Vous Vous Souvenez?
20 Dernier chapitre, Nous n'avons plus rien à risquer
Notas iniciais
Eu queria ter postado antes, mas fiquei enrolada com a escola e a tal peça que escrevi o roteiro e ainda terminei sendo a protagonista. Agora que tudo acabou, tenho tempo sobrando. Tanto que comecei a escrever uma nova história e devo postar daqui alguns dias, provavelmente assim que postar o epílogo dessa história.
Como é o último, preparem-se para tudo gigante. As notas iniciais, finais e o capítulo em si. Falando nisso, preparem-se para um final que escrevi com bastante carinho, espero surpreender vocês.
Então, antes de começarem a ler, quero pedir algo muito importante. Assim que eu disser que o Jonghyun limpou a garganta e começou a cantar, coloquem Quasimodo do SHINee pra tocar. É a música que me inspirou durante todo esse tempo e acho digno para o momento. Tudo bem? Assim que ele começar a cantar, vocês colocam pra tocar.
Espero de verdade que gostem do final e hm, boa leitura pra todo mundo.
Os olhos de Jonghyun estavam ligeiramente arregalados, provavelmente estava surpreso pela aparência do médico a sua frente. Afinal, ele sempre cuidara bem demais de si mesmo e odiava com todas as forças quando algo estava fora do lugar, principalmente seu cabelo. Mas Kibum fora literalmente arrastado de onde estava e não tivera tempo nenhum de sequer se aproximar de um espelho, além do mais, passara dias com o rosto enterrado num travesseiro de péssima qualidade, nem banho tomara desde quando perdeu o paciente naquele hospital. Não queria nem imaginar como estava seu rosto e seu semblante, pior, como estava seu cheiro. Era uma mistura de bebida barata e cigarros, com um pouco de seu cheiro característico, limão. Desde quando namoravam, Kibum sempre possuíra um aroma natural de limões, coisa que Jonghyun simplesmente amava, mais que qualquer outra coisa. E mesmo depois de anos separados, Jonghyun se sentiu alegre por perceber que ele ainda tinha o tal aroma, que ao menos uma lembrança ainda havia permanecido intacta entre os dois. Mas o fato é que naquele momento em que MinHo o empurrara dentro do quarto, o pobre paciente levara alguns segundos para reconhecer o médico, pior, para reconhecer aquele que tanto amava. Kibum estava tão diferente, com suas roupas amassadas e a cara coberta por pelos, algo que sempre odiou. Sem contar com o fato de que ainda estava com o jaleco do outro hospital, e nele havia uma pequena mancha escura, aquele sangue seco preocupou Jonghyun, mas ao ver que aparentemente Kibum não tinha arranhado ou machucado algum, seu coração se aliviou um pouco. Nunca se perdoaria por algo acontecer com Kim Kibum, principalmente porque estava longe demais e nada poderia ter feito para salvá-lo.
- Precisamos conversar? – Kibum perguntou, finalmente quebrando o silêncio que automaticamente se formara entre os dois. Jonghyun estava ainda mais bonito, agora com o rosto finalmente sem machucados, haviam apenas umas marquinhas claras, que sumiriam em questão de dias. Seus olhos brilhavam e suas bochechas estavam com aquele tom rosado que tanto o tornava encantador. Kibum criara uma pequena confusão em sua mente com as palavras ouvidas segundos antes. Ele e Jonghyun não tinham porque conversar, pelo menos esperava isso. Durante o caminho, tentou juntas as peças e descobrir o que MinHo estava aprontando, mas não alcançou nenhum resultado. Nada fazia sentido. Então a única coisa que poderia fazer era torcer para que não acontecesse algo que o machucasse mais uma vez. Seu coração possuía curativos demais.
- Sim, preciso te contar algo – Jonghyun claramente hesitou, estava com medo acima de tudo. Sua voz fora apenas um sussurro, e suas mãos estavam obviamente trêmulas. Chegava a ser ridículo o estado em que se encontrava, os olhos baixos estavam marejados e ele parecia um menininho prestes a levar uma boa bronca da mãe. Ou algo do tipo.
- Me contar algo? – o médico começou, mesmo não querendo, acabou deixando um suspiro de tédio lhe escapar – Espero que não seja sobre sua recuperação ou sobre como poderemos ser amigos quando você receber alta. Porque eu já estou cansado disso, não quero saber dessas coisas, não quero ser seu maldito amigo. E aliás, me arrependo de deixar MinHo me arrastar até aqui, deveria saber que ele estava aprontando alguma.
- Porque não quer ser meu amigo? Pensei que você gostasse de mim – Jonghyun deixou uma lágrima escorrer em seu rosto, marcando sua bochecha rosada. Se antes estava com medo, agora estava completamente inseguro. Tinha medo do que Kibum pensaria de si, ele com certeza ficaria com muita raiva. Mas teria que continuar com o que iniciara, teria finalmente que falar a verdade, mesmo com o coração doendo por saber que Kibum não queria ser nem um amigo.
- Olha Jonghyun, eu não quero ser seu amigo. Simplesmente não quero, e fim da história. Se você não for tão burro como penso, acho que conhece muito bem meus motivos para querer distância de você.
- Uma vez acordei e você disse que me amava, é por isso? – Jonghyun perguntou num sussurro realmente muito baixo. Seus olhos ainda fitavam o chão, sem coragem alguma para se erguer até o rosto daquele que o estava magoando com apenas algumas palavras.
- Eu não quero falar sobre isso, já estou farto desse assunto. Fico feliz em saber que você conhece meu principal motivo. E agora que sabe que te amo, saiba que esse amor é um verdadeiro erro. Você nem ao menos memória tem, não se lembra de quem fui pra você. Porque afinal já fui importante, mas você simplesmente não se lembra...
E antes que pudesse completar seu desabafo, foi interrompido pelas mãos de Jonghyun. Uma sobre seu peito enquanto a outra cobria sua boca tão bem definida e macia, até que enfim impedindo-o de falar. Estava começando a falar coisas que não eram verdade.
- Kibum – ele começou após respirar fundo. Agora fitava intensamente o rosto do médico, tanto que isso o deixou levemente envergonhado – Você me odeia e nunca o culparei por isso. Depois de tudo que fiz, isso é o que mereço, mas por favor, peço que tente entender meu lado. Naquela noite, eu não queria brigar, mas não consegui evitar. Quando brigamos, pensei que seria como sempre foi, você voltaria e faríamos as pazes. Terminaríamos felizes, como sempre fizemos questão de ser. Mas quando me dei conta da realidade, percebi o quão idiota fui por começar outra briga. Então, num ato ainda mais estúpido, resolvi sair para beber, pra tentar esquecer que essas brigas só o faziam sofrer e provavelmente se arrepender por estar comigo. Nunca havia feito isso e acabei perdendo o controle de tudo ao meu redor. Quando finalmente acordei, estava deitado em nossa cama, com alguém que não era você. Estávamos nus, e os lençóis abaixo de nós estavam revirados e amassados. Fiquei desesperado ao olhar para a porta e ver sua figura parada lá, chorando. Seus olhos inchados e sua boca vermelha, você mordia os próprios lábios enquanto tentava segurar o choro, aliás, isso foi algo que você sempre fez, como uma das muitas manias lindas que só você tem. Mas então eu fui obrigado a assistir você indo embora sem me dar a oportunidade de uma explicação. Só aí percebi o quão estúpido tinha sido em trocar três anos por apenas uma noite. E então me arrependi, friamente, como nunca ninguém havia se arrependido antes. Passei dias trancado em meu quarto, não queria comer, não queria sair, não queria nada que não fosse você e seu perdão. Cheguei a pensar em suicídio, mas não tive coragem por ser o maldito covarde que sou e sempre fiz questão de ser. Nada mais que um covarde sem coragem de lutar pelo que mais amava na vida. Pior que isso, um maldito covarde sem coragem de correr atrás do perdão por seu erro.
Jonghyun tinha lágrimas nos olhos, e estava com os punhos fortemente cerrados. Soltara a boca e o peito de Kibum e agora estava de costas para o mesmo, seus olhos fitando a pequena janela do quarto enquanto dizia as palavras tão sinceras que passara anos guardando para si mesmo, na esperança de um dia poder recitá-las para aquele que as merecia. Na esperança interminável de um dia conseguir ser perdoado.
- Como você se lembra disso? – Kibum indagou completamente estático e perplexo. Um pouco assustado e surpreso. Seus olhos estavam arregalados, e não tinha condição alguma de sair do lugar, mesmo que para virar Jonghyun e obrigá-lo a responder sua pergunta. Porque Jonghyun estava sem memória, não poderia se lembrar da noite em que traíra Kibum. Ou melhor, da noite em que traíra Kibum com aquele que hoje era o diretor do hospital onde o mesmo trabalhava. Porque sim, Lee Jinki também era coreano e gostava de frequentar bares pela cidade, gostava de beber até cair e gostava também de nada lembrar no outro dia. Lee Jinki sempre estivera presente na vida de Kibum, mais do que o médico gostaria. O maldito diretor de cabelos castanhos e um mal humor insuportável sempre fora o inferno de Kibum.
- Antes de responder, eu quero que escute algo – ele então pegou um violão que estava ao lado da cama. Nunca estivera ali antes, mas como Kibum descobrira mais tarde, fora MinHo quem fez questão de conseguir o tal instrumento e entregá-lo prontamente a Jonghyun, para que pudesse finalmente terminar uma composição, aquela que continha seus sentimentos mais dolorosos e sinceros.
Jonhyun se sentou, sua perna ainda estava um pouco longe de se recuperar. Posicionou o violão sobre o colo e respirou fundo umas duas vezes, preparando-se para o momento que planejara a bastante tempo. Porque Kibum nunca ouvira composições de sua autoria, agora seria a primeira e mais importante vez. Porque aquela música diria tudo que se passava em seu pobre e inconsolável coração.
Kibum estava mergulhado num completo silêncio, esperando apenas que o outro fizesse o que estava planejando. Queria saber como ele se lembrara da traição, mas pelo visto teria que esperar para ouvir a resposta.
Seria uma espera válida, afinal.
Jonghyun limpou a garganta e finalmente começou, algumas notas no instrumento saindo erradas por estar nervoso. Ainda assim, estava indo bem e conseguiria seu objetivo.
Cantou com toda a confiança que tinha. A letra fora decorada devido as tantas vezes que havia lido e ensaiado a canção. Ensaiou exaustivamente porque queria que tudo fosse perfeito, queria conseguir passar de alguma forma todo o sentimento que morava em seu coração.
Versos como “Porque é amor, porque para mim, é amor” ou “Porque você é meu tudo” fizeram o coração do médico acelerar de uma forma nunca antes vista. Mas as batidas rápidas e descontroladas eram dolorosas. A letra era linda e emocionante, mas doía para Kibum saber que aqueles sentimentos presentes na mesma não lhe pertenciam.
“Permaneço acordado por entre as noites, quando a luz das estrelas se transforma em chuva que não para como minhas lágrimas, me lembro que te amei”
Conforme os versos iam se tornando ainda mais sinceros e belos, mais a dor de Kibum aumentava. Se pudesse, ele daria tudo que fosse preciso para ter Jonghyun ao seu lado novamente, daria qualquer coisa para que ele se lembrasse do que viveram.
“Preciso de você para ser eu, ainda que doa, ainda que me faça chorar, eu te amo”
- Eu nunca me esqueci de nada – Jonghyun confessou. Repousou o violão ao seu lado e voltou a encarar Kibum. Melhor, a sustentar seu olhar. Porque desde que entrara naquele quarto, o médico não desviara o olhar uma única vez. Dessa vez Jonghyun parecia sério, enquanto o outro piscava freneticamente. Ele abria a boca várias vezes, mas a fechava logo em seguida, não conseguia falar – Nunca tive perda de memória.
- M-mas co-como assim? – finalmente gaguejou, sentindo os joelhos fraquejarem. Cairia a qualquer momento, talvez por esse motivo apoiou-se na parede atrás de si. Ainda bem que era uma parede firme, porque seus joelhos mais pareciam gelatina.
- Fingi esse tempo todo. Por isso não havia sinal nenhum nos exames, porque eu estava fingindo ter perdido a memória. Lembro de ouvir você comentar com MinHo que essa sequela era impossível, e bom, você tinha razão. Você sempre tem razão, engraçado ter duvidado disso justamente quando estava certo.
Kibum ficou em silêncio durante alguns segundos, tentava digerir e entender o que estava acontecendo, o que acabara de ouvir. Jonghyun caminhou lentamente até o médico, virando-se pela primeira vez em algum tempo. Segurou com carinho as mãos trêmulas e suadas de Kibum, fitando seu rosto inexpressivo.
- Então você se lembra? Se lembra de quem sou? Do que fomos? De n-nós?
- Sim, me lembro de tudo, inclusive de quem fomos – Jonghyun fez uma leve carícia no rosto de Kibum – Mais que isso, as histórias que você contou, eu me lembro de todas elas, e também são importantes pra mim, importantes demais.
Kibum estava petrificado, nem seus olhos ousavam se mover. Estavam fixos no rosto a sua frente. Seu coração batia tão rapidamente que parecia querer sair do peito.
- E mesmo que não lembrasse, você andou me contando algumas – Jonghyun continuou, aproveitando que o outro nada falaria – Eu contava as horas até você vir, contava até os segundos, e quando finalmente se sentava ao meu lado, eu fingia estar dormindo, mas ouvia tudo que você contava – ele sorriu – E antes que me questione sobre uma dessas coisas. Sim, aquela é a fotografia que você tirou e eu roubei de você, guardo como um amuleto de sorte. Sim, quando acordei eu realmente chorei, estávamos tão perto, mas você parecia não saber quem eu era, e eu não queria que nos reencontrássemos dessa forma, mas apenas aconteceu. Sim, quando você perguntava algo e eu suspirava, estava na verdade lhe respondendo, da melhor forma que pensei que conseguiria. Sim, naquela noite eu sabia do que você estava falando, e meu coração acelerou ao saber que ainda me amava. E por último, espero que você tenha falado sério ao dizer que não queria ser um maldito amigo. Porque eu quero ser muito mais que isso, amizade é uma palavra vaga demais quando se trata de nós dois.
Kibum não resistiu, caindo finalmente aos pés de Jonghyun. Nunca imaginara ouvir tais coisas e nunca imaginara que o outro fosse capaz de fazer algo desse tipo. Ele era louco. Primeiro por largar tudo e viajar para outro país apenas por um reencontro e um pedido de perdão. Depois por nunca desistir. E também por fingir não ter memória apenas para ouvir algumas lembranças que vivera e aparentemente se recordava muito bem. Era por isso que amava Jonghyun, por seu jeito imprevisível e estúpidamente perfeito de ser. Por ser um idiota, um lindo idiota.
- E se eu tivesse ido embora? – a voz de Kibum soou falha, talvez devido as lágrimas e ao bolo que se formara em sua garganta. Queria chorar, queria bater em Jonghyun, queria correr para longe dele por ter inventado tudo isso, queria abraçá-lo e nunca mais soltar, queria pular por aí de tão feliz e leve que parecia estar. Queria tantas coisas, era difícil saber realmente ao certo o que fazer, então optou por falar, melhor, escolheu por fazer perguntas – E se eu fosse embora para sempre?
- Eu iria atrás de você – Jonghyun respondeu simplório, suas cinco simples palavras eram tudo que Kibum mais queria ouvir – Mesmo que ninguém quisesse vir comigo – ele completou de uma forma ainda mais simples, e sincera.
- Assim como veio a dois anos atrás?
- Sim – respondeu sem qualquer hesitação. Ainda que Kibum estivesse sem sombras de qualquer reação no rosto, agora não tinha mais medo.
- Porque? – tornou a perguntar.
- Porque você tem meu coração, e não consigo ficar longe dele por muito tempo. Você sabe, as pessoas precisam de seus corações para viver.
- Você nunca pensou que talvez estivesse me machucando te ver sem memória? – Kibum resolveu ignorar o que ouvira anteriormente. Jonghyun sempre sabia as palavras certas para impressioná-lo e emocioná-lo.
Ele sempre sabia o que dizer. Em qualquer ocasião.
- Eu sempre me condenei por isso, sabia que o estava magoando. Mas quando você começou a contar as histórias, eu não tive coragem de dizer a verdade. Era tão bonito ouvir tudo que vivemos em sua voz doce, era tão belo saber que você guarda nossas lembranças com tanto carinho quanto eu.
- Porque decidiu me contar agora? – Kibum indagou, olhando no fundo dos olhos de um Jonghyun extremamente sincero. Talvez ele nunca houvesse sido tão sincero e sério em algo como naquele momento, entre aquelas paredes de um quarto de hospital.
- Porque durante esse dias que passamos longe, eu percebi que não consigo ficar sem você – ele sorriu – Além disso, MinHo descobriu tudo, ele é esperto. E me mataria se eu não contasse a verdade. Sinceramente, passei a ter medo desse seu amigo médico, ele me interrogou, e quando está sério e concentrado em algo, seus olhos podem se tornar assustadores – Ambos não conseguiram segurar uma breve risada. Pior que era verdade, MinHo às vezes colocava medo em seus pacientes. Mas era uma ótima pessoa, Kibum tinha certeza absoluta disso, podia confiar naquele moreno gigante até de olhos fechados — Eu te amo Kim Kibum, e preciso de ti ao meu lado – Jonghyun voltou a falar sériamente, atraindo a total atenção do médico outra vez.
- Mas e se eu não o perdoar? – Kibum finalmente abordou o ponto crítico da história. Chegariam nesse assunto de qualquer forma, querendo ou não, cedo ou tarde.
- Então terei de conviver com a culpa. Esse será o castigo pelo que fiz, um castigo bem merecido, admito. Mas terei que implorar para que me deixe ficar ao menos perto de ti, para poder apenas sentir seu perfume inebriante. Esse cheiro natural de limão que só você tem e sabe que eu amo.
Kibum nem sequer havia pensando na possibilidade de não perdoar Jonghyun, mas perguntou porque sentiu necessidade de ter conhecimento da resposta do outro. Para seu próprio azar, Jonghyun novamente falou a coisa certa.
- Você me perdoa? – Jonghyun apertou com confiança as mãos que ainda segurava delicadamente. Olhava no fundo dos olhos de Kibum, sempre conseguira enxergar até a alma do mesmo. Talvez por isso o amasse tanto, pela sinceridade que existia no relacionamento dos dois. Um namoro construído sobre uma base composta de pureza, lealdade, simplicidade e muito amor. O amor mais puro e verdadeiro que já existiu.
Kibum respirou fundo, fechando os olhos. Permaneceu assim por longos segundos, até abri-los novamente. Brilhavam mais que em qualquer outra ocasião. Mas não eram por lágrimas, já havia chorado demais. Agora tudo que possuía no olhar era leveza. Se sentia leve por poder voltar a sorrir outra vez. Sentia que talvez pudesse até voar, de tão leve e feliz que se sentia. Era como se houvesse nascido outra vez. Ou melhor, como se o tempo houvesse voltado exatamente para a época em que ele e Jonghyun eram as pessoas mais felizes do universo, vivendo em seu próprio mundo, um paraíso construído por eles mesmo, em que apenas os dois eram permitidos. Na verdade, Kibum tinha uma escolha. Podia ir contra tudo que pensava e não perdoar Jonghyun, ou podia perdoá-lo e eles voltariam a ser felizes como eram a dois anos atrás. Era uma escolha fácil, ele só precisava dizer que sim e deixar que a vida o carregasse novamente sob a proteção de suas asas, onde nenhum sofrimento era capaz de alcançá-lo. Podia de alguma forma voltar no tempo e ser novamente feliz, mas preferiu uma outra escolha. Uma escolha totalmente inesperada e surpreendente, até para si mesmo. Era a escolha perfeita.
- Vamos começar uma nova vida – ele sorriu e completou o que na verdade não precisava de complemento algum – Você vai se recuperar e assim que sair desse hospital nós dois começaremos tudo de novo, como se nunca houvéssemos nos conhecido. Podemos nos apresentar envergonhados e você pode me convidar pra jantar. Passarei horas me arrumando, apenas para impressioná-lo. Você me buscará em meu apartamento e caminharemos até meu restaurante preferido. Conversaremos sobre assuntos banais, algo como o clima ou a paisagem, apenas por vergonha de iniciar qualquer outro assunto um pouco mais íntimo. Como qualquer casal apaixonado, podemos terminar a noite deitados sobre minha cama, com minha cabeça repousando em seu peito enquanto sua respiração volta ao normal após um sexo recheado de amor. Você pode comprar alianças. Vamos começar novamente, planejar nosso futuro todo outra vez, agora em outro país, vivendo uma outra vida, infinitamente mais feliz. Podemos viajar para um país liberal e nos casar, depois voltamos para Paris e adotamos uma criança. Compraremos um lugar maior para morar e Taemin pode vir conosco. MinHo também, eles podem dividir um quarto. E podem adotar crianças também, nossos filhos serão como irmãos, estarão sempre juntos. Quem sabe um dia podem até se casar também. Tudo que eu mais quero agora é te beijar, para marcar o início de uma nova história, num novo livro. Dessa vez, uma história com final de conto de fadas. Com um belo felizes para sempre escrito em letra decorada na última página. Eu amo você, Kim Jonghyun.
Jonghyun ouviu tudo com uma atenção nunca vista antes. Cada palavra de Kibum o fazia se sentir como se estivesse flutuando. Porque ele o estava perdoando. Depois de dois longos anos o observando de longe, finalmente conseguira o tão sonhado perdão. Agora podiam finalmente ficar juntos novamente, ou melhor, como o outro mesmo dissera, podiam finalmente se conhecer e começar a escrever uma nova história, ainda mais linda, digna de um livro com uma capa muito bem decorada. Assim que Kibum terminou de falar, Jonghyun cobriu o rosto com as mãos. Qualquer um que visse a cena saberia que ele estava chorando, era simplesmente óbvio. Mas era um choro de felicidade, porque nunca imaginara que tanta coisa aconteceria consigo dentro de um hospital.
Quando finalmente se acalmou, ele levantou a cabeça e fitou Kibum com os olhos inchados. Ambos ainda possuíam vestígios de que estiveram chorando, pelo mesmo motivo.
- Ficaremos juntos outra vez – Jonghyun começou, sua voz embargada pelo choro recente — E então poderei finalmente te apresentar para a dona do hotel onde moro como Kim Kibum, mon copain.
Kibum então se lembrou das palavras de Taemin a respeito da senhora. Ela o queria conhecer, e agora teria sua vontade realizada. Kibum estava animado para conhecê-la, finalmente como o par de Jonghyun. Como nunca deveria ter deixado de ser.
O fato é que o destino pode nos surpreender. Se hoje estamos sofrendo, amanhã algo bom acontecerá e estaremos novamente sorrindo. Porque depois de uma tempestade, sempre haverá um arco-íris.
Notas finais
Desculpem-me qualquer erro e bom, desculpa se o final não tiver sido bom. Essa foi a primeira fic com final feliz que consegui escrever.
Escutaram a música? Então, Jonghyun viado, passou esse tempo todo enganando o Kibum. Mas foi por um bom motivo. E pelo menos eles ficaram juntos no fim.
Antes dos agradecimentos e notas finais gigantes, quero comentar algo que não mudará em nada a vida de vocês. O fato é que virei fã de Infinite e L é meu bias lindão. Outra coisa é que eu esqueci o que é ar depois de Action, do NU'EST. E outra coisa é que 2NE1 é foda, sem mais.
Então, agora vamos ao que importa.
Eu sempre tive vergonha de publicar as coisas que escrevia e agora agradeço eternamente a minha yeobo, que sempre insistiu e acabou me convencendo a publicar uma fic. Nunca imaginei que teria tanto reconhecimento numa única história. Meus 29 leitores são hoje a coisa mais importante que tenho. Porque é gratificante demais entrar aqui e ver um novo review, com as coisas lindas que vocês costumam dizer. TODOS os reviews me emocionaram demais, mesmo os mais simples. Não vou agradecer a cada um dos leitores, até porque já fiz isso no capítulo anterior e além disso, notas finais ficariam ainda maiores. O fato é que sou a pessoa mais honrada desse universo por ter tido leitores tão fiéis e lindos como vocês. Até os leitores fantasmas me deixaram extremamente feliz. E falando nisso, como é o último, vocês bem que podiam aparecer né? Então, obrigada de coração por passarem pouco mais de três meses comigo, esperando por cada capítulo, torcendo por um final feliz entre nossos lindos protagonistas. Espero que estejamos juntos em minha próxima história, porque vocês se tornaram algo essencial pra mim, e falo bastante sério. Mt mt mt mt obrigada a todos. Daí que queria escrever mais e expressar melhor o que sinto, mas me faltam palavras. Então..
See ya no epílogo que sai ainda esse fim de semana :*
Só pra terminar: ALGUÉM AÍ É PALMEIRENSE E TÁ MORRENDO COM O JOGO JUNTO COMIGO? DÁ-LHE PORCO! ♥
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