Notas iniciais
Pessoal o site estava em manutenção e por isso não postei mais nada! Espero que gostem deste capítulo, pois teremos personagens novos para abrilhantar nossa história!

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– Sem dúvida, não há como explicar este fato – repetiu Legolas soltando a flecha de plumas negras sobre a mesa – é um artefato feito por Orcs, posso sentir sua essência na madeira e no modo como as plumas a adornam.

– Mas também a algo confuso e que não bate – resmungou Mark irritado pela falta de respostas – eu e Ali vimos um homem manejando o arco e disparando...

Batidas fortes fizeram-se ouvir. Legolas abriu a porta dando de trombas com os dois anões que carregavam os farrapos encontrados nas redondezas. Ambos pareciam cansados e ao mesmo tempo completamente despertos.

– Entrem meus caros – pediu o elfo dando-lhes espaço e passagem

– Precisamos mostrar algo filho de Thranduil – disse-lhe Glóin soltando os tecidos sobre a mesa de centro – encontramos isso perto de sua casa.

– Parecem... – Robert não concluiu a frase e nem precisava, Legolas já tinha os olhos arregalados e as mãos trêmulas

– Roupas de elfo – completou Margareth que descia as escadas secando os olhos com as costas das mãos, a senhora fungava e parecia ter envelhecido cerca de vinte anos depois de sair do quarto da neta – roupas de elfos silvestres.

– Meu povo – Legolas ergueu-se de salto andando de lado a outro no meio da sala – Alagos e Tauriel saíram daqui a cerca de vinte e tantos minutos...

– Podem ter sido atacados ao sair – cogitou Robert ajeitando Alícia sobre as almofadas (a menina ressonava baixinho imersa num sono profundo)

– Nós teríamos ouvido – negou Mark balançando a cabeça confuso – cabelos longos e boa mira...e se nosso perseguidor for um elfo?

– O quê? – grunhiu Legolas rindo com escárnio – Um elfo não trairia seu povo, não um povo tão unido e próspero.

– Poupe-nos de suas desculpas sem fundamento, até porque você mesmo não confia nelas meu caro – disse-lhe Meg analisando os farrapos – temos um modo de saber.

A mulher encaminhou-se a janela abrindo-a e deixando que uma rajada de vento afasta-se as cortinas. Fazia anos que não realizava aquele ritual (que ajudara Gandalf a chamar as Águias em auxilio quando a companhia de Thorin Escudo de Carvalho ficara presa em grandes “árvores tochas”), estreitou os olhos apagando todas as outras sensações.

Expandiu os sentidos mais primitivos e abrasadores, permitindo que a comunicação falada não fosse necessária, logo encontrou a mente desocupada e disposta de uma coruja. Então enviou-lhe a mensagem e o pássaro voou na direção da Floresta das Trevas.

– Bem, agora aguardaremos o retorno de nossa amiga – suspirou ela sentando-se, sentia as pernas enfraquecidas muito embora não quisesse demonstrar – enquanto isso, que tal uma boa dose de chá?

***

A ave de rapina desviou-se de longas galhos ressequidos adentrando a Floresta das Trevas, que àquela hora da noite parecia ainda mais sombria e nefasta. Arremeteu antes de chocar-se contar uma grande teia espessa e sedosa, com calafrios percorrendo-lhe as pontas das asas soube que havia predadores à espreita.

Havia luz para o local onde se dirigia, uma pequena fogueira feita por Kendhra e alimentada ativamente por Radagast que saltitava atrás de Gandalf.

O mago Branco ajustou as últimas duas pedras élficas – as quatro portando cores diferentes para representar os quatro elementos naturais – trouxe o mapa depositando-o sobre um púlpito, que na verdade fora um tronco de olmo, agora ressecado.

Thranduil murmurou algo ao que Kendhra olhou-o como se fosse lhe arrancar a cabeça, o pai de Legolas retesou os músculos quando percebeu que ambos eram observados pelos Istari.

– Podemos começar – declarou Gandalf quando enfim a coruja apareceu, amarfalhada e quase chocando-se contra o tronco de uma árvore próxima – mas o que significa isso?

A Dunedáin já tinha o animal nas mãos e este piava insistentemente, agitando as asas num frenesi descontrolado. Radagast aproximou-se e o animal tomou seu ombro como apoio, lhe sussurrando algo ao ouvido.

O mago arregalou os olhos oferecendo algumas migalhas de pão que achou em suas roupas a caçadora noturna.

– O que há Ada? – perguntou Kendhra

– Onde estão Tauriel e Alagos? – foi a resposta do Istari dirigindo um olhar desesperado a Thranduil – Ande! Diga-me onde estão os dois?

– Retornaram ao fim da tarde como bem me reportou Finwe – disse-lhe o elfo unindo as sobrancelhas – mas por que estás com esta cara de embasbacado?

– O mínimo de respeito seria bom filho de Oropher – repreendeu-lhe Gandalf – Marianne está bem? – voltou-se ao amigo

– Sim, nada de grave ocorreu a ela ou a criança, mas o inimigo nos rodeia e precisamos ser rápidos – murmurou algumas palavras a coruja que tornou a desaparecer na vegetação

– Marianne? O que há com minha nora e meu neto? – a cor deixara o rosto de Thranduil com a súbita lembrança da perda de sua esposa

– Ambos estão bem, mas Mary quase perdeu o filho de Legolas – reportou Gandalf lendo as respostas nos olhos ainda esbugalhados de Radagast – tudo operado por magia negra...

– Façamos este ritual sem mais delongas – pediu Kendhra adentrando o círculo riscado na terra

O fogo que antes pertencia somente à fogueira espalhou-se tomando o sulco e formando uma barreira de chamas ao redor da dama, ela esperou pelas ordens de Gandalf ou de seu pai, mas ambos continuavam a admirar o fogo.

O mago branco tirou uma faca de mithril de uma das dobras das vestes estendendo-a a Thranduil e apontando o local onde a Dunedáin permanecia extática. O elfo hesitou aproximando-se do círculo.

O crepitar de pronto cedeu, abrindo uma pequena brecha para que o rei passasse, Kendhra tentou adivinhar o sentimento por trás das feições do elfo que lhe dirigiu um olhar ameno e vago.

– Estenda a mão – pediu com a maior cordialidade possível estendendo a sua própria para segurar a da dama

Kendhra fez o que lhe fora pedido, os dedos delgados de Thranduil demoraram-se nas mãos um pouco calejadas da Dunedáin. O calor parecia crepitar dentro de ambos e os corações de humana e elfo batiam em uníssono.

Com a palma virada para cima, o pai de Legolas riscou uma linha na pele da moça, o sangue logo brotou em cor viva e duas gotas foram despejadas sobre o mapa. O rei da Floresta das Trevas rasgou parte de seu manto enrolando a mão de Kendhra e estacando a pequena incisão.

O mapa apagou-se sobre os olhares atentos de ambos – que nem ao menos perceberam ainda estarem de mãos dadas – para depois reaparecer com linhas e detalhes precisos, uma a uma as cidades e reinos mostraram-se, no entanto não se tratava de um mapa da Terra Média.

O documento registrava com perfeição, a junção do mundo dos humanos e daquela realidade paralela, cidades inteiras dos Estados Unidos e da Ásia unidas às regiões de Rohan e Harad. O Brasil fora incorporado ao Condado e Mordor reinava majestoso acima de todos os outros locais, com uma vasta extensão territorial, devido à anexação de toda a Rússia.

Kendhra sentiu-se tomada pelo ódio fervente a uma criatura tão nefasta e sedenta, apertou os dedos ao redor da mão de Thranduil que protestou. A Dunedáin rapidamente largou-o deixando a marca do aperto gravada na mão do elfo.

O fogo sumiu e junto com este foi-se a energia que antes ligara Elfo e Humana. Os problemas foram expostos aos magos que atentos escutaram e aquiesceram às sugestões, mas não ousaram comentários sobre a cena que haviam presenciado.

A coruja rapidamente retornou ao beiral da janela que permanecia aberta. Margareth tomou-a e escutou-lhe atenta aquiesceu diante das notícias trazidas.

– Ambos chegaram são e salvos até o reino de Thranduil – disse a filha de Tolkien com um longo suspiro – sem arranhões e sem maiores problemas...

– Quem poderia ter feito isso? – Legolas ergueu os trapos ainda insatisfeito com a falta de respostas – Por que deixariam estes sinais como provas de algo que não conseguimos desvendar?

– Alguém que possuis mais artifícios do que estávamos preparados a enfrentar – completou Gimli alisando a barba ruiva

***

Éowyn contorceu-se mordendo o pano que segurava entre os dentes enquanto agarrava firmemente o estrado de sua cama. O trabalho de parto começara durante a noite e Faramir saíra zonzo a procura de Ioreth.

O irmão mais novo de Boromir andava de um lado a outro do lado de fora de seu quarto, os gritos da esposa ecoavam em sua mente e mal lhe deixavam pensar.

– Vamos senhora! – incentivava a mulher – Mais um pouco e teremos um príncipe ou uma princesa neste lugar abençoado!

A irmã de Éomer gritou, empenhando toda a força que ainda lhe restava. O choro do recém-nascido encheu o quarto, Ioreth cortou-lhe o codão umbilical entregando o menino nos braços cansados da mãe.

– Ele...é lindo – declarou não contendo mais as lágrimas

– Seria uma pena que fosse levado...não acha? – cogitou Ioreth transfigurando-se na forma de um elfo alto e delgado, o sorriso de escárnio manchava suas faces

Faramir esmurrou a porta com a maior força de que dispunha. Havia ouvido o choro de seu filho, mas de súbito a porta recusara-se à abrir e não havia mais ruídos no interior do cômodo.

– Quem é você? O que quer de mim? – perguntou a Rohiram protegendo o filho com os braços desnudos, um deles ainda exibia a cicatriz de seu confronto com o rei bruxo de Angmar

– Vou apenas levar esta criança como brinde por todo o trabalho que tive ajudando a trazê-la ao mundo – respondeu ele aproximando-se com um punhal nas mãos – não queria ter de matá-la, mas as circunstâncias levam-me a fazê-lo.

O elfo aproximou-se ainda mais, a lâmina brilhava contra a luz do sol nascente. O assassino sorria e em seu semblante não havia nenhum traço de medo ou remorso pela ação que estava prestes a cometer. Faramir tornou a esmurrar a porta gritando pelo nome da esposa.

Um círculo de luz formou-se ao redor da cama de Éowyn, Katherina Greyhood posicionava-se ao lado da cabeceira de mãos soltas ao redor do vestido comprido. A mulher trazia a mesma expressão austera que tivera em vida.

– Afaste-se deste povo – ordenou ela de maneira calma e solene – não ouse macular os que nada fizeram de mal contra você.

– Suma de minhas vistas – grunhiu o invasor bufando de raiva e indignação – ou irei até Valinor matá-la pela segunda vez...

Como resposta à ameaça, a luz vibrou mais intensa enquanto o choro do pequeno menino cessava, a aura exposta por Katherina era de paz e proteção e já estava começando a irritar o elfo.

– Não vou aturar este seu discurso! Garanto que estás aqui por culpa de Ilúvatar! – ele riu com escárnio – Não há como ter fé em algo que não existe...

A filha de Éomund aninhou com cuidado o filho nos braços, sentindo que uma espécie de calor a envolvia. O elfo avançou para a luz e ao tocá-la foi lançado do outro lado do cômodo. Faramir abriu a porta, a janela estava quebrada e não havia sinal algum da invasão, a não ser por algumas penas negras ainda brilhando aos pés da cama do casal.

– Não sei como agradecer – balbuciou Éowyn para a mulher que lhe sorria – como poderia retribuir?

– Chame-o Boromir II – pediu a mãe de Marianne reverenciando o jovem que acabara de entrar e sumindo com uma rajada de vento...

***

Frodo cabeceava sobre os pergaminhos recém escritos, a tinta já se empoçara em um dos cantos da página criando uma mancha negra e disforme. O hobbit sentia o sol incidir sobre seu rosto, mas não se importava em ter a janela aberta, trazendo a agitação e o barulho do Condado.

O antigo Portador do anel largou a pena que usara para escrever apenas duas linhas do penúltimo capítulo de sua história. Os olhos azuis fecharam-se, e os sonhos logo tomaram a mente do sobrinho de Bilbo.

“Duas elfas estavam acorrentadas a uma cama de estrado largo. Havia uma bandeja de frutas sobre o criado mudo e cortinas douradas ornavam o cômodo, a luz derramava-se pela janela aberta e os candelabros de ouro e prata a refletiam em mil e uma facetas.

Ambas tremiam e usavam vestidos com recortes nas laterais; o que lhes deixava com a pele à mostra, tiaras adornavam os cabelos longos e dois Orcs guardavam as portas do local.

Um corvo entrou pela janela aberta, este trazia um cesto de vime cujo interior era decorado com uma mantilha azul. O animal transformou-se em um sujeito alto de rosto largo e cabelos loiros cortados rente a nuca, um bebê debatia-se em seus braços.

– Soltem a ruiva – mandou em tom rude ao que um dos lacaios obedeceu soltando com estardalhaço a dama no chão – cuide desta criança...

– Mas este é o filho de Arwen e Aragorn! – grunhiu ela tentando acalmar o pequeno – O que você fez?

– Raptando bebês agora? – cuspiu a outra sorrindo irônica

O rapaz aproximou-se apertando as faces delicadas da dama morena entre as mãos e beijando-lhe a força. A ruiva começou a entoar uma canção élfica a qual o rapaz também parecia conhecer, este retirou uma chave do interior das vestes e soltou a dama de cabelos negros.

– Levem-nos para outro cômodo, deem água e comida a esta donzela – pediu o carcereiro aos dois Orcs que de pronto atenderam arrastando Turelië pela manga do vestido

– Não! Por favor não! – pediu Almarvarnë ajoelhando-se aos pés do homem que lhe havia raptado e trancafiado naquele local tão belo e ao mesmo tempo tão nefasto – Não nos separe, eu e minha irmã nunca ficamos longe uma da outra...

– Silêncio! – grunhiu o rapaz erguendo-a e lançando-a de encontro a cama – Estou muito preocupado querida... – sorriu com escárnio desabotoando a camisa de linho que usava e expondo o peito bem torneado – você vai aliviar minha preocupação.

Comprimiu os lábios aos da elfa rasgando-lhe o vestido e deixando seus seios expostos, começou a desafivelar as calças. Almarvarnë parara de lutar, um dos braços já exibia uma longa mancha arroxeada devido ao aperto das mãos largas do usurpador.

As faces do homem modificaram-se e ele tornou a exibir o rosto angelical de um elfo cujo físico muito se assemelhava ao de Legolas. Este terminou de despir-se retirando as roupas longas da elfa e forçou-a a ceder.

Almarvarnë gritou debatendo-se e causando ainda mais dor do que já sentia. Logo a onda quente invadiu-a e seu agressor desabou a seu lado ofegante. A elfa gemeu tentando escapar das garras do rapaz, mas a dor impediu-a. Sangue manchou o tecido azul claro...”

O hobbit acordou sobressaltado. Suor desprendera-se de sua testa indo manchar ainda mais os pergaminhos que estavam lhe servindo de travesseiro. Levantou-se trêmulo. As imagens da violência ainda enchiam sua mente e ele temia pela vida daquela jovem.

O mais estranho fora o fato de o rosto do elfo estar obscurecido por uma mancha negra, não conseguira reconhece-lo e tampouco seria útil para descrever o local onde este mantinha as damas élficas em cárcere.

Batidas fracas na porta o despertaram de seus devaneios. Os olhos azuis de ambos se cruzaram, a hobbit depositou sua cesta de frutas sobre a bancada notando o estado de Frodo. Acaricou-lhe o rosto e depositou um beijo em seus lábios, ele a abraçou saudoso tentando a custo sorrir e demonstrar que também sentia sua falta.

– O que ocorreu? – questionou ela dirigindo-se a cozinha e enchendo a chaleira de cobre com um pouco de água – Parece assustado Frodo.

– Tive um sonho tão real... – admitiu ele sentando-se à mesa e girando uma colher de pau entre os dedos ainda trêmulos

– Sabe que seus sonhos tem uma carga forte de realidade – contrapôs ela tocando as mãos do rapaz – não que contar-me o que você viu para que possamos pedir auxilio adequado aos outros?

– Você sempre consegue acalmar-me Iris – ele beijou-lhe os lábios mais uma vez sentindo que um pouco da preocupação já começara a esvair-se

***

Legolas continuava a observar os restos de tecido encontrados por Gimli e Glóin na noite passada. O elfo deslizou as mãos pelos trapos soltando um longo suspiro de pesar.

Marianne desceu as escadas, usava uma camisola simples de algodão e atrapalhara-se um pouco para cobrir os ombros com um mantô de mesmo tecido. Ela sorriu, beijando os lábios do marido com fervor e então notando o tecido que este observava.

– O que...? – questionou ela sentindo lágrimas virem a seus olhos

– Não se preocupe, nada de ruim ocorreu a ninguém – garantiu o Sindar envolvendo-a num abraço afetuoso – como estás?

– Melhor – respondeu ela fungando e entrelaçando as mãos com as do elfo – Alícia, papai e os outros?

– Foram para casa, Margareth ainda permaneceu fazendo-me companhia e contando-me um pouco sobre a própria aventura – ele deslizou as mãos pelo rosto da dama – ambas têm o mesmo brilho no olhar ao relatar seus feitos.

O ronco do motor de um carro a alta velocidade contaminou a atmosfera de calma que antes envolvera a casa. Suzan desceu do veículo derrubando as chaves e xingando baixinho. Legolas abriu a porta com urgência franzindo o cenho ao ver a expressão da moça.

– O que há? – questionou Mary vendo que a amiga tinha lágrimas nos olhos

– Éomer ligou para mim pela manhã – ela soluçou desabando nos braços da guardiã – Eldarion foi raptado...

– Como?! – Legolas cerrou os punhos, a respiração entrava em seus pulmões com dificuldade – Não pode...não há como! Minas Tirith é guarnecida e possui muitos guardas...

– Meu Deus – Marianne sentiu a cabeça latejar de maneira desconfortável – precisamos falar com Aragorn, Arwen deve estar inconsolável...

– Não foi o único a desaparecer – Suzan secou as lágrimas com as costas das mãos – Turelië e Almarvarnë também não foram mais vistas desde a tarde de ontem em Valfenda.

Mary apoiou-se no encosto do sofá. A vertigem lhe marejou os olhos causando-lhe náuseas e falta de ar. Pontos negros dançavam em sua frente e as mãos de Legolas a seguraram antes que esta fosse de encontro ao chão.

– Não deveria ter dito isso – desculpou-se a loira ajudando a colocar a amiga no sofá – você mal se recuperou de ontem e estou aqui lhe preocupando com essas coisas.

– Preciso saber como estão nossos amigos – murmurou Mary de olhos fechados tentando controlar a respiração ofegante – preciso me certificar de que estão todos bem.

– Eles estão – respondeu a voz forte de um anão robusto que apoiava-se num longo escudo de carvalho – lhe dou minha palavra de que estão bem.

– Thorin Escudo de Carvalho? – Legolas mal podia acreditar que o herdeiro de Durin, morto durante a Batalha dos Cinco Exércitos estava diante de si, a austeridade de seus antepassados gravada em suas feições

– Uma vez já foram salvos por mortos – disse-lhes a visão estufando o peito e desembainhando sua longa espada – talvez devessem medir o fato de precisarem novamente dos que já se foram.

– Como? Há algum feitiço, magia ou algo do gênero que possamos usar contra este novo mal? – perguntou a filha de Robert, mas o anão já se fora levando consigo as respostas que a moça tanto queria

– O que posso fazer para ajuda-los? – volveu Suzan após absorver o choque de ter visto quem pensava estar morto

– Fique com Marianne – Legolas tomou seu arco e suas adagas de um canto atrás da estante de livros – preciso falar com meu pai.

– Tudo bem – concordou Mary recebendo um beijo de despedida e vendo o marido sair porta afora

***

Kendhra girava, atacando e bloqueando os golpes de Tauriel. Ambas moviam-se rapidamente e com movimentos bruscos e certeiros. Por duas vezes estiveram a ponto de acertar a adversária no coração, mas ambas eram extremamente ágeis e sabiam bem como se defender.

A Dunedáin trazia a imponência e a austeridade do povo do norte, enquanto a elfa trazia a precisão e a leveza do povo da floresta. Nenhuma das duas parecia cansar-se, mesmo que já estivessem há duas horas praticando.

Thranduil aproximara-se sorrateiramente e acompanhava cada golpe do topo de um carvalho, cuja copa lhe servia de proteção. Os olhos astutos vinham de uma a outra, demorando-se especialmente quando se dirigiam a Kendhra.

Ainda podia sentir a textura das mãos da humana contra as suas, sua expressão de surpresa quando cortara o próprio manto para lhe estancar o sangue. Sorriu e seus lábios quase reclamaram devido ao movimento que não lhe era costumeiro.

– Paremos por hoje – declarou Tauriel vendo que a humana começara a dar sinais de cansaço – devo admitir que a senhorita tem muitas habilidades.

– Ora, um elogio destes vindo de uma elfa – a humana curvou-se numa vênia – le hannon Tauriel (obrigada Tauriel).

– U-moe endáne (Não há o que agradecer) – a chefe de guarda de Thranduil despediu-se rumando para seus serviços

Kendhra alongou os músculos retesados, seus sentidos permaneciam os mesmos ainda que não treinasse há meses. Acomodara-se a uma vida simples numa casa de campo pequena e apenas voltava à Antiga Floresta para visitar o pai.

– Não pense que não o vi – disse a dama em voz alta virando-se no exato momento em que o pai de Legolas saltara do galho onde antes montara vigília – está perdendo a leveza majestade.

– Ou a senhorita está escutando além do que deve – sugeriu ele aprumando as vestes e parecendo constrangido – devo observar que está em forma...

– Nem comece! Prefiro aguentar os devaneios de Finwe a presenciar esta tentativa de ser sociável – ela deu às costas ao elfo

Thranduil sentiu as faces esquentarem, os punhos cerraram-se ao lado do corpo. Controlou a respiração e com agilidade descomunal impediu que a dama prosseguisse. A filha adotiva de Radagast cruzou os braços sobre o peito, não suportou olhar dentro dos olhos do rei.

– O que há com vossa majestade? – perguntou sem conseguir manter o tom impassível

– Pare de fingir que não... – ele não completou, com um exclamar em élfico fechou os olhos – esqueça...

Virou as costas e deu meia volta, pronto para seguir de volta a seu reino. Por que não consegui encará-la? Por que ela lhe provocava aquele sentimento estranho e incontrolável que ele só sentira por Wilvarin?

– Thranduil! – ele estacou, deixou esboçar um sorriso de satisfação. Era a primeira vez que ela lhe chamava pelo nome

Kendhra sentia o coração bater acelerado, não soube como reagir quando o rei élfico aproximou-se. Estavam perto o suficiente para sentir a respiração um do outro e ao mesmo tempo não sabiam o que deviam fazer.

Ele curvou-se. Ela esperava pacientemente que os lábios se encontrassem, mas vendo que o elfo não apresentava sinais de que iria mover-se mais do que um milímetro puxou-o pela nuca. Os lábios moldaram-se com perfeição, as mãos sabiam exatamente o lugar onde deveriam estar. O tempo congelou.

Legolas arrastou-se devagar, já tinha notado que não podia interromper o momento. Sentiu vontade de rir entusiasticamente, nunca havia cogitado a hipótese de que seu pai viria a ter uma nova “esposa”. Não depois do que ocorrera com a mãe.

Thranduil começou a puxar a dama na direção da choupana de Radagast. Kendhra riu ainda com os lábios unidos aos do elfo e deixando cair a espada que trazia na mão esquerda. Interrompeu o contato pondo o dedo indicador nos lábios do rei que rolou os olhos agarrando-a pela cintura.

– Pronto, agora sim não vamos mais parar de brigar – a Dunedáin riu escorando a cabeça no ombro do Sindar

– Vou tentar controlar meu gênio – a moça ergue os olhos franzindo o cenho – pelo menos enquanto estiver com a senhorita...

Kendhra agarrou-o novamente pela gola das vestes grudando os lábios com urgência contra os do elfo. Legolas saltou detrás dos arbustos, o casal separou-se com velocidade assustadora e sincronizada, ambos de armas em punho.

– Não queria atrapalhá-los – murmurou o marido de Marianne – mas preciso falar com o senhor meu Rei.

– Hã...claro – Thranduil virou-se para Kendhra e reverenciou-a – nos veremos em breve.

– Assim seja – concordou ela sorrindo esfuziante

***

– Não esperava encontra-lo aqui meu primo – dizia Éomer cumprimentando o homem com tapinhas nos ombros

– Tive de vir, algo em meu coração disse-me que havia algo de errado – respondeu o jovem deixando que uma leve sombra de tristeza passasse por sua face marcada pelo sol – eu tinha de vir. – repetiu solenemente

– Já que estás aqui, deves ir para Gondor e auxiliar Aragorn – pediu o então rei de Edoras – o filho de meu amigo foi sequestrado e ele está inconsolável...

– Partirei agora mesmo – garantiu ele afastando-se e tomando um corcel negro como montaria

Éothain galopava com avidez. Arwen ergueu-se de seu leito e se aproximou da janela divisando ao longe a figura do cavaleiro. O coração palpitou clamando por notícias de seu filho e assim ela seguiu para os campos aguardando sua chegada.

Notas finais
Espero que gostem e prometo postar com mais frequência! Bjos