Notas iniciais
Hello pessoal! Bem, tenho alguns agradecimentos a fazer pelos comentários do último capítulo *-* e quero avisar que postarei as partes da história de quarta em quarta feira (um chapter por semana!) pra que vocês não fiquem perdidos! Aproveitem o capítulo!

CAPA (KENDHRA E THRANDUIL): http://s1290.photobucket.com/user/Alatariel080/media/978da4f4-024d-4613-ac08-44851d9f08b0_zps852250c9.jpg.html?sort=3&o=9

– Tem certeza de que se sente bem? – Legolas recolocara o ombro de Éothain no lugar e Marianne lhe estendeu um cantil de água, que o cavaleiro sorveu com avidez.

– Sim, foi apenas um ferimento leve – respondeu ele calmamente. – Já sofri com coisas piores em meus tempos de batedor.

– Batedor? – perguntou Merry franzindo a testa e esfregando o nariz com as costas das mãos.

– Patrulhava os campos e as fronteiras de Rohan nos tempos em que o senhor do escuro ainda espalhava terror por estes prados – explicou o Rohirrim levantando e limpando as folhas de sua roupa com a mão que não estava ferida. – participei da Batalha nos Campos de Pellenor.

– Não lembro-me de tê-lo visto meu jovem – comentou Gandalf aproveitando o momento para limpar a lâmina comprida de Glamdring, que ficara suja com o sangue branco das aranhas.

– Cheguei ao acampamento de Théoden com os homens da Colina do Vento. Servia de capitão ao rei da cidade antes de ser novamente acolhido por meus parentes em Edoras, onde tomei o lugar que antes pertencia a Éomer, como Terceiro Marechal da Terra dos Cavaleiros.

– História bastante interessante meu amigo – Gimli esticou as costas e voltou a guardar seu machado de mão. – mas creio que devemos continuar andando.

– Pelo que estudei do mapa que trouxe Gandalf, daqui a trinta léguas acharemos um local com água fresca – comentou Aragon ajeitando as malas no lombo de Trovão e aproveitando para dar-lhe uma maçã.

Marianne riu, tocando o ombro do Dunedáin. – Vai desacostumar meu cavalo, dando-lhe estes regalos.

– Não se preocupe, Trovão continua em ótima forma – o rei de Gondor acariciou o focinho do animal enquanto a comitiva continuava sua marcha.

– Ele parece o mesmo de cinco anos atrás – Frodo sorriu rememorando o momento em que o tordilho lhe dera uma preciosa carona enquanto atravessavam Lothlórien.

– Isso porque Legolas continuou a treiná-lo nesse meio tempo – concordou a Guardiã sorrindo para o Sindar. – e devo admitir que ele fez um ótimo trabalho.

– Sou quase tão bom com cavalos, quanto dirigindo carros – o filho de Thranduil riu tomando a mão esquerda de Mary na sua.

– Negativo, tratando-se daquelas “máquinas estranhas” eu sou melhor – a neta de Margareth continuou a rir enquanto o sol movia-se no ceu e o mundo começava a acordar.

***

Suzan bocejou pela vigésima vez desde que havia partido com Éomer da casa de Margareth Tolkien. O cavaleiro revirou os olhos rindo, a moça estava dando a prova de que realmente o amava, deixando para trás sua família e seu emprego para preocupar-se com o reino e a família do Rohirrim.

– É normal sentir o traseiro ser achatado quando se anda a cavalo? – perguntou a jornalista erguendo na sela, com a esperança de aliviar um pouco a dor que se espalhava por seus músculos.

– Apenas nas primeiras viagens, depois se acostumará com o balanço do animal e também com o desconforto causado pelos arreios – respondeu o sobrinho de Théoden rindo.

A garota ficou em silêncio por alguns segundos, sentindo o vento morno bater em suas faces e o cheiro de grama invadir os sentidos. Tirando o enorme desconforto muscular e o cansaço, estava feliz por estar na Terra Média, estava feliz por poder ser útil e, sobretudo, estava feliz por estar com Éomer. Ela esticou a mão por sobre a do irmão de Éowyn, que a apertou levemente.

– Nunca imaginei que estaria no universo de fantasia de Tolkien – comentou Suzan contemplando as planícies.

– Nunca imaginei que encontraria alguém fora do universo de fantasia de Tolkien, mas acho que a vida tem o dom de nos presentear com essas surpresas. – o rapaz continuou a guiar Hasufel para que este desviasse da parte irregular do terreno à frente.

Seguiram num ritmo intenso de galope até o anoitecer, quando Suzan suplicou para que descansassem. Montaram um acampamento simples, na sombra de uma faixa de arbustos altos. A melhor amiga de Marianne adormeceu encolhida nos braços fortes de Éomer, que lhe acariciava os cabelos loiros e longos. Ela se parecia com as mulheres da Terra dos Cavaleiros e ele não podia negar.

A mesma força e intensidade existiam no olhar da garota e o sobrinho de Théoden sabia que a escolha de deixa-la com o comando de Edoras nas mãos, era certa e sensata. Ela seria uma boa rainha para seu povo e também para o próprio Éomer.

***

O curso de água limpa havia sido deixado para trás há dois dias. A comitiva podia divisar uma casa simples, cuja chaminé exalava uma coluna de fumaça fina, que dissipava facilmente no ar fresco. Era sem dúvida, a casa de Tom Bombadil. Estava exatamente como Frodo e os outros hobbits lembravam próxima das antigas colinas dos Túmulos.

A porta arredondada abriu-se num rompante, revelando a figura de um senhor baixo e de barba longa, vestindo roupas que pareciam ser feitas de raízes e folhas vivas. O chapéu azul que repousava sobre sua cabeça era adornado com uma pena de cisne branco e seu sorriso ia de orelha a orelha.

– Quase nem acreditei quando Fruta D’Ouro disse que viriam! – gritou ele sapateando e dando círculos ao redor dos presentes. – Meus caros hobbits, eu sabia que voltariam a me encontrar!

– Olá Tom! Sentimos falta de seu bom-humor! – saudou-o Merry com um abraço.

– E vejo que me trouxeram uma das mais belas donzelas deste mundo – o sorridente homem cumprimentou Mary com uma reverência.

– Pelo que soube a mais bela donzela reside em sua casa, meu amigo – devolveu a guardiã sorrindo exultante.

– A beleza sabe reconhecer a coragem como uma forma de exuberância – Fruta D’Ouro emergiu das árvores.

Ela estava descalça e seu vestido caía-lhe em ondas suaves pelo corpo. Os cabelos loiros eram como uma cascata de ouro que movia-se ao sabor do vento. Estes, adornados com uma coroa de rosas vermelhas. Uma visão digna de pintura, ela muito se parecia com uma das elfas de Lothlórien.

– Minha senhora – Peregrin a reverenciou, quase tocando o chão, tamanha era sua admiração.

– Não são necessárias reverências aqui, vocês estão na casa de Tom Bombadil e ele não direciona comportamento diferenciado a ninguém, mesmo que esta pessoa possua título de nobreza – esclareceu Fruta D’Ouro olhando para Aragorn com expressão curiosa.

– Venham companheiros, não precisam acanhar-se a casa de Tom é a casa dos que buscam paz e conforto, venham! – o baixinho correu com agilidade por entre as rochas de braços dados com sua amada enquanto o resto da comitiva lhes seguia, já contagiados pelo humor do anfitrião.

***

– Desembuche e pare de andar de um lado para o outro na minha frente como uma barata tonta – pedia ele tamborilando os dedos sobre a mesa, à medida que vários ouriços se reuniam a seu redor.

Kendhra parou e fitou os olhos claros de seu pai adotivo. – Eu... Acho que Thranduil vai vir aqui falar com o senhor, ada (pai).

– Pois bem – o mago castanho ergueu-se, tomando a filha pelos ombros. – estou feliz que tenha encontrado alguém para ser seu porto seguro. Sei que o dia em que a encontrei em Valle foi o mais triste de sua vida, mas sonhava com o momento em que encontrasse uma pessoa na qual pudesse acreditar e se espelhar.

– O senhor andou comendo cogumelos novamente? – sussurra ela virando o rosto para encarar a janela e evitar que o Istari visse as lágrimas que se acumulavam em seus olhos.

– Na verdade só não os ofereci a você porque ainda não estavam no ponto exato para serem comidos – o mago riu pegando uma das mãos de Kendhra. – quando aquele rei élfico petulante chegar já terei minha resposta pronta e ela será sim.

Hannon le ada (Obrigada pai) – ela abraçou-o com força, sentindo seu coração bater junto com o de Radagast. Ele era seu pai e seu protetor havia muito tempo.

Thranduil deu meio volta pela décima vez. Estava a menos de dez metros da casa de Kendhra, mas sempre que avançava alguns passos, seus pés insistiam em se virar na direção oposta. Socou um dos lados da cabeça repetindo o mesmo gesto que fizera pela décima primeira vez, foi quando enxergou a Dunedáin sair pela porta da cabana de Radagast e sorrir olhando para o ceu límpido. Teve certeza do que deveria fazer.

Marchou até que suas botas arranhassem o solo e fizessem o maior barulho possível. Kendhra franziu o cenho, passando a mãos pelos cabelos levemente cacheados e revirando os olhos. Se ele queria chamar a atenção, já estava conseguindo.

– Pensa que está marchando num campo de batalha? – perguntou a moça enquanto ele lhe depositava um beijo na testa.

– Quase isso – o rei pigarreou ajeitando os ombros e entrando na casa.

Radagast os esperava com um olhar austero que a filha adotiva bem sabia não lhe pertencer. Ele estreitou as sobrancelhas bagunçadas e apoiou-se em seu cajado longo. O chapéu de abas duplas jazia sobre a mesa, sendo usado como cama por dois filhotes de ouriço.

– Seja bem vindo a minha casa, majestade – o mago Castanho fez uma reverência, que foi também correspondida pelo Sindar.

– Vim aqui para fazer-lhe um pedido, Arwendui – as mãos de Thranduil tremiam e ele se viu obrigado a tomar as mãos de Kendhra nas suas para que seu nervosismo não transparecesse.

– Peça, se puder acatar, certamente o farei.

O pai de Legolas respirou fundo, o batimento cardíaco acelerado e o sorriso que brotou nos lábios da dama ao seu lado não serviam para ajuda-lo. – Estou aqui para pedir a mão de sua filha em casamento.

Radagast inspirou e expirou inquieto. – Primeiramente, fico feliz por ter se dirigido a Kendhra como minha filha – pontuou ele para o alívio do rei. – segundamente, acho que não posso me opor a algo tão puro e sincero meu caro. Vocês têm minha bênção...

Os dois beijaram-se contentes, esquecendo-se por alguns segundos da presença do mago Castanho, que teve de elevar o tom de voz para se fazer ouvir.

– O único aviso que lhe faço, Thranduil filho de Oropher é o seguinte: minha filha está embarcando nessa jornada e se houver algum desentendimento o problema deve ser resolvido por vocês, mas se por acaso, machuca-la terá de se entender comigo. – Radagast rosnou com autoridade.

– Não vou feri-la e muito menos machuca-la – garantiu o pai de Legolas, erguendo o queixo de Kendhra para que ela o olhasse. – Eu a amo...

Wilwarin suspirou esfregando os braços enquanto via àquela cena. Seu marido, o único elfo a quem amara e com quem tivera um filho, estava agora jurando amor à outra mulher, que nem ao menos pertencia a mesma raça que ele. A elfa bufou frustrada virando-se para o ceu que começara a escurecer e jogando uma pedra no mar revolto.

– O que há com você? – Katherina debruçou-se sobre a superfície escura do oceano, vendo que Kendhra e Thranduil trocavam beijos e carícias do lado de fora da cabana do Istari. – Ah... Desculpe.

– Não peça-me perdão, creio que seja natural sentir ciúmes de alguém com quem fui casada. – respondeu a mãe de Legolas passando a mão pelos cabelos dourados e longos e sentando-se em um banco de pedra branca.

– Está ansiosa por voltar? Ver sua família e poder protegê-los novamente? – questionou a mãe de Marianne também tomando um assento.

– Quero muito ver o rosto de Legolas, abraça-lo e dizer o quanto sinto por não ter podido voltar para casa no dia em que os Orcs cruzaram as fronteiras da floresta. – Wilwarin suspirou, torcendo as mãos no tecido fino de seu vestido. – sei que ele ficou a esperar por mim, mas não retornei para pô-lo na cama e contar-lhe uma história, como havia prometido.

Katherina viu uma lágrima solitária escorrer pelo canto do olho da Sindar. – Senti o mesmo vazio no dia em que mal consegui segurar Alícia nos braços, depois de pô-la no mundo.

– Vamos vê-los em breve – Wilwarin segurou a mão da humana contra a sua. Os pensamentos voltados na maneira como iria recuperar sua família ao voltar a Terra Média e em como afastaria Kendhra do coração de Thranduil.

***

– Ele estava faminto pela manhã – comentou Éowyn depositando o pequeno Boromir na manjedoura e dano um beijo rápido nos lábios de Faramir. – não sei se tenho tanto leite para dar-lhe. – admitiu ela num muxoxo.

– Não se preocupe quanto a isso, eu e meu irmão fomos amamentados por um ama de leite desde que nascemos – ele acariciou a bochecha do filho com as costas da mão.

Ficaram por alguns poucos instantes admirando Boromir II ressonar tranquilamente no conforto do quarto em Meduseld até que o som conhecido de trombetas os interrompeu. A criança nem ao menos moveu-se, já que estava acostumada ao reverberar cristalino que anunciava a chegada de alguém. Éowyn saiu do cômodo em disparada, seguida de perto por Faramir que deixou escapar um sorriso exultante ao ver que Éomer acabava de transpor os portões de entrada de Edoras.

Suzan acenou entusiasticamente ao ver a antiga amiga e cunhada descer as escadarias do palácio para abraça-la. Éowyn cheirava a camomila e sândalo e este cheiro sempre causava uma sensação de bem estar na jornalista.

– Chegaram mais cedo do que eu imaginava – comentou Faramir.

– Levamos três dias, embora eu pensasse que isso fosse impossível – comentou Éomer. – a menos que viéssemos voando.

– Mas o que os levou a vir com tanta rapidez? – a pergunta veio de Éowyn.

– Eu expliquei a seu irmão uma pequena teoria, que se aplica facilmente à astrofísica – começou Suzan puxando os outros três para dentro dos salões dourados, onde repousava a estátua de Eorl o bravo.

– Desculpe, mas vai ter que explicar com calma, não temos tanta informação sobre seu mundo – desculpou-se Faramir com um sorriso torto.

– A astrofísica estuda coisas como as estrelas e o sol, responde perguntas do tipo: por que o sol se esconde quando a noite chega? Por que a maré sobe e desce?

– Ela bem que tentou esclarecer-me algumas dúvidas, mas isso envolve cálculos demais para minha mente – admitiu o irmão mais velho de Éowyn.

– O que estou querendo dizer é que acho que as dimensões estão se cruzando. Buracos de minhoca, é como chamamos o fenômeno que explicaria estas múltiplas dimensões e as viagens entre elas.

– Buracos de Minhoca? – Éowyn franziu o cenho, esfregando as têmporas com força, na tentativa de compreender com mais clareza o que a jornalista dizia.

– Nos cruzamos por uma “passagem” entre as dimensões, que nos levou até aqui – Suzan disse ajeitando os óculos sobre o nariz fino e delicado. – só não sei qual a extensão desse fenômeno e se esta acontecendo em outras partes de nosso mundo e em como isso pode nos afetar.

***

– Ficou maluca? Está fora de si?

Turelië tomou as mãos da irmã enquanto as duas eram escoltadas até um jardim. Ou o que lhes parecia um jardim (na verdade uma das praças onde os guardas de Bara-Dûr costumavam reunir-se antes dos combates na Terceira Era). Os Uruk-Hais acotovelavam-se ao descer as escadas, deviam escoltar as duas elfas até o pátio e permitir que dessem um passeio rápido.

– Não posso falar muito por enquanto, ainda não sei ao certo o que devo fazer – resmungou Almarvarnë dedilhando o rosto de Eldarion e permitindo que ele descesse de seu colo e corresse atrás de algumas borboletas azuis. – espero que ele pense que desisti de lutar.

– Está cedendo a todos os caprichos de Alagos? – a ruiva lançou as mãos ao alto chamando a atenção dos guardas. – Dormiu com ele novamente? – tornou a falar, num sussurro.

A elfa virou o rosto, olhando para o filho de Arwen que agora lhe acenava mostrando que uma das borboletas pousara em seu peito, sobre a Estrela Vespertina.

– Sim, mas só para que ele acredite que confio nele, que quero estar perto de Alagos.

– Não está apaixonada por aquele elfo imundo e traidor está? – cuspiu Turelië acenando enfaticamente para o menino que continuou a correr.

– Claro que não! – jurou a morena, sentindo algo agitar-se em seu peito ao jogar as palavras fora daquela maneira.

– Olha, olha! Borboleta! – gritou novamente Eldarion voltando para os braços de Almarvarnë enquanto o inseto descrevia círculos no ar. – Bonita!

– Belíssima – concordou Turelië dando um sorriso fraco e voltando os olhos para o leste, onde em algum lugar estavam Marianne e Tom Bombadil.

***

– Aceitam chá? Tom fez especialmente para vocês! – cantarolou o homenzinho correndo ao redor da mesa e enchendo rapidamente as canecas e xícaras.

– Tom, nós precisamos conversar com você sobre algo realmente sério – pediu Frodo trocando um olhar cúmplice com Fruta D’Ouro.

– Querido, temos que escutar o que eles têm a nos dizer – pediu ela pousando as mãos nos ombros de Bombadil, ao que ele sentou na cabeceira da mesa. – Marianne parece estar tentando nos dizer algo de relevância.

– De fato viemos aqui porque...

– Porque eu pedi que viessem – a voz que saía dos lábios de Tom Bombadil não parecia lhe pertencer, era grossa e penetrante, trazendo a força de um nome que Mary conhecia muito bem.

– Tolkien? – Legolas segurou a mão de sua esposa com força por debaixo da mesa.

– Sim meu caro e tenho muito a lhes esclarecer. – ele olhou de relance para Fruta D’Ouro que depositou-lhe um beijo na bochecha e saiu na direção dos quartos.

– Pode começar explicando por que cargas d’água está no corpo de Tom Bombadil – sugeriu Gandalf com um grande sorriso de reconhecimento nos lábios.

– Porque eu e Tom Bombadil somos a mesma pessoa, meu amigo – todos franziram o cenho sem compreender.

– Como? Da outra vez que viemos aqui o senhor estava saltitante e feliz referia-se a si mesmo na terceira pessoa e todas as outras coisas estranhas que só Tom Bombadil fazia! – Meriadoc piscou erguendo as mãos e por pouco não derrubando o chá nas calças de Gimli que lhe deu um tapa na cabeça.

– Eu criei Tom para que ele pudesse ser a extensão de minha alma na Terra Média, caso eu morresse – começou a explicar o bisavô de Marianne. – de fato quando vieram, ainda não haviam da me dado permissão para “possuir” o corpo do bom e velho Ben-Adar. Mas agora estou de volta e com notícias um pouco perturbadoras.

– Mae govannen Tolkien (Seja bem vindo Tolkien) – saudou Aragorn com uma reverência.

– Hannon Le Elessar (Obrigado, Pedra élfica) – respondeu erguendo-se e lhe fazendo uma vênia completa.

– Não poderia ter me explicado tudo o que precisava saber quando encontrei-o no chalé? – volveu a Guardiã confusa.

– Não, ou você ficaria sentada lá por mais de mil anos se passasse mais tempo do que ficou em minha companhia – ela engoliu em seco.

– O que estamos esperando? Diga-nos o que temos de fazer para acabar com nosso inimigo! – urgiu Gimli desequilibrando-se sobre a cadeira, que era alta demais para seu corpo pequeno e robusto.

– Primeiro, precisam estar cientes de que seu inimigo vem da raça dos elfos – Legolas arregalou os olhos e Marianne afagou lhe o braço esquerdo. – e acho que minha querida bisneta já tenha suspeitas de quem ele seja.

– Alagos – murmurou com os olhos do filho de Thranduil pousados nos seus. – eu desconfiei no momento em que Gimli e Glóin encontraram os restos de roupa ao redor de nossa casa.

– Por que não me contou? – perguntou o Sindar desviando o olhar e soltando a mão de Marianne. – Pensei que confiássemos um no outro.

– Eu confio em você mais do que em qualquer outra pessoa, Legolas – respondeu ela tentando evitar discutir a relação dos dois na frente do resto de seus amigos. – mas pensei que fosse ficar chateado se dissesse que Alagos estava traindo seu povo e que provavelmente não acreditaria.

– Hmm, acho que devemos deixar que o Sr. Bomba... Digo, Tolkien continue a falar – interrompeu Sam recebendo um sorriso de agradecimento de Mary.

– O que precisam fazer consiste em um ritual para que possam receber ajuda – completou ele bebendo um pouco de seu chá.

– Em que consiste o ritual, meu senhor? E esta seria a ajuda do que já se foram? – questionou Éothain, que até então mantivera-se completamente quieto.

– Para o ritual, precisarão do sangue de um alto-elfo, de um descendente de Durin e da linhagem de Isildur. De mechas do cabelo de minhas descendentes, os restos da pedra Arken e dois magos – Tolkien pousou os olhos sobre o rosto cansado de Gandalf – e estes não podem ser você e Radagast, meu amigo.

– Já esperava que dissesse isso – concordou o Branco pedindo que escritor continuasse.

– Por que não Gandalf? – Pippin estivera tão concentrado em devorar seu bolo de chocolate, que nem sequer prestou atenção na discussão entre Legolas e Marianne.

– Porque eu não sou especialista em realizar rituais Peregrin Tûk e também poderia cometer algum erro durante o processo.

– É crucial que todos os Istari restantes estejam reunidos e que você, Mary, Alícia e minha filha Margareth estejam juntas – pediu Tolkien com firmeza.

– O que devemos fazer? – Aragorn mexia nas bordas de sua caneca vazia com o pensamento voltado no resgate de seu filho e em voltar para casa e para Arwen, de quem sentia falta constantemente.

– Passarei as instruções a Gandalf enquanto Fruta D’Ouro leva-os para a sala de banho – respondeu ele enquanto a bela dama de cabelos dourados voltava para o cômodo com um sorriso de orelha a orelha nos lábios.

Legolas levantou-se sem nem ao menos olhar para Marianne. A jovem fitou as mãos e a aliança dourada que repousava no dedo da mão esquerda. Passou a mão pelo ventre tentando conter as lágrimas. Aragorn ergueu-se para poder abraça-la enquanto Gandalf e Tolkien retiravam-se para uma sala reservada e os hobbits, juntamente com Gimli, acompanhavam Fruta D’Ouro. Éothain ficara para trás, junto como rei de Gondor e a Guardiã.

– Não fique assim – murmurou o Dunedáin, escorando o queixo sobre a cabeça de Mary enquanto ela soluçava em seu ombro.

– Ele acha que não confio mais em seu caráter, que não divido mais minhas dúvidas com... Vou dar uns bons tapas naquele elfo estúpido quando ele... Não quero que Legolas fique longe de mim, Aragorn – enrolou-se ela entre lágrimas. – Eu o amo tanto...

– Eu sei minha querida, mas seja forte e dê um tempo para que ele esfrie a cabeça e repense o que disse. – Aragorn secou os rastros brilhantes deixados pelas lágrimas no rosto da garota. – vocês têm uma vida para cuidar. – tocou de leve a barriga da Guardiã que lhe sorriu.

– Obrigada.

O marido de Arwen saiu a passos firmes da sala de jantar, deixando o Rohirim e a Guardiã, ficassem sozinhos. Marianne apoiou-se no encosto de uma das cadeiras fitando o chão de maneira inexpressiva. Quase socou o rosto de Éothain quando ele, repentinamente, pôs a mão em seu ombro.

– Tente conversar com seu marido depois, quando estiverem a sós. – sugeriu o primo de Éomer com um meio sorriso.

– Vou fazer isso sim. – ela correspondeu o sorriso. – Como está seu ombro?

– Melhor – respondeu com um aceno de cabeça. – bem, vou garantir meu lugar para o banho – Éothain riu, erguendo uma das sobrancelhas, seu riso fazia covinhas aparecerem em suas bochechas. – estarei a sua disposição, minha senhora.

– Eu agradeço – ela riu um pouco, vendo o loiro afastar-se.

Sentou a um canto escondido da sala, perto de onde estavam as achas de lenha que eram usadas para reavivar o fogo na lareira larga. Abraçou os joelhos balançando-se para frente e para trás, deixando que o nó em sua garganta se transformasse em lágrimas. Lembrou de outra ocasião em que fizera o mesmo gesto, na sala de estar de Green Valley. Na noite em que sua mãe morrera.

Notas finais
Marianne e Legolas tendo um momento de desequilíbrio em sua relação :((( qual será o próximo casal a ter uma capinha na fic? Sugestões!!! Beijosss