Wait Me Forever...
12 Lembranças
Notas iniciais

Lindir olhou para o ceu estrelado de Valfenda. Podia descrever exatamente o modo como a vira chegar até o Reduto Élfico, que ficava a leste do mar. Lembrava-se de cada detalhe das roupas, dos cabelos, do jeito delicado como ela falara Quenya. O riso controlado, as brigas com Kili e Fili por culpa dos “maus modos” que estes demonstravam na casa de Elrond. Conseguia sentir o gosto dos lábios macios da garota nos seus.
Os olhos azuis, os cabelos em tons que mesclavam loiro e castanho escuro. A saia xadrez, a camisa de mangas compridas e as meias que lhe subiam até os joelhos. Aquela era Margareth Tolkien na época em que fora parar na casa de Bilbo Bolseiro. Quando fora incumbida de ajudar treze anões e um hobbit a roubar a pedra Arken de Smaug, O terrível.
– Posso não ler pensamentos Lindir, mas só por essa expressão saudosa consigo imaginar o que lhe passa pela mente – Gandalf surgira do nada, a barba branca na altura de sua cintura, Glamdring repousando pacientemente na bainha. – Margareth Tolkien ainda mexe com seus sentimentos.
– Parece que ela chegou aqui com aqueles anões ontem – suspirou o elfo escorando-se na amurada da sacada. – tenho a vaga impressão de que nenhuma elfa chamou-me tanto a atenção como aquela garota fez.
– Ela era e ainda é encantadora meu caro. E temperamental, teimosa, turrona, — o mago riu. – Devo dizer também, que Meg tem um arsenal completo de xingamentos que eu nunca ouvira antes de ela vir a Terra Média.
– Isso é verdade, tem uma personalidade difícil de lidar – Lindir virou-se para o Istari com certa tristeza exposta no olhar.
– Personalidade que você conseguiu domar meu amigo.
– Pena que eu a perdi Mithrandir. Perdi a única mulher que amei – ele observou as damas élficas moverem-se no andar inferior, algumas lhe acenaram, mas ele não deu-se ao trabalho de corresponder o gesto. – ela se casou, teve filhos e netos e eu continuo aqui, em Imladris, sozinho.
– Ah Lindir! Sozinho porque queres, afinal de contas, há uma bela quantidade de jovens que dariam um braço para ser sua esposa – Gandalf pôs uma das mãos no ombro do elfo que deu um meio sorriso. – e quem sabe seu romance com Margareth não possa ter uma segunda chance.
– Não sei se há saída para nós Gandalf...
– Sempre há uma saída meu rapaz, isso foi uma das coisas que eu aprendi quando pisei nestes prados. – o mago branco afastou-se. – sempre há uma chance, mesmo que tudo pareça estar perdido.
***
Alícia sentou-se no tapete junto de Meriadoc e Peregrin. A garota parecia cansada e sua expressão séria causava certa preocupação em Robert. Ele ainda achava que sua pequena não merecia uma responsabilidade tão grande quanto aquela. Os poderes de Marianne já foram uma completa surpresa para o homem e agora ele descobrira que sua filha mais nova também herdara certos dons, os quais ela não aprendera a controlar.
– Ficar aí olhando para ela com essa cara de pena não vai resolver porcaria nenhuma Robert, você sabe disso – resmungou Meg cutucando o braço do genro.
– Tenho medo do que possa acontecer com Ali. Mary acabou participando de uma guerra e quase morreu por causa disso, agora descobri que minha neta está envolvida em uma conspiração antes mesmo de nascer! – ele tirou os óculos passando a mão sobre os olhos, não dera-se em conta de quanto estava cansado.
– Escute meu rapaz, as mulheres da família Tolkien já deram provas suficientes de que merecem ser respeitadas – a nobre senhora falava com convicção. – mostramos que somos capazes de fazer coisas que até mesmo nós duvidávamos e continuamos vivas.
– Eu sei Dona Meg, mas...
– Não me interrompa Robert Greyhood! – pediu novamente pondo ambas as mãos na cintura e franzindo o cenho. – Alícia não estará sozinha nesta luta, assim como Marianne também não.
Robert riu olhando novamente para a menina que divertia-se com as histórias que os hobbits insistiam em contar. – Não há como discutir com você Margareth!
– Mas é claro que não! Eu sempre ganho em qualquer discussão meu querido, nunca encontrei ninguém que fosse páreo para minha língua ferina – ela abafou o riso, sabia que aquilo não era verdade.
Apenas uma pessoa fora capaz de calar a voz forte e autoritária da filha de Tolkien. Isso não ocorrera numa discussão, pelo menos, não em um embate comum. Afinal de contas, Lindir a calara com um beijo e não com palavras.
– E então nosso caro amigo Samwise usou sua frigideira para nos salvar do grande Troll em Minas Moria! – continuou Peregrin numa tentativa de imitar o outro hobbit e usando uma colher para tal ato.
– Esqueceu-se de dizer que Frodo quase foi morto pelo monstro Pippin e que ele só se salvou porque estava usando uma malha feita de Mithril – corrigiu Meriadoc sabiamente.
– O que é Mithril? – perguntou a irmã mais nova de Marianne encantada com as histórias.
– É metal élfico senhorita e brilha muito, eu o descreveria como: resistente como aço e brilhante como uma constelação – completou Sam dando mais uma mordida em seu pedaço de bolo de nozes.
– Eu prometo que mostrarei minha malha de Mithril quando você for nos visitar no Condado, Alícia – concordou Frodo sorrindo e acenando entusiasticamente, aquele ambiente lhe fazia sentir completo.
Batidas na porta alertaram sobre a chegada de mais convidados. Éomer e Suzan foram os primeiros a entrar. Congelados como estavam, precisaram de alguns momentos para se livrar da neve que grudara em seus calçados e roupas. Gimli e Glóin vinham logo atrás, mais encolhidos do que se podia imaginar. O que lhes deixava ainda mais baixos do que eram.
– Não estão mais retirando a neve ao redor da casa, Margareth? – resmungou Glóin sentando-se perto da lareira.
– Por que a pergunta, Glóin? – devolveu ela, no mesmo tom de ironia.
– Ora, porque mal conseguimos achar o caminho até a porta, velha amiga! – resmungou o anão esfregando as mãos calejadas.
– Tio Gimli! – Alícia correu para abraçar o anão ruivo que lhe retribuiu. – É impressão minha ou você está ficando mais baixo?
– Não querida, acho que é o frio que está deixando-me mais curvado do que nunca. – respondeu ele sentando-se ao lado da garota e lhe afagando os cabelos castanhos. – como está sentindo-se?
– Melhor agora que sei que Mary está bem – disse tirando os galhos que prendiam-se na barba do anão. – e o senhor, vai acompanhar minha irmã até a casa de Tom Bombadil?
– Vou sim, não deixaria sua irmã desprotegida e muito menos nas mãos daquele elfo maluco – bufou ele referindo-se a Legolas.
– Eu não diria isso, Gimli – repreendeu-o Suzan rindo. – o “elfo maluco” ama muito Mary, e devo dizer que ele tem uma pontaria excelente.
– Humpf – grunhiu o anão cruzando os braços sobre o peito e sentindo-se vencido.
– Em falar no elfo, onde é que ele se meteu com minha neta? – meditou Margareth servindo uma rodada de chocolate-quente para os presentes.
– Marianne acaba de me mandar uma mensagem, eles estão vindo – respondeu Suzan conferindo o celular.
– Nunca vou me acostumar com essas tecnologias – murmurou Glóin entredentes.
Mark e Joe também foram se juntar ao grupo. O rapaz cumprimentou a todos e subiu para o segundo andar – resolver um pequeno problema no encanamento de um dos banheiros. – enquanto o pai tratava de reavivar o fogo que crepitava lentamente na lareira.
Legolas e Marianne pararam antes de chegar a ponte que separava a rodovia principal da fazenda de Margareth Tolkien. A moça saltou do carro correndo, seguida de perto pelo elfo. Ela se abaixou junto a um dos canteiros que beiravam a estrada, a janta não lhe parara no estômago. O Sindar segurou-a pela cintura como tinha feito durante a tarde, uma garrafa de água já separada e a seu lado.
– Cabeça entre os joelhos Mary – foi a ordem dada por Kendhra, que surgira do meio das árvores que beiravam a estrada, acompanhada de Thranduil.
– Nos encontramos na mesma situação, de novo – resmungou a guardiã acatando o pedido da Dunedáin.
– Você está grávida e isso é perfeitamente normal – disse a outra pegando a garrafa de água e estendendo para Marianne.
– Não consegui fazer com que nada parasse no estômago de Mary hoje – disse Legolas num muxoxo, alisando a testa da esposa.
– Talvez você precise fazer algumas aulas de culinária com seu sogro – ironizou Thranduil, abraçando-se a Kendhra pela cintura e lhe depositando um beijo na bochecha.
– Vocês dois formam um belo casal – devolveu o rapaz sentando-se ao lado da guardiã, que escorou a cabeça em seu ombro respirando de olhos fechados.
– Acho que já podemos continuar – sussurrou Marianne tocando o joelho do marido e tentando levantar-se.
A vertigem acertou-a em cheio. Legolas pegou-a no exato momento em que a jovem iria cair de encontro ao asfalto. As pernas fraquejaram e ela deixou-se levar pelos braços firmes do elfo.
– Kendhra, faria o favor de levar o carro até a casa? – perguntou o príncipe.
– Claro, mas só se o seu pai concordar em ir junto – ela sorriu escorando-se ao capô da caminhonete e enfiando as mãos nos bolsos do casaco.
– Tecnologias... Só tente não nos matar – bufou Thranduil com um meio sorriso.
Legolas meneou a cabeça estranhando a súbita felicidade do casal. Seguiu a passos firmes na direção da ponte de madeira com a esposa aninhada carinhosamente em seus braços. Mary resmungou algo quase inaudível e em seguida se desvencilhou do Sindar, correndo na direção de uma das amuradas da estrutura maciça. Não conseguiu chegar a tempo, vomitando na neve fofa.
O filho de Thranduil correu para ajuda-la. Marianne estava parada encarando o ponto em que a neve derretera. Ele percebeu então que a jovem estava chorando. Soluços e espasmos percorriam seu corpo, sacudindo-o. Legolas segurou-a pelos braços enquanto ela enterrava o rosto em seu peito, o casaco grosso de lã abafando o desespero. Havia sangue no local onde Mary havia vomitado.
***
– Não fique assim – sussurrou Alícia pegando uma das mãos de Legolas e afagando-a. – eu sei que Marianne vai ficar bem e minha sobrinha também.
– Tomara Ali – concordou ele sorrindo fraco e acariciando a bochecha da esperta cunhada de nove anos.
– Margareth é muito boa quando se trata de “medicina alternativa” – Robert acalmou o genro lhe estendendo uma xícara de café que ele mesmo passara.
– E devo dizer que ela aprendeu um pouco disso comigo – Gandalf entrou na sala esfregando as mãos, envoltas em luvas cinzentas (uma lembrança da época em que ainda era O Cinzento).
– Lindir? – Legolas levantou-se cumprimentando o amigo que viera de Valfenda.
– Resolvi vir para ajudar sua esposa, afinal, também entendo um bocado de medicina – o elfo deu de ombros, dando espaço para que Aragorn e Éothain adentrassem o recinto.
– Boa noite – disse o Rei de Gondor com uma vênia. – gostaria de lhes apresentar o rapaz que nos acompanhara em nossa jornada até Bombadil.
– Seja bem vindo a Comitiva do Anel amigo – Gimli ergueu-se para apertar a mão do recém-chegado. – Você se parece muito com um certo rapaz que conheci há quatro anos e que por acaso ameaçou arrancar minha cabeça. – todos riram.
– Na verdade mestre anão, Éothain é meu parente e o incumbi de acompanha-los em meu lugar – esclareceu Éomer.
– É uma honra tê-lo como o mais novo membro de nossa companhia – concordou Legolas sorrindo e virando-se para Lindir. – elas estão no quarto de Margareth, terceira porta á esquerda.
– Obrigado. – o elfo sorriu e começou a subir as escadas rapidamente.
– O que se passa com Marianne? – volveu o mago branco acendendo seu cachimbo.
– Enjoos típicos de início de gravidez – respondeu Suzan descendo as escadas, acompanhada de Kendhra. – deixamos os especialistas cuidando de Mary, lá em cima.
– Eu disse àquele elfo que ainda havia esperança – sussurrou Gandalf sorrindo exultante.
***
Lindir hesitou antes de socar a porta de madeira maciça a sua frente. Ele pôde ouvir a voz irritada de Margareth do outro lado e não conseguiu controlar um sorriso simples e triunfante. Veria a garota que tinha lhe tirado o sono por várias e várias noites ao longo dos anos, talvez pudesse dizer que ainda nutri esperanças de viver a seu lado.
A avó de Marianne abriu a porta, xingando vigorosamente o “desocupado” que vinha lhe incomodar numa hora como aquela. Emudeceu de imediato ao ver que se tratava do elfo com quem andara sonhando naquela mesma tarde, enquanto desenterrava as coisas de seu baú.
– Lindir? – perguntou ela sentindo a pulsação aumentar, o que foi perfeitamente audível ao elfo.
– Olá Meg – respondeu ele tomando uma das mãos da senhora e beijando-a com suavidade. Suzan e Kendhra trocaram um olhar intrigado. – boa noite senhoritas.
– Boa noite – responderam elas em uníssono. – bem, acho que vamos deixa-los cuidando de Mary, encher o quarto não vai adiantar de nada, não é mesmo? – Kendhra saiu de fininho, acenando para que Suzan a seguisse.
– Lindir o Imladril? (Lindir, de Imladris?) – perguntou Marianne levantando-se um pouco e logo depois voltando a afundar no colchão macio.
– Na, Marianne suilannel (Sim, Marianne donzela da manhã) – respondeu o elfo sentando-se ao lado da moça e logo sentindo que havia algo de errado com seu estado de saúde. – Está sentindo-se mal desde quando?
– Hoje de manhã, os enjoos vieram com força total e eu não tenho tanta força para aguenta-los – murmurou ela com um sorriso fraco.
– O que acha que pode estar causando isso? – questionou Meg olhando para o horizonte esbranquiçado através do vidro da janela.
– Magia, mais fraca do que foi aplicada na vez em que Mary quase abortou – a garota teve um arrepio. – mas mesmo assim se trata de alguém que quer atingi-la diretamente.
– Alguém que quer me impedir de visitar Tom Bombadil – meditou a esposa de Legolas ao que a avó olhou-a chegando a mesma conclusão. – Há algo que possa anular estes efeitos?
– Posso fazer um preparado com ervas que afastará todos os feitiços que lhe tentarem atingir – garantiu o elfo mirando fundo nos olhos de Margareth. – você ainda guarda as plantas que lhe dei em Imladris?
– Hã... – a filha de Tolkien abaixou-se, puxando com força o baú onde guardava as lembranças de sua viagem até a Terra Média. – acho que eu ainda tenho algumas coisas aqui.
– A senhora não tinha me mostrado essa caixa antes – resmungou Marianne espiando o interior do compartimento de madeira.
– Isso porque não tive a oportunidade de deixar que você fuxicasse em meus pertences, Marianne Greenleaf! – contrapôs ela estendendo a Lindir uma pequena sacola de material escuro, os dedos perderam-se entre os do elfo quando está colocou-lhe o objeto nas mãos.
– Le Hannon (Obrigado).
– U-moe Edav Lindir (Não agradeça, Lindir) – respondeu Meg sorrindo e sentando-se na poltrona onde costumava ler, em frente à cama.
O elfo concentrou-se na tarefa de trançar os ramos das mais variadas plantas que a avó de Marianne guardara – e que milagrosamente não tinham morrido, devido ao tempo em que ficaram escondidas dentro do baú. Recitou palavras em élfico, amassou as folhas e em seguida colocou-as em um pingente que Margareth retirou do próprio pescoço, passando-o para o pescoço da guardiã.
Mary recobrou a cor e o bem estar como se num passe de mágica. Ergueu-se da cama e até ensaiou alguns passos de dança. Sorriu depositando vários beijos no rosto enrugado da avó e também na bochecha de Lindir. Em seguida saltitou para fora do quarto, deixando os dois a sós. Era a chance que o braço direito de Elrond esperava.
– Por que veio? – foi Meg que quebrou o silêncio, apertando a barra do casaco de montanhismo que comprara.
– Porque queria ajudar – respondeu ele analisando as ranhuras que cobriam as paredes. – e também porque senti sua falta.
A filha de Tolkien riu. – Não sou mais a menina que conheceu, Lindir.
– Não é o que eu penso, consigo ver aquela menina em cada gesto seu – ele se levantou e tomou uma das mãos da senhora. – em cada olhar, cada sorriso.
– Por favor, nós não podemos continuar com isso – Meg ergueu-se afastando-se, os olhos cheios de lágrimas por trás dos óculos de armação. – faz muito tempo que estamos alimentando essa história...
– Antes de você casar, antes de ter filhos e parar de aparecer naquela cabana... Nós éramos felizes, Margareth! Não tente negar – pediu ele em súplica. – Eu ainda penso em como chegou a Valfenda naquele dia, lembro-me do primeiro beijo que lhe dei. Meg, olhe para mim!
A avó de Marianne obedeceu, as lágrimas por vez escorrendo e deixando rastros em seu rosto envelhecido. – Você está me torturando, seu elfo doido e encantador – resmungou fechando os olhos e permitindo que Lindir lhe beijasse os lábios uma última vez.
***
– Aragorn! – Marianne desceu as escadas saltitando a jogou-se nos braços do rei de Gondor sem a menor cerimônia. – E quem é esse rapaz?
– Éothain, milady – respondeu o primo de Éomer com uma reverência. – é uma grande honra estar na presença da Guardiã.
– Guardiã esta, que está saltitante demais para alguém que há cinco minutos estava tentando pôr as tripas para fora – comentou Thranduil num sussurro, levando um olhar gélido de Kendhra em sua direção.
– Era magia negra, meus amigos – Lindir descia os degraus da escada longa vagarosamente, logo atrás vinha Margareth, com as faces um pouco coradas.
– Vou ter que usar este pingente até o fim de nossa viagem – explicou a moça abraçando-se ao marido, que lhe beijou o topo da cabeça.
– Creio que seja melhor usar o amuleto até o fim de sua gravidez – corrigiu a avó com expressão soturna. – daqui a três dias estarão na casa de Tom Bombadil e assim descobrirão o que está atormentando a Terra Média e acho que até lá, enfrentarão alguns problemas...
– Radagast disse ter visto aranhas gigantes, saindo da fortaleza de Dol Guldur novamente – começou Kendhra calmamente. – Gandalf, você chegou a vistoriar o local?
– Ainda não, mas também soube por intermédio de Aragorn e Faramir, que alguns Uruk-Hais têm saído dos escombros de Bara-dûr. – o mago branco estendeu um mapa longo sobre a mesa de centro.
– Acha que Sauron pode ter voltado? – balbuciou Frodo com uma das mãos pousadas no ombro.
– Não, mas creio que teremos de enfrentar alguém muito mais ardiloso do que o Senhor da Escuridão – o Istari perpassou os olhos azuis pelos presentes. – este novo inimigo é calmo, pacientemente ele cresce e esconde-se de todos os que podem detê-lo. Sabemos o que ele quer? – todos negaram. – Sabemos onde se esconde? – novamente a negativa foi total.
– Está trabalhando nas sombras e nelas permanecerá oculto até o momento em que achar-se poderoso o suficiente para travar uma nova guerra – cogitou Éothain.
– Estou começando a pensar seriamente em voltar para casa – murmurou Meriadoc.
– Bravura amigo hobbit, é disse que estamos precisando – Aragorn tocou o ombro do pequeno e lhe ofertou um sorriso fraco. – vamos até o velho Bombadil e depois do que ele nos disser, podemos começar a pensar sobre as estratégias que tomaremos.
– Todos de malas prontas? – perguntou Margareth apoiando as mãos nos quadris e olhando-os de cima a baixo. – Vamos escolher o quartos de quem ficará para partir amanhã cedo!
***
– Então, Éomer quer fazer de você a mais nova regente da Terra dos Cavaleiros? – Marianne e Suzan estavam no quarto que fora da mãe da guardiã.
– É isso que me assusta, eu me dispus a ir para Edoras e ajudar a cuidar do pequeno Boromir, mas não esperava que ele me nomeasse assim desse jeito – a jornalista deu de ombros, tirando os óculos e deitando de lado.
– Eu me senti do mesmo modo quando Legolas apresentou-me para os elfos da Floresta Verde – admitiu Mary terminando de colocar o pijama que trouxera e enfiando-se debaixo dos cobertores quentes. – parecia que eu ia ter um ataque epilético no meio daquele salão abarrotado de gente.
Suzan riu pensando em como seria com o povo de Rohan. – Eu gosto tanto de Éomer, mas...
– Mas? Tem medo de entregar-se de corpo e alma a essa paixão? – a esposa de Legolas riu ao ver que a amiga negava o que ela havia dito.
– Tenho medo de ter de largar tudo o que construí neste mundo para viver essa paixão – esclareceu a loira escondendo o rosto com as mãos.
– Por acaso tive que jogar meu diploma de medicina veterinária pela janela para casar com Legolas? Tive que parar de trabalhar por que sou Guardiã de um mundo paralelo que nem ao menos imaginava existir? A resposta para tudo isso Suzan, é não. Nunca tive de abrir mão do que gosto de fazer porque me apaixonei pelo príncipe da Floresta das Trevas.
– Marianne Greyhood, ensina-me como ser tão despreocupada pelo amor de Deus! – as duas riram.
***
– Nem pense em chegar muito perto de meu lado do colchão – resmungou Gimli enquanto Legolas soltava os cabelos loiros e ajeitava as roupas que usaria no dia seguinte.
– Por que cargas d’água acha que eu faria isso? – devolveu o filho de Thranduil revirando os olhos e ajeitando-se embaixo da coberta.
– Nunca se sabe – continuou o anão ruivo. – também não entendi porque Aragorn tem um colchão só para ele...
– Assim como você e Legolas, vou ter que dividir “meu” colchão com Éothain – respondeu o rei de Gondor rindo da cara parva que o filho de Glóin lhe direcionou.
– Se está tão incomodado Gimli, façamos o seguinte – o marido de Marianne ergueu-se, pegando duas almofadas grandes e colocando-se de modo a que dividissem a cama. – melhor assim?
– Para um elfo, loiro e orelhudo, até que é bastante inteligente caro amigo – o ruivo deu uma bela gargalhada .
– Devo dizer que senti falta da companhia de meus antigos companheiros de batalha – Aragorn dirigiu uma vênia para o elfo e o anão.
– Também sentimos, só não esperava ter minha esposa e filha envolvidas nisso tudo – Legolas fechou os olhos, pensando se Marianne estaria bem.
– Nem eu conseguiria imaginar que teria Eldarion arrancado de meus braços – concordou o Dunedáin.
– Vamos reaver se herdeiro e também salvaremos Marianne e sua filha – prometeu Éothain desligando as luzes para que todos pudessem descansar frente a viagem que teriam de enfrentar na manhã seguinte.
– Prometam-me que não contarão a ninguém que tive de dividir a cama com este elfo insolente... – murmurou Gimli, fazendo os outros três companheiros rirem.
***
– Os guardas disseram-me que você amamentou o filho de Aragorn hoje – comentou Alagos cortando um pedaço de abobrinha e mastigando-o vagarosamente enquanto olhava para a elfa, esperando uma resposta.
– Não sei como, mas acabei produzindo leite – Almarvarnë mal tocara em sua comida, com medo de que pudesse estar envenenada. – Eldarion estava faminto. – ela sorriu fracamente.
– Não vai experimentar a comida? – desviou o elfo ao que a jovem ergueu o rosto.
Estavam no quarto onde ela fora violentada pelo mesmo carcereiro que agora lhe oferecia um verdadeiro banquete. A mesa fora posta por Orcs horrendos assim como os pratos e talheres. A elfa pensava apenas em como poderia escapar daquele lugar e em como levaria sua irmã e o bebê de Arwen consigo.
– Eu... Não estou com muita fome – respondeu Almarvarnë empurrando o prato para longe.
Alagos levantou-se, caminhando a passos leves e fluidos até o lado da cadeira onde a morena estava sentada. Pegou o garfo que esta deveria usar para comer e espetou-o em um pequeno pedaço de cenoura, levando-o até a boca.
– Está perdendo uma comida de qualidade excelente querida – ele devolveu o talher para que então a jovem começasse a beliscar os legumes.
– O que você faz quando sai daqui? Passa tanto tempo fora... – comentou Almarvarnë tentando arrancar alguma informação crucial do elfo.
Ele virou o rosto na direção da morena. Ela estava usando o vestido que ele escolhera. Vermelho e de magas longas e soltas, justo ao corpo bonito da elfa e que tinha fendas que lhe deixavam as pernas, a mostra. Almarvarnë estava descalça e um diadema de prata enfeitava seus cabelos negros. Uma bela dama.
– Só vai poder saber desses detalhes se for boazinha comigo – ele passou a mão pelo rosto delicado da elfa.
A irmã de Turelië fez então o que imaginava ser o mais impensado de ousado de sua parte. Ergueu-se da cadeira, ficando frente a frente com Alagos, que lhe olhava intrigado. Ela pegou as mãos do elfo, colocando-as em sua cintura e puxando-o para mais perto. Em seguida colou os lábios aos dele, como prova de que entendia o que ele lhe dissera.
Almarvarnë faria de tudo para salvar seu povo. Salvar sua irmã e o filho de Aragorn. Descobriria o que o elfo traidor estava planejando e depois ajudaria Marianne a derrota-lo. Ganharia a confiança do tirano e assim destruiria seu império.
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