Waiting For You

26 Capítulo Vinte e Cinco


Notas iniciais
Oi, mocinhas. Aqui está o capítulo.
Algo me diz que vocês vão adorar o finalzinho hihi
Capítulo dedicado à samantha, pela recomendação ♥
Obrigada, sua fofa!
Até a N/A (;

Edward POV.

Eu parti para casa assim que saí do aeroporto, sentindo-me completamente exausto. Entre a correria por causa do problema do projeto que tínhamos enfrentado recentemente e outra correria no final de semana, eu não conseguia me lembrar a última vez que tinha simplesmente deitado na minha cama e... relaxado.

Mas eu não estava reclamando, também. Enquanto o táxi me levava até ao meu prédio, eu não conseguia conter um sorriso no rosto, lembrando de tudo o que eu e o meu garoto tínhamos feito nesse final de semana. Foi agitado, sim, mas eu não o trocaria por nada do mundo. O sorriso dele, o brilho em seus olhos... Só de saber que ele estava daquela maneira — todo agitado e feliz — porque eu tinha ido passar dois dias com ele...

Era bom demais para ser verdade.

Infelizmente, eu também não podia deixar de me lembrar das lágrimas escorrendo pelo seu rosto e do seu olhar de partir o coração, quando eu tinha deixado Pittsburgh. Eu sabia que Bella planejava trazê-lo em breve, mas... eu ainda queria que ele estivesse aqui.

Sempre.

Soltei um suspiro pesado e balancei a cabeça, decidido a afastar esses pensamentos. Agradeci ao taxista e o paguei assim que ele parou em frente ao condomínio, recusando a ajuda para pegar a minha mala — afinal, era só uma e era pequena. Cumprimentei o porteiro com um aceno rápido e parei para pegar as minhas cartas, dando uma lida no nome, apenas para conferir se todas ali eram mesmo para mim.

- E o seu garoto, senhor Cullen? — Paul indagou. — Ele anda meio sumido.

Eu sorri para o cara que conversava comigo sempre que podia, desde que eu tinha me mudado para cá. Ele não sabia quem era Bella direito, não sabia da minha história, mas ele sabia quem Henry era, já que o tinha visto entrando aqui diversas vezes. Acho que todos os meus vizinhos, acostumados a me verem sozinho e quase nunca visitando a área de lazer, sabiam que ele era o meu filho. Ele era a minha cara, afinal.

- Ele está com a mãe — eu disse. — Eu espero trazê-lo em breve.

Ele assentiu, sorrindo.

- Diga que eu mandei um abraço — gritou, já que eu comecei a me afastar.

Eu apenas acenei e agradeci, ainda sorrindo à menção do meu filho. Arrastei a minha pequena mala para dentro do prédio e soltei um suspiro, me sentindo exausto, quando me apoiei no elevador, esperando que ele chegasse ao meu andar.

Corri para um banho rápido assim que cheguei, e, depois, puxei meu celular, já que eu havia prometido a Henry que ligaria quando chegasse, assim como tinha prometido aos meus pais.

Telefonei para a minha mãe primeiro, porque sabia que ela ficaria preocupada caso eu demorasse muito e sabia que eu demoraria um pouco mais na ligação que faria para Pittsburgh. Assim que finalizei a ligação — prometendo um almoço na casa dos meus pais assim que as coisas acalmassem -, eu liguei para a casa de Henry, um sorriso imenso imediatamente nascendo em meu rosto assim que eu ouvi a voz dele.

- Você não pode voltá, papai? — ele indagou, alguns minutos depois, fazendo meu sorriso sumir. — Quelia que você ficasse...

Eu suspirei pesadamente, desejando, naquele momento, mais do que nunca, poder largar tudo e voar até o meu filho, sem ter que me preocupar com empresa, com funcionários, com trabalho, projetos, nada...

- O papai trabalha amanhã, filho — murmurei. — Mas em breve nos veremos, ok? Eu vou tentar ir te visitar daqui alguns dias. Se eu não conseguir, vamos ver se a sua mãe consegue te trazer, ok?

Ele não chorou quando chegou a hora de finalizar a ligação, o que eu agradeci muito. Permaneci sentado no sofá durante alguns minutos, fitando o telefone, ainda em minhas mãos. Por fim, suspirei e me pus de pé, sabendo que eu tinha que ir dormir logo, se não quisesse acordar exausto na manhã seguinte.

Eu tinha de rever o projeto dos Baxter, tinha de começar outros... Ficaria aliviado por estar terminando o que me deu tanta dor de cabeça durante esse mês, mas também estava atolado de coisas para fazer, o que me colocaria ocupado. Menos, mas, ainda assim, mais do que eu gostaria no momento. Isso acabaria em breve, eu esperava, porém, e eu teria mais tempo e talvez pudesse até viajar para ficar mais alguns dias em Pittsburgh.

Pelo menos, eu esperava que sim.

Eu estava ansioso para ter mais tempo livre com o meu garoto. E a quem eu queria enganar? Estava ansioso, mesmo querendo negar, para ter mais tempo para ficar com ela também.

E, se eu tivesse sorte, eu poderia fazer isso em breve. Muito em breve.

_

Como eu já esperava, os próximos dias foram bem corridos. Depois de ter finalizado o projeto dos Baxter, eu tive de ir para Boston novamente, apenas para ficar de um dia para o outro, não querendo que nada desse errado. Quando as obras começaram e tudo parecia estar indo muito bem, eu voltei para Chicago, me sentindo muito mais leve. Essas últimas semanas tinham sido muito loucas, afinal.

Quando comecei a me sentir menos atolado de trabalho — por assim dizer -, comecei a me programar, querendo tirar uma ou duas semanas de folga para ficar com o meu filho. Antes, porém, que eu pudesse fazer isso, eu recebi uma ligação do meu advogado. A audiência de Laurent aconteceria de uma semana. Ele disse que Bella já tinha sido informada, pela advogada dela, de tudo e que ela deveria entrar em contato comigo em breve.

Mas, ansioso demais, eu liguei primeiro, assim que finalizei a ligação com meu advogado.

- Edward? — Bella indagou, atendendo ao seu segundo toque, antes mesmo que eu pudesse dizer um ‘oi’. — Hmmm... Henry está na creche agora... Está tudo bem?

Eu me endireitei na cabeça e ajeitei a minha gravata, xingando-me de idiota por estar me preocupando com a aparência. Ela não poderia me ver, logo eu não precisava ficar me arrumando.

- Não, não — eu disse, após limpar a minha garganta cerca de duas vezes. — Eu acabei de receber uma ligação do meu advogado, que disse que a audiência do Laurent estava marcada... Eu só queria saber se você tinha ficado sabendo também.

Ela ficou calada durante alguns segundos, tempo o suficiente para eu começar a imaginar milhares de coisas em minha mente. O que ela estaria fazendo agora? Será que ela estava no trabalho? Será que ela estava com alguém?

- Sim, eu fiquei sabendo há pouco — disse. — Na verdade, já ia ligar para você... Acabei de conversar com o meu chefe e consegui uma semana de folga... Estava pensando em ir para aí nessa sexta e ficar até o próximo domingo... O que você acha disso?

Eu senti um enorme sorriso nascer em meu rosto e meu coração acelerar, só de imaginar que, dentro de dois dias, eu veria o meu Henry. Eu veria Bella. E embora eu pudesse curtir o meu filho só durante uma semana, eu mal podia conter a minha felicidade.

- E-eu acho ótimo! — gaguejei, tamanho o meu entusiasmo. Eu tinha certeza de que ela me achava um idiota naquele momento, mas pouco me importei com isso. — Henry já sabe?

Ela riu.

- Claro que não - respondeu. — Você sabe como ele é ansioso... Ele pergunta por você todos os dias, pelo seus pais, por Alice... Contarei a ele quando estivermos indo para aí. Aposto que ele vai adorar a surpresa.

Sorri novamente ao ouvi-la falando assim dele, conseguindo imaginá-lo perfeitamente à espera do dia que viria para cá novamente, para ver seu pai, seus avós, sua tia...

- Claro — eu disse. — Então, me liga quando tiver comprado as passagens, ok? Eu vou buscar vocês no aeroporto.

- Pode deixar — murmurou de volta. — Eu te mando uma mensagem, ok?

Eu desliguei logo em seguida, já que tinha de ir para uma reunião, após combinar tudo com Bella. Fui jantar com os meus pais naquele dia, ansioso para dar à notícia a eles, e tive o prazer de ver quão animado eles ficaram, assim como a minha irmã. Eu não era o único que sentia falta de Henry.

Para a minha sorte, aqueles dois dias passaram em um piscar de olhos e, quando a sexta à noite chegou, ao invés de ir para casa, eu me vi indo para o aeroporto, feliz por ter uma semana com o meu filho. E eu também estava livre da empresa até o dia que eles fossem embora, porque queria passar todo o tempo que eu podia com Henry.

Eu tinha certeza de que ele iria adorar.

Esperei pelos dois ansiosamente no aeroporto, meus olhos disparando para todos os lados, à procura de um pequenino de cabelos cor de bronze. À essa altura, ele já devia saber para onde ele estava vindo, certo? E eu o conhecia, sabia que ele estava ansioso. Assim como eu.

Eu não via a hora de tê-lo em meus braços.

Eu senti um sorriso enorme crescer em meu rosto assim que eu os vi. Henry estava agarrado à mão da mãe, seus olhos presos nela — o motivo de ele não ter me visto ainda. Mas Bella me fitava. Ela tinha um pequeno sorriso no rosto e acenou rapidamente, e eu retribuí, me sentindo, de repente, um pouco nervoso. Meu coração acelerou, batendo com toda a força contra o meu peito, e eu senti minhas mãos suarem. Eu precisei piscar algumas vezes e balançar a cabeça, tentando me focar em meu garoto por agora.

Afinal, eu realmente sentia a falta dele.

- Papai!

Henry soltou-se rapidamente da mão da mãe assim que me viu, e começou a correr pelo aeroporto, um enorme sorriso em seu rosto. Eu me ajoelhei ao mesmo tempo em que ele se jogou em meus braços, quase caindo no chão com a força do impacto. Soltei uma risada e o apertei em meus braços, simplesmente feliz por ele estar ali.

- Oi, campeão. — Eu me afastei um pouco e beijei sua testa. — Você sentiu saudades do papai?

Ele sorriu, assentindo com força, o que me fez rir novamente.

- Senti, papai — respondeu. Ele se afastou um pouco e jogou os braços para o alto. — Um tantão assim, óh!

Eu o puxei para os meus braços novamente e o apertei o tanto que eu pude, enterrando minha cabeça em seus cabelos. Alguns minutos depois, quando ele começou a reclamar falando que não conseguia respilá, eu me afastei, ainda rindo. Levantei a cabeça e encontrei Bella ali, parada perto de nós, um sorriso no rosto. Imediatamente, me coloquei de pé e enfiei as mãos no bolso, sentindo-me nervoso.

- Oi, Bella — eu sorri, vendo, pela primeira vez, as duas malas que ela estava carregando. — Precisa de alguma ajuda aí?

Ela me olhou durante um momento, parecendo confusa, mas quando viu que eu estava olhando para as duas malas, riu.

- Quando você tem um filho, você aprende a carregar várias coisas ao mesmo tempo e olhar uma criança — ela disse. — Está tudo bem. Você pode levar Henry.

Eu insisti em pegar uma mala, usando a livre para levar Henry até o carro. Ele falou durante todo o caminho até o hotel — Bella tinha insistido em ficar lá, querendo me dar mais tempo com meu filho -, me contando tudo o que tinha feito desde que eu tinha saído de Pittsburgh. Depois que deixamos sua mãe no mesmo hotel que Henry e Jasper tinham se hospedado meses atrás, nós seguimos para a casa dos meus pais, para um jantar que eles estavam preparando para o meu filho. Eu queria — e muito — curti-lo naquela noite, indo direto para casa, mas eu entendia os meus pais. Sabia que eles sentiam falta do neto.

- A gente vamos pla casa dos vovós, papai? — ele indagou. — Vamos? Eu quelo blincá com o vovô Calile.

Eu sorri.

- A gente vai, campeão, não vamos, ok? — eu o corrigi. — E sim, nós vamos. Eles estão morrendo de saudades de você.

Ele soltou um grito da sua cadeirinha e sorriu para mim, batendo palmas para si mesmo. Eu me peguei rindo para mim mesmo enquanto seguia para a casa dos meus pais, feliz por ele estar feliz. Ele era tão pequeno ainda, tão inocente... e um garotinho tão feliz. Se eu pudesse, eu o manteria assim para sempre.

O jantar na casa dos meus pais foi... ótimo. Henry brincou até não poder mais, matando um pouco da saudade que ele sentia dos avós e da tia. Quando saímos de lá, ele mal se aguentava acordado, e foi bom levá-lo até o quarto, no meu colo, trocar sua roupa, cobri-lo... Eu sentia falta da nossa rotina e estava feliz por ter quase dez dias para ficar um pouco com ele.

Seria bom para nós dois.

Eu tinha certeza que seria.

_

A audiência de Laurent logo chegou. A presença de Bella não era necessária por enquanto, já que ainda não era o seu julgamento, mas ela quis ir. Henry ficou com os meus pais enquanto eu a acompanhava, junto de Emmett. Ela tinha dito que nenhum de nós precisava ir com ela, mas eu queria estar lá também.

Por ela.

Embora ela não tivesse a mínima ideia disso.

Eu a observei durante o pouco tempo que permanecemos ali, meus olhos atentos a cada movimento que ela fazia. Eu tive o prazer de ver um sorriso nascer em seu rosto quando o juiz declarou que ele aguardaria o julgamento preso, encantado com a beleza dali. Era ainda era mais linda do que alguns anos atrás, a gravidez só tinha a deixado mais bela.

E eu queria muito poder dizer isso a ela novamente.

Em breve. Mais tempo para nos acostumarmos com tudo, para Henry se acostumar com tudo — porque antes de pensar em nós, nós tínhamos que pensar nele -, para eu conseguir confiar novamente, antes de conversarmos e decidirmos o que seria de nós de uma vez por todas.

E eu tinha medo disso. E muito.

Mas, como meu tempo com Henry era limitado, eu me dediquei a ele, como fazia sempre que o via, no resto da semana. Levei-o para passear, para comprar coisas, para simplesmente se divertir, para se sujar com o sorvete e outras coisas mais, coisas que pais faziam com os filhos. Deixei que ele visitasse a antiga creche — e senti meu coração partir quando ele me disse que gostava mais dali do que a outra dele, em Pittsburgh -, mas, infelizmente, o dia de ele ir embora logo chegou.

Passara muito rápido. E não havia nada que eu pudesse fazer, a não ser desejar que o tempo voltasse, o que eu sabia que não aconteceria.

- Você me visita logo, papai? — ele indagou, agarrado a mim, já no aeroporto. — Plomete?

Eu sorri para ele e afastei uma mecha do seu cabelo, tocando seu rostinho.

- O papai sempre cumpre as promessas, não cumpre? — indaguei. Ele assentiu. — Então, eu prometo. Nos veremos em breve, ok?

Àquela altura eu já deveria ter me acostumado com eles partindo, mas foi difícil, novamente. Eu enfiei minhas mãos no bolso da minha calça e suspirei pesadamente, sentindo meu coração apertado contra o meu peito.

- Em breve, campeão — eu murmurei. — Porque eu já estou morrendo de saudade de você.

Com um sorriso triste no rosto, eu me virei e caminhei em direção à saída, querendo ver meu garoto novamente em breve. Já sentindo falta dele, parti para casa, só querendo que o tempo passasse o mais rápido possível.

Bella POV.

Os primeiros dias depois de nossa volta de Chicago foram bons, tranquilos. Eu finalmente tinha achado que Henry havia aceitado a situação do seu pai e eu — embora nem eu a entendesse e nem quisesse explicar todos os detalhes para ele -, já que ele não estava fazendo mais pirraças, não estava tendo mais pesadelos.

Isso tudo, porém, mudou cerca de uma semana depois.

E para pior. Muito pior do que antes.

Ele chegava da creche todos os dias chorando, quase aos berros, porque os seus coleguinhas tinham os seus pais por perto, os dois, e ele não. Eu sempre ligava para Edward quando chegava em casa, na esperança de que, assim, ele pudesse acalmar o filho um pouco, mas isso adiantava por cerca de algumas horas... Até quando ele fosse dormir e acordasse, aos berros, pedindo pelo pai, chamando pelo pai, exigindo a presença dele.

- Henry, querido, você vai ver o papai logo — eu murmurei, certa vez, em uma quarta, após chegar em casa e encontrá-lo triste novamente. — Eu prometo, ok?

Ele balançou a cabeça de forma negativa, seu lábio inferior tremendo.

- Eu quelo o meu papai, mamãe — sussurrou. — Liga pla ele?

Eu soltei um suspiro e assenti, puxando meu celular do bolso e discando os números do pai do meu filho. Entreguei-lhe o celular antes que Edward atendesse — ele provavelmente já sabia que era Henry, já que eu ligava cerca de quatro vezes por dia — e me afastei, indo liberar a babá, que ficava com Henry quando ele voltava da creche até que eu voltava do trabalho.

- Desculpe pela birra dele — eu murmurei, enquanto a acompanhava até a porta. — Ele anda sentindo muita falta do pai...

Ela sorriu e encolheu os ombros, como se não fosse nada.

- Sem problemas, Bella — disse. — Nos vemos amanhã, ok?

Eu entreguei o cheque a ela e fechei a porta, voltando para a sala. Henry ainda conversava com seu pai ao telefone, pedindo que ele viesse buscá-lo, que ele não gostava de Pittsburgh, não gostava da creche, que não queria viver mais aqui.

Naquela noite, ele não quis brincar. Naquele noite, ele não quis ouvir a história que eu contava para ele sempre.

Naquela noite, ele teve o pior pesadelo, me acordando aos gritos, às três da manhã. Eu corri para o seu quarto, meu coração batendo forte contra o meu peito, só para encontrá-lo sentado na cama, lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

- Shhh, Henry, shhh, mamãe está aqui. — Puxei-o para o meu colo e nos balancei, tentando acalmá-lo o máximo que eu podia. — Está tudo bem, está tudo bem, foi só um sonho ruim, baby...

- Quelo falá com o meu papai, mamãe — pediu, ainda chorando. — Quelo meu pai. Ele não pode me abandoná, liga pla ele, mamãe...

Afastei-me um pouco e segurei seu rosto entre as minhas mãos, fazendo com que ele me olhasse.

- Está tarde, Henry — eu disse. — Seu pai deve estar dormindo... E ele não vai te abandonar, foi só um sonho ruim, ok?

Ele balançou a cabeça de forma negativa e continuou chorando, ainda querendo falar com o seu pai. E após passar dez minutos ali, com o seu choro só aumentando, com ele só dizendo que o pai tinha o abandonado, eu decidi que iria ligar.

- Tudo bem, tudo bem — suspirei. — Eu vou ligar. Vou só pegar o meu celular, ok?

Ele assentiu, começando a se acalmar um pouco, embora lágrimas ainda escorressem pelo seu rosto e seu lábio tremesse, assim como o seu corpo. O pesadelo deveria ter sido bem ruim para ele estar agindo daquela maneira.

Disquei o número do celular de Edward e esperei chamar, a ligação caindo diversas vezes, antes que ele atendesse, parecendo preocupado.

- Calma, está tudo bem com Henry — eu disse, o interrompendo, quando ele começou a fazer diversas perguntas, uma atrás da outra. — Ele teve um pesadelo, está chorando muito, dizendo que você vai abadoná-lo... Eu tentei acalmá-lo e dizer que está tudo bem, mas... ele quer muito falar com você.

Ele ficou em silêncio durante alguns minutos, antes de suspirar.

- Deixe-me falar com ele, por favor — pediu. — Vou acalmá-lo, ok?

Eu levei o celular até o quarto do meu filho, que ainda estava chorando. Entreguei a ele e fiquei parada, encostada no batente da porta, observando-o conversar com o seu pai. Escutei-o dizer as mesmas coisas de mais cedo, acrescentando agora o medo de o pai deixá-lo.

- Tá bom — ele murmurou, uns bons minutos depois, parecendo estar mais calmo. — Você vem logo, papai? Tá bom.

Eu peguei o celular de volta quando Henry terminou de falar com o pai e me afastei um pouco.

- Eu vou tentar levá-lo na sexta — eu disse, antes que ele pudesse dizer algo. — Acho que vai ser bom ele passar um tempo com você, vai acalmá-lo um pouco...

Ele suspirou.

- Me liga se precisar de algo, ok? — disse. — E assim que souber se vai vir ou não. Eu vou buscá-los no aeroporto.

- Claro — eu respondi. — Vou deixá-lo informado.

Na sexta, nós chegamos em Chicago logo após o almoço, para a felicidade do meu filho. Ele ficou grudado com o pai tanto quanto pode, saindo com ele, querendo dormir com ele, sempre me pedindo para ficar lá mais um pouco e eu sempre respondendo que não dava, porque tínhamos uma vida em Pittsburgh.

E, no domingo, foi quando tudo piorou de vez.

Tentei adiar nossa partida o máximo que eu pude, mas nós partimos para o aeroporto por volta das sete. Henry estava quieto e calado no banco de trás, seus braços cruzados sobre o peito, seus olhos cheios de lágrimas, seu lábio inferior tremendo... Eu senti meu coração apertar contra o meu peito ao vê-lo dessa forma, mas não consegui comentar nada, pensando em como ele reagiria dali para a frente. Ele geralmente estava feliz quando se despedia do pai, dizendo que voltaria em breve... A choradeira e os pesadelos só começavam alguns dias. Para ele estar reagindo daquela maneira naquele momento...

Eu não queria nem pensar no que aconteceria nos dias que viriam.

Desci do carro e puxei as malas assim que Edward estacionou no aeroporto, e esperei até que ele pegasse um Henry já chorando e tentasse o colocar no chão. Mas ele só fez isso, tentou. Henry se agarrou em seu pescoço, seus soluços se tornando cada vez mais altos.

- Vem comigo, papai — ele pediu. — Quelo você lá, papai.

Eu vi Edward me olhar com os olhos arregalados, apertando nossa criança em seus braços, sem saber o que responder a ele. A cada visita nossa, ele se tornava mais agarrado a Chicago, mais grudado no pai... Partir ficava a cada vez mais difícil... e eu já não sabia mais o que fazer.

- Papai não pode, amor — ele murmurou, já começando a andar, Henry em seu colo. — Mas eu vou te visitar na semana que vem, o que você acha disso?

Ele soluçou novamente, se agarrou mais ao abraço do pai, mas não respondeu nada.

Foi extremamente difícil convencê-lo a soltar Edward. Quando enfim conseguimos colocá-lo no chão, ele abraçou as pernas do pai, o tempo todo chorando, o tempo todo gritando que ele não queria ir embora. Eu corri e despachei as malas o mais rápido que pude, enquanto Edward ficava com ele, tentando acalmá-lo. Quando eu voltei, tive que arrancá-lo às forças, me sentindo mais desesperada a cada minuto que passava, porque eu não tinha ideia do que fazer. Henry nunca tinha se comportado daquela maneira antes, ele nunca tinha sido uma criança de fazer pirraça para conseguir o que queria.

- Shhh, campeão. — Edward o beijou na testa mais uma vez, antes de se afastar. Eu pude notar o quão aquilo estava acabando com ele, ver o filme agir daquela maneira, mas ele estava tentando se controlar, o que eu agradeci. Se ele começasse a chorar também... isso acabaria comigo. — A gente vai se ver em breve, ok? O papai promete.

Ele chorou — um choro silencioso — durante todo o voo, dentro do táxi, quando chegamos em casa... Nós ligamos para Edward quando entramos, mas ainda assim, ele ainda chorava um pouco quando desligou, já querendo voltar.

Em uma tentativa desesperada, querendo muito que ele se acalmasse, liguei para Jasper, pedindo que ele fosse até lá. Ele adorava o seu tio Jasper. Uma visita talvez o animasse um pouco.

E até animou, mas não tanto quanto esperava.

Depois que eu o coloquei para dormir, voltei para a sala, encontrando Jasper ali. Joguei-me ao seu lado e deitei a cabeça em seu colo, sentindo-me exausta — tanto física quando mentalmente. Ele sorriu para mim de forma triste e suspirou.

- Eu conheço essa cara — murmurei. — Aconteceu algo?

Ele suspirou novamente e encolheu os ombros, mas não disse nada.

- O que foi? — Sentei-me no sofá e o encarei. — Jasper...

Ele sorriu.

- Não é nada ruim, eu juro — disse. — Eu só... eu não quero encher a sua cabeça agora. Sei que você está preocupada com Henry...

Eu suspirei.

- Acho que vou arrumar uma terapeuta para ele — sorri um pouco. — Ele nunca foi de agir dessa maneira... E eu já não sei o que fazer mais, Jazz...

Jasper pegou a minha mão e a apertou com carinho.

- Desculpe dizer isso, Bella, mas não acho que uma terapeuta vá resolver muito — ele disse. — Henry é criança, tudo o que ele quer agora é ficar perto do pai e da mãe... Você não precisa gastar com uma terapeuta... não é preciso muito para notar que ele vai voltar a ser, sim, o garoto que sempre foi, quando ele tiver os dois pais por perto.

Eu tornei a suspirar e bati minha cabeça contra o encosto do sofá, sabendo que Jasper estava certo, mas sem saber o que dizer.

- E era isso que eu meio que queria falar com você — soltou, fazendo com que eu o fitasse de repente. — Você se lembra quando comentei, um dia, que você tinha feito mais do que jamais saberia?

Eu assenti, mas não disse nada, esperando que ele terminasse.

- Eu meio que me... apaixonei, é, por Alice — continuou, e eu arregalei os olhos, surpresa. — É, eu sei, eu não esperava por isso, mas aconteceu.

- Como? — interrompi. — Quer dizer, vocês se viram algumas vezes...

- Nós conversamos sempre, Bella — encolheu os ombros. — Sempre. Por telefone, mensagem, e-mail, skype... Pode ser completamente loucura, principalmente porque não sei como ela se sente sobre mim, mas eu quero tentar algo.

Eu assenti e fiz um gesto com a mão, como se o incentivasse a continuar.

- Eu pedi transferência na empresa recentemente — ele murmurou — e hoje ela foi aprovada. Sinto muito por não ter contado antes, mas eu meio que ainda estava sem saber o que fazer...

- Você vai se mudar para Chicago? — Me vi perguntando, novamente o interrompendo. — Sério? Para sempre?

Ele riu.

- Eu posso estar louco, Bella, mas eu sei que eu tenho sentimentos por Alice — disse. — E eu acho que ela sente algo por mim também. E eu, querida amiga, vou atrás disso, porque não tenho nada a perder, certo? Se não der certo, não deu, mas pelo menos eu vou ter tentado.

Eu abaixei a cabeça e fitei as minhas mãos, sem saber o que dizer. Aquele pequeno discurso dele me atingia de forma direta, porque tanto eu quanto Edward estávamos sem fazer nada, quando podíamos já ter conversado ou algo assim. Mas nós sempre fugíamos disso. E eu não sabia até quando continuaríamos com aquilo.

- Ei...- Jasper se aproximou e ergueu meu rosto, sorrindo para mim. — Não estou dizendo isso para que se sinta culpada, mas para que pense... Bella, o que te prende aqui, de verdade? Você pode arrumar um emprego em qualquer lugar, você já não corre mais perigo... Você nem é feliz aqui, nem o seu filho...

Eu senti as lágrimas chegando aos meus olhos, mas não disse nada, apenas assenti. Ele suspirou e se colocou de pé, puxando-me para um abraço, suas mãos acariciando minhas costas gentilmente.

- Tudo com Alice aconteceu tão rápido e devagar — murmurou -, mas estou certo do que estou fazendo. E tenho certeza que no final você vai acabar tomando a decisão certa também... Só espero que não seja tarde demais. Só pense, ok? Pense com carinho, por favor.

- Tudo bem — respondi. — Eu vou pensar...

Dormir foi difícil naquela noite... e nas próximas também. Eu não conseguia parar de pensar no que Jasper tinha me dito, no que tínhamos conversado. Quando Edward veio visitar Henry no final de semana seguinte, eu me vi quase conversando com ele, perguntando a sua opinião, mas não consegui falar nada.

Entretanto, ao ver meu filho sofrer com a partida do pai novamente, ao vê-lo chorar e brigar comigo, implorando para que fôssemos embora, para que ele pudesse ir para Chicago novamente... eu me decidi.

Jasper estava certo; nada me prendia em Pittsburgh mais. Henry e eu não éramos felizes ali, nenhum de nós pertencia àquele lugar. Eu me sentei em minha cama no meio da noite, sem conseguir dormir direito. Meu coração batia cada vez mais rápido e eu sentia um pequeno sorriso nascer em meu rosto. Eu já deveria ter tomado essa decisão há muito tempo, mas agora ela tinha se firmado, agora eu sabia exatamente o que fazer.

Era hora de voltar a Chicago. Era hora de voltar para o lugar que eu nem deveria ter saído, em primeiro lugar.

Era hora de voltar para casa.

Notas finais
N/A: Olá, novamente! E então, gostaram? Bella e Henry vão morar em Chicago, yeeey. E o Edward, como vai reagir? Hmmm... Vamos ver haha.
Me apaixono cada vez mais por esse Henry, muito fofo ♥ ele sofrendo com a falta do pai foi triste, mas enfim... pelo menos agora eles vão se mudar, hein? E esse Jasper? Simplesmente adoro a amizade dele com a Bella. E ele finalmente disse que sente algo pela Alice. Venho planejando isso (os dois se aproximando sem que ninguém soubesse e tal) há algum tempo e fico feliz por ter chegado a hora de compartilhar com vocês (;
Espero que tenham gostado de lê-lo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo.
Novamente, capítulo dedicado à samantha pela recomendação. Muito obrigada mesmo, sua linda! Eu amei ♥
Até o próximo xx
PS: perdoem-me por qualquer erro, mas dei apenas uma lida rápida no capítulo, ok?