Notas iniciais
Como prometido, aqui está mais um capítulo! Recheado com sugestões de músicas e revelações (que nem eu mesma esperava colocar na fic O.O) E torço para que Illúvatar permita que a capa apareça no capítulo, tomei a liberdade de escolher o casal Thranduil e Wilwarin (mãe de nosso lindo e perfeito Legolas)!Espero que gostem e agradeço pelos comentários deixados no último capítulo!

(Se a imagem não aparecer, here is the link: http://s1290.photobucket.com/user/Alatariel080/media/691276f5-4e6f-446c-baa3-577046cf2acc_zpsc374e0dd.jpg.html?sort=3&o=17)

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“O pequeno elfo correu por entre os túneis que formavam o reino de seu pai – reino que no futuro também seria responsabilidade sua. Estava agitado e suas mãos tremiam ao segurar o arco que sua mãe lhe dera e com o qual treinara junto de seus instrutores. Agora simplesmente corria, mais por sentir que algo estava errado do que por saber o que ocorrera.

Parou com as mãos apoiadas nos joelhos, arquejou algumas vezes antes de continuar em disparada. Já podia ouvi-los, embora não quisesse. Lágrimas empoçadas nos olhos e o aperto no peito. Ele sabia do que seu Ada era capaz, mas não suportaria se ele despejasse a fúria em sua mãe.

Os guardas olharam-no com olhos arregalados, mas não o impediram. O garoto já fizera aquilo antes, contudo, nunca tivera coragem suficiente para interromper uma discussão entre seus pais. Escondeu-se atrás de um nicho na parede e esperou a respiração acalmar-se.

– Diga-me por que fez aquilo! – grunhiu Thranduil novamente, a coroa lhe adornava as madeixas loiras e seu corpo sofria espasmos enquanto as palavras saltavam de seus lábios entreabertos. – Vamos Wilwarin! Quero respostas!

– Como queira, majestade – rosnou em resposta a elfa de porte delgado. O vestido verde era da cor das folhas das cerejeiras durante a primavera. A mãe de Legolas. – eu fui para a fronteira porque queria me certificar de que não havia nenhuma ameaça a nossa espreita.

– Esse é o trabalho de meus guerreiros e não de minha esposa – Thranduil endireitou o corpo, mirando a elfa dos pés a cabeça. – você não consegue mesmo ficar longe de confusão?

– Confusão? Não sou eu que estou sentada num trono no aconchego de meu lar, esperando que os Orcs batam a minha porta para perceber que algo está sendo tramado debaixo de meu nariz! – cuspiu ela provocando a fúria do rei.

O Sindar ergueu-se num salto, erguendo o braço direito e acertando um tapa no rosto delicado de Wilwarin. Ela pôs as mãos nas faces coradas de raiva, uma delas exibia a marca perfeita dos dedos do marido. Legolas deu dois passos na direção do conflito, mas deteve-se, tinha medo de que seus soluços atraíssem a atenção do pai. Cobriu a boca com força, suas mãos estavam pegajosas e suor lhe escorria pela nuca.

– Wilwarin... Eu... Perdoe-me – balbuciou Thranduil tentando tocá-la ao que ela afastou-se.

– Sabe por que eu fui até a borda ocidental da floresta, grande Thranduil, filho de Oropher? – continuou ela com lágrimas escorrendo dos olhos azuis como o mar. – Porque pareço ser a única neste reino que se preocupa com nosso filho!

Sem reação, o rei élfico viu a esposa descer as escadas. Deixou-o olhando para o vazio do salão. Os guardas estavam imóveis, tinham acabado de presenciar um dos acessos de raiva de Thranduil. Todos sabiam que as emoções do rei eram instáveis. Ele voltou a sentar no trono. Legolas chorava, Wilwarin chorava, Thranduil chorava.

– Ada (pai) – a voz saía de um dos lados da sala. Respirando fundo, o pequeno elfo galgou até o centro do salão.

– Estava ouvindo? – murmurou Thranduil sem esconder o choro que continuava a irromper de sua garganta.

– Na (sim). – Legolas continuou a andar, subiu os primeiro degraus em direção ao trono e não parou até que alcança-se o pai. Tocou um de seus joelhos e o rei permitiu-se sorrir.

– Escute com atenção Legolas, quando você for mais velho e encontrar a mulher que completará sua vida, não a magoe – o príncipe concordou com um aceno firme de cabeça, as tranças pequenas mexendo-se. – não deixe que ela se vá.

– Sim papai – Legolas continuou a olhar para o rosto triste de Thranduil, esperando pela próxima ordem.

– Agora vá procurar sua mãe e abrace-a como se hoje fosse o último dia de sua vida. – pediu o filho de Oropher ao que o garotinho assentiu.

De fato, aquele seria o último dia da vida de Wilwarin. “A mãe de Legolas morreu sem nem ao menos ouvir as desculpas que Thranduil deveria ter-lhe pedido.”

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Legolas enxugou os olhos com as costas das mãos. Estava sentado num dos galhos mais altos da castanheira que Tom Bombadil e Fruta D’Ouro cultivavam nos fundos de seu chalé. Olhou para o ceu estrelado e a única coisa que lhe veio a cabeça foi Marianne. O sorriso, os olhos esverdeados, as mãos delicadas e de dedos longos, as pernas firmes, o cabelo que cheirava a camomila e morango. A criança que estava em seu ventre. Filho de Marianne. Seu filho.

Ficou em pé sobre o galho, lançando-se em direção do solo com duas ou três piruetas antes de aterrissar. Correu de volta a cabana, entrando pela porta que tinha usado ao sair. A porta que levava aos aposentos destinados a si e a sua esposa. Parou, admirando os contornos nítidos da dama por detrás das cortinas grossas. Ela estava sentada sobre a cama e passava alguma espécie de creme nas pernas longas e musculosas.

O Sindar afastou o tecido e olhou fundo nos olhos um pouco inchados da Guardiã. Ela estivera chorando. Chorara por sua causa, por sua infantilidade, sua falta de confiança, sua culpa. Caminhou a passos incertos para o lado da cama onde Mary estava. Ela se levantou, usava apenas uma camisa larga o suficiente para cobrir um pouco antes de seus joelhos.

– Marianne, eu preciso pedir que me perdoe, não tive a intenção de magoa-la – Legolas respirou fundo, lembrando da cena que presenciara nos salões de seu pai. – fui um covarde.

A bisneta de Tokien não disse nada, mas continuou a caminhar até estar frente a frente com o marido. As respirações misturavam-se, a pressão sanguínea era quase a mesma. O coração de Marianne deu um salto. Ela pegou a mão esquerda de Legolas e colocou-a sobre seu ventre. Ele fechou os olhos, sorrindo e deixando que algumas lágrimas brilhantes escorressem de seus olhos.

– Eu amo você, Legolas Verdefolha e nada vai mudar isso – respondeu Mary, sua testa encostada na testa do elfo. Lábios colados. Mãos que deslizavam pela cintura de Marianne, pelas costas de Legolas. – Chega de greve de sexo, filho de Thranduil.

Legolas riu, por fim grudando a esposa contra seu corpo. Beijou-lhe o pescoço e ela soltou um suspiro longo e prazeroso quando os corpos chocaram-se sobre a cama. As pernas da moça se entrelaçaram a cintura do elfo e ele apertou-as com vigor.

Com roupas. Sem roupas. Desnudos e ofegantes, encararam-se por alguns momentos antes de voltarem a conectar os lábios, Os corpos lutavam para tornarem-se um só, as pernas de Marianne ao redor da cintura de Legolas. Ele sentou-se na cama, puxando-a sobre seu colo e permitindo que sentisse-o dentro de si. Ela agarrou-o pela nuca sussurrando em seu ouvido que o amava, o queria, o desejava.

– Você é minha – ofegou o elfo deitando-a novamente na cama e rolando seu corpo sobre o de Marianne. Ela suspirou, gemeu, arfou. – só minha e não vou permitir que ninguém toque em um milímetro de sua pele.

Beijou-lhe o pescoço, a barriga, as pernas, os pés. Ela sorriu puxando-o de volta para cima de seu corpo.

– Minha vez... – a guardiã deu uma risada rouca enquanto os quadris movimentavam-se. Legolas afagou lhe a cintura, os seios, segurou as coxas firmes.

A onda de calor tomou os corpos amantes. Separando-os por alguns instantes. Marianne puxou um pouco de lençol para que se cobrissem. O filho de Thranduil afastou os cabelos grudados na testa da esposa. Ela riu passando as mãos pelas faces coradas do Sindar. Dedilhou seu peito esculpido e beijou seus lábios mais uma vez.

– O que aconteceu para que voltasse desse jeito para cá? – perguntou a moça rindo.

– Lembrei-me de uma coisa que meu pai disse-me quando era mais jovem – respondeu endurecendo o rosto e logo depois voltando a normaliza-lo. — e confesso estar sentido falta de um pouco de diversão.

***

– Acha que eles estão brigando? – perguntou Peregrin apontando com a cabeça para a porta do quarto que fora designado para Marianne e Legolas. De lá vinha o barulho abafado de coisas caindo e algumas exclamações.

– Sinceramente não acho que seja isso Pippin – respondeu Frodo um pouco corado lembrando-se imediatamente de Iris. – acho que eles estão apenas... “Entendendo-se.”

– Ah. Foi uma pergunta um tanto boba, não? – os hobbits riram deitando-se perfilados em frente à lareira acesa.

– A única parte boa de brigar com a esposa, é a reconciliação – comentou Sam sonhador, Meriadoc fez uma careta e revirou os olhos para seu primo. – o que há com vocês? Estão caçoando do que eu disse?

– Não, não. Estamos aproveitando seu comentário profundamente produtivo Samwise para ter alguns momentos de diversão em meio a esse caos. – os ruídos cessaram e por alguns instantes os hobbits entreolharam-se.

– Graças a Deus! Não ia conseguir dormir se começasse a imaginar o que aqueles dois estão fazendo lá dentro – riu-se Pippin escorando a cabeça no travesseiro e soltando um enorme bocejo.

– Eles são casados, não há nada de mal nisso. – contrapôs Frodo.

– E os senhores são um bando de desocupados, pelo que posso inferir dos comentários acerca de nosso belo casal do quarto ao lado – Gimli irrompeu pela porta espreguiçando-se e ajeitando o catre aonde iria se deitar.

– Não me diga que vai dormir aqui conosco – grunhiu Meriadoc cerrando os punhos ao lado do corpo e respirando profundamente.

– Algo contra minha presença neste cômodo, mestre Brandebuque? — volveu o anão com uma ruga entre as sobrancelhas ruivas.

– Sua presença não me incomoda, mestre anão – o primo de Pippin soltou o ar pela boca com força. – o que me tira a paciência e o sono são seus roncos.

Os outros riram. E o filho de Glóin até tentou conter a risada que lhe escapava por entre os lábios, mas deixou-se levar pela atmosfera de tranquilidade que o envolvera a chegar naquela casa. No fundo de sua alma ele sentia que as estruturas que mantinham a Quarta Era da Terra Média viva e florescente estavam por findar, não tinha certeza de que se para o bem ou mal, mas mudanças estavam por vir.

– Essa lareira... Lembra-me de algo que meu pai contou – suspirou o ruivo rememorando seus tempos de infância. – uma canção muito antiga, da época em que Smaug ainda habitava a Montanha Solitária.

– Bilbo cantou-me esta música uma vez... “O fogo vermelho, queimava parelho, as árvores tochas em facho de luz.” – Frodo recitou as partes da canção que Thorin Escudo-de-Carvalho entoara em Bolsão, na noite em que tudo o que os treze anões da Cia que Gandalf organizara, era reaver seu lar.

– Eu também conheço essa música! – cantarolou Sam pondo-se em pé e pigarreando. Era uma das poucas ocasiões em que os quatro hobbits ainda divertiam-se, lembrando-se de remotos tempos, em que nem sabiam sobre a existência de um certo anel de poder.

“Para além das Montanhas Nebulosas, frias,
Adentrando Cavernas, calabouços cravados,
Devemos partir antes do sol surgir,
Em busca do pálido ouro encantado.

Operavam encantos anões de outrora,
Ao som de martelo qual sino a soar
Na profundeza, onde dorme a incerteza,
Em antros vazios sobre penhascos do mar.

Para o antigo Rei e seu elfo senhor
Criaram tesouros de grã nomeada;
Pedras plasmaram, a luz captaram
Prendendo-a nas gemas do punho da espada.”

Logo a saleta onde ficava a aconchegante lareira estava cheia. Gandalf, Aragorn, Éothain, Tom Bombadil, Fruta D’Ouro e até mesmo Marianne e Legolas juntaram-se para escutar a canção de Samwise. O hobbit subitamente sentiu um rubor forte subir-lhe pelas faces. Acabou engasgando e esquecendo-se do verso que vinha a seguir. Atordoado, virou-se para a amiga e companheira de jornada que lhe aquiesceu. A voz da Guardiã, a voz que todos admiravam, fizera-se ouvir novamente.

“Em colares de prata eles juntaram
Estrelas floridas, fizeram coroas
De fogo-dragão e no mesmo cordão
Fundiram a luz do sol e da lua.

Para além das Montanhas Nebulosas, frias,
Adentrando Cavernas, calabouços cravados,
Devemos partir antes do sol surgir,
Buscando tesouros há muito esquecidos.

Para seu uso taças foram talhadas

E harpas de ouro. Onde ninguém mora
Jazeram perdidas e suas cantigas
Por homens e elfos não serão ouvidas."

Gimli uniu-se ao brado e seu tom rouco e firme trazia os embalos da sonolência. Pippin foi o primeiro a escorar a cabeça no travesseiro e adormecer. Meriadoc, Sam e Frodo foram os próximos. O filho de Glóin prosseguiu. Legolas escutava a tudo atento. Lembrava-se da Batalha dos Cinco Exércitos porque estivera nela, lutara e defendera seu povo, seu pai e todos os que pudera salvar. Naquela época ainda não havia conhecido Mary, não tinha conhecimento do que era o amor verdadeiro.

“Zumbiram pinheiros sobre a montanha,
Uivaram os ventos em noites azuis.
O fogo vermelho queimava parelho,
As árvores-tochas em fachos de luz.”

Éothain lançou um sorriso discreto para a filha de Robert que lhe acenou em resposta. O braço do filho de Thranduil enrolando-se sobre a cintura fina da moça, criando um cordão de segurança e paz. Era tudo que precisava naquele momento.

– Marianne, você não poderia, por obséquio, cantar para seu velho bisavô – sorriu Tolkien (ou Tom, como queira). – creio que Fruta D’Ouro não importar-se-á em emprestar-lhe seu violão.

A dama de cabelos dourados correu para um dos cantos do cômodo, retirando detrás de uma pilha de papéis amarelados o que se comparava a um banjo. Ofereceu o instrumento a esposa de Legolas que segurou-o com reverência. Há quanto tempo não tocava? Muito mais do que gostaria. Por que não tocara mais? Será que esquecera-se de como usar sua voz? Não haveria como descobrir sem tentar.

Sentou-se na cadeira de balanço onde antes estivera Frodo – antes de este desabar sobre os cobertores e cair em sono profundo. Já passava das onze horas da noite. Dedilhou as cordas, testando sua resistência. A textura era delicada sob seus dedos compridos e finos.

Abriu a boca sem emitir som algum. Todos a olhavam com expectativa, mas ela temia não lembrar mais como usar as cordas vocais. Como expressar seus sentimentos atravessar das notas belas e cálidas de uma canção qualquer. Tomou coragem, inspirando com força e soltando o ar acompanhado das primeiras palavras da música que ouvira sua mãe cantar várias vezes quando chegava em casa.

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Ela correu até as portas de madeira de sua casa em Toronto. A mochila pendia de uma dos ombros e os cabelos castanhos e levemente cacheados balançavam ao sabor do vento. Queria ver sua mãe, queria ouvi-la cantar. Katherina a esperava, sentada ao banco do piano, as mãos arrumavam a partitura que trazia as notas e a letra da música – que devido as incontáveis vezes entoada, já fora decorada pela esposa de Robert.

“I hear your voice on the wind
And I hear you call out my name

Mary jogou a mochila cor-de-rosa sobre o tapete felpudo. Os braços envolveram com força o pescoço da mãe, inspirando o perfume de rosas e lilás que esta exalava. Robert parou a porta, sorrindo ao ver as duas em um momento que só pertencia a elas.

– Senti sua falta, mamãe – disse a pequena sentando de pernas cruzadas sobre a poltrona que pertencia a seu pai.

– Mas eu senti mais, minha querida – Katherina alongou os dedos finos e suspirou. – o que vamos ouvir hoje?

– Deixe-me pensar – Robert sentou-se na guarda do sofá, as mãos alisando a barba rala e os olhos perscrutando o ambiente, levemente cerrados. – o que acha de ouvirmos “The Voice”?

Marianne imitou o gesto do pai. – Muito bem, vamos ouvir então!

Listen, my child!' you say to me,
I am the Voice of your history,
Be not afraid — come follow me,
Answer my call and I'll set you free.”

Legolas viu quando as primeiras lágrimas escorreram dos olhos fechados da esposa. Ela lembrava-se da infância, assim como o elfo fizera instantes atrás. Na época em que sua mãe e seu pai eram as únicas coisas com que deveria importar-se. Agora, Legolas e Marianne tinham um ao outro e deveriam proteger a vida que existia no ventre da Guardiã.

Tolkien tomou nas mãos um pequeno violino. Os hobbits nem ao menos moviam-se debaixo das cobertas confortáveis. Fruta D’Ouro sorria e Éothain sentiu que a chama de esperança em seu peito ficava maior a cada palavra dita por Marianne. O Rohirrim seria feliz, encontraria algo que lhe fizesse pleno e assim pararia de vagar pelos ermos de sua mente.

O fogo crepitava na lareira. A fumaça subia pela chaminé. A luz passeava pelo ceu estrelado enquanto os visitantes na casa de Tolkien preparavam-se enfim, para dormir. O dia seguinte seria o início de sua volta para casa e o fim das dúvidas que tinham a respeito do que deveria ser feito para aplacar o mal. A jornada real começaria, os perigos revelar-se-iam maiores do que todos esperavam, até mesmo os mais sábios não tinham ideia do que estava por vir.

***

– Por que está pegando tanta coisa? Até parece que vai passar férias em algum lugar paradisíaco! – Bofur revirou os olhos para Kili que lhe deu um meio sorriso. Estavam se preparando para voltar ao mundo que deixaram abruptamente.

O local destinado a livre circulação dos anões se parecia muito a uma caverna escavada na rocha cinzenta. A entrada desta virava-se para a praia de areias brancas, na qual Marianne conversara com Eru Illúvatar e revira sua mãe. Thorin caminhava sozinho por entre algumas poucas rochas que lhe impediam a passagem.

– Está receoso quanto a sua volta, meu amigo? – virando-se num átimo, o filho de Thráin deu de trombas com o senhor élfico que governava aqueles, prados além do mar infinito de lembranças que eram carregadas depois da viagem para as Terras Imortais.

– Estou preparando-me para rever algumas pessoas com quem tive desavenças no passado – resmungou o anão continuando sua caminhada.

– Está se referindo a Thranduil? Ou a seu filho, Legolas? Ou aos dois? – o elfo vestia uma longa túnica azul, a qual refletia a luz e os movimentos das estrelas. – Ou há alguém mais que tenhas desacatado?

Thorin virou-se para mirar os olhos claros de Eru, que sustentou lhe o olhar por alguns instantes. – Não julgue-me por meus atos impensados.

– Thorin Escudo-de-Carvalho, acompanhei sua vida e também pude ver sua morte – continuou Illúvatar franzindo o cenho com força. – sei das inimizades que fizeste, os erros, as palavras que deixaste de dizer.

– Não estás me ajudando a acabar com meus problemas com elfos – o anão sorriu fracamente voltando os olhos para o ceu e permitindo que seus pensamentos voassem além dos limites. – Acha que se tivesse permitido que Kili ficasse com aquela elfa na Floresta das Trevas, teria evitado sua morte?

O elfo cruzou as mãos atrás das costas largas. Os cabelos castanhos quase alcançavam seus joelhos e naquela noite, estavam presos um uma trança longa. – O que estava escrito não pode ser mudado por nenhum mortal, imortal, elfo, homem ou anão.

– Queria ter sido alguém melhor quando tive a oportunidade – suspirou o herdeiro de Durin coçando a barba um pouco grisalha.

– Terás outra chance, Thorin filho de Thráin e espero que mantenhas a tua palavra e a tua capacidade de mudança! – sentenciou Eru com uma vênia, continuando a andar silenciosamente pela praia deserta.

– Que assim seja – decretou o anão sorrindo para si mesmo.

***

– Mauya nin avánië Finwe! (Preciso ir Finwe!) – Tauriel riu subindo as escadas que levavam até os portões do reino da floresta aos pulos, enquanto o elfo de cabelos dourados a seguia.

– Harya alassë (Divirta-se) – Finwe impulsionou as pernas longas para cima, conseguindo barrar a passagem da elfa ruiva e apoiando suas mãos nos ombros delicados da donzela. – Não se esqueça de chamar ajuda se precisares.

– Está ficando mais convencido com o passar dos anos, meu amigo – riu-se ela desviando-se e continuando a caminhar.

– E você está ficando cada vez mais arredia e distante, Tauriel! – Finwe gritou para que Galdor abrisse os portões.

Tauriel passou pelos quatro guardas, cumprimentando-os com um aceno de cabeça e iniciando uma corrida rápida pela ponta que cortava o rio Encantado. Tentou ignorar os passos quase inaudíveis do elfo que insistia em segui-la. Conseguia divisar uma pequena clareira por entre as árvores e foi para lá que dirigiu-se, antes de para num rompante virando-se para encarar os olhos cinzentos de Finwe.

– Você foge de mim, foge do rei e principalmente de Legolas quando ele volta para a fortaleza – resmungou ele deixando as mãos caírem ao lado do corpo. Era um pouco mais alto que os outros elfos e sua musculatura era reforçada.

– E o que você tem a ver com isto! – grunhiu Tauriel agarrando-se ao galho da árvore mais próxima e alçando seu corpo leve para cima. Sentou-se com uma das pernas balançando pela beirada.

– Ainda não percebeu? – Finwe estava equilibrado em pé sobre o galhoe agachou-se para poder tomar uma das mãos geladas da elfa ruiva, que arregalou os olhos de imediato. — Órenya linda tyë-cenien (Mue coração canta ao vê-la).

– Finwe... Não sei se meu coração consegue amarte do modo como me amas – respondeu ela tentando livrar-se das mãos do elfo, que aproximou-se ainda mais de seu corpo.

– Tente – foi o que disse antes de puxar os lábios de Tauriel para si.

O beijo era doce e calmo. As mãos fortes do elfo deslizavam pela cintura da dama. Tauriel deixou-se envolver naquela demosntração de carinho e amor. O coração que antes estivera coberto por uma camada profunda de medo e rancor, foi alcançado por algo capaz de mudar qualquer alma.

– Melinyes (Eu a amo) – sussurrou Finwe entre os lábios da elfa.

Tauriel sorriu, talvez pudesse dar outra chance para alguém. Talvez estivesse precisando de alguém que se importasse consigo. Talvez... O que a elfa não sabia, era que seu amor proibido de um passado não tão distante, iria retornar.

***

Thranduil levantou-se, cuidando para que Kendhra permanecesse deitada confortavelmente em sua cama. Estavam no quarto do pai de Legolas, nos amplos salões do rei. A Dunedáin tinha um dos braços estendido debaixo do travesseiro e os cabelos castanhos cobriam um pouco seu rosto bonito.

O elfo sorriu, mirando seu reflexo na banheira natural que repousava a um dos cantos do cômodo. Subitamente uma lembrança lhe voltou a mente. O dia em que Wilwarin entrara em seu quarto. O momento em que ela ergueu os olhos azuis turqueza para seu rosto depois de reverencia-lo.

Os pais da elfa eram amigos muito próximos de Oropher e sua esposa. Dois dos mais experientes conselheiros e que tinham uma bela filha. Uma das maias belas damas élficas da Terra Média. Os cabelos dourados caíam em ondas suaves, quase imperceptíveis, por suas costas. Wilwarin era dotada de curvas firmes e mãos delicadas.

Thranduil massageou as têmporas, na esperança de esquecer-se das imagens de sua esposa. Voltou seus olhos para Kendhra, cuja postura parecia apenas relaxar quando esta repousava. O Sindar podia sentir a dor da perda emanando do corpo da dama para o seu quando ficavam em silêncio, com os corpos unidos e as mãos entrelaçadas. O medo de perdê-lo, o medo de sentir-se vazia e incompleta por toda a eternidade. O pai de Legolas jurou a si mesmo que não deixaria que aquilo ocorresse.

***

– Não vai mesmo voltar para Imladris?

Margareth Tolkien acabara de coar um pouco de café e coloca-lo em duas xícaras de sua melhor porcelana. Lindir revirou os olhos vendo o quanto ela estava esforçando-se para parecer refinada e respeitável. O elfo sabia que mesmo sem usar daqueles artifícios, a própria presença da filha de Tolkien já inspirava poder e respeitabilidade.

– Não enquanto a comitiva não retornar da casa de Bombadil – respondeu ele bebericando lentamente o líquido escuro.

– Estou começando a pensar que isso é apenas uma desculpa para ficares aqui, enchendo os meus ouvidos com as histórias do tempo em que fui para a Terra Média. – bufou a senhora soprando a beirada da xícara e fazendo com que uma coluna de vapor escapasse pela borda.

– Não há nada de mal em relembrar as suas façanhas durante a Batalha dos Cinco Exércitos – contrapôs Lindir tentando aproximar-se da avó de Marianne, sem obter muito sucesso.

– Nem me lembre daquilo, fiz tantas coisas impensadas, infantis e imprudentes – ela riu passando as mãos pelos cabelos grisalhos. – e quem diria que Thranduil viria a fazer parte de minha família!

– O destino gosta de nos pregar peças – o elfo suspirou caminhando até a porta dos fundos, que jazia aberta e mostrava a paisagem branca, propiciada pela neve.

– Mas a maior peça que o destino me pregou, foi ter você novamente nesta casa – Margareth pôs uma das mãos no ombro de Lindir.

Ele tocou o rosto marcado pelo tempo da mulher que conhecera junto com a tempestuosa companhia de anões de Thorin. Naquela época ela não tinha tantas preocupações, não resistia ao fato de que o elfo ainda a amava, não duvidava que o elo que os unia era mais forte do que qualquer outra coisa.

– Ainda consigo lembrar-me da última noite que passamos juntos – suspirou ele olhando fundo nos olhos azuis de Meg. – foi a melhor noite de todas...

– Foi a pior para mim – o elfo franziu o sobrolho. – tive de me separar de você, por isso foi tão ruim.

– Nos vimos depois, algumas semanas após nossa separação, quando me contou que estava grávida de seu marido – o conselheiro-mor de Elrond sentia o vento frio bater-lhe nas faces e afastar os cabelos longos de seu rosto delicado.

Margareth engoliu em seco. Não conseguiria explicar-se da maneira como queria para o elfo que estava parado em sua frente, aguardando sua resposta. Que resposta daria àquela pergunta muda que permanecia entre seus corpos? Ele desconfiava de algo e ela teria de falar-lhe a verdade antes que se afogasse nela.

– Meg... Você mal tinha saído de meus braços e já estava grávida de outro – as palavras não tinham tom de acusação e sim de entendimento. – Katherina era mesmo filha de Lincon?

A avó de Marianne engasgou e tossiu, passando as mãos pelos cabelos grisalhos e pelas calças grossas. – Não Lindir... Ela era sua filha.

Notas finais
Ruim? Mais ou menos? Bom? Comentem please!! Beijos da Alatariel!