Wait Me Forever...
19 Encontros
Notas iniciais
“- Prontas, ou não, lá vou eu!
Legolas saiu detrás do tronco da faia centenária, com líquens prendendo-se à manga de sua camisa. Contara até cem, como Elenna exigira, dando tempo suficiente para que ela e Marianne se escondessem no interior da floresta.
Os raios dourados de sol atravessavam a copa das árvores e o ar estava temperado por mil e um aromas – muitíssimo diferente da época em que a sombra negra encobrira aquele local, dando-lhe o nome de “Floresta das Trevas”. Borboletas esvoaçavam de flor em flor e as plantas exóticas abriam-se, formando um caminho para a passagem do elfo.
Distinguiu os risinhos abafados de Elenna debaixo de um tronco caído, assim como os movimentos de Marianne nos galhos sobre sua cabeça. Ele se aproximou devagar, erguendo a beirada do tronco e sendo envolto nos braços pequenos de sua filha. Os dois caíram, aos risos.
— Você espiou, papai! Que feio! – repreendia ela agitando o dedo indicador em frente aos olhos do Sindar.
— Juro por todos os deuses que não, querida – respondeu, tirando folhas e gavinhas dos cabelos claros da criança.
— Não tem graça jogar esconde-esconde com seu pai, Elenna. – Mary aterrisou ao lado dos dois, erguendo a filha nos braços e enchendo-a de beijos. – Da próxima vez você contará e nós nos esconderemos.
— Mas eu sou muito pequena, mamãe – resmungou ela, estreitando os olhos cor de mel.
— E mais esperta do que nós dois juntos – contrapôs Legolas beijando os lábios da esposa e depositando um beijo na testa de Elenna.
— Isso ela aprendeu comigo – Thranduil surgiu em meio aos arbustos, vestindo roupas comuns e acompanhado por Kendhra.
— Vovô! – a pequena correu, atirando-se nos braços do antigo rei da floresta e lhe espalhando beijos pela face. – Vovó Kendhra, você está muito bonita.
— Obrigada, meu bem. – a Dunedáin tocou a ponta do nariz da menina, carinhosamente. – O que acha de cavalgarmos um pouco? Deixei os cavalos na entrada da floresta, à nossa espera. Seu avô precisa ter dois dedos de prosa com seus pais.
— Posso? – Elenna tinha as mãos unidas em súplica, olhando para Legolas e Marianne.
— Tudo bem, mas tome cuidado – Mary deu-lhe um último abraço.
— Escute com atenção, Elenna. – Legolas a segurou pelos ombros, abaixando-se para ficar de sua altura. – Obedeça Kendhra e ouça tudo o que ela lhe disser, entendeu?
— Sim, papai. – ela sorriu, mostrando a falta de um dos dentes da frente. O elfo não conseguiu conter um sorriso.
— Eu e sua mãe a amamos, mais do que tudo...”
— Legolas? – Marianne passava as mãos pelo rosto do elfo, visivelmente preocupada.
— O que... O que aconteceu?
— Acho que estava tendo um pesadelo – disse a jovem apoiando-se nos cotovelos, olhando fundo nos olhos azuis do marido.
— Não, estava sonhando com você. – respondeu ele sorrindo e ajeitando os longos cabelos loiros. – E com Elenna.
Uma de suas mãos estendeu-se por baixo do lençol, até tocar a barriga da esposa e afaga-la.
— E como era esse sonho? – volveu a guardiã, pousando suas mãos sobre a do marido e deitando-se em seu peito.
— Estávamos jogando esconde-esconde. – ele riu, depositando um beijo na testa de Mary. – Se Elenna for tão bonita quanto vi em meus sonhos, teremos problemas sérios para afastar futuros pretendentes.
Marianne riu. – Já está preocupado com isso?
— É tudo muito novo para mim, para nós. – corrigiu-se o elfo soando um pouco como seu pai. – Quero que nossa filha sinta-se segura e amada, mas tenho medo de cometer erros... De magoa-la. Acho que não saberia o que fazer, caso isso acontecesse.
— Meu amor, é claro que vamos errar! – a moça ergueu-se novamente. Legolas mirou-a, confuso. – Todos erram, por mais preparados que estejam. Será complicado no início, mas aprenderemos a cada obstáculo, você não...
A campainha soou, interrompendo-a. O casal olhou-se intrigado, pensando em quem estaria a sua porta a uma hora daquelas. Já passava das duas da manhã e Robert, Katherina e Alícia estavam no quarto de hóspedes, ressonando tranquilamente sob os lençóis.
Thranduil levara Wilwarin de volta à Floresta das Trevas e Kendhra não se opusera a tal decisão. A dunedáin adotara uma postura respeitosa e indiferente à presença da elfa e esta parecia fazer o mesmo.
Lindir e Margareth retiraram-se para a choupana onde costumavam encontrar-se, anos atrás, deixando Arwen e Aragorn no comando de Green Valley. Éothain permanecera na companhia dos reis de Gondor, assim como Frodo, Sam, Pippin e Merry. Gimli e Glóin rumaram para uma rede de cavernas perto dali, levando Thorin e os outros anões; Beorn e Bard partiram com Radagast, Gandalf, Alatar e Pallando.
Legolas jogou um roupão sobre os ombros, descendo as escadas apressadamente. Quase deixou cair o arco que levava nas mãos ao abrir a porta, dando de trombas com Haldir. O elfo tinha os olhos cinzentos brilhando em determinação.
— Legolas, filho de Thranduil. – reverenciou lhe o amigo. – Há muito tempo não nos vemos.
— Haldir! – o Sindar devolveu a vênia. – Nem sabe como é bom reencontra-lo.
— São tempos negros e duvidosos. A sombra rasteja em nossas terras visando toma-las para si e por este motivo... – ele fez uma pausa, enquanto um grupo pequeno de elfos aproximava-se. – Galadriel nos enviou para protege-los.
***
— Shii, acalme-se, Eldarion!
Turelië andava de um lado a outro na cela estreita, embalando o filho de Arwen nos braços, enquanto ele chorava e esperneava – negando-se a dormir. O coração da elfa murchou ainda mais dentro do peito. Aquela criança sofria com a ausência dos pais e ela não podia fazer nada quanto a isso.
Escutou a voz doce e calma de Almarvarnë do outro lado das portas, ordenando aos guardas que a deixassem passar.
— Graças aos deuses, você está aqui! – comemorou a ruiva, vendo a outra tomar o garoto de seus braços, já baixando as alças do vestido verde-musgo.
— Estou aqui, querido, estou aqui. – murmurou Almarvarnë sentindo Eldarion lhe sugar o seio esquerdo avidamente. – Ele está morrendo de fome, Turelië. – lágrimas cristalinas acumularam-se nos olhos da dama. — Não vejo a hora deste tormento acabar.
— O que aquele... Monstro traidor está fazendo com você, minha irmã? – perguntou Turelië erguendo o queixo da morena, a forçando a encara-la.
— Juro estar esforçando-me ao máximo para descobrir um ponto fraco, alguma coisa que quebre suas defesas – ela suspirou, voltando a desviar o rosto – mas ele passa grande parte do dia longe da fortaleza e quando retorna só pensa em saciar seus desejos carnais. É difícil fazê-lo falar.
A expressão de Turelië moldou-se num esgar de repulsa.
— Odeio ter de sugerir este tipo de coisa. – começou a ruiva, tomando as mãos da irmã nas suas, sentando-se a seu lado. – Precisa embriaga-lo, em uma destas noites, seduzi-lo e força-lo a contar-lhe seus planos.
— Vi algumas ervas no jardim, no dia em que levamos Eldarion para tomar sol. – a morena sentiu o coração falhar uma batida. Precisava tentar. – São alucinógenas, posso coloca-las na bebida de Alagos, sem que ele perceba.
— Exatamente. – Turelië ergueu-se, caminhando de um lado ao outro, com as mãos cruzadas debaixo do queixo. – Vamos pegar essas ervas agora mesmo. Ouça com atenção.
As duas confabularam, com as vozes transformadas em murmúrios. Almarvarnë falou novamente com os guardas, pedindo que abrissem as portas da fortaleza e as deixassem passear pelo jardim. Os Orcs não se opuseram a tal pedido – Alagos fora bastante claro quanto a obedecerem aos pedidos de sua escolhida e, segundo ele dissera, futura rainha.
Desceram respirando fundo, contendo a excitação crescente em seus corações. Eldarion saltou do colo de Almarvarnë, correndo atrás dos vagalumes que iluminavam o jardim.
Turelië – após receber instruções sobre a erva da qual a irmã falara – afastou-se para o canto mais distante do lugar. Colheu duas rosas vermelhas de um dos canteiros, achando gavinhas de folhas coloridas ao redor das flores. Conferiu se havia guardas zanzando por ali antes de arranca-las pela raiz, guardando-as no interior das vestes.
***
— Suzan, abrir um buraco, em meio ao salão do trono, não vai trazer Éomer de volta.
Éowyn ocupava uma das cadeiras na longa mesa de refeições, vendo o pequeno Boromir ressonar em sua manjedoura. Suzan continuou a caminhar, ignorando o comentário da cunhada. Seus pensamentos não desgrudavam do noivo, que continuava em Osgiliath.
— Existe algum modo de sabermos quando voltarão?
— Minha querida, não se estipulam prazos ao sair para uma batalha – a dama de Edoras ergueu-se. – A duração pode ter dias, semanas, ou mais.
— Mais? – gemeu a amiga de Mary deixando o corpo desabar sobre o trono que Éomer ocupava.
— Vai ter de se acostumar com isso, está prestes a se tornar senhora neste palácio e terá responsabilidades ao ocupar este cargo.
— Eu sei, Éowyn, mas mesmo assim... Não sei se estou pronta.
— Você e meu irmão completam-se de maneira única – a esposa de Faramir segurou as mãos trêmulas de Suzan. – tenho certeza de que será uma ótima esposa e rainha.
Um dos guardas – cujo nome era Fariel – entrou desabalado no salão, interrompendo-as. O coitado mal conseguia respirar, tossindo e engasgando-se com as palavras. Os olhos arregalados pareciam ter visto uma assombração, ou qualquer criatura desta sorte.
— Acalme-se, rapaz! – pediu Éowyn vendo Suzan oferecer um copo d’água ao garoto.
— O que aconteceu?
— O seu marido, Vossa Graça, está retornando – disse aos borbotões.
— E qual o motivo dessa expressão de terror em seu rosto? – Suzan sentiu a bile subir-lhe pela garganta.
— Ele... O senhor Faramir... – ele revezou os olhares entre as duas damas, não sabendo como dar a notícia. – A montaria do senhor Éomer está vazia, minha senhora.
— O quê?! – gritou Suzan saindo da sala aos saltos.
Os soldados marchavam lentamente, mal se podia divisar os rostos abatidos por debaixo dos elmos. Faramir vinha à frente da comitiva, com lágrimas lavando a fuligem de suas bochechas e escorrendo lhe pelo peito. Quatro homens carregavam uma cama improvisada, sobre a qual descansava o corpo de Éomer.
— ÉOMER!
A amiga de Marianne correu até o limite de suas forças esgotar-se e ela cair pela primeira vez. Não estava enxergando absolutamente nada em meio às lágrimas, mas seguiu na direção de seu amado.
— Suzan, espere! – conteve-a Faramir, segurando-a pelos braços. – É melhor não vê-lo agora.
— Não, Faramir, não! – grunhiu ela com o corpo sacudido por soluços. – Eu preciso vê-lo!
— Su... Suzan – sussurrou Éomer, sem forças para pronunciar mais do que aquilo.
— Estou aqui – respondeu ela aproximando-se.
Sangue seco agarrava-se aos cabelos loiros do Rohirrim e o cheiro forte de sangue fez o estômago de Suzan agitar-se. Metade do corpo do guerreiro estava coberta com a bandeira de Rohan. A jovem ajoelhou-se ao lado da maca, com medo de perguntar aos homens o que acontecera.
— Pensei q-q-que – ele tossiu, respirando com dificuldade.
— Não fale mais nada. – Suh lhe cobriu os lábios com beijos. – Estou aqui, meu amor. Tudo vai ficar bem.
O sorriso no rosto do irmão de Éowyn transformou-se em uma careta de dor. Seu corpo tremia, embalado pela febre.
— Suzan, eu insisto para que volta ao palácio e...
— Vou ficar ao lado de meu noivo, Faramir, não importa o que diga. – a moça ergueu-se, secando as lágrimas de seu rosto e assumindo a postura que o irmão de Boromir vira Éowyn tomar, diversas vezes.
Ele concordou com um menear e mandou que os homens avançassem. Suzan agarrava-se a mão de Éomer, com todas as esperanças voltadas para a saúde do homem que amava.
— Faramir! – gritou Éowyn sobre as escadas do palácio, descendo os degraus de saias erguidas e se lançando nos braços do marido, inspecionando cada espaço de seu corpo, à procura de ferimentos. – O que aconteceu com meu irmão? – perguntou aos sussurros, sentindo a dor da perda de Théodred voltar-lhe a mente.
— Fomos atacados de surpresa na saída de Osgiliath. – explicou ele ao ouvido da esposa. – Pensamos ter acabado com cada Orc, mas uma tropa de Uruk-hais pegou-nos desprevenidos. Éomer encabeçava o pelotão e recebeu ataques de todos os lados. Conseguimos matar os inimigos e só achei seu irmão depois do tumulto cessar.
— O que aconteceu? – repetiu a dama com lágrimas nos olhos.
— Ele teve o braço direito destroçado. – Faramir amparou o corpo de Éowyn no momento em que os joelhos da jovem recusaram-se a sustenta-la em pé. – Fizemos tudo que estava ao nosso alcance para prevenir a infecção, mas... Minha querida, não sei se ele sobreviverá por muito tempo.
— Chamaremos Ioreth, Marianne, Aragorn, ou qualquer outra pessoa que tenha conhecimentos medicinais. – balbuciou ela, controlando o tremor em sua voz. – Meu irmão não morrerá. Suzan não suportaria e creio que eu também não.
Ela lançou os olhos na direção da amiga de Mary, que continuava a flanquear a maca onde Éomer adormecera, imerso em sonhos de dor e morte.
Nenhum dos presentes foi capaz de distinguir a silhueta da ave esbelta voejando até o palácio dourado. A fênix de plumas azuladas oscilou em pleno voo, acostumando-se à sensação estranha de estar vários metros acima do chão.
“Minha irmã faz parecer tão fácil” pensava Alícia, endireitando o prumo para a aterrisagem.
***
Thranduil serviu duas taças de seu melhor vinho e estendeu uma delas para Wilwarin. Sentada sobre a cama onde Kendhra dormira na noite anterior, a elfa não conseguia disfarçar o desdém ao correr os olhos pelas malas que a Dunedáin deixara a um canto do quarto.
— Pelo visto a númenoriana já está mais do que instalada em nosso quarto – sussurrou a mãe de Legolas, levando a taça aos lábios.
— Meu quarto e espero que respeite minha futura esposa, pois ela nos concedeu um tempo a sós para conversarmos – corrigiu o Sindar sentando-se o mais longe possível da elfa.
— Que seja – ela deu de ombros, indiferente. – Queria lhe falar sobre nosso filho. Estou preocupada com Legolas.
— Por que motivo? Ele tem uma vida feliz com Marianne e agora...
— É exatamente isso que me preocupa. O sangue puro dos Sindar, nosso sangue, será perdido devido a essa mistura de raças. – Wilwarin ergueu-se, rondando Thranduil. – Além do mais, essa garota nos dará uma neta e não um varão, o que quebra o ciclo de hereditariedade...
— Cale-se! Já basta de blasfêmias proferidas contra minha família! – o rei agarrou a elfa pelos braços, chacoalhando-a violentamente. Ela arregalou os olhos. – Defenderia meu filho e minha neta com os dentes, se fosse necessário!
— Solte-me! Não consegues enxergar os fatos com clareza! Aquela mulher está deixando-o mais cego do já era, quando nos casamos!
Thranduil jogou-a no chão. Wilwarin tinha os olhos brilhando, repletos de ódio.
– Da próxima vez que ofender Kendhra eu juro, por todos os deuses, que a jogarei no Rio da Floresta e a deixarei afundar como peso morto!
— Não será preciso. – ela bateu a poeira do vestido, marchando na direção da porta. – Com sua licença, majestade.
— O tempo passado ao lado de Illúvatar não serviu de nada, Wilwarin? – questionou o elfo, em choque. – Será possível que não tenhas evoluído nem um pouco em todas as eras passadas nos palácios de Mandos?
— Fala daquele lugar como se o conhecesse – resmungou, ainda de costas para Thranduil.
— De forma alguma. Não sou capaz de imaginar as maravilhas do reino imortal.
— Maravilhas? Maravilhas?! – Wilwarin fechou as mãos em punhos, voltando a encarar o ex-marido. – Fui humilhada, julgada e tive os olhares de todos pousados em minhas costas. Expuseram meus erros na frente de milhares de elfos e tem a petulância de dizer que aquele covil é um lugar de maravilhas?!
— Ah, pois sim. – o rei da Floresta das Trevas riu ironicamente. – Teve de responder pelos erros que cometeu em vida. Deveria saber disso, minha cara.
— Erros? Tudo o que fiz foi pensado e... – ela balançou a cabeça negativamente, com os cabelos loiros formando uma cascata ao redor de seu rosto. – Esqueça, não lhe devo mais satisfações.
O elfo puxou o ar para dentro dos pulmões com dificuldade, vendo Wilwarin deixar o quarto às pressas. Arremessou a garrafa de vinho contra a porta, fazendo-a estilhaçar em mil pedaços. Acabou cedendo ao estresse, deixando o corpo cair sobre a beirada da cama e apoiando o rosto nas mãos.
— Thranduil? – Kendhra afastou a porta e mirou a bagunça de cacos e bebida manchando o chão. – Você está bem?
Ele sustentou o olhar da Dunedáin e fez um gesto para que ela entrasse. A filha de Radagast sentou ao lado do elfo e lhe acariciou a bochecha. Thranduil entrelaçou seus dedos aos da jovem e suspirou.
— Agora estou, mas a presença de Wilwarin torna-me mais taciturno e arrogante do que já sou – o pai de Legolas riu, sem ânimo.
— Ela saiu daqui soltando fogo pelas ventas – a moça sorriu, desenhando as linhas da mão do elfo com o polegar.
— Wilwarin nunca foi a pessoa mais fácil de lidar. – o rei élfico escorou as costas contra a parede.
— Disso eu já sabia.
— Mas não lhe contei tudo sobre ela.
— Imaginei que não tivesse me contado – Kendhra afastou uma mecha loira do rosto de Thranduil.
— A senhorita me parece enciumada – ele riu a puxando para perto.
— Só um pouco – ela bufou, beijando os lábios do Sindar.
— Os pais de Wilwarin eram os melhores conselheiros de Oropher. No momento em que atingi maturidade física e mental o rei convenceu-me a pedir a mãe da filha de Fäewir e Thordor em casamento.
— O matrimônio foi uma espécie de acordo – concluiu Kendhra.
— Entenda, meu pai acreditava que a pureza de nossa raça vinha do fato de que nobres casavam-se com membros da elite. – o rei deixou um rastro de beijos no pescoço da dama. – Amei Wilwarin nos dois primeiros anos de casado, mas ela mostrou-se tirana e insatisfeita com as medidas que tomei em meu governo. Apenas o nascimento de Legolas a tornou mais tolerante.
— E sua fama de narcisista data desta época – a Dunedáin cuidou para que as palavras não soassem rudes, mas Thranduil riu.
— Sempre fui impetuoso e o comportamento de Wilwarin piorava meu gênio. – a expressão do elfo escureceu. – Após sua morte, tristeza e felicidade passaram a travar batalha em meu peito. Tristeza, pois a amava e felicidade porque meu coração teria descanso; Legolas poderia conhecer o lado paterno e amoroso que há em mim.
— Seu filho é um ótimo rapaz – a jovem sorriu, pondo a mão sobre o peito do Sindar e sentindo as batidas de seu coração. – puxou ao pai.
— Se tiver outros filhos, terei orgulho em dizer que eles puxarão a você – Thranduil beijou-a, mas Kendhra afastou-se repentinamente. O elfo franziu o cenho.
— Preciso lhe contar uma coisa – a Dunedáin tinha os olhos marejados e a dor quase a sufocava diante da revelação que estava prestes a fazer.
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