Vozes de vidro

1 O silêncio, a bomba e uma verdade


Silêncio.

E nada mais.

Sinto que eu consigo ouvir o silêncio brincando com os meus pensamentos. Deixando-me cada vez mais apavorada.

A única coisa que consigo ouvir além dos gritos de pavor abafados, é meu coração. Batendo com tanta pressa e tanta fúria que quase o sinto se desprender do meu corpo, rasgar meu peito e saltar para fora. Sinto-me afogada pelo medo.

Acabou.

Isso é o fim.

Tudo acabou.

Tudo.

Uma verdade foi revelada. Aquela que todos um dia lutaram para esconder, foi dita. Todos sabiam que havia uma guerra chegando, porém ninguém imaginava que esse seria o motivo. A verdade. Cruel verdade.

Uma bomba.

Ninguém sabe de onde veio, ou como, nem mesmo o porque. Talvez soubessem. Mas agora isso pouco importa. Ela apenas surgiu no céu. Caiu como uma gota da chuva. Simples assim.

Agora não existe mais nada. Nem verdade. Nem mentira.

Perdida na minha consciência, tentando entender tudo aquilo, percebo que alguém me chama. Ouço uma voz abafada. Além dos gritos abafados de medo e angústia. Alguém me chama.

— Hannah?

Me questiono se tudo isso é real. Devo estar dormindo. Ou minha mente está me enganando? Deve ser apenas um sonho. Eu tenho que acordar.

— Hannah?

Em um longo suspiro volto a realidade. Sem bombas. Sem guerra. Apenas a realidade. Percebo que nada tinha acontecido. Respiro aliviada, apesar de estar gelada e tremendo. Não estava no meio do caos.

¾ Hannah? Você está bem?

Ainda com a visão embaçada, vejo uma silhueta entrando no quarto e se aproximando da cama onde estou.

— Bom dia, Liza — Me assusto ao perceber que minha voz saiu rouca.

— Você está bem? — Ela sempre insiste nisso.

— Sim. — Digo enquanto esfrego meus olhos com as mangas da minha blusa grande demais como uma tentativa de afastar o que acabei de ver.

—Foi o pesadelo de novo né? Aquele da guerra?

— Sim.

— Hannah, já faz quase um mês que você tem esse sonho. Quase todas as noites. Você tem que dar um jeito nisso. — Ela diz em um tom levemente bravo, porém preocupado.

Ela agora está sentada do meu lado com uma mão acariciando as minhas costas. Não percebi como ela chegou ali.

— Pesadelo. — Falei de cabeça baixa. Estava tonta.

— O que?

— Sonhos são bons, isso é um pesadelo. — Levantei minha cabeça, e a encarei enquanto abria um pequeno sorriso.

— Ah! — Disse quase com um suspiro enquanto sorria e se levantava da cama.

— Deve ser o estresse. As últimas provas estão chegando. E você sabe como eu fico estressada nas provas.

— Sabe como a gente acaba com o estresse? — Disse toda empolgada enquanto pegava minhas mãos, fazendo gestos com a cabeça para me levantar.

— O que? — Perguntei mesmo já sabendo a resposta enquanto era balançada pela alegria de Liza.

— PIZZA DE CAFÉ DA MANHÃ