Wait Me Forever...
2 Novidades e Perturbações
Notas iniciais
Espero que gostem deste novo capítulo e perdoem-me por demorar a postar, as provas reiniciaram e o tempo está mais corrido!
Aproveitem!
Quatro anos, esse é um longo tempo que pode abrigar diversas situações e sentimentos. Para Marianne Greyhood os quatro anos que passaram-se desde o fim da Guerra do Anel foram de felicidade e realização pessoal.
Casara-se com Legolas o homem que mais amava no mundo, formara-se em veterinária e construíra uma clínica no centro de Toronto, fazendo escala entre o mundo urbano e rural ao ir e vir de sua casa.
Aragorn e Arwen haviam tido seu primeiro filho dois anos após seu casamento, Eldarion era um belo menino de olhos azuis e cabelos escuros do qual Mary e Legolas eram padrinhos. Suzan tornara-se editora chefe do principal jornal da capital da província de Ontário e dividia-se entre sua rotina atribulada e seus encontros com Éomer.
Margareth partira em viagem até a Última Casa Amiga no Oeste (ou Valfenda como preferires), com a intenção de rever seu velho amigo Bilbo que sucumbia a um súbito surto de velhice.
Superficialmente, a situação pareceria bastante estável, porém para um observador mais astuto os detalhes mais simplórios teriam um grande peso, entre estes detalhes estava uma funesta sombra que tornara a rondar as fronteiras do reino de Thranduil.
Ouviam-se relatos, retratados por Meriadoc e Peregrin sobre ataques de Orcs nas redondezas do Beirágua e alguns hobbits chegavam a cogitar que Sauron deixara um possível herdeiro para atormentar a Terra Média.
Fazia frio e uma camada espessa de neve cobria a entrada da garagem da casa de Legolas e Marianne, um pálido e remoto sol teimava em aparecer por detrás das nuvens cinzentas dispostas de maneira irregular num céu hibernal.
Marianne mexeu-se sob as grossas cobertas que aqueciam-lhe o corpo, suspirou espreguiçando-se e tateando o lugar a seu lado, que neste dia estava vazio.
Abriu os olhos já de cenho franzido e expressão contrariada, Legolas não estava a seu lado e em seu lugar estava um pequeno bilhete escrito em papel pardo e contendo a fina e delicada caligrafia de seu marido.
Tae (Amor), sinto não estar a seu lado no momento em que acordares para dar-lhe bom dia, mas minha falta se dá por motivos preocupantes. Soube por meio de um informante de meu pai que Mirkwood está sendo rondada por hordas de Orcs e por isso tive de ausentar-me por hora.
Peço que compreendas a gravidade desta situação e que não preocupe-se comigo, estarei a teu lado antes da hora do almoço.
Melynel (Amo você). Legolas...
A jovem caminhou a passos lentos até a janela, encostando-se ao vidro frio e úmido de orvalho matutino distinguindo uma mancha escura que assomava-se a distância. Há algum tempo poderia afirmar que a maldade do Senhor de Mordor crescia, mas aquela lhe parecia uma afirmação estúpida devido ao fato de Sauron ter sido destruído.
- Só espero que fique bem... — sussurrou a moça
Soltou o bilhete sobre a mesa de cabeceira cobrindo os braços desnudos com um longo roupão e alcançando o corredor que dava acesso a escada.
Porém uma súbita vertigem atingiu-lhe as vistas, forçando-a a apoiar-se na parede a sua esquerda, a queimação na boca de seu estômago estava causando-lhe náuseas. Deixou-se escorregar ainda com as costas escoradas a parede, pôs a cabeça entre as pernas respirando com dificuldade.
O incômodo pareceu ceder, Mary tornou a avançar na direção da cozinha, e para sua surpresa a mesa do café estava posta, a chávena fumegava espalhando as fragrâncias adocicadas do líquido em seu interior.
Com receio de tornar a sentir-se mal, a esposa de Legolas restringiu-se a comer lembas e beber alguns poucos goles de chá, após aprontou-se colocando diversas camadas de roupa para proteger-lhe do frio.
Com as mãos enregeladas, encerrou-se no interior aquecido da Ford Ranger que havia ganhado como presente de casamento de seu pai, girou a chave na ignição ouvindo o protestar do motor de 173 cavalos.
Acelerou ganhando terreno numa das estradas que interligavam sua casa a fazenda de sua avó, pensara em fazer uma visita a Margareth e também rever Joe e Mark.
Mas sua empolgação foi substituída por uma angústia sufocante no momento em que os vários pinheiros que margeavam a rodovia tornaram-se um indistinto borrão, causando-lhe mais uma dose de náuseas.
Retirou o pé do acelerador, parando no acostamento e escorando a cabeça no banco do motorista, abriu a porta deixando que o ar gelado inunda-se o interior do carro, sentada com as pernas do lado de fora da caminhonete pode distinguir o barulho de pneus saindo da estrada principal.
Não ousou porém, virar-se para ver quem talvez viera lhe prestar socorro saindo trôpega do interior do robusto automóvel para espairecer, apoiou as mãos trêmulas nos joelhos arfando devido a vertigem que insistia em abater-lhe.
- Sente-se e ponha a cabeça entre os joelhos — fora o conselho do estranho salvador (na verdade uma bela e imponente mulher)
A garota assentiu sentando-se perto de onde havia parado o carro, um rosto desconhecido tomou-lhe a visão, uma amigável e imponente mulher aparentando ter trinta e poucos anos analisava a moça minuciosamente.
- Está sentindo-se melhor? — perguntou ela ao que Marianne aquiesceu
- Obrigada, mas nós conhecemo-nos? — questionou a Guardiã curiosa tornando a erguer-se
- Creio que não, sou Kendhra — estendeu-lhe a mão protegida por uma grossa luva de couro escuro
- Marianne Greenleaf — respondeu a esposa de Legolas — agora que estou melhor, acho que tornarei a meu curso.
- De jeito nenhum — protestou Kendhra franzindo as sobrancelhas e cruzando os braços sobre o peito — ainda estás pálida, para onde estava indo antes de sentir-se mal?
- Green Valley — respondeu Mary — resolvi fazer uma visita a minha avó...
- É neta de Margareth Tolkien?
- Conhece minha avó? — perguntou a moça simpatizando com a outra
- Mas é claro, somos amigas de longa data — Kendhra riu-se passando as mãos pelos cabelos crespos — é uma honra conhecer a guardiã da Terra Média — fez-lhe uma reverência.
- A honra é minha, desculpe-me a indiscrição, mas não aparentas ter mais do que trinta anos, entretanto disse-me ser amiga de longa data de minha avó e... — o cortante vento interrompeu-lhe a fala
- Vou lhe dar uma carona até Green Valley — declarou Kendhra por fim — tenho um amigo que é dono de um guincho, posso ligar para ele buscar seu carro.
- Ótimo — aquiesceu a jovem — assim poderemos conversar.
- Tudo bem — tornou a outra sacando o celular do bolso interno do casaco
Ambas adentraram o veículo Kendhra já discutia com o tal amigo acertando os detalhes da busca do carro e dizendo-lhe que não se preocupasse com o pagamento.
- Como lhe dizia antes, conheci sua avó quando Radagast o Castanho encontrou-se com a companhia de Thorin durante sua jornada até Erebor — continuou a contar a mulher
- Então tens mais de cinquenta anos? — Marianne principiava a ficar curiosa
- Sou uma Dunedáin, e como deves saber nós, o povo do norte, envelhecemos vagarosamente, a idade atingi-nos a mente, mas demora a atingir-nos o corpo — Kendhra fez uma curva fechada, já podiam visualizar a ponte de madeira que dava acesso a fazenda de dona Meg
- Sou filha de Ereneth e Roger, minha mãe era uma dunedáin e meu pai um guia de excursão que subitamente desapareceu seguindo uma trilha que margeava os Andes. Ele sofrera um grave acidente, foi encontrado por meu avó que levou-o até Númenor onde conheceu minha mãe.
- Os dois casaram-se e meu pai nunca mais retornou ao nosso mundo, sou fruto deste amor inesperado, que teve um trágico fim. Kendhra fez uma pequena pausa (a esta altura os altos portões de Green Valley assomavam-se a frente) — Meus pais foram mortos por Orcs durante um ataque, fui encontrada por Radagast com quem passei a morar desde então.
- Gandalf nunca mencionou-me esta história — objetou Marianne
- Tampouco Radagast o faz, realmente não sei o que temem com relação a mim ela riu-se displicente — chegamos.
Os portões foram abertos, uma figura alta e robusta já corria na direção do carro, Mark já não aparentava mais os traços infantis, os cabelos rebeldes e compridos foram cortados rentes a nuca, o garoto havia entrado para a aeronáutica e isso lhe exigia certa seriedade no semblante.
- Hã, pois não? — disse ele espremendo-se na abertura da janela — Mary?
- Oi Mark! — saudou a garota com um rápido aceno de cabeça — Kendhra este é Mark, Mark esta é Kendhra.
- Creio termos nos visto pouco antes de você e sua família virem para Valley — respondeu a Dunedáin
- Seu rosto não me é estranho — concordou o rapaz esfregando as mãos desnudas e abrindo um belo sorriso — entrem, vou chamar Dona Meg.
A caminhonete parou rente a varanda rústica e aconchegante do sobrado, a cadeira de balanço onde Margareth costumava sentar-se jazia vazia, porém não por completo, por haver sobre o estofado macio um grosso livro.
Marianne aproximou-se, pegando o exemplar de O Hobbit que trazia um pequeno pedaço de papel branco marcando o capítulo Da Frigideira para o Fogo. A jovem riu lembrando-se de que sua avó havia vivido todos aqueles fatos.
Margareth caminhava com altivez na direção das duas damas, as galochas azuis atolavam na neve profunda que acumulara-se no vasto gramado, além de Mark uma outra figura acompanhava a filha de Tolkien.
- Mary! Kendhra! — saudou a hospitaleira senhora envolvendo as donzelas num abraço — Uma surpresa em dose dupla para um velho e cansado coração!
- É ótimo vê-la vó — sorriu-lhe a neta
- Sabes que é sempre um prazer reencontra-la Sra. Tolkien — disse Kendhra
- Bem, parece que hoje é o dia de recebermos visitas — comentou Meg — creio que deves conhecer Alagos. — afirmou dirigindo-se a Marianne
- Claro, como vai? — perguntou a jovem de maneira educada ao elfo
- Bem, minha senhora, porém poderia estar melhor — o subchefe da guarda de Thranduil olhou ao redor — este não é o local mais adequado para falarmos.
Todos acomodaram-se na sala de estar aquecida pela lareira que abrigava um crepitante fogo, Kendhra parecia inquieta.
- O que aconteceu afinal Alagos? — perguntou a filha adotiva de Radagast
- A Floresta Verde está doente novamente — respondeu o elfo com pesar — há uma nefasta sombra cobrindo o verdor das folhas, uma voz maligna contamina o ar, o mal retornou.
Marianne engoliu em seco, a cor que já tentara fugir-lhe das faces agora sumira completamente, o retorno de um mal que aparentemente estava extinto, lhe pusera em alerta e lhe pegara de súbito.
- Você está bem Anne? — perguntou Mark segurando a moça pelos ombros
- Só preocupada — respondeu desabando no sofá com o rosto entre as mãos sentindo lágrimas quentes escorrerem pelas faces
- Desculpe-me Senhora, não pretendia deixa-la assim — perdoava-se Alagos
- Não há o que desculpar-se, só quero saber de meu marido — volveu a morena tornando a sentir o estômago embrulhar-se
- O Príncipe permanecera em reunião com o rei quando dirigi-me para cá, está em segurança, eu lhe garanto — respondeu-lhe o elfo ainda manifestando preocupação
- Eu... — balbuciou Marianne sentindo a bile subir por sua garganta
Disparou na direção do banheiro, com Mark Em seus calcanhares, ficou grata por ter o amigo para amparar-lhe enquanto vomitava violentamente.
O suor frio escorria-lhe pela nuca, Kendhra tomou o lugar de Mark segurando os longos cabelos da jovem enquanto esta arfava a escorava-se ao material frio do vaso sanitário.
- Já estou bem — murmurou ela sentando-se ao lado do box com os olhos da astuta Dunedáin ainda sobre si
- Desde quando estás sentindo este incômodo? — questionou-lhe a outra
- Há dois ou três dias, mas como temos um histórico de labirintite na família pensei que poderia ser uma crise inicial — esclareceu
- Mary, meu bem o que está ocorrendo com você? — veio socorre-la Margareth
- Não sei vó — a moça tentou sorrir — acho que foram emoções demais por hoje.]
- Realmente não queria vê-la neste estado — tornou a desculpar-se Alagos
- Não é culpa sua, já lhe disse — ralhou a Guardiã — acho que preciso me deitar um pouco.
- Mark, poderia fazer o favor de levar minha neta para o quarto? — perguntou dona Meg
- É claro — aquiesceu o rapaz passando um dos braços pela cintura da jovem enquanto o outro passava-lhe por detrás dos joelhos alçando-a no colo — segure-se firme Anne, você não é mais tão magra quanto era a alguns anos atrás!
- Ora fique quieto! — riu-se a esposa de Legolas dando um breve tapa no ombro moreno do filho de Joe
***
- Legolas, parecias um pouco distraído — comentava Tauriel ao passo que caminhava lado a lado com o filho de Thranduil
- Preocupado com Marianne, algo aperta-me o peito — respondeu o loiro soltando um suspiro — só espero que ela esteja bem.
- Sua esposa sabe como defender-se e está cercada de pessoas que a querem bem — tornou a elfa (chefe da guarda élfica da Floresta das Trevas e uma amiga de longa data de Legolas)
- Sei destes fatos Tauriel, porém não tê-la por perto põe meu coração inquieto e inseguro — o elfo olhou ao redor já divisando as fronteiras de Mirkwood
Um forte vento bateu-lhe contra o rosto trazendo junto de si o cheiro fétido da maldade e a funesta voz que perturbava os habitantes daquele inóspito local.
Legolas apertou o colar de Fênix junto ao peito, pensando em como a esposa estaria e já pressentindo que algo estava errado.
Notas finais
Bjoss
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