Waiting For You
18 Capítulo Dezessete
Notas iniciais
Capítulo dedicado à Quel Torres, pela recomendação! Obrigada, moça ♥
Espero que gostem (;
Edward POV.
Eu encarei Jasper durante alguns minutos, sem saber o que dizer. Eu engoli em seco por fim, sentindo meu peito apertar ao pensar na possibilidade dela estar voltando, e tentei me focar, não querendo mostrar como aquela informação tinha me afetado.
Por fim, suspirei, sabendo que eu tinha que falar algo.
- Ela vai vir direto para cá? — indagou. — Ou vai passar em Pittsburgh primeiro?
Jasper me fitou durante alguns segundos, antes de responder.
- Provavelmente ela vai passar em Pittsburgh primeiro — deu de ombros. — Deve ficar lá por um ou dois dias e depois deve vir para cá.
Eu assenti, sem conseguir acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
- Entendo... — murmurei. — Só... me deixe saber, ok? Você me avisa quando ela estiver vindo...
Ele assentiu.
- E não comente nada com Henry, ok? — sorriu. — Ele ficará um pouco ansioso e, além disso, Bella quer fazer uma surpresa.
Foi a minha vez de assentir. Henry escolheu aquele momento para voltar à sala, trazendo consigo mais brinquedos que seus pequenos braços podiam aguentar. Eu não pude deixar de rir enquanto corria para ajudá-lo.
Eu veria a sua mãe em pouco mais de uma semana.
Depois de quatro anos sem notícias, achando que nunca mais a veria... ela estava voltando. E eu não tinha ideia de como deveria me sentir.
Aproveitei a companhia de meu filho e brinquei com ele tanto quanto eu podia, querendo me distrair. Jasper também brincou, e durante a próxima hora, foquei-me somente em Henry.
Ela estava vindo... E eventualmente ela teria de voltar para casa.
Ela levaria Henry com ela... Como eu poderia viver sem o meu filho?
Depois que Jasper e eu cansamos, nós começamos a nos preparar para dormir.
- Você não vai conseguir dormir bem aqui — eu murmurei, enquanto tentava ajeitar o sofá para ele.
Ele deu de ombros, não parecendo estar preocupado com isso.
- É só por uma noite — disse.
Eu tirei o lençol que tinha acabado de colocar no sofá e suspirei.
- A cama de Henry não é daquelas pequenas, feitas para criança — eu comentei, um sorriso nascendo em meu rosto ao ter essa ideia. — Você pode dormir lá e Henry pode dormir comigo...
Eu senti meu sorriso aumentar quando escutei Henry gritar, aparentemente animado com a ideia.
Jasper relutou um pouco, dizendo que não queria incomodar, mas acabou aceitando. Eu arrumei a cama de Henry para ele, então, e levei meu filho até o quarto.
Pensei que ele demoraria a dormir, já que estava muito agitado, mas nem cinco minutos haviam se passado que estávamos deitados na cama, e eu senti sua respiração acalmar.
Eu fiquei o olhando durante um tempo, talvez horas, pensando no que o tio dele tinha me dito naquele dia. Senti meu coração acelerar ao pensar na possibilidade de vê-la, depois de tanto tempo.
Eu não tinha ideia de como iria reagir. Não tinha ideia do que iria dizer ou sentir...
Foi praticamente impossível conseguir dormir bem naquela noite. Toda vez que eu tentava, lembranças invadiam minha mente, mas elas tão dolorosas que eu as reprimi.
Não queria me lembrar, embora ao mesmo tempo eu quisesse entender. Eu tinha tantas perguntas que queria fazer a ela, mas não me via fazendo nenhuma delas. Não duvidava que me tornasse um mudo depois de vê-la após tanto tempo.
Eventualmente, eu me levantei da cama, mais especificadamente quando comecei a ficar inquieto, não querendo acordar Henry. Arrumei-me para ir à casa dos meus pais e depois preparei nosso café da manhã. Sabia que meu rosto deveria estar horrível, já que eu não havia dormido nada, mas Jasper não comentou nada quando me viu, e depois de Henry ter acordado e ter tomado seu café, nós fomos para a casa dos meus pais, como fazíamos todos os domingos. Deixei que Jasper e meus pais brincassem com Henry, e fiquei mais quieto, pensando no que aconteceria dali a alguns dias.
- Está tudo bem, Edward?
Eu olhei para cima e vi minha mãe me fitando com atenção, parecendo um pouco preocupada. Eu relutei um pouco, sem saber se deveria contar, mas suspirei pesadamente, sabendo que cedo ou tarde ela descobriria.
- Jasper disse que Bella voltará em breve — eu murmurei. Vi os olhos da minha mãe se arregalarem quase que imediatamente, e tornei a suspirar. — Não comente nada com Henry, por favor. Ela quer fazer uma surpresa
Ela assentiu.
- Você quer conversar sobre isso, querido? — ela indagou.
Eu dei de ombros. Estava confuso demais... Eu não achava que conversar, naquele momento, quando eu tinha as ideias tão bagunçadas, ajudaria em alguma coisa.
- Não precisa — empurrei um sorriso para fora do rosto. — Só estou pensando no que isso significa...
Ela suspirou.
- Vai dar tudo certo, filho, você vai ver — disse. — Em breve, vocês poderão conversar.
Eu apenas assenti, sem saber se aquilo era uma coisa boa ou não.
Obriguei-me a me manter entretido com Henry pelo resto do dia, não querendo perder nem um minuto. Quando começou a anoitecer, nós voltamos para o meu apartamento, apenas para pegar a mala de Jasper — e para Henry dar alguns doces para ele, que tinham sobrado do Halloween -, e o levamos para o aeroporto.
- Comporte-se, viu, garoto? — Jasper indagou, ao se despedir dele.
Henry assentiu, sorrindo.
- Eu semple me compoto — ele respondeu, parecendo muito orgulhoso de si mesmo.
Eu e Jasper rimos.
- A gente se vê logo — ele disse, acenando rapidamente, antes de se afastar.
Permaneci parado ali com Henry durante alguns minutos, mas logo o puxei para fora do aeroporto, já que nós dois tínhamos que levantar cedo amanhã.
Os dias começaram a passar rapidamente e logo estávamos na quarta. Eu me via olhando o calendário todos os dias e ficava o encarando durante um tempo... O dia que ela chegaria estava se aproximando e eu ainda não tinha ideia do que aconteceria quando nos víssemos pela primeira vez depois de tanto tempo.
Quando o horário de Henry sair da creche chegou, eu comecei a juntar os papéis que estavam espalhados pela minha mesa e a juntá-los, querendo ir embora logo. Depois que terminei, despedi-me de Jessica e disse que ela já podia ir embora. Fiz o caminho já tão conhecido por mim e sorri quando vi que Henry já esperava por mim.
Meu sorriso morreu, porém, quando eu vi que seus olhos estavam vermelhos e quando Alice pediu que eu a acompanhasse até a sala da diretoria.
Antes de fazer o que ela tinha pedido, eu puxei Henry para o meu colo.
- O que aconteceu, campeão? — eu indaguei. — Você está bem?
Ele fungou e fez um beicinho.
- Não foi a minha culpa, papai — respondeu. — Ele bligou comigo, ele falou coisas feias...
Eu suspirei, me lembrando do coleguinha de Henry que o tinha provocado duas vezes já. E, provavelmente, tinha provocado uma terceira vez.
- Eu vou ali conversar com a diretora e depois a gente se fala, ok, filho? — sorri para ele. — Você fica com a sua tia Allie e se comporte.
Ele assentiu.
- Tá bom — fungou.
Eu depositei um beijo em sua testa e o entreguei à minha irmã, antes de segui-la até a sala da diretora. Ela me indicou onde eu tinha que entrar e disse que esperaria ali. Eu sorri e assenti, e a agradeci rapidamente antes de bater à porta da mulher que dirigia o local, entrando só depois que escutei um 'entre'.
- Boa tarde — eu a cumprimentei. — Sou o pai do Henry... Há algum problema?
Ela se pôs de pé e estendeu a mão para mim, sorrindo de forma agradável.
- Sou Mia Collin, senhor Cullen — disse, ainda sorrindo. — É um prazer conhecê-lo. Henry é extremamente parecido com o senhor, se me permite dizer.
Eu sorri, enquanto puxava a cadeira que ela tinha me indicado e me sentava.
- Apenas Edward, por favor — eu comentei. — Há algum problema com ele aqui? Pensei que estivesse se adaptando bem...
Ela suspirou, e retirou seus óculos, pousando-os sobre a mesa.
- Ele está – murmurou -, mas há um colega, Douglas, que consegue ser bem malvado quando quer... Ele fez comentários sobre a mãe de Henry hoje e os dois acabaram começando uma pequena briga, nada demais, coisa de crianças. Só queria que o senhor soubesse que conversei com o Douglas e os pais dele, deixando claro que não aceitarei coisas do tipo aqui dentro.
Eu engoli em seco, me lembrando do rostinho de Henry, marcado pelas lágrimas, e suspirei.
- Entendo – disse, por fim.
Ela me deu um sorriso simpático.
- Se o senhor pudesse conversar com ele, porém — continuou -, apenas para ele saber que brigar não é a solução... eu agradeceria.
Eu tornei a assentir.
- Eu vou — disse. — Pode ter certeza disso.
Nós conversamos durante alguns minutos, mas logo nos despedimos. Agradeci a ela pela preocupação e pedi que me avisasse sobre qualquer outro problema que ocorresse, antes de sair da sala. Alice e Henry esperavam por mim no lugar que eu os tinha deixado e imediatamente se colocaram de pé, assim que me viram. Eu conversei brevemente com Alice enquanto caminhávamos até o carro, Henry no meu colo.
- Precisa de uma carona? — eu indaguei.
Ela sorriu.
- Não precisa — respondeu. — Eu estou com o meu carro...
Eu assenti e me despedi dela, e finalmente fui para casa. Geralmente, nas quartas, eu dava uma passada na casa dos meus pais, mas abri uma exceção naquele dia. Liguei para a minha mãe assim que chegamos ao apartamento e expliquei a situação. Depois de desligar, puxei Henry para o sofá, sabendo que tínhamos que conversar.
- Por que você não me conta o que aconteceu, carinha? — eu indaguei.
Ele assentiu, ainda não parecendo muito feliz.
- O Douglas disse que eu não tinha mamãe — ele começou. — Eu contei que ela tava viajando, mas ele não acleditou, papai. Disse que ela me abandonou...
Eu senti meu coração apertar.
- Henry, querido, sua mãe não te abandonou — murmurei. — Ela voltará em breve... Você não pode ficar dando ouvidos a esse garoto. Ele estava errado ao falar que eu tinha te abandonado, não estava?
Ele assentiu.
- Eu sei, papai — sussurrou. — Mas... eu sinto saudades da mamãe. Tô me compotando dileito, mas ela tá demolando muito...
Eu engoli em seco.
- Eu sei — soltei. — E ela ficará muito feliz quando souber disso. Ela logo estará aqui, campeão, confie em mim.
Henry ergueu seu rostinho, seus olhinhos castanhos tomados pelas lágrimas me fitando com atenção.
- Plomete? — ele indagou.
Eu o puxei para os meus braços e o abracei, beijando o topo da sua cabeça.
- Prometo.
Permaneci com ele em meus braços, durante algum tempo, antes de me afastar e terminar nossa conversa. Expliquei que ele não podia brigar sempre que alguém dizia algo que ele não gostava e fiz uma coisa que quebrou o meu coração.
Eu dei a Henry um castigo.
Foi extremamente difícil e, sinceramente, não sei como consegui fazer tal coisa, mas eu o proibi de brincar naquela noite. Expliquei o porquê de estar fazendo aquilo e falei que depois que ele pedisse desculpas ao coleguinha, no dia seguinte, poderia voltar a brincar. Ele relutou um pouco, mas acabou aceitando, e quando eu disse que ele poderia me ajudar com o jantar, acabou se distraindo.
O resto da noite e o dia seguinte foram bem tranquilos, por assim dizer. Henry tinha se desculpado com seu colega e saído de seu castigo, mas eu me encontrava cada vez mais ansioso conforme as horas se passavam.
Durante todos esses anos, querendo ou não, eu me questionava se a veria novamente algum dia, sem nunca conseguir encontrar a resposta, mas agora... agora eu sabia que, em breve, nós nos encontraríamos novamente.
Era... surreal.
No sábado pela manhã eu me vi indo para a minha pequena academia, como não fazia há algum tempo, quando me vi incapaz de ficar na cama por mais tempo. Não fiquei muito ali, porém, já que Henry acordaria logo.
Nós ficamos em casa naquele sábado de manhã, sem fazer nada em especial. Minha mãe tinha ligado e perguntado se queríamos ir almoçar lá, mas eu recusei o convite. Àquela altura, meu pai e Alice deveriam saber que Bela estava voltando para os EUA hoje — e só de pensar nisso eu sentia meu coração acelerar contra o meu peito -, e eu sabia que eles iriam tentar conversar comigo sobre isso. E eu não queria isso, não queria falar quando nem eu tinha certeza do que sentir ou pensar.
Por volta das duas da tarde, o porteiro informou que Emmett estava ali, e pensando que talvez ele tivesse alguma informação que iria me interessar, eu pedi que ele subisse. Ele há tinha visto Henry algumas vezes antes e meu filho já não se sentia tão tímido perto dele. Mas, ansioso como eu estava, querendo notícias, eu não deixei que os dois interagissem muito.
Entretanto, para a minha tristeza, Emmett não tinha nenhuma novidade. Ele continuava insistindo que precisávamos de Bella. Então, eu contei a ele que ela chegaria em breve.
E antes que ele pudesse se manifestar, Henry entrou correndo em meu escritório, dizendo que a vovó queria falar comigo.
Emmett não pôde ficar muito tempo mais também, já que ele tinha compromissos, então não pude conversar muito com ele. Tudo o que ele fez, antes de ir embora, foi me dizer que me ligaria depois, ou me procuraria em breve na empresa, e se despediu, prometendo a Henry que voltaria em breve.
E, durante o resto do sábado, meu filho e eu não fizemos nada de especial, apenas ficamos curtindo a companhia um do outro. No domingo, nós fomos à casa dos meus pais, embora não tenhamos ficado muito tempo ali.
E então, antes que eu me desse conta, a segunda tinha chegado.
Eu mal consegui me concentrar no trabalho, e depois de tentar ler o mesmo contrato pela décima vez, desisti. Pedi que Jessica não me passasse nenhuma ligação, a não ser que fosse importante, incapaz de me concentrar em algo. Eu sabia que ela já estava em Pittsburgh. Só me restava saber se ela chegaria aqui, em Chicago, hoje ou amanhã.
Coisa que eu descobri um pouco mais tarde, já em meu apartamento, Henry comigo, desenhando, enquanto eu assistia a um canal qualquer na televisão. Eu estava distraído, meus pensamentos voando longe. Tão longe que me assustei quando meu celular vibrou, indicando a chegada de uma nova mensagem.
E era Jasper.
Bella está a caminho daí. Deve chegar daqui a uma hora, mais ou menos.
Eu senti meu coração parar de bater por um segundo. Qualquer barulho ao meu redor foi ignorado e eu pude quase ouvir meu coração bater em um ritmo forte e desesperado.
Eu devo ter ficado parado ali por cerca de cinco minutos ou mais, sem conseguir pensar em nada específico. Depois disso, procurei respirar fundo e me acalmar, sabendo que eu tinha que responder. Jasper estava esperando por isso, afinal.
Ela pode nos encontrar aqui, eu acho... Dê o meu endereço a ela. Henry e eu estaremos esperando.
Passei a próxima hora contando os minutos, não conseguindo me concentrar. E quando, quase uma hora e meia depois, eu escutei o interfone tocar, eu congelei, sentindo minha garganta apertar.
Ela estava aqui.
Sentindo um desespero imenso tomar conta de mim, eu corri para a sala e o atendi, e quase tive um ataque quando Paul, o porteiro, anunciou a chegada de Isabella Swan.
Depois de autorizar sua entrada, corri meus olhos pela sala, não querendo que ela visse nada fora do lugar. Voltei para o quarto, por fim, e chamei Henry, dizendo que eu tinha uma surpresa para ele.
Imediatamente ele desviou sua atenção do desenho e me olhou com total atenção, seus olhos arregalados em expectativa.
- Uma suplesa? — indagou.
Eu forcei um sorriso.
- Sim — assenti. — Por que você não vai para perto da porta e espera lá?
Ele se pôs de pé imediatamente e correu para a sala. E, embora relutando um pouco, eu o segui.
Deixei a porta da sala aberta e Henry parado ali, antes de me afastar um pouco, ficando fora do campo de visão de Henry e dela.
Os segundos seguintes pareciam durar horas. Mas eu soube, mesmo assim, o exato momento que ela chegou. Escutei o grito de Henry e alguns barulhos – de uma mala caindo, talvez? -, assim como uma voz que eu conhecia muito bem. Fechei minhas mãos em punho, sentindo tantas coisas ao mesmo tempo que era impossível identificar cada uma delas. Quando a curiosidade falou mais alto, porém, eu dei um passo para frente, sem saber o que esperar.
E o que eu vi em seguida, quase me provocou um ataque cardíaco.
Henry estava sendo abraçado por Bella, com tanta força que eu me perguntei se ele estava conseguindo respirar. Eu podia ver o seu rosto, tomado pelas lágrimas, e seu corpo tremendo devido à força do seu choro. Ela ria e chorava ao mesmo tempo, e eu simplesmente fiquei parado ali, praticamente congelado.
Assisti-a dar beijos por toda a extensão do rosto dele por tempo indeterminado. Ela estava mais linda do que eu me lembrava. Ela estava... perfeita.
A gravidez e o tempo só tinham feito bem a ela.
- Mamãe, você tá me apetando! — Henry gritou, de repente, tirando-me de meus devaneios.
Bella riu e se afastou um pouco, o fitando nos olhos. Nenhum nos dois ainda tinha me notado, por isso fiquei os observando interagir.
Eles eram tão perfeitos assim... juntos.
Para a minha infelicidade, porém, Bella logo se pôs de pé e se virou, dando de cara comigo no processo.
Eu senti cada sentimento que eu tinha por aquela mulher cair com força sobre mim. Todos os meses que passei, me recusando a sair de casa, com medo dela voltar e não encontrar ninguém, os anos que passei me perguntando por que ela tinha ido embora, jogando fora dois anos de nossas vidas, deixando lembranças para trás e nada mais do que uma carta para explicar. A carta... Quatro anos haviam se passado e eu me lembrava das exatas palavras que ela tinha escrito e tudo o que senti ao lê-las. Era muito para vir à tona de uma só vez. Ficar ali, parado, a observando, de repente, se tornou muito.
Eu tinha que respirar um pouco.
- Vou deixar vocês dois sozinhos — eu murmurei.
E, antes que qualquer um dos dois dissesse algo, eu escapei para o escritório, fechando e trancando a porta atrás de mim.
Desabei na minha cadeira e escondi o rosto entre as mãos, querendo me esquecer de tudo — nem que fosse por cinco minutos. Entretanto, meio sem querer, eu me vi destrancando uma das gavetas da minha mesa e pegando a carta que eu mantinha guardada ali.
E, antes que eu me desse conta, eu estava a relendo.
Trazendo memórias que eu evitava à tona.
Flashback.
Eu resmunguei baixinho enquanto rolava na cama e puxava a coberta, querendo esconder o meu rosto. Tentei a voltar a dormir, ainda me sentindo muito cansado e preguiçoso para levantar...
E então notei que a cama estava vazia demais.
Grunhi baixo, tentando encontrar dentro de mim força o suficiente para chamar Bella e perguntar porque ela estava fora da cama. Eu não tinha olhado as horas nem nada do tipo, mas tinha certeza de que era cedo — muito cedo para se acordar em um domingo, pelo menos.
Suspirei pesadamente quando notei que eu estava completamente acordado; o sono se fora. Sentei-me, devagar, e olhei em volta, coçando o olho. Havia algo de diferente, mas eu não sabia o quê.
Onde Bella estava?
- Bella? - eu gritei, e esperei uns segundos, mas não obtive resposta. — Baby?
Tentei escutar algo vindo da cozinha, já que ela gostava de preparar nosso café da manhã com um toque especial no domingo, mas a casa permaneceu em silêncio. E embora eu estivesse me julgando irracional, eu tinha certeza de que havia algo errado.
Sabendo que eu não conseguiria voltar a domir, eu me pus de pé e corri até o banheiro, fazendo rapidamente a minha rotina matinal. Depois, percorri toda a casa, encontrando-a extremamente vazia e silenciosa.
E foi então que eu comecei a me preocupar de verdade.
Liguei para o celular de Bella, até cair na caixa postal, cerca de cinco vezes. Não foi até a sexta que eu notei que ele estava em casa, tocando. Quando eu segui o barulho, eu percebi que ele estava no nosso quarto, o que era um pouco estranho.
Era muito raro Bella sair sem celular.
Liguei para Alice, por fim, e perguntei se ela tinha sequestrado a minha noiva para tratar os pontos finais sobre o nosso casamento — ela vinha fazendo isso muito ultimamente. Mas, para a minha surpresa, Alice nem tinha visto Bella naquele final de semana.
E eu não tinha a mínima ideia de outro lugar que ela poderia ir.
Ficando a cada minuto mais preocupado, eu parei de andar de um lado para o outro no quarto, forçando-me a pensar. Ela costumava ir ao mercado ou algo assim, quando cismava de que precisava de algo que não podia esperar. E ela costumava deixar um bilhete na cama quando fazia isso...
Sorrindo, e me xingando mentalmente por ser tão tolo e já concluir algo de ruim, eu caminhei até a cama, meu sorriso se tornando ainda maior quando notei que havia, de fato, um pedaço de papel ali.
Peguei-o, e imediatamente franzi o cenho. O papel era grande demais... Quando o desdobrei, notei mais palavras do que esperava, e só então percebi que aquilo não era uma nota... era uma carta.
Sem conseguir entender nada, sentei-me na ponta da cama e comecei a ler. E a cada palavra que eu lia, eu sentia como se alguém estivesse me apunhalado pelas costas.
Edward, dizia.
Você vai me odiar, eu sei que vai, quando terminar de ler esta carta, mas, por mais difícil que seja, só... tente me entender. Partir agora... é a melhor coisa para nós dois.
Eu sinto muito por estar fazendo isso, mas não há outra solução. Pensei em tudo o que tinha acontecido nos últimos tempos, pensei em nosso casamento, em como seria a minha vida no futuro... e, depois de um tempo de reflexão, cheguei à conclusão de que estou confusa. Não sei o que pensar mais.
Recebi uma proposta de emprego em outra cidade e enquanto você lê esta carta, eu já devo estar longe de Chicago. Sinto muito por estar fazendo isso à essa altura, mas... não dá mais.
Sei que no começo vai ser difícil, mas... viva. Saia, se divirta, conheça novas pessoas... Eu tenho fé que, eventualmente, você vai encontrar a pessoa certa para você.
Espero, de verdade, que tudo dê certo para você.
Obrigada por tudo o que você fez por mim. Guardarei tudo com carinho. E agradeça à sua família por mim. Nunca esquecerei de nada do que vocês fizeram.
Bella.
Eu sufoquei um soluço, meus olhos ainda presos à carta. Reli-a mais de dez vezes, tentando encontrar uma explicação.
Mas não havia nenhuma.
Afundei-me mais na cama e só então notei algo contra as minhas pernas. Tateei a cama e senti mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto quando vi o que era.
Era o anel que eu tinha dado à Bella quando a pedi em casamento.
Encarei-o por um momento, sem conseguir acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Alguns minutos depois, e com as mãos trêmulas, tateei minha cama, à procura do meu celular, meus olhos ainda presos ao anel que repousava na palma da minha mão. Disquei o número de Alice, sem nem olhar para o telefone, sem conseguir acreditar que aquilo era verdade.
Não podia ser.
Alice atendeu ao celular, parecendo um pouco irritada comigo — provavelmente, eu tinha a acordado novamente.
- O que foi? — ela indagou.
- Diz que é uma brincadeira — murmurei, usando de toda a força que eu possuía para não me entregar aos soluços. — Por favor, Alice... isso não tem graça.
Não podia ser real. Tinha que ser uma brincadeira que ela e Bella tinham armado para mim. Porque se fosse verdade... Fechei os olhos com força e suspirei.
Eu não podia nem mesmo me permitir a pensar nisso.
- Que brincadeira? — Alice perguntou, depois de ficar calada durante alguns segundos. — Edward... você está chorando?
Sua voz parecia séria demais, o que fez com que mais lágrimas escorressem pelo meu rosto. Incapaz de falar algo, eu finalizei a ligação na cara da minha irmã.
Eu tinha torcido para que fosse uma brincadeira das duas. Eu tinha torcido para que fosse um engano.
Mas não era.
Bella tinha ido embora.
Bella tinha me deixado.
E eu nem mesmo sabia se ela iria voltar.
Fim do Flashback.
Eu embolei a carta e a joguei de volta na gaveta novamente, me sentindo ser sufocado pelas lembranças. Passei as mãos no rosto com um pouco mais de força do que o necessário, meu coração apertado, não querendo chorar. Entretanto, tal esforço parecia ser inútil quando me lembrava quão vulnerável eu tinha ficado depois que ela tinha partido. Lembrava de Alice e meus pais vindo me ver, querendo saber como eu estava e o que tinha acontecido para eu estar ignorando todas as ligações. Lembrava da minha recusa em sair de casa, morrendo de medo de Bella voltar e eu não estar em casa para recebê-la. Lembrava até mesmo até da patética dependência que eu tinha desenvolvido. Quando, depois de um tempo, ficou claro que ela não voltaria, eu comecei a ligar para o celular dela a cada minuto e deixava cair na caixa postar... somente porque eu queria ouvir sua voz.
Trazia um certo alívio, que durava cerca de cinco segundos, mas só fazia a dor voltar com mais força depois.
Tudo isso tinha durado cerca de dois meses, até que Emmett veio conversar comigo. Eu o ignorei no começo, assim como ignorava meus pais e Alice quando eles vinham me ver, mas aos poucos, eu fui os ouvindo.
E voltei a trabalhar.
Mudei de casa e, aos poucos, fui colocando a vida sob o meu controle novamente, jurando que nunca mais permitiria que nenhuma mulher assumisse tal coisa. Trabalhei feito um louco, me mergulhando em contratos, plantas, planejamentos e projetos. Entretanto, mesmo fazendo tudo isso, mesmo me lotando de trabalho, eu sempre me lembrava dela, sempre pensava nela. Não importava o que eu fizesse.
Soltei um suspiro e balancei a cabeça, irritado por estar pensando em tudo aquilo. Olhei para a porta, me perguntando o que estaria acontecendo na sala e se, em algum momento, eu teria coragem de sair do escritório.
Porém, antes que eu pudesse pensar em uma resposta, ouvi uma batida à porta e imediatamente congelei.
Notas finais
Mocinhas, sei que estão ansiosas pela conversa dos dois, mas tenham um pouco de calma, ok? Queria colocar, neste capítulo, um pouco de como o Edward se sentiu na semana antes da volta da Bella e o reencontro dos três (Bella, Henry e Edward). Logo vocês vão descobrir quem está roubando a empresa do Edward e tudo o mais, também.
Enfim, por hoje é só. Domingo que vem tem mais! Obrigada por todos os reviews, vocês são umas fofas nhac.
Ah, antes que eu me esqueça: novamente, capítulo dedicado à Quel Torres. Amei muito a sua recomendação, você não tem ideia, sua fofa ♥
Qualquer dúvida, mocinhas, só me procurar no twitter (deh_cc).
Até domingo que vem! (;
xx
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