Vous Vous Souvenez?

15 Chapitre quatorze


Notas iniciais
Boa leitura.

Após duas noites sem visitar Jonghyun, Kibum decidira que voltaria a contar histórias enquanto o outro dormisse. Tratava a ação quase como uma válvula de escape, para os momentos carregados que vivia diariamente no hospital. Já havia se tornado dependente de tal ato e durante o curto período de dois dias, o médico quase enlouqueceu, pensara até que precisaria de uma consulta com o psiquiatra principal. Ficava sem paciência rapidamente, e trocava pouquíssimas palavras com todos no local de trabalho, se perdia com trabalhos fáceis e não conseguia se concentrar. Esse sempre foi o efeito que Kim Jonghyun possuíra sobre si, imenso e exagerado, às vezes estúpido e vergonhoso. Mas o fato é que contar as lembranças era uma forma de se livrar do peso que havia em seu coração. Um peso ainda parcialmente desconhecido pelo médico, mas que se instalara dentro si assim que soube da sequela que o acidente deixara.

Entrou silenciosamente no quarto, caminhando em passos cuidadosos até a cadeira ainda posta ao lado da cama, podia jurar que estava até na mesma posição. Era uma das cadeiras de seu consultório, nenhum dos enfermeiros a tiraram dali, afinal.

– Olá – disse sem esperar resposta, sorrindo minimamente ainda assim – Espero que ainda queria ouvir nossas histórias.

Jonghyun suspirou, em sono solto. Assim que Kibum desejava que fosse.

– Hoje vamos nos lembrar de uma figura já conhecida – avisou, preparando-se para começar a narrativa.

Desde o incidente da festa, não tinha conhecimento de nenhuma notícia sobre Lee Donghae. Conosco sempre foi assim, ele sumia e esquecia de dar notícias enquanto eu passava horas a fio em casa, segurando o telefone e chorando copiosamente. Mas não daquela vez, eu estava distraído com outra coisa. Com um namorado gentil e que se fosse preciso, faria qualquer coisa por mim. Nem sequer me lembrava da existência de Donghae, e pela primeira vez, meu coração não era dolorosamente esmagado por sua falta. Mas então ele voltou, sempre imprevisível. Você havia faltado a escola por estar gripado e quando o sinal para o término das aulas soou, Donghae me esperava no portão. Eu tentei fugir, mas ele segurou meu pulso com força e me arrastou até uma sorveteria perto da escola. Conversamos e ele dizia que me queria, que eu devia terminar com você e iniciar um namoro com ele, porque formaríamos um casal ainda mais bonito e apaixonado. Eu recusei e o mandei ir embora, pra bem longe. Mas Donghae sempre foi resignado e continuou insistindo na ideia idiota. Foi assim por dias, ele me perseguindo e eu tentanto a todo custo fugir. Não contei nada a você, mas de alguma forma você descobriu sobre os recentes acontecimentos. E quando Donghae me procurou novamente, você estava escondido entre alguns arbustos próximos. Ele tentou me beijar, e você o surpreendeu com um soco, forte e com certeza dolorido. Por alguns segundos, pensei que haveria uma briga entre os dois, mas você apenas sorriu na direção em que ele tentava se recuperar. Suas mãos tatearam os bolsos do moletom que usava e revelaram uma pequena caixinha de veludo azul marinho. Eram alianças prateadas. Donghae e eu ficamos estáticos, completamente surpresos. Você colocou uma das alianças em meu dedo e repeti o ato, ainda assustado. Então, sorrindo ainda mais abertamente, você se voltou para Donghae e disse “Kim Kibum é meu, só meu. Você teve sua chance e a jogou fora, agora espero que não o incomode mais com sugestões idiotas”. Desde então nunca mais vi Lee Donghae, mesmo de longe.

– Bobo não? – Kibum riu brevemente enquanto enxugava uma lágrima pesada com a manga do jaleco – Sempre choro quando me lembro disso, mesmo não sendo nada demais.

~~

Um ano passou extremamente rápido. Tantas coisas aconteceram, mas nosso amor continuou firme, forte e verdadeiro. Estávamos próximos do fim dos estudos e todos corriam contra o tempo para conseguir entrevistas de admissão em faculdades. Eu estava tranquilo, com as notas excelentes e todas as atividades extracurriculares, tinha uma vaga garantida em qualquer universidade do país. Você também não precisava se preocupar, conseguiria uma bolsa por ser um esportista nato, principalmente quando se tratava de futebol. Nosso relacionamento estava indo bem, bem demais. Às vezes você tinha crises ridículas de ciúmes, mas transformamos isso numa rotina. Quando você sentia ciúmes, nós descutíamos e eu saía do apartamento que dividíamos por algumas horas, retornando com um sorriso sincero. Fazíamos as pazes e acabávamos transando em alguma parte da casa. Lembro que quando tentamos o corredor, foi algo engraçado. Já havíamos experimentado a cozinha, o quarto, o banheiro e a sala de estar. Só faltava mesmo o corredor, que não era assim tão espaçoso. Mas mesmo assim tentamos a sorte e bom, foi um momento embaraçoso. Pelo menos conseguimos, ou quase. E quando você me contou sobre o fetiche das fantasias? Em seu aniversário me vesti de piloto, com direito a tudo que consegui inventar. Falando em aniversários, quando completei 19 anos ganhei uma surpresa linda. Flores, um jantar e uma canção. Você escreveu uma canção especialmente pra mim. “Você é meu paraíso, você é meu único caminho”. Me lembro exatamente da letra e da melodia, tocada por suas lindas mãos num violão. Até hoje tenho um rascunho que encontrei dias depois, escondido em suas roupas. Até tentei fazer uma canção para dar-lhe em troca, mas não funcionou. Então em seu aniversário do ano seguinte, montei um album de fotos. Lugares que visitamos, pessoas que conhecemos, momentos importantes que vivemos, alguns aleatórios também. Você amou o presente. Em meu aniversário do mesmo ano, ganhei uma passagem para a China, onde haveria uma série de palestras ministradas por médicos renomados. Nunca fiquei tão alegre. As palestras foram incríveis, boa parte do que sei hoje veio das incontáveis coisas que aprendi durante os treze dias de viagem. Mas então quando voltei, as coisas saíram da nossa zona de conforto. Tudo que havíamos construído durante os quase três anos que passamos juntos estava lentamente se destruindo. Quase não suportei o momento em que precisei admitir que havíamos alcançado nosso fim. Não era um conto de fadas como cheguei a pensar, era apenas uma ilusão, dessas que terminam da forma que nunca chegamos a imaginar.

Notas finais
Gostaram?
Então, essas foram as últimas lembranças, finalmente, e como eu disse antes, duas num capítulo só, pra terminar mais rápido. No próximo começamos com a primeira parte do final. Já terminei de escrever a fic, mas sou má e só adianto que se vocês reclamam de sofrimento, esperem por ainda mais lágrimas, um montão delas, algo como um rio.
Obrigada demais a todo mundo que sempre comenta e elogia, vocês são importantes demais pra mim, juro ♥
See ya no próximo :3