Notas iniciais
8 mêses antes de Olivia sumir (ps: Eu coloquei os espaços nos parágrafos, mas por algum motivo quando salvo o capítulo tudo some.

Susan a observou em silêncio, escondida atrás da porta do banheiro, pensando no que as vozes disseram à sua irmã, que saiu rapidamente do banheiro e por pouco não a viu. Acreditando que não era nada importante, pouco se importou, e no dia seguinte se arrependeu ao ouvir a infeliz notícia de que alguém muito próximo havia morrido, e mesmo sem saber quem era, veio a sua cabeça que Olívia podia ter se matado. Por sorte estava errada, não tinha sido sua irmã, e sim sua tia, que foi encontrada morta em cima da mesa da cozinha, com uma faca cravada em seu peito, sem digitais, marcas de arrombamento ou luta, então a polícia tratou apenas como mais um suicídio de uma mulher cansada de sua vida miserável mas “não era isso realmente” era o que Susan pensava, imaginando que sua irmã tivesse alguma ligação com a morte da tia.
Passados alguns dias sem notícias da irmã, as suspeitas de Susan aumentavam mais, até que em uma terça a tarde recebeu uma ligação de número desconhecido, era sua irmã, que com voz embriagada e parecendo estar desnorteada foi direto ao assunto:


— AH, em fim consegui, Sul, eu não sei onde estou, eu acordei em uma casa abandonada, por sorte tem um telefone que por mais estranho que parece funciona, eu não sei onde estou e acho que rasguei a calça que eu roubei de você — ela disse, choramingando, até que parou de falar de repente, como se tivesse parado para pensar — Quer saber, não quero que se machuque mais por minhas “loucuras”, eu sou a mais velha, eu deveria te proteger, não o contrário — afirmou a jovem, com a voz pesada.


Ao ouvir isto, tentando não rir, segurou o telefone com determinação e disse:


— Como se isso importasse…. Espera, você me chamou de Sul? Em fim,é uma retribuição, porque sei que quando eu precisar de proteção você estará lá pra mim,é o meu dever,é no que eu acredito, agora pare de choramingar e tente me dar alguma característica do local aonde você está e se rasgou minha calça juro que te mato — afirmou, tentando se esquivar do assunto.


— Não, esqueça, apenas quero te dizer que não tenho nenhuma ligação com a morte da tia Ana, eu desejei sim, mas eu não fiz nada – A firmeza em sua voz fazia parecer que o que dizia era verdade mas Susan sabia que tinha alguma ligação, de algum modo. — Vou desligar, logo estarei aí.


— Mas Li…. – Antes que pudesse terminar o telefone desligou.


Susan, que estava em seu quarto lendo algum livro de história medieval quando foi interrompida pelo telefone, tentava entender como sua irmã podia ter parado onde quer que estivesse e por tanto tempo, pensando que talvez as vozes tivessem alguma ligação com tudo aquilo.
Tentando se desvencilhar de todos aqueles problemas, voltou a ler seu livro mas era incapaz de se concentrar no que lia, ergueu a cabeça, um pouco confusa, com o olhar fixo no livro, começou a criar teorias sobre o que poderia ter acontecido mas nada se encaixava de modo lógico mas não acreditava em “O tempo revela tudo”.


***
— Como pode você ser tão irresponsável? Por que não foi atrás dela? — Repreendeu a mãe,que andava de um lado da enorme sala até o outro.
Mãe, ela se perdeu, estava bêbada quando ligou e não quis dizer onde estava. — Argumentou a menina, quase gritando.


— Não importa — ela parou — E ainda com esses problemas…. Ontem a noite ela estava falando sozinha “Eu não disse isso, não disse”, sua irmã está enlouquecendo e é seu dever ficar de olho nela — colocou a mão na cabeça e suspirou, parecia estar irritada.


— Já disse que perguntei onde ela estava mas nem ela sabia — reafirmou, levantando-se do sofá—Eu não quero mais ouvir suas reclamações, vou voltar pro meu quarto e você vai parar de me perturbar. — Com passos largos e fortes estava indo em direção ao quarto, até ser interrompida pela mão da mãe eu seu braço direito, segurando tão forte que seu braço doía.


— Se eu pudesse já teria te jogado na rua a muito tempo — A mãe deu um sorriso sarcástico e piscou, foi quando Susan foi capaz de ver seus olhos tomados pela escuridão — Mas eu gosto de ver você sempre correndo atrás da sua irmãzinha, sua pirralha tola. Susan foi tomada pelo medo, nunca viu sua mãe daquele jeito.


— Mãe você nunca agiu assim—afirmou, quase se afogando nos olhos tomados de escuridão de sua mãe, tomada pelo medo.


O sorriso da mãe se esvaiu — E nunca mais verá — afirmou, voltando a sorrir, ainda segurando a filha – Boa noite, queria pirralha — Disse em um tom sarcástico, em quanto uma fumaça negra saia da boca de sua mãe, a qual caiu no chão já sem vida.
Ainda assustada, incapaz de se mover, a menina apenas olhava o corpo da mãe cai do no chão, com a respiração ofegante, era incapaz de se aproximar, se perguntava “O que foi isso?”

A cena de sua mãe naquele momento se repetia como em um DVD arranhado, apenas congelada sem saber como agir, sentindo que poderia ter uma parcela de culpa, agachou-se devagar, mediu os pulsos da mãe que já haviam parado, era incapaz de entender.
Se sentindo como se fosse uma assassina, talvez tivesse irritado de mais sua mãe, mas aquele olhar, aquela fumaça negra, aquilo não poderia ser real, ainda agachada, começou a gritar desesperadamente. Levantou-se e foi em direção ao telefone que ficava na cozinha, ligou para o 192;


— Alô, eu não sei o que ouve, minha mãe está no chão e….

Notas finais
Espero que tenham gostado,obrigada por ler