Wait Me Forever...

7 Os Mortos estão Retornando


Notas iniciais
Desculpem-me pela demora, agora terei mais tempo para escrever e postar no site! Prometo postar mais seguidamente, desta vez estou falando realmente sério!
Espero que o capítulo sirva como uma forma de desculpar-me!

Marianne ouviu o despertador soar às seis e meia da manhã, Legolas já estava na cozinha preparando um caprichado desjejum para quatro hobbits sorridentes que cantarolavam e ajudavam-no a pôr a mesa.

A moça deixou-se ficar nas escadas observando-os até que o elfo notou-a e com um sorriso depositou-lhe um beijo nos lábios rosados.

- Bom dia! – saudaram os quatro Pequenos

- Como passaram a noite? – questionou Mary sentando-se a mesa e servindo-se de um croissant e uma xícara de chá

- Muitíssimo bem e devo acrescentar que deveremos voltar mais vezes para visitá-la – garantiu Meriadoc limpando o queixo que ficara lambuzado com geleia de uva

- Ora Merry! – reprendeu-lhe o primo – Não seja indelicado, Legolas e Marianne abrem sua casa a nós e você se aproveita da situação para conseguir estadia permanente?

- Vocês dois não mudaram em nada de quatro anos para cá – riu-se a Guardiã

- Realmente continuam os mesmos hobbits de sempre e ainda mais... – a fala de Legolas foi interrompida por duas batidas na porta

Kendhra e Thranduil pareciam ter passado uma péssima noite de sono, ambos tinham expressões um tanto infelizes (talvez pelo fato de terem dividido o mesmo “espaço” no chão durante a noite) a dunedáin tinha olheiras arroxeadas sob os olhos verdes.

- Desculpe interromper – murmurou ela ao que Legolas respondeu com um franzir de cenho

- Hã, por favor, entrem – pediu ele sem nada perguntar ao pai, o que este agradeceu veementemente por não tê-lo feito

- Mary, como está? – Kendhra abraçou a mais nova amiga

- Melhor, na verdade sinto-me renovada – adimitiu com um deslumbrante sorriso

- Meu filho, espero que na próxima vez em que tiver de passar a noite em vígilia que seja dentro desta casa e de preferência numa cama – Thranduil esticou-se produzindo um enorme barulho devido a armadura que usava

- Reclamando já tão cedo? – questionou Kendhra com um sorriso irônico nos lábios

- Lembre-se de nosso acordo – rosnou o elfo cruzando os braços sobre o peito e desviando o olhar da donzela

- Que acordo? – Legolas voltou os olhos para o pai que apenas meneou a cabeça em sinal de negação

- Quer dizer que passaram a noite inteira lá fora? – Sam espiou pela janela deparando-se com a paisagem hibernal com arrepios a lhe percorrerem o corpo – Neste frio?

- Tínhamos de fazer a ronda – a dunedáin deu de ombros – e é sobre isso que viemos falar com vocês.

- Algo de errado? – Frodo enpertigou-se na cadeira erguendo os olhos azuis para o rosto de Kendhra

- Não, mas não fomos os únicos a aparecer por perto de sua casa – respondeu Thranduil – Elladan e Elrohir queriam muito contar-lhes, pois eles o viram primeiro, mas tinham deveres com seu pai e partiram assim que o dia amanheceu.

- Viram quem? – a súbita alegria de Mary foi substituída pelo nervosismo sem medidas, a moça começou a sentir a bile a subir por sua garganta

- Minë arquen onto hísië (Um nobre envolto em neblina) – murmurou Thranduil imerso em seus próprios pensamentos – Morco vanwië (Um urso do passado)...

- Beorn... – deixou escapar Legolas tomado pela certeza

- Isso é impossível! – Marianne soltou um riso nervoso escorando-se a bancada de mármore junto a pia tentando conter a vertigem que se apoderava de sua mente – Beorn está...morto.

- Os mortos retornam quando não cumprem com plenitude sua jornada em vida – tornou a explicar Kendhra – Ele pediu que dissesemos que “não estarás sozinha em tua jornada”. Isso parece fazer algum sentido?

- Não, nem um pouco – Mary inspirou com dificuldade, pontos luminosos rodopiavam diante de seus olhos e a Guardiã piscou para afasta-los

- Mary? O que está sentindo? – Legolas abraçou a esposa pela cintura enquanto esta escorava-se a seu ombro fechando os olhos com força

- Não é nada, apenas uma vertigem boba – respondeu retomando o controle – preciso ir para o trabalho...

- Não vou deixar saires neste estado – Legolas tomou a chave do carro de um nicho acima da estante – podem sentar-se a aproveitar o desjejum.

- Obrigada – agradeceu Kendhra sentando-se e já passando manteiga em uma torrada

Marianne pegou sua bolsa marrom e prendeu os cabelos num coque baixo, Legolas dera-lhe um beijo nos lábios e a ajudava a pôr o grosso casaco antes de saírem para o vento cortante que fustigava as árvores do lado de fora.

Pináculos de neve amontoavam-se ao redor da casa, flocos pequenos começavam a cair de maneira esparsa. A porta da garagem protestou quando o elfo abriu-a, a Ford Ranger ocupava inteiramente todo o seu espaço.

Marianne apertou-se ao banco do passageiro esfregando as mãos e rindo quando Legolas repetiu o gesto ligando o ar condicionado. O Sindar gira vagarosamente a chave na ignição esperando que o motor esquentasse um pouco antes de dar a ré.

- Aprendeu bem – comentou a moça enquanto o marido virava-se para sair com uma perfeição impecável do espaço apertado e escorregadio

- Muito obrigado, tive uma ótima professora, diga-se de passagem – ele deu uma piscadela para a Guardiã que limitou-se a rir

O trânsito não era nem um pouco calmo e a rodovia 401 estava apinhada de carros àquela hora da manhã, segunda feira sem dúvida era o pior dia para se sair de casa e partir para a agitação da cidade.

Num cruzamento o elfo dobrou a direita na Lawrence Heights passando pelo Green Park e seguindo diretamente até parar em frente ao Front Street Animal Hospital, o ponto de referência em medicina veterinário em Toronto.

Legolas estacinou junto ao meio fio, toldos azuis emolduravam as janelas (estes agora cobertos por uma fina camada de neve) o prédio em bege claro ocupava grande parte da esquina da Front street West com seus três andares de classe e requinte.

- Tem certeza de que queres trabalhar hoje? – Legolas acariciou o rosto de Marianne puxando-lhe o queixo e mirando em seus olhos verdes – Pareceu-me tão abalada com as palavras que Kendhra disse-nos.

- Estou bem, não se preocupe – Mary beijou com ternura os lábios de Legolas descendo do carro e cobrindo-se com o grosso casaco

A moça adentrou a secretária cumprimentando as atendentes e seguindo até o elevador, tinha radiografias de exames para verificar e não duvidava que Josh e Vivian estariam de cabelos em pé àquela altura.

Sua sala ficava no segundo andar, a quarta porta à direita e logo quando abriu-a sentiu os olhares preocupados de seus dois estagiários sobre si.

- O que aconteceu para você não vir ontem Mary? – Vivand mirou-a com seus olhos castanhos dando lhe um abraço carinhoso

- Não estava me sentindo bem, tenho uma pequena notícia para dar a vocês – respondeu largando a bolsa encima de sua escrivaninha jogando o jaleco sobre os ombros

- Boa ou ruim? Vai nos dar um aumento de salário? – riu-se Josh apoiado suporte de soro

- Não, mas acho que vou ter de me afastar de meu posto no hospital daqui a nove meses – respondeu dando de ombros enquanto Vivian arregalava os olhos e Josh soltava uma sonora risada

- Legolas não perde tempo hein? – cometou o rapaz

Mary tentou responder, mas o telefone em sua mesa tocava insistentemente. A jovem estendeu o braço, a voz do outro lado parecia calma e ao mesmo tempo desconfortável.

- Consultório da Doutora Greyhood – disse a esposa de Legolas trocando o peso de perna

- Hã, aqui é do rancho Madson nós estamos esperando por uma visita da doutora Greyhood – explicava o homem – temos um cavalo com problemas para caminhar e suspeitamos quq ele possa estar com alguma fratura na pata.

- Senhor Madson, estamos indo para seu rancho neste momento – Marianne fez um sinal para que Josh pegasse sua maleta – já peço desculpas de antemão pelo atraso, quem fala é Marianne Greyhood.

- Não precisa se desculpar Sra. Greyhood o grande problema é que este animal é um dos melhores corredores que temos.

- Estamos indo, não se preocupe. – a moça desligou já tomando as chaves da ambulância quando a sala branca começou a girar, Vivian apoiou-a encaminhando-a para o sofá de couro marrom ao canto da sala

- Tem certeza de que está em condições de ir até o rancho? – questionou a moça de mãos nos quadris – Se não estiver bem eu posso acompanhar Josh até o local.

- Eu estou bem Vivian, foi apenas uma vertigem – explicou Mary com um sorriso fraco, a verdade era que seu estômago se agitava de maneira desconfortável

- Escute, vamos levar esta sacola por precaução ok? – Josh ergueu uma sacola Walmart sorrindo de maneira tranquilizadora – É que eu limpei a ambulância no fim de semana – ele deu de ombros enquanto Mary e Vivian riam

***

O rancho se localizava na zona oposta a de Green Valley, o local deveria ter cerca de dez ou doze quadras de campo e uma bela pista de corrida para que os cavalos pudessem praticar o esporte preferido do dono.

Mason era um homem recluso e autoritário, havia perdido mulher e filha quando se dirigia a uma competição no Kansas. O carro que o fazendeiro conduzia derrapou chocando-se contra uma árvore e deixando como sobrevivente apenas Mason.

A dor da perda levou-o a deixar-se levar pelo álcool, nunca voltara a ser o mesmo e não dirigia-se a civilização a não ser que fosse extremamente necessário e principalmente quando se tratava de um de seus premiados animais.

Os grandes portões de ferro abriram-se com estardalhaço, Josh esticou-se para fora da janela cumprimentando o caseiro e perguntando por Madson, o qual o homem respondeu estar nos estábulos esperando.

- Senhor Madson – cumprimentou Mary apertando a mão do altivo dono do rancho – mais uma vez nos desculpe.

- Não há problemas, mas preciso que a senhora veja Red Tundher – pediu guiando-os até a baia mais ao sul onde um belo mustangue negro jazia deitado – há dois dias ele não se alimenta e também não se levanta.

- O que exatamente ocorreu senhor Madson? – questionou Josh adentrando a baia e abaixando-se rente a pata esquerda do animal apalpando-a devagar – Alguma queda, um movimento brusco demais durante o treinamento?

- O mais estarrecedor é isto meu rapaz, Thunder simplesmente começou a apresentar um comportamento estranho – Madson escorou-se a entrada da baia enquanto um de seus funcionários aproximava-se para guardar algumas celas e estribos – não chegava mais perto dos instrutores e nem dos outros animais.

- Mary dá uma olhada nisso – chamou Josh ao que Marianne abaixou-se apalpando o local onde o colega apontara

As juntas e ossos pareciam ter esfarelado completamente e o animal soltava relinchos de dor ao ser tocado, nada de cunho natural poderia ter causado aquele tipo de fratura e muito menos naquela extensão.

- Sr. Madson! – um rapaz entrara correndo nos estábulos, este tinha cabelos claros e olhos negros – Ah, o senhor está aí...

- O que há com você Harry? Parece que viu um fantasma! – o fazendeiro riu embora o som parecesse carregado e um tanto quanto cansado – Desculpem o rapaz, ele é novo no rancho...

- Sem problemas – Josh levantou-se limpando as mãos nas calças e apertando a mão do rapaz – eu sou Josh Camber e esta é a Doutora Marianne Greyhood.

Mary não se mexeu e muito menos desejava fazê-lo, algo lhe dizia que Harry não era e não viria a ser seu amigo, além do mais a moça começara a sentir sua cabeça latejar. Red Thunder relinchou desesperado tentando levantar-se.

- Buig lín hûn Mellon (Acalme seu coração amigo) – murmurou Marianne concentrando-se na pata ferida do animal – Im vâd amon le (Vou curá-lo)...

- Ha ú bad pessa le (Isso não vai afetá-lo) – ribombou a voz masculina na mente da jovem

A esposa de Legolas vriou-se vendo que o “funcionário novo” de Madosn lhe sorria de maneira ameaçadora e ao mesmo tempo temerosa, Marianne voltou para o animal a seus pés e tornou a murmurar um encantamento de cura que havia aprendido com Gandalf.

Uma fraca luz saiu de suas mãos e instantaneamente o cavalo acalmou-se, sombras negras avançaram na direção de Mary que foi a única a notá-las, a moça estendeu uma rede protetora ao redor de si e de seu paciente.

Tão logo a Dra. Greyhood terminou seu ritual, Red Thunder levantou-se de salto espalhando feno por sobre Josh e surpreendendo Madson, o animal parecia estar em perfeitas condições como se nunca houvesse tido problemas na pata.

- Isso só pode ser um milagre – murmurou o fazendeiro atônito

- Não Sr. Madson, seu animal estava com uma das juntas fora do lugar – esclareceu Marianne sobre o olhar confuso de seu assistente – fiz uma massagem e agi para que voltasse a seu estado normal.

- Nem sei como agradecê-la – disse o homem apertando com firmeza as mãos delicadas da jovem – vou pagá-la agora mesmo...

- Não será necessário, este serviço sairá por nossa conta – Josh teve um ataque de tosse e a guardiã deu-lhe uma cotovelada nas costelas – foi um prazer vir até aqui Sr. Madson, até mais ver Harry...

- Hã, até mais – respondeu o rapaz em tom sombrio

Josh ainda xingava em voz baixa quando Marianne entrou na ambulância escorando a cabeça no banco de couro, a cura havia lhe levado a exaustão.

- Que história é essa de não cobrar a consulta? – grunhiu o rapaz dando a ré para sair do rancho – Ainda mais depois de ter curado milagrosamente,(e não me olhe com essa cara por que eu vi que o dano era grande) um grande campeão das corridas?

- Josh, por favor, o que Thunder tinha não podia ter sido causado por alguma lesão durante um treinamento – contrapôs a moça esfregando as mãos – a pata foi esmagada...

- Ok, mas mesmo assim não podíamos ter dado “condições”, garanto que Madson não ia nem sentir falta do dinheiro – Mary riu procurando o celular que tocava insistentemente em sua bolsa

- Oi Su, o que houve pra me ligar a essa hora? – perguntou a moça

- Mary, você está bem? É que eu senti um aperto no peito, uma sensação estranha – respondeu Suzan com a voz entrecortada – achei que podia estar precisando de ajuda...

- Está tudo bem, não se preocupe – tranquilizou ela – e você como está, Éomer deu notícias?

- Dá para acreditar que ele me mandou o primeiro SMS da vida hoje pela manhã? – Suzan riu – E ainda usou abreviações...

- Não consigo imaginar alguém como Éomer escrevendo algo como “vc” – a esposa de Legolas riu exultante

- Escute e quanto a sua viagem até Bombadil? Você vai ir mesmo, quero dizer não seria melhor esperar?

- Não Su eu preciso ir o meis rápido possível e tirar essa dúvida – Mary suspirou – a gente se fala mais tarde...

- Se cuida tá? Nos falamos depois, tenho algumas perguntas jornalísticas pra fazer – a garota riu

- Sim srta., mande um beijo para sua mãe – Mary riu e desligou

- Sua amiga gata bem que podia me ligar também – Josh deu uma piscadela para a amiga que continuou a rir – afinal de contas eu sou um ótimo partido.

- Ela já é compromissada, mas você não seria uma má escolha – o rapaz franziu o cenho e revirou os olhos – e Vivian não iria gostar de saber disso.

- Ok, ok! Chega por hoje!

***

Radagast sentou-se em frente a sua casa esperando que Kendhra retornasse, já que sua filha fora buscar um amigo com urgência para que este pudesse examinar o mapa trazido por Alagos e que chegara às mãos de Thranduil.

O mago estreitou os olhos ao escutar o leve som de galhos quebrando-se ao lado oeste, mesmo leves aqueles passos não poderiam pertencer a nenhum de seus convidados. Os animais agitaram-se correndo até os pés do Castanho, os estalos continuaram e aos poucos a escuridão começou a preencher o ambiente.

Mas esta escuridão em nada aparentava àquela que em tempos passados atormentara as Fronteiras da Floresta das Trevas, no meio de tudo surgiu uma névoa densa que agarrava-se as plantas.

- Mas o que é isso? – questionou-se Radagast enquanto um pedaço translúcido dançava em frente a seus olhos

- Há tempo esperamos para retornar amigo mago... – a voz fê-lo arfar e logo este virou-se dando de trombas com uma imagem fantasmagórica de Thorin Escudo de Carvalho

O filho de Thráin em nada havia mudado desde a Batalha dos Cinco Exércitos, os mesmo cabelos escuros com leves reflexos grisalhos, o escudo de guerra dependurado no braço esquerdo.

- I-i-isso é impossível – assustou-se o mago tropeçando nas raízes de uma grossa árvore e caindo de pernas para o ar

- Olhe só Kili, era como suspeitávamos! – apontava Fili dobrando-se de tanto rir – As ceroulas também são marrons!

- Ah meu irmão! Quem diria que voltaríamos para ver esta cena! – concordava Kili que tremeluzia devido às gargalhadas

- Mas isso é uma audácia da parte de vocês! Acham que podem escurecer a floresta e assustar-me deste modo?

- O senhor precisa dizer a moça que carrega o Amuleto da Ressurreição que a ajuda daqueles que já partiram será necessária – continuou Thorin virando o rosto para a direita e suspirando como se algo o estivesse chamando – Devemos paritr...

- Para onde vão? – perguntou Radagast atônito retirando seu chapeu e amassando-o entre os dedos – Retornarão?

- Até breve caro Radagast! E trate de trocar estas ceroulas, elas estão um pouco encardidas! – continuou a rir-se Fili

A névoa desfez-se do memso modo como havia aprecido, as imagens também desapareceram e logo após Kendhra surgiu conversando animadamente com Gandalf, porém havia algo de errado na expressão do mago branco.

- Gandalf! Os espíritos dos mortos estão retornando! – exasperou-se o outro agarrado a túnica alva do agora chefe da ordem dos magos

- Acalme-se Radagast! Você disse espíritos dos mortos? – questionou enquanto a filha de Radagast vasculhava por sinais de tais aparições

- Thorin Escudo de Carvalho e aqueles pestes! – resmungou ele batendo o cajado contra o chão – Bili e Dili ou seria Fili e Kili?

- De qualquer maneira está acontecendo novamente, primeiro Beorn e agora a companhia de Thorin – comentou a dunedáin – há algo ligado a guerra que nos espreita...

- Guerra? Não sabemos se haverá guerra Kendhra e não devemos cogitar esta hipótese a não ser que não haja mais soluções – advertiu Gandalf – guerras nunca deveriam ser a última saída para os conflitos.

- Bem, coisas estranhas vêm ocorrendo e creio que temos um mapa para examinar – interrompeu Radagast pedindo que os outros dois entrassem

A filha adotiva do mago castanho depositou o artefato sobre a mesa de olmo polido, o chefe dos Istari debruçou-se sobre o documento murmurando em variadas línguas e passando as mãos por sobre o papel fino.

O mago repetiu o gesto durante algumas horas até que finalmente soltou um exclamar de compreensão, Kendhra e Radagast já estavam em pé no exato momento em que o mago branco aproximou-se.

- Magia Negra encobre alguns trechos deste mapa, confundindo localizações e trilhas para que não possamos acessar o local correto, mas sei de um meio de descobrir a real utilidade destes traços – reportou com um sorriso de triunfo escondido sob a barba branca

- E qual seria? – questionou Kendhra apoiando-se a um dos braços de uma poltrona velha

- A senhorita terá participação nesta descoberta – começou o mago recebendo o olhar acusador de Radagast sobre si

- Não Gandalf, sabes que este rito pode ser muitíssimo perigoso – negou o castanho tomando a filha por um dos braços e escondendo-a atrás de seu corpo frágil – não vou deixar que o corpo de minha filha seja maculado.

- Quem cogitou “macular” o corpo de sua filha meu caro – Gandalf riu meneando a cabeça – precisaremos apenas de uma pequena incisão e algumas gotas de sangue sobre o local exato...

- Esperem um minuto! Estão falando como se eu não pudesse argumentar e mais, como se não estivesse aqui – gritou a dunedáin interrompendo a discussão

- Minha querida, magia negra só pode ser quebrada pelo sangue dos descendentes dos homens do Ponente ou com magia branca – o chefe dos Istari acendeu seu velho cachimbo soltando uma nuvem de fumaça em formato de embarcação – ou no caso por mãos élficas...

- Quer dizer que meu sangue pode ser usado para que venhamos a ver e ler o mapa? – a dama empertigou-se – Façamos isto agora mesmo...

- Não é assim que se começa um ritual deste porte – resmungou Radagast ainda inconformado por sua filha ter de passar por tamanha provação – precisamos estar no local onde o mapa foi achado e ter um representante da raça que o encontrou...

- Pedras élficas montando um extremo para identificar leste, oeste, norte e sul e seu sangue...

- O representante nós já temos, afinal Thranduil irá fazer de tudo um pouco para participar deste momento – completou Gandalf – pelo que me consta ele se mostrou irredutível quanto a não me mostrar o mapa.

- O quê?! – Kendhra esmurrou a mesa a sua frente com tamanha força, que fez os pratos de estanho de seu pai caírem provocando um irritante barulho metálico

- Andei sabendo sobre alguns acordos firmados entre a senhorita e nosso caro rei élfico – continuou Radagast coçando a longa barba castanha – creio que não haverá problemas em pô-los juntos neste ritual.

- Tudo bem! – a dunedáin bufou atirando-se num dos sofás cujo estofado saía pelas laterais – Ótimo, não importo-me nem um pouco com o que aquele...aquele...

- Ora vejam só! Ela já está falando em mim a esta hora da manhã? – Thranduil adentrara o local sem nem ao menos ser notado, este trajava roupas mais leves e trazia um arco atrelado às costas largas

- Ah! Em nome de Erú! Será que não podes deixar-me em paz por mais do que cinco minutos! – grunhiu a moça retirando-se para seu quarto, os olhos azuis do elfo pousados em suas costas e em seu jeito de caminhar

***

Katherina Greyhood arrastava seu longo vestido pela comprida praia de areias brancas, os pés descalços sentiam a textura áspera e fria enquanto a dama inspirava a brisa marítima com exaltação.

Foi quando de súbito algo lhe atingiu, uma queimação que começou pelas pontas dos dedos das mãos e espalhou-se gradualmente para o corpo inteiro, a mãe de Marianne sofreu espasmos e apenas não desabou porque um elfo de cabelos negros segurou-a nos braços firmes.

- Está acontecendo? Já está na hora? – pegruntou Katherina enquanto Ilúvatar a punha sentada a seu lado

- Sim minha cara, está ocorrendo como fora profetizado pelos antigos antes mesmo da criação dos aneis do poder – respondeu o supremo com preocupação no rosto belo e jovial – o sofrimento e a dor estão por vir...

- E por que não podemos impedir? Minha filha e minha família precisam sofrer tanto? – ela ergueu-se resolvida a seguir seu caminho ao longo da orla, talvez caminhar por horas sem fim antes de retornar ao lar onde repousava

- Não aja como se fosses uma menina teimosa Katherina – pediu Erú alcançando-a num passo – sabes muito bem que o destino não se altera e que sua família carrega a chave para todos os mistérios que cobrem nossos mundos.

- Por que justo minha menina? – tornou o questionamento com lágrimas nos olhos – E quanto à Alícia? Ela também será acometida por esta maldição?

- Esta “maldição” não passa de um dom concedido a poucos – o elfo suspirou tocando a água salgada que agitou-se moldando um enorme espelho, a imagem da irmã de Marianne refletida em sua superfície

- Já começou... – murmurou Katherina vendo que a menina começava a dar sinais de seu real potencial

Notas finais
Comentem please! Espero que tenham gostado!