Voulez-vous coucher avec moi ce soir?
19 Capítulo 20: Lar
Chovia forte do lado de fora e Harry estava jogado no sofá do apartamento de Louis, que se ele fosse honesto era mais confortável do que muita cama de hotel que já se hospedara, e zapeava pelos canais de televisão em busca de algo que lhe fosse interessante o suficiente para assistir pelos minutos, com sorte, horas, já que estava com insônia e obviamente não pegara seus remédios para dormir. Quando um raio irrompeu pelo céu, seguido do som estridente do trovão, Harry se sentou e, lembrando da conversa que teve com Caleb dias antes, imaginou que seria bom verificar como ele estava, mas antes que pudesse de fato se levantar, viu a porta do garoto abrir e ele sair com seus pés descalços e silenciosos; chamou-o antes que ele alcançasse a porta de Louis.
— Tio Harry. — O garoto correu até si, se jogando em seus braços quando outro raio iluminou a sala. — Ta chovendo muito. — Seus olhos assustados estavam pregados na porta da varanda.
— Eu sei, mas você pode ficar aqui comigo, o que acha? — Colocou Caleb no sofá, o envolvendo com as cobertas e ficando sentados aos seus pés, mas o garoto ainda estava assustado e tremia e resmungava sempre que um novo raio ou trovão irrompia a noite. — Que tal a gente montar uma cabana? A gente vai ficar mais protegido numa cabana, não acha?
— Eu não tenho uma cabana… — O garoto respondeu num fio de voz.
— Ah, mas a gente só precisa de alguns lençóis e almofadas. — Piscou um olho e logo ele e o garoto seguiram até o quarto de Caleb e pegaram cobertores, lençóis, travesseiros e almofadas, e então jogaram tudo na sala.
Harry não se lembrava de ter feito uma barraca improvisada antes, mas estava bem disposto a tentar se isso for distrair e tranquilizar Caleb. Pegou algumas cadeiras e as posicionou ao lado e em frente ao sofá, jogou um lençol por cima e testou como ficaria; Caleb logo estava empolgado e, quando Harry lhe pediu, espalhou as almofadas e travesseiros pelo tapete felpudo que Louis tanto gostava. O homem ainda jogou alguns edredons sobre as almofadas e tentou transformar tudo num ninho gigante, assim como colocou mais alguns lençóis sobre as cadeiras para ser o teto da cabana deles. O resultado final não foi tão bom, mas Caleb aprovou então estavam bem.
E Louis havia deixado bem claro que Caleb não podia assistir Homem-Aranha, nem jogar nada relacionado ao herói ou ter os brinquedos por perto, então Harry ficou bem satisfeito em colocar um filme do Batman na televisão — porque é claro que ele deixou a televisão do lado de dentro da cabana, prendendo um dos lençóis atrás dela -, e, sabendo que não poderia dar doce algum para o pequeno, estourou um saco de pipoca de microondas e pegou alguns sacos de salgadinho para comerem, deixou a comida na mesinha de centro e voltou para pegar a jarra de suco e dois copos, sendo o de Caleb de plástico. Acomodaram-se em seu ninho improvisado e deram início a comilança da noite enquanto o cavaleiro das trevas surgia na tela.
E é claro que Harry estava muito satisfeito consigo mesmo sobre o fato de Caleb ter se esquecido da chuva que caía do lado de fora — e também agradeceu por essa ter amenizado e os trovões não estarem mais tão altos e constantes -. A sessão da comida foi encerrada bons minutos depois, quase no final do primeiro filme, e Harry colocou o segundo apenas para manter Caleb distraído, que dormiu sobre seu peito antes da primeira metade, e para ser honesto, Harry não tinha a menor ideia de que em que momento dormira, mas o dia o alcançou e o barulho de utensílios sendo usados na cozinha o despertou de vez. Olhou ao redor e se sentiu orgulhoso que a cabana improvisada permanecia de pé, e sorriu largamente ao identificar a forma como Caleb estava dormindo; o garoto tinha a metade de baixo do corpo sobre seu abdômen e a cabeça sobre uma almofada com os braços jogados para cima.
— Bom dia. — Virou o rosto e encontrou o sorriso de Louis em uma fenda que ele abriu entre os lençóis. — Confortável ai? — Brincou com toda a situação do empresário que riu de forma contida, evitando acordar Caleb.
— Você ficaria surpreso com o conforto daqui, está bem? Caleb não está reclamando. — Indicou o garoto dormindo de forma “jogada”.
— Caleb é uma criança que dorme em qualquer lugar, Harry. — Sorriu carinhoso para o empresário. — O café da manhã está pronto, a propósito, não que vocês tenham passado fome, pelo jeito… — Louis lançou um olhar divertido para a bagunça de embalagens e restos de pipoca pelo tapete. — Você vai limpar. — Apontou o dedo para o homem antes de soltar o lençol e fechar a fresta, voltando para a cozinha.
Com cuidado, Harry tirou as pernas de Caleb de cima de si e o deixou o mais confortável possível e se levantou, passou no banheiro e então encontrou Louis na cozinha, com a mesa posta para o café da manhã e um sorriso calmo no rosto. Louis parecia brilhar naquele momento, com a barriga enorme, cabelos castanhos ainda um pouco bagunçados pela noite de sono e um olhar gentil voltado para si; Harry quis beijá-lo naquele momento e, diferente de todos os outros momentos, ele não se impediu de avançar até o rapaz e segurar seu rosto rechonchudo pela gravidez entre as mãos e beijá-lo com carinho, desejo e saudade.
Louis correspondeu com tanto desejo e saudade quanto Harry lhe oferecia, naquele momento, naqueles segundos, ou minutos, em que seus lábios e línguas se exploravam, não havia problemas, não havia preocupações, tudo o que existia eram ambos. Louis, Harry e seus sentimentos ainda não declarados.
— Harry… — Louis tinha os lábios vermelhos e inchados, olhos brilhantes e um sorriso querendo despontar.
— Eu quero fazer isso há tanto tempo. — Harry confessou em um fio de voz, deixando seu próprio surgir.
— Eu não... — O empresário passou a deixar diversos beijos rápidos em sua boca. — Acho… Certo… Harry! — Louis o empurrou, mas sorria divertido.
— Eu acho perfeitamente certo estarmos juntos. — Deixou as mãos escorregarem até a cintura do rapaz e sorriu.
— Não estamos juntos, Harry, nós apenas teremos um filho juntos. — Louis virou os olhos para a cabana improvisada, afim de confirmar que Caleb ainda dormia.
— Apenas? — Harry riu divertido e o beijou outra vez, mas Louis logo se afastou. — Louis, espera, por favor.
— Harry isso não é certo. Se ficarmos nos beijando ou tendo qualquer contato a mais desnecessário podemos acabar nos desentendendo e afetando Ethan, sem falar no Caleb, já… Vai ser difícil… — Passou a mão pelo cabelo, exasperado.
— Louis. — Pegou a mão do rapaz entre as suas. — Bom… Não era bem como eu tinha planejado, mas talvez seja o momento certo. — Harry beijou a mão dele e sorriu um tanto nervoso. — Eu sou… Eu quero que você me dê uma chance. — Louis o fitava sem realmente entender onde ele queria chegar com aquelas palavras. — Eu quero ficar com você, não apenas para criar o Ethan, mas… Para te abraçar, para te ajudar sempre que precisar, para buscar o Caleb no colégio sempre que quiser ou for necessário… — Deixou seus olhos colados nos de Louis. — Eu sou apaixonado por você, Louis. Completamente apaixonado por você. E eu quero ser o que você quiser que eu seja, seu namorado, seu amante, seu marido… — Louis riu e girou os olhos, que já estavam marejados de lágrimas. — Quero ser o pai do Ethan, e quero ser o pai do Caleb também.
— Harry… — Louis voltou a olhar para onde seu filho ainda dormia, pensando e pesando as palavras do empresário.
— Me dê essa chance, ou melhor, nos dê essa chance. — Beijou a bochecha do rapaz, e logo estava bicando todo seu rosto e voltando novamente aos lábios. — Me deixe fazer parte dessa família. — Sua voz era apenas um sussurro, e Louis fechou os olhos por alguns instantes antes de abri-los e encontrar o verde esmeralda dos orbes de Harry.
Racionalmente Louis sabia que deveria negar e manter o empresário a uma distância segura de seu coração, mesmo que este já pertencesse totalmente ao homem. O problema era que Louis estava tão cansado de sempre lutar contra o que realmente queria, que mesmo tendo completa consciência de que não deveria ceder naquele momento, ele apenas concordou, e sorriu quando Harry riu para si e o beijou novamente, com mais carinho do que antes.
— Então porque você não começa a fazer parte dessa família imediatamente e acorda Caleb para o café da manhã. — Louis mordeu o lábio inferior de Harry, puxando a carne até que ela se soltasse de seus dentes. Harry concordou e lhe deu outro beijo antes de se afastar e abrir a cabana.
— Tem certeza que temos que acordá-lo? Ele está dormindo tão gostoso. — Informou ao encontrar o garoto todo encolhido entre os travesseiros e dormindo calmamente.
— Precisamos manter alguns horários… Se ele dormir até mais tarde, ele vai dormir tarde hoje a noite, e eu não quero isso. — Louis colocou a mão na barriga e ficou observando enquanto Harry se abaixava entre os lençóis pendurados e acordava Caleb com algumas cócegas.
— Bom dia pequeno, hora do café da manhã. — Sorriu assim que encontrou os olhos azuis de Caleb voltados para si.
— Bom dia tio Harry… — O garoto se espreguiçou e voltou a fechar os olhos, mas Harry voltou a atacá-lo com cócegas. — Para tio Harry! Para! — Gritou entre as risadas e por fim Harry o puxou para seu colo, logo se levantando e o jogando sobre um ombro.
— Missão cumprida senhor, soldado Caleb está acordado. — Segurou das coxas do menino e deixou uma mão em suas costas ao jogá-lo para frente.
— Bom dia brotinho. — Louis sorriu e beijou sua testa.
— Bom dia papai…
— Nossa, que bafinho de filhote de leão¹. — Brincou com o garoto e Caleb riu.
— Soldado, temos uma nova missão. — Harry o balançou em seu braços. — Acabar com o bafo de leão. — Voltou a jogar a criança no ombro e correu até o banheiro sob o som de sua risada.
E talvez Louis tenha rido e se sentido tão feliz como não se lembrava de ter sentido antes, a não ser, quem sabe, como quando era capitão do time de futebol do colégio e eles venceram o campeonato do ano — antes de tudo desabar -, mas ainda assim, aquela felicidade, a alegria de ouvir a risada de seu filho mais velho enquanto era carregado até o banheiro pelo homem que Louis amava e com seu filho mais novo prestes a nascer, era muito maior do que qualquer outra coisa. E por, talvez, estar se sentindo como um adolescente bobo e apaixonado, Louis tenha pegado seu celular e escrito uma pequena mensagem para Zayn, apenas informando o amigo que estava namorando a partir daquele dia.
E contrariando todas as expectativas do próprio Louis, os dias que se seguiram a partir da noite em que Harry montaram uma cabana improvisada em sua sala foram os melhores dias de sua vida. O empresário seguia em sua casa, mas dessa vez dormindo em sua cama, que em uma ou outra noite também contou com a presença de Caleb entre eles. Harry levava e buscava Caleb no colégio, que sempre que chegava contava em detalhes como havia sido seu dia, e, mesmo que o garoto ainda fosse provocado por alguns colegas, ele seguia o conselho de não fazer nada e contar para a professora. As coisas não estavam perfeitas, mas estavam caminhando bem.
E era isso que Louis tinha em mente naquele momento, enquanto estava sentado no sofá da sala e esperava que Harry vestisse Caleb para poderem ir ao hospital. A cesárea estava marcada para aquele dia, e por mais ansioso que Louis estivesse para conhecer seu filho, ele não conseguia parar de pensar em como Caleb poderia ficar assustado com toda aquela situação. Ele era pequeno e podia não saber muito sobre a vida, mas sabia que hospital não era um bom lugar para se estar, por isso Louis e Harry ficaram boas horas conversando com ele sobre como seria aquele dia, explicando que Louis estaria bem e que Harry teria que acompanhar o Louis em qualquer lugar, mas que Caleb ficaria com Zayn; houve diversas perguntas, mas o pequeno pareceu entender.
— Pronto, papai, vamos para o hospital tirar o Ethan da sua barriga. — Caleb surgiu na sala e Louis foi tirado de seus pensamentos. O pequeno vestia um conjunto de moletom com tênis esportivos e confortáveis, mas tinha os cabelos muito bem arrumados, penteados para trás. Harry vinha logo atrás, já arrumado também, com um casaco a mais para Caleb.
— Você está ansioso para conhecê-lo? — Louis perguntou, chamando o filho para mais perto com a mão.
— O que é ansioso? — O garoto inclinou a cabeça enquanto o fitava curioso.
— É quando você está com pressa para que algo aconteça. — Explicou da forma mais simples, sabendo muito bem que estar ansioso não exatamente daquela forma, mas aquilo bastaria para Caleb.
— Então sim, eu quero ver logo ele e brincar com ele. — Passou a mão pequena pela barriga de Louis, sentindo um chute de Ethan que o fez rir.
— Bem, eu também quero que ele esteja aqui logo. — Harry se aproximou, descansando as mãos nos ombros de Caleb. — Mas lembre-se do que falamos sobre brincar com ele. — O garoto ergueu o rosto para fitar o empresário. — Seu irmão será muito pequeninho então ele não vai poder brincar de um montão de coisa…
— Mas quando ele vai poder?
— Quando ele for maior.
— E vai demorar?
— Vai.
Caleb fez uma careta e soltou um muxoxo que fez com que Louis risse divertido, logo estendendo as mãos para Harry ajudá-lo a levantar. O empresário pegou as duas bolsas necessárias e seguiu Louis, que tinha a mão de Caleb presa na sua, para fora do apartamento. E é claro que naquele momento Harry estava agradecendo a tudo o que fosse mais sagrado por Louis ter o filho dele através de uma cesariana com data e horário marcado; ele provavelmente surtaria se fosse acordado no meio da noite para levá-lo ao hospital para um parto natural.
Não demorou muito para chegarem ao hospital, e é claro que Anne e Gemma, com Zoe, já estavam à espera deles, Harry não ficou exatamente surpreso por seu pai não estar lá, mas não poderia negar a decepção. E enquanto davam entrada na internação de Louis, Zayn e Niall chegaram para ajudar com um Caleb que não parava de olhar tudo ao seu redor e questionar sobre qualquer coisa que lhe surgisse à mente.
Levou menos de uma hora para que Louis estivesse efetivamente registrado e acomodado em seu quarto, cercado por Harry e sua família, além do casal de amigos. Eles riam e conversavam sobre as mais diversas situações, além de bajular Niall e sua barriguinha ainda discreta, e claro que Louis não perderia a oportunidade de importunar Zayn.
— Você já o pediu em casamento, Zayn? — Provocou com um sorriso ladino.
— Eu o pedi em namoro, acho que o casamento pode muito bem ser proposto por ele. — O moreno fingiu indiferença e fitou as próprias unhas enquanto ouvia as risadas de todos, rindo assim que o Niall o empurrou de leve.
— Quero um pedido super romântico, mais do que o de namoro. — Zayn o abraçou pela cintura, descansando as mãos em sua barriga.
— Oh droga… — Beijo seu pescoço e deixou o olhar cair sobre Louis e Harry. — Vou fazer o pedido igual o Harry pediu o Louis em namoro, na cozinha, com cara de sono e com nosso filho dormindo no sofá. —
— Hey! Foi como as circunstâncias permitiram, ok?! — Harry se defendeu.
— Tudo bem, Harry, foi perfeito. — Louis apertou sua mão e sorriu quando o namorado o fitou, logo ganhando um beijo rápido.
— Eca… — Harry riu da expressão de nojo que Caleb tinha no rosto enquanto os fitava.
— Isso mesmo, continue achando nojento até ter dezoito anos, no mínimo.
— Harry! — Louis lhe deu um soco leve no ombro, mas logo riu.
— Olá, bom dia. — A doutora Lindsay entrou no quarto depois de uma leve batida na porta. — Como está se sentindo Louis? Nervoso?
— Um pouco, mesmo não sendo a primeira vez. — Sorriu e deu uma rápida piscadela para Caleb, que riu.
— Eu te entendo perfeitamente. — Sorriu e deixou as mãos nos bolso do jaleco. — Mas já está na hora de fazermos o procedimento, então os enfermeiros logo virão te arrumar e te levar para a sala de cirurgia. — Ela começou a explicar e todas as atenções estavam concentradas nela. — Quando chegar na sala eu estarei lá já, Harry entrará poucos minutos depois, já que terá que ser preparado para entrar na sala também. O procedimento inteiro, como você sabe, dura cerca de uma hora, a maior parte para a suturação do útero e abdômen. — A médica ficou em silêncio por alguns instantes. — Alguma dúvida?
— Eu posso acompanhá-lo durante todo o procedimento, certo? — Harry segurava a mão de Louis com carinho, fazendo um leve carinho com o polegar.
— Sim, você pode acompanhá-lo até ele estar de volta no quarto.
Lindsay saiu logo em seguida e poucos minutos depois dois enfermeiros entraram para preparar Louis para a cesariana e levá-lo até a sala de cirurgia; depois de muitos beijos em Caleb e alguns avisos à Zayn, Louis sentou na cadeira de rodas e se deixou levar. Uma vez dentro da sala da cirurgia, Louis subiu na mesa e fez tudo o que os enfermeiros lhe pediram para fazer até a aplicação da anestesia. Lindsay estava lhe dando palavras de incentivo quando um Harry de touca; máscara e roupa de proteção azul-clara entrou na sala e se postou ao lado de Louis. Não podiam dar as mãos, então Harry se abaixou para manter o rosto próximo ao do namorado.
— Hey, beauty. — Apesar de Louis não poder ver seu rosto, sabia que Harry estava sorrindo. — Você está lindo assim, sabia? Com essa touquinha, mais da metade do corpo coberto…
— Você também está maravilhoso, com o rosto quase todo coberto. — Entrou na brincadeira e logo Lindsay informou que daria início ao procedimento.
Harry e Louis se mantiveram numa conversa própria e um tanto sem sentido até que Lindsay avisou que Louis sentiria uma pressão e depois um puxão, o que significava que o pequeno deles estava chegando ao mundo, e a conversa deles cessou e ficaram esperando, apenas seus olhares colados e marejados indicavam a emoção que estavam sentindo, então o choro alto e forte ecoou pela sala, fazendo as lágrimas correrem soltas por suas faces.
— Harry, quer cortar o cordão umbilical? — A voz de Lindsay chamou a atenção deles, e depois de um gesto de concordância de Louis, Harry se ergueu e deu os poucos passos até a médica. Ethan ainda chorava, nas mãos de uma das enfermeiras, tão pequeno e frágil, tão perfeito; Harry piscou diversas vezes antes de pegar a tesoura indicada pela médica e então cortar o cordão, entre as duas pinças. — Parabéns, papai!
Harry riu alegremente, entre lágrimas, e seguiu com os olhos enquanto a enfermeira levava Ethan até a balança. Ele voltou para junto de Louis e não se importou com coisa alguma ao puxar a máscara para baixo e beijá-lo com carinho, murmurando diversos “eu te amo” enquanto continuava chorando.
— Ele é perfeito, Lou, lindo. — Louis tinha o maior sorriso que Harry já havia visto desde que o conhecera. Pouco tempo depois o pequeno foi colocado sobre o peito de Louis, com o rosto próximo ao do pai e finalmente acalmando o choro, Harry levou o dedo enluvado até o rosto do filho, fazendo uma leve carícia.
— Oi cerejinha. — Louis sussurrou, esticando os lábios para roçar o rosto do filho. — Bem vindo, amor. Bem vindo.
— Qual é o nome para a pulseira? — Um enfermeiro questionou Harry.
— Ethan Edward Styles.
Os enfermeiros permitiram que eles ficassem com o filho por mais algum tempo, mas logo o levaram para limpar e fazer alguns exames. Harry continuou ao lado de Louis até que Lindsay avisar que ele ficaria alguns minutos no pós-operatório até a anestesia passar ao menos parcialmente então ele seria levá-lo de volta para o quarto, foi quando Louis o obrigou a ir dar notícias à família e amigos. Deu-lhe outro beijo e então saiu para a sala de espera, deixando os itens de proteção no local adequado.
— Ele é lindo! — Exclamou assim que chegou próximo o bastante de todos. Anne logo soltou um pequeno grito e correu para abraçar o filho. — Ele é saudável, Louis está bem, e eu estou… Radiante! — Harry abraçou a todos e então puxou Caleb para seus braços, jogando-o para cima antes de abraçá-lo apertado. — Seu irmãozinho nasceu, você logo vai conhecer ele! — Beijou sua bochecha e Caleb comemorou em seus braços, rindo quando Harry lhe fez cócegas.
Ficou ali com todos até Lindsay aparecer para informar que Louis estava de volta no quarto e que Ethan seria levado para junto dele em poucos minutos. Ela permitiu a entrada de todos, desde que se mantivessem comedidos para não cansar Louis ainda mais. O rapaz tinha um olhar cansado e um sorriso suave nos lábios.
— Oi, meu bem. — Anne logo assumiu a cabeceira, afastando os fios castanhos de seu rosto. — Como se sente? Está com dor? Quer alguma coisa?
— Eu estou bem Anne, obrigado.
— Papai! — Caleb parou ao lado da mulher, com as mãos no braço de Louis e cabeça apoiada no colchão. — Cadê o Ethan? — Perguntou ao observar que a barriga de Louis, mesmo que ainda estivesse inchada, já tinha um tamanho um tanto menor do que antes.
— Oi brotinho. — Virou a mão para segurar a do filho. — Ele já já vem para cá. — Voltou o olhar para Anne. — Pode colocá-lo na cama, por favor? — Harry foi quem subiu Caleb para a cama, que sob instruções de que deveria ter cuidado com o pai, deitou ao lado de Louis, deixando a cabeça sobre o ombro do rapaz. — Você se comportou?
— Sim, papai. — Louis beijou sua testa. — Tio Zayn me deu doce. — Contou com um sorriso e Louis o imitou.
— O tio Zayn é legal de vez em quando, ne?! — O garoto concordou e todos acabaram rindo. — Se prepare Niall, Zayn vai quebrar todo e qualquer castigo que você der para seu pequeno.
— Terá que policiar… — Harry comentou, parado do outro lado da cama de Louis.
— Não fale como se eu não soubesse que você deu doces para o Caleb quando ele estava de castigo! — Louis lhe lançou um olhar acusador e Caleb se encolheu ao seu lado. — Eu não to bravo, brotinho. — Brincou com os cabelos do filho.
— Tente descansar um pouco querido. — Anne lhe aconselhou, com um sorriso calmo e logo o ajudando a ficar mais confortável na cama, junto com Caleb. — E você? — Apertou a ponta do nariz do garoto. — Vai dormir com o papai? — O garoto apenas concordou, abraçado a Louis e o rapaz sorriu, dizendo que estava tudo bem deixar o filho ali.
Louis se permitiu fechar os olhos, logo adormecendo num sono tranquilo, mas que não durou por muito, pois assim que ouviu as leves batidas na porta abriu os olhos e encontrou uma enfermeira sorrindo largo enquanto empurrar uma espécie de berço com rodinhas, e Ethan estava muito embalado com uma coberta felpuda e branca do hospital, adormecido.
— Olá, papais e titios. — A mulher tinha um sorriso gentil, enquanto todos esticavam os pescoços para ver o novo integrante da família. — Olá, Louis. — Deixou o berço ao lado da cama, do lado próximo à janela. — Sei que está cansado, mas esse pequeno está com fome. Pronto para amamentar?
— Sim, Harry me ajude, Caleb está dormindo… — O empresário logo correu para ajudar Louis a se sentar sem acordar o primogênito, o que não adiantou muito já que o garoto acordou com a movimentação e ficou absolutamente em alerta quando a enfermeira deixou Ethan sobre os braços de Louis. — Olha brotinho, é a nossa cerejinha. — Caleb levou a mão até a cabeça pequena do irmão, fazendo um carinho gentil e sorrindo quando o pequenino se mexeu um pouco. Todos no local assistiam a cena com carinho e sorrisos amorosos.
— Vamos lá? — A enfermeira ajudou a abrir a roupa de Louis, que fez uma pequena careta de dor ao se mover um pouco para frente, e o observou incentivar Ethan a pegar o bico de seu peito. — Ele pegou? Está sugando?
— Sim… — Louis tinha uma careta no rosto, sentindo a dor da força da sugada do filho, segurou o filho com uma mão só e usou a outra para massagear o peito inchado pelo leite produzido, ajudando na sucção. — Céus, isso dói demais. — Reclamou com outra careta, mas logo estava sorrindo, pois seu leite finalmente saiu e Ethan sugava com ainda mais vontade. — Não é uma cena muito bonita, hm? — Brincou com os presentes.
— Eu acho lindo. — Niall tinha os olhos um tanto marejados e uma mão sobre o abdômen. — Não vejo a hora de ser minha vez, mesmo que doa um pouco.
— Desculpe Niall, mas não dói só um pouco não. — Gemma tinha uma careta no rosto, mas sorriu ao olhar para Louis. — É um momento mágico, uma grande conexão com o seu filhote e tudo o mais, mas é um processo doloroso.
Harry se posicionou atrás de Caleb, ainda sentado na cama, mas agora o peito do empresário como encosto, e observou enquanto seu filho mamava esfomeado. A enfermeira ficou no quarto até que o pequeno terminou de mamar e Louis o colocou de pé contra seu peito e esperando para ver se o pequeno arrotaria o ar que havia sugado no processo.
— Ethan ficará no quarto com você, mas se precisar de qualquer ajuda, basta apertar o botão ao lado da cama que eu, ou outra enfermeira, virá te auxiliar no que for preciso. — Com um sorriso educado, a mulher saiu logo em seguida. E então Ethan saiu dos braços de Louis direto para os braços de Harry, que sorria largamente observando o rostinho do filho, que me remexeu e então abriu os olhos por meros segundos.
— Oh meu deus! — Seus olhos marejaram mais uma vez. — E-ele abriu os olhos! Ele… Tem olhos verdes. — Fitou dos amigos para Louis, que sorria calmamente.
— Pronto, não é mais um clone meu. — Louis brincou e conseguiu risadas de todos, menos de Caleb que perguntou o que era um clone.
Depois de alguns minutos, todos acharam que o tempo de Harry com Ethan já havia se encerrado e deram início a uma pequena fila para segurarem o pequeno por alguns minutos, dando-lhe boas vindas na família, até que por fim Niall, que fora enfático em ser o último a ter o bebê no colo, o deixou no berço para que dormisse tranquilamente. Caleb pediu ajuda para mudar de lado na cama e poder ficar mais perto do irmão; e foi assim que Louis caiu no sono mais uma vez, com Caleb com o corpo junto ao seu, fitando com certa admiração o irmão, com Ethan dormindo tranquilo no berço ao seu lado e com seus amigos e família — por que não? — ao seu redor. Havia anos que Louis não se sentia tão tranquilo e protegido quanto naquele momento. Ali era seu lar.
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