroporto. As ruas pareciam mais vazias, o tempo parecia passar ainda mais rápido... Mas, no fundo, eu sabia que era só eu tentado adiar o inadiável. Assim que chegamos, fiquei com Henry em meu colo, enquanto Bella resolvia tudo e despachava as bagagens. Quando ela voltou, ela sorriu de forma hesitante para mim, e eu sabia que estava na hora de me despedir de Henry. Coloquei-o no chão e me ajoelhei à sua frente, sentindo um aperto no peito quando vi que ele estava chorando.
- Não chore, campeão — eu murmurei. — Papai logo estará indo te visitar, ok?
- Quelia que você fosse hoje, papai — sussurrou de volta, apertando seus braços ao redor do meu pescoço.
Eu senti as lágrimas enchendo meus olhos, por isso os fechei com força, sabendo que não podia deixá-las cair naquele momento. Apertei meu filho mais em meus braços, querendo gravar como era tê-lo ali, e por fim me afastei, limpando as lágrimas que escorriam por seu rostinho.
- Poque você não pode ir comigo, papai? — ele perguntou. — Eu quelo te mostlar meu quato em Pitburg.
Eu sorri.
- O papai vai estar lá dentro de alguns dias, ok? — eu disse a ele, puxando-o para meus braços novamente e beijando sua testa. — Vai passar rapidinho, você vai ver.
Ele fez beicinho, o que só tornou mais difícil me despedir dele. Eu tinha mesmo que deixá-lo partir?
- Você plomete, papai? — indagou. — Plomete que não me esquecê e nem me abandoná?
Eu senti um aperto em meu coração e novamente precisei fechar os olhos. Só mais alguns minutos, pensei, só mais alguns minutos e eu podia me entregar às lágrimas, mas não agora. Não na frente do meu filho. Não na frente dela.
Porque pensar nela partindo também doía demais, trazendo memórias à tona, memórias que eu quase não conseguia manter quietas mais.
- O papai te prometeu uma vez que a mamãe não tinha te abandonado, você lembra? — eu murmurei, alto o suficiente só para ele ouvir, mesmo que Bella estivesse por perto. — Quando aquele amiguinho seu disse que ela tinha te abandonado e você chorou?
Ele assentiu, seus olhos castanhos me encarando com atenção.
- O papai quebrou aquela promessa? — tornei a perguntar. Ele negou, mas não disse nada, fazendo-me sorrir. — Então, pode ficar tranquilo, amigão. O papai nunca quebrará uma promessa que ele fizer a você.
Henry sorriu.
Eu o abracei novamente quando seu voo foi chamado pela última vez, e só então me afastei, colocando-me de pé. Virei-me para a mãe dele, que nos encarava de forma séria, e acenei, sem saber o que dizer.
- Eu ligo quando eu souber que dia irei — murmurei, colocando as mãos no bolso da calça. — Me ligue se precisar de algo, ok? E quando você chegarem lá, por favor.
Ela assentiu.
- Claro — murmurou. — Obigada por tudo. E agradeça à sua família por mim. O Natal foi... ótimo.
Eu assenti, mesmo sabendo que ela estava sendo mais educada que tudo. Ainda era meio tenso tê-la por perto, quando estávamos na casa dos meus pais. Eles e Alice estavam tentando, mas eu sabia que eles ainda tinham medo de que eu me machucasse novamente, embora entendesse o porquê de Bella ter feito o que fez.
- Tchau, papai! — Henry se agarrou às minhas pernas. — Amo você!
Eu engoli em seco, apertando-o em mais um abraço.
- Eu também te amo, campeão — sussurrei. — Muito.
Eu coloquei minhas mãos no meu bolso novamente quando os vi se afastar, como se estivesse me contendo de puxar Henry para um abraço e não soltá-lo nunca mais. Senti as lágrimas enchendo meus olhos mais uma vez e logo escorrendo pelo meu rosto, e desta vez não as impedi. Eu tinha certeza de que parecia um idiota parado ali e que as pessoas me olhavam de forma estranha, mas não me importei com isso.
Conforme os minutos foram passando, eu finalmente fui me movendo, caminhando para fora do aeroporto de forma lenta. Entrei no meu carro e dirigi para o meu apartamento, mesmo querendo ir direto para a empresa e mergulhar no trabalho.
Desejei ter feito isso assim que entrei nele, porém. Não havia mais brinquedos espalhados pela sala, nem dava para escutar aquela risada de Henry, a risada que sempre me fazia sorrir, não importava quão difícil o dia seria. Enquanto eu entrava, trancava a porta, tirava meus sapatos e casaco, não pude deixar de me lembrar de alguns meses atrás, quando Henry tinha voltado a ficar no hotel com Jasper, em quão triste eu tinha ficado por não tê-lo comigo o tempo todo. Só que não estávamos a minutos de distância, dessa vez. Eu não precisava só pegar o carro e ir até o hotel para vê-lo. Caminhei até o quarto dele, as lágrimas mais uma vez escorrendo pelo meu rosto. Acendi a luz, e soltei um suspiro enquanto meus olhos disparavam para cada detalhe ali. Henry havia levado os seus brinquedos preferidos, mas tinha deixado alguns para trás, para quando ele visse ficar com o seu pai.
Sentei-me na sua cama e puxei seu travesseiro até o meu colo, abraçando-o contra o meu peito. Enterrei meu rosto nele quando os soluços ficaram muito altos, sentindo o cheiro único de meu campeão ali. Era estranho ter a casa tão vazia. Era estranho me imaginar acordando amanhã sem ter que arrumá-lo para ir para a creche.
Poderia ser exagero meu, estar chorando daquela maneira, mas o que eu podia fazer? Mesmo sendo em uma situação completamente diferente, eu não podia deixar de me lembrar de quando ela tinha ido embora, de quando eu tinha encontrado o anel e a carta. Porque eu sabia onde eles estavam, sabia como chegar até eles e sabia que a veria novamente algum dia.
Mas isso não mudava o fato de que, novamente, ela havia partido.
Após alguns minutos chorando tudo aquilo que tinha para chorar — desde que ela havia chegado -, eu enfim comecei a me acalmar. Levantei-me e enxuguei as lágrimas, sabendo que em breve Bella ligaria e eu poderia escutar a voz do meu garoto novamente.
Tomei um banho rápido e preparei um sanduíche qualquer, mesmo não sentindo muita fome. Depois que terminei, caminhei até o escritório e me joguei na poltrona que havia ali, meus olhos passando rapidamente pelo calendário.
Mais quatro dias, pensei. Mais quatro dias para eu ver meu garoto novamente. Quatro dias para eu vê-la novamente.
Notas finais
Enfim, hmmm... e esse ~encontro com a família Cullen? Sei não, algo me diz que a Esme não vai se reaproximar da ex-nora tão cedo assim, rssss. Vamos ver. E esse Edward? 3 Foi de cortar o coração ele pensando no filho longe, e ainda mais vê-los juntos no aeroporto. Algo também me diz que menino Henry não vai aceitar ficar tanto tempo longe do papai. E ele sofrendo também pela partida da Bella, ai... de cortar o coração mimimi
Próximo capítulo ainda não está pronto D: mas eu vou tentar muito adiantar alguns ao decorrer desta semana, ok?
Deixem reviews, suas fofas! E até domingo que vem (;
xx
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