Waiting For You
6 Capítulo Cinco
Notas iniciais
Edward POV.
Eu levei Henry e Jasper de volta para o hotel quase duas horas mais tarde. Após terminamos de comer nossa sobremesa, Jasper perguntou se ele podia levar Henry até o banheiro, para limpá-lo um pouco e trocar sua roupa. Minha mãe pareceu mais do que feliz ao oferecer para acompanhar os dois, deixando meu pai e eu sozinhos na sala.
- Ele é tão parecido com você. – Meu pai sorriu, sentando-se no sofá. Eu o imitei, mas me sentei na poltrona, e sorri um pouco. – Os mesmos gestos, gostos… É incrível.
Assenti, tornando a sorrir.
- Eu sei – suspirei.
Ficamos calados por um momento, eu sem saber o que dizer.
- Fico feliz por você ter decidido procurá-lo, Edward. – Meu pai disse, alguns minutos depois, quebrando o silêncio. – Sei que você ainda deve ter muitas perguntas e se sentir um pouco confuso, mas estou realmente feliz.
- Obrigado, pai – sorri. – Ainda não tenho ideia do que vai acontecer, mas acho que vou levar as coisas devagar ou algo assim.
- É uma boa ideia – ele sorriu também.
Antes que nós pudéssemos dizer qualquer coisa, minha mãe surgiu com Jasper e Henry novamente, este último mais limpo e com outra roupa. Ele imediatamente soltou sua mão de Jasper e correu até o meu pai, seus olhos brilhando, pedindo para ver o estetoscópio novamente, o que nos fez rir.
Levantei-me após algum tempo, caminhando até o segundo andar, indo até o meu quarto. Eu não morava aqui há anos já, desde que comecei a faculdade, mas minha mãe decidiu manter o quarto, transformando-o um pouco.
Entrei no mesmo, pela primeira vez em anos, porque as lembranças que haviam ali eram ainda muito vivas – exatamente como na casa que estava à venda há quase quatro anos. Caminhei até a cama e me sentei ali, engolindo em seco e já sentindo as lágrimas chegando aos meus olhos.
Eu me sentia um maricas toda vez que isso acontecia, mas realmente não conseguia evitar.
Escutei uma batida à porta e levantei minha cabeça, vendo Jasper parado ali, parecendo um pouco envergonhado. Coloquei-me de pé imediatamente, enxugando minhas lágrimas e o encarei, esperando que ele dissesse algo.
- Desculpe-me interromper – disse, por fim. – Sua mãe disse que você provavelmente estaria aqui, na terceira porta à direita… e pediu para que eu viesse verificar.
Assenti.
- Eu já vou descer – murmurei, abaixando minha cabeça, sentindo-me um pouco envergonhado por ele ter me pego daquele jeito.
Mas quando olhei para cima, alguns minutos depois, Jasper ainda me fitava, os braços agora cruzados em seu peito. Eu franzi a testa para ele, sem entender o que ele ainda fazia ali.
- Foi difícil para ela também, você sabe – murmurou, quando eu estava prestes a abrir a boca para perguntar se havia algum problema. – Já perdi a conta de quantas vezes eu a peguei encarando uma fotografia sua, de vocês dois juntos, e de quantas vezes eu a vi chorar.
Imediatamente senti meu coração apertar contra o meu peito.
- Pode não ser a mesma coisa – continuou –, já que pelo menos ela sabia onde você estava ou algo assim, mas ela sentia sua falta. A cada dia, a cada momento da vida de Henry, ela sentia sua falta.
Suspirei pesadamente e assenti, mesmo sabendo que ele não entenderia tal gesto. Eu só sinceramente não sabia o que dizer.
- É só difícil... – murmurei, apenas um minuto. – Mesmo se ela tivesse passando por problemas no passado, eu poderia ajudá-la, eu poderia encontrar um jeito de ficarmos juntos.
Jasper deu de ombros.
- Bella é teimosa, Edward – disse. – Você deve saber disso. E é altruísta também; ela abre a mão da própria felicidade pelos outros.
Assenti, engolindo em seco.
- Só dê um tempo – concluiu. – Quando ela voltar, porque eu tenho fé que ela vai, você pode perguntar tudo a ela.
Assenti mais uma vez, incerto do que dizer. Olhei para Jasper e tentei dar um sorriso agradecido, e ele apenas balançou a cabeça, sorrindo um pouco.
- Diga a minha mãe que eu já vou descer – murmurei. – Só preciso de um momento aqui.
- Certo – assentiu, descruzando os braços e se preparando para ir embora.
- E… Jasper? – chamei. Ele olhou para mim, não esboçando nenhuma reação. – Obrigado.
Tornei a me sentar na cama quando ele saiu, apoiando minha cabeça nas mãos. Fechei os olhos, pensando em tudo o que ele tinha dito. E principalmente no final, quando ele disse que ela iria voltar.
E se ela voltasse, eu não tinha ideia do que iria acontecer.
Balancei a cabeça e me coloquei de pé, indo até a porta dupla que havia no meu quarto, abrindo-a. Deixei que o vento batesse em mim e caminhei para o lado de fora, apoiando-me na beirada. Eu queria poder dizer que eu não me lembrava exatamente qual fora a última vez que eu tinha vindo aqui, mas não podia.
Porque eu me lembrava.
E foi alguns dias antes de Bella sumir.
Flashback.
Eu lavei minhas mãos e saí do banheiro, assoviando alegremente. Passei as mãos em meus cabelos e segui até a sala, procurando por Bella. Franzi a testa quando vi meus pais e irmã ali, mas nada dela.
- Onde está Bella? – perguntei a minha mãe.
- Hmmm... – minha mãe olhou ao redor. – Acho que ela disse que ia ao seu quarto, pegar uma blusa de frio sua...
Sorri, assentindo.
- Eu já volto. – Beijei sua bochecha rapidamente, antes de seguir para o segundo andar.
Abri a porta do meu quarto, estranhando o fato de ela estar fechada, já que ela iria apenas pegar uma blusa. No entanto, sorri quando eu vi a porta da pequena varanda aberta, estranhando ao ver que Bella estava sem blusa.
Procurando fazer silêncio, adentrei meu closet, vendo algumas das poucas roupas que eu ainda tinha guardadas ali. A maioria das minhas coisas já estava na nossa casa nova e eu somente tinha deixado essas aqui para o caso de necessitar algum dia. Peguei um moletom cinza, sorrindo ao notar seu tamanho; provavelmente ele ficaria no meio das coxas de Bella. Saí do closet e caminhei até ela, cobrindo-a por trás e a envolvendo em meus braços. Suspirei, feliz, quando todo o seu corpo relaxou e ela apoiou a cabeça em meu peito.
- O que faz aqui? – indaguei, depositando um beijo em sua nuca. – Está frio...
Ela riu baixinho.
- Só gosto daqui – disse, dando de ombros. – Gosto muito daqui.
Eu sorri imensamente, repassando em minha mente todos os momentos bons que havíamos passado aqui. Mordisquei o lóbulo de sua orelha com delicadeza, rindo contra a sua pele quando senti a mesma se arrepiar.
- Hmmm... – murmurei. – Eu gosto daqui também. Muito.
Bella riu.
- Devemos descer – eu disse. – Meus pais vão procurar por nós...
Bella apertou meus braços mais a sua volta, impedindo-me de sair.
- Não – resmungou. – Vamos ficar mais um pouquinho...
Virei seu corpo, erguendo seu queixo, franzindo a testa assim que eu vi seus olhos cheios de lágrima, sua expressão séria demais.
- O que foi, Bella? – indaguei.
Ela suspirou.
- Só estou meio com medo... – encolheu os ombros, fechando os olhos por um momento. – Medo de que tudo isso seja um sonho e que eu vá acordar...
Eu ri um pouco, secando as duas lágrimas que haviam escorrido de seu rosto.
- Não é, baby – murmurei, beijando sua testa demoradamente. – Dentro de quatro meses nós vamos nos casar… Vai dar tudo certo, ok? Você vai ver.
Ela assentiu, sorrindo um pouco.
- Agora vamos. – Afastei-me, sorrindo ao ver o moletom grande demais nela, e puxei o fecho dele. – Pronto! Aquecida... Hora de descer.
Ela riu baixinho e revirou os olhos, mas me segurou quando eu fiz menção de voltar para dentro do quarto. Sua feição se tornou séria novamente e ela se pôs na ponta dos pés, segurando meu rosto entre suas mãos.
- Você sabe que eu te amo mais do que qualquer coisa, não sabe? – murmurou.
Eu sorri imensamente para ela, olhando dentro daqueles olhos castanhos que eu tanto amava, e a puxei mais para mim, depositando um beijo demorado em seus lábios.
- Eu também te amo, baby – suspirei. – Muito. Mais do que tudo.
Um sorriso se quebrou no rosto de Bella e ela tornou a me beijar. Eu sabia que meus pais e irmã estavam esperando por nós no primeiro andar, querendo falar da lista de convidados do nosso casamento, mas eu pouco me importei para aquilo naquele momento. Eu somente aprofundei o beijo mais, circulando sua cintura com os braços, sabendo que eu estava com a minha pessoa favorita no mundo inteiro.
Os planos para o casamento podiam esperar um pouco.
Fim do Flashback.
Os sinais eram claros e eu me perguntei como pude ignorar tal coisa. O tom de despedida que ela sempre empregava nas palavras, os supostos pesadelos que ela tinha durante a noite e que a impediam de dormir... E eu sempre achando que era só nervosismo de noivas, coisas normais.
Passei a mão pelos cabelos, me afastando da varanda, decidido a não pensar naquilo naquele momento. Fechei e tranquei as portas assim que entrei no quarto, saindo do mesmo e voltando para o primeiro andar logo em seguida.
Um sorriso tomou conta do meu rosto assim que eu vi Henry, aparentemente muito feliz, sentado no tapete da sala, brincando com alguns brinquedos, que Jasper, provavelmente, havia colocado na mochila. Minha mãe estava sentada ao lado, brincando pacientemente com ele, e meu pai e Jasper apenas assistiam, conversando sobre algo entre si.
Comecei a caminhar em direção ao Henry e Esme, querendo dar uma olhada nos brinquedos dele, me perguntando se eram os mesmos com os quais ele havia brincado quando havia ido até o meu apartamento.
- Eu sinto falta da minha mamãe. – Henry falou, de repente, não muito alto, mas o suficiente para que eu ouvisse e congelasse. – Selá que ela demola?
Eu dei uma olhada rápida para Jasper e Carlisle, mas eles não pareçam escutar o que Henry tinha dito, então voltei meus olhos para Esme, que o olhava com ternura.
- Eu não sei, querido – ela murmurou. – Ela te disse que voltaria, não disse? Então, se ela disse, ela vai voltar. Basta ter um pouquinho de paciência, ok?
- O que é paciência? – indagou, fazendo minha mãe rir.
- É quando você tem que esperar uma coisa com calma – murmurou ela, sorrindo. – Pode demorar um pouco, mas vai acontecer.
Ele assentiu, parecendo entender o que ela queria dizer.
- Mas quando a gente tem que deixar de ter paciência? – tornou a perguntar.
Foi a minha vez de rir.
- Não temos, amigo. – Aproximei-me dele, ajoelhando-me ao seu lado e me intrometendo na conversa. – Só tem que… esperar.
Ele fez uma pequena careta.
- Palece chato – disse.
Eu sorri.
- Geralmente é – dei de ombros.
Ele pareceu satisfeito com a pequena explicação e voltou a brincar, até Jasper dizer que eles provavelmente deveriam ir. Eu falei que iria levá-los e me levantei, despedindo-me dos meus pais e agradecendo por tudo. Henry fez Esme prometer que ia visitá-lo, seguindo para o meu pai logo em seguida e fazendo com que ele prometesse a mesma coisa. Depois disso, Jasper agradeceu por tudo e nós nos despedimos, partindo para o meu carro.
E Henry dormiu no caminho para o hotel.
- Por que você não aproveita um dia desses e passeia com ele? – Jasper indagou enquanto eu dirigia. – Só vocês dois, é claro. Eu acho que vai ser bom para vocês.
Eu o olhei, erguendo as sobrancelhas.
- Você acha? – perguntei. – Quer dizer, eu não sei bem lidar com crianças... Não acho que já fiquei sozinho com alguma.
Ele riu.
- Você vai ter que aprender em algum momento, eu aprendi – deu de ombros. – E Henry parece gostar de você e de sua família. Acredite em mim quando eu digo que ele não costuma gostar das pessoas rápido demais.
- Você aprendeu muito rápido? – tornei a perguntar. – Já tinha convivido com alguma criança antes?
Ele fez uma pequena careta, mas tornou a sorrir.
- Na primeira vez que fiquei com Henry sozinho, ele tinha oito meses – contou, rindo. – Bella precisava estar em uma reunião importante e a babá estava doente, então como eu não tinha nada para fazer, me ofereci.
- O que aconteceu? – eu o fitei, aproveitando um semáforo.
- Bem, digamos que eu não sabia como trocar uma fralda direito – comentou. – E nem que ele era tão elétrico... Digamos apenas que, quando Bella voltou para casa, Henry estava sem fraldas, a roupa toda molhada, e todo sujo pela papinha que eu tinha tentado dar, mesmo com ele insistindo em se agarrar nas coisas e tentar se por de pé.
Eu ri, balançando a cabeça, tentando imaginar a cena.
- A casa ficou uma bagunça – ele suspirou. – Bella ficou um pouco surpresa, mas logo riu, sabe como é... Demorou um pouco para eu tentar novamente, mas consegui. Não é tão fácil, mas também não é impossível. E vale a pena, se me permite dizer.
Assenti.
Deixei-os no hotel, combinando de ligar para marcar um dia. Fui até o meu apartamento depois disso, não conseguindo me lembrar a última vez que eu me divertira tanto.
E eu realmente queria repetir tal coisa.
No entanto, para o meu pesar, os próximos dias foram corridos – muito. Em meio a reuniões, resolver problemas com contratos e empregados, eu me encontrava tão cansado quando chegava em casa, que tudo o que fazia era tomar um banho, comer, ligar rapidamente para minha mãe e Jasper – apenas para saber como estavam as coisas –, e dormir. Eu realmente queria sair com Henry, passar um tempo sozinho com ele, ver como seria, mas não estava conseguindo conciliar tudo.
Isso durou por volta de uma semana, até eu conseguir regular minha agenda e as coisas ficarem um pouco mais calmas. Eu comecei a conversar com Henry pelo telefone, porque de acordo com Jasper, ele vivia perguntando de mim, e tinha prometido que no sábado, eu iria levá-lo para sair. Então, aproveitei os poucos dias que restavam até o final de semana para terminar de ajeitar tudo e descansar. Eu realmente queria aproveitar o final de semana.
Quando o sábado chegou, eu me levantei cedo, como sempre. Malhei um pouco e tomei um longo banho, antes de seguir para a cozinha e preparar um café da manhã. Vesti roupas casuais, simples – apenas uma bermuda e uma camisa de malha. Eu ainda não tinha muito ideia de onde levar Henry, talvez um parque ou algo assim, e nem quanto tempo ficaria ali, então uma roupa confortável era o suficiente.
Liguei para Jasper, dizendo que eu já estava pronto e que em breve estaria passando no hotel, e sorri quando ouvi a conversa animada que Henry estava fazendo do outro lado da linha.
- O que está acontecendo aí? – eu perguntei, rindo um pouco, enquanto pegava minha carteira, chaves e verificava se estava esquecendo de algo.
Jasper riu.
- Ele está animado – respondeu. – Ele sentiu sua falta, acredite. Está feliz por passar um dia todo com você, já que gosta de brincar.
Assenti, mesmo Jasper não podendo me ver, e sorri, feliz por ele estar feliz, muito embora eu ainda não conseguisse entender o por quê. As coisas eram novas, eu estava tentando, mas ainda não tinha ideia de como lidar com uma criança.
Aparentemente, eu começaria a aprender hoje.
- Esteja preparado. – Jasper completou. – Ele está cheio de energia...
Eu ri.
- Pode deixar – disse. – Já estou a caminho, deixe tudo pronto.
Desliguei logo em seguida e desci até a garagem, puxando as chaves do carro e desativando o alarme, antes de entrar e sair do condomínio, rumo ao hotel.
Como eu havia pedido, Jasper já estava esperando com Henry em frente ao hotel, a pequena mochila dele nas mãos. Eu desci rapidamente, cumprimentando os dois, sorrindo ao ver a animação de Henry, que falava sem parar sobre o que ele queria fazer naquele dia.
- Vamos com calma, campeão – sorri, bagunçando seus cabelos. – Temos muito tempo, então, calma, ok?
Ele assentiu, mas não deixou de sorrir, e eu acabei rindo um pouco, enquanto abria a porta de trás do carro, pegando-o no colo e o colocando lá dentro.
- Hmmm... – Jasper murmurou. – Eu vou ver se compro uma cadeirinha depois, para você colocar no seu carro, se não se incomodar... Acho que é mais seguro.
Após prender o cinto em um Henry ainda muito animado, virei-me para Jasper, me sentindo um pouco confuso.
- Cadeirinha? – indaguei, não tendo ideia do que ele estava falando.
Jasper riu.
- Sim – disse. – Crianças até certa idade, embora eu não tenha certeza até qual seja, têm que estar na cadeirinha quando estão no carro. Mais segurança, você sabe.
- Ah – assenti. – Depois olhamos isso, ok?
Despedi-me dele rapidamente e deixei que ele se despedisse de Henry, antes de fechar a porta dele e ir para o banco do motorista. Acenei mais uma vez para Jasper e segui em direção ao shopping. Eu não tinha muito certeza de como uma cadeirinha de criança parecia, já que nunca lidei com uma criança antes, mas tinha certeza de que iria encontrar uma em um shopping.
- Onde estamos indo, Edwad? – Henry indagou, inclinando-se um pouco, o máximo que o cinto de segurança o permitia ir.
- Vamos ao shopping – sorri para ele. – Depois, vamos ver o que faremos, ok?
Ele assentiu, um enorme sorriso tomando conta de seu rosto.
Certifiquei-me de dar a mão para Henry assim que chegamos ao shopping, não querendo perdê-lo no primeiro dia que estava saindo com ele sozinho. Nós passemos durante algum tempo e eu lhe comprei um sorvete, não conseguindo deixar de rir quando tive que parar no banheiro para trocar a camisa que ele tinha sujado.
- Você realmente gosta de se sujar, hã? – eu ri, balançando a cabeça.
Fomos para a loja logo em seguida, e eu o fiz experimentar algumas cadeirinhas, antes de conversar com a vendedora e decidir por uma azul com cinza, que – apesar de ser mais cara – parecia ser a mais segura.
- Você quer alguma coisa, pequeno? – indaguei.
Ele sorriu, seus olhos disparando pela loja antes de fixarem em mim novamente.
- Eu posso?
Eu me peguei rindo enquanto o levava ao redor da loja, deixando que ele escolhesse alguns brinquedos. Certifiquei-me de verificar a idade, não deixando que ele pegasse aqueles que não eram indicados para uma criança da sua idade. Quando enfim saímos da loja, eu carregava tantas sacolas que tive que voltar ao carro, apenas para guardá-las, antes de irmos almoçar.
Graças a algum milagre, Henry não se sujou tanto, então não precisei levá-lo para trocar de roupa novamente. Era sábado, um dia que eu geralmente não tinha comida certa, então eu deixei que ele escolhesse o que queria comer.
Foi divertido vê-lo comer suas batatas e seu sanduíche, e ver sua bochecha toda suja do molho. Ele parecia estar gostando do passeio e isso aqueceu meu coração de uma forma tão boa, que eu me vi prometendo a mim mesmo que nós faríamos aquilo em breve novamente.
Terminei o meu almoço e fiquei o esperando acabar, ocasionalmente pegando um guardanapo e limpando sua boca, apenas para ela ficar suja novamente cinco minutos depois. Escutei meu celular tocar após limpar sua boca pela terceira vez e o peguei, suspirando pesadamente ao ver o nome da minha irmã no identificador de chamadas.
- Oi, Allie – cumprimentei-a, não tirando meus olhos de Henry.
- Olá, querido irmão – ela riu. – Mamãe disse que você iria sair com meu sobrinho hoje...
Suspirei, revirando os olhos.
- Estou no shopping com ele, Alice – disse. – Por quê?
- Leve-o para jantar na casa da mamãe hoje, por favor? – pediu. – Eu não consegui chegar a tempo do jantar naquele dia… e eu realmente quero conhecê-lo, Edward...
Respirei fundo, segurando o sorriso, ainda encarando Henry, que mais se divertia com a comida que comia. Eu sabia que Alice se encantaria por ele imediatamente, assim como minha mãe, meu pai... Assim como eu.
- Eu vou falar com o Jasper – disse. – Se ele concordar e não ver problema, levo sim, ok?
- Obrigada. – Eu não estava vendo minha irmã, mas podia apostar que ela estava sorrindo. – Mesmo! Estarei em casa dentro de alguns minutos e esperarei vocês!
Antes que eu pudesse dizer para ela que não dependia de mim, ela desligou, o que me fez revirar os olhos e sorrir. Eu aproveitei que Henry ainda não tinha terminado de comer e procurei pelo telefone de Jasper, resolvendo perguntar de uma vez se eu podia levar Henry para jantar na casa dos meus pais.
- Ei, Edward. – Ele respondeu no segundo toque. – Aconteceu alguma coisa?
Eu sorri.
- Não, não, está tudo bem – respondi. – Estamos almoçando...
- Ah, sei bem o que estão comendo – ele riu. – Aposto que você se deixou levar pela carinha que ele faz quando quer alguma coisa e deixou que ele comesse porcaria...
Eu engoli em seco, erguendo a mão livre e a passando em meus cabelos.
- Fiz mal? – indaguei. – Quer dizer, é a primeira vez que saímos e eu ainda não sei direito do que ele gosta e...
- Tudo bem, Edward – interrompeu-me, rindo novamente. – Só não deixe isso se tornar rotina, por favor. A próxima vez que vocês forem sair, o faça comer comida de verdade.
Foi a minha vez de rir, porque eu não tinha ideia de como fazer uma criança não querer comer besteiras.
- Ok... – murmurei. – Liguei para te perguntar se tinha problema levá-lo para a casa dos meus pais e jantar por lá...
- Oh, não, sem problemas – respondeu. – Tem roupa e algumas outras coisas na mochila dele, porque acredito que ele vá precisar de um banho... Se for atrapalhar fazer isso na casa dos seus pais, pode trazê-lo para cá e eu o arrumo...
- Não, tudo bem – sorri. – Você quer ir também? Eu posso passar aí e te pegar, se quiser.
- Acho que vou ficar por aqui hoje, se não tiver problema – disse. – Quando vocês terminarem, é só trazê-lo aqui.
- Tudo bem – murmurei. – Se mudar de ideia, me avise.
Finalizei a ligação logo em seguida, voltando minha atenção para Henry, que aparentemente tinha terminado de comer. Peguei alguns guardanapos e o limpei, sorrindo um pouco ao ver sua blusa um pouco suja. Não era nada que desse para notar de longe, então eu apenas decidi lhe dar um banho quando chegasse à casa dos meus pais.
Nós passeamos um pouco mais, parando em algumas lojas. Ele não parecia interessado em comprar nada, apenas ficava olhando a vitrine, apontando algumas coisas, comentando um pouco sobre a escolinha que ele ia.
Até nos pararmos em uma lojinha de decoração.
Eu vi os olhos dele brilharem quando ele olhou para alguma coisa, e, franzindo a testa, me aproximei, olhando para vitrine, tentando achar o objeto que tinha chamado sua atenção.
- O que foi, campeão? – perguntei, alguns minutos depois, desistindo de tentar adivinhar.
Ele apontou para uma caixinha de músicas que estava na vitrine, e eu imediatamente senti meu coração acelerar. Engoli em seco, sabendo o que ele diria antes mesmo de abrir a boca.
- Mamãe tem uma – disse. – Ela deixa guadadinha no quarto dela... Diz que foi alguém especial que deu.
Fechei meus olhos com força, tentando impedir que as lágrimas caíssem, não querendo que Henry e ninguém naquele shopping soubessem como falar nela ainda fazia com que eu me sentisse assim.
- É mesmo? – disse por fim, meus olhos ainda fechados. – Alguém especial?
Abri meus olhos a tempo de vê-lo assentir.
- Podemos levar? – pediu. – Eu quelo guardar para quando mamãe chegar.
Eu assenti, ainda sentindo meu coração apertado, e o levei para dentro da loja. Uma vendedora muito sorridente se aproximou de nós, seus olhos disparando de Henry para mim.
- Ele é muito parecido com o senhor – disse, ainda sorrindo, erguendo a mão e a passando rapidamente em meu braço.
- Err... – Afastei-me, fazendo uma pequena careta. – Sim, eu sei...
Ela sorriu novamente, mas não tentou me tocar novamente, o que eu agradeci. Querendo sair logo dali, apontei para a caixinha de música que Henry tinha pedido, pedindo que ela embrulhasse. Mantive a mão dele na minha, esperando de forma ansiosa enquanto ela pegava a caixa e me mostrava alguns papéis para o embrulho.
E enquanto ela fazia tal coisa, foi impossível não me lembrar quando dei uma caixinha tão parecida para Bella, em seu primeiro aniversário em que estávamos juntos.
Flashback.
Eu corri até o meu carro, abrindo a porta e praticamente me jogando lá dentro, sabendo que, se eu não me apressasse, acabaria chegando ao apartamento de Bella depois dela, e eu realmente não queria aquilo.
Xinguei um pouco enquanto dirigia, ignorando os sinais de trânsito, pouco me importando com multa naquele momento e torcendo para que eu não fosse parado por nenhum policial.
Soltei um suspiro de alívio quando cheguei à sua rua, desacelerando um pouco, olhando o relógio e sorrindo. Bella estava saindo da faculdade agora; eu tinha alguns minutos de sobra.
Usei a chave reserva que ela me dera meses atrás e pulei para fora do carro, irrompendo pelo seu prédio e apertando o botão do elevador, enquanto mexia minha perna freneticamente. Quando vi que o elevador ainda ia demorar, fui até a porta que levava às escadas e as subi rapidamente, agradecendo – e muito – o fato de Bella morar no terceiro andar.
Minhas mãos tremiam de ansiedade enquanto eu abria a porta do seu apartamento e via cada detalhe ali pronto, tudo o que eu tinha pedido a Alice.
No lugar da mesa de centro, estavam algumas almofadas e outros detalhes, como alguns vasos de flores, exatamente como Alice e eu havíamos combinado. Caminhei até a cozinha e sorri quando senti o cheiro de comida, sinalizando que o jantar estava pronto. Movi-me pelo apartamento, verificando cada detalhe, colocando a comida nos pratos, pegando as taças e o vinho, antes de arrumar tudo na sala.
Assim que terminei, deixei o presente dela escondido atrás do aparelho de DVD e me troquei rapidamente, sabendo que Bella gostava de me ver de terno e gravata, mas preferia quando eu estava vestido de forma casual.
Eu havia acabado de colocar a camisa, quando ouvi o barulho das chaves de Bella, e me sentei, sorrindo assim que ela entrou no meu campo de visão.
Assisti-a sorrir enquanto olhava ao redor, seus olhos brilhando de felicidade. Permaneci sentado enquanto ela avançava, colocando a bolsa na poltrona e se sentando ao meu lado, em nenhum momento deixando de sorrir.
- Ei – murmurou. – Você não precisava fazer isso...
Eu sorri também, dando de ombros, puxando-a para um beijo. Apertei-a em um abraço e a felicitei, decidido a entregar o presente antes de jantarmos; eu não iria conseguir esperar tanto tempo.
- Tenho algo para você – eu disse, me afastando e puxando a pequena caixa. – Sei que você não queria nada, mas tenho certeza de que vai gostar desse...
Bella estreitou os olhos, mas sorriu, pegando o presente e o desembrulhando. Eu mantive meus olhos atentos em Bella e tive o prazer de assistir seus olhos se arregalarem e brilharem quando ela viu o que era.
- Uma caixinha de música – murmurou. – Edward!
Eu ri, incentivando-a a abrir. Imediatamente, ela sorriu ainda mais.
- Clair de Lune – sussurrou. – Isso é… lindo...
Sorri novamente, encolhendo os ombros. Abri a boca para perguntar se ela havia gostado, mas antes que pudesse fazer tal coisa, ela pulou em mim, beijando-me com paixão, e eu somente ri, enquanto embrulhava meus braços ao seu redor.
Fim do flashback.
- Edwad?
Balancei minha cabeça, saindo de meus devaneios, somente para ver Henry me encarando com uma expressão confusa e a vendedora me estendendo o embrulho. Eu sorri, um pouco envergonhado, e peguei minha carteira, retirando meu cartão de crédito e entregando para ela.
Saí da loja após pagar e soltei um suspiro de alívio, caminhando com Henry até o estacionamento do shopping. Tentei conversar com ele durante todo o caminho de volta, forçando minha mente a me concentrar naquele momento e naquele local, mas estava realmente difícil.
Parecia que todos os sentimentos que eu tinha escondido naqueles anos estavam voltando agora, com força total, e por mais que eu tentasse ignorá-los, eu não conseguia. Eu simplesmente, às vezes, não sabia o que fazer.
Fale com o autor