Vous Vous Souvenez?
6 Chapitre cinq
Estava de volta ao hospital, agora um pouco mais descansado. Até estava disposto, ostentando um belo sorriso no rosto enquanto cumprimentava os funcionários com quem trabalhava diariamente.
– Bonjour monsieur – Kibum entrou num rompante no consultório do amigo e colega de profissão, assustando-o levemente.
– Falando formalmente comigo? – MinHo sorriu, levantando os olhos de alguns papéis sobre sua mesa. Um óculos de aro grande estava em seu rosto, o deixando realmente diferente. O médico tinha vergonha de usá-lo em público, portanto eram raras as vezes em que Kibum o via parecendo assim, mais velho e tão profissional.
– Estou bem também, obrigada por perguntar – o primeiro se sentou no sofá confortável que jazia num canto do consultório.
– Porque está tão feliz? – o segundo arqueou brevemente uma das sobrancelhas, fato que realçava seus grandes olhos escuros, mesmo sob os óculos.
– Je ne sais pas – Kibum afundou o corpo no móvel negro e confortável sob si – Acho que hoje acontecerá algo bom, é como uma intuição – tentou explicar enquanto gesticulava com ambas as mãos e sem querer fazia caretas engraçadas.
– Já que falou em coisas boas, me lembrei que tenho uma notícia para você – MinHo remexeu em alguns papéis e puxou uma única folha, entregando-a para um Kibum curioso a sua frente.
– Nacionalidade coreana, ahn? – ele sorriu, após ler as poucas informações escritas em letras pequenas no papel – Chegou a aproximadamente dois anos e mora num hotel aqui perto, registrado com o nome de Lee Taemin – ao pronunciar o nome, Kibum parou, aqueando uma sobrancelha, visivelmente intrigado e confuso.
Lee Taemin, o garoto da cafeteria. O garoto dos cabelos cor de mel e sorriso encantador, aquele que desenhou os caracteres no capuccino. Lee Taemin. Com certeza era a mesma pessoa.
– O que aconteceu? – MinHo perguntou ao se aproximar, sentando-se também no sofá.
– Não é o nome dele – o outro começou, visivelmente tentando organizar as coisas em sua própria mente – Eu conheço o tal Lee Taemin.
– Pode ser então que eles dividam o quarto do hotel – sugeriu o mais alto dos dois ali.
– Mas é estranho, ele nem sequer se abalou com o acidente do amigo – Kibum tentava entender o que estava acontecendo.
– E se ele não souber ainda? – sugeriu novamente – E como sabe que ele não se abalou?
– Não é possível, ele trabalha aqui no hospital, deve ter ao menos ficado sabendo do acidente. Todos souberam.
Agora era MinHo quem estava confuso. Ambos ali estavam. Nada fazia sentido, não conseguiam entender o que acontecera, nem como funcionavam as ligações existentes.
Se é que havia alguma.
Mas tinha que haver. Na cabeça de Kibum, as coisas tinham sim uma ligação, e algo dentro de si alertava que era grande. Uma grande ligação, que talvez carregasse alguns problemas consigo, problemas que afetariam Kibum mais do que o esperado, que o deixariam atordoado e completamente perdido.
~~
Os dois médicos caminharam em passos rápidos até o segundo bloco do hospital. A cafeteria se encontrava logo no primeiro andar, portanto não faltava muito até que chegassem onde realmente queriam.
O sol da tarde projetava suas silhuetas nas paredes, ou sombras atrás de si, dependendo da posição em que estavam. Enquanto andavam rapidamente, seus jalecos bailavam no ar, tentando acompanhar suas quase corridas. Carregavam uma prancheta consigo, caso precisassem conferir ou anotar algo. Os bips sempre bem presos no cós das calças brancas que combinavam com as camisas e os sapatos, sem esquecermos dos jalecos, que também eram brancos cor de neve. A única coisa que se destacava em meio ao exagero daquela cor, eram os traços orientais e cabelos de cortes e tons diferentes.
O de Kibum era levemente repicado, com a franja meio irregular, todo pintado em tons quaisquer de castanho claro. Já os fios de MinHo eram negros e sempre bagunçados, pareciam não ver uma tesoura há muito tempo, devido ao comprimento que quase passava de seus ombros.
Mas eram bonitos, ambos os médicos eram extremamente atraentes. O primeiro por ter um rosto muito bem desenhado e orbes negras intensas, enquanto o segundo chamava atenção por seus lábios, sempre adornados com um grande sorriso cheio de charme. MinHo também tinha um corpo bem trabalhado, frequentava a academia três vezes por semana.
– Acha que ele vai falar alguma coisa? – MinHo quebrou o silêncio formado desde quando decidiram visitar a cafeteria.
– Talvez – Kibum deu de ombros. Tal ato demonstrava despreocupação, mas era apenas uma forma de não transpassar a ansiedade que o dominava quase que por completo.
Finalmente chegaram ao destino, mais uma vez não muito cheio, o que era bom. Foram diretamente até o balcão e uma mulher esguia os atendeu.
– Bonjour messieurs, o que vão querer? – ela perguntou sorrindo amavelmente. Sorrir provavelmente era um requisito para trabalhar em estabelecimentos assim, ou nesse em especial.
– Bonjour madame – Kibum respondeu por ambos – Poderia me informar se Lee Taemin trabalha aqui? – questionou, mesmo tendo certeza da resposta afirmativa.
– Sim, mas ele não está no momento, saiu para resolver uma pendência da faculdade.
– Sabe se vai demorar?
– Acredito que não, já tem algum tempo que ele saiu – ela conferiu seu relógio de pulso.
MinHo e Kibum agradeceram e sentaram-se numa mesa mais afastada, cada um com pedidos diferentes. Eram ao todo dois capuccinos, um pedaço de bolo, um croissant e alguns doces variados.
– Excusez-moi, soube que queriam falar comigo – um jovem aproximou-se timidamente da mesa onde os médicos estavam sentados, agora bem alimentados, e felizes por isso.
– Muito bem, você é Lee Taemin? – MinHo perguntou enquanto se sentava formalmente na cadeira. Cruzando os dedos sobre o tampo de madeira da mesa.
– Oui, o que querem? – ele parecia tímido, mas ainda assim resquícios de um sorriso estavam em seu rosto. Como sempre.
– Sente-se, precisamos fazer algumas perguntas – novamente foi MinHo quem falou.
Taemin se sentou de forma extremamente reta na cadeira, cruzando as mãos sobre o colo, sua cabeça levemente baixa demonstrava nervosismo e timidez. Ele não sabia ao certo sobre qual assunto os médicos queriam falar, mas já tinha uma suspeita.
– Você é coreano, não é? – começaram, dessa vez sendo a vez de Kibum falar.
– Sim.
– Tem tempo que decidiu se mudar para Paris?
– Quase dois anos, eu acho.
– Porque se mudou?
– Porque consegui uma bolsa na faculdade central, é a melhor faculdade de dança do mundo – ele abriu um grande sorriso, animando-se subitamente.
– Então você gosta de dançar? – Kibum também sorriu.
– Sim, muito.
O médico também gostava de dançar, mas apenas quando estava sozinho. Sabia algumas coreografias famosas, mas não ousava as mostrar para ninguém, tinha vergonha. Até por serem coreografias femininas.
– Onde você mora agora? – MinHo foi quem continou, quase seriamente.
– Porque querem saber? – Taemin fizera seu primeiro questionamento.
– Precisamos saber – foi a resposta simplória que conseguiu.
– Moro num hotel aqui perto – abaixou o olhar ao responder.
– Porque num hotel? – MinHo realmente ficara curioso.
– Não posso explicar, pelo menos não para vocês.
Ambos os médicos estranharam a resposta, trocando um longo olhar durante alguns segundos. Era uma resposta vaga e que os dizia respeito, mas não questionariam sobre aquilo, Taemin parecia realmente não poder explicar. E também tinham uma pergunta mais importante.
– Você divide o quarto com alguém?
– Sim, um amigo.
– E onde ele está agora?
– E-eu não sei.
Outro olhar foi trocado e Kibum fora quem se pronunciou em seguida.
– Por favor, venha conosco, queremos mostrar-lhe alguém.
– Quem?
– Talvez seja seu amigo, mas não temos certeza.
– Tudo bem – Taemin assentiu e seguiu os médicos até o primeiro bloco.
Notas finais
See ya no próximo, que provavelmente sai antes de quarta, já que tirei o tempo fixo de postagem, por quase ninguém ler, keke :*
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