Notas iniciais
Mil perdões por ter-lhes feito esperar, o fato é que cidades do interior tendem a ter problemas com a internet (o que me deixa louca!), fiquei sem internet durante alguns dias e por isso não pude postar! Espero que me perdoem, mas aí está mais um caítulo, para os que ficaram com a "pulga atrás da orelha" sobre os fatos ocorridos em Mirkwood, terão uma breve explicação.
Espero que apreciem, e mais uma vez perdoem-me!

Alguns seres nascem com Magia incrustada em seus corações
pertencente a seu ser e conjugada a seu íntimo. Nos tempos da inquisição estas pessoas dotadas de dons eram chamadas de bruxas e feiticeiros, sendo assim condenados e mortos.

Porém na Terra Média, os Istari não eram considerados anormais, mas sim anormalmente sábios como seu nome bem diz, além de serem munidos de capacidades que ultrapassam nossa vaga compreensão.

Alguns poucos são citados em livros ou pergaminhos (como queira), enquanto outros foram de fundamental importância antes e durante a Guerra do Anel, entre estes posso lhes citar Saruman O Branco e Gandalf antes chamado de O Cinzento e agora também conhecido como O Branco.

Gandalf fora a prova viva, de que a magia dos Istari perpetua-se mesmo quando são mortos, vindo a contaminar outros seres que por perto estão, ou tornando a possuir o corpo do mago de forma mais pura e elevada.

Ao despencar de uma altura extremamente alta e ser transpassado por uma roda dentada, Saruman teve sua essência mágica extraída e perdida nas águas que lavaram Isengard. Esta essência arraigou-se ao solo, esperando por um hospedeiros como um verme que instala-se em um cadáver.

E quando este hospedeiro chegou, não perdeu tempo, enegrecendo seu coração e despertando em seu âmago tamanha sede por poder que fez com que uma nefasta sombra fosse desperta em Mirkwood...

Este hospedeiro está próximo, tem várias faces e nomes, porém será difícil identifica-lo no decorrer desta história...

***

- Nin Arod! (Rápido Arod!) — pedia um impaciente elfo sentindo o vento assoviar-lhe pelos ouvidos, mesmo sabendo que o amigo estava dando o máximo de si

Legolas não separara-se mais do companheiro que serviu-lhe de montaria nas planícies de Rohan, levando-o para viver na fazenda de Margareth junto de Trovão, uma ideia apoiada e aprovada por Marianne.

Passou pela ponte que transpunha o Rio Encantado (Rio da Floresta), quando foi surpreendido por uma excêntrica figura, que apoiada em seu cajado travava uma incomum conversa com um belo pássaro vermelho.

- Eu sei, já disse-me isso um milhão de vezes! gritava o mago exasperado — Vou avisar...Olhe! Ali está ele! — apontou para o elfo que parado admirava a cena

- Radagast? O que o trouxe tão próximo da entrada dos Salões de meu pai? — questionou o filho de Thranduil

- Este caro amiguinho trouxe-me uma mensagem referente a adorável Marianne — respondeu-lhe o Istari

- Mary? O que há? — volveu Legolas preocupado

- Não afobe-se meu rapaz, só precisas saber que sua esposa está na casa de Margareth Tolkien — acalmou lhe o mago

- Obrigado por avisar-me — o elfo sorriu tornando a alçar-se sobre o dorso de Arod e disparando na direção de Green Valley

Galgou então uma ressequida extensão de terra, conseguindo devido a sua apurada visão distinguir o distante vulto do sobrado no qual casara-se com Mary. Com delicadeza, puxou as rédeas finas de Arod forçando o animal a fincar as patas ao solo freando de forma brusca.

- Le hannon Mellon nin (Obrigado meu amigo) — agradeceu o filho de Thranduil acariciando a crina sedosa do alazão

Principiou-se a transpor a cerca, tomando o cuidado de não enganchar as vestes no arame que compunha os limites da fazenda, logo já não apresentava-se mais como um elfo, mas sim como um homem de no máximo 26 anos, belos de hipnotizantes olhos azuis e claros cabelos loiros.

Fez o caminho que desembocava nos fundos do robusto celeiro, mal conseguira admirar o lago que agora jazia congelado formando uma superfície propícia à patinação.

Joe tentava aquecer-se conforme transportava fardos de feno e alfafa para dentro do galpão, os cabelos brancos agora tingiam lhe quase toda a cabeça e as marcas de expressão denunciavam-lhe a idade avançada.

- Queres ajuda? — solidarizou-se Legolas

- Ah meu rapaz! Como é bom vê-lo! — saudou-lhe o caseiro com um abraço carinhoso — Veio ver Marianne, como soube que ela...bem, você vive num mundo diferente não é? — concluiu respondendo a própria pergunta

- O que houve com Mary afinal? — questionou o elfo esfregando as mãos

- Parece que teve uma indisposição vindo para cá, mas foi socorrida por uma amiga de Margareth — respondeu Joe tornando a trabalhar — parece que Dona Meg tem vários amigos espalhados por aí.

- Obrigado por avisar-me Joe — Legolas sorriu-lhe

A passos rápidos atingiu o pátio do sobrado a tempo de ver um grande guincho soltar a caminhonete que havia lhe sido dada de presente, um homem dotado de um longo bigode negro conversava com uma bela mulher.

Legolas aproximou-se sendo logo notado por ambos, estes despediram-se e após o dono do guincho já retornara a seu veículo deixando-os a sós.

- Legolas Greenleaf? — perguntou a dama estendendo a mão

- Sim, e quem seria a senhorita? — questionou o Sindar a franzir o cenho

- Kendhra, fui adotada por Radagast, nunca chegamos a ver-nos, mas creio ter ouvido falar de mim — apresentou-se a morena de forma cortes

- Ah claro! — exclamou o loiro sorrindo — A Dunedáin encontrada em Valle após o ataque de Smaug O Terrível.

- Exatamente, mas creio estar preocupado com sua esposa. Acompanhe-me.

Adentraram o cômodo onde podia-se notar visivelmente a mudança de temperatura. Mark estava abaixado junto a lareira revolvendo as pedras de carvão que garantiam o calor e o conforto dos hóspedes, Alagos permanecia calado a um canto.

- Olá Mark — cumprimentou Legolas sendo correspondido com um aceno de cabeça

- Como vai? — perguntou-lhe o moreno

- Alagos, vejo que cumpriste as ordens dadas por Tauriel — objetou o filho de Thranduil

- Meu senhor? Não cheguei a reconhece-lo de imediato — fez-lhe uma vênia

- Legolas? — Margareth vinha descendo as escadas de mogno que davam aceso ao andar superior — Graças aos céus! Marianne já estava ficando ansiosa para ver-lhe.

- Onde ela está Sra. Tolkien? — quis saber o elfo retirando o colar que pendia-lhe o pescoço e tornando a aparentar as feições élficas

- Segunda porta a direita — localizou lhe a bondosa senhora — acalme-se meu querido, se meu diagnóstico estiver certo não ficarás com esta cara de preocupação por muito tempo.

Legolas franziu as sobrancelhas finas caminhando pelo comprido corredor, agarrou-se a maçaneta da porta do quarto onde sua esposa estava como se sua vida dependesse deste ato, sorriu ao encontrar Marianne estendida no leito com uma manta a cobrir-lhe as pernas.

A Guardiã sorriu-lhe, erguendo-se de salto sem preocupar-se com a vertigem que lhe havia tomado conta da mente e beijando com alívio os lábios macios do parceiro.

- Salbaer, Aia nin (Doce guardiã, minha esposa) — murmurou Legolas sentando-se e deixando que Mary escorasse a cabeça em seu ombro

- Senti sua falta pela manhã — falou a moça num suspiro — como estão as coisas na Floresta das Trevas?

- Nada de falar sobre tais assuntos agora, diga-me o que ocorreu — pedia o elfo erguendo o queixo da jovem para olhar-lhe nos olhos

- Senti-me mal no trajeto até aqui, mas Kendhra socorreu-me — Mary baixou o olhar para o tecido macio que encobria a cama sentindo os olhos marejarem

- Mary? O que há? — Legolas envolveu-a nos braços sentindo a esposa estremecer a cada soluço

- N-n-não sei... — balbuciava ela — est-tou sentindo-me tão...estranha.

- Estranha? De que modo? — volveu a perguntar o Sindar

- Se tivesse palavras para explicar-te — regozijou-se a moça agarrando-se ao marido — só peço que abrace-me.

- Levar-te-ei ao médico, não gosto de ver-te deste modo — afirmou Legolas resoluto

- Estou bem, eu juro — tornou Marianne sisuda, armando uma cara de indignação

O elfo riu desenhando os lábios da moça com o dedo indicador, ela pegou-lhe uma das mãos aproximando-se vagarosamente e envolvendo o marido num beijo ardente.

Rolou por sobre a colcha prendendo o filho de Thranduil sob seu corpo esguio porém forte, quando ambos estavam a ponto de cometerem um ato mais fervoroso a porta abriu-se num rompante.

- Pelo amor dos Valar! Neste quarto e nesta casa não! — gemeu Margareth pondo a mão enrugada em frente aos olhos — Ainda mais estando Marianne debilitada!

O casal riu voltando a levantar-se, Legolas fechava os botões de sua camisa de linho e Mary fingia um súbito interesse em suas botas de montaria.

- Marquei uma consulta para você querida — avisou a senhora agora mais calma, embora ainda não tivesse tirado o sorriso das faces — não adianta olhares-me com esta cara Marianne, além do mais o pai de Suzan é um ótimo médico.

- Tudo bem vovó, não vou discutir com a senhora, sei que quando pões uma ideia na cabeça, não há o que lhe faça parar — concordou a moça

- Você pode ir junto meu rapaz, mas tome o cuidado de não retirar o colar de Mary — aconselhou Dona Meg — Kendhra está de saída, acho melhor irem despedir-se.

A dunedáin estava escorada no capô de sua caminhonete, o olhar distante e o cenho franzido denunciavam sua preocupação, olhava na direção da floresta mais além onde um dia a escuridão instalara-se e para onde ela retornara.

- Kendhra! — a jovem mulher girou o tronco na direção da voz sendo envolvida num abraço carinhoso por Marianne — Muito obrigada por ter-me auxiliado.

- U-moe edaved Mary (Não há o que agradecer Mary).

- Agradeço por trazer minha esposa até um local seguro — Legolas apertou-lhe a mão de maneira educada

- Ora, creio que teriam feito o mesmo por mim — considerou por fim já desaparecendo no interior do automóvel — espero nos vermos em breve!

- Até mais ver! — acenou-lhe Margareth

***

A dama dos Galadhrim tinha os olhos pousados no conteúdo fluido de uma brilhante bacia de prata, a água tremulava ao toque cadenciado do vento tornando a visão um pouco turva.

A esguia elfa tinha a expressão séria e seus lábios contraíram-se numa linha fina, demonstrando o medo que lhe tomava o coração, pois sabia que o prelúdio de guerra aproximava-se.

- Minha Senhora — falou-lhe o marido tirando-a dos devaneios — o que vês?

- Algo que traz-me alegria e tristeza, Celeborn temo por Marianne — respondeu-lhe Galadriel sem desgrudar os olhos de seu espelho

- Há algum tempo que pressentias que o mal retornara, mas não vejo como isto possa interferir na vida de nossa querida Guardiã — objetou o senhor de Lothlórien acariciando as mãos da esposa

- Várias miscigenações deram origem a novas raças, Elrond Peredhil é um exemplo vivo, porém um fruto provindo de uma portadora de grandes poderes e de um ser iluminado (neste caso um elfo) pode ser uma fonte de dotes ilimitados — continuou Galadriel em tom soturno

- Queres dizer então que Mary...

- Sim meu querido, Marianne carrega vida dentro de si — aquiesceu a elfa escorrando a cabeça dourada no ombro de Celeborn, impedindo assim que este visse que lágrimas lhe escorriam pelo rosto angelical — e mesmo antes de nascer, esta pequena vida corre perigo.

- Precisamos tomar alguma atitude, temos de protege-la -afirmou Celeborn resoluto

- E como poderemos? Nem ao menos sabemos quem está operando a odiosa magia negra que cai sobre a Floresta Verde. Como poderemos proteger Marianne de algo que nem ao menos fazemos jus do que se trata? — agora o choro lhe irrompia com maior vigor, soluços percorriam o corpo da elfa

- Nin Tae (Meu Amor)- o rei de Lothlórien ergueu o rosto da esposa limpando-lhe as lágrimas e assustando-se com tamanha emoção — não chores, vamos proteger nossa pequena menina, vamos acalenta-la como sempre fizemos...

- Le hannon... (Obrigada) — sussurrou Galadriel em júbilo tornando a chorar

Notas finais
Mereço reviews? Será que a demora valeu a pena?
Bjoss