Notas iniciais
Por favor, leiam as notas finais, é tudo que peço.

Bonjour monsieur – o atendente o cumprimentou formalmente, com um meio sorriso no rosto. O delicado uniforme num tom escuro de verde combinava consigo e seus olhos escuros.

Bonjour – Kibum respondeu e forçou um sorriso. Por mais que gostasse de sorrir, aquele não era um bom momento. Seu corpo implorava por descanso e só o teria no fim do plantão, muitas horas após, apenas na manhã do outro dia.

Talvez fosse por isso que se encontrava na cafeteria do segundo bloco do hospital.

Qu’est-ce que vous voulez? – o atendente de cabelos louro-mel perguntou com um pequeno caderninho na mão esquerda, enquanto na direita, uma caneta de tinta preta se preparava pra anotar os pedidos feitos pelo médico e por outros poucos clientes que chegavam. Alguns eram familiares de pacientes e outros até pacientes, em estágios avançados de recuperação, quando podiam circular em algumas áreas do hospital.

Je veux um café, si’l vous plaît – pediu simplóriamente, era tudo que precisava, uma bela xícara de café preto e forte.

Não demorou muito e o mesmo atendente voltou carregando uma pequena e também bem decorada bandeja. Mesmo sendo uma cafeteria de hospital, tinha a decoração baseada em tons pastéis contrastando com o verde escuro e mesas de madeira polida, tudo era delicado, desde as bandejas até os uniformes. Os funcionários eram conhecidos pela simpatia que sempre tinham, com qualquer pessoa que ali fosse. Esse que atendeu Kibum em especia, tinha um belo sorriso, realmente belo. Combinava com seu rosto bem desenhado e de feições suaves. Ele sorriu e delicadamente colocou uma caneca de porcelana sobre o tampo de madeira bem trabalhada da mesa.

Merci, Lee Taemin – Kibum agradeçeu após ler o nome impresso no pequeno crachá fixado na parte superior do uniforme da cafeteria. O jovem fez uma reverência e após sorrir abertamente, seguiu para atender outra mesa.

Kibum também sorriu, sozinho. Enquanto observava a xícara posta em sua mesa. Pedira apenas um café simples e recebera uma caneca de capuccino, com alguns caracteres escritos em coreano na superfície do líquido fumegante.

Desejava que o médico tivesse um bom dia.

Olhara mais uma vez para o atendente. Além de um sorriso caloroso, que como já dito antes, era realmente digno de atenção, por ser tão bonito, seus olhinhos levemente puxados confirmavam as suspeitas da nacionalidade asiática. Pois ora, se sabia escrever em hangul e tinha a pele alva perfeitamente combinada com os olhos puxados, provavelmente vivera ou até nascera no país que abrigava tantas lembranças do Kibum que existira algum dia.

Lembranças que não deixaram de aparecer lentamente em sua mente enquanto segurava a caneca quente entre os longos dedos. Mesmo lutando para esquecê-las, haviam algumas que mereciam ser lembradas. Pena que não havia tempo para isso e foram logo espantadas pelo médico que agora precisava voltar ao trabalho, seu bip o notificava disso.

Levantou-se e direcionou o olhar uma última vez para o atendente de nome Lee Taemin, mais tarde, quando tivesse um pouco de tempo livre, procuraria o jovem e o perguntaria como descobrira que o médico era coreano, ou pelo menos que entenderia os caracteres escritos no capuccino.

~~

Ao finalmente passar pela porta do quarto de número quinhentos e noventa, deparou-se com seu paciente acordado. Bom, pelo menos estava com os olhos abertos. O único movimento que fazia era um piscar de olhos lento e meio descordenado, ele parecia ligeiramente confuso.

Ao se aproximar, Kibum dispensou educadamente a enfermeira que ali estava e sorriu, enquanto analisava rapidamente o estado do jovem deitado na cama macia de lençóis verdes.

O outro levou alguns longos segundos para perceber a presença de alguém ao seu lado. E quando o fez, gemeu. Um gemido dolorido e que foi abafado pela máscara de oxigênio que cobria uma grande parte de seu rosto ainda machucado.

– Não se preocupe, você está bem agora – Kibum por algum motivo indeterminado segurou a mão do paciente, este que piscou algumas poucas vezes em resposta.

Por algum outro motivo indeterminado, completamente estranho e desconhecido, os olhos do jovem se tornaram um pouco mais brilhantes, e o que parecia uma lágrima escorreu verticalmente em seu rosto, por estar deitado. Aquilo não passou despercebido por Kibum, que arqueou uma sobrancelha, confuso.

– Porque está chorando? – indagou mesmo sabendo que não receberia resposta alguma.

O outro apenas cerrou os olhos, permanecendo assim por demorados minutos.

O médico espantou as várias hipóteses que corriam em sua mente e passou a examinar o paciente, exercendo assim seu trabalho. Ele com certeza levaria um bom tempo para se recuperar, e bastante calma, mas o trabalho não seria assim tão complicado.

Só precisaria de um pouquinho de vontade do próprio, sendo que as peripécias do destino também ajudariam mais tarde. Realmente seria algo interessante, para ambas as partes envolvidas.

~~

Constatou ao checar seu relógio de pulso que só faltavam alguns poucos minutos até que fosse liberado. Deixou-se sorrir, com pensamentos de que poderia finalmente deitar em sua amada cama e relaxar despreocupadamente.

Foi com tais pensamentos que deu três leves batidas na porta de vidro espesso. Ouviu um murmúrio qualquer como autorização e adentrou a sala tão bem decorada. Com móveis antigos e uma pintura muito bem feita, o diretor geral do hospital era conhecido por seu extremo bom gosto.

– Aqui está o relatório que cobrou sobre meu paciente envolvido no acidente – dito isso colocou delicadamente uma pastinha cor de mel sobre a mesa do homem de cabelos castanhos bem cuidados. Ele lia um jornal, enquanto seus pés repousavam sobre a mesa principal do que podíamos chamar de escritório.

– Obrigada – agradeceu sem ao menos olhar Kibum. Também era conhecido por ser sempre arrogante e mal humorado – Está dispensado, senhor Kim Kibum – e então fez um gesto com a mão esquerda para que o médico deixasse a sala.

Foi exatamente o que Kibum fez. Com uma breve reverência nem ao menos vista, saiu a passos rápidos do corredor onde se localizava a sala e alguns escritórios que cuidavam da parte burocrática do hospital.

Notas finais
I'm sorry. Sei que passei 3 semanas sem postar e realmente sinto muito por isso. Não postei simplesmente por preguiça, até porque minhas aulas voltaram da greve e bom, ando dormindo pelos cantos e esquecendo de quase tudo. Mas tá aí, postarei dois capítulos seguidos. Acho meio cansativos de ler, mas são fundamentais para a continuação de tudo, eu acho.
Espero que tenham gostado.
See ya :*