Waiting For You

17 Capítulo Dezesseis


Notas iniciais
Como prometido, aqui estou eu! Muiiiito obrigada pelos reviews de vocês, suas lindas!
Capítulo dedicado à Feer_RC, pela recomendação! Obrigada, moça ♥
Espero que gostem (:

Bella POV.

Eu senti um sorriso nascendo em meu rosto quando fitei as malas espalhadas pelo quarto que eu estava ocupando nos últimos meses, sem conseguir acreditar que eu estava começando a organizar as minhas coisas para ir embora. Eu ainda tinha alguns dias — quase uma semana, na verdade -, mas estava ansiosa para voltar para a minha casa, para os EUA, para o meu filho.

Meu Henry.

Eu soltei uma risada, sentindo meu coração apertar em meu peito ao me lembrar dele. Não via a hora de tê-lo em meus braços, de tê-lo comigo. Esses meses que eu tinha ficado longe tinham sido extremamente difíceis, e eu já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha quase jogado tudo para o alto e quase comprado uma passagem para voltar para casa.

Entretanto, eu não podia. Eu estava aqui para conseguir resolver a causa que tinha abandonado quatro anos atrás, porque assim Henry poderia crescer ao lado do pai e da família dele. Eu já os tinha privado de muitas coisas e não podia continuar com isso para sempre. Doía — e muito — ficar longe dele e eu não via a hora de voltar, mas sabia que estava fazendo o certo.

E agora, finalmente, eu tinha atingido meu objetivo e conseguido o que queria... e poderia voltar para casa.

Era bom demais para ser verdade.

Caminhei até uma das malas, parada próxima a mim, ainda fechada, e a peguei, querendo terminar uma parte naquele mesmo dia. Abri-a e sorri ao ver todo os brinquedos que se encontravam ali dentro. Ninguém aqui sabia que eu tinha um filho — mesmo porque eu não conversava com muitas pessoas — e eu procurava manter tal coisa em segredo, apenas no caso de eu ser descoberta ou algo assim, mas eventualmente, quando eu saía, eu comprava um presente aqui e ali para Henry; ele os amaria, eu tinha certeza disso.

Terminei de guardar os que eu tinha comprado no dia anterior e tornei a fechar a mala. Depois de colocá-la no lugar que estava anteriormente, dirigi-me para o banheiro e tomei um banho longo quente. Já era bem tarde e eu provavelmente deveria estar dormindo, mas estava animada demais para adormecer. Eu estaria caindo de sono no trabalho no dia seguinte, tinha certeza disso, mas não conseguia me importar com tal coisa.

Fui até a cozinha quando saí do banho e preparei um rápido sanduíche, com nenhuma vontade de pensar em algo mais elaborado do que isso. Joguei-me, por fim, na cama e peguei meu notebook.

Um sorriso tomou conta do meu rosto quando eu vi que tinha um novo e-mail de Jasper.

Bella, dizia.

Como eu tinha mencionado anteriormente, estou indo para Chicago nesse final de semana, para avisar a Edward que você está voltando. Ficarei somente de um dia para o outro, já que não consegui uma folga amanhã, e não devo levar meu computador... Então, caso precise falar comigo, é só me ligar .

Chegue logo, Bells, eu sinto a sua falta.

E tenho certeza que não sou o único.

Jazz.

Eu limpei as lágrimas que tinham escorrido pelo meu rosto e reli o e-mail, colocando o prato com o resto do sanduíche de lado. Jasper e eu não conversávamos com muita frequência, mas ultimamente tal coisa tinha mudado. Nos últimos dias, nós nos falávamos quase todos os dias, e conversávamos muito. Não mencionávamos dois assuntos, porém. O que eu tinha vindo fazer aqui...

E Edward.

Quando tínhamos nos falado na quinta, ele tinha falado que estava pensando em contar a Edward que eu voltaria em breve e tinha mencionado ir até a Chicago para tal coisa, não querendo contar por telefone. Eu tinha apenas concordado, incapaz de falar qualquer outra coisa. Falar dele ainda trazia muitas lembranças; lembranças com as quais eu não me lidava muito bem, mesmo depois de tanto tempo.

Eu não conseguia nem mesmo pensar na reação dele quando me visse.

Ele deveria me odiar.

Toda a família me odiava, provavelmente. E, mesmo tendo feito tudo o que fiz por razões que eu sempre tinha julgado como corretas, eu não podia nem mesmo contestar.

E não tinha nem ideia do que faria quando estivesse frente a frente com ele. E nem o que iria dizer.

Balancei a cabeça, querendo afastar tais pensamentos, e respondi ao e-mail de Jazz. Ele tinha me enviado o e-mail na quinta, à noite, e provavelmente, a uma hora dessas, já deveria estar voltando para Pittsburgh.

Fechei meu computador e o coloquei de lado, me ajeitando na cama. Torci para que aqueles dias passassem rapidamente e que o sábado que vem chegasse.

Eu só tinha que trabalhar por mais uma semana, para completar a experiência exigida pela empresa que eu trabalhava em Pittsburgh, quando fiz a proposta, e poderia ir embora.

Rolei na cama, torcendo para que o sono chegasse logo, mas, ao invés disso, peguei-me relembrando de algumas coisas que tinham acontecido ao decorrer desses anos.

Senti meu coração acertar quando me lembrei de uma em particular, uma que ainda trazia lágrimas aos meus olhos.

O dia que eu tinha deixado Edward.

Flashback.

Eu senti as lágrimas enchendo meus olhos e rapidamente os fechei, com força, não querendo chorar. Eu sabia que não iria conseguir conter os soluços que tomariam conta de mim e não queria acordar Edward.

Eu não conseguiria partir caso ele acordasse. E aquele dia era o último do prazo.

Haveria tempo — e muito, eu sabia disso — para chorar depois.

Edward me abraçava por trás e seu braço estava envolvido ao meu redor com força, puxando-me para ele, mesmo que inconscientemente, e sua respiração fazia cócegas na minha nuca... Eu me prendi àquele momento o máximo que eu podia, durante toda a noite, meus olhos grudados no relógio, me recusando a dormir, mesmo que fosse por cinco minutos.

Eu sabia que teria que partir assim que começasse a amanhecer.

Mas eu não queria ir. Queria poder voltar atrás e ter parado de investigar enquanto ainda havia tempo. Entretanto, mesmo sendo ameaçada, mesmo com as minhas suspeitas de que duas pessoas haviam sido assassinadas por causa de tudo aquilo, eu tinha continuado a pesquisar, eu tinha insistido no que não deveria... e, agora, eu teria que deixar Edward.

Mordi o lábio inferior com força, reprimindo um soluço, tentando me focar nos últimos momentos que eu tinha com ele. Torci para que as horas se arrastassem, me focando em guardar cada detalhe possível — como eu me sentia com seus braços ao meu redor, como eu parecia me encaixar ali com perfeição, como ele parecia perfeitamente calmo e confortável comigo em seus braços, e em como eu amava tudo aquilo.

Infelizmente, mais cedo do que eu desejava, o relógio logo marcou seis da manhã e eu comecei a retirar o braço dele da minha cintura, tomando todo o cuidado para não acordá-lo. Quando consegui me levantar, corri para fora do quarto, indo até o quarto ao lado, onde eu tinha deixado minhas malas prontas e a roupa separada, antes que eu resolvesse ficar ali mais um pouco, observando Edward dormir, e não conseguisse partir. Procurei ser rápida enquanto me arrumava, com medo dele acordar, e até utilizei o banheiro social. Quando terminei, voltei para o quarto que tínhamos dividido durante os últimos meses e parei por um momento aos pés da cama, observando-o dormir.

Não sei quanto tempo fiquei ali, o olhando, mas eu decidi ir embora quando vi que ele estava começando a ficar inquieto.

Peguei a carta que eu tinna escrito ontem, quando estava sozinha, aos soluços, e coloquei no meu travesseiro. Abaixei-me ao seu lado e depositei um selindo nele, mal roçando nossos lábios. Àquela altura, as lagrímas já desciam pelo meu rosto e eu sabia que não demoraria muito até que eu começasse a soluçar.

- Eu te amo tanto — sussurrei. — Por favor, não me odeie...

E então, sabendo que eu não poderia demorar mais, coloquei-me de pé, peguei minhas malas e parti.

Deixando a pessoa que eu mais amava no mundo para trás.

Fim do Flashback.

Soltei um soluço ao me lembrar daquele dia e enfiei a cabeça no travesseiro, tentando me controlar.

Eu me lembrava de sair da casa que Edward tinha comprado para nós aos prantos, mal conseguindo pegar um táxi. Quase pedi ao taxista que voltasse mais de dez vezes, não conseguindo suportar a dor que tomava conta do meu peito, mas consegui resistir.

Eu me lembrava de ignorar os olhares que recebi no aeroporto, procurando fazer tudo muito rápido, não confiando em mim mesma. Sabia que, quanto mais tempo ficasse ali, mas seria difícil seria partir.

Engoli em seco, procurando afastar tais pensamentos da cabeça, sabendo que, caso eu não fizesse isso iria pirar. Forcei-me a pensar no sorriso de Henry, na vozinha dele...

E não demorou muito para que eu conseguisse dormir, meu peito doendo de saudades.

_

Os próximos dias tinham se arrastado, mas, finalmente, o sábado tinha chegado. Eu levantei cedo, sabendo que tinha que chegar cedo ao aeroporto, e conferi se tudo estava no lugar, antes de ir me arrumar. Troquei-me e tomei um rápido café da manhã, antes de levar minhas três malas para fora do pequeno apartamento que eu tinha alugado e ligar para o proprietário, informando que eu tinha terminado e estava esperando por ali para entregar as chaves. Tão logo ele chegou e conferiu como estava o apartamento, eu agradeci, deixei o pagamento do últimos mês e fui embora, me sentindo cada vez mais ansiosa.

Liguei para Jasper antes de embarcar — muito embora ainda fosse muito cedo em Pittsburgh, devido à diferença de fuso -, e disse a ele que tudo tinha dado certo e que eu estava a caminho de casa. O voo durava quase nove horas e eu, sinceramente, estava torcendo para que as horas se passassem rápido.

Eu li, tentei dormir, assisti a alguns filmes, mas não consegui ficar muito tempo quieta. Tive pena da pessoa que estava sentada ao meu lado, mas... o que eu podia fazer? Quanto mais rápido eu chegasse aos EUA, mais rápido eu resolveria tudo com a empresa sobre o meu período fora, mais rápido eu tiraria minhas férias e mais rápida eu voaria para Chicago.

E veria Henry.

E Edward.

Suspirei pesadamente ao pensar nisso. Jasper e eu tínhamos conversado apenas brevemente ao decorrer dessa semana, sem mencionar especificadamente como tinha sido sua conversa com Edward. Nenhum dos dois tinha contado nada a Henry ainda, sabendo como meu filho era ansioso. Eu chegaria de surpresa para ele.

Mas Edward já sabia, e provavelmente sua família já deveria saber também. Segunda ou terça eu deveria estar chegando em Chicago e não queria nem pensar em como seria a reação deles.

Soltei um suspiro de alívio quando chegamos a Pittsburgh, me sentindo cansada e confusa, só desejando a minha cama. Eu queria muito conversar um pouco com Jasper ainda naquele dia, mas eu sabia que teria de deixar para amanhã. Desci do avião me sentindo meio zonza, fazendo tudo de forma automática. Não sei dizer exatamente como consegui pegar as minhas malas em meio a tanta bagunça, e me arrastar até onde Jasper e eu havíamos combinado de nos encontrar, mas consegui.

Naquele momento, tudo o que eu queria era chegar em casa.

- Bella!

Eu senti um sorriso nascer em meu rosto quando ergui a cabeça e vi Jasper me encarando, andando rapidamente em minha direção. Deixei que ele me envolvesse em um abraço e apoiei minha testa em seu ombro, sentindo as lágrimas chegando aos meus olhos. Nenhum de nós disse nada durante algum tempo, apenas começando a matar as saudades um do outro. Quando o cansaço começou a falar mais alto, porém, eu me afastei e sorri para ele, tirando minhas mãos de suas costas para limpar minhas lágrimas.

Ele sorriu de volta.

- Como foi o voo? — indagou.

Eu fiz uma careta.

- Foi bom, eu acho — dei de ombros. — Só queria chegar logo...

Ele riu.

Sem dizer nada, Jazz pegou as minhas malas e começou a andar em direção a saída, e eu o segui. Eu esperei até que estivéssemos dentro do carro — embora tenha sido muito difícil para mim — para perguntar sobre Henry, meu coração doendo de saudades do meu menino. Eu não via a hora de vê-lo, de abraçá-lo, de brincar com ele, ficar com ele, observá-lo dormir...

- E Henry? — eu indaguei. — Ele está bem? Ele está gostando da creche?

Jasper sorriu, já colocando o carro em movimento.

- Ele está ótimo — respondeu. — Ama a creche, vai todos os dias... E já arrumou alguns coleguinhas. Como eu tinha te dito antes, não avisei a ele que você estava voltando, e pedi a Edward que fizesse o mesmo, porque você sabe como ele fica ansioso... Ele sempre pergunta onde está a mamãe dele e quanto tempo ela vai demorar, imagina se disséssemos que ela chegaria em uma semana? A família Cullen enlouqueceria com a ansiedade dele...

Eu ri em meio às lágrimas, conseguindo imaginar perfeitamente a cena. Henry podia ser um pouco ansioso quando queria.

- Ele sente a sua falta loucamente — continuou. — Tenho certeza de que vai te encher de histórias quando te ver... Ele me deu alguns doces, que tinham sobrado do Halloween, me fez brincar no quarto dele...

Eu funguei.

- Quarto dele? — interrompi Jasper. — Esme fez um quarto para ele?

Jasper parou o carro, devido a um semáforo, e me olhou, sorrindo um pouco.

- Tenho certeza de que não vai demorar muito para isso, mas não — ele disse. — Edward preparou um quarto para o filho quando soube que ele ficaria com ele durante um tempo. É realmente incrível. Como um mar. Cheio de animais marinhos pintados em algumas paredes, cheios de bichos de pelúcia e brinquedos espalhados pelo quarto... Ficou incrível. E Henry amou.

Tornei a rir.

- Obrigada, Jasper — eu murmurei. — Obrigada por cuidar do meu filho e ter feito tudo o que fez por mim. Não só enquanto eu estive em Londres, mas durante todo esse tempo, desde que nos conhecemos... Eu sinto como se nunca tivesse sido uma boa amiga para você, só te pedindo favores...

Ele riu e revirou os olhos, voltando a prestar atenção no trânsito.

- Você fez mais por mim do que imagina, Bella — ele murmurou, parecendo estar guardando algo para si. — Mas vamos por etapas. Eu lhe contarei em breve sobre isso. Agora, a senhorita vai comer algo, tomar um banho e dormir. Você deve estar exausta...

Foi só quando ele falou que notei que estávamos parados em frente ao seu prédio e não ao meu, já que ainda estava tentando entender o que ele queria dizer com aquilo. Quando o indaguei sobre estarmos no seu prédio, sabendo que ele não me falaria mais nada naquele dia, ele comentou que meu apartamento tinha ficado fechado por muito tempo e que eu passaria aquela noite no seu.

Como Jasper tinha dito, eu somente comi, tomei um banho e me joguei na cama do seu quarto de hóspedes, muito embora eu estivesse ansiosa, querendo ligar para Henry. Segurei-me, porém, sabendo que logo eu o veria.

Era inevitável não pensar em como seria quando eu estivesse cara a cara com o pai dele, mas procurei evitar tal coisa em minha mente. Eu sabia que aconteceria, mas, para o bem da minha saúde emocional e mental, eu estava focando no meu filho.

Eu não podia esperar mais para tê-lo comigo, em meus braços, o quanto antes.

E, em breve, eu o teria.

_

Dormir foi um pouco mais difícil do que eu esperava, mas eventualmente eu consegui. Eu tinha saído de Londres cedo, ficado mais de oito horas dentro do avião e chegado à tarde em Pittsburgh. Um pouco confuso, mas depois de algumas horas de sono — o resto da tarde e a noite toda, na verdade -, eu estava me sentindo muito melhor.

Era ainda cedo, mal tinha amanhecido, quando eu levantei da cama e caminhei, procurando não fazer muito barulho, até o banheiro social. Tomei um banho longo, deixando que a água quente escorresse pelo meu corpo, relaxando meu músculos. Vesti-me de forma casual, já que não tinha planos para sair tão cedo, e me dirigi para a cozinha. Se fosse em qualquer outra casa, eu me sentiria meio envergonhada por estar fazendo tudo isso, mas eu sabia que Jasper não se importaria.

Preparei, então, um café da manhã completo para nós dois e arrumei a mesa. Depois de olhar a geladeira e descobrir que não havia suco, eu preparei, e estava terminando de organizar as louças que tinha sujado, quando um Jasper, ainda meio sonolento, entrou na cozinha.

Ele sorriu quando viu a quantidade de comidas na mesa e veio me abraçar, depositando um beijo rápido em minha bochecha.

- Bom dia — ele murmurou. — Vejo que acordou cedo...

Eu ri.

- Você me deixou dormir demais — acusei. — Dormi mais de doze horas, Jazz...

Ele revirou os olhos, como se aquilo não fosse nada, e encolheu os ombros, já pegando um prato e se servindo de bacon e ovos mexidos. Eu me sentei à sua frente e o imitei, me sentindo faminta.

- Você estava cansada — comentou. — Achei que merecia descansar um pouco... Afinal, Henry puxou a ansiedade dele de alguém, Bella, e tenho certeza que foi de você...

Eu senti um sorriso bobo de saudade nascer em meu rosto quando ele mencionou meu garoto.

- Eu quero que amanhã chegue logo — sussurrei. — Quero tirar minhas férias e poder viajar, se possível, amanhã mesmo para Chicago. Preciso ver Henry o quanto antes, Jasper. Você não tem nem ideia do quanto eu sinto a falta dele.

Ele sorriu de volta para mim.

- Eu sei disso — respondeu. — E ele sente a sua falta também. Eu queria poder viajar com você e ver a reação dele quando a mamãe chegasse... Infelizmente, depois que um dos estagiários quase estragou um projeto importante, os chefes estão meio relutantes em me deixar tirar folga... Até que eles aprendem algo, pelo menos.

Eu ri.

- Espero que ninguém tenha estragado nada no meu setor — brinquei. — Não quero que os chefes me prendam aqui.

Nós tomamos o café da manhã enquanto conversávamos, como já tínhamos feito tantas outras vezes. Não falamos de nada pesado, nem mencionamos muito a família Cullen, embora Jasper comentasse, às vezes, sobre eles, quando falava de alguma aventura de Henry. Aventuras que me fizeram sentir ainda mais saudades e desejando que o tempo passasse rápido.

Eu não via a hora de tê-lo em meus braços.

Jasper me expulsou da cozinha depois que terminamos de comer, alegando que, como eu tinha preparado o café, ele lavaria a louça, e quando tentei protestar, ele me disse para ligar para Charlie e avisar que eu estava bem. Depois de ter feito tal ligação, me joguei no sofá e liguei a televisão, muito embora não estivesse com vontade de ver nada. Só queria passar o tempo até que Jasper tivesse terminado de cuidar de toda a louça suja.

Ontem não tinha dado para conversarmos, mas eu queria — e muito — discutir alguns pontos com ele naquele dia.

Por isso, quando ele saiu da cozinha, puxei-o para se sentar ao meu lado e o fitei, sem saber por onde começar. Ele pareceu ver como eu estava apreensiva e não disse nada, esperando enquanto eu organizava as minhas ideias.

- Como Edward reagiu quando você contou que eu tinha voltado? — perguntei de uma vez, sabendo que precisava coragem logo.

Ele suspirou.

- Ele ficou um pouco chocado, eu pude ver — respondeu, sem enrolar, o que eu agradeci mentalmente. — Acho que ele não estava esperando que eu dissesse aquilo, mas... depois voltou ao normal, eu acho. Perguntou se você viria para cá primeiro ou iria direto para Chicago... só isso.

Eu assenti, mordendo meu lábio inferior.

- E o que você respondeu? — indaguei.

- Disse que achava que você passaria aqui e iria para lá um ou dois dias depois... Nada mais. Pedi que ele não contasse nada a Henry ainda, porque ele ficaria ansioso e porque você queria fazer uma surpresa, e Edward concordou.

Tornei a assentir.

- Mais alguma coisa? — perguntei, me sentindo meio ansiosa.

- Não — deu de ombros. — Ele disse que era para eu avisar quando você estivesse indo para lá, só isso... E Henry entrou na sala naquele momento e tivemos que mudar de assunto...

Mais uma vez, assenti.

- E agora, Bella... — Jasper começou, antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa. — Por que você não me conta direitinho o que fez em Londres, hein? Eu sei que você acha que esqueci, mas não esqueci. Agora tudo acabou, certo? Agora você pode me contar tudo desde o começo... E eu quero detalhes, por favor.

Suspirei pesadamente, e neguei, sabendo que eu ainda não poderia dizer nada a ele.

- Ainda não, Jazz — eu disse. — Só espere mais um pouco, ok? Está tudo acabado, eu prometo. A pior parte já acabou.

Ele me fitou durante alguns minutos, provavelmente ponderando se deveria dizer alguma coisa ou não, mas por fim assentiu, muito embora eu soubesse que ele não concordava com aquilo. E isso só fez com que eu amasse meu amigo ainda mais.

Durante as próximas horas, nós conversamos sobre tudo o que tinha acontecido em Chicago desde que Henry e ele tinham chegado lá. Ele já tinha me contado algumas coisas por e-mail, mas era diferente pessoalmente e eu pude interrompê-lo quando precisava fazer algumas perguntas.

Saímos para almoçar quando sem terminar nossa conversa, nenhum de nós dois com vontade de preparar alguma coisa para comermos, e continuamos a nossa conversa ali, e depois, em meu apartamento, quando passei lá, junto de Jasper, para ver como tudo estava e dar uma limpada. Eu ri das histórias que ele contou de Henry, chorei em grande parte delas, e passei a cada vez mais desejar que as horas passassem rápido.

Eu precisava do meu filho o quanto antes.

Custei a dormir naquela noite, mesmo tendo acordado cedo. Primeiro porque eu tinha dormido demais na noite passada, e segundo porque eu estava ansiosa, nervosa e confusa, tudo ao mesmo tempo. Eu tinha passado meses sem ver Henry e finalmente, se tudo desse certo, eu poderia vê-lo amanhã — e só esse pensamento, trazia lágrimas aos meus olhos -, e eu veria Edward.

Depois de quatro anos sem vê-lo. Depois de achar que eu nunca mais o veria em toda a minha vida. Foi impossível não me perguntar como ele estaria, mais forte ou mais magro, com os cabelos mais longos ou mais curtos, coisas que pareciam tão sem importância, mas que minha mente, cheia de saudades, insistia em me fazer imaginar. Eu não ligava para isso, porém. Eu tinha certeza de que ele estava lindo. Tinha certeza de minhas lembranças nunca fariam jus à sua beleza.

Acordei cedo novamente no dia seguinte, levantando o quanto antes. Ao contrário do dia anterior, Jasper e eu não tomamos nosso tempo tomando café da manhã e matando saudades. Ele tinha que trabalhar e eu tinha que ir à empresa, entregar uns papéis e sair, oficialmente, de férias pelo próximo mês. Eu só voltaria a trabalhar depois do Natal.

Fui muito bem recebida quando entrei, e não consegui conter meu sorriso. Parei para conversar com algumas pessoas, acabei passando em todos os setores, e ainda tive que esperar meu chefe terminar uma reunião. Só consegui me reunir com ele depois do almoço.

Nós conversamos durante horas. Eu apresentei tudo aquilo que tinha aprendido nos últimos meses — já que, para a empresa onde eu trabalhava, eu tinha ido para Londres ganhar mais experiência, não por um motivo pessoal — e entreguei todos os papéis necessários. Depois de assiná-los, esperei até que o chefe os analisasse, torcendo para que ele não pedisse que eu trabalhasse durante alguns dias, antes de tirar as minhas férias.

Eu não suportaria de saudades de Henry.

Mas, para a minha sorte, ele sorriu para mim e disse as palavras que eu tanto ansiava em ouvir:

- Não quero te ver aqui até depois do Natal — ele disse. — Espero que descanse nessas férias, aproveitando seu garotinho... Sei que deve estar morrendo de saudades dele...

Eu ri.

- Estou sim, senhor — disse, já me pondo de pé; ele imitou o meu gesto. — Muito obrigada por tudo.

- Obrigado a você, Isabella, pelo ótimo trabalho que você fez em Londres — sorriu. — Agora vá. Vá ficar com o seu filho. Divirta-se.

Eu tornei a agradecer e estendi a mão, apertando a dele, antes de pegar as cópias dos meus papéis e sair da sala. Tínhamos ficado conversando durante horas e já eram quase quatro da tarde. Eu provavelmente só conseguiria chegar em Chicago lá pelas seis ou sete, se tivesse sorte em conseguir uma passagem de última hora.

Passei na sala de Jasper e conversei brevemente com ele. Compramos minha passagem pela internet e resolvemos tudo por lá, antes de eu agradecer e me despedir, dispensando sua carona até o aeroporto. Voei até o apartamento dele e peguei duas das minhas três malas — sendo uma os presentes que eu tinha comprado. Deixei os de Jasper para trás, tendo me esquecido completamente disso antes, e voei para o aeroporto.

E logo eu estava dentro do avião.

Meu amigo tinha ficado encarregado de avisar a Edward que eu chegaria por volta das sete, e, por isso, quando eu cheguei a Chicago, o voo tendo durado quase uma hora, havia uma mensagem de Jasper, com um endereço.

Eu senti meu coração acelerar quando percebi que era o endereço dele.

Em poucos minutos eu o veria. Em poucos minutos eu veria Henry.

E não tinha ideia nem do que deveria sentir.

Peguei um táxi e lhe passei o endereço, e passei toda a viagem balançando a perna de um lado para o outro, mal conseguindo prestar atenção no que o taxista estava falando. Por isso, quando ele parou diante de um condomínio — que aparentava ser enorme e muito luxuoso — eu lhe dei uma nota de vinte dólares e disse para ficar com o troco, como um pagamento pelo meu comportamento.

Arrastando as duas malas, eu me dirigi até o porteiro e esperei que ele voltasse sua atenção para mim. Tentei lhe dar um sorriso — embora eu tivesse a certeza de que ele estava trêmulo — e quando falei, rezei para que a minha voz não demonstrasse o quão nervosa eu estava.

- Eu gostaria de ir até o apartamento de Edward Cullen, por favor — eu pedi, minha voz não passando de um sussurro, enquanto enfiava minhas mãos no casaco que eu usava, tentando esconder do porteiro quão trêmulas elas estavam.

- E você é?... — ele indagou, já puxando o interfone.

- Isabella Swan.

- Só um minuto, por favor, Isabella — disse.

Eu esperei, embora não estivesse com paciência alguma, e engoli em seco quando o ouvi dizendo o meu nome. Senti como se eu fosse vomitar quando minha entrada foi liberada e ouvi as instruções do porteiro sobre onde eu deveria ir. Eu o agradeci e segui até o elevador, aproveitando a viagem até o último andar para verificar minha aparência. Meus cabelos estavam um pouco bagunçados, mas eu passei a mão rapidamente neles, em um gesto nervoso. Apertei minhas bochechas, já que eu estava um pouco pálida, querendo dar um pouco de cor a elas. Ajeitei minha roupa, tirando as rugas do casaco e respirei fundo diversas vezes, tentando me acalmar.

Vai dar tudo certo, repeti a mim mesma. Tem que dar.

Mas não dava para ficar calma. Dentro de alguns segundos, eu veria Henry. Dentro de alguns segundos, eu veria o pai dele.

Como eu poderia me manter calma?

De repente, em meio aos meus devaneios, o elevador apitou, indicando que havia chegado à cobertura. E com o coração na boca, eu me preparei para sair do mesmo, me perguntando o que esperava por mim do lado de fora.

Notas finais
N/A: Sou completamente apaixonada por esse capítulo :33 Amei escrevê-lo no POV da Bella. Ponderei durante alguns dias, antes de escrevê-lo, se deveria colocar no POV dela ou do Edward, mas acho que isso esclarece algumas coisas, mesmo que não muitas. Mas... já é algo, né? E esse flashback? Amo, amo, apenas de ser de cortar o coração 3. Ele saiu melhor do que eu esperava e acho que poderia relê-lo mil vezes :D. E a saudade que ela sentiu do filho? Muito amor, por favor. Amo muito a amizade do Jasper com a Bella :'). E o que será que ele quis dizer com isso, hein, de que a Bella fez mais do que imagina? hihi.
Agora, não me matem por ter parado aí, ok? O capítulo já estava ficando grande demais. Mas a semana passa rápido e domingo que vem chega já já (;
Enfim, espero que tenham gostado, porque, como eu já disse, amei escrever este capítulo. Obrigada pelos reviews e pelo carinho. E, mais uma vez, muito obrigada à Feer_RC pela recomendação! Valeu, moça :D
Já falei mais do que deveria. Qualquer dúvida, vocês podem me encontrar no twitter (deh_cc), ok?
Até domingo!
xx