Waiting For You
20 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
Espero que gostem!
Leiam a N/A, ok?
Bella POV.
Eu engoli em seco quando escutei Edward dizer aquilo, sem saber por onde começar. Fitei minhas mãos, incapaz de olhá-lo nos olhos, e respirei fundo. Eu tinha que falar. Eu tinha esperado tanto tempo para dizer isso, para explicar a ele por que eu havia ido embora... mas, agora, comigo aqui... era surreal.
Edward estava tão diferente, tão distante. Com Henry, ele mudava completamente, mas ao se dirigir a mim... era como se não passássemos de meros conhecidos.
E, mesmo sabendo que tudo não passava da minha culpa, doía. E muito.
Torci minhas mãos, sem saber exatamente por onde começar. Eu deveria me levantar e pegar as provas que eu tinha conseguido? Ou deveria explicar tudo primeiro?
- Eu não sei exatamente por onde começar — sussurrei, ainda fitando minhas mãos. — Quer dizer, não me lembro exatamente de quando começou...
Pela minha visão periférica, vi Edward e Emmett se movendo, mas continuei com a cabeça abaixada.
- Tente se lembrar de quando você começou a perceber que algo estava errado. — Emmett disse. — Talvez isso ajude...
Eu assenti, e suspirei. Fechei meus olhos por um momento, lembrando-me da época que eu trabalhava na empresa, e apoei minha cabeça na mão direita, antes de começar a falar.
- Eu já trabalhava ali há algum tempo — comecei -, quase dois anos, na verdade. Já não era estagiária mais, tinha conseguido o emprego definitivo, e tinha mais acesso a tudo por ali. Os arquitetos estavam envolvidos em um grande projeto e o setor de finanças estava trabalhando o dobro, querendo que todos os acordos dessem certo, que nada passasse despercebido. Todo material que chegava e saía era registrado ali, todo dinheiro que saía também era, assim como o que entrava...
“Edward e eu já estávamos noivos naquela época. Há pouco tempo, na verdade. Tanto ele quanto eu estávamos trabalhando até mais tarde, ele querendo que todos os detalhes do projeto com um grande cliente — o maior que ele já tinha tido — saísse perfeito, e eu porque gostava de verificar cada centavo da empresa, não querendo que nada desse errado.”
Parei por um momento e respirei fundo, procurando colocar minhas emoções sob controle e não querendo deixar que as lembranças daquela época tomassem conta de mim.
- Eu estava trabalhando até mais tarde em um dia — continuei — e estava verificando algumas contas, quando percebi algo que estava errado. Nada demais, algo que passaria despercebido, então eu continuei o meu trabalho... Entretanto, quando fui jogar os dados no computador, comparando a quantidade de dinheiro que ganhávamos e perdíamos com as do passado, fui notando o mesmo padrão. Não era muito, mas, não sei... Talvez se fosse outra pessoa, isso passasse despercebido, foi o que pensei no começo, mas achei tudo aquilo muito estranho.
Tornei a parar, não porque eu queria, mas porque Emmett ergueu a mão.
- Eu percebi isso também — ele murmurou. — Andei investigando e não avancei muito, confesso, com medo de a pessoa por trás disso descobrir.
Eu assenti.
- Meu erro foi falar com alguém — sussurrei. — A pessoa me disse que não era nada, que provavelmente era algum erro de cálculo, que se fosse algo todo mundo já teria notado, mas... não engoli aquilo. Refiz os cálculos, investiguei mais... e não eram erros. Os dados estavam corretos. Fiz uma busca pelos estagiários antigos e outros funcionários, querendo saber mais sobre tudo aquilo. Talvez eles soubessem de alguma coisa que pudesse me ajudar... E foi, mais ou menos nessa época, que as ameaças começaram.
Eu olhei para cima quando terminei de falar isso e vi Edward, aparentemente inabalável, me encarando com atenção. Desviei meus olhos para Emmett, não suportando olhar para Edward e vê-lo tão indiferente.
- Foi bom você mencionar isso — sibilou Emmett. — Eu descobri umas coisinhas quando estava investigando e queria saber de você... Como eram as ameaças? Você as guardou ou algo assim?
Engoli em seco, e assenti.
- Fiz cópia de todas elas — murmurei. — Porque se algo acontecesse comigo, eu queria que a pessoa responsável fosse presa. Eu as tenho guardadas, junto com todas as provas que eu consegui quando estava trabalhando fora... E assim que terminar de explicar tudo a vocês, eu entregarei tudo. Acho que já passou da hora dessa pessoa ser pressa.
Ambos assentiram, mas não falaram nada, e eu tomei aquilo como incentivo para prosseguir.
- Mesmo com as ameaças, eu prossegui com o meu trabalho. Confesso que quando vi a hesitação dos estagiários que tinham saído, aparentemente sem nenhuma razão, eu fiquei com um pouco de medo.
- Por que você não disse nada para nenhum de nós? — Edward me cortou, de repente, falando pela primeira vez desde que tínhamos sentado ali. — Por que não disse nada para mim?
Eu engoli em seco quando ouvi a última pergunta e abri a boca diversas vezes, sem saber o que responder. Encarei-o durante alguns segundos, sentindo meu coração apertar no peito — por eu estar tão perto dele e não poder tocá-lo, não ter o direito de fazer isso. Por fim, decidi apenas falar a verdade.
- Eu pensei em fazer isso — murmurei, desviando os olhos de seu rosto e encarando o chão. — Muitas vezes, na verdade. Mas os e-mails eram bem esclarecedores... eles ameaçavam todos vocês, toda a sua família. Se eu contasse algo... eles os matariam.
- Por que você não parou de investigar? — ele tornou a indagar. — Por quê?
Eu suspirei pesadamente, me sentindo a cada minuto mais nervosa.
- Como eu podia? — sussurrei, ainda incapaz de olhá-los no olhos. — Como eu podia fingir que nada tinha acontecido se sua empresa estava sendo roubada? E como eu podia me arriscar e contar tudo a você, colocando todos em risco?
Nenhum de nós disse nada pelos próximos minutos, e eu nem mesmo me arrisquei a levantar o rosto ou a quebrar o silêncio. Fiquei ali, quase sentindo meu coração sair pela minha boca, sem saber o que fazer. Eu ainda tinha tanto o que explicar, mas... não sabia como continuar.
Entretanto, aquele silêncio começou a ficar insuportável. Todas as informações que eu tinha conseguido naquela época e as que eu tinha agora começaram a rondar a minha cabeça. Mesmo que eu simplesmente quisesse entregar os papéis e acabar logo com tudo aquilo, eu sabia que deveria contar tudo aos dois.
E depois, eu sabia que ainda teria que contar tudo à polícia, e que provavelmente deveria falar diante de um juiz.
Mas tudo bem. Eu estava fazendo aquilo para dar a Henry um futuro, sem ter que fugir e me esconder. Assim, ele poderia conviver com o pai dele, afinal.
- Mesmo com medo, eu continuei com a busca, os e-mails continuaram — sussurrei, enfim criando coragem para falar. — Eu sempre achava que nunca iria conseguir encontrar nada que me levasse até a pessoa responsável por tudo. Sempre tinha achado que eventualmente eles cumpririam as ameaças, mas... não podia parar.
Respirei fundo, estremecendo de leve quando me lembrei de quando descobri o responsável. De como tinha sido assustador.
- Mas você descobriu, não descobriu? — Emmett indagou, se inclinando um pouco.
Eu assenti.
- Foi por acaso — soltei. — Eu só queria encontrar a pessoa e contar a todos, só isso. Então, um dia, novamente eu tinha ficado até mais tarde... Edward tinha viajado, para concluir o projeto, e só voltaria dali a dois dias. Então, com medo de que ele desconfiasse, eu estava aproveitando aqueles dois dias para tentar resolver o máximo de coisas que eu conseguisse...
“Eu achava que não tinha ninguém na empresa. Fui até o depósito, querendo fazer uma busca lá, por papéis antigos ou coisas assim, algo que pudesse me ajudar. Para a minha surpresa, a porta estava aberta e a luz acesa...”
Eu estremeci novamente e fechei os olhos com força, todo o medo que eu tinha sentido naquela dia voltando com toda força. Eu me lembrava exatamente de como tinha sido quando eu encontrara aquela pessoa lá dentro. Lembrava de não ter desconfiado de nada no início, de ter apenas conversado com ele normalmente, escondendo meus verdadeiros motivos por estar ali até tarde. E me lembrava de quando ele perdeu a paciência e disse aquelas palavras.
Palavras que eu tinha carregado por tanto tempo. Palavras que eu carregava até hoje.
Continuei com a minha cabeça baixa, meus olhos ainda fechados, tentando expulsar a lembrança de minha mente. Tentei me lembrar que eu tinha conseguido, tinha conseguido as provas, por mais que tivesse demorado, e que agora ele não poderia me machucar novamente.
Porém, antes que eu me desse conta, a lembrança tomou conta de mim.
Flashback.
Eu soltei um suspiro quando cheguei ao mesmo beco sem saída de sempre e deitei a minha cabeça na mesa, fechando os olhos por um minuto — eu precisava dormir. Já tinha tentado de tudo para desvendar aquela pessoa, que roubava da empresa de Edward há tanto tempo.
Meu noivo.
Senti um sorriso nascer em meu rosto e me afastei um pouco, esticando a minha mão. Olhei para o anel que ele tinha me dado há alguns meses, sem conseguir parar de sorrir. Dentro de alguns meses nós nos casaríamos.
Pensando nisso, voltei meu olhar para o computador e tornei a dar uma olhada nas finanças, mas não consegui chegar ao final. Tudo estava me levando ao mesmo caminho e por mais que eu quisesse terminar aquilo o quanto antes — porque não contar o que estava acontecendo a Edward estava me deixando louca -, não estava conseguindo nada que me desse ânimo para continuar.
O que mais eu poderia fazer?
Soltei um suspiro pesado e, tão distraída como eu estava, dei um pulo na minha cadeira quando senti meu celular vibrar em meu casaco. Eu o peguei rapidamente, sentindo um sorriso nascer em meu rosto quando vi que era uma mensagem de Edward.
Mesmo estando viajando e preocupado com aquele projeto, ele ainda conseguia arrumar um tempinho para conversar comigo.
Eu sinto a sua falta ):. Não fique trabalhando até tarde, por favor, baby. Eu quero a minha noiva completamente descansada quando eu voltar... Afinal, algo me diz que teremos muitos motivos para comemorar (;. E.
Eu mordi o lábio inferior e reli a mensagem mais algumas vezes, antes de responder.
Não me provoque, não quando você está viajando e eu vou ter que dormir sozinha... ): Volte logo! E eu tenho certeza de que teremos muitos motivos para comemorar, noivo ;D. Sinto sua falta também. B.
Querendo, mais do que nunca, terminar aquilo logo e poder me dedicar exclusivamente a Edward e ao nosso casamento, coloquei-me de pé. Talvez, uma ida ao depósito pudesse me ajudar um pouco. Afinal, vários papéis ficavam estocados lá. Talvez eu tivesse perdido algo durante a minha primeira e muito rápida visita.
Guardei meu celular no bolso e caminhei até lá, cantarolando uma música qualquer. À medida que fui me aproximando, porém, meu sorriso foi morrendo. A porta estava aberta — uma porta que só ficava trancada — e a luz estava acesa. Estranho... eu tinha achado que estava sozinha aqui.
Andei um pouco mais rapidamente e parei na porta, quando vi meu chefe, Laurent, ajoelhado, mexendo em algumas gavetas.
- Laurent? — eu o chamei. — Está tudo bem?
Ele deu um pulo ao ouvir a minha voz e se voltou para mim, seu semblante fechado. Eu senti um arrepio percorrer meu corpo, não de uma forma boa, mas fiquei ali, parada. Não havia motivo algum para temer.
Laurent era um bom chefe. Ele nunca machucaria ninguém.
- Isabella — ele murmurou -, eu não esperava que tivesse alguém aqui, além da segurança, a uma hora dessas...
Eu dei de ombros.
- Só precisava procurar algumas coisas — comecei. — Mas tudo bem, eu posso voltar amanhã...
Antes que eu pudesse me afastar, ele se levantou e fez um gesto para eu entrar. Eu entrei, sorrindo um pouco, ainda sem entender o que ele fazia ali uma hora daquelas. Ele tinha se despedido horas atrás, não tinha?
- Eu estava procurando um documento que perdi recentemente — deu de ombros, como se tivesse lido meus pensamentos. — Mas acho que há espaço o suficiente para nós dois aqui, querida. Pode procurar também.
Engolindo em seco, eu assenti, e caminhei ao redor da sala, sem saber se deveria mesmo procurar com ele ali. Eu não queria ninguém envolvido no que eu estava fazendo, não queria ninguém correndo perigo. E por mais que eu achasse estranho Laurent estar ali ainda, eu não achava que ele era o cara envolvido no desvio de dinheiro. Afinal, ele adorava a empresa e trabalhava aqui há tantos anos...
Fui até o canto direito e puxei algumas gavetas, meus dedos passando por alguns arquivos. Puxei alguns, li outros, mas não estava encontrando nada. Estava quase desistindo — e tinha até mesmo esquecido o fato de que não estava sozinha — quando achei algo que poderia me ajudar. O nome de uma empresa, para onde uma boa parte de um dinheiro tinha sido enviado. Eu franzi o cenho quando li o resto das informações. Tínhamos todas as relações de empresas e escritórios que fazíamos acordos, e eu não me lembrava do nome dessa. Pensando em verificar, puxei meu celular e tirei uma foto, tornando a colocá-lo em meu bolso. Peguei a pasta onde o papel estava e tentei ver se havia mais alguma informação, mas aparentemente, era só aquela folha mesmo.
- Eu sabia que você não desistiria.
Eu dei um pulo, largando a pasta que eu segurava, e me virei, vendo Laurent parado ali, me fitando ainda muito sério. Eu o fitei, sem entender o que ele queria dizer, e coloquei a mão no peito, sentindo meu coração bater de forma desesperada.
- O quê? — eu indaguei.
Ele suspirou.
- Eu já avisei a diversos estagiários, Isabella — murmurou. — Os que não desistiram sofreram diversas consequências. Pare agora. Você nunca encontrára provas.
Eu arregalei os olhos quando percebi o que ele estava falando.
- Você? — perguntei. — Você é o responsável pelo desvio de dinheiro?
Ele riu.
- Não lhe devo satisfações, Isabella, mas sim, sou eu — sibilou. — Eu não vou ficar lhe dando mais avisos. Dois estagiários já morreram. Não tenho problema algum em tornar você a terceira e arrastar a família Cullen junto. Pare de procurar.
Eu fiquei o encarando durante alguns segundos, sem conseguir acreditar no que ele estava dizendo. Ele me olhou também, ainda sorrindo, mas logo se virou, começando a andar em direção à saída.
- Você está avisada, Isabella.
E depois de dizer isso, ele saiu.
Fim do Flashback.
Eu balancei a cabeça, tirando aquelas lembranças de mim, e ergui a cabeça, finalmente, encontrando tanto o olhar de Emmett quanto o de Edward em mim.
- Quem era? — Edward perguntou. — Quem está roubando a minha empresa?
Eu respirei fundo e engoli em seco, não conseguindo acreditar que, depois de todo esse tempo, eu finalmente estava podendo falar tudo aquilo, sem que ninguém que eu amasse corresse perigo.
- Laurent Mallory — sussurrei.
Edward POV.
Eu a encarei durante algum tempo, sem saber o que dizer. Laurent? Uma pessoa que trabalhava para mim há anos, que chefiava o setor de finanças há mais tempo do que eu estava trabalhando lá?
- Laurent? — eu murmurei. — Laurent? Você... você tem certeza?
Ela assentiu.
- Eu não consegui acreditar também — murmurou. — Fiquei parada durante alguns minutos, sem saber o que fazer. Por um lado, eu queria muito correr para você e contar tudo, mas não tinha provas e tinha medo do que ele podia fazer. Continuei investigando, tentando fazer tudo às escondidas. Procurei pela empresa e vi que realmente ela não estava na lista que tínhamos disponível. Tentei ter o máximo de informações que eu podia, mas...
Ela parou e balançou a cabeça, e mesmo estando um pouco distante dela, eu pude ver que ela tinha estremecido. Endireitei-me na poltrona e engoli em seco, tentando conter a vontade que eu sentia de puxá-la para o meu colo e reconfortá-la.
Eu não podia fazer isso. Não mais.
- Ele deu seu aviso final — sussurrou. — Nosso casamento se aproximava, tudo estava uma loucura, e eu tinha até dado um tempo na minha investigação. Você tinha me chamado para fazer aquela viagem, para descansarmos um pouco, fugirmos de toda aquela confusão e agitação, e eu tinha aceitado. Estava fugindo de Laurent, fingindo que tinha mesmo parado de investigar, mas aparentemente, pouco antes de viajarmos, ele descobriu que eu não tinha parado... e me mandou um e-mail, dizendo que eu tinha quinze dias para deixar a cidade. Que se eu não fizesse isso, ele machucaria você, a sua família... e me deixaria por último.
Eu, imediatamente, me recordei de como Bella estava, com medo de tudo, sempre querendo ficar perto de mim. Tornei a engoli em seco quando pensei nisso tudo, mas logo fiz um esforço para afastar tais pensamentos, querendo escutar o resto de seu relato.
- Eu pensei que ele não cumpriria, mas não pude deixar de ficar apreensiva — continuou. — Ele logo viajou, porque tinha um acordo para fazer na época, lembra?
Eu assenti, me lembrando de um outro projeto que tínhamos feito e que Laurent tinha viajado, junto de nosso advogado, para ajeitar tudo.
- Ele veio até a mim um dia antes da viagem dele e da nossa — suspirou. — Ele disse que tinha mudado de ideia, que eu tinha até a volta da viagem dele para começar a me preparar para partir. Disse que eu tinha ido longe demais.
- Mas o que mudou? — Emmett perguntou, interrompendo-a. — Por que você acreditou que ele faria algo agora e antes não?
Bella fechou os olhos por um momento, antes de abri-los e virar a cabeça para o meu amigo.
- Ele me mostrou fotos — sussurrou. — Fotos de todos os Cullen, fotos que só poderiam ser tiradas caso alguém estivesse muito perto. Ele me disse que tinha contrato alguém, que já estava tudo preparado, e que ele estava sendo bonzinho em deixar que eu me despedisse de todos e ainda viajasse com Edward.
“Tentei me esquecer disso quando estávamos viajando, querendo realmente relaxar. Vivia com medo todos os dias e confesso que comecei a ter pesadelos. Para Edward não descobrir sobre eles, eu evitei dormir tanto. Ficava esgotada, mas ao menos, eu não estava fazendo com que ele se preocupasse. Quando voltamos, eu achei que Laurent tinha tido um tempo para refletir, para me dar mais uma chance... eu finalmente tinha entendido que não podia lutar contra eles, mas assim que eu o vi no evento e ele me olhou... eu vi que ele não tinha mudado de ideia.”
Infelizmente, não consegui impedir que as lembranças daquela viagem e daquele evento — o último ao lado dela, o último no qual verdadeiramente me diverti, o último em que eu fiz um discurso — tomassem conta de minha mente. As risadas, os nossos passeios, as nossas longas noites...
Era demais. Amar alguém tanto assim não deveria trazer sofrimento.
- Ele me encurralou, pouco antes de irmos embora — sussurrou. — Disse que estava tudo preparado e que eu tinha uma semana para ir embora. Ele me deu até o domingo seguinte para me despedir, e eu procurei aproveitar cada dia, porque eu sabia que tinha provocado Laurent demais e que tinha perdido... Para evitar que todos se machucassem, eu parti.
Depois que ela terminou de dizer isso, todos ficamos em silêncio. Eu a fitava, observando cada detalhe do seu rosto, do seu cabelo, dos seus gestos. Eu tinha ficado quatro anos sem vê-la, privado de tal coisa, e ainda era meio surreal acreditar que ela realmente estava ali.
- E a empresa que você foi recentemente? — eu perguntei.
Eu sabia que deveríamos conversar sobre quando ela tinha descoberto estar grávida e tinha decidido seguir com a gravidez sem me contar nada, mas aquele assunto deveria ser discutido somente entre nós dois, não com Emmett ali.
- Laurent descobriu aonde eu morava e me ligava às vezes, apenas para me verificar — sussurrou. — Ele fez isso nos dois primeiros anos, mas depois parou. Eu escondia Henry o máximo que eu podia, com medo de ele ir me visitar de surpresa e descobrir que eu tinha um filho. Quando as ligações pararam, eu fiquei quieta durante mais algum tempo, mas finalmente decidi que eu não podia privá-lo de conviver com você para sempre e decidi ir atrás. Inscrevi-me em um curso fora do país, escolhendo a empresa que tinha ocupado o lugar da de fechada, para onde Laurent estava desviando dinheiro, suspeitando que ele continuava as operações lá, já que era o mesmo dono, e quando fui aceita, organizei tudo com Jasper, antes de ir para lá. Eu sabia que, caso algo acontecesse comigo, você tomaria conta de Henry, sabia que ele ficaria seguro com você.
Ela falou tudo isso sem me olhar nos olhos e eu senti algo tomar conta do meu coração, embora não soubesse exatamente o quê.
- Precisei de meses para conseguir algo — disse. — Precisei da confiança de várias pessoas, até conseguir fazer pesquisas mais profundas, sem que ninguém desconfiasse. Trabalhei duro, mas finalmente consegui envolver os nomes de Laurent, o dono da empresa de Londres e mais algumas pessoas. Tenho todas as provas, tenho tudo o necessário para fazer com eles fiquem presos o resto de suas vidas.
Emmett assentiu, se colocando de pé e puxando o celular do seu bolso.
- Preciso que você vá pegar tudo o que tem, Bella — ele disse. — Vou entrar em contato com a segurança da empresa e pedir que fique de olho em Laurent, sem que ele perceba, e nos avise se ele deixar o prédio. Eu o quero em custódia hoje. Ele logo deve descobrir que você está aqui e algo me diz que ele não vai gostar de nada disso...
Antes que Emmett pudesse discar, porém, Bella se pôs de pé e correu até a ele, segurando sua mão.
- Espere — murmurou. — Eu quero estar com Henry primeiro... Eu sei que provavelmente é um pensamento bobo, mas... me sentirei melhor quando ele estiver seguro aqui.
Eu concordei imediatamente, e após conversarmos um pouco, combinamos de pegar Henry um pouco mais cedo na creche, trazê-la para cá e só então ligarmos para a polícia.
Bella foi para o quarto, pegar todas as provas que ela tinha, e eu encarei Emmett, sem saber o que dizer. Nós ainda tínhamos muito o que conversar e eu já me sentia confuso... não queria nem pensar em como me sentiria quando finalmente falássemos tudo.
- Você está bem? — ele indagou, me olhando de forma preocupada.
Eu dei de ombros, sem saber o que responder.
- Não sei — sussurrei. — Acho que sim.
Ele apenas assentiu, mas eu sabia que ele queria dizer algo mais e só não disse com medo de Bella voltar.
Ficamos em silêncio até ela voltar com diversos papéis e conversas que tinha gravado. Ela nos entregou tudo e pediu licença para ir tomar banho. Eu lhe disse que não tinha problema algum e disse para que ela ficasse à vontade.
- Eu vou buscar Henry hoje. — Emmett disse. — Fique aí, Edward, e comece a se preparar. Os policias vão querer fazer diversas perguntas.
Eu suspirei, sabendo que ele estava certo.
- Vou ligar para a creche e avisar a Alice para ela enviar Henry com você — eu murmurei.
Ele sorriu e assentiu, antes de sair do meu apartamento, deixando que ele mergulhasse em completo silêncio. Sentei-me no sofá e apoei minha cabeça em minhas mãos, sentindo meu coração apertar contra o meu peito. Procurei respirar fundo e me acalmar, mas me lembrar de tudo o que tinha acontecido desde ontem, desde que ela tinha voltado, estava me deixando maluco.
E ainda tinha tanta coisa para acontecer que eu não sabia nem o que pensar.
Quando Emmett voltasse, iríamos até a delegacia e contaríamos tudo. Laurent seria preso, provavelmente ainda hoje, mas mesmo assim, mesmo tendo encontrado a pessoa que estava desviando dinheiro da minha empresa e que tinha feito com que ela se afastasse... eu não conseguia encontrar a paz que eu pensei que encontraria.
Eu estava confuso, sobrecarregado, e tudo o que eu queria naquele momento era me trancar em meu escritório e ficar ali por horas, apenas perdido em meus próprios pensamentos, até que todos eles estivessem organizados.
Mas eu sabia que não podia fazer isso. Henry precisava de mim por perto.
Esfreguei meu rosto com força, procurando me concentrar. Eu ainda tinha que ligar para os meus pais, tinha que resolver tanta coisa...
Concentrei-me, porém, no barulho que vinha do banheiro do meu quarto, e torci para que Henry e Emmett chegassem antes que ela saísse do banho. Não queria ficar sozinho com ela ainda. Não me sentia pronto para isso.
De repente, me lembrei da sensação que eu tinha, logo depois de ela ir embora, de que eu me sentiria aliviado quando ela voltasse, feliz, e que a receberia de braços abertos, implorando para que nucna mais me deixasse. Lembrava-me de como tinha sido me reerguer e viver sem ela durante todo esse tempo, de como tinha sido difícil, por mais que eu quisesse negar tal coisa. Entretanto, agora, mesmo com ela aqui, há apenas alguns metros de distância, não consegui encontrar o alívio que esperava, não consegui sentir nada do que eu sentia naquela época. Agora, tudo o que vinha era um misto de emoções com os quais eu ainda não sabia lidar e nem mesmo conseguia identificá-los direito.
E nem sabia se algum dia conseguiria.
Notas finais
Enfim, espero que tenham gostado! Laurent feio finalmente foi descoberto e no próximo capítulo, teremos a prisão dele (; E esse Edward... juro que depois desse final, tive muita vontade de colocá-lo no colo. Ele tá todo confuso 3
Deixem reviews, ok?
xx
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