Vous Vous Souvenez?
17 Chapitre seize
Notas iniciais
Bom, em minha humilde opinião, esse é o capítulo com mais sofrimento, e é ligeiramente cansativo. Espero que gostem e boa leitura.
A chuva trazia um ar extremamente melancólico ao momento. Faltavam apenas dois dias para o início do inverno, época preferida de algumas pessoas, inclusive Kibum. Na verdade,essa era sua época favorita, num passado distante, de forma que agora não mais. Porque o inverno lembrava Jonghyun, e tudo que mais queria no momento era esquecer o mais baixo.
Antigamente, quando o inverno chegava, gostavam de passear pelas ruas. Sentiam-se donos das mesmas, porque pouquíssimas pessoas ousavam sair de suas casas na estação mais fria do ano. Eles geralmente caminhavam abraçados e paravam numa cafeteria ao lado de uma doceria, na avenida preferida do médico. Tomavam capuccinos quentinhos, o de Kibum sempre decorado, porque eram de longe seus favoritos. Após isso iam até a doceria, onde eram conhecidos da senhora de cabelos branquinhos que ali trabalhava. Comiam todos os tipos de doces, sendo chocolates os mais procurados por Jonghyun, principalmente os recheados com cereja. Kibum se lambuzava com doces coloridos e cobertos de açúcar, no final dizia estar enjoado enquanto alisava a barriga, indicando que comera demais. Algumas crianças conhecidas os ajudavam a devorar quase todo o estoque de doces da pequena lojinha. Elas corriam até os balcões belamente enfeitados e escolhiam sempre os doces maiores e que faziam mais bagunça. Aos olhos de Jonghyun seu amado mais parecia uma criança gigante, os olhinhos brilhando enquanto as mãos apontavam as guloseimas que em questão de segundos iriam direto para sua barriga. E então, quando finalmente se cansavam de doces, o casal voltava para casa e ambos passavam o resto do dia sentados no sofá, enrolados na maior quantidade de cobertas possíveis.
Era uma boa lembrança, afinal.
Mas Kibum não estava assim tão animado para lembrar do que vivera com Jonghyun, principalmente porque o dia anterior ainda se mantinha vivo dentro de si. A palavra amigo ainda ecoava em sua mente, o calor do corpo tão bem desbravado em tempos passados ainda estava ali, vívido no médico, como se o estivesse sentindo mais uma vez entre seus braços.
Apesar de mal ter chegado — após passar horas dentro de seu carro, remoendo-se em pensamentos, Kibum tinha de trabalhar. Segundo o acordo, o hospital só precisaria de si dali a dois dias, tempo suficiente para que se instalasse em pelo menos um hotel. Depois procuraria uma casa, porque teria de se mudar definitivamente. Mas um acidente fez com que o médico fosse requisitado antecipadamente pelo diretor de seu novo lar. Tudo bem que o novo diretor não era como o maldito anterior, mas ainda assim fora cruel demais pedindo a Kibum para que trabalhasse sem qualquer descanso, tanto físico quanto mental.
Dirigiu rapidamente até o lugar, localizado um pouco mais longe do que o antigo hospital. A direção até o lugar era desconhecida, e se tivesse tido um dia agradável, Kibum até poderia pensar em prestar atenção na paisagem que passava em flashes pela janela do carro. Quando chegara a seu destino, percebeu imediatamente que as instalações do mesmo também eram completamente diferentes dos corredores tão bem conhecidos do Centre Hospitalier Sainte Anne. Os médicos que ali trabalhavam também não fugiam a regra, todos eram rostos desconhecidos por Kibum.
Seu peito se apertou quando passou pelas portas da emergência e seus olhos não econtraram a figura alta de Choi MinHo, seu grande amigo. Também não encontrou os enfermeiros com quem costumava trabalhar. Tudo que focalizou foi um amontoado de pessoas em seus uniformes brancos ao redor de uma única maca. Nem a organização do hospital era a mesma, provavelmente nem as regras deviam ser as mesmas. Talvez apenas os procedimentos, que eram iguais em todos os países, mas ainda assim Kibum possuía uma leve dúvida.
- Doutor Kibum, precisamos de você – uma enfermeira disse exasperada ao notar a presença do médico. Em seu rosto havia o que parecia preocupação, isso provavelmente indicava que o caso que tinham era grave.
Ele então caiu em si e se aproximou, deixando seus problemas pessoais de lado. Ainda que em outro estado e outro hospital, sua profissão continuava exatamente a mesma, e seu maior entuito ainda era salvar vidas. Deparou-se com um homem deitado numa maca, parecia sem consciência. Haviam muitas feridas em seu corpo e uma ferida exposta em sua perna esquerda. Kibum nem sequer se deu conta da estranha semelhança e rapidamente assumiu o controle, passando a dar ordens, precisava acima de tudo salvar a vida agora em suas mãos.
Quando uma das enfermeiras se preparou para ler uma prancheta que informava todos os ferimentos do desconhecido sobre a maca, um barulho alto ecoou pela sala, enchendo os ouvidos de todos os presentes ali. Kibum nem precisou pedir, os médicos já corriam pela emergência, preparando o temido desfibrilador.
Tentou pela primeira vez, sem sucesso. A segunda fora da mesma fora. Kibum ordenou que aumentassem a carga, e tentou novamente. O corpo pulava sobre a maca, mas os aparelhos ligados a seu corpo continuavam indicando que não havia sinal algum de vida. O corpo simplesmente não respondia. Kibum tentou uma quarta vez, e uma quinta, até uma sexta. Mas não houve resultado.
- Hora da morte, 06:37 – um dos médicos pronunciou com muito pesar, enquanto todos os outros se afastavam com os ombros encolhidos.
Kibum não estava disposto a perder, continuou pressionando as pás contra o peito do homem. Ele não respondeu. Mesmo com carga máxima, não aconteceu nada. Isso apenas servia para aumentar o desespero do único novato presente ali. De fato poucos segundos se passaram, mas pareceu uma eternidade até uma das enfermeiras segurar suas mãos e o forçar a parar.
~~
Deixou o corpo cair ruidosamente sobre a cama. Era um quarto de hotel asqueroso, e que cheirava a mofo. Mas Kibum não estava se importando, só queria um lugar para chorar e beber um pouco. Era apenas isso que precisava por um bom tempo, afogar suas mágoas no que parecia uma ótima saída. No caminho, encontrara uma lojinha de conveniência num posto de gasolina e comprara garrafas variadas de algumas bebidas quaisquer. Também no caminho seus olhos avistaram o hotel, praticamente caindo aos pedaços, literalmente caindo aos pedaços. Estava sem paciência para dirigir até o hotel onde se hospedara durante pouquíssimo tempo desde que chegara em Toulouse. Não passou nem duas horas hospedado no lugar, de qualquer forma.
Deixou que mais uma vez as lágrimas escorressem livremente por seu rosto, pouco se importando com a altura de seus soluços, não havia ninguém além dele naquela porcaria de hotel, motel, qualquer coisa assim. Seu celular vibrava insistentemente em seu bolso traseiro da calça, mas não estava com a mínima vontade de atender. Atender provavelmente só o causaria mais problemas, e naquele momento, era o que menos queria. Na terceira ligação, deixou a raiva falar mais alto a atirou o pequeno aparelho contra a parede, partindo-o em alguns vários pedaços.
Imagens passavam demoradamente em sua mente agora transtornada. Enquanto seus olhos estavam fixos num ponto qualquer do teto manchado com uma cor desbotada, deixava seus pensamentos vagarem desconexos, como grãos de arroz escorrendo de um saco rasgado, tão rapidamente que parecia quase impossível de se acompanhar. Aquele garoto na maca, era uma puta coincidência. E só então percebera. Deitado numa maca no meio de uma emergência, ferimentos espalhados pelo corpo, uma fratura esposta nas pernas. Com Jonghyun fora exatamente igual, o caso era o mesmo, com diferença de apenas minúsculos detalhes. E se fosse Jonghyun naquela maca? Outra vez entre a vida e a morte? E se naquela noite, o fim de Jonghyun houvesse sido o mesmo que o de momentos antes? Kibum sentia o coração contrair-se cruelmente contra o peito, se pudesse, o arrancaria apenas para não sentir tal dor. Se o pior houvesse acontecido naquela noite chuvosa, Kibum nunca saberia que o garoto que sempre amou esteve ali por um único motivo, nunca saberia que Jonghyun fora até Paris apenas para lhe pedir perdão. Pior que isso, se soubesse, seria tarde demais. Pensar nisso era como cravar milhares de facas em seu próprio corpo e coração.
Talvez, se tivesse um pouco de coragem, até faria isso mesmo. No quarto parecia não haver faca alguma, mas uma lâmina de barbear servia. Seria mais doloroso, mas Kibum era médico e sabia exatamente onde cortar e obter um efeito instantâneo. Pena que nunca fora alguém corajoso o bastante.
O som da chuva encobria o ruído de suas lágrimas pesadas e cheias de dor. Não sabia mais o motivo de estar chorando, só sabia que precisava de tal ato, como uma válvula de escape. Talvez assim ficasse finalmente vazio, vazio e livre de tudo. O gosto da bebida era amargo, e a mesma descia rasgando por sua garganta. Era uma sensação boa, o fazia se distrair das batidas fracas e doloridas de seu coração idiota.
Notas finais
Muitas lágrimas? *.*
Então, posso compensar vocês. Lembram que falei que o fim seria dividido em três partes? Pois é, fui ler o que já tinha escrito e acabei escrevendo uma ponte entre esse capítulo que acabei de postar e o próximo, que seria o fim. Ou seja, serão quatro partes e um epílogo ~perceberam que não quero terminar nunca a história, né? É.
Ah, algo que acho legal comentar, durante o capítulo falei sobre os pensamentos como grãos de arroz escorrendo de um saco rasgado. Esse é um trecho de Memórias de uma Gueixa, que terminei de ler hoje. Melhor livro que já li, sério - Superou meu amor por O Diário de Anne Frank e Gossip Girl.
Então, Secret Love acabou )))))))): Não chorei como no fim de Life, mas ainda assim fiquei com os olhinhos cheios de lágrimas.
Donghae parecendo uma noiva na foto teaser do comeback, quem riu comigo? kk ~parece que a SM anda fumando uns bagulhos fortes antes de criar conceitos novos, porque pelamor.
Notas finais sempre maiores que os próprios capítulos, falo demais.
E ah, escrevi uma one 2min baseada em minha eterna música, depois que revisar posto pra vocês lerem. Aliás, pretendo postar também o prólogo de minha nova história, se tudo der certo.
Então, obrigada a todo mundo que acompanha, inclusive os leitores fantasmas ~se existir algum.
Vejo vocês no próximo and Love ya :3
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