Vous Vous Souvenez?
12 Chapitre onze
Notas iniciais
O auditório da escola estava realmente cheio. As pessoas se espremiam como sardinhas enquanto esperavam pelo grande momento. Por algum motivo, a peça era esperada por todos ali. Mesmo já conhecendo o enredo e tendo o final decorado, os espectadores se encontravam ansiosos pelo simples fato de serem novos protagonistas. Kim Jonghyun, o bonitão popular contracenaria com Kim Kibum, presidente dos variados clubes de artes, os mais requisitados pela maioria dos alunos. Música e dança eram sempre os mais procurados. Duas personalidades diferentes encenariam um romance trágico. O galã e a diva. Nós dois poderíamos facilmente sermos comparados com metades de um imã, ambas viradas para a mesma polaridade, se repelindo bruscamente. Foi assim nos primeiros ensaios, nos repelíamos de alguma forma, mesmo que não fosse tão perceptível. Mas quando as cortinas daquele palco se abriram, foi como se todas as diferenças se dissipassem e lentamente dessem lugar a dois atores concentrados, absortos em seus respectivos papéis. Quando o vi pela primeira vez naquela noite, meus olhos custaram a acreditar na bela visão que lhes eram proporcionados. Vestido num dos figurinos mais bonito, seu sorriso se iluminava enquanto entonávamos perfeitamente nossas falas. Tudo estava mergulhado no mais profundo silêncio e o único som presente no auditório era sua voz, sua linda voz. Depois minha voz também se foi ouvida, em alto e bom tom. E após algumas cenas, chegamos ao ato mais importante, pelo menos pra mim. Meu coração parecia querer pular do próprio peito, de tão rápido que batia. Você se aproximou lentamente e pousou delicadamente as mãos em meu rosto. Então acabou com a mínima distância entre nossos rostos e juntou nossos lábios, calmamente. Aquela altura, eu já não possuía mais o controle sobre mim mesmo. E aprofundei o tal beijo, fugindo do que estava descrito no roteiro. Pelo pouco que sabia, você era hétero, mas naquele momento não parecia se importar com o fato. E foi assim que aconteceu, nosso primeiro beijo. O resto da peça ocorreu naturalmente. Morremos no ato final e fomos aplaudidos de pé por todos. Mais tarde recebemos inúmeros elogios e congratulações. Romeu e Julieta versão moderna foi um sucesso. Mas nos causou estranhos momentos de silêncio, estávamos envergonhados, e eu pela primeira vez não sabia o que fazer.
– Essa é a história do nosso primeiro beijo – Kibum enxugou uma única lágrima que escorria em seu rosto, abrindo um sorriso em seguida – Depois daquele dia, me apaixonei pela história de Romeu e Julieta.
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– Estamos na quarta noite – Kibum começou enquanto segurava um copo fumegante em mãos, era café – Quer saber como começamos a namorar?
Bom, como eu já disse, a peça foi um sucesso. E mesmo enquanto aproveitavam a festa do dia seguinte, ainda comentavam sobre o sentimento que os atores passaram na encenação. Jonghyun e Kibum foram incríveis, era o que todos diziam. ‘Vocês não podiam ter sido melhores’, era o que nós dois ouvíamos. Estávamos juntos na festa, e quando fiquei entediado, dei uma escapada até meu lugar favorito, o telhado. Era lá onde eu me sentia bem. Aquele era o único lugar da escola toda que acolhia qualquer coisa que estivesse sentindo. Se estava feliz, ia até o telhado e compartilhava minha felicidade com o céu, se estava triste, as estrelas ouviam meu desabafo. Parecia bobo, mas foi um hábito que criei por acaso e se tornou quase um ritual. Enquanto estava lá, sentado, não percebi alguém se aproximar. Quando dei por mim, estava ao lado da pessoa que tinha minha vida em mãos. Minha vida não, minha alma, soa mais bonito. Lee Donghae, meu céu e inferno personificados em um corpo de poucas palavras. O único que amara até aquele ponto, e o único que me chutara como uma simples e velha caixa de papelão. Sim, ele ignorou quando confessei o que realmente sentia por si. Era um amor forte, intenso, verdadeiro. Mas ele nem sequer ouviu até o final, saindo do quarto onde estávamos a passos duros. E desde então sumira, para só aparecer novamente naquela maldita festa. Eu havia superado, mas vê-lo ali na minha frente era uma espécie de teste. Se eu fraquejasse, seria um completo estúpido, mas se me mantesse frio, passaria no teste. Um teste criado por mim mesmo para saber se resistiria a seus encantos. Ao ouvir sua voz rouca pela primeira vez em muito tempo, meu coração falhou uma batida. Quando ele pediu perdão por sumir, eu sabia que não duraria muito até me render. Assim que seu rosto se aproximou perigosamente do meu, falhei vergonhosamente no teste. Mas eu ainda tinha uma salvação, mesmo sem saber, mesmo sem fazer sentido algum. Quando aquela boca postou-se a uma distância milimétrica da minha, soube que não tinha escolhas. Mas então meu herói apareceu, como num desenho desses antigos. Sabe quando o trem está a pouquíssimos segundos de atropelar a princesa presa nos trilhos e um cara alto e forte desamarra as cordas rapidamente, puxando-a para perto de seu peito e então salvando-a do perigo? Foi assim que aconteceu. Quando eu estava prestes a ser esmagado pelo trem, você apareceu. Kim Jonghyun, meu herói. Sem essa de cueca por cima da roupa ou morar numa caverna, apenas um terno preto e uma expressão cheia de raiva. Foi assim que Donghae avançou bruscamente contra você, amaldiçoando-o por interromper nosso momento de reconciliação. Ainda raivoso e um pouco confuso, você me perguntou quem era aquele cara que o suspendia no ar, ameaçando acertar-lhe com um soco. Respondi que era um idiota qualquer, apenas ocupando um pouco do meu tempo. Donghae ficou com uma expressão impagável. Ele perguntou porque eu havia dito aquilo, mas eu não respondi. Então ele perguntou quem era você, e antes que eu ao menos pensasse no que responderia, você disse quatro palavras que fizeram o mundo parar. “Kibum é meu namorado”. Minha expressão é que devia estar impagável e ridícula, completamente abismada. Donghae pareceu digerir tudo e após alguns segundos saiu correndo, nos deixando sozinhos no telhado. Você me perguntou o que acontecera, mas eu ignorei, questionando sobre as palavras impactantes que giravam em minha cabeça. “O que foi, não gostou?” você me perguntou, dando de ombros. Eu não havia entendido nada e então você continuou, me deixando ainda mais perplexo. “Eu apenas falei a verdade”. Não estávamos em nenhum tipo de relacionamento, então porque eu devia acreditar no seu conceito estranho de verdade? Bom, na verdade, você ainda não tinha terminado de falar. “Porque vim aqui pra saber se.. Você, Kim Kibum, aceita namorar comigo?”. Ponderei sobre tudo durante alguns segundos, parecia uma brincadeira. Mas seu semblante dizia que aquilo era sério, assim como a resposta que dei. “Sim, eu aceito”. Naquela noite, as estrelas aplaudiram o par que formamos.
– E se quer saber, alguns nos criticaram por mal termos nos conhecidos e já estarmos juntos. Outros o criticaram porque até onde todos sabíamos, você era hétero. Outros não emitiram opiniões. Uma pequena minoria nos apoiou e até disseram que formávamos o casal mais lindo que conheciam – Kibum sorriu – Eu não ouvi nenhuma das críticas ou elogios, porque minha maior preocupação era estar sendo feliz ao lado do namorado mais perfeito que alguém já tivera.
Jonghyun respirava suavemente, seus olhos cerrados e seu semblante acusavam que estava tendo um sono tranquilo e sereno. Um tímido sorriso no canto do rosto talvez mostrasse que estava tendo um sonho bom.
Notas finais
Então, juntei duas lembranças num capítulo só. O próximo tem pegação ~momento spoiler. E posso adiantar que provavelmente faltam poucas lembranças, daqui a pouco chegamos na fase final da fic ):
Gostaram? Odiaram? Alguma sugestão?
See ya :*
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