SusanDepois de uns 15 minutos esperando o socorro chegar, a jovem já tinha perdido as esperanças de que algo poderia ser feito. Algum tempo depois, a polícia chegou, e a levou para a delegacia para ser interrogada mas Susan sabia que se dissesse o que viu não acreditariam. Enquanto os policiais faziam uma análise do que foi encontrado no local, a jovem pensava no que diria no interrogatório. Uns dos policias, não parecia do tipo que brincava em serviço! Depois de ler alguns papéis junto com os outros policias, se virou dizendo:

—Vamos começar logo, para terminar rápido – disse, apoiando os cotovelos na mesa enquanto sentava-se em uma cadeira—Conte-nos tudo o que aconteceu.

O tempo de Susan para pensar tinha acabado. A garota se ajeitou na cadeira e começou a falar:

— Minha irmã viajou e minha mãe não queria, estava brigando comigo por não ter evitado — Disse com a maior segurança que pode demonstrar.

O policial olhou para o braço de Susan, marcado pelas mãos da mãe.

— Foi sua mãe que fez isso em seu braço? E então você reagiu? — Indagou o Policial.

— Foi, mas eu não reagi, apenas fiquei parada, assustada com o modo que ela estava naquela hora—Disse a garota, lembrando-se dos olhos cheios de escuridão de sua mãe.

O policial resmungou alguma coisa com o colega do lado, e se dirigiu a Susan novamente, perguntando:

– E depois, o que aconteceu?

A menina continuou:

– Ela começou a ter um ataque de repente, caiu no chão, talvez tenha sido o stress do momento.

O policial respirou profundamente, com um ar egocêntrico. —Ok, faremos algumas investigações, por enquanto vá para a casa, se precisarmos lhe chamaremos novamente.

A jovem não ouvira o que o policial havia dito e continuou sentada na cadeira de madeira, pensando em sua mãe pois mesmo que a perturbasse, ela a amava tanto que era impossível explicar, afinal, era a mulher que a criou, não podia simplesmente parar de pensar nisso mas se esforçava em apenas pensar em sua irmã. Sentiu alguém cutucar seu ombro, rapidamente se virou, vendo um jovem moreno de cabelos castanhos, com um sorriso doce no rosto, logo a menina reconheceu seu amigo de infância, Daniel, que não via a alguns meses, se sentiu aliviada por vê-lo:

— Vai ficar quando tempo aí pensando? Agora que voltei parece que tenho trabalho novamente.— Brincou o garoto, com um sorriso reconfortante em seu rosto.

— Ah….desculpe, minha mente está congestionada hoje – Disse ela, com um sorriso forçado, sentindo seu coração pesar, levantando-se da cadeira. —Mas como soube que eu estava aqui?

— Alguém ligou para a minha casa, dizendo que alguém precisava te buscar na delegacia, fiquei assustado— afirmou, coçando a cabeça como se estivesse se desculpando. — Sua mãe morreu mesmo? Por que te trouxeram pra cá? Não entendo.

— Ah, sinceramente, não quero mais falar sobre isso, estou cansada, muito cansada – reclamou a jovem, passando as mãos por seus cabelos pretos cortados até o ombro.

— É verdade — rio Daniel, um pouco encabulado.— Me desculpe por ser assim.

Susan queria conversar com Daniel, dizer o que estava sentindo mas preferiu fingir que aquela dor não existia, fingir que não tinha um coração que sentia por tudo que estava entontecendo, como ele fazia.

Daniel a levou para casa, que não era muito longe dali. Susan admirava muito Daniel, por ser um garoto deficiente, perdeu a perna direita em um acidente de carro, o mesmo que levou os pais do garoto, um garoto forte que mesmo com tudo o que passou não se lamentava, nem mesmo por um segundo reclamou mas em seus olhos era possível ver que não estava bem, apenas não queria fazer as pessoas que ele amava se preocuparem com suas feridas internas incuráveis, mal sabia Susan, que quem era seu alicerce era ela, a amiga de infância que sempre esteve com ele, o apoiando.

Depois de Daniel a deixar em casa, Susan entrou pela porta de correr do enorme lugar, onde morou a vida inteira, com sua família que naquele momento estava destruída, seu corpo implorava por cama e seus pensamentos a torturavam a todo instantaneamente em seu quarto pequeno mas muito bem decorado, quando não estava olhando por sua irmã, era ali seu refúgio, onde sentava para ler seus livros de época, os quais ela colecionava com muito carinho, em estantes brancas onde guardava as histórias que a faziam viajar. Deitou-se na cama, sentindo sua mente pesar, o peso da morte de sua mãe que a esmagava lentamente, se conseguisse, dormir seria sua válvula de escape. Apenas fechou os olhos depois de alguns minutos adormeceu.

***

Susan acordou atordoada, pelos barulhos de batidas violentas na porta que a despertaram, levantando quase como um zumbi, ainda acordando, sentada na cama, com uma voz preguiçosa disse:

– Já vou, já vou, pra que tanto desespero? —Disse, dando uma rápida olhada para o relógio. —Ainda são 6h00 da manhã. —Um pouco desanimada, levantou da cama, andando lentamente, esquecendo que estava ainda de pijama.

Para sua surpresa, era sua irmã, suja de lama e com as roupas gasta e rasgadas, que ficou

parada à porta, logo que Susan a abriu.

— Viu, eu disse que me virava sozinha, a partir de agora não precisa mais olhar por mim a todo instante. — Afirmou Olivia, se coçando por causa da sujeira que estava em todo o corpo.

Vendo isso, Susan ficou aliviada, ao ver sua irmã relativamente bem. — Ok, parabéns. — Disse, com uma grande sorriso, abraçou a irmã, feliz por vê-la viva.

— Eu adoro seu abraço de urso – afirmou, se sentindo acolhida pelos braços da irmã que sempre a protegeu.

Depois de se soltarem, Olivia entrou na casa. Susan ficou na porta, observando a irmã ir em direção à cozinha, provavelmente com tanta fome que esquecera de seu corpo sujo de lama, estava aliviada, era um problema a menos para se preocupar. Agora pensava em como contar para Olivia tudo o que acontecera enquanto estava fora, pois sua mãe e ela eram muito próximas mas deveria contar, de algum modo.

— Eu sei o que houve com a mamãe — Afirmou Olivia, tranquilamente, enquanto preparava um sanduíche.

Susan saiu de seus pensamentos ao ouvir aquelas palavras, era impossível saber — Como sabe? Eu não te contei nad... — As vozes me contaram, não se preocupe, eu estou bem — Afirmou, levando o sanduíche até a boca.

— Como assim as vozes te contaram? É impossível. — Indagou Susan, pensando do que mais as quelas coisas eram capazes.

— Elas tem feitos umas propostas um pouco tentadores, as vezes penso em aceitar. — Parou de comer. — E as vezes penso em aceitar – Suspirou, olhando fixamente para a comida. — Sabe, eu estou um pouco cansada de tudo isso, com certeza tudo ficaria mais fácil, você mais do que qualquer um pode entender.

— Do que está falando Olivia. — Susan começara a ficar preocupada. — Não faça nenhuma besteira, você é a pessoa mais importante para mim.

As duas apenas ficaram em silêncio enquanto Olivia devorava o sanduíche, mas suas mentes estavam tão barulhentas e bagunçadas que esqueceram que aquele seria o dia em que visitariam o túmulo da avó que morreu a alguns anos, o qual visitavam todo mês para conversarem. As duas sempre foram muito próximas da avó, que sempre as defendia dos insultos da mãe, era como uma heroína sem capa, uma super-heroína de óculos que fazia o melhor bolo com recheio de banana do mundo e o melhor bolinho de chuva do universo, sábia sempre o que dizer quando as duas se sentiam perdidas como naquele momento.

Notas finais
Espero que tenha gostado, comente e me diga o que achou ^^