Notas iniciais
Primeiramente gostaria de pedir perdão a todos os leitores que abandonei nestes meses, mas por probelmas familiares e de foro íntimo (os quais não devem ser mencionados aqui, porém muito me afetaram) afastei-me do site e de minhas histórias.
Pois bem, heis-me aqui novemente e espero que eu não me afaste mais, também agradeço aos leitores que não abandonaram WMF!
Obrigada a todos os comentários e perguntas, mais uma vez lhes peço perdão pela falta de compromisso para convosco!
Se puderem me perdoar...
Espero que apreciem este capítulo e que ele sirva para amenizar minha ausência...

O animal de pelo negro mancou em direção a uma pequena fonte de água, as feridas abertas e expostas estavam causando-lhe dor, porém nada comparava-se a raiva por não ter eliminado de uma vez a Guardiã da Terra Média.

Abaixou o dorso para sorver o líquido incolor, uma rajada de vento frio chegou-lhe até o focinho comprido e recurvado a carcaça grossa e coberta de peles volveu à pele fina e frágil de um humano delgado.

O homem rasgou a terra a seus pés com as unhas, o poder que fora adquirido crescia dentro de si de maneira assustadora e ao mesmo tempo inebriante, podia sentir a magia antiga pulsar-lhe nas veias.

Galgou na direção de sua morada, precisava urgentemente mudar de roupas e cuidar dos ferimentos para que ninguém desconfiasse de sua verdadeira forma. Estava realmente curioso sobre o que havia ocorrido com Marianne depois que fugira.

***

- Marianne? Querida, já podes despertar, tenho plena certeza de que vais gostar do que verá! – cantarolava uma arrastada e forte voz

A jovem abriu os olhos e logo os cobriu com a palma da mão, o sol incidia sobre seu rosto e aquecia-lhe a pele. A moça forçou-se a erguer o tronco permanecendo em pé no meio de uma bela e florida campina.

- Onde estou? – questionava-se ela admirando os nenúfares brancos que formavam um belo tapete

- Onde mais pensa estar senão em minha companhia? – a voz pegou-a de surpresa e mais surpresa ainda ficou ao perceber de onde tal voz provinha

O homem estava sentado sobre uma grossa e nodosa raiz de olmo, um cachimbo girava-lhe nos lábios enrugados e as mãos trabalhavam avidamente com papel e tinteiro ao passo que uma boina carmim protegia-lhe a cabeça.

- Tolkien? – sobressaltou-se Marianne com mil perguntas a lhe surgirem na mente

- Se quiser pode chamar-me de vovô – o senhor levantou-se tirando a delicada boina e reverenciando a jovem – realmente a senhorita tem a beleza de uma dama élfica e o semblante forte de uma Dunedáin! A combinação perfeita de raças, como andam as coisas lá embaixo Srta. Anne?

- Muito bem, na medida do possível – respondeu a morena aproximando-se – o senhor ainda não me respondeu vô, onde estamos?

- Em outra parte da praia que visitara há alguns anos – respondeu-lhe Tolkien puxando-a pelo pulso e dando-lhe um afetuoso abraço – minha querida, não sabes há quanto tempo espero por este abraço!

- Estou feliz em estar com o senhor também – aquiesceu Mary aproveitando o calor afetuoso que o abraço proporcionava-lhe

Um ruído rouco fez-me ouvir e a moça levou ambas as mãos ao ventre percebendo que seu estômago roncava, mal havia tocado no café da manhã feito por Legolas por receio de tornar a ter enjoos durante o trajeto até Green Valley.

- Vamos até um local onde possamos conversar melhor – convidou-lhe o bisavô dando-lhe o braço – soube que a Srta. está comendo por dois agora! – soltou uma sonora gargalhada

- Sim estou – a jovem riu – porém o que o senhor tem a dizer-me?

- Meu bem, pare de fazer perguntas apenas aprecie a paisagem e quando estivermos seguros lhe direi tudo o que precisas saber.

Marianne franziu o cenho questionando-se sobre o que poderiam temer em um local tão abençoado e tranquilo quanto aquele, mesmo assim optou por seguir o bisavô.

O alegre senhor levou-a até uma pequena e acolhedora choupana, a fumaça escapava pela chaminé de tijolos alaranjados e algumas plantas haviam sido postas sobre o peitoril da janela, tudo lhe parecia rústico, porém organizado.

O interior da casa era compacto, a cozinha espremia-se entre a sala e o banheiro e a divisória entre o quarto e o restante dos cômodos era apenas uma cortina de tecido leve a qual balançava conforme o vento.

- Há quanto tempo o senhor está aqui? – tornou a questionar a jovem após estar sentada à mesa da cozinha girando entre os dedos uma pequena pedra cinzenta

- Desde que faleci por assim dizer...

- Me perdoe a indelicadeza – pôs-se a corrigir Mary sentindo as faces rubras

- Não se desculpe, aceita um pouco de torradas e mel? – ofereceu o bondoso senhor deixando que a Jovem saciasse a fome com os doces quitutes – Agora que estás alimentada posso começar a dizer-lhe o que necessitas saber.

A moça aguardou as palavras que o bisavô teria a dizer-lhe, um estranho frio subia-lhe pela boca do estômago causando-lhe arrepios embora não houvesse nada que lhe causasse frio.

- Sauron foi destruído e não retornará mais isso posso lhe garantir – começou Tolkien pausadamente escorando-se num dos braços de uma grande poltrona – mas algo ocorreu com a magia de Saruman quando esta desprendeu-se de seu corpo após sua morte.

- O que exatamente aconteceu com esta magia a qual o senhor se refere? – a Moça torcia as mãos nervosamente ao colo

- Agora encontrou um novo dono, um novo possuidor se me permite dizer – respondeu o bisavô – e é exatamente deste indivíduo que deves temer.

- Como poderei reconhecer este ser? – Marianne ergueu-se caminhando de um lado para o outro diante da lareira – Como vou proteger esta criança de tamanha tirania? – perguntou levando as mãos ao ventre

- Minha querida, isso eu não posso lhe dizer além do mais...

- Espere! O senhor escreveu os livros, deve haver alguma pista dentro deles, algo escondido nas entrelinhas – concluiu a morena levando as mãos à testa tomada por alívio

- Minha cara – Tolkien moveu-se tirando de uma prateleira a leste do local onde estavam um grosso e empoeirado livro o qual entregou à moça – abra este livro e vais ver que nem tudo está como antes.

A guardiã obedeceu, os dedos trêmulos escorregaram pelas páginas amareladas abrindo o livro num trecho que a moça rapidamente reconheceu como pertencente as “Duas Torres”, porém havia algo estranho naquelas palavras.

Logo reparou que seu nome estava gravado no pergaminho ainda redigido à mão e na bela caligrafia de seu bisavô, Marianne não só havia participado da história fisicamente assim como a alterara nos livros.

- Meu nome está aqui... – ela apontou atônita para um trecho em que uma fala sua era perfeitamente reproduzida

- Sim minha cara, você alterou o curso da história que escrevi e, portanto não há nada que possamos encontrar nos livros – concluiu o escritor soturnamente – mas há alguém que pode lhe ajudar, um velho amigo e conhecido de Frodo.

- Quem? – Marianne voltou os olhos para as páginas folheando o livro

- Procure por aquele que usa trajes azuis e que na floresta velha tem seu abrigo, junto com Fruta d’Ouro ele vive e por ela segue enamorado – cantarolou baixo tornando a visar a moça com seus olhos argutos – precisas procurar por Tom Bombadil.

- Tom Bombadil? – questionou Marianne arqueando as sobrancelhas

- É uma viagem longa, mas necessária, não posso lhe dizer mais nada por hora – o escritor tornou a mirar Marianne devolvendo-lhe o livro e abrindo-o em dada página a qual mostrava o desenho de um quarto de mobília antiga

A moça conteve um exclamar, percebendo que se tratava do quarto de sua avó, sua imagem estava encima da cama e era zelada por amigos e familiares. Legolas segurava-lhe a mão e este tinha os olhos fechados, lágrimas escorriam-lhe pelas faces.

- Eu...preciso voltar – deu-se conta por fim

- Sim minha menina, precisas e irás – Tolkien sorriu empurrando delicadamente a bisneta para o interior das páginas amareladas e ali ela deixou-se cair

***

Kendhra tinha a testa franzida pelo esforço de tentar achar Marianne, cuja alma jazia ancorada a outro mundo o que dificultava a tarefa da Dunedáin. Ancorar a alma a outra dimensão pode ser fatal aos que não apresentam um grau de evolução, o qual Mary já havia ultrapassado quando visitara Ilúvatar.

O silêncio enchia o quarto, apenas Radagast dignava-se a cantarolar em élfico de forma repetitiva ao passo que segurava um incenso com um cheiro nem um pouco agradável. Uma pesada aura de Preocupação tornava o ar irrespirável.

Kendhra tocou a testa de Marianne e neste momento sentiu um corrente elétrica fluir do corpo da Guardiã para o seu. O choque fora suficiente para arremessar a donzela na direção de um assustado Thranduil que nem ao menos teve tempo de reagir.

O Sindar caiu com estrondo de encontro ao chão de madeira, Kendhra ainda tentava levantar-se murmurando alguns pedidos de desculpa com as faces já rubras pela vergonha. O rei Élfico tinha um sorriso de deboche e apreciação nos lábios.

Mary sentou-se de costas eretas os olhos verdes tinham um brilho estranho e a moça respirava ofegante. Legolas olhou-a e aproximou-se devagar, a esposa mirou-o parecendo não reconhece-lo.

- Marianne? – perguntou o elfo tocando as bochechas da moça

- Legolas – ela abraçou o Sindar com saudade como se tivesse passado muito tempo sem vê-lo – eu tive um sonho com meu bisavô.

- Bom, todos costumamos sonhar quando dormimos – concluiu Pippin pensativo – isso é um ótimo sinal!

- Com o que exatamente sonhaste? – questionou Gandalf que até o momento estivera quieto

- Não seria melhor deixar a Sra. Anne descansar antes de enche-la de perguntas? – Sam preocupado sorriu para a amiga tão estimada

- Não Sam, eu preciso contar o que vi, pois isto pode ajudar-nos a enfrentar nosso novo inimigo – contrapôs ela – meu bisavô disse-me que procurasse Tom Bombadil, pois ele poderia auxiliar-nos a combater o que quer que esteja nos perseguindo de modo eficaz.

- Tom Bombadil? – Frodo lembrou-se de imediato dos dias que passara com o velho Bombadil e sua bela Fruta D’Ouro – Está certo que o nosso querido amigo possui um coração forte, mas no que ele poderia ser-nos útil?

- Não julgue os outros por si Frodo Bolseiro – advertiu-lhe Thranduil de maneira ríspida – Aquele velho é muito mais sábio que alguns, mesmo sendo um tanto quanto esquisito.

- A viagem até a floresta levaria alguns dias – meditava Aragorn – e certamente devemos levar os melhores batedores que tivermos, já que o perigo nos espreita.

- Eu sinto que devo ir – disse Marianne olhando suplicante para Legolas que tinha a testa franzida – por favor, o que quer que ele tenha a nos dizer deve ser dirigido a mim.

- Não posso deixar que corra perigo, mesmo que eu esteja contigo – o elfo acariciou os cabelos da dama – e nosso filho...

- Ele está bem isso eu lhe garanto – a jovem passou as mãos pelo ventre – quando partimos?

- Primeiro devemos ajustar as tropas e delimitar um perímetro – Kendhra retirou um mapa do bolso interno de sua jaqueta – Podemos tomar a rota do condado, passar pelo Brandevin e continuar até a Velha Floresta.

- Demoraríamos demais – Éomer intrometeu-se debruçado sobre o mapa – se contornarmos este trajeto e seguirmos diretamente até a Floresta teríamos uma vantagem de tempo.

- É um bom plano, mas nenhum de vocês está pensando no fato de estarmos lidando com um inimigo silencioso e desconhecido e que pelo que vejo vamos levar Marianne junto – advertiu Aragorn

- Minha neta, tens certeza de que deve ir? – Margareth sentou-se aos pés da cama e tocou as mãos da Guardiã

- Sim – ela relanceou os olhos para o pai que estivera tentando não confrontar a filha – pai, entenda que é o certo a fazer...

- Não suportaria perde-la, tampouco neste momento tão... – duas lágrimas brotaram no canto dos olhos de Robert

Marianne levantou-se e abraçou o homem que tomara conta de si durante o difícil período de perda de sua mãe, Robert susteve o choro e acariciou o ventre da filha.

- Partimos em dois dias – anunciou Marianne por fim – não podemos nos demorar.

***

As despedidas foram dolorosas e demoradas, Suzan e Éomer não queriam desgrudar-se um do outro. Entretanto o marechal dos Cavaleiros deveria retornar a seu lar e cuidar de seus afazeres como governante de Edoras.

Aragorn partiu com Elrond para Gondor, Elrohir e Elladan permaneceriam fazendo patrulhas ao redor da casa de Marianne e Legolas junto com Tauriel e Alagos que aparecera um pouco após do término da reunião.

O elfo estava ferido e viera acompanhado de dois outros companheiros que também não estavam em bom estado, segundo reportaram haviam sido atacados por um grupo de Wargs quando vinham na direção de Valley.

Os hobbits passariam a noite na casa de Mary o que os quatro apreciaram com muito gosto, apenas não estavam acostumados aos solavancos do carro na estrada escura da Rodovia principal de Toronto.

Sam fizera questão de preparar um jantar “digno de um hobbit faminto” para os amigos que comeram até; nas palavras de Merry, os estômagos reclamarem.

Alguns colchões foram dispostos no quarto de hóspedes e os Pequenos arrumaram-se. Marianne deu-lhes beijos na testa antes de desligar as luzes e rumar para o próprio quarto.

Legolas não estava à vista, mas a moça permitiu-se sorrir ao escutar o som do chuveiro aberto. A jovem tirou as roupas e enrolou-se em uma toalha de algodão partindo na direção da porta entreaberta.

O elfo estava de costas para a entrada, mas virou-se instantaneamente ao ouvir o mínimo ruído emitido pela invasora. Marianne apoiou-se no batente mordendo o lábio inferior e segurando a toalha na altura dos seios.

- Quem lhe deu o direito de invadir o banheiro e atrapalhar meu banho? – Legolas cruzou os braços em frente ao peito musculoso

- Esqueceu que este banheiro também me pertence? – Marianne analisou cada parte do corpo do marido afastando uma das partes do tecido que lhe cobria o corpo

Legolas sorriu, os cabelos longos lhe escorriam pelas costas e dos olhos azuis pendiam gotas de água, Marianne aproximou-se retirando a toalha e exibindo o belo e torneado corpo.

O elfo puxou-a para debaixo do chuveiro apertando-lhe as pernas e encostando-a na parede de azulejos brancos, Marianne riu agarrando-se ao pescoço do marido e lhe dando uma mordida no lóbulo da orelha.

As mãos de Marianne escorregaram até as costas de Legolas puxando-o para mais perto ao que o elfo obedeceu apertando com mais força as pernas grossas da jovem e provocando-lhe arrepios.

A Guardiã arfou e o mais inesperado ocorreu. As luzes se apagaram e a água passou a uma temperatura enregelante, o casal riu desabando no piso frio e logo em seguida tornando a unir os lábios.

Legolas enrolou Marianne em sua toalha e levou-a novamente ao quarto, os dois puseram roupas secas e quentes e passaram pelo quarto de hóspedes com medo de que os amigos tivessem acordado após o incidente, mas os hobbits dormiam um sono profundo e despreocupado.

- Nós parecemos dois loucos inconsequentes – murmurou Mary ao ouvido do marido

- Não somos, apenas gostamos de demonstrar o quanto amamos um ao outro – disse Legolas beijando-lhe o topo da cabeça e arrumando as cobertas sobre o corpo da esposa

- Amanhã eu vou à veterinária, Josh e Vivian devem estar preocupados comigo e eu tenho uma visita marcada ao rancho Madson – a moça deitou-se ao peito do Sindar

- Não sei se seria seguro – o filho de Thranduil desceu as mãos pelo ventre de Mary – temo que algo de ruim possa ocorrer.

- Nada poderá me atingir na cidade – a guardiã ergueu-se tocando o rosto preocupado de Legolas – mas terá de ficar alguns instantes com Merry, Pippin, Sam e Frodo.

- Tudo bem, gosto muito de nossos amigos Pequenos principalmente pelo fato de eles a estimarem tanto.

- São ótimo amigos – a moça bocejou apoiando a cabeça no ombro do elfo — Harya mára lómë (Boa Noite).

- Harya mára lómë Elen nin (Boa noite minha estrela).

***

Kendhra apoiou-se ao tronco de um carvalho, a neve fofa lhe encobria os joelhos e a moça já não mais sentia os dedos dos pés. Elladan e Elrohir haviam feito uma fogueira na qual assavam pequenas pinhas.

- Venha juntar-se a nós Kendhra filha de Ereneth, a menina que sobreviveu ao ataque de Samug – entoou Elladan batendo de leve numa pedra escura a seu lado

- Aproveites, pois hoje meu caro irmão está inspirado a mesuras e homenagens – riu-se Elrohir bebendo um pouco de Miruvor e logo após estendendo a garrafa à dama

- Não sou vil em relação ao clima, mas o inverno deste ano está castigando os mortais – a filha de Radagast esfregou os braços tentando aquecer-se

- Não se trata de resistência, o inverno está sendo mais severo neste ano por razões que até mesmo os mortais desconhecem – Thranduil surgira do meio dos arbustos baixos, usava armadura completa e um diadema de prata nos cabelos loiros

A dunedáin bufou cruzando os braços sobre o peito enquanto os filhos de Elrond curvavam-se diante do rei da Floresta das Trevas.

- Pensei que Vossa Majestade havia se retirado para seu reino, já que este ficou desprotegido com sua presença aqui – balbuciou Kendhra levantando-se

- Meu reino está muito bem guardado, isso posso lhe garantir – o pai de Legolas sentou-se onde antes estivera a dama pegando um pinha a comendo-a de uma só vez – vim certificar-me de que nada ocorra a nenhum de vocês.

- Está nos chamando de incapacitados? – a moça sentiu as faces esquentarem

- De forma alguma, apenas...eu apenas – Thranduil atrapalhou-se com as palavras fato que levou-o a fechar a expressão e unir as sobrancelhas finas – ora e por que deveria darte satisfações?

- Meus caros amigos! Por favor, lhes peço paz! – Elladan interpôs-se temeroso quanto ao que poderia ocorrer caso os dois continuassem a discutir

- Bem, creio que devamos fazer a primeira ronda – Elrohir tinha um sorriso de ironia nos lábios quando chamou o irmão

- Nosso retorno será breve – garantiu Elladan com um meio sorriso de desculpas dirigido a Kendhra

- Tentem não se matar enquanto estivermos fora! – gritou o gêmeo mais brincalhão fugindo em seguida de uma pedra aremessada pela dama

Kendhra virou-se para o fogo espetando com raiva uma pinha e pondo-a a cozinhar na fogueira, Thranduil sentou-se escorrado ao tronco de um olmo, o rosto da dunedáin brilhava ao ser iluminado pelo crepitar das chamas.

- Não entendo por que vieste – a moça mordiscou a lateral da pinha – não estamos precisando de ajuda nenhuma, além do mais, podemos muito bem proteger a casa.

- Trégua – murmurou o rei élfico pondo-se em pé e estendendo a mão para a jovem

- O quê? – questionou ela de cenho franzido

- Eu proponho uma trégua até que nossos problemas estejam solucionados – esclareceu o elfo com os olhos astutos cravados no rosto da filha de Radagast

- De acordo – Kendhra sorriu triunfante apertando a mão de Thranduil e selando o trato

Uma figura negra moveu-se nas sombras, o focinho farejava o ar com nojo e repulsa enquanto este aproximava-se da parte dos fundos da casa sem nem ao menos ser notado por Tharnduil e Kendhra.

O animal estendeu as garras tentando tocar a porta da garagem quando uma flecha adornada com plumas verdes zuniu na escuridão, na fogueira Thranduil já estava de espada em punho.

Elladan e Elrohir vinham a passos lentos, ambos de arcos em prontidão o que não assustara nem um pouco a figura. Os filhos de Elrond arregalaram os olhos em choque quando finalmente divisaram o invasor.

Um urso negro estava parado ainda pronto para adentrar a casa, a imagem difusa tremulava mostrando ora o grande animal e ora o forte e musculoso homem no qual o troca peles se apresentava.

- Impossível – murmurou Elladan baixando o arco

- O que desejas Beorn? – questionou Elrohir

- Preciso que avisem a Guardiã que ela não estará sozinha em sua luta – a voz era distante e fria e sumiu quase tão rapidamente quanto o próprio Beorn

- Não é possível, o líder dos Beornings faleceu há muito tempo – balbuciava Elladan confuso

- Parece-me que ele retornou para dar um olá – sugeriu Elrohir não menos surpreso – aquela mensagem...

- Deve ser apenas destinada a Marianne, ela deve saber o significado daquelas palavras.

Tharnduil e Kendhra chegaram ao local logo após o incidente e a decisão de contar a Marianne o que ocorrera fora quase inânime, ao amanhecer a Guardiã deveria ouvir as palavras ditas pelo espectro do Troca Peles.

Notas finais
Espero que tenham gostado, prometo tornar a dedicar-me a história com mais garra do que antes!
Não vou decepcioná-los!
Bjoss