Wait Me Forever...
11 Preparativos
Notas iniciais
Arwen subiu os sete níveis da cidade branca, recebendo os olhares curiosos dos guardas direcionados a figura que subia junto consigo. O rapaz deixara seu cavalo aos cuidados dos cavalariços no segundo andar de Gondor. A praça principal estava apinhada de lordes, conselheiros e também um pequeno grupo de elfos trazidos por Elrond.
Vários cumprimentos foram dirigidos à rainha. Éothain sentiu-se diminuído cem vezes ou mais durante o percurso até as portas do salão do trono, não apenas pela grandiosidade do reino, mas também pela nobreza e simpatia no semblante de todos os habitantes. Dois guardas ladeavam as portas, usando os tradicionais capacetes alados – tradição antiga instituída pelos primeiros reis Gondorianos. – uma alabarda alta e afiada na mão direita e a espada embainhada do lado esquerdo do corpo. Deixaram-nos entrar, atraindo a atenção dos homens que reuniam-se ao redor da mesa longa onde ocorria o conselho de guerra.
– Meu senhor, este homem acaba de chegar de Rohan com mensagens do rei Éomer – disse a elfa apontando para o Rohirim, que curvou-se de imediato.
– Levante-se filho de Rohan, como se chama? – perguntou o rei aproximando-se e tocando o ombro do cavaleiro.
– Éothain meu rei, vim a pedido de meu primo Éomer – respondeu o loiro passando os olhos pelos homens bem trajados que ali estavam.
– Sente-se conosco Éothain – pediu Aragorn tomando o assento na cabeceira e pedindo que o rapaz tomasse o lugar a sua esquerda.
Arwen sentou-se no trono que lhe pertencia por direito. Nas mãos ela tinha um pequeno novelo de linha dourada, com o qual estava bordando uma casaca para seu filho. Seu menino, o elo maior de seu amor com Aragorn e que agora estava desaparecido. Raptado por algum ser nefasto, pelo qual a filha de Elrond passara a nutrir profundo ódio.
– Diga-nos, viajante da Terra dos Cavaleiros, o que trazes de novidades? – perguntou Elladan estreitando os olhos, Elrohir tentava conter uma risada diante da pomposidade do irmão.
– Soube que vão empreender uma busca até a casa do velho Bombadil e Éomer não poderá acompanha-los – começou Éothain perscrutando os presentes com seus olhos cinzentos.
– Veio se solidarizar em nossa busca, meu rapaz? – perguntou Aragorn com curiosidade.
– Sim, quero ocupar o lugar deixado por Boromir na original Sociedade do Anel, sei que posso ajuda-los meu rei e peço sua bênção para segui-los nessa jornada – o rei pôde ver o brilho da juventude e da coragem no olhar do Rohirim.
Arwen ergueu os olhos por alguns instantes mirando o rapaz novamente. Era forte e bonito e sem dúvida fora treinado para ser um guerreiro. – Aragorn, Éothain tem um coração nobre e deve ser valorizado.
– Senhores, como rei de Gondor eu, Aragorn filho de Arathorn nomeio o jovem Éothain da terra dos cavaleiros como um membro da Comitiva do Anel. – o marido de Arwen ergueu-se apoiando as duas mãos na mesa. – Alguém se mostra contra esta indicação? — ninguém mostrou sinais de que discordaria.
***
– Está melhor? – perguntou Legolas segurando os cabelos e a cintura de Marianne enquanto ela apoiava as mãos na lateral do vaso sanitário.
– Não sei, acho melhor ficar aqui um pouco – respondeu ela, baixando a tampa do vaso e sentando-se, o marido lhe afagava as mãos. – você deve estar achando horrível ter de conviver com os meus “ataques de náusea”.
– Thel im ui na sí Marianne (Estarei aqui sempre, Marianne) – respondeu o Sindar olhando-a com os profundos olhos turquesa. – I ben aur (A cada manhã).
– Gohena-nin (Perdoe-me) – pediu ela com um sorriso fraco.
Sentiu de novo a sensação de mal-estar. A queimação desconfortável na boca do estômago e a fraqueza nas pernas. Levantou num salto erguendo a tampa de cerâmica branca novamente. Legolas já estava a postos, segurando os cabelos castanhos que cheiravam a sândalo enquanto a esposa colocava para fora todo o almoço.
Mary perdeu a conta de quantos minutos permaneceram no banheiro, entre momentos felizes e outros realmente nojentos. Resolveu tomar um banho enquanto o filho de Thranduil arrumava um lanche para os dois, o qual a jovem tentaria manter no estômago, por pelo menos algumas horas. Desceu as escadas enrolada em um roupão, deparando-se com Legolas olhando uma pilha de DVDs jogados sobre o sofá.
– O que é isso? – perguntou ela sentando-se no colo do marido e lhe depositando um beijo nos lábios.
– Registros de quando você era uma menina, achei “DVDs” de seus três aos doze anos. – respondeu ele passando a mão pelos cabelos molhados da guardiã.
– Isso é muitíssimo constrangedor e, portanto não vamos assistir – ela começou a recolher os discos, mas foi interrompida quando Legolas a derrubou no tapete.
Prendendo seus braços aos lados da cabeça e lhe mordiscou o lóbulo da orelha. Aquilo era uma audácia da parte do elfo. A moça girou, lançando o peso sobre o corpo do Sindar. Sentou-se sobre o peito de Legolas beijando-lhe com força e desejo. Ele ergueu o tronco fazendo com que a jovem ficasse sentada em seu colo, apertando-lhe as pernas e a cintura. Marianne riu perdendo-se na maciez dos cabelos loiros do elfo. O Sindar parou no exato momento em que a esposa estava desabotoando sua camisa de linho azul.
– Muito bem Senhorita Marianne Greenleaf, vamos parar por aqui – a garota olhou-o franzindo a testa e cruzando os braços sobre o peito.
– Não me diga que vai ser assim durante todo o tempo em que eu estiver grávida – bufou ela voltando a sentar-se no sofá.
– Quero poupá-la só na fase inicial – ele deu uma piscadela e um sorriso malicioso. – enquanto ainda está ficando enjoada frequentemente.
– Não enjoaria de você nem que me enfeitiçassem – provocou ela cruzando as pernas e deixando uma boa faixa de pele exposta, o elfo voltou a rir colocando um dos filmes intitulado: “Marianne à caça das borboletas monarcas”.
Mary aparecia correndo pelo bosque onde achara a passagem para a Terra Média. Segurava com as duas mãos uma rede fina, usada para caçar insetos. A mãe aparecia ao seu lado incentivando-a a continuar, os cabelos loiros e longos de Katherina esvoaçavam a brisa vespertina. Robert riu no instante em que Marianne paralisou com uma enorme borboleta monarca pousada no nariz.
– Olhe para seu pai e dê um tchauzinho filha! – pediu a mãe rindo também.
– Papai, isso faz cócegas – murmurou ela franzindo o nariz e afastando o inseto.
– Acene para a câmera meu bem – pediu Robert ao que uma Mary desdentada assentiu.
O vídeo terminava com mãe e filha reunidas, tendo como plano de fundo a vasta extensão do terreno de Margareth Tolkien. Legolas suspirou envolvendo a guardiã com um dos braços enquanto ela soluçava, lembrando-se do dia em que o registro fora gravado.
– Legolas – disse ela emudecendo repentinamente. – volte a fita.
– O quê? – perguntou ele unindo as sobrancelhas escuras.
– Volte a fita para a parte do final – pediu, ela mesma tomando o controle das mãos do marido e voltando para a parte onde Robert focalizara a floresta e os campos.
Dando um pouco mais de zoom, o casal percebeu que havia uma mulher de cabelos loiros enfeitados com um arranjo floral, escondida do meio das árvores. Junto com ela estava um homem de estatura baixa e roupas extravagantes. Eram Fruta D’Ouro e Tom Bombadil.
***
– Olhe só Meriadoc, tudo coberto de neve – dizia Peregrin acendendo um cachimbo e passando pelo arco de entrada de Green Valley, a placa de madeira recentemente repintada por Mark balançava. “Aconchego para os que procuram paz”, aquele era o lar dos descendentes de John Tolkien.
– Nunca imaginei que gostaria tanto de ver esta brancura Pippin, mas é tudo tão diferente no mundo dos humanos – concordou o outro hobbit apreciando a paisagem que o lago congelado proporcionava. – e você, o que acha Samwise?
– Acho que Rosinha ficaria encantada por tudo aqui, certamente ela pediria para andar sobre a superfície do lago, mas eu...
– É claro que o superprotetor e agora pai de família Samwise Gamgee não deixaria – Merry riu soltando espirais de fumaça pelo nariz.
– Ser protetor é muito importante primo! – grunhiu Pippin erguendo-se sobre a sela para tentar enxergar a face da figura encasacada que corria em sua direção. – Ainda mais com pessoas de quem gostamos. Por falar nisso, como está minha prima Iris, Frodo?
– Ficou triste em ver-me partir, mas tenho certeza de que ficará feliz em ajudar Rosa a cuidar das crianças. – respondeu o antigo portador do anel, massageando o ombro ferido.
– Outra coisa que eu nunca havia imaginado, nosso caro amigo Bolseiro namorando! – Meriadoc riu, logo depois endurecendo a face. – Consigo até pensar na cara que o Senhor Bilbo faria se estivesse aqui.
– Sem dúvida ele diria: “Ora, se não é meu caro Frodo! E agora, devo dizer, muito bem acompanhado!” – Sam intuiu tentando fazer o antigo mestre sorrir, o que funcionou um pouco.
– Ele ficaria feliz, assim como eu fico por saber que você está namorando – Mark tinha parado a alguns passos do grupo de hobbits, ele usava um casaco grosso de lã e suas galochas vermelhas estavam cobertas de neve.
– Mark, filho de Joe e amigo de Marianne! É ótimo vê-lo de novo! – disse Pippin quase desequilibrando do pônei que montava.
– Vamos lá pessoal, há uma senhora muito nervosa esperando por vocês lá dentro – o rapaz sorriu puxando os animais de carga para os estábulos ao passo que os quatro hobbits arrastavam os grandes e peludos pés até a varanda de Margareth.
– Tratem de se apressar, a mesa está posta e o bolo que fiz vai esfriar se continuarem feito lesmas aí fora! – gritou a avó de Marianne.
Foi como mágica, Peregrin e Meriadoc dispararam na frente com Samwise logo em seus calcanhares e Frodo mais atrás. Os olhos azuis agora adornados com um brilho novo. Muito diferente do modo mortiço como costumavam estar. Ele cumprimentou a anfitriã com um menear de cabeça. Ela pegou-lhe a mão pequena e reverenciou-o, pois além de ser uma boa amiga lhe era uma admiradora.
– Como vão as coisas meu jovem? – por alguns segundos o sobrinho de Bilbo esqueceu que a senhora a sua frente acompanhara seu tio nos velhos tempos.
– Melhores do que poderia imaginar Sra. Tolkien. – respondeu o hobbit com um suspiro, vislumbrando o mesmo brilho que vira nos olhos de Marianne quando esta o defendera no Parth Galen (onde Boromir perecera).
***
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Kendhra pegou a xícara de café que coara pouco antes de Radagast desaparecer de vista novamente. Olhou para o líquido escuro ainda sentindo a angústia de lembrar-se do dia em que perdera sua família. Adotada pelo mago castanho, ela passou a ser treinada pelos melhores guerreiros nas mais variadas áreas. Do combate desarmado ao uso de quase todas as armas, que a jovem conhecia. Também aprendera a aprimorar seus sentidos. A audição apurada, a visão quase tão boa quanto à de um elfo e a sutileza que dotara de seu povo.
Usando desses conhecimentos conseguiu sentir que estava sendo observada. Os olhos de Thranduil pareciam querer perfurar as costas da camisa de mangas curtas que ela usava. Sorriu ainda de costas, fingindo que não notara a presença do rei da Floresta Verde. Pela primeira vez em muitos anos o pai de Legolas sentiu-se inseguro quanto ao que fazer repreendendo-se amargamente por não ter “ensaiado” algumas palavras para aquele momento.
– Por favor, diga-me que não vai ficar parado aí – a Dunedáin estava olhando-o de cima a baixo, escorada displicentemente na parede da cabana.
– Eu não queria assusta-la – disse o Sindar acabando com a distância entre ambos, estava perto, mas sem tocar a bela mulher a sua frente.
– Não assustaria nem que quisesse, eu tenho sentidos muito aguçados majestade – um passo, as mãos subindo ao pescoço do elfo e tocando de leve em suas orelhas pontudas. – muito mais aguçados do que pensa...
– É mesmo? – ele grudou-a contra seu corpo, delineando as curvas da moça demoradamente e perdendo-se em seu olhar. – Todos os sentidos?
– Todos os que eu desejar usar Thranduil – Kendhra sentiu o sangue pulsando nas têmporas, o rei lhe depositava beijos cálidos do pescoço até a testa sem chegar aos lábios.
O elfo riu então acabando com o desejo de experimentar os lábios pedintes da Dunedáin. A língua explorando cada centímetro disponível, as mãos apertando cada vez a moça contra a parede da choupana de Radagast. Kendhra lhe puxava com vigor pelos ombros conduzindo-o para dentro da casa, fora das vistas de quem quer que pudesse atrapalha-los.
Fechou a porta com um chute. Continuou a caminhar, tirando com agilidade o manto que cobria os ombros de Thranduil. O elfo deleitou-se com a felicidade que sentia. Pegou a jovem nos braços e levou-a escada a cima. O quarto era simples, contava com um roupeiro de carvalho, uma escrivaninha, um banheiro e uma janela que dava para frente da casa.
O pai de Legolas desgrudou-se dos lábios macios de Kendhra. As mãos desceram até os botões da camisa da moça e abriram-nos com facilidade. A pele estava quente e ela parecia um pouco nervosa ao tentar fazer o mesmo com a camisa que o Sindar usava. O peito e os braços eram fortes e esculpidos e ela dedilhou algumas cicatrizes que marcavam as costas de Thranduil. Ele continuou a puxa-la para a cama no canto do cômodo. O peso de seu corpo sobre o corpo da jovem, as pernas enlaçadas.
As calças que a Dunedáin usava logo foram retiradas e então o elfo contentou-se em observar o corpo bonito e forte da dama. Beijou-a da ponta dos pés aos lábios, fazendo o reconhecimento de cada espaço de pele exposta. Kendhra girou de modo a ficar sobre Thranduil, retirando-lhe também as calças. Àquelas alturas, nada poderia detê-los. Os dedos do rei deslizaram por baixo das alças do sutiã que a jovem usava. Retirou-o, assim como tratou de retirar a calcinha. Pressionou os quadris de Kendhra contra os seus, cedendo a vontade de sentir-se dentro do seu corpo.
Ela arfou. As unhas apertando as cicatrizes nas costas do rei élfico, os lábios sussurrando e pedindo por mais. Ele deslizava sobre a estrutura maciça que era o corpo da filha de Radagast. As mãos agora seguravam o estrado da cama para que o movimento pudesse ser contínuo e prazeroso para ambos. Ondas de calor percorriam cada músculo do corpo de Kendhra levando-a ao delírio. Thranduil não parou de se mover até sentir o líquido morno escorrer de si para a Dunedáin.
Beijou-lhe os lábios, pegando uma de suas mãos. Os dois ofegavam, deitados lado a lado. O pai de Legolas puxou as cobertas para cobrir os corpos desnudos. Kendhra escorou a cabeça em seu ombro sorrindo exultante.
– Não imaginei que fosse amar mais ninguém na Terra Média, mas creio que estava errado – murmurou o Sindar afastando os cabelos do rosto delicado da moça.
– Isso é uma declaração? – ela apoiou-se nos cotovelos olhando fundo nos olhos azuis do rei.
– Talvez seja o começo de uma nova família – Thranduil riu, tornando a beijar Kendhra e já pensando no pedido que teria de fazer a Radagast.
***
A primeira coisa que Tauriel sentiu foi o forte cheiro de fumaça. Acordou em um salto, caindo de mau jeito no leito de folhas mortas da floresta. Não tinha certeza de que estava em segurança. As imagens da manhã passada com Alagos lhe voltaram a mente numa enxurrada. Pôs as mãos aos lados da cabeça, massageando levemente as têmporas e tentando se localizar.
Havia alguém a seu lado. Em pé ele a observava cuidadosamente, sem nem ao menos estender a mão para ajuda-la. A elfa bufou apoiando-se no tronco de uma árvore e enfim conseguindo divisar o rosto do observador. Aquelas feições não lhe eram estranhas e tinha que admitir que a força no olhar do arqueiro parecia bastante nobre.
– O que aconteceu? – questionou a capitã de guarda.
– O elfo que estava acompanhando-a, tentou mata-la – respondeu Bard sentando-se sobre uma pedra. – salvei-a de uma queda de dez metros e de ser devorada por aranhas gigantes.
– Le hannon (obrigada) – Tauriel curvou-se enquanto o rapaz ria. – ainda não sei o seu nome...
– Sou Bard, de Esgaroth.
A elfa arregalou os olhos. – Bard? Mas este não é o nome do arqueiro que matou Smaug?
– Ou o que sobrou daquele velho arqueiro – ele sorriu, fazendo algumas rugas aparecerem no canto de seus olhos.
Tauriel correspondeu o sorriso. Precisava correr e contar a Legolas ou a seu rei que tinha descoberto quem era o traidor e que ele estava no círculo de confiança do Reino da Floresta. Entretanto, algo no jeito simples e atencioso de Bard a mantinha presa naquele lugar. Percebeu então que alguns fiapos de suas roupas estavam desaparecendo, ele revirou os olhos, indeciso quanto ao que dizer.
– Preciso partir, meu tempo aqui é curto – o arqueiro notou a expressão triste nos olhos da capitã de guarda. – mas em breve voltarei, talvez para ficar nesses prados definitivamente.
– Espero vê-lo em breve – sussurrou ela surpreendendo-se com o que havia dito.
Tauriel levou as mãos aos lábios. Bard acenou-lhe desaparecendo numa cortina de fiapos desbotados. A elfa perdeu-se nos próprios pensamentos com um sorriso sonhador. Abriu as portas de sua mente, as quais ela teimava em manter fechadas. Passara os 845 anos de sua vida dentro da fortaleza de Thranduil e nunca havia tido a oportunidade de ver o mundo em toda a sua pureza. Deixou-se embalar por lembranças de uma época um pouco conturbada, quando ainda nutria sentimentos fortes por Legolas.
Começou a caminhar na direção da ponte que a levava para dentro das Cavernas do rei da Floresta das Trevas. Ali, naquele exato lugar em que seus pés pisavam, ela cometera a atitude impensada de beijar o príncipe – que agora era casado com uma mulher forte e encantadora. Ainda conseguia ouvir as palavras duras que Thranduil proferira, a punição que tivera de cumprir. Sentiu um calafrio subir-lhe pela espinha, podia sentir o frio perfurando sua carne. Ficara presa por dois anos em seu quarto segundo uma ordem dada pelo pai de Legolas, apenas pelo fato de ela ter beijado o elfo.
– Lavan sui, awartha a delos (Como um animal, abandonada e aborrecida) – murmurou para si mesma antes de pôr um dos pés sobre a pedra que cruzava o Rio Da Floresta.
Proibida de qualquer relacionamento com Legolas porque ele era um príncipe e ela uma simples elfa silvestre. Tauriel ainda não sabia que – não muito longe dali. – ocorria a consumação do amor de um rei e uma plebeia. Rei este, que desrespeitou as normas impostas para viver a paixão que arrebataria sua vida, até o momento em que uma sombra do passado voltou a assombra-lo.
***
Cruzou os arcos escurecidos. Viu as raízes em putrefação agarrando-se as torres – que antes serviram aos homens para observar a aproximação de seus inimigos. Naquele momento, os mesmo inimigos ocupavam o local. Ele desembainhou a espada negra que carregava junto consigo adentrando a escuridão dos corredores destruídos. Ouvia passos, mas não fazia ideia de onde eles viessem e nem a quem pertenciam.
Alagos sabia que a moradora que havia despertado em Dol Guldur costumava tratar suas visitas de maneira bastante peculiar. Geralmente ela devorava as criaturas que entravam em seu novo reino, antes mesmo que estas percebessem sua aproximação. Entretanto, o elfo era agora seu mestre e Laracna nada poderia fazer contra si. Parou no centro do salão principal onde um trono parcialmente destruído descansava.
A risada feminina preencheu todos os cantos. Parecia reverberar nas paredes de pedra escura e atingir o elfo, atordoando-o. As mãos de unhas compridas e negras estavam pousadas em seus ombros. Ela o olhava com o deboche saltando de seus olhos. Os cabelos negros presos num coque baixo. Sobre a cabeça Laracna usava um elmo vermelho com dois pequenos chifres despontando das laterais. Os seios estavam cobertos por uma roupa de couro grosso e avermelhado, assim como suas pernas compridas e fortes.
– Veio correndo direto para eu ninho só porque o arqueiro lhe atrapalhou? – perguntou ela voltando ao trono e cruzando as penas musculosas.
“Laracna”, o nome ainda causava arrepios em Frodo. Já que ela fora sua algoz enquanto tentava chegar até a Montanha Solitária e destruir o Um Anela. A aranha que o pequeno Hobbit enfrentara em Cirith Ungol transformara-se em uma bela mulher, tudo para os caprichos de seu novo mestre, que a preferia naquela forma a na de um aracnídeo gigantesco e assustador. O elfo sorriu maliciosamente. Poderia muito bem aproveitar-se do corpo perfeito de Laracna se não soubesse qual era sua verdadeira forma.
– Não, vim aqui para cobrar os serviços que está me devendo – ele endureceu as faces, a aura negra rodopiando a seu redor.
– Qual deles? – perguntou com a voz resumida a um ronronar.
– Quero suas tropas atrapalhando os avanços de Marianne Greyhood e Legolas, na busca por Tom Bombadil.
– Ficas deliciosamente belo quando me dá ordens – Laracna lambeu os lábios rindo mais uma vez. – quando partimos meu senhor?
– Amanhã, pela manhã – continuou Alagos ignorando os comentários da predadora. – não poderei comandar o ataque, mas peço que não matem Marianne. Eu a quero viva.
– E quanto aos outros, meu bom elfo? Posso dá-los de presente a minhas filhas famintas?
Ele parou a meio caminho da saída do salão de Laracna. O cheiro de podridão já começara a se infiltrar em suas narinas de maneira nauseante. Queria voltar logo para casa e brincar com sua mais nova aquisição – a bela e encantadora, Almarvarnë. – e a velha e rabugenta aranha lhe incomodava com perguntas sem fundamento. Sem pensar duas vezes virou-se para o trono negro onde Laracna esperava por sua resposta.
– Traga-me Marianne viva – começou cautelosamente. – mate todos os outros.
***
– Vai mesmo fazer isso? – Éomer abria a garrafa de vinho, servindo a bebida em duas taças de cristal que Suzan trouxera.
A moça alugara uma cabana na zona rural de Toronto. Assim como a amiga, Marianne, ela se dividia entre a vida atribulada na redação do jornal e a vida calma e tranquila que tinha ao lado de Éomer nos encontros que mantinham no local – os quais ocorriam de duas a quatro vezes na semana.
– Nem tente me impedir – resmungou ela escorando-se contra as almofadas que jogara sobre o tapete e cobrindo-se com as cobertas grossas que haviam sido derrubadas da cama.- vou para Edoras cuidar de sua irmã e seu sobrinho.
O irmão de Éowyn sorriu sentando-se ao lado de Suzan e lhe estendendo a taça com a bebida. Ela bebericou o vinho adocicado escorando a cabeça no peito nu do rei de Rohan. – Eu não tentaria fazê-la mudar de ideia, mas devo lhe dizer que se for para a Terra dos Cavaleiros eu a nomearei como regente temporária.
A moça engasgou-se, tossindo e levando alguns tapinhas nas costas. Os olhos azuis vidrados no rosto confuso de Éomer. – Eu? Regente temporária? Você quer colocar fogo no reino, é isso?
– Suzan, sei que és capaz de manter tudo sobre controle enquanto eu estiver fora, ajudando Faramir a conter o avanço de um grupo desgarrado de Orcs que queria cruzar Osgiliath.
– E se houver um ataque? O que eu vou fazer? Mal sei gerenciar o departamento jornalístico em Toronto, como é que vou me virar com um exército de Rohirim? – ela se ergueu de um salto andando de um lado para outro e fazendo balançar o robe de seda branca que usava para cobrir a lingerie.
Éomer pegou-a pela mão, fazendo com que ela voltasse para debaixo das cobertas. Passou a mão pelos cabelos loiros e compridos de Suzan enquanto ela o envolvia pela cintura num abraço.
– Vai saber o que fazer se houver um ataque – garantiu ele beijando-a com doçura. – e se não souber, deixe as coisas com Éowyn. – ele riu.
– Quando partimos majestade? – ela suspirou, fazendo pequenas tranças nos cabelos compridos do cavaleiro. – Queria me despedir de Mary amanhã...
– Vamos para a fazenda de Margareth hoje, antes do anoitecer – respondeu Éomer tomando as mãos de Suzan nas suas. – você poderá despedir-se de Marianne e então, seguiremos o caminho oposto; até Rohan.
– Ok, quanto tempo demoraremos até lá? – perguntou a garota tomando nota em uma pequena agenda que sempre levava em sua bolsa e já checando alguns contatos no celular.
– Cerca de quatro dias, se conseguirmos manter um ritmo constante.
Ela concordou com a cabeça, discando um número no celular e grudando o aparelho contra a orelha. – Ever? Aqui é a Suzan, só liguei para passar toda a responsabilidade de chefia para você! – Suzan afastou o celular do rosto enquanto a garota gritava de felicidade do outro lado. – Pois é, resolvi tirar umas férias.
Éomer abafou uma risada servindo-se de mais uma taça de vinho tinto. Pôs a camisa que usava novamente. Estava esfriando cada vez mais no Canadá, mas para a sorte dos que viviam na Terra Média, lá, a Primavera ainda se arrastava preguiçosamente. Levando consigo o cheiro forte e agradável das flores e o prenúncio de um Verão bonito e ensolarado. Isso, se os planos maléficos de Alagos não se concretizassem.
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