Waiting For You
9 Capítulo Oito
Notas iniciais
Espero que gostem! (;
Divirtam-se!
Jasper POV.
Fiquei calado durante alguns minutos, sem saber se tinha escutado certo ou estava imaginando coisas. Eu tinha tentado, a todo o custo, resolver os problemas no meu setor daqui, por e-mails, mas não tinha conseguido. Por isso, eu teria que dar uma pausa nas minhas férias e passar cerca de duas semanas – ou mais, tudo dependia do tamanho do estrago que os estagiários tinham feito – lá, tentando arrumar tudo. Em meio a isso, eu estava pensando em como faria para cuidar de Henry, já que provavelmente passaria o dia todo na empresa. Sua babá também estava de férias e, pelo que eu sabia, viajando, então...
A proposta de Edward soou como um resgate.
- O quê? – eu finalmente fui capaz de falar alguma coisa. – Você quer ficar com ele, aí em seu apartamento, durante essas duas semanas?
Ele ficou calado durante alguns segundos.
- Sim – murmurou. – Pode parecer loucura, mas eu acabei de conhecê-lo... Sei que você vai voltar, mas não quero ficar longe dele durante duas semanas...
- Entendo – sorri um pouco. – Bem, eu vou conversar com Henry. Não acho que ele vá negar ou algo assim, porque ele realmente gosta de você e da sua família, mas… você tem certeza, Edward? Cuidar de uma criança durante algumas horas é difícil, como você já pode notar, mas o dia todo, todos os dias... E você ainda cuida de uma empresa...
Ele suspirou.
- Eu sei – disse –, mas tenho certeza de que minha mãe, que fica mais em casa, vai adorar me ajudar... E eu quero passar mais tempo com ele, conhecê-lo. Como vou aprender se não tentar?
Sorri.
- Certo – murmurei. – Eu vou olhar tudo direitinho e te ligo em breve, pode ser? E caso você mude de ideia, é só me falar.
- Não mudarei – ele riu. – Posso não saber cuidar e educar uma criança ainda, mas estou certo do que estou fazendo. Quero passar um tempo com meu filho e acho que essa é uma ótima oportunidade.
Eu sorri ainda mais ao ouvir a confiança que ele colocava em sua voz.
- Tudo bem, então, Edward – disse. – Nos falamos em breve.
Assim que finalizei a ligação, corri até o notebook e o liguei, batendo meus dedos de forma ansiosa enquanto o esperava carregar. Bella provavelmente deixaria Henry ficar esse tempo com o pai, afinal, foi para isso que viemos, mas eu queria ter certeza antes de tomar uma decisão final.
Mandei um e-mail rapidamente para ela, explicando tudo o que tinha acontecido, e depois aproveitei que Henry dormia tranquilamente para olhar algumas coisas na internet. Alguns minutos depois, quando voltei ao meu e-mail, tive uma surpresa ao ver uma resposta de Bella.
Ei, Jazz.
Desculpe-me pelo sumiço, mas o trabalho aqui tem sido pesado... Como eu quero resolver tudo o quanto antes, tenho trabalhado mais do que nunca, sabe como é. Sim, eu li os seus e-mails e fiquei ciente do que os estagiários fizeram. Entendo que você tenha que voltar e tentar resolver, não se preocupe.
Henry… ficar com Edward? Isso meio que me pegou de surpresa, mas eu não vou impedir. Sei que cometi um erro ao deixá-los separados por tanto tempo, mas estou trabalhando para resolver tudo agora...
Bem, deixe-me saber quando você vai e quando você volta também... E por favor, só… certifique-se de que Henry fique bem, ok? Deixe Edward saber da rotina dele e essas coisas... E diga a Henry que eu sinto saudades – muitas – e que o amo muito, ok?
Sinto falta de tudo aí, Jazz. Sinceramente, não vejo a hora de voltar.
Mais uma vez, obrigada por estar fazendo tudo isso por mim.
Bella.
Eu sorri ao terminar de ler o e-mail da minha amiga e rapidamente o respondi. Esperei alguns minutos, mas, como não obtive resposta, fechei a tela do notebook; já era tarde e, sinceramente, eu não via a hora de me deitar.
Entrei no quarto, procurando não fazer barulho, e dei uma olhada em Henry. Um sorriso nasceu em meu rosto ao pensar na felicidade que ele sentiria, quando soubesse que passaria duas semanas – ou mais – na companhia de “Edwad”.
Ajeitei sua coberta e me afastei, caminhando até a minha cama e me deitei.
E, exatamente como eu esperava, não demorou muito até que eu estivesse dormindo.
Edward POV.
Assim que desliguei o celular, o encarei debilmente durante alguns minutos, sem conseguir acreditar no que tinha acabado de fazer. Eu, no entanto, não me arrependia – nem um pouco. Queria – e muito – passar aquele tempo com Henry, conhecê-lo melhor...
De repente, me encontrei sorrindo ao pensar no meu filho ficando comigo, todos os dias, durante aproximadamente duas semanas.
Ainda sorrindo, me ajeitei na cama, procurando adormecer logo. No dia seguinte, eu iria conversar com a minha mãe, ver se ela conhecia alguma babá que poderia me ajudar nesses dias ou se poderia ficar com Henry enquanto eu trabalhava. Rapidamente, passei minha agenda mentalmente em minha cabeça, certo de que depois desses dias corridos, tudo na empresa ficaria mais calmo. Eu poderia ficar lá durante a manhã e parte da tarde, mas o resto – reler contratos, ver algumas plantas e fazer ligações – poderia ser feito aqui, em meu apartamento.
Durante alguns minutos, rolei na cama, procurando me acalmar e dormir, já que estava começando a ficar tarde, mas não consegui. Quando um pensamento tomou conta da minha cabeça, eu me vi levantando e caminhando até o quarto de hóspedes ao lado do meu. Era o único que eu tinha, já que os outros dois tinham sido transformados em academia e escritório, mas… eu podia transformá-lo para Henry. Sorrindo, voltei para o meu quarto e, com esse novo pensamento, finalmente adormeci.
_
Como vinha fazendo durante toda aquela semana, levantei cedo e segui para a empresa, me sentindo realmente animado pela primeira vez em dias. Participei de apresentações e reuniões durante toda a manhã, e por isso não tive tempo de telefonar para a minha mãe, mas assim que o horário de almoço chegou, eu me vi me organizando para ir almoçar com meus pais.
- Jessica? – eu chamei, assim que terminei de fechar minha pasta. Esperei que ela aparecesse na porta, antes de continuar a falar: – Estou saindo para almoçar com meus pais e devo estar de volta dentro de cerca de duas horas. Você pode ir almoçar também e, quando voltar, pode dar uma olhada na lista que a Srta. Denali deixou com você, por favor?
Jessica assentiu.
- Claro, senhor – disse. – O senhor quer que eu ligue para ela ou?…
Fiz uma pequena careta quando me lembrei do que havia dito à Kate, mas uma ainda maior diante da possibilidade de ligar para ela.
- Ligue, por favor – eu murmurei. – Estarei de volta em breve.
Peguei minha pasta e casaco, e saí da minha sala, caminhando até o elevador. Cantarolei uma música qualquer enquanto seguia até a garagem e me peguei sorrindo toda vez que me lembrava do que iria acontecer dentro de alguns dias.
Henry moraria comigo.
Comigo.
O meu filho.
Quão louco era tudo isso?
Dirigi rapidamente até à casa dos meus pais e logo me vi estacionando em frente a mesma, sem conseguir parar de sorrir. Eu tinha certeza de que era uma loucura cuidar de uma criança assim, durante esse tempo, sem nunca ter feito isso antes, mas a cada minuto que passava, eu me via mais animado e ansioso para tal coisa.
Bati à porta, e esperei pacientemente, ainda cantarolando.
- Edward! – Minha mãe sorriu quando me viu. – Não esperava você aqui.
Eu sorri.
- Oi, mãe. – Aceitei o abraço dela. – Achei que você iria gostar da notícia que tenho para dar.
Ela sorriu de volta.
- Então, venha – puxou-me para dentro de casa. – Vamos conversar.
Esperamos meu pai e Alice chegar, e fomos almoçar. E enquanto comíamos, eu ia falando tudo o que Jasper tinha me dito na noite passada.
- Espere... – Minha mãe me interrompeu. – Henry vai ter que voltar com ele?
Escondi um sorriso.
- Ia – disse. – Mas… eu pedi que ele ficasse comigo, mãe, e queria saber se eu poderia contar com a sua ajuda.
Contei sobre minha decisão e em nenhum momento os três me interromperam, me ouvindo com a atenção. Todos sorriam antes mesmo de eu acabar e, por isso, eu tinha certeza de que eles tinham gostado da ideia tanto quanto eu.
- Mas é claro que ele pode ficar aqui enquanto você trabalha – minha mãe disse, ainda sorrindo. – Isso vai ser… ótimo! Passar um tempo com o meu neto vai ser maravilhoso!
Eu sorri.
- E eu posso ajudar também. – Meu pai disse. – Como estou ficando só no consultório agora, não vejo problema algum em passar algumas tardes ou manhãs com Henry. Acho que até posso levá-lo para visitar o consultório algum dia! Tenho certeza de que ele vai adorar.
- Ele vai dormir aonde? – Alice indagou, também sorrindo.
- Estava pensando em dar uma ajeitada no quarto de hóspedes – dei de ombros. – Posso comprar uma cama nova e alguns brinquedos... Coisas assim, eu acho.
Passei o resto do almoço combinando tudo com os três e quando saí, liguei para Jasper, deixando-o saber dos meus planos.
- Quando você vai? – eu indaguei, entrando no meu carro. – Estou olhando algumas coisas e preciso arrumar meu quarto de hóspedes. Ele não é muito apropriado para uma criança...
- Certo – ele riu. – Dentro de uma semana, acredito eu. Consegui acalmar um pouco as coisas e vou ficar até você se ajeitar.
Pelo resto da semana, eu dividi meu tempo entre a empresa, ficar com Henry e arrumar o quarto de hóspedes. Alice trabalhava com crianças e entendia de decoração, então ela foi incumbida de organizar tudo, enquanto eu somente olhava de vez em quando. Jasper e eu conversamos com Henry, sobre ele ficar comigo e com meus pais durante alguns dias, e, para a minha surpresa, ele concordou sem problema algum.
- Nós vamos sair, Edwad? – ele perguntou, seus olhos castanhos me fitando com atenção.
Eu sorri, enquanto erguia a mão e bagunçava seus fios bronzeados.
- Vamos, campeão – respondi. – Não todos os dias, porque eu vou continuar trabalhando, mas você vai passar o dia com minha mãe, meu pai, minha irmã... Acha que vai gostar?
Ele sorriu imediatamente, enquanto balançava a cabeça de forma afirmativa.
E então, faltava um dia para ele chegar. Cheguei um pouco mais tarde, pela última vez em alguns dias, ao apartamento, e me peguei bocejando de cansaço. Após colocar minha pasta no lugar dela, caminhei até o meu quarto, e estava prestes a começar a retirar minha roupa, quando vi minha irmã sentada na poltrona.
- O que você ainda faz aqui? – eu indaguei, me sentando na cama.
Ela sorriu.
- Terminei o quarto de Henry hoje – respondeu. – E fiz algumas coisas no seu apartamento, também, portanto, por nada.
- Algumas coisas? – ergui a sobrancelha, com medo de pensar no que ela havia feito. – Que coisas?
Ela riu.
- Edward, você vai viver durante duas semanas com uma criança de três anos, recém feitos, permita-me acrescentar tal coisa – revirou os olhos. – Você já pode pensar que ele é grandinho, mas crianças caem, se machucam... Coloquei travas na porta do seu escritório e da sua academia... Protetores na mesa de centro, essas pequenas coisas.
Assenti.
- Obrigado por isso – sorri. – Eu não tinha pensando em tal coisa.
Ela sorriu de volta para mim.
- Ninguém espera que você pense nisso, Edward – murmurou. – Você descobriu a algumas semanas que é pai, é normal demorar um pouco para se acostumar com tudo.
Tornei a sorrir.
Após alguns minutos discutindo sobre todas as mudanças, coloquei-me de pé e caminhei até o quarto ao lado. Eu sabia que mudanças seriam feitas e acompanhava de vez em quando, mas sempre que eu via estava tão bagunçado, que fiquei surpreso ao abrir a porta e encontrar um quarto completamente transformado.
Três paredes tinham um tom de azul claro, com algumas gotas pintadas em um tom de azul mais escuro, e a do fundo, no mesmo tom escuro, tinha alguns desenhos de peixes, tubarões e outros animais marinhos. Meus olhos observaram, então, os móveis. A cama que se encontrava no centro do quarto, era branca – assim como todos os outros móveis –, e o colchão estava forrado por um edredom azul, também com alguns detalhes do mar. Brinquedos estavam organizadamente espalhados ao longo do quarto, se transformando também em enfeites. E eu me vi sorrindo, até mesmo para o tapete em formato de peixe, sabendo que Henry adoraria tudo aquilo.
- E então, gostou? – A voz de Alice me tirou dos meus devaneios. – Eu não sei exatamente do que Henry gosta, mas acredito que ele vai adorar tudo aqui... Pelo menos, até uns seis ou sete anos... Depois, provavelmente, você vai ter que reformá-lo novamente.
Eu ri.
- Ficou ótimo, Alice – eu disse. – Obrigado por isso.
- Certo – ela riu também. – Agora, tem outro assunto que eu gostaria de falar com você... Vamos até a cozinha, por favor. Estou com fome, e só estava esperando você chegar para comer algo.
Eu revirei os olhos, mas apaguei a luz do quarto e fechei a porta, antes de segui-la até a cozinha. Sabendo que Alice não iria querer cozinhar, lavei minhas mãos e comecei, eu mesmo, a preparar um espaguete para nós dois.
- Então, não sei se você reparou – começou –, mas as férias de verão acabam dentro de duas semanas e meia, aproximadamente. Não sei o que você e Jasper combinaram, mas Henry já tem três anos... Ele ainda não está na idade de freqüentar uma escola, mas talvez fosse bom conviver com algumas crianças, em uma creche, por exemplo...
Assenti.
- Eu ficaria feliz se vocês o colocassem na creche que eu trabalho – ela sorriu. – Lá é um bom lugar e eu poderia ficar de olho nele, já que vai ser um lugar completamente desconhecido durante algum tempo.
Tornei a assentir.
- Certo – sorri. – Obrigado por isso, Alice. Eu vou falar com Jasper, antes de ele ir viajar. A mãe de Henry deve ter deixado tudo planejado, já que ela sabia que as férias de verão não durariam para sempre e não sabia quanto tempo ela iria demorar, e...
- A mãe de Henry? – Ela me interrompeu, inclinando a cabeça para o lado e erguendo as sobrancelhas. – Sério, Edward? Quase quatro anos que tudo acabou e você se recusa a falar o nome dela?
Eu me virei, encarando a panela à minha frente, evitando olhar para minha irmã.
- Não é grande coisa, Alice – resmunguei. – Apenas… deixe isso para lá, ok? Não quero falar sobre isso.
Ela murmurou alguma coisa, baixo demais para eu escutar, mas não disse mais nada. Eu continuei de costas, terminando o nosso jantar, e eventualmente nós voltamos a falar de Henry. Jasper passaria o dia com ele amanhã e depois, eu o levaria até o aeroporto, Henry comigo. Assim, ele saberia que o tio não estava a apenas alguns minutos de distância.
Depois que comemos, Alice e eu conversamos durante mais alguns minutos, até que ela resolveu ir embora. Eu a agradeci por tudo, e assim que ela saiu, peguei meu telefone, ligando para Jasper. Ele tinha dito que voltaria dentro de duas semanas, provavelmente, mas caso tivesse algum problema e ele tivesse que permanecer lá mais tempo, eu não queria ter de resolver em cima da hora sobre a creche de Henry.
- Oh, ótimo você mencionar isso. – Ele disse, assim que terminei de falar tudo o que Alice tinha me dito. – Bella e eu tínhamos discutido isso, e ela deixou tudo pronto caso ficasse fora mais tempo do que pretendia... Ela me deixou alguns folhetos de creches e outros lugares que cuidam de crianças, com detalhes da matrícula e como tudo funcionava por lá... Vou deixar tudo com você, pode ser? Você pode se reunir com sua irmã, já que ela trabalha em uma delas, e decidir qual é a melhor.
- Tudo bem – sorri. – Obrigado por isso... E Henry? Ele está animado para vir para cá amanhã?
Jasper riu.
- Sim, o que eu sinceramente não esperava – respondeu. – Ele nunca se apegou a alguém assim tão rápido, e fico feliz por isso ter acontecido com você e sua família.
- Eu também, Jasper – eu disse, de repente muito sério ao pensar nos três anos que eu já tinha perdido. – Eu também.
Não consegui dormir muito bem naquela noite, já que estava ansioso para Henry vir passar alguns dias comigo. Acordei mais cedo do que o costume e fui até a minha pequena academia, sabendo que, com Henry ali, provavelmente eu custaria a conseguir malhar, e fiquei ali durante cerca de uma hora e meia. Quando terminei, tomei um banho rápido e, após comer meu café da manhã, fui para a minha empresa.
A semana tensa que eu tinha tido já tinha passado, graças a Deus, e eu usei aquela manhã para rever tudo o que tinha feito, não querendo encontrar, futuramente, um problema que me fizesse ficar muito longe de Henry. À tarde, juntei-me com Jessica e reorganizei minha agenda, marcando todos os compromissos importantes para a parte da manhã.
- Eu deixei tudo pronto para a Srta. Denali, senhor. – Jessica me disse assim que terminamos. – Telefonei para ela e já passei tudo o que é para ser feito, mas ela não ficou muito satisfeita ao ouvir minha voz...
Fiz uma careta.
- Tudo bem – suspirei, sabendo que em breve teria de falar com ela novamente. – Obrigado por tudo, Jessica. Vamos para essa última reunião e depois, você está liberada para ir embora.
Uma hora mais tarde, eu me vi indo até o hotel onde Jasper e Henry estavam hospedados. Eles já estavam prontos quando cheguei, então não gastamos muito tempo ali. Saí do carro e ajudei a guardar as malas, tanto de Henry quanto de Jasper. Jasper e eu combinamos os últimos detalhes enquanto eu dirigia até o aeroporto, sem conseguir deixar de sorrir ao ver como Henry estava animado.
- Nós vamos blincar, Edwad? – ele indagou.
- Claro que vamos – eu sorri. – E quando eu não puder brincar com você, você vai ter minha mãe, meu pai, minha irmã... Acho que você vai se cansar de tanto brincar.
Ele balançou as pernas de forma animada.
- Não, Edwad – negou. – Não vou cansar.
E eu apenas sorri.
Henry se agarrou as pernas de Jasper ao se despedir, pedindo que ele voltasse logo. Eu o vi se ajoelhar e sorrir para o garoto que ele considerava sobrinho, e não consegui evitar um sorriso também.
- Eu vou voltar logo, ok? – disse. – Vão ser apenas alguns dias, então, se comporte, obedeça aos adultos e não apronte.
Ele assentiu.
- Tá bom – respondeu. – Quando você voltar, você vai tlazer minha mãe com você?
Senti meu coração apertado no peito.
- Oh, ainda não, Henry – ele respondeu. – Mas sabe o quê? Falei com sua mãe esses dias e ela disse que te ama muito e que está com saudades. Então, ela deve voltar logo, ok? Basta apenas continuar a ser um menino bonzinho.
Senti meu coração apertar ainda mais ao pensar em Bella tão próxima – entrando em contato com Jasper –, mesmo que ainda tão distante. Era mais do que eu esperava, depois de quase quatro anos sem ter notícia alguma.
- Ela vai demolar? – ele perguntou. – Eu também tô com saudades.
Jasper suspirou.
- Eu não sei, amigo – disse. – Mas agüente, ok? Você se lembra de tudo o que ela falou, certo? Então, apenas espere, logo, logo ela estará aqui.
Peguei a mão de Henry quando Jasper se afastou, acenando animadamente para nós. Esperei até que ele sumisse da nossa vista, antes de começar a arrastar Henry para o carro.
- Nós vamos blincar hoje, Edwad? – indagou.
Eu sorri.
- Claro – eu disse, abrindo a porta de trás do meu carro e o colocando na cadeirinha. – Eu tenho uma surpresa para você. Algo que acho que você vai gostar muito.
Seus olhinhos castanhos brilharam, e durante todo o caminho de volta, ficou me perguntando qual era a surpresa e se demoraria muito para descobrir. Saí do carro praticamente correndo para pegá-lo, já muito ansioso, no banco de trás. Levei-o até o meu apartamento, sem conseguir parar de sorrir, sentindo algo tão bom no meu peito...
Eu conhecia Henry há tão pouco tempo e o que sentia por ele já era tão grande...
Como eu me separaria dele quando ele tivesse que ir embora?
- Você vai me mostrar agola? – indagou.
- Sim, vamos lá.
Após trancar a porta da frente, o levei até o quarto, sorrindo a cada vez mais com a sua animação. Parei por um momento, em frente à porta do seu novo quarto, minha mão na maçaneta, mas meus olhos voltados para o rosto de Henry.
- Pronto? – indaguei.
E ele apenas assentiu.
Abri a porta e acendi a luz, ainda o olhando, e tive o prazer de ver seu rosto se iluminar. Ele largou a minha mão quase imediatamente e disparou para o quarto, seus olhos e mãos vendo e tocando tudo que estava ao seu alcance, enquanto soltava exclamações de prazer. Encostei-me no batente da porta e cruzei os braços, sem conseguir parar de sorrir. Sabia que ainda tínhamos que jantar e que provavelmente Henry relutaria um pouco para largar os brinquedos novos, mas eu realmente não estava me importando com nada naquele momento.
Ele estava feliz.
Ele ficaria comigo durante duas semanas.
Permaneci ali, durante algum tempo, parado, apenas o observando. Ele permanecia com cada brinquedo apenas alguns minutos, antes de disparar para o próximo e descobrir o que esse podia fazer. Aos poucos, o quarto, outrora arrumado, foi se transformando em um depósito de brinquedos, e mesmo assim, eu não conseguia parar de sorrir.
- Henry? – eu chamei, talvez uma hora mais tarde. Esperei que ele olhasse para mim, o caminhão ainda na sua mão, antes de continuar a falar: – Vamos dar uma pausa, ok? Tenho que preparar algo para comermos...
Ele voltou a olhar para o brinquedo.
- Mas eu quelia blincar – murmurou.
Eu sorri.
- Escolha um brinquedo ou dois e traga para a sala com você – eu disse. – Enquanto você brinca, eu preparo o jantar, mas depois que eu terminar, você vai ter que parar para comer, ok?
Eu não sabia bem se estava fazendo o certo ou não, mas tinha decidido seguir os meus instintos. Henry apenas assentiu e se levantou, seus olhos disparando por todo o quarto, provavelmente à procura de um brinquedo. Cerca de alguns minutos depois, ele pareceu se decidir, e então, seguimos para a sala.
Deixei-o sentado no tapete, de modo que eu podia vê-lo da cozinha, e comecei a preparar o jantar para nós dois. Demorei mais do que gastaria normalmente, primeiro porque a todo o momento meus olhos disparavam para Henry, querendo ver o que ele estava fazendo, e segundo porque às vezes me encontrava parado mais tempo do que o necessário, apenas o observando brincar. Quando terminei, precisei insistir um pouco para ele deixar os brinquedos de lado, mas logo estávamos sentados ao redor da mesa. Coloquei o babador, que eu tinha pedido para Alice comprar, antes de começarmos a comer e cortei sua carne, e só então voltei minha atenção para a minha própria comida.
Foi divertido vê-lo comer, recusando a minha ajuda quando eu oferecia. Eu nunca tinha dado muita atenção para crianças nos últimos quase quatro anos, mas de alguma forma, prestar atenção em Henry tendo dificuldade para equilibrar a comida no talher e levar à sua boca sem derramar nada… parecia a coisa mais interessante do mundo.
- E agola, Edwad? – ele indagou, assim que acabamos de comer. – Eu posso voltar a blincar?
Levantei meu pulso esquerdo e dei uma olhada no relógio, antes de suspirar.
- Agora não, amigão – sorri para ele. – Está ficando tarde, por isso, vamos apenas tomar um banho e dormir, ok? Amanhã você brinca mais.
Ajudei-o a guardar todos os brinquedos espalhados pelo quarto, antes de abrir o closet e pegar um pijama. Levei-o até o banheiro ao lado e dei-lhe um banho rapidamente. Ele já estava começando a ficar mais quieto, seus olhos piscando de forma demorada, o que me levou a perceber que ele já estava ficando com sono.
Coloquei-o na cama e liguei para Jasper, deixando o mesmo falar com Henry antes de ele dormir. Não precisei esperar muito, no entanto. Eu mal tinha passado da primeira página do pequeno livro de contos e ele já estava adormecido.
Levantei-me e saí do quarto devagar, apagando a luz e encostando a porta ao passar. Corri para o meu quarto e tomei um banho rápido, antes de cair na cama. O cansaço dos dias corridos não demorou muito para tomar conta de mim, somado com o dia de hoje, e logo eu já me encontrava dormindo também.
_
O dia seguinte começou um pouco agitado. Foi um desafio descobrir como fazer para me arrumar para a empresa, arrumar Henry para passar o dia com a minha mãe – assim como sua pequena mochila com algumas roupas e alguns brinquedos – e preparar o nosso café da manhã, mas, correndo mais do que tudo, eu consegui. Um pouco antes das oito, eu me vi saindo do meu condomínio, com um Henry ainda meio sonolento no banco de trás.
Exatamente como eu esperava, minha mãe estava animada e ansiosa quando cheguei à casa dela, e mal esperou que eu estacionasse antes de tirar meu filho do carro. Alice, de acordo com ela, logo estaria lá, e então, antes que eu pudesse dizer algo, Henry estava me dando tchau, ela também, e ambos estavam entrando em casa, o que me fez sorrir.
Exatamente como eu tinha planejado, fiquei toda a manhã na empresa e apenas parte da tarde, e pouco depois das duas eu estava saindo da mesma. Se o segurança não demonstrava nenhuma surpresa ao me ver saindo de lá por volta de oito da noite, ele pareceu bem surpreso quando me viu fazendo tal coisa às duas da tarde, mas não comentou nada, o que me fez sorrir. Despedi-me rapidamente dele e segui meu caminho, e não muito depois estava estacionando em frente à casa dos meus pais.
Minha mãe insistiu para que ficássemos até o jantar, mas eu fiquei até por volta de cinco apenas, já que precisava passar no supermercado. Henry já estava de banho tomado e tinha brincado a maior parte do dia, por isso não reclamou muito quando avisei que estávamos indo embora.
- Pra onde vamos, Edwad? – ele indagou, inclinando-se um pouco na sua cadeirinha.
Eu sorri para ele, observando-o pelo espelho retrovisor.
- Vamos passar no supermercado, campeão – eu respondi. – Não vamos demorar muito, eu prometo, ok? Preciso apenas comprar algumas coisas que logo começarão a faltar...
Ele assentiu.
- Eu posso complar chocolate? – pediu.
Eu ri.
- Claro que pode – murmurei.
Não muito depois estacionei em frente ao supermercado, que ficava próximo ao meu condomínio, e peguei Henry no banco de trás, segurando sua mão e o levando para dentro. Peguei um carrinho próximo à entrada e comecei a empurrá-lo com a mão livre, levando Henry e ele em direção aos corredores.
- Hmmm... O que temos aqui? – murmurei para mim mesmo, olhando para diversos tipos de cereais.
Eu não costumava comê-lo, mas talvez Henry às vezes quisesse variar e parar de comer um pouco de panquecas...
- O que você acha, Henry?... – comecei, tirando meus olhos da prateleira e olhando para o lado, querendo saber qual desenho da caixa ele ia achar mais interessante. – Qual você acha que?...
No entanto, eu parei de falar ao olhar para o lado direito e não encontrá-lo ali, como eu havia deixado. Conferi o lado esquerdo, esperando encontrá-lo parado ali, esperando por mim.
Mas ele também não estava lá.
Notas finais
Enfim, por hoje é só! No próximo capítulo vocês descobrem onde ele está e tal.
Até ele, meninas!
xx
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