Notas iniciais
Olha eu aqui!! Mais um capítulo para vocês, esse ficou mais curto, mas com mais detalhes sobre o que vai ocorrer daqui para a frente na fic. Espero que gostem e agradeço pelos comentários e recomendações!

Thranduil apeou em frente aos portões de entrada de seu reino. Tauriel estava parada diante das portas de pedra branca. As mãos soltas ao lado do corpo e a boca formando uma linha fina e nervosa. Ela tentou disfarçar a expressão de completa derrota que sentia, mas não conseguiu.

– O que estás fazendo aqui fora? – perguntou o rei élfico. – Algo de errado ocorreu?

– Meu senhor, já sei quem está arquitetando os planos contra sua nora e seu filho – o corpo da elfa tremeu ao cogitar o nome de Legolas.

– O quê? – o elfo cobriu a distância que o separava da capitã de guarda, segurou-a pelos ombros sacudindo-a violentamente. – Quem?

Dartho Thranduil! (Chega Thranduil!) – dois magos vestidos em azul surgiram do meio dos arbustos.

– Por que magos sempre se intrometem em questões que não lhes dizem respeito? – balbuciou o Sindar soltando a elfa ruiva.

– Porque você estava tentando matar sua melhor guerreira – respondeu Pallando pondo uma das mãos no ombro de Tauriel.

– Está tudo bem, só queria contar algumas verdades sobre Alagos – balbuciou ela voltando a encarar os olhos azuis do rei.

– E o que Alagos tem a ver com esta conversa? – Thranduil cruzou os braços, as sobrancelhas grossas unindo-se em sua testa e formando uma linha espessa de preocupação.

– Vamos ficar aqui fora conversando como comadres? – Alatar olhou para o pai de Legolas com censura e este pediu para que abrissem os portões.

O trono foi rapidamente ocupado pelo filho de Oropher, que esperou pacientemente até que seus convidados se posicionassem a seu redor. Havia guardas em toda a extensão do corredor e das antessalas que existiam além. A cozinha estava apinhada de elfos, que corriam de um lado a outro preparando refeições e despejando barris e barris de vinhos para serem enviados para Esgaroth.

– Conte-nos tudo o que aconteceu, calmamente e com todos os detalhes possíveis – pediu Pallando acendendo um cachimbo com fumo da Quarta Leste e estendendo-o ao irmão.

– Alagos e eu estávamos fazendo ronda na borda ocidental da floresta quando as aranhas surgiram, saíram de todos os cantos possíveis – Thranduil franziu o cenho tamborilando os dedos nos joelhos. – mas por incrível que pareça elas apenas atacaram a mim.

– Os ninhos ao redor de Dol Guldur – murmurou Alatar lançando um olhar significativo para o outro mago azul.

– Que ninhos? Mandei meus melhores guerreiros exterminarem toda e qualquer ameaça vinda daquela maldita fortaleza – o rei mirou Tauriel de cima a baixo, como que se perguntando se ela havia mesmo lhe dito a verdade ao afirmar que as crias de Ungolianth estavam mortas.

– Não culpe esta dama pela volta das criaturas negras a seu reino, Thranduil – Pallando coçava a barba com o olhar perdido nas paredes de pedra clara que formavam o salão do rei. – elas voltariam de um modo, ou de outro. Querendo você ou não, porém agora sabemos que elas estão sob o comando de um elfo, que por acaso saiu de seu reino.

– Ah claro! Coloque toda a responsabilidade sobre os ombros de Thranduil, filho de Oropher! – o pai de Legolas ergueu os braços ao alto, afundando no trono de carvalho. – Parece que minha fama de tirano foi cantada aos quatro cantos da Terra Média!

– Só recebe o título de tirano, quem faz por merecer – comentou Alatar seriamente, trazendo seu cajado fino para mais perto do corpo.

– Não viemos até aqui para discutir o caráter de meu rei – interveio Tauriel para o espanto dos ali presentes.

– Certo minha cara, continue. – incentivou Pallando.

– Só escapei de ser morta por aquelas criaturas odiosas, porque alguém que eu julgava estar morto, acabou por me salvar – disse a elfa lembrando-se do olhar carinhoso e cuidadoso que o arqueiro lhe direcionara. – acho que todos aqui devem ter ouvido falar de Bard, o arqueiro.

– Os mortos, novamente estão dando as caras no mundo dos que ainda não se foram – Alatar viu o semblante de Kendhra tingir-se de indagação. – talvez a viagem de Marianne até Tom Bombadil nos esclareça também este fato.

– Lembra-se de algum episódio em que Alagos tenha dado sinais estranhos? Fala distorcida, gestos agressivos, olhar perdido? – o outro mago azul questionou, dirigindo sua atenção para Thranduil.

– Nada que me venha a memória no momento – o rei deu de ombros, tentando camuflar o frio que lhe subia pela espinha. – mas lembro de tê-lo mandado para a reconstrução da floresta, ao redor de Isengard.

– Foi depois de retornar da torre onde Saruman administrava seus feitiços que ele tornou-se diferente. – concordou Tauriel.

– Não devia ter feito isso... – murmurou Alatar trocando um olhar cúmplice com o irmão.

***

– Não sabia que os Ents ainda caminhavam por estas terras – comentava Alagos enquanto Barbárvore locomovia-se vagarosamente a seu lado. – meus pais contavam-me histórias sobre você e seu povo.

– Badumbadum, caro amigo elfo, quando eu era jovem seus pais não deviam nem ser nascidos! – cantarolou o olmo fazendo balançar sua barba longa e esbranquiçada.

– Dagoronodrin (A batalha dos Ents) – murmurou Finwe encordoando seu arco ao passo que o grupo de elfos silvestres se aproximava do cenário de destruição que Isengard se tornara.

Onde antes haviam valas, pelas quais corriam ferro derretido, restavam apenas estruturas retorcidas e enferrujadas pela água que varreu as planícies. A torre negra de Orthanc (feita a semelhança de Bara-Dûr) repousava num cenário desolador, no meio da terra estéril, servindo de palco para o conflito memorável que ali fora travado.

– Humhumhamham – os Ents já moviam-se a passadas largas e lentas por entre os escombros, recolhendo as roldanas e estruturas de ferro que eram usadas na forjadura de armas. – meus amigos ajudarão os elfos da Floresta a fazerem seu trabalho!

A comitiva élfica dividiu-se nas várias tarefas que iriam ter de tomar. Alguns recolhiam troncos de árvores mortas, outros vistoriavam o metal restante vendo o que poderiam usar. Havia também aqueles – como no caso de Alagos, Finwe, Mariliel e Vriainu. – incumbidos da tarefa mais árdua: limpar os aposentos de Saruman.

A torre dividia-se em vários níveis, cada nível com um número maior de quartos. Os servos de Thranduil dividiram-se para que pudessem terminar com aquele serviço tenebroso o mais rápido possível.

Alagos e Vriainu seguiram diretamente para o quarto do mago – pelo fato de serem mais velhos e experientes do que os outros e também por ocuparem lugar de destaque na guarda élfica do rei da Floresta Verde. A porta rangeu no momento em que a elfa abriu-a, os cabelos loiros mal agitando-se com seus movimentos rápidos e coordenados. O cômodo permanecerá banhado em escuridão durante todo o tempo passado após a guerra do anel.

O altar onde antes repousara o Palantír de Orthanc formava um estranho pináculo no espaço vazio. Não havia nada ali que não fossem trevas e desolação, o templo de um mago que desvirtuara-se de sua verdadeira missão em busca de poder. O retrato de uma mente perturbada pela ilusão de que um dia viria a reinar, soberano, sobre todos os reinos da Terra Média.

– Aberwerth a ruith, thia um (Depois do abandono e da raiva, aparecerá a real maldade) – murmurou Vriainu continuando a olhar o local.

Alagos nem ao menos escutou os lamentos da elfa, perdido como estava com o que acabara de achar. Os fragmentos do cajado de Saruman ainda estavam espalhados a um canto oculto do salão e deles escorria um líquido negro que logo manchou as mãos pálidas do Sindar. Ele tentou afastar-se jogando os resquícios do poder do chefe da ordem dos Istari para um lado e com isso, gerando um longo corte na mão esquerda. Por aquele ferimento, a essência do mago – que residia em seu cajado. – infiltrou-se na corrente sanguínea de Alagos.

Ele gritou, mas não havia som capaz de sair de sua garganta ressecada. Tudo tornou-se um enorme vazio negro e ele apenas desvencilhou-se do torpor quando lhe acharam caído de bruços e praticamente morto. Também encontraram naquele mesmo momento, o corpo imóvel de Vriainu. A elfa estava morta.

Alagos acariciou os cabelos negros de Almarvarnë. Seria capaz de ama-la se não estivesse tão focado em destruir Marianne Greyhood e todos os membros que restavam da Comitiva do Anel. Seus feitiços de camuflagem tornaram oculta a reconstrução de Mordor, os mesmos fizeram com que os Orcs se multiplicassem como baratas nas escuras tocas e cavernas. Os Uruk-Hais praticamente apareciam por geração espontânea: em qualquer lugar onde houvesse morte e podridão.

A fortaleza negra crescia e seu poder nunca fora tão forte quanto era naqueles tempos.

***

Éothain levantou-se de tratou de ajeitar suas coisas para a viagem que seguiria. Desceu os degraus da escada que levavam até a sala de estar, sem encontrar ninguém com quem pudesse falar, ou sequer tomar o desjejum. Rumou para os estábulos querendo certificar-se que seu cavalo estava pronto. Joe e Mark convidaram-lhe para apreciar seu café de campanha – acompanhado por pedaços de pão com manteiga derretida.

Rohirim prontamente aceitou a hospitalidade oferecida pelos homens daquele mundo antagônico ao seu, lhes fazendo as mais variadas perguntas e obtendo respostas que pareciam-lhe confusas.

– Sirvo a aeronáutica – disse Mark ao que o primo de Éomer franziu o cenho. – imagine voar num pássaro de metal, só que sem asas.

– Seu mundo tanto me encanta como torna minha mente confusa – Éothain sorriu terminando de esvaziar sua xícara de café passado e voltando para o interior da casa.

Aragorn ajustou o cinto e Andúril na bainha simples que fora feita nos tempos em que ainda vagava pelas terras ermas, conhecido como um simples e perigoso guardião. Agora era o rei de Gondor, o maior reino de homens de toda a Terra Média. Passou a mão pelos cabelos – que começavam a se tingir de branco. – lembrando de Arwen e de seu filho raptado.

– Eu fui o único a escutar os roncos de Gimli na noite passada? – perguntou Peregrin, interrompendo os pensamentos do Dunedáin com um enorme bocejo.

– Sorte sua não ter de dormir na companhia de nosso caro mestre anão – resmungou Legolas, que no topo da escada segurava a mochila de Marianne.

– Eu não escutei absolutamente nada, dormi como uma pedra – disse a guardiã sorrindo e terminando de pôr as flechas em sua aljava.

– Achei que um urso tinha invadido a casa – murmurou Meriadoc fazendo Sam rir.

– Mestre hobbit, eu apenas aproveitei a última noite de conforto que teríamos antes de seguir nossa jornada até o velho Bombadil – resmungou Gimli apoiado no cabo de seu machado.

– Todos prontos e acordados? – Margareth limpava os óculos de armação simples na barra de seu blusão.

– Acordados sim, mas quanto a parte de estar pronto... – Sam fez um muxoxo, perguntando-se o que Rosinha estaria fazendo àquelas horas e se seus filhos já teriam acordado.

– Mary, Suzan e Éomer já partiram? – volveu a filha de Tolkien dirigindo a neta um olhar preguiçoso.

– Sim, os dois foram diretamente para a cidade de Edoras – respondeu ela mastigando uma barra de cereal. – Éomer disse-me que Faramir lhe mandou uma mensagem durante a noite, dizendo que já havia chegado a Meduseld junto com Éowyn e seu filho.

– Muito bem, creio que nosso tempo seja curto e que tenhamos muito a fazer – Gandalf mirou o relógio (que marcava seis horas e quarenta minutos). – vamos andando jovens companheiros!

Alícia não viu a partida da irmã mais velha, mas pôde sentir que a energia de Marianne estava afastando-se de si no momento em que a guardiã cruzava a fronteira entre este e aquele mundo. Duas dimensões, unidas para que o equilíbrio de todas as outras seja restaurado e mantido de maneira uniforme. Equilíbrio que jazia abalado por forças obscuras e traiçoeiras, que voltavam a atormentar a Terra de homens, anões, elfos, ents e todas as outras criaturas que compunham os prados criados por Illúvatar.

A floresta rapidamente tornou-se densa e a conversa entre os presentes cessou de imediato. Havia algo opressivo no ar, um misto de medo e raiva. Marianne segurou as rédeas de Trovão – seu antigo companheiro de aventuras, que agora já contava com alguns anos de experiência sobre o lombo negro. – quando este recuou e escaramuçou, dando indícios da aproximação de curiosos ou inimigos.

Gandalf tomou a frente. O cajado branco reluzindo em contraste com suas vestes alvas. A barba que descia quase até a altura da cintura e as botas um pouco sujas de lama seca.

– Mostre-se, sei que esconde-se nas sombras – disse o Istari em tom autoritário.

Frodo subiu a mão para o ombro ferido pelo Rei Bruxo de Angmar. Uma sensação de medo infiltrou-se em suas veias. Era o fogo frio de uma ameaça que estava bastante perto e que os outros não pareciam ter sentido.

A elfa esguia saltou dos arbustos com leveza, pousando em frente a Marianne – cujas facas estavam prontas para uso. Não havia como dizer a qual dos povos élficos a dama pertencia, pois seu rosto jazia coberto por um capuz escuro e largo.

– Thia erui na sâd hym (Aparecer sozinha nesta área é perigoso) – balbuciou Aragorn na tentativa de focalizar a imagem da jovem, que tremulava constantemente confundindo os olhos de todos na comitiva.

– É uma armadilha – sussurrou Frodo ao pé do ouvido de Sam.

– Para um hobbit, até que é bastante esperto, Frodo Bolseiro – ela sorriu fazendo desaparecer as feições delicadas para revelar sua forma nefasta (os cabelos negros presos com duas agulhas negras e afiadas, as pernas longas cobertas pela calça que fundia-se com sua pele grossa e adornada por pelos) – pena que não usou essa sensatez ao cruzar pelos túneis em Cirith Ungol.

O sobrinho de Bilbo sentiu a dor em um ferimento bastante peculiar, causado em sua longa jornada até Mordor. O abdome ainda expunha a cicatriz longa por onde o ferrão de Laracna injetara-lhe veneno paralisante. Ele teve certeza de que era sua velha inimiga que voltava a lhe atormentar.

– Laracna – ela gargalhou desdenhosa. – você era uma das crias de Ungolianth quando a enfrentei! Como tornou-se humana?

– Magia negra meu amigo, magia que apenas magos de minha ordem podem orquestrar – explicou Gandalf ao que a criatura encolheu-se. – em especial um mago que julgava estar morto.

– Saruman – deixou escapar Peregrin.

– Meu novo mestre – concordou ela. – destruirá tudo o que consideram bom e puro, retirará os entes amados e cobrirá a luz da esperança que ainda existe com trevas eternas. – dizendo isso virou-se para Mary.

– Não enquanto eu ainda estiver viva – rosnou a guardiã concentrando a fonte de seu poder nas palmas das mãos e na lâmina de suas facas, que brilharam, incandescentes.

Num movimento ágil, a esposa de Legolas atacou Laracna – esta arrancou de seus cabelos as agulhas compridas, que eram, na verdade, espadas finas e de metal negro. Várias aranhas emergiam da floresta.

Aragorn girou e estocou, saltando por sobre o dorso de um dos aracnídeos e fincando-lhe a espada longa no abdome. Éothain usava sua lança de caça para acertar os animais a longa distância, afastando-os de seus aliados. Os hobbits passavam por debaixo das patas compridas e arqueadas que principiavam-se por sobre seus corpos pequenos, acertando-as no baixo ventre e matando-as de imediato. Legolas tentava ao máximo manter os artrópodes longe de Mary, que movia-se com leveza, sem ao menos dar sinais de que estava carregando no ventre, o filho do elfo.

Gimli lembrou-se das histórias que o pai lhe contara, sobre o dia no qual chegaram a Floresta das Trevas e enfrentaram uma turba de aranhas famintas que queriam a todo o custo experimentar carne de anões. Ungiu seu machado com a fúria do povo de Dúrin e matou cerca de dez animais antes que elas batessem em retirada. Éothain girou o corpo, visando atingir os olhos escuros e pequenos da aranha que estava tentando ataca-lo. Com agilidade incrível o animal conseguiu desviar-se, agarrando a lança com as quelíceras curvas e finas e lançando o Rohirim contra o tronco de uma árvore.

Marianne grunhiu derrubando Laracna em um momento de distração da criatura. Ela deixou que o calor costumeiro fluísse por suas veias e que o espírito da fênix a possuísse por inteiro. A ave apareceu com suas asas envoltas em chamas, os olhos que mesclavam todas as cores do arco-íris, as garras poderosas cobertas por espigões de ouro e prata. Parecia cada vez maior e mais brilhante.

Legolas conseguia descrever com clareza a primeira vez que vira aquela demonstração do poder que a filha de Robert detinha. A força da esperança, a liderança dos que haviam perdido a fé. A belíssima fênix desceu na direção do chão da floresta, evocando uma onda de luz que fez com que os aracnídeos se afastassem. Laracna engatinhou para longe da luminosidade, fugindo para as árvores adiante.

Aragorn fora acudir o primo de Éomer que gemia de dor, escorado ao tronco da faia comprida. O ombro do Rohirim estava deslocado e ele tinha alguns ferimentos no rosto, mas graças a Illúvatar, nada mais grave ocorrera.

***

Alícia acordou ofegante. Sonhara com uma torre escura, onde uma elfa jazia presa, em completo isolamento de seu mundo belo e colorido. Suspirou controlando os batimentos cardíacos acelerados e passando as mãos pela testa banhada em suor. Só então percebeu que a temperatura caíra drasticamente no interior de seu quarto. Flocos de neve que formavam desenhos geométricos, caíam do teto e forravam o chão e a cama da irmã de Marianne.

O mais intrigante era o fato de que a menina não sentia frio. Pôs os pés no chão branco e gélido e caminhou na direção da porta. Tinha certeza de que o sol brilhava forte no lado de fora do casarão da avó e era diretamente para lá que a garota estava indo. Desceu as escadas e não encontrou nada e nem ninguém no andar inferior. Os pés pequenos arrastaram o corpo magro até a porta de entrada e ela a abriu.

A neve cobria tudo, toda a extensão onde os olhos podiam alcançar. Alícia sorriu girando nos calcanhares e fechando os olhos. Aproveitou a sensação de liberdade que a paisagem hostil lhe proporcionava. Outra visão lhe atingiu.

A praia de areias brancas. O elfo magro e alto, de cabelos negros como a mais escura noite e a mulher loira e bela, que a menina prontamente reconheceu como sua mãe. Além dela havia um grupo completo de treze anões, um homem de cabelos castanhos que iam até o queixo largo, uma elfa que muito se assemelhava a Legolas e um urso de pelo castanho.

Alícia gritou, na esperança de que algum deles a escutasse, entretanto, nada aconteceu. Ela pensou que poderia estar naquele local maravilhoso apenas em estado de espírito e não em momento físico e, por isso não poderia trocar nenhuma palavra com aquele grupo distinto. A neta de Margareth aguardou seu corpo seu puxado de volta a realidade... O que era o mundo real? Naquele instante, não parecia nada, se comparado ao mundo belo que a garota conhecera.

Notou que alguns dos anões estavam desaparecendo lentamente, mas não aparentavam sentir medo da situação. O corpo de sua mãe também parecia um pouco fino e translúcido, como se ela fosse esticada e distribuída entre duas dimensões completamente diferentes.

De fato, os mortos estavam retornando a seu antigo mundo. Estes conhecidos como: Bard, Beorn, Wilwarin, Katherina, Óin, Balin, Kili, Fili, Thorin, Dwalin, Bofur, Bifur, Bombur, Dori, Nori, Ori... As chaves para o conflito que estaria por vir. Trazer de volta a vida aqueles que já tiveram suas histórias interrompidas de maneira trágica era o segredo para impedir que o mal retornasse a Terra Média e Marianne logo descobriria este fato.

A neta de Meg sentiu a sonolência voltar a abatê-la. A escuridão caindo sobre si de modo hipnótico. Fechou os olhos e tornou a abri-los. Não estava no pátio de Green Valley e muito menos havia saído de seu quarto. Além disso, não haviam indícios de que, sequer, houvesse aberto a porta.

Notas finais
Comentários?? Beijocas da Alatariel!