Inadvertidamente, ela a trouxe para dentro de seu imaculado asilo. Feita de madeira, com dobradiças enferrujadas, não era mais especial que qualquer outra, salvo por uma coisa: despertava em Padia uma estranha sensação, um misto de inquietação com curiosidade.

Não quer saber o que tem dentro?

E como queria. Mas sabia que não deveria fazê-lo. Seguindo sua intuição, não abriu. Ocupava seus dias com outras coisas, evitando dar-lhe ouvidos.

Basta levantar a tampa. Vem, eu te mostro.

Isso a irritava tanto quanto uma criança pequena. Às vezes, escutava gemidos baixos.

Era a caixa misteriosa, que por vezes, chorava em silêncio.