Wait Me Forever...

8 Maldição Familiar


Notas iniciais
Pessoal maravilhoso que deixa-me reviews maravilhosos! (Exagerei no pleonasmo...) Alguém aí pediu mais um capítulo?
Estava realmente isnpirada e resolvi postar mais um, também puderam notar que aumentei a faixa etária da história (algumas cenas de violência física são um pouco mais fortes nesta segunda fase), se alguém estiver encomodado não prossiga a leitura...
Capítulo para deixar vocês com aquela "pulguinha atrás da orelha"!
Enjoy

OBS: sugestão de música: SEVEN DEVILS (FLORENCE AND THE MACHINE)

PLAY#

Alícia e Mark estavam andando ao longo do lago para onde Marianne fora levada logo ao retornar depois de quatro anos longe de sua avó, antes de tornar-se guardiã e antes de conhecer Legolas.

A garota vestia diversas camadas de roupa para proteger-se do frio, os olhos mal apareciam por debaixo do gorro do grosso cachecol, Mark ria enquanto a irmã mais nova de Mary equeilibrava-se nos patins.

- Mais para a esquerda...Isto, fique exatamente aí! – ria-se ele esfregando as mãos envoltas em luvas escuras de couro – Está quase virando uma patinadora profissional.

- Aham, está dizendo isso só porque consegue se equilibrar nestas coisas – devolveu ela finalmente conseguindo deslizar sobre a superfície escorregadia – como é que se faz para...

Alícia não completou, a menina sentiu que algo ruim estava por vir antes mesmo que acontecesse. Até porque uma figura negra distinguiu-se na alvura da paisagem, o focinho longo e os dentes curvos e sobressalentes.

“Josh estacionou o carro em frente à casa de Marianne, a qual lhe agradeceu a carona adentrando rapidamente o imóvel e trancando-se no interior quante e aconchegante. Ligou a calefação e tratou de trocar as roupas. Legolas não estava à vista, mas tinha deixado um bilhete dizendo que não tardaria a chegar.

A moça ligou o notebook acessando os documentos de seu mestrado e revisando o texto pela milésima vez, o vento batia com fúria contra as janelas o que provocava um ruído abafado e tristonho.

A guardiã notou que sem os hobbits sua casa parecia vazia e mesmo grande demais para si e seu marido, passou as mãos pelo ventre lembrando-se do mais novo integrante da família.

Algo lhe atingiu em cheio nas têmporas, mil facas pareciam fincar-se em sua cabeça causando-lhe dor e vertigem, a dor estendeu-se até o ventre. Mary enrolou-se no sofá sentindo que algo quente lhe escorria por entre as pernas...”

A camada de gelo tremeu suavemente. Mark moveu-se na direção de Alícia, mas uma longa fenda abriu-se em seu caminho forçando-o a ficar inerte, a impotência causava-lhe raiva e a expressão nos olhos da garota lhe angustiavam.

- Não se mexa – pediu ele tentando contornar a rachadura o que de nada adiantou tendo em vista que o risco tomava o lago de extremo a extremo – fique onde está e não se apavore, vai ficar tudo bem.

A irmã de Marianne apenas concordou não ousando sequer soltar a respiração, temendo que o mínimo suspiro pudesse afetar o que ainda restava de gelo ao redor de seus pés. O lobo negro continuava a encará-la, este ergueu o focinho num uivo de plenitude e então tudo ruiu.

Alícia foi engolfada pela sensação enregelante, seus pulmões gritavam por ar e os múculos adormeceram não respondendo a estímulo nenhum. Mark apoiou-se na beirada já preparado para saltar quando uma flecha de plumas negras cravou-se em seu flanco direito.

“Marianne se contorceu, as dores ficavam cada vez piores e a moça arrastou-se para a escada, precisava ligar para o marido ou talvez para a emergência. Tinha de salvar seu bebê, o sangue já começava a lhe manchar o vestido amarelo e ela não sabia mais o que fazer, nem ao menos conseguia acessar seus poderes.

Sentia-se fraca e impotente e para piorar, deixara sua bolsa no quarto ficando sem meios de comunicar-se com Legolas. As dores pioravam, os olhos começaram a lacrimejar e imagens da Alícia imóvel no fundo de algum lago ou represa lhe deixavam ainda mais preocupada.”

O rapaz urrou devido à dor, pontos negros piscavam em sua visão e dentre estes ele pôde apenas distinguir uma figura altiva portadora de longos cabelos (os quais não soube dizer se claros ou escuros), o veneno espalhou-se rapidamente e logo ele estava sem sentidos.

Os olhos da pequena Alícia fecharam-se e o corpo começou a afundar nas águas escuras, a voz de alguém gritava para que a garota voltasse e a súplica parecia vir do âmago da própria terra.

A Guardiã arrastou-se até a porta, a dor tomava-a por completo. Escorou-se a beirada da cama abraçando o ventre com ambas as mãos, rezando para que Ilúvatar poupasse aquele ser indefeso e sem culpa...

Legolas Elladan e Elrohir corriam na direção da casa, o filho de Thranduil pressentira que algo estava errado, o peito estava apertado. Os três entraram no imóvel, o notebook de Marianne estava ligado sobre o sofá, manchas carmins espalhavam-se por pontos isolados, ambos subiram as escadas encontrando Mary...”

O estranho aproximou-se da cratera negra em meio ao lago, aproveitou para chutar o corpo desfalecido de Mark enquanto procurava por algum sinal da menina que estivera observando por tanto tempo. A luz potente oriunda das profundezas fê-lo ter um sobressalto, algo havia dado errado e aquilo era incompreensível a mente de tão poderoso matador.

Alícia abriu os olhos e tudo o que pôde ver eram os poucos peixes que ousavam aproximar-se de si, algo espreitava por si apoiando-se contra o gelo sem provocar dano algum. A garota sentiu um calor estranho invadi-la e logo ela própria estava envolta em chamas prateadas na água turva.

Tudo elevou-se a seu redor, subindo cada vez mais a menina então soube como era a sensação de voar (o que sempre lhe causar curiosidade), a figura que antes lhe observava sumiu como num passe de mágica. Alícia emergiu, enchendo os pulmões contraídos com ar fresco, relaxando os músculos tensionados e então dando conta-se de que estava a no mínimo dez metros do solo.

“– Marianne olhe para mim! Por favor... – Legolas sentou-se ao lado da esposa abraçando-a enquanto esta soluçava ainda abraçando o ventre

- Nosso filho... – resmungou de olhos fechados – acho que o perdi...

- Não, ainda há vida para salvar – negou Elladan tocando a barriga de Mary e trocando um cúmplice olhar com o irmão – vamos trazer seu bebê de volta, é uma promessa.

Os elfos juntaram as mãos sobre o ventre da moça que ainda via as imagens difusas de Alícia elevando-se a metros do chão. Uma luz dourada começara a reluzir em torno dos filhos de Elrond, as dores cessaram e uma aura de paz envolveram-na.

- Tog dan i ereb talt, tog dan i cuia i milui! (Traga de volta o isolado, o inocente, traga de volta a vida o amado!) – recitaram os irmãos em uníssono”

A luz encheu o quarto e as mentes de Marianne e Alícia, as irmãs entravam em sintonia recitando unidas as palavras que os elfos também havia proferido. Mark abrira os olhos devagar piscando devido a mudança de claridade, sua primeira visão foi a do rosto pequenino de Alícia.

- Ali? Você...Como você saiu do lago e como me curou? – questionava-se ele vendo a flecha que jazia a seu lado, partida em duas partes

- Não sei – respondeu a garota notando que não estava nem sequer molhada, mesmo depois de ter mergulhado de cabeça num lago completamente congelado – eu só senti que algo quente estava me envolvendo e então...eu voei!

- Alguém me acertou, eu conheço este tipo de flecha – repensava o soldado envolvendo a pequena com seu casaco grosso enquanto ambos saíam de sua “pista” de patins – isso é de algum Orc, mas tenho certeza de que o que vi não podia ser uma destas criaturas.

- Era alguém de cabelos compridos e magro demais para ser um daqueles bichos feios – concordou a irmã mais nova de Mary para a surpresa do rapaz – eu também vi Marianne, ela parecia estar em apuros...

- Em apuros? Como assim Alícia? – agora os dois subiam a margem do local, Mark auxiliou a menina a montar no lombo seguro de Trovão

- Ela estava em casa, e tinha sangue manchando o vestido que ela estava usando – respondeu tendo um arrepio

- Sangue... – o rapaz engoliu em seco ordenando que Trovão corresse o mais rápido possível e já tateando os bolsos em busca do celular – Droga! – grunhiu ao perceber que a flecha atravessara o aparelho

***

Marianne abriu os olhos ainda confusa, não lembrava-se de ter trocado de roupas e muito menos de ter conseguido deitar em sua cama. Legolas limpava as manchas de sangue que marcavam o chão, um balde e um pano estavam ao seu lado. Os cabelos loiros cobriam sua face.

- Legolas... – murmurou ela sentindo a exaustão tomar conta de seu corpo e mente – o que aconteceu?

- Está tudo bem – respondeu ele tocando o rosto da esposa e lhe beijando os lábios com ternura – os filhos de Elrond conseguiram trazer nosso pequenino de volta.

- Nosso filho? Eu tive tanto medo de perdê-lo, e também havia Alícia – começou a moça despejando tudo de uma única vez, a voz falhou e ela sentiu o torpor tomar conta de seus membros

- Acalme-se, ainda está fraca e precisa descansar – disse o elfo tocando suas mãos e sorrindo de maneira tranquilizadora – Alagos e Tauriel vieram lhe ver.

- Quero agradecer Elladan e Elrohir – sussurrou ela tentando levantar-se e gemendo ao sentir que o abdômen ainda lhe causava dores

- Fique quieta mocinha! Vou chama-los para que possa agradecer – prometeu Legolas depositando um beijo na testa de sua esposa

Quatro elfos surgiram depois de alguns segundos, todos exibiam sorrisos de alívio e devoção, até mesmo Elrohir parecia um pouco emocionado com o fato de Marianne ainda poder lhe sorrir daquela forma.

- Não há palavras para agradecer o que fizeram por minha família – balbuciou a guardiã ainda sonolenta

- Era o mínimo que podíamos fazer, você e Legolas já nos auxiliaram além de auxiliarem nosso pai – Elladan deu de ombros – um inocente não deveria ter a vida retirada daquela forma.

- Muito menos sendo filho de amigos tão estimados – continuou Elrohir sentando-se ao lado de Mary – é melhor começar a comprar as roupas cor de rosa mamãe Marianne, pois estás esperando uma menina!

- O quê? – questionou a moça apresentando por alguns instantes um brilho intenso no olhar – Uma menina?

- Em nome dos Deuses Elrohir! Não sabes manter esta boca fechada – o irmão gêmeo tinha as faces escondidas nas mãos e um sorriso bobo nos lábios – Não era para revelar este segredo por enquanto.

Legolas cruzou o quarto depositando beijos nos lábios e na face emocionada de sua esposa.

- Meus parabéns! – desejou Tauriel esboçando um sorriso, mas ainda mantendo sua pose altiva característica

Alagos permanecia quieto e de olhos fixos ao chão, as mãos estavam entrelaçadas às costas e os cabelos loiros escorriam-lhe pelas faces angelicais. Marianne notou que uma fina cicatriz cruzava o rosto do elfo do queixo até o couro cabeludo.

- Minha senhora passou por momentos difíceis hoje e por isso não vou importuná-la por muito mais tempo – falou ele por fim mostrando um sorriso de dentes arreganhados – tenho deveres para com meu senhor.

- Muito obrigada por ter vindo Alagos, espero que tenha sorte em sua jornada até a Floresta Verde – desejou Mary sorrindo enquanto o guarda retirava-se com urgência

Em pouco tempo todos os amigos da guardiã haviam aparecido para lhe desejar melhoras ou para saber o que lhe havia ocorrido, Sam levara Rosinha e seus até então três filhos para lhe ver e as duas tiveram uma boa conversa sobre como cuidar de crianças.

Aragorn e Elrond haviam saído de Valfenda pela manhã para resolver alguns assuntos pendentes e aproveitaram para visitar a amiga tão estimada. Além destes, Haldir também havia passado pela casa de Legolas e Anne para entregar um presente de Galadriel.

- Minha senhora já sabe que esperas uma menina Marianne – disse o elfo com reverência – pediu que lhe trouxesse isso.

A caixa de prata e mithril continha um cordão de ouro com um delicado pingente em forma de folha. Uma das folhas de Lórien, talhadas por ourives élficos e moldada pelos melhores artistas em toda Lothlórien.

Robert, Alícia, Mark e Margareth apareceram logo após. Todos pareciam tensos ao cumprimentar Legolas, até mesmo a filha de Tolkien permanecera de boca calada ao passar pela porta.

- Como você está minha menina? – perguntava Robert acariciando os cabelos da filha enquanto esta deitava-se em seu colo

- Melhor agora que vocês todos estão aqui – ela ergueu os olhos sorrindo para Mark, o rapaz passou as mãos pelos cabelos curtos

- Meu bem, sei que não deveríamos preocupa-la com mais e mais notícias, mas creio que sua irmã tenha algo a lhe contar – disse-lhe a avó

- Mary eu voei hoje! – disse a menina exultante, os olhos claros pareciam brilhar

- O quê? – perguntou a mais velha sentando-se ereta, algo agitou-se dentro de si como se de alguma forma ela já espera-se por aquelas palavras – Como assim voou?

- Nós estávamos patinando no lago e então Alícia viu alguma coisa – começou a explicar Mark desabando em uma poltrona em frente ao leito – o gelo rachou e ela caiu dentro da água, fui atingido por uma flecha envenenada e...

- Flecha envenenada? – Legolas estreitou os olhos azuis – Por acaso guardaste este artefato?

- Aham, já esperava que você fosse querer ver – o rapaz pôs a mão dentro do casaco retirando a flecha partida e estendendo-a ao elfo – sei que parece ser de um Orc, mas tenho certeza de que quem atirou era humano, ou algo muito semelhante a um.

- Era alguém com cabelos compridos – aquiesceu Alícia ainda radiante – por um momento eu pensei ter ouvido a voz da mamãe e depois tinha uma luz prateada me envolvendo e eu voei!

- Espere! Isso é demais para minha mente – grunhiu Mary olhando a avó de modo inquisidor – preciso ficar a sós com a senhora...

- Mary, não sei se seria bom depois de tudo o que passou no dia de hoje – contrapôs o pai segurando firme a mão de sua menina

- Não pai, sei bem o que estou fazendo – ela sorriu de maneira fraca dando um último beijo na bochecha de sua irmã

Margareth sentou-se defronte a cama, no exato local onde Mark antes estivera. As mãos enrugadas entrelaçadas sobre o colo e os inconfundíveis olhos astutos que não deixavam nada escapar.

- O que quer saber? – perguntou a senhora inspirando calmamente

- A verdade que a senhora insiste em esconder – respondeu a moça de maneira ríspida, estava cansada de mentiras e segredos que poderiam mudar o destino de todos, estava cansada de meias-verdades

- Por onde devo começar... – ela inclinou-se na cadeira limpando os óculos na barra da blusa que usava – meu pai foi o precursor de toda esta história e isso a senhorita já sabe, o que não lhe contei foram as circunstâncias que o levaram até a Terra Média...

- Circunstâncias? – Marianne escorou-se nos travesseiros macios preparando-se para a longa explanação que a avó lhe daria

“Meu pai era jovem quando partiu para a Guerra e sofreu muitas provações no caminho, tinha mulher e filhos e não cogitava perde-los, mas a morte e a enfermidade não poupam nem os mais justos e muito menos os mais sábios.”

“Minha mãe adoeceu depois do parto de minha irmã Priscilla e estava muito doente quando nosso pai retornou, ele passava as noites a seu lado e parecia cada vez mais obcecado com a descoberta de uma cura.”

“Numa noite eu ouvi os passos arrastados de seu bisavô no assoalho, o segui até que ele desceu até o porão de Valley. Abri uma fresta da porta e pude ver o exato momento no qual ele tocou a superfície de um espelho entalhado em ouro...E desapareceu em seu interior.”

- No dia em que ele conheceu a Terra Média – completou Marianne ficando ainda mais fascinada com a história

“Acordou em uma encruzilhada (ou assim ele me contou) com um tropel de mil e um cavalos rugindo em seus ouvidos. Um homem abaixou-se erguendo o estranho e olhando-o nos olhos, seu rosto sereno transparecia austeridade e compaixão.”

- Quem és e de onde viestes, oh nobre forasteiro? – questionou o homem soltando um riso de complacência”

“- Vim procurar ajuda – respondeu o homem encolhendo-se ao passo que o cavalo a sua frente escoiceava o chão – minha esposa está doente e não sei o que fazer...”

“- Venha comigo e assim lhe darei paz.”

“Meu pai seguiu o estranho até sua fortaleza e este lhe propôs uma vida de servidão em troca da cura de sua esposa. Tolkien era forte e mesmo sabendo que a felicidade de sua família era a coisa mais importante negou-se a compactuar com tamanha atrocidade.”

“O tão bondoso homem era Sauron disfarçado e assim que percebeu a insolência de meu pai, manteve-o prisioneiro. Além disso, com algumas gotas de seu sangue recitou um antigo ritual amaldiçoando nossa família durante quatro gerações. Por isso minha querida nós visitamos a Terra Média e por isso temos dons especiais.”

- Uma maldição? – questionou-se a moça sentindo o estômago agitar-se – E que sentido teria se sempre que vamos visitar este outro mundo acabamos com o mal que ali existe?

- Eu perdi seu avô e sua mãe – respondeu Margareth com amargura e lágrimas nos olhos – você quase perdeu seu filho...Essa é nossa maldição. Sempre perdemos as pessoas que amamos.

- Sempre não! Eu não perdi meu filho e também não vou deixar que nada de mal o atinja! – gritou a guardiã perdendo completamente o controle, seus olhos chamejavam e uma aura alaranjada acendia-se a sua volta – Tem de haver uma brecha!

- Marianne não grite e não se zangue! – Margareth aproximou-se tocando a testa da neta que instantaneamente acalmou-se – Sua irmã e você são realmente uma fuga a regra, uma com o poder do fogo e outra...

- O lago estava envolto em...gelo – murmurou a moça enfim dando-se conta do que ocorrera – meu Deus! Ali é tão menina ainda, não poderia ocorrer com ela também.

- Esta “transformação” de forma repentina remete a aproximação de um mal que ainda não enfrentamos e não conhecemos – Meg espiou pela janela vendo a aproximação de duas figuras encurvadas – devemos estar prontas.

***

Gimli estava tão curvado que quase encostava o nariz no chão. Seu pai seguia a seu lado de modo silencioso e furtivo, ambos encaminhando-se para a casa de Marianne depois de serem informados sobre o que ocorrera.

O vento rugia e fustigava as faces dos anões, a paisagem branca tomava todos os cantos para onde se olhasse, não havia sinais de animais ou aproximações que poderiam lhes surpreender.

- Espere – pediu Glóin ao que o filho atendeu prontamente – veja.

Havia farrapos de roupas de cores claras perto da casa do casal Greenleaf. Pedaços de tecido fino, marrom e verde escuro, a estes seguia-se um trilha de pegadas de algum animal grande (um lobo ou urso) e um arco partido em dois.

- Sem dúvida isso pertence a um elfo – meditou Gimli vendo que Margareth espiava-os da janela do quarto de Marianne – precisamos reportar aos outros...

***

- Tome cuidado com ele Merveneth – instruía Arwen passando o pequeno Eldarion aos braços da mulher, este tombava de sono e frequentemente fechava os olhos para logo após abri-los novamente – chame-me se houver algo de errado.

- Minha senhora não precisa preocupar-se, não vou atrapalhar seu banho – a gondoriana riu embalando a criança nos braços sobre o olhar atento da mãe – não vai poder ver a volta do pai! Está caindo de sono...

- Ele passou o dai inteiro agitado – comentou a elfa dirigindo-se ao lavabo – não me surpreende que esteja exausto.

Arwen deixou que a água cobrisse seu corpo. Precisava arrumar-se para receber seu marido e curar a saudade que tomara conta de seu peito e de sua mente, além disso, o corpo também ansiava pelo retorno de Aragorn.

Um sorriso brotou-lhe nos lábios assim que lembrou-se das risadas de Eldarion durante a tarde, suas brincadeiras com as outras crianças do reino e sua quietude quando a mãe lhe cantava alguma canção.

Merveneth também entoava um cântico de Gondor para que o pequeno adormecesse, o vento calmo entrava pela sacada aberta e a mulher achou que o ar noturno pudesse auxiliar o príncipe a dormir.

A esposa de Aragorn secou-se e vestiu um vestido limpo e leve. Penteou os longos cabelos negros e delineou os lábios com uma fraca tintura vermelha. Foi então que notou que havia algo errado naquele cenário.

O silêncio.

Não escutava mais a voz de Merveneth e muito menos os pequenos resmungos de seu filho. Saiu desabalada do cômodo e estacou ao ver que não havia sinal da empregada e tampouco de seu amado menino.

Correu para a sacada tomada de pavor, levou as mãos aos lábios ao encontrar o corpo da mulher estirado na varanda. A garganta havia sido cortada e os olhos sem vida fitavam o vazio, sangue manchava o chão e Eldarion sumira...

Os portões de Gondor abriram-se permitindo a passagem de seu soberano do sogro Elrond. Ambos tinham sorrisos de alívio nos lábios após saberem que Marianne estava bem e que nada de ruim ocorrera ao filho que esperava.

Aragorn logo foi surpreendido pelo aparecimento de sua esposa. Esta corria pelas ruas ignorando os moradores que lhe perguntavam o que ocorrera, lágrimas escorriam de seus olhos e ela tremia devido aos soluços.

- Arwen, o que se passa? – questionou o Dunedáin enquanto a elfa enterrava o rosto em seu peito

- Eldarion... – respondeu com a voz entrecortada – nosso filho sumiu...

***

Turelië e Almarvarnë corriam por Valfenda rindo e fazendo piadas uma da outra. Estavam alegres com a notícia de que sua amiga Marianne estava esperando uma criança. Felizes por terem recebido permissão de Elrond para visitar a guardiã.

Ambas carregavam cestas de vime, cada uma contendo um punhado de frutos pequeninos e de variados tipos: amoras, pitangas, mirtilos e tantos outros que não existem em nosso mundo.

- Imagine só! Teremos um príncipe ou uma princesa na Floresta das Trevas – cantarolou a ruiva pondo uma flor amarela atrás da orelha pontuda

- Será uma criança abençoada sem sombra de dúvidas! – concordou a outra afastando-se um pouco

As duas elfas seguiram uma trilha sinuosa até os arbustos mais fartos e perfumados na expectativa de colherem os melhores e mais saborosos frutos. Turelië abaixou-se para alcançar os galhos mais baixos, a mão delicada tocou as folhas verdes e algo viscoso manchou seus dedos.

A donzela ergueu a mão à altura dos olhos, o líquido negro escorria até seu pulso manchando vestido azul. A outra aproximou-se soltando um exclamar ao notar que tratava-se de sangue de Orc.

Mal tiveram tempo de pensar antes de serem atacadas por uma horda furiosa das criaturas nefastas – que um dia haviam sido elfos e homens cegos pelo poder e cobiça – as quais agarravam-nas pela cintura, jogando-as como sacos de batata por sobre os ombros.

- Não quero que as machuquem! – urgiu uma voz melodiosa que fê-las arregalar os olhos em choque – Nem um arranhão, ou sofrerão duras penas!

O algoz surgia diante dos olhos das jovens, ele lhes dirigiu um sorriso de satisfação sabendo que elas lhes serviriam como escravas e senhoras e então quando chegasse a hora de seu triunfo, escolheria apenas uma para chamar de Rainha.

- Como pôde? – grunhiu Almarvarnë esperneando e tentando desvencilhar-se do aperto incômodo do Orc que a segurava – Trair-nos deste jeito!

- Não há nada mais importante do que o poder meu bem – ele dedilhou as faces da dama que lhe dirigiu um olhar feroz (o que deixou-o ainda mais excitado) – posso passar por cima de qualquer um para obtê-lo...

- Monstro! Você mostrava-se tão fiel a seu povo e agora tornou-se um ser repugnante! – desdenhou Turelië conseguindo alcançar a lâmina que escondia sob a manga de seu vestido

Matou o orc que a prendia e avançou para o homem a sua frente. Ele aparou seu golpe com uma lâmina élfica, a dama descrevia círculos precisos visando acertar a cabeça do oponente, os orcs mal se moviam fascinados pelo combate.

Até que o rapaz desarmou-a, agarrando-a pela cintura e forçando seus lábios contra os da elfa, esta lhe mordeu o lábio inferior. Ele soltou-a sangrando, num misto de riso e surpresa pela atitude da dama, outro Orc surgiu para contê-la.

- Levem-nas para meu castelo! – ele ainda ria mostrando os dentes manchados de sangue – Quero que estejam prontas e aguardando-me, ainda tenho coisas a resolver em Ithilien...

Notas finais
Ficou um pouco longo, mas creio que esteja bastante sombrio e revelador...
Comentem ok?
Bjoss da Alatariel!!!!