Vous Vous Souvenez?
7 Chapitre six
A porta do quarto de número quinhentos e noventa foi aberta sem muita cerimônia, apenas com um aviso de que o paciente provalvalmente estaria dormindo, devido aos medicamentos para dor que lhe eram aplicados em intervalos curtos de tempo. Kibum e MinHo queriam e precisavam logo saber se o garoto era o mesmo que dividia o quarto de hotel com o atendente da cafeteria. Na verdade, ambos já tinham quase certeza, queriam apenas confirmar as altas suspeitas.
– Mon Dieu, o que aconteceu com você? – Taemin correu até a cama, parando preocupado ao lado do jovem enquanto segurava uma de suas mãos. Ele realmente dormia.
Pelo visto os médicos estavam mesmo certos.
–Doutores, o que aconteceu com ele? – sua atenção voltou-se para os dois homens parados defronte a porta do quarto.
– Ficou sabendo de um acidente recém acontecido? – MinHo indagou.
– Os carros que colidiram com a carreta, ou algo parecido?
– Exatamente esse – Kibum começou – Seu amigo estava dirigindo um dos carros atingidos.
– Ele corre algum risco de morrer? – Taemin indagou, preocupando-se subitamente.
– Segundo os exames e o estado em que ele se encontra agora, os riscos são baixos.
– Olhe, vamos deixar você conversar com ele um pouco – foi MinHo quem falou – Ele está apenas repousando e você tem permissão para acordá-lo, aproveite.
– Merci.
Os médicos saíram e lentamente encostaram a porta.
Quando começaram a andar pelo corredor, Kibum lembrou-se de um único detalhe. Não perguntaram qual era o nome do jovem, e essa era a informação preciosa que tanto procuravam, talvez com isso conseguissem dados importantes, para o prontuário.
Disse a MinHo para ir caminhando na frente e retornou a passos rápidos até o quarto, parando defronte a mesma ao ouvir um leve gemido ressoar entre as quatro paredes.
– Jonghyun, o que aconteceu com você? – a voz de Taemin perguntou baixinho, repleta de preocupação.
Kibum paralisou ao ouvir aquele nome. Com a mão direita segurando a fechadura da porta, memórias inundaram sua mente, como uma enxurrada.
A batalha de dois anos para espantar as lembranças de repente passou a parecer em vão. Tudo por causa de um nome, o nome que tanto lutara para esquecer, para apagar de sua mente. Com as lembranças, vieram também a saudade dos toques, dos beijos, dos momentos. Todo o esforço feito agora parecia tão inútil, as lágrimas que se formavam em seu rosto faziam questão de demonstrar isso, da pior forma possível.
– Jonghyun – Kibum sussurrou para si mesmo, um sussurro dolorido envolto numa saudade profunda.
Seus joelhos fraquejaram ao juntar as peças que dançavam defronte seu olhar, como fora tão estúpido e levara tanto tempo para perceber? A foto, a reconhecia porque fora a pessoa quem a tirou. Numa tarde calma, os dois estavam deitados sobre a grama verde e macia de um parque. A paisagem parecia implorar para que Kibum a eternizasse, e fora o que fez. Com a câmera em punho, fotografou o belo pôr do sol contrastado com o verde das árvores do parque. Jonghyun depois fez questão de revelar a fotografia e então a guardara consigo, como lembrança de um dos melhores dias que viveu com o agora médico.
Quando deu entrada no hospital, Kibum sentira um impulso que o fez correr até a maca do mais ferido. Não fora sua intuição de médico, e sim algo mais profundo, talvez algo dentro de si soubesse que era ele em perigo. Quando o vira acordar, segurou sua mão num novo impulso. Agora fazia sentido, sabia que era ele quem estava ali, sob todos aqueles fios e aparelhos, sob aquela máscara de oxigênio que garantia sua vida.
Kim Jonghyun.
O rapaz fora o motivo da fuga para Paris, e agora estava ali, no hospital onde Kibum trabalhava. Deitado sem forças numa cama, com o corpo cheio de curativos e ferimentos graves nas pernas.
Kibum nunca imaginara que um dia fosse vê-lo assim, tão frágil, tão debilitado. Mas ele estava ali agora, não estava? A imagem que o médico sempre fizera questão de admirar agora estava ali, preso num quarto de hospital.
Com uma das mãos fortemente pressionada contra o lado esquerdo do peito, deixou os joelhos finalmente cederem e escorregou pela parede onde se apoiara até segundos atrás, caindo com um baque surdo no chão frio do hospital. Sentia seus olhos úmidos, mas prometera a si mesmo que não choraria nunca mais por aquele em questão. A última vez fora quando deixou o país onde nascera e construíra toda uma vida, apenas para fugir da dor que o término lhe causou. Derramou as últimas lágrimas ao entrar no avião e desde então, sempre que lembrava de Jonghyun, sorria. Sorria porque recordava apenas os momentos bons, os tristes estavam enterrados dentro de algum lugar em sua consciência. Mas agora, não queria impedir a si mesmo de chorar, deixar a promessa perder-se entre aquele corredor parecia convidativo. E além disso, já estava chorando, sem ao menos se dar conta.
~~
Taemin não demorou dentro do quarto. Jonghyun fizera perguntas estranhas, e então achou que fosse melhor deixá-lo descansar. Ele parecia fraco, outro motivo pelo qual o deixou sozinho novamente. Com a promessa de sempre que possível visitá-lo, deixou o quarto silenciosamente e com um medo rondando sua mente.
Procuraria um médico e perguntaria sobre a questão que agora lhe martelava, se suas suspeitas fossem confirmadas, não saberia o que fazer. Tinha certeza absoluta de que realmente não saberia o que fazer.
– Porque vocês estão aqui? Porque ele está aqui? – um sussurro fraco o assustou enquanto fechava delicadamente a porta do quarto de onde acabara de sair.
Olhou ao redor e só ao direcionar os olhos para o chão foi que percebeu Kibum. Sentado no piso branco, com os punhos cerrados e as pernas encolhidas, seu estado não parecia o melhor.
Foi quando processou a pergunta que lhe fora dirigida. Merda! Ele havia descoberto.
– Me responda, porque Kim Jonghyun está aqui? – Kibum se levantou com dificuldade, postando-se defronte a Taemin, que estava ainda meio assustado.
Já que ele havia descoberto, agora não haviam mais motivos para esconder a verdade.
– Venha comigo – foi o que Taemin disse baixinho, hesitante.
Seguiram silenciosamente até a cafeteria, sentando-se na mesa onde estavam quando praticamente interrogaram o jovem atendente.
– É uma longa história – avisou.
– Tenho tempo – Kibum respondeu ao cruzar ambas as mãos sobre a mesa, agora seu estado não era mais tão delicado assim, queria ouvir as palavras que Taemin tinha para lhe dizer.
Notas finais
Tá certo que ele tá aí desde o começo, mas enfim, me ignorem.
Um obrigada especial pra Aninha, que deixou um review e fez minha felicidade ♥
Será que existe algum leitor fantasma? ~le eu sonhando~
Enfim, gostaram?
See ya :*
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