Notas iniciais
Gente linda, olha aí mais um capítulo para vocês! Primeiro, gostaria de relembrar algumas coisas que já se passaram na história: 1- Marianne e Legolas estão casados e Mary está esperando uma herdeira Verdefolha 2- Eldarion, Turelië e Almarvarnë são mantidos cativos por Alagos 3- A magia que desprendeu-se do corpo de Saruman, após sua morte, hospedou-se no corpo de um elfo da floresta, de nome Alagos 4- Thranduil e Kendhra firmaram compromisso, para o espanto de todos 5- Suzan foi para Edoras com Éomer (enquanto ele luta para reaver Osgiliath, lado a lado com Faramir) 6- Éowyn permaneceu no palácio dourado com seu filho, Boromir II, e a cunhada 7- Sombras espreitam a fortaleza do Necromante em Dol Guldur E... Acho que é isso, se alguém tiver alguma dúvida, fique livre para perguntar! Boa leitura!! Beijocas!

Almarvarnë arfou sob o peso do corpo de Alagos. O elfo traçava uma trilha de beijos pelo pescoço alvo da donzela, segurando-lhe as coxas firmes e mantendo o ato em ritmo acelerado. A irmã de Turelië deixava marcas de unha nas costas do loiro, que desabou sobre seu corpo ao atingir o ápice. Com um beijo animalesco ele saltou da cama, servindo-se de uma taça de vinho tinto. Vinho da Floresta, roubado do carregamento de Thranduil.

Exausta e de pernas trêmulas a elfa cobriu o corpo desnudo, virando-se na direção de Alagos – sentindo-se dividida entre raiva e satisfação. Nos últimos dias seu algoz agira de maneira bastante diferente da apresentada nas primeiras noites em que dividiram o leito. Ele a beijava com ternura, espalhava carícias que a deixavam extasiada e preocupava-se com seu prazer. Almarvarnë afastou tais pensamentos da mente, colocando em destaque a missão que decidira cumprir.

— Meu senhor – ronronou ela levantando-se e abraçando-o pelas costas. – Parece-me distante. O que lhe aflige?

Alagos beijou as mãos macias da dama.

— A aproximação da guerra, querida. Além desta cegueira momentânea. – ele suspirou, pesaroso. – Não consigo prever os passos de meus inimigos.

— E o que pretende fazer, quanto a isso? – volveu, acariciando os cabelos claros do elfo.

— Tenho Eldarion em minha posse, mas não consegui capturar o filho da irmã de Éomer, tampouco tenho certeza do que Marianne e Legolas pretendem. – os olhos azuis miraram o rosto delicado de Almarvarnë. – O que faria, caso estivesse nesta situação?

Ela engoliu em seco, com as palavras ficando presas na garganta. Tentou sorrir, mas seu rosto moldou-se numa feia máscara de horror. Não sabia o que dizer.

— Eu esperaria. – começou, cautelosamente. – Creio que nem mesmo Maria... – a voz falhou, o que foi contornado com um acesso de tosse. – Nem mesmo Marianne e Legolas devem saber o que fazer. Espere que os inimigos deem o primeiro passo, para então ataca-los.

O noldor meditou sobre a questão, com as sobrancelhas finas formando uma linha severa em sua testa. Para o alívio da morena, ele sorriu, exultante. Ergueu-a pela cintura, fazendo cair o lençol que encobria sua nudez – girando-a no ar.

— Nunca pensei em dirigir tais palavras a você, mas – ele tornou a cobrir o corpo da donzela. – está me sendo mais útil do que imaginara.

Almarvarnë forçou-se a esboçar um sorriso de orelha a orelha, beijando os lábios de Alagos com fervor. Estava novamente na cama, antes que pudesse sequer reagir. O elfo era insaciável e, por algumas vezes, ela notara que seus olhos tornavam-se completamente negros quando as carícias aumentavam de intensidade. O medo não teve oportunidade de surgir. O jovem movia-se com cautela dentro da elfa, fazendo-a grunhir, tomada por vontades que não imaginara ter.

***

O sol nascera lançando raios pálidos sobre o horizonte, banhando a manhã gelada com um pouco de conforto. Arwen e Marianne estavam no quarto de Margareth, defronte ao espelho comprido ao lado da cama. A esposa de Aragorn separou uma mecha do cabelo longo de Alícia, cortando-a delicadamente e juntando às mechas de Mary e Meg.

— Mamãe voltará depois da realização do ritual, não é? – perguntou a garota mirando o reflexo da irmã no espelho.

— Acho que sim, Ali – confirmou a guardiã, cujas mãos permaneciam pousadas no ombro da menina.

— Não percamos a esperança, minha pequena. – Arwen sorriu, conferindo as horas no relógio sobre a penteadeira. – Temos de descer, os outros estão a nossa espera.

Em meio ao campo de neve, Éothain e Aragorn entreolharam-se. Gandalf mandara que colocassem a pesada mesa de pedra e a bacia de prata – onde os materiais do ritual seriam depositados – sobre a superfície fina do lago congelado. Os dois, obviamente, negaram-se a realizar tal feito.

— A mesa é pesada demais, o gelo não aguentará – resmungou o Rohirrim esfregando as mãos para aquece-las.

— Não me tome por tolo, Éothain filho de Éother. – o mago apontou para a margem. – Enxerga aquelas pequenas marcas brilhantes ali? Invoquei um feitiço para que o gelo resista a qualquer peso.

— Sendo assim – deu de ombros o rei de Gondor, ainda apreensivo.

Gimli e Glóin discutiam sobre a volta de seus amigos e parentes, direcionando olhares desconfiados na direção de Thranduil. Gimli era ainda muito novo para lembrar-se, entretanto, seu pai conservava as marcas da arrogância do rei élfico vivas na memória. O modo como olhara para a companhia de Thorin, desdenhando de cada palavra dita pelos anões e prendendo-os em suas masmorras.

O rei da Floresta tentava ignorar os olhares dos anões, questionando o filho sobre Marianne e sua neta.

— Ambas estão bem. – Legolas sorriu. – Arwen comprometeu-se a acompanhar todos os estágios do crescimento de Elenna.

— Elenna? – o Sindar franziu o cenho. – Escolheram o nome de minha neta sem meu consentimento?

Legolas olhou o pai, abismado. Não pensara que ficaria tão ofendido por não opinar na escolha do nome da criança que Marianne esperava.

— Eu gostei. – Thranduil riu, segurando o filho pelos ombros. – O que há, Legolas? Ficou pálido de repente.

— Eu... Não esperava essa reação vinda do senhor – balbuciou sem acreditar no sorriso sincero ainda estampado no rosto do rei élfico.

— Ora, vamos! – o filho de Oropher estava prestes a dizer algo, mas foi interrompido pela chegada de Marianne, Margareth e Alícia.

As três tinham a expressão fechada, olhos pregados ao chão e mãos dadas. Arwen, Aragorn e Gimli seguiram o cortejo até o centro do lago, onde Alatar e Pallando esperavam detrás da mesa de pedra, com os longos cajados alinhados.

— Peço aos não participantes do ritual que se afastem – entoou Alatar posicionando as herdeiras Tolkien ao redor da mesa, formando um círculo.

— Precisamos de silêncio total – Pallando tirou uma faca élfica da dobra de suas vestes. – Nenhum dos participantes pode deixar a superfície do lago.

Kendhra aproximou-se de Thranduil, tomando uma das mãos do elfo nas suas.

— As mechas de cabelo, por gentileza – pediram os magos azuis, em uníssono.

Arwen estendeu as mechas, unidas por um laço vermelho. Elas foram jogadas no interior da bacia de prata. Em seguida, Gandalf soltou os fragmentos da pedra Arken no interior do mesmo objeto.

“Lindir mantinha os olhos grudados nas costas de Margareth. Seus músculos permaneciam tensionados, esperando ansiosamente que a filha – a qual descobrira recentemente – voltasse para seus braços.”

— Aragorn, filho de Arathorn – chamou Alatar, ao que o Dunedáin aproximou-se. – Estenda sua mão direita. As herdeiras de Tolkien devem repetir as palavras que direi – elas aquiesceram com um menear. – Que o sangue puro dos Primeiros Homens traga aqueles que se foram sem cumprir sua missão.

“Joe tirou o boné, sentindo que o momento exigia tal gesto de respeito. O filho lhe envolveu os ombros, esforçando-se para não tirar Mary do meio daquele ritual estranho.”

— Que o sangue puro dos Primeiros Homens traga aqueles que se foram sem cumprir sua missão – repetiram elas vendo as primeiras gotas de sangue caírem sobre os objetos.

Pallando direcionou Gimli para junto dos outros. – Que o sangue da linhagem de Durin traga aqueles que se foram sem cumprir sua missão.

“Frodo esfregou o ombro, onde a cicatriz do Topo do Vento residia. Com um franzir de cenho, o hobbit percebeu que a ferida não doía. Sorriu, estufando o peito cheio de esperança.”

— Que o sangue da linhagem de Durin traga aqueles que se foram sem cumprir sua missão – as três fecharam os olhos, embaladas pela sensação de que algo poderoso estava por vir.

Arwen estendeu a mão esquerda para Alatar.

– Que o sangue dos filhos de Illúvatar traga aqueles que se foram sem cumprir sua missão.

“Aquela era a última parte. Ninguém sabia o que aconteceria após o sangue de Arwen tocar os objetos restantes. O coração de Legolas batia acelerado. Queria abraçar Marianne, queria sentir a presença de sua esposa e da pequena Elenna junto de si. Thranduil baixou os olhos para as botas, disposto a não mais olhar para o lugar do retorno.”

— Que o sangue dos filhos de Illúvatar traga aqueles que se foram sem cumprir sua missão.

Nada aconteceu, mas as três descendentes de Tolkien continuavam a jogar o corpo de um lado a outro, balbuciando palavras em élfico antigo. Os magos afastaram-se, assumindo posições referentes aos quatro pontos cardeais. Uma coluna de luz dourada ergueu-se do interior da bacia, quando todos menos esperavam. Marianne, Margareth e Alícia soltaram as mãos e delas, também fluíam fios de luz multicolorida.

Forçados a desviar o olhar, os espectadores cobriram o rosto. Meriadoc deu dois passos para trás, tropeçando nos pés de Kendhra e estatelando-se no chão. Samwise escondeu-se atrás do corpo robusto de Glóin, ajoelhando-se na neve.

A luminescência diminuiu aos poucos e Mary foi a primeira a abrir os olhos, dando de trombas com duas garotas segurando suas mãos. Demorou a reconhecer a menina de olhos azuis que – envolta em choque – também olhava para as próprias mãos.

— Vovó? – murmurou ela, extasiada.

— Não acredito nisso – Alícia cobriu a boca com as mãos, olhando para a versão jovem de Margareth.

Ela tinha duas tranças caindo-lhe até o meio das costas. As roupas que pusera ao acordar moldaram-se ao corpo franzino da garota de dezesseis anos e a alegria estampada em seus olhos tornou-se ainda maior quando olhou para a margem norte do lago.

— Por Illúvatar – maravilhou-se, estranhando a voz infantil que saíra por entre seus lábios.

Eles estavam ali, parados – encarando uns aos outros sem crer no que viam. Beorn foi o primeiro a avançar, com passos desajeitados, seguido por Thorin, Kili, Fili, Dwalin, Balin, Bifur, Bombur, Bofur, Ori, Dori, Nori e Óin. Bard ajudava Katherina a vencer a neve fofa e mais atrás vinha a pessoa que Thranduil tanto temera rever: Wilwarin.

O impecável vestido azul, debruado em dourado, descia-lhe pelo corpo esbelto. Os cabelos eram quase brancos, assim como sua pele. Olhos azuis desnudavam os presentes antes de pousarem em Thranduil. Não saberia identificar se o sorriso que abriu foi de felicidade, ou escárnio.

— Minhas filhas! – gritou Katherina atirando-se nos braços de Marianne e Alícia.

— Mãe, nem sabe como sentimos sua falta – sussurrou a mais nova entre lágrimas.

— Não tanto quanto eu senti – falou a filha de Margareth ampliando o abraço para envolver o marido, Robert.

— Como é bom senti-la perto – disse ele tocando-lhe o rosto e beijando-lhe os lábios macios.

— Ah, querido! Você está mais bonito do que quando nos conhecemos – os quatro riram. Finalmente os Greyhood estavam reunidos.

— Kat! – Margareth correu aos saltos, rindo como jamais fizera.

— M-mamãe? A senhora está...

— Mais nova do que você! Ahá! – e gargalhou, abraçando a mãe de Marianne. – Vai ter de aprender a lidar com isso, meu bem. Meg Tolkien está de volta!

— Veja só, Kili, elas são mesmo bonitas – murmurou Fili ao ouvido do irmão, referindo-se a Mary e Alícia.

— Realmente – o moreno mal ouvira, procurando por outra pessoa de seu interesse.

— Tauriel não está aqui – Legolas estendeu a mão recebendo um olhar desconfiado dos dois jovens anões. – Sejam bem-vindos.

— Ora, ora, se não é o orelhudo que nos prendeu na Floresta das Trevas. – Bifur intrometeu-se, apertando a mão do elfo.

— Espero que me perdoem pelas atitudes passadas – disse Verdefolha com um meio sorriso.

— Apenas se perdoar-nos primeiro – Thorin não mudara em nada. A mesma altivez do passado lhe marcava o semblante.

— Escudo-de-Carvalho, as escusas se estendem também a mim?

Aquele era o encontro entre dois gigantes, duas forças antigas e opostas. Os reis analisaram um ao outro por breves instantes, até Thorin aceitar a mão estendida de Thranduil, parecendo arrependido.

— Estamos todos dispostos a esquecer os erros do passado e recomeçar – Wilwarin parou defronte ao marido, tomando-lhe as mãos.

Kendhra surgiu devagar e Thranduil soltou as mãos da elfa, esquivando-se da demonstração de carinho.

— Kendhra, essa é minha... – as palavras tinham um gosto estranho em seus lábios. – Essa é Wilwarin.

— É um prazer conhece-la – a Dunedáin enlaçou o braço do pai de Legolas.

— Já imaginava deparar-me com esta cena. – comentou a elfa tentando parecer simpática. – Ela é uma jovem muito bonita, Thranduil.

O silêncio tornava-se desesperador no momento em que Marianne apareceu, arrastando o marido atrás de si.

— Meu pequeno... – Wilwarin tocou as faces de Legolas com os olhos se enchendo de lágrimas cristalinas. – Você está tão bonito. Se parece muito com seu pai.

— Senti sua falta, minha senhora – correspondeu ele abraçando-a.

— Não retornei a esses prados para ouvi-lo tratar-me por “senhora” – repreendeu, franzindo o cenho.

— Perdoe-me, mãe. – o elfo deixou escapar um sorriso tímido. – Esta é Marianne, minha esposa.

— Ouvi falar muito da senhorita. Sua mãe alugava-me diariamente, contando de sua infância de como tinha crescido e se tornara exímia guerreira. – Wilwarin tocou o ventre de Mary e a jovem sentiu-se, momentaneamente incomodada. – E agora carrega minha neta dentro de si. Fico muitíssimo feliz.

— Nem faz ideia de como todos estamos felizes com o retorno de cada um de vocês – respondeu a guardiã afastando-se um passo.

Lindir fez Meg girar trezentos e sessenta graus, analisando-a milimetricamente.

— Você está igualzinha a moça que conheci em Valfenda – falou o elfo segurando-a pelas mãos.

— Confesse, estou bem mais atraente desse jeito – provocou ela sorridente.

— Se os outros não estivessem tão perto, confesso que lhe roubaria um beijo – murmurou Lindir de sorriso malicioso nos lábios.

— Danem-se os outros! – Margareth puxou-o pela gola das vestes, tascando lhe um beijo fervoroso.

Ele riu, ainda de lábios grudados aos da filha de Tolkien. Passou-lhe as mãos pelas curvas firmes e sinuosas, deleitando-se com memórias dos tempos em que tinham encontros íntimos na pequena choupana, perto dali. Arwen não conteve o riso ao ver a expressão embasbacada no rosto de Aragorn.

— Já não era sem tempo – Gandalf cumprimentava Bard, vendo Lindir e Meg assumirem o romance aos olhos de todos.

— Esse mundo é ainda mais surpreendente do que a Terra Média – comentou o arqueiro rindo.

— Não viu nada, meu caro, acredite.

— Pequena Meg – Balin abraçou a velha amiga carinhosamente. – meu coração mal cabe dentro do peito, tamanha é a alegria em vê-la!

— Ah meus queridos! Nossa companhia está completa. – disse ela abraçando cada um dos treze anões. – Temo que esteja um pouco enferrujada nas artes da guerra, mas vou me esforçar para reaprender a usar uma espada.

— Uma espada não! – gritou Dwalin retirando o machado de batalha que trouxera atrelado às costas. – Isto aqui sim é uma arma de verdade.

— Sim, sinto-me como naquele dia em que caímos nos túneis do gobblins. – ela riu, rodopiando a arma com graciosidade. – Lembra-se, Dori, do modo como acertei Bolg bem no meio das fuças?

— Prefiro recordar apenas os bons momentos – riu-se o anão.

— As aventuras voltaram! Finalmente! – festejou Kili.

— Meu sobrinho, não seja precipitado – interpelou Thorin apoiando as mãos nos ombros de Margareth. O mesmo gesto que fizera ao admitir que ela e Bilbo haviam se tornado membros reconhecidos de sua companhia. – Nossas responsabilidades voltaram e estamos aqui para cumpri-las.

— Nem que tenhamos de, bem, morrer por isso – Bombur acariciou a farta barriga. – de novo. – os outros riram.

— Pois bem, senhoras e senhores! O tempo urge e temos muito o que fazer! – Margareth ergueu o tom, ainda estranhando sua nova condição. – Quem aí está com fome?

Dezenas de mãos ergueram-se em meio a neve. Todos riam e cumprimentavam-se em uma verdadeira reunião de famílias e clãs. Estavam tão enervados na felicidade que lhes dominava o corpo, que nem ao menos perceberam o olhar rancoroso que Wilwarin dirigia a Thranduil, ou a expressão amarrada no rosto de Kendhra.

— Ele voltará a ser meu – murmurava a elfa entredentes, arrastando os pés sobre o tapete branco de gelo e voltando a estampar seu melhor sorriso.

***

Galadriel olhou fundo nos olhos do elfo parado a sua frente. A dama dos Galadhrim suspirou, pesarosa, torcendo as mangas longas de suas vestes alvas. O título que carregava pareceu pesar-lhe nos ombros. Estava indecisa e optara por sofrer em silêncio.

— Haldir – começou contendo a tensão em sua voz. – convoquei-o a minha presença, pois, além de ser capitão da guarda de Lothlórien, ainda é muito estimado por seus senhores.

— É uma honra servi-la, senhora da luz – ele curvou-se sobre o joelho direito.

— Por estes motivos peço-lhe, encarecidamente, que aceite as ordens dadas por mim sem questionar – a elfa resfolegou, forçando as palavras para fora de seus lábios. – Reúna seus melhores homens, leve seus irmãos para Green Valley. Cerquem a residência de Marianne e impeçam que qualquer inimigo se aproxime.

— Mas... – Haldir ergueu o rosto, vendo que a dama branca tinha lágrimas vincando lhe as bochechas. – Perdoe-me, mas não posso deixar que a senhora fique desprotegida. Quem ficará em meu lugar? Quem guardará as fronteiras de Lothlórien?

— Eu o farei.

Elrond surgiu em meio às árvores, vestido dos pés à cabeça em armadura dourada e com o diadema de Valfenda brilhando sem sua testa.

— Meu senhor, Elrond Peredhil— Haldir curvou-se novamente, quase tocando o nariz no chão.

— Levante-se, amigo – pediu o pai de Arwen lhe ofertando a mão. – e siga as ordens de sua senhora o mais rápido possível. Antes que pergunte, Glorfindel permaneceu em Valfenda, tomando conta da Última Casa Amiga em minha ausência.

— Partirei agora mesmo. – o loiro saiu, apressado.

— Está certa sobre isso, minha sogra? – questionou o elfo com as mãos pousadas no punho da espada. – Sabes que depois de começarmos não há como voltar atrás.

— A decisão está tomada. Celeborn enviou mensagem a Círdan, nos portos cinzentos e pretendo convocar Gandalf. – Galadriel apoiou-se no tronco de um mallorn, tocando a testa febril na superfície lisa e perfumada. – Situações extremas pedem medidas extremas e, caso este circo saia de controle, os Valar precisam estar cientes de que seu mundo ruirá em cinzas e fogo.

— Creio que eles já saibam deste fato.

— Não importa, Elrond Meio-Elfo, não importa. – balbuciou a elfa mirando a fronte franzida do genro. – Precisamos de ajuda.,.

— O pedido de Erú se realiza neste exato momento – contrapôs o senhor de Imladris, jogando as mãos para o alto. – Os mortos retornarão em nosso auxílio.

— Essa vinda pode não adiantar de nada. – ela se aproximou de uma saliência rochosa, deixando o corpo cair sobre o musgo. – Diga-me, Peredhil, o que suas visões lhe revelaram?

Ele engoliu em seco, virando as costas para a esposa de Celeborn, sem conseguir encarar os olhos que tudo viam.

— Vi guerra, morte e sofrimento. – respondeu ele. – Pensei que Marianne tivesse passado por todos os dessabores desta vida, mas estava enganado. O gosto amargo da perda continua a ronda-la, como um cão faminto ronda a presa. Legolas e sua esposa derramarão lágrimas em cima de lágrimas, antes que este tormento tenha fim.

— Era o que mais temia – a dama branca escondeu o rosto nas mãos. – minha pequena suylanel, terá o coração dilacerado mais uma vez.

— Isso não é tudo, Galadriel. – prosseguiu Elrond revendo as imagens que lhe foram reveladas. – Os que agora retornam mudarão coisas demasiado complicadas para Arda.

— Entende agora os motivos de meu desespero? – o choro apertava a garganta da elfa, como mãos invisíveis tentando sufoca-la.

— Sim, embora não queira acreditar na veracidade das visões que tive – ele lembrou-se de Eldarion. – A história, na maioria das vezes, não corre como me é mostrado.

— Desta vez será – os dois tornaram a conectar os olhos, travando uma conversa silenciosa.

Não souberam determinar o momento exato em que o canto baixo dos elfos de Lothlórien embalou o cair da tarde e encobriu o choro desesperado de Galadriel.

Notas finais
As coisas vão pegar fogo daqui para a frente! Preparem-se muahahah