Vítima.
13 Saia Dessa Cadeira!
Carolina estava em pânico, seu mundo havia sido arruinado do dia para a noite. Ela havia perdido a viagem para fazer os desfiles de seu contrato internacional e a pessoa que ela mais amava na vida, a pessoa em quem ela mais confiava havia sido assassinada e seu corpo sem vida havia caído a seus pés, mas isso não era o que mais lhe torturou, o que mais doeu foi ter que fazer os preparativos para o velório de sua mãe e ver dentro daquele caixão a mulher que fora tão importante para ela a vida toda. Ver o caixão de sua mãe ser fechado em sua frente e não poder fazer nada havia matado um pedaço de Carolina e enterrado junto com a mãe, mas a última promessa que ela havia feito para a mãe é que ela faria o impossível para cumprir. Ela descobriria quem a matou e fazer justiça!
Depois de quatro dias Carolina teve coragem de voltar a sua casa e vasculhar o quarto de sua mãe, em busca de alguma prova pois havia sido o último lugar em que ela esteve antes de sua morte. Ao entrar naquele quarto Carolina ficou muito tocada, mas mesmo sabendo como isso iria afetá-la, ela decidiu ir sozinha. Ela parou no meio do quarto e olhou ao seu redor, aparentemente, não havia nada de errado, todos os detalhes da personalidade perfeccionista da mãe ainda estavam naquele quarto. Ela olhou para a cama, paro o guarda-roupas, e começou a chorar ao olhar a penteadeira. Ela foi até a cadeira e sentou-se em frente ao espelho e pegou a escova de cabelo que havia sobre ela e começou a pentear o cabelo. Quando ela parou, ela secou as lágrimas do rosto e colocou a escova sobre a penteadeira novamente e olhou as gavetas da penteadeira, então ela abriu a primeira e não havia nada demais, algumas maquiagens então ela abriu a segunda e então notou algo fora do comum. Haviam um envelope aberto e um pequeno bilhete.
Quando ela abriu o envelope ela viu a carta que a mãe havia recebido naquela semana, o bilhete ameaçando-a sobre seu passado e o outro bilhete que pedia para que Ângela subisse a seu quarto, porém não havia nenhum remetente e então ligou para Fabrício.
— como é que vamos chegar na pessoa que mandou estes bilhetes? — Carolina estava muito pensativa.
— meu amor, você não acha melhor deixar isso com a polícia? — Fabrício achava que tentar achar o assassino da mão sozinha faria muito mal a ela.
— tive uma ideia – Carolina ficou pensativa e calou-se por alguns segundos.
— alô amor, você está aí? — chamou Fabrício.
— oi amor, estou aqui sim – Carolina estava pensando em como agiria, mas o plano era o seguinte – olha só, eu vou ligar pro pessoal do buffet e pedir uma relação de todo o pessoal que trabalhou aqui e pros meninos do bar também. É impossível que alguém não tenha visto alguma coisa, alguém deve ter visto alguém entregando o bilhete para a minha mãe. Caso não dê certo, eu começo a chamar as pessoas, uma por uma da festa.
— mas amor, e se esse bilhete não foi entregue na noite da festa?
— então, o que está no envelope eu acho que não mesmo, mas o bilhete eu sei que foi entregue na festa porquê ele está específico demais sabe, ele diz que é para ela subir para o quarto. Bom eu vou desligar e ligar pro pessoal do buffet amor, a gente se fala depois.
No fim do dia, Carolina chegou na casa de Fabrício desapontada.
— o que houve meu amor, você está tão abatida – dizia Fabrício.
— eu falei com o pessoal do buffet e ninguém viu nada, pode? — Carolina estava inconformada – mas eu não vou desistir não, amanhã eu ligo pro pessoal do bar chamando os garçons e…
— meu filho, em que dia foi o… — Branca invadiu o quarto do filho sem bater à porta, coisa que ela estava acostumada a fazer e deparou-se com Carolina – o que você está fazendo aqui?
— mãe, minha namorada está me visitando, qual é o problema?
— não se preocupa Fabrício – disse Carolina interrompendo a briga, antes mesmo que ela começasse – eu já estou saindo.
— não precisa meu amor, você pode ficar aqui comigo esta noite.
— deixa a garota Fabrício – interveio Branca – ela sabe o que está dizendo.
— mãe, não tem necessidade de ela ir pra casa, ela já está aqui comigo.
— prefiro ir para casa ficar vendo fantasmas e vultos do que dormir sob o mesmo teto que a monstra da sua mãe.
— olha lá como fala que eu não vou ser ofendida por ninguém Carolina, muito menos debaixo do meu teto!
— meu também mãe – Fabrício parou entre as duas – chega disso, dá licença mãe.
— você vem comigo ou fica Fabrício? — pediu Carolina.
— eu sabia, desde o começo é isso que você queria né sua infeliz, me separar do meu filho!
— ninguém precisa separar você de coisa nenhuma, você é tão podre que afasta tudo sozinha – Carolina começou a andar em direção a porta – você é o tipo de pessoa digna de pena que vai acabar sozinha.
Carolina saiu e Fabrício foi atrás dela.
— você vai ficar do lado dela meu filho?
— isso aqui não é uma guerra pra eu ter que assumir lados minha mãe!
— é sim, a partir do momento em que alguém tenta me separar do meu filho virou uma guerra, e você vai perder!
A essa altura Carolina estava tão longe que nem se dignou a responder. Quando chegaram em sua casa, Carolina nem quis falar sobre o assunto, ela tentava ao máximo não dizer para Fabrício o que pensava de sua mãe, por uma questão de respeito.
No outro dia, Carolina reuniu o pessoal do bar e durante as conversas ela conseguiu uma informação de ouro: um dos garçons havia recebido um bilhete das mãos da jornalista Marcela para que entregasse para Ângela. No mesmo instante ela ligou para Marcela que disse que hoje não poderia se encontrar com ela, porém eles marcaram para amanhã a tarde o encontro, por mais que Carolina insistisse, mas Marcela tinha outro compromisso na redação. No mesmo instante em que Carolina desligou, ela recebeu outra ligação, era Renato.
— oi Carol, tudo bem? — a voz de Renato deixava claro que algo não estava certo.
— olha, eu estou bem, mas pela tua voz, você não. O que houve?
— então, é que aconteceu uma coisa meio chata aqui na revista hoje…
— fala logo criatura! — Carolina estava impaciente
— a Branca conseguiu em uma reunião essa tarde assumir sozinha o cargo de direção criativa da revista, ficando como editora-chefe e, bem, nem sei como dizer isso, mas ela agora está usando a sala que era da sua mãe.
Carolina ficou chocada, ela ficou em silêncio por alguns segundos e a única coisa que conseguiu responder foi “em dez minutos eu estou aí”.
Quando Carolina chegou, ela foi direto para a sala de sua mãe, ela passa rápido por todas as mesas e todos os funcionários sem se anunciar, ela passou tão rápido que nem notou que Maria de Fátima não estava em sua mesa, estava apenas Renato, que tentou falar com ela, mas Carolina não parou, ela entrou na sala de sua mãe e bateu a porta com tanta força que o barulho ecoou em todo o andar.
— você tem dois segundos pra sair dessa cadeira ou eu vou te arrancar daí a bofetadas, sua desgraçada!
— olá minha querida – Branca virou a cadeira e olhou para Carolina – imaginei que você viria, mas não tão cedo – ela sorria com deboche.
— você acha que ganhou sua infeliz? Você acha que vai ficar com a vida da minha mãe? Nunca, não enquanto eu respirar! Você não tem lastro, você não tem prestígio, você não é nem nunca será ninguém para ficar no lugar de alguém como Ângela Machado, seu pedaço de lixo! Agora você levanta e sai daí por bem ou eu não respondo por mim! — Carolina gritava.
— acalme-se minha querida, eu vou pedir para que algum dos meus secretários te trazer uma água com açúcar – Branca pegou o telefone, mas antes que pudesse discar o número do ramal que dava na mesa de Renato, Carolina arrancou o telefone da mesa e o arremessa contra a parede – você ficou louca é garota? Eu vou é chamar a polícia!
— você vai é chamar uma ambulância sua infeliz!
Carolina investiu contra Branca e antes que Branca pudesse levantar-se, Carolina a agarrou pelos cabelos com uma mão e começou a dar-lhe bofetadas na cara com a outra, Branca gritava tão alto que Renato entrou na sala para intervir.
— Carolina de Deus, para com isso mulher, você vai matar ela! — Renato segurou Carolina pela cintura e tentou puxá-la, mas Carolina segurava com tanta força o cabelo de Branca que ela caiu no chão, derrubando a cadeira. Renato continuou puxando ela para trás e um pequeno masso de cabelos estava entre os dedos de Carolina.
— eu falei que você ia sair dessa cadeia sua imunda! — Carolina agora ria – fica aí no chão que é o teu lugar, e você me solta seu traidor! — ela tirou os braços de Renato de ao redor de sua cintura com violência – o Renato que eu conhecia teria pedido demissão diante de uma situação ridícula dessas, e você aí, conivente!
— saia daqui sua louca, sua maluca maldita – Branca levantou-se escorando-se na mesa — você vai me pagar, eu vou te mandar pra mesma vala que a sua mãe sua filha de uma…
Carolina deu-lhe outra bofetada que a arremessou no chão com violência e Branca deu uma gemida de dor.
— mandei você ficar no chão, sua porca, aí é o teu lugar, o chão que a minha mãe pisou é o teu lugar, e não abre a boca até eu sair, você está proibida de dirigir a palavra a mim.
Carolina virou-se e saiu batendo a porta com a mesma força que havia batido quando entrou. Renato ficou espantado com o que vira, ela um lado de Carolina que ele não conhecia, então ele foi chamar ajuda para Branca.
Quando Carolina chegou em casa, ela deu-se conta que havia acabado de esbofetear sua sogra. Ela não se arrependia em momento algum, mas ela temia que isso fosse lhe causar problemas com Fabrício, e no momento em que ela terminou de concatenar esse pensamento seu telefone tocou, ela olhou no visor do celular e não deu outra era Fabrício.
— alô? — ela falou baixo, intimidada
— você ficou louca Carolina? Ter desavenças tudo bem mas partir pra agressão dessa maneira pra cima da minha mãe? Você arrancou sangue dela, ela tem uma idade avançada, Carolina, você tem ideia, minha mãe perdeu um pivô! — Fabrício gritava, mas Carolina quis rir quando ouviu sobre o dente que havia caído, mas ela não seria louca de rir naquela situação – Carolina, isso não se faz com ninguém, ela me contou que você entrou gritando que ia me tirar dela, que história é essa, eu sou um objeto pra ser tirado de alguém?
— a tá – nesse momento ela se obrigou a responder – você realmente acha que eu entrei gritando na sala da sua mãe gritando que eu ia tirar você dela? Eu sei que você não é burro Fabrício, dá licença também né.
— e ainda me chama de burro, olha Carolina, francamente, você ainda me chama de burro por acreditar na minha mãe? Acho que eu não te conheço quanto eu achava conhecer. Quem sabe seja melhor a gente dar um tempo pra pensar melhor.
— você está terminando comigo por telefone Fabrício, é isso? A quer saber – agora quem gritava era Carolina – fica aí com a pilantra da tua mãe que vocês devem ser iguais, eu tenho coisa muito mais importante pra me preocupar.
Carolina desligou o telefone e o arremessou sobre a cama. Ela estava com os nervos a flor da pele e não conseguiria aguentar até amanhã para falar com Marcela, então ela decidiu que iria até a redação da revista falar com ela hoje mesmo e assim o fez, porém quando ela chegou lá, Marcela já havia saído. Ela havia saído de uma reunião e ido para a rua trabalhar fora, inconformada por ter perdido a viagem, ela voltou para casa, ele estava cansada com tudo o que havia acontecido, a única coisa que ela queria era chegar em casa, tomar um remédio e poder dormir, porém, ela se deparou com mais uma cena absurda.
— mas deve ser o fim do mundo hoje ninguém me avisou – Carolina parou na porta, abismada – alguém pode me explicar essa palhaçada?
Maria de Fátima estava sentada no sofá, ao lado de seu pai.
— oi minha filha, eu trouxe a Fátima para morar aqui comigo porque faz tempo já que… — Arnado tentou se explicar para a filha, porém foi interrompido.
— essa piranha tem 5 minutos pra sumir daqui! Eu já dei na cara de uma hoje, se não quiser levar na cara também,é bom você sumir logo.
— olha Carolina, eu sei que a gente começou com o pé esquerdo mas… — Fátima tentou falar, mas também foi interrompida.
— cale a boca sua piranha. Pai você faça o favor de pedir que essa prostituta não dirija a palavra a mim, eu não falo com rameiras.
— Carolina, me desculpe minhas filha, eu entendo a nossa recente perda e dói tanto em mim quanto em você, mas a Fátima vai morar aqui conosco e você vai ter que respeitá-la. Não precisa gostar dela, mas respeito é fundamental para a boa convivência!
— respeito? Respeito meu pai, quem é você, aliás, qual de vocês pode falar alguma coisa de respeito? O corpo da minha mãe nem esfriou embaixo da terra e você já está colocando essa prostituta dentro de casa? Você não pensa na piada que você vai virar?
— Carolina, mais respeito, eu sou seu pai – disse Arnaldo se levantando.
— deixa amor, eu sei que a Carolina é uma menina doce demais, com o tempo ela vai aprender a me respeitar e a gente vai ficar bem, é só uma questão de tempo.
— questão de tempo é pra você sair daqui e voltar pra esquina onde você fazia ponto, sua cadela! — Carolina gritou.
— me desculpa Arnaldo, mas eu não vou ficar aqui sendo ofendida por sua filha – disse Fátima, se fazendo de vítima.
— a, mas não vai mesmo! — Carolina foi pra cima de Fátima, pegou-a pelo braço e arrastou-a até a porta.
Arnaldo tentou intervir, mas Carolina era forte e conseguiu soltar-se do pai. Quando chegaram na porta, Arnaldo gritou.
— você ficou louca Carolina?
Ela nem deu bola para o que o pai disse e jogou Fátima para fora de casa.
— Carolina, já chega! — Arnaldo gritou
— chega mesmo, chega pai – ela gritou mais alto – se essa vadia entrar por uma porta eu saio pela outra. Você vai ter que escolher.
— ela é minha mulher, querendo você ou não!
— sua mulher não, a prostituta fixa e exclusiva que você tem. Acorda pra vida pai, essa desgraçada está te dando um golpe! O meu Deus – Carolina congelou e mudou de expressão, então ela se voltou para Fátima – foi você quem matou minha mãe para assumir o lugar dela? — ela deu a primeira bofetada na cara de Fátima – foi você sua cadela? — deu a segunda bofetada – foi, responde sua cadela! — a terceira bofetada.
— chega! — Arnaldo gritou com um tom que Carolina nunca tinha ouvido o pai usar antes – então ela parou.
— se você tiver um pingo de vergonha na cara você some daqui sua piranha! — Carolina se virou e saiu em direção a seu quarto, deixando os dois ali sozinhos.
— Arnaldo, eu te amo, mas eu não vou aguentar isso nunca mais, me leve pra um hotel, pelo amor de Deus me tira daqui – disse Fátima chorando, e assim os dois fizeram.
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