Vous Vous Souvenez?
19 Chapitre dix-huit
Notas iniciais
Kibum não havia voltado ao hospital, e também não havia deixado o quartinho barato do hotel. Seu estado era deplorável, completa e ridicularmente deplorável. As roupas amassadas, a barba por fazer, o rosto inchado e o organismo cheio de bebidas que nem ao menos sabia o nome, alguns tocos de cigarros também estavam espalhados pelo chão, mesmo que fizessem mal e fossem de um gosto ruim, qualquer coisa que o distraísse seria de um ótimo proveito. Estava deitado na cama, enrolado em algumas cobertas manchadas por coisas que preferia não saber quais eram e de onde vieram. A janela aberta e emperrada deixava o frio mortal entrar e praticamente congelar o único corpo presente ali, cobrindo todos os móveis e poucos objetos com uma fina capa de neve branca e pura. Seu celular ainda estava exatamente no mesmo lugar, partido em duas metades, pouco se importava com possíveis ligações, nem chegava a achar que as receberia, de qualquer jeito. Todos com certeza estavam melhores sem ele, o mundo estava melhor sem ele e suas tristezas idiotas.
Ouviu o barulho comum de quando uma tempestade se aproxima, seguido de batidas pesadas em sua porta. Gemeu baixo e enfiou a cabeça no travesseiro fétido, implorando mentalmente para que quem quer que estivesse do lado de fora do quarto, fosse embora o mais rápido possível. Infelizmente não foi o que aconteceu, as batidas se tornaram mais urgentes e só pararam quando um Kibum extremamente irritado e infeliz abriu a porta, com uma carranca assustadora. Qualquer um ficaria com medo do estado em que se encontrava aquele que habitava o quarto. Qualquer um, menos a pessoa que ali estava parada.
- Preciso que volte comigo para a capital – MinHo disse num tom sério. Era a última pessoa que Kibum esperava que o procurasse, ainda mais naquele lugar horroroso.
- O que faz aqui? – resmungou, ligeiramente incomodado com a presença do amigo. Não era por mal, apenas não queria receber ninguém, nunca mais. Queria voltar para a cama e ali ficar para sempre, definhando aos poucos com a ajuda de uns bons porres de bebidas e cigarros baratos, talvez um pouco de sangue até tornasse tudo ainda mais dramático e doloroso, assim como Kibum queria.
- Vou levar você de volta – ele disse, resoluto. Agarrou o pulso fino do outro e tentou puxá-lo. Só então percebeu que se colocasse um pouco mais de força, Kibum se desmontaria em vários pedaços. Claro que se assustou com tal fato, o amigo parecia não comer a dias, e seu rosto estava ainda mais magro e pálido que o normal.
- Não tenho motivos para voltar – ele deu de ombros, arrancando o pulso do aperto leve, deitando-se novamente na cama e enrolando-se nas cobertas. Cobriu a cabeça com elas e pouco se importava com a quantidade de coisas ruins e bactérias que pulariam do tecido para seu cabelo.
- Você tem um grande motivo e vai entrar no meu carro sem pestanejar – MinHo o estava chateando, mas ainda assim Kibum não o expulsaria dali. Se quisesse ficar, que ficasse. Mas que ficasse calado, ao menos – Anda, eu preciso que venha comigo – descobriu o rosto do outro num movimento fácil, ele apenas bufou e se escondeu com ajuda do travesseiro.
- Me diga esse grande motivo e quem sabe penso no seu caso – sua voz saíra abafada, mas ainda assim fora ouvida.
- Só direi quando chegarmos novamente em Paris.
- Olha MinHo, espero que me desculpe por fazer você perder seu precioso tempo vindo até aqui – Kibum levantou a cabeça para então encarar os grandes olhos do outro – Mas não voltarei. Ainda assim, obrigado por se importar comigo.
- Kibum, olha só pra essa situação – ele começou – Deitado numa cama de um motel barato, com uma aparência horrível e um bafo pior ainda. O que aconteceu com você? – perguntou preocupado.
- Me transferiram de hospital e deixei um paciente morrer – Kibum deixou uma lágrima trilhar um caminho incerto em seu rosto – Ele se parecia muito com o Jonghyun, sofrera um acidente de carro e tinha os mesmos ferimentos, mas ele morreu. Eu o deixei morrer.
- E só por isso você vai se deixar cair? O Kibum que eu conheço não é assim.
- Esse Kibum morreu, assim como o outro – disse ríspido — Morreu junto com o paciente naquela maca. Agora existe um novo Kibum, este que você está vendo. Acostume-se.
- Não, aquele Kibum continua vivo e é ele quem vai voltar para Paris comigo. Olhá só, todos nós médicos, assim que terminamos a faculdade e arrumamos um emprego, assumimos o risco de perder vidas. Sei o quanto é difícil, já estive ao seu lado quando tivemos de informar a hora da morte, mas é algo que acontece. Todo mundo morre e talvez, as vidas que não conseguimos salvar agora estejam num lugar muito melhor que aqui. Talvez esse paciente que você perdeu esteja em algum lugar melhor, observando você. E aposto que ele não quer te ver assim, triste. E se ele quisesse mostrar que você não pode desistir do Jonghyun e que deve agradecer por ele estar se recuperando agora?
Kibum fitou o amigo, as palavras sinceras eram totalmente verdadeiras e estavam lhe causando o impacto que o outro desejava.
- Eu não posso voltar – disse baixinho, com novas lágrimas beirando os olhos – Agora sou um médico daqui, não posso quebrar o contrato.
- Aí é que se engana – MinHo se animou – Conversei com o diretor do Sainte Anne e o convenci a reintegrar você ao hospital. Ele desfez o contrato e me deu a missão de encontrá-lo. Confesso que não foi muito fácil te achar nesse lugar.
- Então – Kibum se sentou na cama, piscando os olhos algumas vezes – Então eu posso voltar?
- Já deveria ter voltado, até porque tem algo que você precisa saber assim que chegar à capital.
Meramente curioso, Kibum deixou o hotel, só então parando para analisar o muquifo onde estava hospedado, realmente chegara a um nível muito baixo. Deu uma risada e entrou no carro com MinHo, estava feliz por voltar. Tão feliz que seu carro e malas estavam ficando para trás. Podia muito bem comprar coisas novas quando chegasse em sua verdadeira casa.
~~
Fizeram rapidamente o percurso de volta, trocando apenas palavras rápidas durante o caminho, MinHo estava extremamente concentrado na estrada e seu rosto parecia ainda mais bonito quando estava sério. Kibum acreditava que o moreno o deixaria em casa quando chegassem, precisava de um banho urgente. Um banho quente e bem longo, onde pudesse finalmente relaxar, talvez assim se sentisse verdadeiramente melhor. Mas o maldito amigo o levou direto para o hospital, esquecendo-se do estado em que se encontrava.
Estacionaram o carro numa das vagas exclusivas para funcionários e Kibum foi recebido por um Taemin alegre, com um belo sorriso adornando seus lábios, ele parecia diferente, estava radiante. Kibum até sentiu um pouco de inveja, queria estar tão feliz também, pena que não tinha motivos, não ainda. O loiro disse que era bom ter o amigo de volta e o abraçou forte, mas MinHo imediatamente quebrou o contato dizendo que tinha algo urgente para fazer e precisava levar Kibum junto. Por saber do que se tratava, Taemin concordou e deixou os dois irem, voltando para a cafeteria, onde ainda se encontrava na metade de seu turno diário.
Os dois médicos caminharam até o quarto conhecido, passando por alguns outros funcionários que sorriam para Kibum e diziam que era bom tê-lo de volta. O médico agradecia sorrindo também, um sorriso sincero. Era bom sentir um pouco de carinho pelo menos alguma vez na vida.
- Vocês precisam conversar – MinHo anunciou assim que abriu a porta do quarto e empurrou Kibum para dentro, fechando-a novamente antes que ele protestasse de alguma forma, era mestre para fazer essas coisas.
Notas finais
Próximo capítulo infelizmente é o último e já chorei demais escrevendo, espero que gostem do que preparei pra vocês. Será uma pequena surpresa, esperem pra ver. Provavelmente falarei tanto quanto agora nas notas finais, mas quero apenas demonstrar o quanto vocês são importantes pra mim.
Hoje não comentarei sobre nenhuma novidade k-pop porque já falei demais, então acho que devo parar por aqui.
Muito obrigada por permanecerem três meses comigo, três meses lendo todas as besteiras que escrevo nos capítulos e aqui nas notas finais. Obrigada por tudo, tudo mesmo ♥
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