Assim, os dias se passaram. Rapidamente se habituou aos seus chamados, gritos, e chantagens, tudo porque Padia se recusava a abri-la.

Tenho tanto para ensinar.

“Não há nada que eu deseje aprender”, retrucava com veemência. Isso a deixava quieta por instantes, mas tudo recomeçava momentos depois.

Você não sabe de nada.

"Eu poderia concordar com você, mas aí nós duas estaríamos erradas", rebateu com impaciência. O inverno chegava ao fim, e julgava que aquilo estivesse indo longe demais.

Do que você tem medo?

A pergunta a intrigou. Padia temia muitas coisas. As pessoas e seus olhares maldosos, a charretes prontas para atropelar quem se pusesse em seu caminho, a ganância e o egocentrismo de seus monarcas. E a própria caixa. Mas não admitiria aquilo em voz alta.

Aproximando-se vagarosamente, repousou sua mão calejada sobre o tampo de madeira. Podia sentí-la vibrando de excitação debaixo de seus dedos. Ajoelhou-se modo que sua boca estivesse na mesma altura que o objeto.

“Sei o que fez com sua antiga possuidora”, murmurou com uma confiança singular, como há muito não demonstrava. “Não me fará cair em tentação da mesma forma”.

Ela estremeceu, e com um último suspiro, aquietou-se.

Era a caixa misteriosa de Pandora.

Notas finais
Eis que chegamos ao final de mais um desafio do Caneta Tinteiro! E como disse no capítulo inicial, para mim foi muito importante conseguir escrever uma história com tão poucas palavras, que naturalmente adoro me delongar nas descrições e reflexões. Espero que todos tenham gostado do resultado final, fico no aguardo para saber o que está bm e o que pode melhorar. Beijos, obrigada a todos que leram e comentaram, nos vemos em breve!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!