Notas iniciais
Capítulo novo, primeira parte do fim ):

Kibum não teve escolha. O diretor disse que apenas o havia sugerido, mas na verdade, já confirmara tudo com os representantes do outro hospital. Tudo fora organizado sem o conhecimento do médico, que era o principal envolvido no caso. Infelizmente não havia volta, tudo já estava minimamente acertado.

- Eu não acredito que estou sendo transferido, simplesmente não acredito – esbravejou, pouco se importando com o volume de sua voz.

A cerimônia de despedida havia acabado em poucos instantes. Kibum, MinHo e Taemin agora se encontravam no consultório de um Kibum extremamente insatisfeito.

- Ele me transferiu para um hospital em outro estado sem ao menos me consultar, sem ao menos perguntar se eu queria ou não – continuou, as lágrimas raivosas beirando seus olhos – Antigamente, a opinião das pessoas era levada em conta! – o médico deixou seu corpo cair pesadamente sobre o sofá macio e de couro, enquanto MinHo se encontrava encostado numa das paredes e Taemin estava parado ao seu lado. Ambos extremamente calados, tinham medo de dizer algo e apenas piorar o estado do amigo.

- Kibum, o diretor quer que arrume suas coisas – uma das recepcionistas falou baixo ao abrir minimamente a porta, o suficiente apenas para sua cabeça aparecer entre o vão da mesma. Todos no hospital estavam num péssimo estado de espírito, principalmente os que sabiam do motivo para Kibum estar tão conectado ao hospital. Seus dois amigos e a recepcionista noturna, que acompanhava as frequentes idas do médico ao quarto de seu paciente – Parece que tudo foi adiantado e você se muda ainda hoje – a mulher de fios bem presos num coque firme então deixou a sala, encostando novamente a porta de madeira polida.

- Não fui consultado mais uma vez, ótimo! – Kibum cuspiu as palavras e jogou a medalha que repousava sobre seu peito contra a parede.

A pequena e dourada medalha de honra ao mérito que ganhara por seu trabalho sempre impecável se chocou com o chão num barulho ruidoso.

- Kibum, não adianta ficar assim – MinHo tentou começar, pronunciando as palavras com hesitação.

- E você quer que eu fique como? – indagou o médico exaltado – Tem dois anos que trabalho nesse hospital e agora o infeliz do diretor me transfere, como se fosse a coisa mais fácil do mundo se mudar para outro hospital de uma hora pra outra e sem qualquer aviso prévio! Passei dois anos aqui, construí praticamente uma vida aqui, o homem que eu amo está internado aqui e todos que eu conheço estão aqui, e agora terei de deixar tudo pra trás, como se fosse possível, como se nada fosse importante o suficiente! Acho que já sofri demais para agora saber que preciso sair desse lugar. Aquele maldito diretor não sabe o que é descobrir que a única pessoa que amou em toda a vida está internada no hospital onde você trabalha, e pior, sem memória. Aquele maldito não sabe o que é ver alguém importante deitado numa cama, não se lembrando de você. Jonghyun precisa de mim, mas eu não estarei aqui. Quando ele receber alta, nem ao menos recordará o nome daquele médico que também fora resposável por si. Ele não vai olhar em meus olhos e sorrir, me agradecendo por ter cuidado de sua recuperação. E porque? Porque eu vou estar longe demais. Não posso sair daqui, não quero deixar esse hospital, e tudo que mais desejo agora é socar a cara daquele Lee Jinki, o diretor estúpido que me tirou desse hospital. Se pudesse, eu socaria aquela cara até desfigurar aquele sorriso branco idiota – desabafou, deixando a primeira lágrima marcar seu rosto rubro e contorcido em raiva – Não. Acredito. Nisso! – repetiu pausadamente, para deixar claro que estava perplexo e todos os outros adjetivos possíveis com tudo que acontecera. Por mais que parecesse desesperado e talvez exagerado, cada palavra que dissera viera do lugar mais profundo de seu coração. Nunca fora tão sincero em toda a vida.

Enquanto soltava ao ar todas as coisas entaladas em seu íntimo, os outros dois presentes na sala não sabiam o que dizer. Tinham medo de dizer algo errado. E também não sabiam como consolar o médico, que podia a qualquer momento ter um colapso e cometer alguma besteira.

- Por favor, me deixem sozinho, preciso arrumar minhas coisas – Kibum quebrou o silêncio incômodo e tristonho que se formara a alguns minutos. Sua voz agora não fora mais alta que um sussurro e as lágrimas escorriam livremente por seu rosto. Mais uma vez estava chorando, talvez assim diminuísse seu ódio.

Taemin e MinHo acataram a decisão, saindo da sala rapidamente, encostando a porta.

~~

Cerca de uma hora depois, a porta do consultório fora aberta, revelando um Kibum abatido e de olhos inchados. Uma grande maleta em sua mão esquerda, o jaleco e uma fotografia na direita. A fotografia achada com Jonghyun no acidente, da paisagem. A fotografia que ele tirara anos atrás e o outro guardara durante tanto tempo.

- Você está bem? – Taemin se aproximou do amigo. Ele e MinHo estavam sentados no chão, defronte ao consultório. Permaneceram ali durante o tempo todo, ouvindo o choro copioso de Kibum. Se sentiam péssimos por ainda não fazerem a mínima ideia do que fazer.

- Estou – Kibum sussurrou, sua voz falhando.

Ele forçou um sorriso penoso para os dois pares de olhos pousados em si e caminhou em passos lentos até o quarto de número quinhentos e noventa. Era a última vez que faria aquele percurso.

Bateu na porta e ouviu um “espere um pouco” meio abafado. Segundos depois a mesma foi aberta, revelando um Jonghyun diferente. Seus olhos estavam levemente inchados e tinham pequenas manchinhas claras, era maquiagem, Kibum logo percebeu. Suas mãos pareciam trêmulas e sua voz estava tão falha quanto a do médico parado a sua frente.

- Aconteceu algo? – Kibum se preocupou instantâneamente, largando a maleta e o jaleco no chão ao lado da porta. A fotografia caiu próxima aos pés de Jonghyun e não passou despercebida por seus olhos. Uma lágrima escorreu lentamente em seu rosto, carregando consigo um pouco do que parecia corretivo para olhos.

- Eu só estou meio triste – ele tentou explicar, enxugando rapidamente a gota que quase alcançava seus lábios – Passei esse tempo todo tendo você como médico responsável por minha melhora e agora vai embora – ele disse com pesar – Ainda não estou recuperado o suficiente para que você possa ir. Sei que MinHo é um bom médico, mas ele não me trata como você. A única pessoa que tenho aqui em Paris é Taemin, mas nem me lembro dele e não nos falamos muito. Posso parecer egoísta, mas me tornei dependente de ti, e não quero que vá embora.

Agora fora a vez de Jonghyun desabafar, quase não terminando devido ao choro que começara logo nas primeiras palavras e se tornara intenso. Também estava sendo sincero, realmente não queria se afastar de seu médico tão empenhado e carinhoso.

Kibum engoliu o choro e sem qualquer aviso prévio, enterrou a cabeça na curva do pescoço de Jonghyun, como costumava fazer antigamente, quando algo o incomodava. Após alguns segundos os braços do outro circundaram sua cintura e o passado o atingiu de forma inexplicável. O calor erradiado pelo corpo de Jonghyun era exatamente o mesmo, a sensação de segurança que o mais baixo transmitia ainda era exatamente igual. Por se lembrar de tais coisas, Kibum não conseguiu segurar. Voltou a chorar, agora de forma ainda mais intensa. Pouco se importava com a cena que estavam vivendo no corredor do hospital, tudo que queria era chorar e ser confortado pelo outro, de quem sentira tanta falta. Porque agora estava claro em sua mente, durante os dois anos passados, não superou o amor que sentia coisa nenhuma, apenas aprendeu a camuflar a falta que esmagava seu coração. A enterrara num lugar profundo dentro de si e deixara lá, completamente esquecida.

E então, sentindo novamente o corpo do amado contra o seu, todos os sentimentos reprimidos o fizeram admitir sinceramente que ainda amava Kim Jonghyun, mais que sua própria vida.

- Porque escolheu se mudar? – Jonghyun perguntou num falhar de voz, com Kibum ainda soluçando em seu pescoço.

O médico não respondeu, apenas enterrou ainda mais o rosto, pousando uma das mãos na cintura do outro, apertando o tecido fino da camisola do hospital que cobria seu corpo.

- Olha só – Jonghyun começou novamente – Quando eu finalmente sair daqui, nós podemos visitar um ao outro. Sempre que quisermos, vamos discar nossos números e marcar alguma coisa. Podemos ser grandes amigos.

Kibum levantou o olhar pela primeira vez em algum tempo, seu rosto num estado deplorável. Fitou Jonghyun e engoliu o choro novamente, sentindo seu coração se comprimir com muita força contra o peito, como se quisesse atravessá-lo.

Jonghyun queria ser apenas um amigo. Ele realmente não se lembrava de nada do que viveram no passado, também não se lembrava de ter vindo para Paris no entuito único de pedir perdão ao médico. Queria ser um amigo, um maldito amigo. Enquanto Kibum queria muito mais, queria amar e ser correspondido outra vez. Queria construir lembranças ainda mais belas que as contadas durantes os sonos de Jonghyun. Mas não queria voltar a narrar todas elas para o amado, e sim para seus filhos e netos. No ponto em que estava, queria até o ciúmes excessivo do outro.

Mas ele sugeriu que se tornassem amigos. Apenas amigos. Nada mais que amigos.

- Eu preciso ir – Kibum disse abruptamente, pegando a maleta e o jaleco de forma desengonçada por estar com pressa. Também por esse motivo, acabou esquecendo a fotografia caída nos pés de Jonghyun.

Entrou em seu carro e bateu a porta com força, dando a partida rapidamente. Quanto mais rápido saísse dali, melhor seria. A dois anos atrás, quando se mudou para Paris, queria esquecer Jonghyun, e parcialmente conseguiu. Poderia muito bem fazer isso novamente. Tinha certeza de que não suportaria o peso de ser apenas um amigo, então iria esquecê-lo de uma vez por todas.

Que se danem ligações e visitas um ao outro, pensou.

Notas finais
Não tenho muito o que falar sobre o capítulo, só que temos mais e mais sofrimento. I'm sorry por fazer o Key sofrer tanto, mas é necessário.
Dennise Chan, espero que não tenha chorado rios ainda. Bunny, viu como continuei rápido? Pois é. DessaYunnie, to devendo reviews na sua fic, já li os capítulos novos e ando pensando em algo decente pra escrever. SarangNheYo, como sempre, fiquei extremamente feliz com o que você escreveu. alicianime, tu ainda não chegou aqui, mas mesmo assim, obrigada pelos vomitos de arco-iris. maknae, senti sua falta no capítulo passado. Esqueci alguém?
Então, próximo deve sair no fim de semana, se eu conseguir arrumar tudo certinho. No mais tardar, sai até quinta que vem.
Todo mundo cantando Love Style comigo? E assistindo Paparazzi também? E Flashback? Pois é. Falando nisso, quem vai vender os orgãos pra ir em São Paulo na Alive Tour?
Espero que tenham gostado and See ya :*