Wait Me Forever...

16 Bênção dos Valar


Notas iniciais
Olha yo aqui again! Não pude postar ontem porque não tive tempo pra terminar de escrever, mas aqui está mais um capítulo. Já adianto que no próximo vamos ter a realização do ritual que trará os que se foram de volta a vida *-* espero que gostem!

CASAL: Éomer e Suzan::http://s1290.photobucket.com/user/Alatariel080/media/4bf3ebed-7d9c-46e9-8668-c3540f6d2cbc_zpsa16eb6eb.jpg.html?sort=3&o=9

– Meg... Você mal tinha saído de meus braços e já estava grávida de outro – as palavras não tinham tom de acusação e sim de entendimento. – Katherina era mesmo filha de Lincon?

A avó de Marianne engasgou e tossiu, passando as mãos pelos cabelos grisalhos e pelas calças grossas. – Não Lindir... Ela era sua filha.

Não soube mais como reagir. O ar simplesmente parecia se recusar a adentrar os pulmões pedintes. O mundo a seu redor congelara. As mãos fecharam-se em punhos ao lado do corpo esguio. Sentiu vontade de socar alguma coisa, mas não podia demonstrar sua irritação na frente de Margareth e também não gostaria de assustá-la. Inspirou fundo e soltou o ar que parecia rasgar sua garganta e queimar as vias respiratórias.

– Por que não me contou antes? – foi o que conseguiu proferir, tão baixo que mal fazia-se ouvir.

– Tive medo de sua reação – começou ela vagarosamente, inspirando e expirando para que as lágrimas não saíssem aos borbotões de seus olhos claros. – talvez tenha sido melhor assim, Lindir.

– Melhor para quem? – virou-se rapidamente, em seus olhos a dor transparecia, a mulher que amava contara-lhe uma mentira e as palavras cavaram uma ferida funda em seu peito. – Passei anos de minha existência pensando em como você estava, se sentia feliz! E agora diz-me que tivemos uma filha, que não pude segurar nos braços...

Margareth deixou-se cair sobre a cadeira mais próxima da porta. O rosto apoiado nas mãos, que escondiam o mar brilhante que lhe escorria pelos olhos. O peso da mentira a torturara anos a fio. E agora simplesmente despejara a verdade, esperando que Lindir a recebesse sem protestar. Fora tola, um monstro. Sentia nojo de si mesma.

– Perdoe-me – murmurou com soluços a lhe balançar o corpo. – Eu o amava, mas tinha tanto medo do que os outros poderiam dizer...

O elfo escorregou na direção do chão com as costas ainda grudadas a parede. As mãos percorrendo os braços a procura de algo que pudesse aquecê-lo. Acabou por encontrar a mão molhada de lágrimas de Meg. Não pôde deixar de notar o quanto ela estava sofrendo também. Apertou levemente os dedos enrugados e não menos fortes. Dedos que já havia envolvido o cabo de uma espada e a corda de um arco.

– Lúmë anta avánië (Faz bastante tempo que não nos víamos) – disse Lindir olhando para a linha do horizonte, onde o sol nascia alaranjado e vivo. — Alassëa omentielman nan (Estou feliz em vê-la novamente).

– Hantanyel tulesselyanen (Obrigada por vir) – conseguiu dizer Meg de volta, com a voz ainda engasgada a abafada pelos soluços. — Órenya linda tyë-cenien (Meu coração o saúda).

A filha de Tolkien escorregou para junto do elfo que continuava imóvel no piso frio. Ele passou a mão pelas costas da senhora e permitiu que ela escorasse a cabeça em seu ombro. Sentia falta dos momentos em que Margareth era simplesmente “Margareth”. Não a guerreira de postura dura e arbitrária, mas a doce e delicada mulher que Lindir conhecera nos pátios em Valfenda.

Uma luminescência fez com que o casal se levantasse em um salto. Algo brilhava sobre a neve alva e fria. Caminharam de mãos dadas até o local de onde o brilho vinha. Era o centro do lago. Tudo estava banhado em luz, que trazia calor e tranquilidade aos corações antes confusos. Esta tomou a forma de uma mulher delgada e de olhos azuis como os de Lindir, mas de cabelos dourados como os de Meg um dia haviam sido. Era Katherina, mãe de Marianne e filha de Margareth Tolkien e agora, também de Lindir.

– Tem cinco minutos para mim, mamãe? – perguntou ela. Usava um vestido marrom, adornado com um cinto de ouro fino e mangas de tonalidades próximas ao verde.

– Todo o tempo do mundo minha filha – balbuciou Margareth tirando os óculos para limpa-los.

– Se alguma estrela estivesse decorando o ceu sob nossas cabeças, eu certamente diria: Êl síla ned lû e-govaded vín (Uma estrela brilha na hora de nosso encontro)! Mae govannen Katherina! (Seja bem vinda Katherina)! – saudou Lindir com uma reverência, sentindo vontade de transpor a distância que os separava e abraçar a filha como nunca fizera antes.

– Hannon le ada (Obrigada pai) – a mãe de Mary sorriu, caminhando sobre a superfície fina e frágil do lago congelado onde Alícia havia descoberto seu dom e quase morrido afogada por isso.

– Queria ter lhe contado tudo, antes do que ocorreu – balbuciou a filha de Tolkien esfregando as mãos e colocando-as nos bolsos. A neve começava a cobrir seus cabelos e os do elfo a seu lado.

– Não precisa desculpar-se, a verdade viria à tona segundo os planos de Eru Ilúvatar e dos Valar que ainda o seguem em Valinor – respondeu Katherina, cuja imagem tênue tremulava conforme seus pés moviam-se sobre o lago. – Mas vim para avisá-los que preparem-se para a volta daqueles que um dia foram úteis para esta Terra e para a Terra Média.

– Quantos voltarão? – deixou escapar Lindir na esperança de que alguns dos heróis da época da criação de Arda, talvez retornassem para lutar pela terra que ajudaram a construir.

– Alguns dos que lutaram a meu lado em Valle – disse Meg ajeitando os óculos sobre a ponta do nariz. – isso é a única coisa de que tenho certeza.

– Não apenas eles, mas todos com os quais tiveram a oportunidade de conviver e que lhes foram tirados por força do destino – ela sorriu, virando-se para trás como se alguém a estivesse chamando para retornar aos Salões de Mandos. – preciso partir, cuidem-se e não deixem que as chamas de medo penetrem em seus corações!

– Vá em paz, minha filha – desejou-lhe Lindir erguendo a mão em despedida, gesto que Margareth imitou, sem conseguir emitir palavras, ao passo que a filha desaparecia mais uma vez diante de seus olhos.

***

Os pés doíam, as mãos estavam arranhadas e um filete escarlate escorria de sua boca inchada. Um dos olhos mal abria, devido às agressões que sofrera antes de conseguir escapar. Caminhou pelos ermos em meio à destruição de tudo que antes lhe parecia belo e incólume. O vestido branco tinha as barras sujas e puídas, as mangas rasgadas em ângulos estranhos e vários arranhões nos braços desnudos. O cabelo movia-se sem forças ao sabor do vento quente. Ela desabou próximo de um precipício, aquele era seu fim, sabia disso...

Almarvarnë acordou com um grito entalado em sua garganta. As mãos apertavam com tanta força os lençóis finos, que os nós de seus dedos tornaram-se brancos. O peito descia e subia em ritmo descontrolado, como se a elfa tivesse corrido por quilômetros a fim. A filha de Almoreth virou-se para o lado, procurando por Alagos, mas encontrando o lado da cama onde o elfo costumava estar, vazio e frio.

Ouviu então ao longe – com a audição apurada de seu povo – vozes exaltadas no gabinete que o elfo lhe mostrara naquela manhã. Indecisa e ao mesmo tempo curiosa, a irmã de Turelië decidiu por investigar as causas de tamanha discórdia. Desceu a passos lentos e sorrateiros até a porta grossa de metal negro, a qual jazia entreaberta. Esgueirou-se nas sombras e por instantes pensou estar tendo mais um de seus pesadelos.

Alagos andava em círculos detrás de sua mesa. A sua frente – mais encolhida do que normalmente ficava – estava Laracna. Ferimentos espalhavam-se por suas pernas e bandagem que ela mesma havia feito com pedaços de teia, soltava-se de maneira rápida deixando que seu sangue negro escorresse e pingasse no chão de ladrilhos brancos.

– Sua incompetência é tamanha, que não consegue cumprir nenhuma das missões que lhe mando fazer! – grunhia o elfo socando a mesa de mogno e unindo as sobrancelhas finas. Almarvarnë notou que Alagos estava pálido e suor lhe porejava em grande quantidade na testa. Tremores lhe percorriam o corpo.

– Meu senhor, eles estavam armados e acompanhados de Gandalf – ela fez uma careta, tentando aproximar-se e falar com mais clareza aos ouvidos de seu mestre. – e não podes esquecer que Marianne ainda é uma das mais poderosas guerreiras da Terra Média...

– Cale-se! Seu medo me causa repulsa! – ordenou o noldor inflamando-se em uma aura negra que antes não possuía. – Saia de meus redutos e volte a reunir tua prole, planejaremos um novo ataque e neste tu não falharás!

– Sim, meu mestre – ronronou ela saindo com pressa e receio dos aposentos do elfo.

Ele deixou-se cair na cadeira de encosto largo. Massageou as têmporas com vigor, esperando que a dor que lhe queimava o peito abrandasse e que pudesse pensar com mais facilidade. Os poderes que adquirira em Isengard o estavam consumindo e ele não sabia até quando aguentaria o desejo de libertar de uma vez toda a fúria da magia negra que carregava dentro de si. O mínimo movimento fez com o a postura alerta voltasse a ser imperativa em seu semblante. Almarvarnë entrou no recinto um tanto quanto receosa, passou a mão pelos cabelos negros e longos como a noite.

– O que quer? – rosnou Alagos tornando a pôr-se de pé, vacilante.

– Você está pálido – comentou ela ignorando a raiva existente na voz do noldor e tocando-lhe o rosto frio com as pontas dos dedos. – sente-se bem?

O elfo suspirou diante do toque, segurando a mão da morena junto de seu rosto antes de solta-la e mirar os olhos cheios de angústia da dama de Imladris. – Algumas coisas ruins vão acontecer e não sei se terei forças para viver por muito mais tempo.

Almarvarnë levou as mãos aos lábios reprimindo um grito de surpresa. O que estava acontecendo consigo? Será que começara a nutrir sentimentos por aquele que traíra seu povo e que a violentara no momento mais delicado de sua vida? Por que ela parecia desnuda quando Alagos lhe pousava os olhos? Por que sentia-se tão bem e ao mesmo tempo tão incomodada quando perto dele? Sentiu os braços do elfo ao redor de sua cintura antes que terminasse de tirar suas conclusões.

Ele a abraçava com força, parecendo uma criança sofrida que procura pelo carinho dos pais. A irmã de Turelië lhe afagou os cabelos dourados – que contrastavam com a cabeleira negra da elfa de Valfenda, dizendo que tudo passaria e que fariam juntos uma oração para que os Valar aliviassem seu fardo, mesmo que este estivesse intimamente ligado a maldade e obscuridade.

– Não precisamos orar para que os Valar nos abençoem – resmungou então Alagos com suavidade, deslizando os dedos pelas costas levemente arqueadas de Almarvarnë. – só fique comigo por alguns minutos. Sua presença me faz bem.

Subiram para os aposentos onde costumavam passar a maior parte do dia. Distante de tudo o que lhes fosse incômodo. Cada vez mais próximos e ao mesmo tempo com um abismo de diferenças notáveis em seus corações. Almarvarnë escorou as costas nos travesseiros, permitindo que Alagos apoiasse a cabeça em seu colo enquanto ela lhe cantava a Balada de Leithian (a qual contava a história de cativeiro de Beren durante os dias em que Morgoth fora o primeiro Senhor do Escuro na Terra Média. Também sobre o primeiro caso de miscigenação de raças ocorrido no seio da terra em construção).

E assim o elfo, corrompido pela maldade e pelo ódio que corriam em suas veias, deixou-se embalar nos braços daquela que viria a ser sua companheira e também sua ruína. A elfa retirada do seio de seus antepassados a força, cujos cabelos negros formavam um manto delicado sobre os ombros. A irmã de Turelië ainda sofreria dores e perdas irreparáveis na companhia de Alagos, mas por enquanto seu coração se enchia de paz, na esperança de que pudesse trazer o noldor de volta para a luz.

***

– Movam-se com rapidez, não sei por quanto tempo ficarão livre dos ataques de Laracna, já que disseram-me que ela retornou – instruía Tom Bombadil que a soleira da porta de sua cabana observava a comitiva liderada por Marianne preparar-se para partir.

A noite fora longa e repleta de lembranças de tempos remotos. Lágrimas derramadas e secadas com a mesma intensidade, amor e amizade misturando-se em uma combinação forte de união e proteção. Frodo fez mais uma reverência diante do homem que fora um dos poucos agraciados pelos Valar e que já visitara os palácios de Varda e Manwë em Valinor. Fruta D’Ouro trouxera-lhes bebidas e comidas para que sua jornada fosse mais prazerosa, na tentativa de aliviar os corações que carregavam um imenso fardo.

– Nos despedimos novamente Marianne Suylannel, que os Valar os iluminem e que a paz ande por onde seus pés passarem – desejou o avô recebendo um último abraço na guardiã.

– Adeus vovô, espero que possamos nos ver em breve – disse-lhe ela com um sorriso nos lábios.

Partiram então com o vento abafado e úmido da primavera trazida por Yavanna naquelas terras que já haviam testemunhado muito mais guerras e estas muito mais sangrentas e destruidoras do que aquelas que estavam por vir. Aqueles que antes guiaram o Um Anel para Mordor, não iriam livrar-se de seu fardo e de sua sombra antes que as fundações do mundo desabassem e que tudo findasse em poeira e destruição. Entretanto, a luz de Eärendil iluminava os caminhos daqueles cujo intento permanecia puro e intocado pela maldade de qualquer Senhor do Escuro que viesse a surgir.

– E agora voltaremos para casa e para nossas vidas normais – pensou Merry atraindo os olhares de todos que o acompanhavam. – o que é? Não disse que “vidas normais” significa paz, e descanso. Na verdade estou começando a gostar de nossas aventuras.

– Não acredito que disse isso – resmungou Pippin rindo da cara de parvo do primo.

– Mas o que há de mal em sair da passividade? – questionou Gimli trocando o machado de uma mão para outra e com o olhar perdido em algo que apenas ele podia ver.

– Nada meu amigo, não há nada de errado em divertir-se um bocado – concordou Gandalf sorrindo e soltando baforadas longas de seu cachimbo.

– O conceito de “diversão” que os senhores têm, é muito diferente do meu – continuou Peregrin cruzando os braços em frente ao peito, bufando.

– Já até sei o que vai dizer – Meriadoc pigarreou esforçando-se para que sua voz se assemelhasse a do primo. – “Para mim, o que há de mais divertido neste mundo, é uma boa festa, de preferência com os fogos de artifício de Gandalf e as melhores comidas de todos os cantos do mundo.” – o hobbit olhou Marianne que cobria a boca com uma das mãos, tentando reprimir uma risada.

– Foi uma imitação digna de um ator – comentou Samwise.

– Existe um prêmio para o melhor ator em minha cultura – comentou Mary e Legolas lembrou-se do dia em que assistira ao tal prêmio na “caixa que exibia imagens” a qual ficava na sala de estar. – chama-se Oscar.

– Oscar? Como o nome do ferreiro que morava na rua de meu pai, não se lembra, Sr. Frodo? – Sam bateu na própria testa, rememorando a discussão que tivera com o velho Oscar, quando este queria comprar as panelas de estanho de sua casa para fazer adornos.

– Aquele no qual você quase deu uma surra? – retrucou Frodo deixando escapar a gargalhada que a muito não saía de sua garganta.

– Ele queria derreter minhas panelas de estanho!

– Os metais sempre causara discórdia entre homens, anões, elfos e agora entra hobbits – comentou Aragorn com a história dos homens do Ponente a lhe pular na mente.

– E foi por causa de um metal e mais precisamente de uma joia que a desavença entre elfos e anões teve início – Legolas segurava a mão de Marianne de um lado e as rédeas de Trovão do outro.

– Meus pais contavam-me muitas histórias sobre os tempos antigos, mas nunca chegaram a comentar como nasceu o ódio entre seu povo e o povo de mestre Gimli – Éothain parecia interessado nos fatos e seus cabelos loiros brilhavam com uma aura dourada sob o sol.

– Espero que você ressalte a participação dos anões na construção de seus lares, caro Legolas – resmungou o anão ruivo.

– Não me esqueceria disso, afinal de contas, os lares de meus antepassados em Doriath só foram construídos pela ajuda e sabedoria dos anões. Quem tinha o governo sobre as cavernas de Menegroth era Thingol, marido de Melian a Maia.

– Uma das mais adoráveis criaturas que já pisou nesta Terra Média – murmurou Gandalf.

“Thingol recebera e acolhera em seus salões os anões que vinham de Belegost e naquela época o poder das Silmarills era desejado por todos os que nelas pusessem os olhos. Uma destas pedras – que armazenavam a luz das árvores de Valinor – estava de posse de Thingol, que a guardava com zelo. O destino de homens e elfos cruzou-se no dia em que Húrin foi libertado de sua prisão em Angbad – fortaleza negra de Melkor, primeiro senhor a espalhar a escuridão por estes prados – após vinte e oito anos de cárcere. Este retornou a cidade élfica de Gondolin na esperança de reencontrar sua família, mas a cidade branca fora destruída por um violenta ataque de Orcs, cujo comandante era Glaurung, o dragão.”

– Quer dizer então, Sauron não foi o primeiro desgraçado a tentar destruir tudo isso? – Merry apontou para as folhas verdes cobertas de orvalho que refletiam os raios solares, os pássaros que cantavam e os animais que passavam pela comitiva tranquilamente.

– Tome cuidado com o que fala, podemos odiar as trevas, mas mesmo assim devemos respeitar nossos inimigos. – foi o sábio conselho de Éothain, que mantinha nos olhos a expressão de quem pedia por mais.

“Húrin entregou então ao rei a pequena porção do tesouro que o ganancioso dragão detinha. Uma joia apenas, que simbolizava a amizade entre os Naugrim e os Eldar. O colar de Nauglamír no qual o rei Thingol pediu que engastassem a Silmarill que ele próprio guardava. Mas os anões, ao comtemplarem o brilho da joia que continha a luz de Telperion e Laurelin encantaram-se e se negaram a entregar o colar para o elfo. Houve guerra entre os dois povos que antes consideravam-se amigos e muitos morreram por culpa da ganância de Thingol e dos ferreiros de Nogrod.”

– São informações demais para minha cabeça – disse Sam acompanhando cabisbaixo, a comitiva.

– A história das Silmarills é muito complexa sim, Sam. Contudo também há um pouco de beleza em toda a trajetória da primeira e segunda era da Terra Média – continuou Marianne olhando para os hobbits, que devolveram o olhar na esperança de que houvesse mais uma história. – talvez eu deva lhes falar, a respeito de Beren e Lúthien...

Legolas olhou-a fundo nos olhos. Lembrando-se do que Elrond Meio-Elfo dissera ao final da grande batalha em frente aos portões negros de Mordor. Eles eram reencarnações dos amantes de Doriath, que haviam sofrido perdas enormes antes de terem seu amor concretizado. De súbito o Sindar pensou na filha que o casal tivera e que arcou com um destino sofrido antes de ser plenamente feliz. Sua mente escureceu por alguns momentos antes de enfim chegar a conclusão de que mesmo o destino poderia ser mudado, e que sua filha não sofreria e não choraria por coisa alguma. Aquela foi sua promessa.

***

Arwen usava um manto negro, que lhe encobria o rosto bonito e jovem. Seus traços emanavam a tristeza que tomara conta de seus dias e também de seu coração. O filho fora raptado e o lugar em seu berço jazia frio e vazio, assim como o lugar que Aragorn ocupava em sua cama. Temia pelo destino dos dois e por seu próprio fim. A dor a consumia e a luz que seu povo lhe conferiu tornava a se apagar. A Estrela Vespertina minguava e encolhia voltando seus pensamentos para as Terras Imortais com ainda mais frequência.

Os passos leves a levaram até árvore branca de Gondor. A praça estava completamente vazia, já que a luz das estrelas iluminava os céus há mais de quatro horas. Deixou o capuz cair sobre os ombros ao se aproximar de uma figura bela e delgada que sentava-se aos pés da árvore e chorava copiosamente, sem emitir soluço algum. As lágrimas brilhantes caíam nas raízes da planta, regando-a.

– Por que teu coração se enche de sombras, Arwen Undómiel? – perguntou a dama erguendo-se.

Tinha longos cabelos negros e suas vestes pareciam feitas de partículas da própria terra. Os olhos tinham a luz das estrelas puras e por onde andava tudo florescia. Aquela era Nienna, uma das Valier, irmã de Mandos e Irmo Lórien. E esta era a deusa da Compaixão e a única que poderia reviver a força e a coragem nos corações dos que pisavam em Arda. Arwen prontamente curvou-se mas a Ainur fez com que a elfa novamente levantasse e escutasse suas palavras.

– Minha senhora, meu filho foi tirado de meus braços e meu marido corre buscando por ajuda, mas temo que os dias da casa de Elessar Pedra Élfica, estejam findando – admitiu a filha de Elrond com lágrimas nos olhos.

– Eu muito pranteei estas terras e os filhos de Ilúvatar que aqui pereceram – respondeu a deusa complacente. – por isso garanto-te que os dias de teu marido, de teu filho e os teus ainda serão longos e fortuitos.

De pronto a elfa sentiu-se esperançosa e as forças pareciam voltar a seu corpo com rapidez assustadora. Os ombros ergueram-se e aos olhos azuis lhe retornou a coragem e a vontade por justiça e mudança. Se fosse preciso lutaria, mesmo que seu marido protestasse, defenderia aqueles que lhes eram caros.

Beijou as mãos de Nienna com fervor dizendo que ficaria em dívida com a deusa até o fim de seus dias. Correu de volta a seus aposentos, buscando a espada que os ferreiros de Imladris lhe tinham forjado. Pôs roupas resistentes e procurou em todos os cantos por seus irmãos, Elrohir e Elladan. Os elfos gêmeos olharam-na surpresos e temerosos, mas elas apenas pediu-lhes que tomassem seu lugar no comando de Gondor.

– O que vais fazer? – perguntou Elladan puxando o rosto da irmã, para que esta mirasse a preocupação que o filho de Elrond trazia.

– Vou defender meu filho e auxiliar Marianne e os outros que precisarem do pouco da graça dos Valar que ainda carrego dentro de mim. – respondeu ela sorrindo e abraçando os irmãos. – Digam ao ada que logo estarei de volta a cidade branca e trarei Eldarion em meus braços.

E assim a Estrela Vespertina cavalgou no lombo fulvo de Asfaloth pelas escarpas e morros que formavam o reino de Gondor. Passando por rios e regatos até encontrar as fronteiras entre os mundos e lançar-se na direção de Green Valley. Ela lutaria até o fim, para conquistar o que lhe haviam tirado. A luz de Nienna e a bênção dos Ainur a acompanhava e a irmã de Irmo Lórien continuou a chorar aos pés da árvore branca, na praça da cidade de onde a descendente de Eärendil havia partido.

Notas finais
Gostaram? Coloquei um pouco sobre a história de O Silmarillion (que eu estou lendo e amando