Várias Fics

9 Fic Caçadores de Vampiros - Parte nove


Notas iniciais
Penúltimo capítulo o/

Saí correndo. Corri até não aguentar mais. Saí da cidade rápido, sem olhar para trás. Corri até uma floresta e subi em uma árvore. Minhas costas estavam me matando de tanta dor. Subi em um galho grosso o suficiente para eu poder deitar e fis isso. Deixei as armas em cima de mim. Eu me lembrei de pegar umas estacas, fósforos e uma espada. Eu quase não consegui carregar tudo isso até aqui, mas deveria ser por causa das minhas costas, pois não era muito peso. Eu me castiguei mentalmente por não estar usando calças compridas; sabia que o short ia chamar muita atenção. E estava sem casaco. Eu começei a tremer. A manhã estava fria.

Fiquei deitada no galho por um bom tempo, até que começei a chorar. De raiva. Estava com raiva de Rose por me contrariar, de Andrew por ser indiferente e de Lou por obedecer tudo o que eles faziam. Tentei afastá-los da cabeça, por que a Casa era passado. Eu estava no futuro.

Finalmente desci da árvore devagar, atenta a movimentos perto de mim. Prendi a espada no cinto e as estacas, coloquei na parte de dentro de um colete que encontrei, e vesti o colete. As aljavas, pendurei nas costas e os arcos, segurei nas mãos. Uma típica adolescente americana caçando vampiros sozinha.

Logo senti saudades de Lou. Queria voltar e me jogar em seus braços, como naquele dia em que nos encontramos. Pensei em como seria a minha vida sem ele.

Afastei esses pensamentos da minha cabeça. Isso ia me fazer voltar, e eu não ia voltar.

Andei durante dias. Senti fome. Tive que invadir algumas casas e conseguir comida, e em algumas situações, bati humildemente em portas. Infelizmente, não eram outros caçadores, mas me acolheram assim mesmo.

Matei muitos, mas muitos vampiros mesmo. Cheguei perto do esconderijo deles, a casa dos vampiros. Não entrei, mas fiquei tentada a fazer isso. Muitas vezes cheguei perto do morro onde morava com os outros. Era horrível chegar tão perto e não poder entrar... A casa estava bonita. Por fora parecia um casebre caindo aos pedaços, mas eu sabia que por dentro era puro luxo. Uma noite, sem querer, Jessica me viu, e me chamou.

-Grace? Por que saiu daquele jeito? Lou ficou gritando por você! Ele está morrendo de preocupação! E você está imunda! Deixa eu ir pegar umas roupas.

Eu fiquei quieta e me escondi quando ela foi pegar as roupas. Não sabia se ia chamar um dos outros. Felizmente, ela voltou para fora com uma calça jeans e uma camiseta de manga de tecido leve. A agradeci.

-Me desculpe se saí assim, Jessica. Mas não vou voltar. Estou rondando a Casa dos vampiros todos os dias, e matando muitos. A casa deles está enfraquecendo. Devemos atacar.

-Grace, Andrew nunca sairia.

-Por que ele é um idiota e vive seguindo as regras de Rose! Se fizessem o que eu falo, poderíamos destruir eles.

-Grace, volte.

-Não, Jessica -falei duro. — Não vou voltar. E não conte que tivemos essa conversa, ok? Não quero que ninguém vá atrás de mim.

-Oh, Grace...

Jessica estava prestes a chorar, mas eu a abraçei e disse que tudo ficaria bem. Depois, desci o morro correndo sorrateiramente, para ninguém me ver. Parei em uma clareira bem fechada e troquei de roupas, usando de velho apenas a lingerie e o colete. O calção e a blusa eu descartei. Saí correndo antes que alguém pudesse me seguir. Subi em uma árvore de galhos grossos como fazia toda noite, e deitei tranquilamente, dormindo. Como sempre, sonhei que o misterioso vampiro ruivo me mordia e torturava como mesmo. Eu jurei, naquele momento, que mataria esse peste na primeira vez que o visse. Acordei suando e respirando rápido. Eram nessas horas que eu mais sentia falta de Lou. Era ele quem me abraçava e me acalmava quando eu acordava assim.

Desci da árvore quando os primeiros raios de sol apareceram no céu. E fui rondar mais uma vez a casa dos vampiros.

Cheguei pela parte de trás da casa e me escondi atrás de um montinho de terra e preparei uma bala em uma arma usada que encontrei. Tinha somente uma bala, mas com as pedras de multiplicação eu obtive várias.

Mirei no coração do vampiro e atirei. Bingo. Caiu no chão, morto. O outro ficou olhando para os lados, atordoado, mas eu o matei também. Tinha apenas mais um na porta, mas este já tinha me visto. Peguei minhas armas e zarpei dali. Consegui esconder meu arco e flechas em um toco oco, perto da Casa, onde eu sempre escondia minhas armas, mas dessa vez dava para perceber que algo estava errado. Peguei somente a arma carregada com balasE saí correndo perto da Casa. O vampiro ainda me perseguia, e trouxe seus companheiros.

Minhas pernas correram até não querer mais. Eu estava sem forças. Até que alguém me alcançou e sua voz familiar chegou aos meus ouvidos.

-É um prazer conhecê-la pessoalmente, senhorita Grace.

Eu estava desmaiando só de ouvir sua voz. Tive tempo apenas de virar a cabeça e encarar seus olhos verde vivos e seu cabelo vermelho.

Quando acordei estava deitada em uma cama -ah céus, a mesma dos sonhos- . Não estava nua, nem de apenas lingerie. Vestia uma camiseta e calção, curtos. Ninguém se encontrava na cama comigo, o que eu achei estranho. Uma parte do quarto estava escura, e eu não me atrevi a ir lá. Caminhei para a parte clara. A janela estava trancada, mas pude olhar para fora. Estava fazendo um belo dia de sol. Eu não acreditava que havia sido capturada. E estava na casa dos vampiros. Era mais assustador do que tudo. Eu estava com medo, muito mesmo.

-Não precisa ter medo -disse uma voz conhecida.

Me virei e dei de cara com o vampiro ruivo, o que me atormentara em tantos sonhos.

-O que você quer de mim? -perguntei, me afastando.

-Todos esses dias brincando com sua mente. Tomando seu sangue. Isso era prazeroso. Mas quero ter esse prazer real -disse ele, avançando.

-Vou te dar meu sangue quando o inferno congelar! -gritei, me jogando nele, socando o máximo dele possível. Mas eu não estava sentindo raiva nenhuma. Era medo dele e do que ele poderia fazer comigo. Mais uma mordida e eu me transformava.

-Se acalme -disse ele, prendendo meus braços para trás e ficando atrás de mim. Bem perto do meu pescoço. Estremeci. — Vai me dar seu sangue voluntariamente, ou vou ter que torturar seus amigos para isso?

A simples menção dos meus amigos me fez acordar para a vida. Eu ainda me importava com eles.

-O que você fez com eles? O QUE? — eu ia gritando.

-Vista-se com as roupas que estão na cadeira. Em cinco minutos venho te buscar -disse ele, me largando e saindo pela porta.

Andei até a cadeira, pensando que as roupas eram fantasias de carnaval, mas eram simples calças jeans e uma blusa sem mangas. Minhas roupas normais, pensei.

Vesti logo as roupas e deixei meu cabelo solto, apenas penteei ele. Sentei na cama, esperando o ruivo voltar.

-A propósito -disse ele, abrindo a porta — Meu nome é Alexsander.

-Como se já não soubesse disso -resmunguei, enquanto ele me agarrava pelo braço e me levava porta afora. Pensei que andaríamos por muitos minutos, mas foram poucos. Andamos até o fim do corredor e entramos numa sala grande. Pendurados no teto, estavam Andrew e Lou. Estavam quase desacordados. Mas arregalaram os olhos quando me viram. Isso me deu um pouco de força.

-O que você fez com eles? -gritei, me livrando do aperto de Alexsander e o empurrando contra a parede.

-Sempre tolos -disse Alexsander sorrindo. — Depois que você falou com Jessica, ontem a noite, eles foram até a porta saber quem estava lá. Jessiica foi obrigada a contar tudo para eles. Eles falaram com os outros que iriam atrás de você na mesma hora, mas Rose, ah Rose...

-Termine logo a história -rosnei.

-Eu estive controlando Rose desde que vocês se encontraram con Ian e Teddy, no hotel. Vocês nem perceberam. Ela disse para eles que não era para Lou e Andrew virem atrás de você, mas eles, teimosos, partiram na manhã bem cedo. Foram capturados pouco depois que você -disse Alexsander, me fazendo afrouxar o aperto. — Você é um monstro -eu disse.

-Sou um vampiro. Esperava que eu fizesse o que? Distribuisse doces para crianças?

Tentei fazer um movimento involuntário, mas Alexsander conseguiu levar vantagem sobre mim, e me pressionou contra a parede.

-Agora, falando sério -disse ele ameaçadoramente — Se você não me der seu sangue, vou ser obrigado a tomar dos seus amigos.

-Eu já disse que NUNCA vou dar meu sangue, muito menos para você! -gritei, tentando mme soltar.

-Bem, vai ser do jeito difícil então -disse Alexsander, batendo palmas. Em instantes, dois vampiros entraram na sala e tiraram Lou e Andrew do teto, e amarraram fortemente em cadeiras.

-Qual eu devo torturar? -disse Alexsander, depois que os vampiros saíram. -Ele? -disse, apontando para Andrew — Ou ele? — disse, apontando para Lou.

Eu estava imóvel. Não conseguia me mover. Alexsander resolveu torturar Lou. Céus, eu estava perdida. Suas presas quase tocaram o rosto de Lou quando eu gritei:

- NÃO! ME TORTURE, FAÇA O QUISER DE MIM, MAS NÃO MACHUQUE NENHUM DOS DOIS!

Alexsander deu um riso travesso.

-Grace... Não... Faça...isso... Se... Transformar -disse Andrew devagar.

-Silêncio -disse Alexsander, passando na frente dele e chegando perto de mim.

-Vamos -disse eu, fazendo menção de ir para o quarto.

-Mas não vamos para o quarto -disse Alexsander. -Você vai ser torturada aqui, em grande estilo, na frente deles.

E me mordeu no pescoço. Eu dei um grito horrível. Veneno preenchia minhas veias, e ele ia mordendo mais e mais. Era diferente das outras mordidas que recebi nos sonhos. Me permiti abrir os olhos e olhei para Andrew e Lou, que olhavam para de mim com olhos mais arregalados que nunca.

-Deixe-a... Em paz -disse Lou, tentando se levantar, mas não conseguiu, e Alexsander não deu ouvidos para ele.

-Por hoje chega -disse Alexsander me largando no chão. E saiu porta afora, enquanto eu agonizava de dor no chão.

Eu fiquei deitada lá me contorcendo, por várias horas, até que finalmente parei. Estava tentando pegar um pouco de ar. Não havia me transformado, não sei por que. Mas precisava escapar de uma mordida. Me arrastei até Lou, colocando uma mão em sua perna, e a outra no chão. -Temos... Que fugir -disse eu, com o máximo de voz que pude dizer. Mesmo assim, a voz saiu fraca. -Temos que...

Não terminei a frase, pois Alexsander arrebentouu a porta e me puxou pelos cabelos para fora.

-NÃO! — eu gritava.

Ele me jogou em cima da cama, no mesmo quarto em que acordei, e me prendeu com seus braços.

-Agora -disse ele — Você vai fazer o que eu quiser. Vai me ajudar com o que eu precisar, e se negar...

Ele aproximou seu rosto do meu pescoço. Eu precisava de uma mordida... Eu queria, necessitava tanto de uma... Aí eu acordei para a realidade.

-Tenho nojo de você -falei em voz alta, empurrando seu rosto para longe.

-Escolheu o lado errado -falou ele, alcançando vorazmente meu pescoço. Aí eu apaguei.

Quando acordei, estava novamente naquela sala junto com Andrew e Lou, mas eles estavam os dois do meu lado. Seus rostos estavam pálidos. Olhei para uma mini janelinha no quarto e vi que era de tardezinha.

-O que... o que houve? -perguntei

-Giuseppe está aqui -falou Lou

-Veio nos salvar -completou Andrew.

-E... E Alexsander?

-Saiu para resolver uns probleminhas -disse Lou, com um sorriso travesso.

-Temos que nos apressar. A hora de sair é agora -disse Andrew, sério.

Os dois me estenderam a mão e me ajudaram a levantar do chão. Eu ainda não havia me transformado, mas eu estava mais forte que nunca. Agradeci a Deus por isso.

-Como passamos pela porta? -perguntei.

-Vamos ter que arrebentar -observou Andrew.

Ele se jogou contra a porta. Não conseguiu. Lou tentou chutá-la, mas machucou o pé. Foi a minha vez. Fui até a parede de trás e corri para tomar impulso. Com duas batidas minhas a porta se arrebentou no chão. Os meus companheiros estavam de olhos arregalados e perguntaram como eu fiz isso. Respondi que não sabia.

Saímos correndo pelos corredores, matando alguns vampiros, que não conseguiam acionar os alarmes. Estávamos quase saindo quando nos batemos com uma pessoa. Por sorte, era Giuseppe, ainda humano.

-Vocês tem que sair daqui, rápido -disse ele.

-Como assim? E deixar você aqui? -perguntei, indignada.

-Lou ou Andrew te contarão o que aconteceu. Vocês tem que ir.

-Daqui eu não saio -disse eu, cruzando os braços, até que Lou e Andrew conseguiram me puxar entre protestos para fora.

Conseguiram me fazer correr até um quilômetro e meio depois da montanha, quando ouvimos uma explosão atrás de nós.

A boa notícia: os vampiros estavam mortos. A má notícia: Giuseppe se sacrificara para nos fazer sair de lá.