Notas iniciais
Ladies and gentlemen! Sinto cheiro de capítulo novo! Como prometido eu estou voltando a ativa meu povo! Espero que gostem desse retorno e pretendo postar mais dois chapters ainda esta semana! Enjoy it!

O cavaleiro continuava a galgar na direção da cidade branca. Os cabelos longos esvoaçavam a brisa fresca. Uma dama encontrava-se sentada sob um abeto que curvava seus galhos na direção do solo numa tentativa de escorar-se. Ela ergueu os olhos quando o desconhecido enfim entrou em seu campo de visão.

– Desculpe-me interrompê-la minha senhora, mas poderia informar-me como chegar até os reis de Gondor? – Éothain apeou retirando o elmo adornado com a crina de um cavalo baio.

A mulher usava um longo mato azul. Os lábios finos ficavam aparentes apesar da cobertura que a roupa lhe proporcionava. Ela se ergueu, ficando quase da altura do homem que continuava a respeitar seu silêncio. Erguendo as mãos até as abas de seu manto, Arwen fez com que o Rohirim visse então seu belo e delicado rosto.

– Estás diante da rainha da Cidadela Branca, meu senhor – a filha de Elrond parecia intrigada com a vinda do guerreiro para suas terras. – levante-se e diga-me, como se chama?

– Éothain, minha senhora – disse ele ainda sem desgrudar os olhos da face bela da esposa de Aragorn. – vim segundo as ordens de meu primo, Éomer, devo ajudar-lhes a encontrar o pequeno Eldarion.

Arwen sorriu, o pingente em seu pescoço brilhava contra o sol. – Pois então me acompanhe, meu marido ficará feliz em vê-lo.

O rapaz ficou indeciso quanto ao que fazer. Não deveria em hipótese alguma pedir que a filha de Elrond galopasse na garupa de seu cavalo. Isso seria um insulto ao rei de Gondor e também àquela belíssima dama. Segurou o animal pelas rédeas e rumou a passos silenciosos enquanto Arwen marchava a sua frente.

***

– Ah querido, não queria que você se envolvesse nessa história novamente – resmungou Iris vendo Frodo retirar ferroada de dentro de um velho baú e desembainha-la a altura dos olhos.

– Não queria ter de passar por isso também – o hobbit suspirou envolvendo a companheira num abraço, a cabeça apoiada em seus cabelos negros. – mas Marianne precisa de mim, maus amigos precisam que eu vá.

– Eu sei, só tenho medo do que pode acontecer – ela beijou os lábios do sobrinho de Bilbo lembrando-se de quando haviam se conhecido. – prometa que vai tomar cuidado, Frodo.

– Eu voltarei vivo para seus braços, vai me esperar no pórtico de entrada do Condado, como fez da vez em que fui com Meriadoc ao outro lado do Beirágua. – ele sorriu pegando sua mochila e seu cajado e dedilhando o rosto de Iris uma última vez.

– Vou preparar o melhor jantar de sua vida e também a melhor ceia – deu-lhe um beijo demorado e então viu o hobbit desaparecer pela porta de entrada.

Apoiou-se na mesa de refeições tentando reprimir o choro que teimava em apertar sua garganta. Os olhos marejados, a tontura e o sofrimento tinham voltado a marcar seu coração. Perdera o pai e o restante da família durante a guerra do anel e sem dúvida não suportaria perder o homem que amava.

***

Marianne terminou de organizar as coisas em sua bolsa de viagem. Todos os pertences dos quais precisaria na jornada até a casa de Tom Bombadil. Tomou nas mãos as facas que ganhara de Legolas quando haviam se conhecido em Lothlórien e deu-se ao luxo de sorrir. As mãos passaram suavemente sobre a barriga que nem ao menos começara a aparecer. Andou até sua gaveta de roupas íntimas e achou ali dentro algo que fez seu coração parar por alguns mínimos instantes.

Sapatinhos minúsculos e de um cor de rosa intenso estavam cuidadosamente aninhados entre uma confusão de calcinhas e sutiãs. Um bilhete estava no interior de um dos sapatos. A caligrafia bonita e caprichada – podia imaginar o modo como ele escrevera aquilo. – e em poucas palavras resumiu uma vida de sentimentos: Te amo desde o momento em que a vi cantar, cercada pelas Ellanor em Laurelindonórien.

– Pensei que fosse gostar, na verdade Kendhra os escolheu – Legolas surgiu no quarto sem ao menos fazer barulho e beijou o pescoço da esposa. – só escrevi o bilhete.

– Só? Diz isso como se este bilhete não valesse nada para mim – Mary deu um tapa no ombro do elfo que baixou os olhos sentindo-se constrangido pelo comentário. – Os sapatinhos de nossa filha são lindos, mas o seu bilhete é algo que não pode ser comprado, vendido ou trocado por nada. Nosso amor não é material e sim transcendental e espero que possamos ensinar isso a esta criança.

Ela deslizou a mão pela barriga sentindo as mãos do elfo também passarem por seu corpo. Ele sorria e com os olhos fechados desceu os lábios até os da guardiã que embebeu-se na sensação de segurança que ele lhe proporcionava.

– Vamos partir pela manhã, seguiremos o caminho que sua avó acho para chegar a casa do velho Bombadil – Legolas auxiliou Marianne a terminar de pôr as roupas em sua mochila. – não quero passar pelo Salgueiro Lutador.

A guardiã sorri fracamente tornando a colocar mais um blusão grosso de lã no interior da bolsa de viagem. O filho de Thranduil franziu o cenho, pegou as mãos da esposa e forçou-a a retirar a enorme quantidade de roupas de inverno que a jovem guardava.

– Pensei que estivesse nevando lá fora – Mary apontou com um gesto leve de cabeça a janela que dava para o pátio coberto de neve da casa.

– Mas esqueceu-se que nesta época do ano é primavera na Terra Média. – o elfo deu uma piscadela, abrindo o roupeiro e pegando algumas roupas leves, que entregou nas mãos estendidas de Marianne.

***

Kendhra apoiou a cabeça nos joelhos, massageando a mão que fora cortada por Thranduil durante o ritual que desvendou o mapa. Fechou os olhos sentindo a brisa que entrava pela janela aberta da choupana de Radagast. Não tinha participado da guerra do anel de forma direta, mas já havia duelado contra Uruk-hais, Orcs e crias de Laracna, impedindo que chegassem até os portões dos elfos.

Um pequeno ouriço escondeu-se debaixo da cadeira onde ela estava sentada. Vendo o animal fugir daquela forma, não pôde evitar lembrar-se do dia em que Valle fora atacada por Smaug. O fogo que vinha de todos os lugares e ao mesmo tempo de lugar nenhum. As pessoas que corriam, outras que caíam e eram pisoteadas por centenas de famílias que tentavam fugir. Sua boneca, sendo pisoteada por milhares de pés. A boneca que fora presente de seu pai no aniversário de dez anos, a boneca que ela perdera naquele dia.

Sentiu o típico nó na garganta quando reviveu o exato momento em que a mãe surgiu correndo e puxando-a pela mão – no momento em que perdera sua boneca. — para dentro de sua casa, uma das poucas que ainda não haviam sucumbido ao fogo. Levou-a até um alçapão e pediu que ela não saísse até que o barulho, os gritos e os passos cessassem lá em cima. Ela assentira e esperara sozinha, sentindo que nunca mais veria seus pais e muito menos seus amigos. Estava sozinha e no escuro.

Acabou adormecendo e só acordou quando o cheiro de fumaça começou a irritar seus pulmões. Ela esfregou os olhos e subiu a escada de madeira com calma. Tocou o ferrolho de metal que abria o alçapão. Estava quente, como se também tivesse sido acometido pelas labaredas que surgiam da garganta de Smaug. A luz do sol feriu seus olhos e depois de acostumar-se a claridade ela notou. Notou que não sobrara nada de sua casa, da casa dos vizinhos que tinham acabado de ter filhos gêmeos. Da casa do garoto de quem tanto gostara e que lhe dera uma flor naquela manhã. Havia apenas uma figura envolta em névoa no meio daquele caos indistinto. Era Radagast, O castanho e o homem que ela chamaria de pai daquele dia em diante.

Kendhra secou as lágrimas que escorriam por suas faces. Começara a ventar mais forte e as cortinas esvoaçavam na direção da pia, que estava devidamente limpa e organizada. A Dunedáin levantou-se a contragosto puxando as folhas de madeira e trancando o trinco de ferro. O mago Castanho pedira que ela lhe esperasse e ela estava começando a sentir-se aflita por sua demora.

– Você nunca atrasa Radagast – murmurou mais para si do que para qualquer outro.

Galhos quebrando. Ela se aproximou da porta espiando por entre uma fresta na madeira. O Istari acabara de deixar seu trenó de coelhos – os quais ele dizia serem os mais rápidos animais do mundo. – ao lado da cabana. Kendhra riu vendo-o repetir o gesto que sempre fazia antes de entrar em casa. Sacudia um pouco seu manto marrom, retirava o chapéu de abas largas para que os pássaros que haviam transferido o ninho para sua cabeça (parece estranho, mas Radagast nunca foi o mais normal dentre os Istari) pudessem sair e então conferia seu cajado.

– Kendhra! Venha cá minha querida, temos que conversar – disse ele entrando com estardalhaço na casa e derrubando uma pilha de panelas de estanho.

– O que há com você? Parece que viu alguma assombração – exclamou ela apressando-se em juntar os utensílios.

– Quase isso meu bem, quase isso – ele respirou fundo andando de um lado a outro, com as mãos juntas as costas. – Dol Guldur se agita novamente. As aranhas, Kendhra! Elas estão se movendo para lá como ocorreu no tempo em que o Necromante vivia na fortaleza.

– O senhor foi até lá? – a jovem arregalou os olhos segurando o mago pelas mangas do manto e puxando-o para sentar-se a mesa. – Gandalf sabe que anda fazendo excursões à velha fortaleza?

– Não para a primeira pergunta e... – Radagast pareceu pensar um pouco, estreitando os olhos. – sim para a segunda. Aquele velho não deixaria que me arriscasse sem que estivesse sabendo.

– Quando Marianne vai partir? – Kendhra ergueu-se de um pulo, pegando o telefone celular, que estava sem sinal naquele momento.

– Amanhã, pela manhã e nós ficaremos aqui, protegendo as fronteiras da Floresta Verde e impedindo que as aranhas cheguem até os Salões de seu namorado, digo, Thranduil! – o velho mago riu-se, batendo palmas enquanto alguns ratos saíam pelas barras de suas calças puídas.

***

Alagos permanecia sentado no galho de uma árvore alta e frondosa. De lá tinha uma visão completa do chão da floresta e de possíveis inimigos que pudessem aparecer. Tauriel estava no galho logo acima. Os braços cruzados sobre o peito e os cabelos ruivos trançado habilmente. As facas gêmeas que costumava usar descansavam nas bainhas que a elfa carregava na cintura. O arco permanecia em uma de suas mãos, já encordoado e pronto para o uso.

A capitã de guarda observava — sem ser notada. – o comportamento esquivo e estranho do elfo. Ele olhava constantemente para o sol, como se esperasse que o tampo passasse mais depressa por algum motivo que Tauriel desconhecia. Também notara que havia uma marca arroxeada na nuca do loiro, o que ele tentara esconder a todo custo. Pudera perceber que Alagos parecia mais pálido – quase translúcido, como ela mesma haveria de dizer a Legolas. – e ele contava com olheiras escuras debaixo dos olhos.

A elfa sentiu a aproximação de algo antes mesmo de ver que a criatura estava alguns galhos abaixo de ambos. Era uma aranha grande e que carregava um saco de ovos igualmente enorme. Ela procurou uma flecha em sua aljava, mas antes mesmo que fizesse o movimento viu que Alagos já a havia acertado e que esta despencava na direção do chão.

– Não deixe o saco de ovos cair! – gritou Tauriel pulando os galhos agilmente e juntando-se ao outro elfo.

– Não se preocupe, ele não chegará – Alagos forçou um sorriso apontando com o arco para a teia que se espalhava ao redor da árvore.

Foi então que a elfa notou que algo estava errado. Aquela teia não estava ai antes, muito menos poderia ter sida feito sem que os dois elfos notassem. Seu sexto sentido lhe dizia que o companheiro de vigília escondia algo. – Esta teia não estava neste lugar quando chegamos – resmungou a ruiva com as mãos apoiadas no cabo das facas.

– Ah, não? Engraçado, não me lembro de absolutamente nada – ele coçou o queixo, desprovido de barba virando-se com velocidade alarmante a acertando Tauriel com um poderoso chute no peito.

Sem reação, a capitã de guarda pôde apenas proteger a cabeça com as mãos e desviar de alguns galhos que poderiam lhe causar ferimentos sérios. Despencou sentindo a textura pegajosa da teia agarrando suas roupas e seus cabelos. Sacou as facas abrindo um rombo na cobertura branca e caindo mais uma vez na direção do solo. Um pedaço de teia prendeu uma de suas botas, mantendo-a suspensa no ar.

Os galhos estalavam, cedendo ao peso das aranhas que chegavam aos montes após sentirem a perturbação que viera do sistema de teias interligado. Tauriel se debateu, chamando ainda mais a atenção dos aracnídeos. Eram muitas, chegando de vários lados, provavelmente não conseguiria matar todas. Fechou os olhos, engolfada por uma sensação estranha de tranquilidade. O mundo escureceu, tornou-se menos real e mais flexível, passível de ser Alagos riu prevendo a morte inevitável da elfa e sabendo que seria promovido a capitão da guarda real de Thranduil. Aproximar-se-ia ainda mais do rei e de sua família, ganharia a confiança de Legolas e teria acesso a sua casa e também a Marianne. Fazendo com que esta tivesse a criança que esperava em segurança, para depois matar ambas e se livrar do incômodo que a presença da Guardiã lhe causava. Ainda ria quando percebeu que uma luz fraca se espalhava ao redor de Tauriel.

Ela não era a única a firmar-se na teia. Ela não estava sozinha. O elfo conteve um exclamar de surpresa ao ver quem a acompanhava e não pôde deixar de se surpreender, porque até então, acreditava que aquele homem estivesse morto. Seus cabelos castanhos caíam em ondas pelo rosto marcado pelo tempo, alguns fios grisalhos ensaiavam-se a aparecer por entre a cabeleira rebelde. Ele ainda usava as roupas que eram “moda” em Esgaroth (ou Cidade do Lago, onde era comum o comércio com as regiões de Erebor e da Floresta das Trevas) e o arco longo estava apontado para a cabeça do elfo, que permanecia atônito.

– Teu castigo está por vir traidor! – gritou ele sumindo e levando consigo o corpo inerte de Tauriel.

Alagos grunhiu. Um urro animalesco saindo de sua garganta. O que Bard estava fazendo ali? Por que viera salvar aquela elfa imunda? O que havia de tão importante em salvar aqueles que eram impuros e que não se curvavam a seu poder? Ele não tinha nenhuma dessas respostas e sabia de apenas um lugar onde poderia consegui-las. Transformou-se no lobo negro, que pouco tempo antes atacara a fazenda de Margareth Tolkien e rumou a trote até a fortaleza de Dol Guldur. Falar com aquela que ele havia trazido de volta a vida: Laracna.

***

Almarvarnë correu na direção dos quartos que haviam logo abaixo. Desceu as escadas pulando os degraus de dois em dois e observando a cara de parvos que os Orcs lhe dirigiam. Ela tinha recebido a permissão de Alagos para visitar a irmã e por isso não poderia ser interrompida por nenhum dos guardas. Chegou em frente a porta guardada por dois Uruks, fez-lhe um sinal para que abrissem o cômodo e eles a contragosto o fizeram.

Turelië virou-se para o rosto banhado de lágrimas da morena. Sorriu sentindo que ela mesma já começava a chorar. Eldarion estava ressonando tranquilamente num berço ao lado da cama onde a elfa dormia. As irmãs uniram-se num abraço saudoso aproveitando o pouco tempo de contato que teriam até que Alagos retornasse.

– Como você está? O que ele fez contigo, minha irmã? – perguntou a ruiva forçando a outra a sentar-se a seu lado, observando o rosto bonito do filho de Arwen e Aragorn.

– Estou melhor minha irmã – a morena levantou-se esfregando os braços, que ficavam a mostra devido ao vestido leve. – quanto ao que Alagos fez comigo... Eu...

Trocaram um olhar de compreensão. Turelië levou as mãos ao rosto em sinal de enervação. Almarvarnë controlou o choro lembrando-se de quantas vezes o elfo havia lhe abusado na noite anterior. As marcas rochas ainda estavam espalhadas por sua pele. Nos pulsos, nas pernas, no pescoço. Alagos tinha saciado sua vontade sexual incontrolável com a jovem dama élfica e depois descontara sua raiva na garota com uma bela e vigorosa surra.

– Não pode deixar que ele faça isso com você! – Turelië correu até as portas fechadas, esmurrando a madeira maciça e gritando para que chamassem Alagos, a irmã a conteve.

De cabeça baixa a ruiva voltou ao berço. Eldarion despertava e seus olhos azuis traziam um pouco de medo e incompreensão. A elfa estivou-se sobre o pequenino, tomando-o nos braços e dedilhando seu rosto bonito com os dedos. Ele resmungou um pouco, captando cada lugar do ambiente. O choro logo surgiu por entre os lábios desprovidos de dentes e Turelië tentou acalma-lo sem obter sucesso.

– Dê-me ele aqui, você não tem jeito nenhum com crianças! – Almarvarnë conseguiu sorrir sem ânimo algum trazendo a criança para perto de seu peito. – Ele parece estar com fome.

– Ontem a noite dei-lhe um pouco de banana esmagada, mas Eldarion não gostou nem um pouco. – a ruiva ergueu-se espiando pela janela coberta de grades a chegada de mais uma tropa de Orcs.

– Ele precisa de leite – a morena revirou os olhos sendo óbvia, Turelië deu um meio sorriso, ela sabia do que o bebê precisava, mas não tinha como “milagrosamente” produzir leite.

Almarvarnë desafivelou uma das alças do vestido, deixando o seio direito a mostra e aproximando o rosto de Eldarion. O filho de Arwen sugou vigorosamente, até o momento em que a elfa sentiu que realmente havia algo para alimentar o pequeno. Turelië arregalou os olhos sentando-se ao lado da irmã mais velha e apreciando a cena. Talvez ainda pudesse haver alguma esperança para as duas e também para a criança.

***

– Vou ganhar de novo! – cantarolou Margareth encurralando o rei no grande tabuleiro de xadrez que ela jogava com Joe na mesa da sala de estar.

– A senhora sempre ganha – riu-se o caseiro ainda tentando escapar, mas por fim levando um xeque-mate. – tenho que praticar mais.

– Espero que não esteja deixando-me ganhar de propósito Joe – ela ajeitou os óculos pegando a xícara de chá e bebericando um pouco. – ou eu corto o seu salário.

O homem arregalou os olhos, Margareth mantinha o semblante sério para depois cair na gargalhada. – Queria que tivesse visto sua cara de parvo! Consegue imaginar alguém como eu, cortando o salário de meu melhor funcionário e amigo por culpa de um jogo de xadrez?

– Desculpe dona Meg – ele sorriu, retirando o boné surrado que usava e coçando a barba. – soube que Mary vai partir amanhã de manhã. A senhora não acha arriscado?

– Não Joe, ela sabe o que faz e precisa urgentemente descobrir o que está acontecendo – a filha de Tolkien levantou-se guardando as peças que ganhara de presente de Elrond numa caixa de madeira. – acho que vou ter que polir minha armadura...

– E eu vou dar um jeito nos estábulos, Trovão e Arod não param mais quietos! Parece até que estão sentindo que algo está por acontecer! – Joe caminhou até a porta, pegando seu casaco grosso e desaparecendo no meio da paisagem branca.

Margareth subiu as escadas até seu quarto. A foto de seu pai fumando o cachimbo matinal ainda decorava a parede em frente ao roupeiro de abeto. A avó de Marianne abaixou-se, puxando uma caixa pesada que mantivera escondida debaixo do estrado largo de sua cama. Abriu-a, retirando uma variedade incrível de objetos. Havia uma armadura completa, duas espadas (uma curta e outra de duas lâminas), uma adaga de soco, dois pares de botas completamente gastas, um saco de moedas de ouro – as quais ela ainda não tinha gasto com nada. – um mapa de Erebor e os termos para que pudesse participar da missão de reaver a Montanha Solitária das garras de Smaug.

O olhar desconfiado de Thorin lhe voltou a mente. Lembrava exatamente do dia em que chegou a casa de Bilbo Bolseiro, as caras de parvos dos treze anões enquanto Gandalf explicava que a “senhorita Margareth” deveria acompanha-los na jornada e que tinha de ser tratada com todo o respeito do mundo.

Meneou a cabeça, revivendo o momento em que conhecera Thranduil e o jeito como tinha gritado e xingado o rei da Floresta das Trevas. Memórias e mais memórias cobertas de sentimentos diversos. Não contara a ninguém sobre seu envolvimento com Lindir (o braço direito de Elrond e responsável pela manutenção da paz em Valfenda), dos encontros escondidos que tinham tido ao longo dos anos e que silenciaram no instante em que ela se casara com seu falecido marido.

– Aquele elfo tolo, nem tive tempo de dizer-lhe adeus – ela sentou-se na beirada da cama, dizendo a si mesma que seria impossível voltar àquela época feliz e tranquila.

Desejava muito voltar no tempo, pois duvidava que um alto-elfo pudesse ter algum interesse por uma senhora com aquela aparência. As rugas, os cabelos brancos, o corpo que não era mais o mesmo. Suspirou voltando a guardar algumas das coisas na caixa e então voltando para a sala. Margareth não sabia, mas seu reencontro com Lindir (seu antigo amor da juventude) estava mais próximo do que esperava.

Notas finais
Comentários? Será que mereço, ou ficou muito ruim? Beijocas! *-*