Era a quarta vez que Louis gritava por Harry e sua paciência — que já andava bem escassa nos últimos tempos — estava muito perto de deixar de existir e ele começar a jogar as coisas nas paredes para ver se isso chamava atenção do seu namorado. Antes dele fazer isso, entretanto, Harry surgiu na sala, sendo prontamente seguido por Caleb, que sorria brilhantemente, e isso foi o bastante para que o homem de olhos azuis respirasse fundo e relaxasse um pouco.

— O que foi, Lou? — Harry tinha os cabelos mais compridos agora, presos de forma desleixada por um elástico.

— Estou te chamando há eras! — Girou os olhos e deixou as mãos na cintura, sendo prontamente imitado por Ethan, que parecia muito satisfeito com sua chupeta vermelha enquanto estava sentado no sofá.

— Desculpe, eu e Caleb estávamos tendo nosso show de música particular enquanto terminávamos de arrumar a bolsa dele. — Deixou a mochila do Batman ao lado do sofá, bicando o rosto de Ethan em um beijo rápido antes de se voltar totalmente para o namorado, beijando-o com carinho.

— Bejo! — Harry riu e se afastou um pouco de Louis, pegando o filho mais novo no colo.

— Você quer mais beijo? Mais beijo ainda?! — Enchendo o rosto do pequeno de beijos, o que arrancava gargalhadas do pequeno, o suficiente para que este deixasse a chupeta cair.

— Pai, pára! — Ethan segurou o rosto de Harry, que manteve um bico em seus lábios. — Cholate pai! Cholate! — Seus olhinhos verdes brilhavam em expectativa e Harry sabia que seria incapaz de negar qualquer coisa para ele, o que era um grande problema e gerava grandes discussões com Louis.

— Eu também quero chocolate! — Caleb prontamente se pronunciou, esticando a chupeta para o irmão, e, ignorando totalmente o fato de que deveria lavá-la antes, Ethan prontamente a pegou e colocou de volta na boca.

— Lou, queremos chocolate. — Projetou o lábio inferior para tentar amolecer o coraçãozinho do namorado, já que não tinham almoçado ainda e, provavelmente, Louis negaria sem pestanejar.

— Harry… Eles não almoçaram ainda, não deveriam comer chocolate. — Louis lhe lançou um olhar de advertência antes de fechar a mochila com as coisas de Ethan e deixá-la perto da de Caleb.

— Só um pai! — Caleb abraçou a cintura de Louis, apoiando o queixo em seu abdômen. — Eu divido com o Ethan.

— E eu? — Harry fez sua melhor expressão de tristeza, o que fez Caleb o fitar e soltar um muxoxo.

— Tudo bem, eu divido com o paba e o Ethan.

Harry se sentou na beirada do sofá, mantendo o caçula em seu colo, e puxou Caleb para perto de si, e os três olharam para Louis com seus olhares pidões — claramente Harry os havia treinado para usarem essa tática sempre que os três quisessem a mesma coisa -. E Louis girou os olhos e jogou a cabeça para trás antes de ceder e ver seu primogênito correndo para a cozinha, comemorando no processo de pegar uma barra de chocolate no armário e voltar para dividir com Harry e o irmão.

— Certo, Harry, agora deixe eles comerem e venha me ajudar, precisamos ter certeza de que pegamos tudo o que os ele podem vir a precisar. — Enquanto falava, Louis seguia em direção aos quartos, Harry o alcançou antes de sair da sala.

— Amor, calma, eu vou deixar a chave do apartamento com a minha mãe, se eles precisarem de algo, basta vir buscar. — Tinha os braços em torno da cintura de Louis, apoiando o queixo em seu ombro, logo deixando um beijo em seu pescoço. — Não precisa se estressar, lindo.

Louis se virou nos braços de Harry, e deu um rápido olhar para os filhos, que, além dos chocolates nas mãos, tinham uma revista de quadrinhos sobre a mesinha de centro, antes de beijar seu namorado com amor e uma pitada de desejo. Ao contrário do que imaginou inicialmente, o relacionamento deles não havia caído numa rotina ainda, mas Louis não podia negar que andava um tanto quanto estressado nos últimos tempos, especialmente depois de Harry ter insistido em uma viagem de fim de semana, apenas os dois, deixando as crianças com os avós.

O problema não era realmente a viagem, ou deixar as crianças com os pais do Harry — elas já estavam acostumadas, visto que Anne sempre tinha uma desculpa para mantê-los por perto e fazê-los dormir em sua casa -, o problema era justamente não saber qual era o problema. Louis estava ansioso e nervoso, apesar da viagem ter sido totalmente planejada por Harry, ele também tinha seus planos e não sabia muito bem se a surpresa que tinha em mente agradaria o namorado.

— É que… — Seus dedos passaram a correr pela gola da camiseta de Harry. — Desde que estamos juntos, eu nunca fiquei tanto tempo longe dos meninos… — Fez beicinho para o namorado, que logo tratou de morder seus lábios. Era uma desculpa horrível, ele sabia, mas era a melhor que conseguiu pensar naquele momento. — Quero dizer, eu sei que eles já passaram finais de semana com seus pais, mas a gente estava aqui, não em outra cidade… E também sei que Anne e Des vão cuidar deles maravilhosamente, mas ainda assim… São meus bebês…

Harry tinha um sorriso carinhoso, e subiu uma das mãos para acariciar seus cabelos de forma lenta, tentando relaxá-lo.

— Eu te entendo anjo, afinal também é novidade para mim estar em outra cidade sem eles, mas eu realmente acho que será algo maravilhoso para nós. — Louis sabia do que Harry estava falando, afinal nas últimas semanas tudo o que eles mais faziam era discutir. E isso era péssimo não apenas para o relacionamento deles, mas para as crianças também, e Louis se culpava por isso, afinal eram seus hormônios que estavam aflorados demais, e tudo só piorou quando, depois de mais uma discussão sem sentido com Harry, ele encontrou Caleb sentado no canto do quarto com as mãos nas orelhas e lágrimas nos olhos. Louis chorou a noite inteira depois disso, fazendo com que Harry tivesse a ideia da viagem. — São apenas dois dias, amor. E não esqueça o quão empolgado Caleb está por ficar um fim de semana inteiro na avó, sem chance da gente aparecer… Até Ethan está contagiado com a empolgação dele.

— Nossos filhos nos largam tão fácil, não é? — Brincou com o fato dos meninos sempre aceitarem um convite para passar uns dias na casa dos avós, ou dos tios.

Depois do nascimento de Zaíra, filha de Zayn e Niall, o moreno se tornou muito mais propenso a, como dizia Louis, sequestrar seus afilhados — ele ignorava o fato do padrinho oficial de Ethan ser Liam — para manter os três juntos. Por vezes, era Zaíra quem era “sequestrada” e ficava na casa de Louis e Harry, junto com Zoe, e era quando os quatro estavam juntos que Harry montava barracas improvisadas na sala, recheando-as com salgadinhos, doces e sucos e deixava uma seleção de filmes infantis a disposição deles.

— Eles apenas gostam muito dos avós e tios que têm, mas nos amam, então nada de ciúmes. — Harry lhe deu um beijo na testa e se afastou um pouco dele, observando os filhos.

Caleb se tornara o irmão mais velho perfeito, mesmo tendo algumas crises de ciúmes no começo — especialmente quando envolvia Louis e Zayn -, mas logo ele estava fazendo as mais diversas caretas para ver o bebê rir, além de estar sempre atento para evitar qualquer possível choro e estar sempre pronto para contar histórias, junto de Harry e Louis, para que o irmão dormisse. E então Louis o flagrou lendo uma história de quadrinhos para Ethan, mostrando as figuras desenhadas depois de ler, mesmo que o pequeno tivesse pouco mais de um ano na época. E então tornara-se quase uma tradição, todos os dias Caleb chegava do colégio, tomava banho, fazia seus deveres e lia uma história para Ethan, depois os dois brincavam de qualquer coisa que lhes surgia à mente, e às vezes eles apenas ficavam diante da televisão assistindo desenhos ou filmes. Louis simplesmente amava assistir a interação de seus filhos, mesmo que não fosse possível assisti-la todos os dias.

Depois que Ethan cresceu um pouco, Louis buscou por emprego, e conseguiu uma chance numa pequena empresa, mas foi absolutamente difícil, e o que deveria ter sido melhor para todos, tornou-se em motivos de estresse, brigas e discussões. Louis arriscava dizer que estava pior do que quando Caleb ficava no colégio interno e ele trabalhava como garoto de programa, já que estava constantemente fazendo horas extras no trabalho, algumas vezes aos sábados, e então ele tinha pouco tempo para ficar com seus filhos. Foi quando as discussões com Harry começaram e se tornaram frequentes, chegando ao nível do empresário ameaçar terminar tudo entre eles; e foi então o momento em que eles se sentaram e conversaram em busca de uma solução, que se apresentou com Louis saindo da empresa em que estava e indo para a Styles Tecnology.

O trabalho era mais delicado, um erro poderia ocasionar em prejuízos de milhares, ou milhões, de libras, mas era tudo tão organizado e havia uma equipe grande e diversificada o bastante para que Louis se sentisse confortável, o que significava que sua adaptação foi fácil. As horas extras eram raras, seus fins de semana voltaram a estar sempre livres e, bem, se ele precisasse sair cedo, ele poderia — claro que ele evitava se utilizar do benefício de namorar o dono da empresa, mas às vezes era necessário -. De modo geral, a vida deles voltou a entrar nos eixos e Louis arriscava a dizer que Desmond ficou muito mais satisfeito com Louis trabalhando na empresa da família do que em uma qualquer. E sim, seu relacionamento com o sogro estava muito melhor, especialmente pelo fato de Desmond ser apaixonado pelos netos — recebendo Caleb em sua família de braços abertos -.

— Amor… Nossas malas estão prontas, as bolsas dos meninos estão prontas, então… Nós podemos ir para a casa dos meus pais, podemos almoçar por lá… — Harry voltou sua atenção para o namorado, dando leves beijinhos em seu pescoço e ombro.

— Parece uma boa ideia… — Louis concordou por fim, convencido de que não tinha como levar seu apartamento inteiro para a casa de Anne, além do mais, havia muitas coisas dos meninos na casa dos avós, já que havia um quarto pronto para eles na mansão Styles. Nem fazia sentido ele estar tão preocupado assim… Não era a primeira vez dos meninos com os avós!

— Meninos… — Harry chamou e ganhou dois pares de olhos sobre si, com bocas sujas de chocolate. — Hora de ir para a vovó.

— O vovô vai estar lá? — Caleb perguntou imediatamente e Louis suspirou, tentando entender em que momento desses dois anos foi que Desmond e Caleb ficaram tão ligados.

— Eu acho que sim brotinho, por quê?

— Tenho que mostrar minha prova de matemática para ele, eu tirei dez e ele estudou comigo. — Explicou mais uma vez, já que falava sobre essa prova desde que descobriu sua nota.

— Então vamos logo para lá! — Harry forçou uma empolgação e Caleb concordou, logo correndo em direção para o banheiro para lavar o rosto.

Louis pegou Ethan no colo e seguiu seu primogênito, lavando o rosto do caçula, que resmungou, mas logo estava rindo das caretas de Caleb no espelho.

Pouco tempo depois estavam os quatro no carro de Harry, seguindo até a mansão Styles, e é claro que assim que chegaram e deixaram que os filhos saíssem do carro, Caleb foi o primeiro a correr para dentro, encontrando Anne e Gemma na sala, junto com Zoe, e deu um abraço em cada uma, logo perguntando pelo avô, correndo em seguida em direção ao escritório e ignorando a bronca de Louis sobre não correr pela casa.

— Oi oi. — Harry tinha um sorriso largo ao caminhar até as mulheres da família, tendo um Ethan empolgado no colo, que logo estava jogando os braços em direção à avó.

— Oi meus amores. — Anne recebeu Ethan em seus braços, beijando suas bochechas, antes de abraçar como pode o filho e o genro. — Como estão?

— Tudo bem e vocês? — Foi Louis quem respondeu, aproximando-se de Zoe para lhe dar um beijo e um abraço. — Como está a minha linda princesa?

— Bem, titi. — A garota tinha sorriso largo para Louis, aceitando de bom grado os abraços que recebeu dos recém-chegados, incluindo Ethan.

— Chorro Zo! — Ethan exclamou animado, logo depois de ser solto do abraço apertado que Gemma lhe deu, o que significava que não foi exatamente tão apertado, já que a mulher tinha uma grande barriga de oito meses para impedi-la de esmagar o sobrinho como costumava fazer.

— Ai estão vocês. — Desmond tinha um largo sorriso ao sair do escritório, com Caleb logo o seguindo. — Como estão? — Deu um rápido abraço em Louis e Harry antes de pegar Ethan no colo, jogando para cima antes de lhe dar um beijo. — Eu já estava com saudades! — Fingiu morder a bochecha do neto antes de soltá-lo mais uma vez.

— Leb, chorro! — Ethan gritou mais uma vez e Caleb riu, concordando com o irmão e logo os três correram em direção ao quintal dos fundos.

— Oh céus, eu vou atrás deles antes que eles machuquem Costelinha e Bistequinha. — Louis se adiantou para seguir as crianças.

— Eu vou junto, estou precisando de um pouco de sol! — Gemma se levantou com a ajuda do irmão e logo entrelaçou o braço de Louis com o seu próprio. — Empolgado para a viagem de fim de semana? — Perguntou assim que chegaram ao jardim, sorrindo contente para os sobrinhos e a filha brincando com os cachorros, que haviam sido soltos pelo jardineiro.

— Para ser sincero, sim. — Louis tinha um sorriso radiante, largo e satisfeito. — Será realmente maravilhoso ter Harry por alguns dias, sozinhos… Quero dizer, a gente teve bons finais de semana só para nós, graças aos seus pais, mas… Será diferente.

— Sim, até porque vocês vão para Windermere! — A mulher estava empolgada, já havia ouvido falar sobre o vilarejo e pesquisara sobre o lugar quando Harry cogitou levar Louis até lá, e ela, absolutamente, se encantou com o lugar. — Parece tão romântico…

— Sim… Harry sabe ser romântico quando ele quer. Ele só podia querer com um pouco mais de frequência… — Forçou os lábios em um bico emburrado, o que fez com que Gemma risse de si.

Louis era muito grato por ter se permitido uma chance com Harry; ele ganhou uma família amorosa e carinhosa, que o recebeu de braços abertos — mesmo que Desmond tenha sido um tanto difícil no começo -, e Gemma definitivamente se transformou em uma irmã para si, sua confidente e melhor amiga. Isso o deixava feliz, mas também o fazia se lembrar das suas próprias irmãs; eram quatro quando ele foi expulso, tão alegres, doces e carinhosas… Às vezes Louis se pegava recitando os nomes delas como um pequeno poema; Charlotte, Felicité, Daisy e Phoebe. Ele evitava pensar nelas, era doloroso demais.

— Bem… Quando Liam começou com romantismo todo dia, o resultado foi essa barriguinha aqui… — Gemma acariciou a própria barriga, sorrindo amorosa. — Tem certeza do que você quer?

— Hm… Harry fez um jantar romântico para nós quando os meninos dormiram com vocês há dois meses… — Louis divagou em voz alta, mas foi o suficiente para Gemma parar e o fitar com atenção. — O que foi Gems?

— Você… Vocês… Você está grávido?

— Gemma… — Louis choramingou, encostando a cabeça no ombro da cunhada. — Harry deveria ser o primeiro a saber. — Fez um bico com os lábios, resmungando.

— Não fale como se você não tivesse sido o primeiro a saber dessa coisinha aqui. — Indicou a própria barriga e Louis riu, lembrando-se de quando a cunhada o ligou chorando e tendo uma crise de nervos porque estava no médico e este havia acabado de lhe dizer que ela estava grávida de três meses. Obviamente Louis largou tudo o que estava fazendo e correu para encontrá-la no consultório, tendo uma longa conversa com a mulher antes de finalmente acalmá-la. — Como planeja contar para ele? — Gemma tinha os olhos brilhantes de pura curiosidade.

— Durante essa viagem, é claro, não sei bem em que momento, mas estou certo de que haverá várias ocasiões especiais.

— Você vai apenas contar ou comprou um presente? Sabe que eu escrevi “big sis” no espelho da Zoe e falei para ela contar para o Liam que logo teríamos um bebê de novo.

— Eu ainda lembro do vídeo que você gravou com Liam chorando e beijando sua barriga. — Riram ao lembrar da pequena cena.

— Eu acho que o Harry fará um show muito maior.

— AH! Costelinha!

Gemma e Louis voltaram sua atenção para Caleb, que estava deitado na grama, com Costelinha deitado em cima de si, vez ou outra lambendo seu rosto enquanto o garoto lutava para sair debaixo do cachorro. Zoe e Ethan estavam sentados nas costas de Bistequinha, deitado a uma certa distância do irmão peludo. Louis socorreu o filho, tirando-o debaixo de Costelinha enquanto Gemma se concentrava em explicar aos mais novos de que montar o cachorro poderia machucá-lo.

O almoço aconteceu poucos minutos depois disso, com conversas amenas e risadas ilimitadas, além das brincadeiras das crianças. E pouco tempo depois do almoço, porém, Harry e Louis se despediram da família e seguiram o caminho em direção à Windermere. O caminho foi preenchido pelas músicas da playlist que Harry e Louis compartilhavam, vez ou outra acompanhada das vozes deles cantarolando a letra; Louis se sentia calmo, mas sua mente não parava de imaginar como seria a reação de Harry quando contasse a novidade.

E Harry também tinha seus planos para aquela viagem. Era verdade que ele queria se reconectar com o namorado, ter momentos românticos e tudo o mais que tinham direito, mas havia uma surpresa, e ele definitivamente precisava que Louis gostasse dela. Tinha os dedos tamborilando de forma distraída o volante, repassando cada detalhe, cada palavra ensaiada… Virou o rosto para encontrar o olhar de Louis e sorriu, sentindo todo o amor que tinha por aquele homem, mas que nem sempre sabia como demonstrar.

Foi uma longa viagem e Louis cochilou parte dela, chegaram em Windermere ao entardecer e o rapaz de olhos azuis ofegou com a vista que teve quando Harry estacionou o carro diante da casa que ficariam. Era uma casa de tijolos pintados de branco, no topo de uma colina, com enormes janelas de madeira e um jardim altamente colorido ao redor, o terreno ao redor era cheio de árvores, mas à direita da casa, depois de alguns metros de mata, era possível enxergar o lago Windermere, que dava nome ao vilarejo. O sol se punha daquele lado, então tinham uma visão privilegiada e Louis sentiu-se abençoado por estar ali, com o homem que amava.

— É uma linda visão. — Harry o abraçou pelas costas e Louis se deixou relaxar contra seu corpo.

— Sim… Precisamos voltar aqui com os meninos, eles vão amar esse lugar.

— Com certeza, podemos vir no verão, assim poderemos nadar no lago. — Harry o virou um pouco para lhe dar um beijo calmo, mas logo voltaram a assistir o pôr-do-sol. Poucos minutos depois, porém, o grande espetáculo do dia acabou e Harry o convidou para entrar.

A casa era pequena e aconchegante, perfeita para eles dois. Na sala de estar havia um grande e confortável sofá debaixo das janelas, onde poderiam se sentar e apreciar a vista, também havia uma lareira à lenha e um pequeno bar ao canto. Louis deixou a mala próximo a porta, onde também tirou os sapatos e seguiu até a cozinha, que apesar de ter uma decoração mais rústica, tinha eletrodomésticos e equipamentos modernos e de primeira linha, depois foi até o quarto. Havia uma king size no meio do quarto, com uma cabeceira estofada clara que seguia quase até o teto, com mesas de cabeceira de madeira com abajures estilo vintage e um armário grande, havia uma porta ao fundo e Louis imaginou ser um banheiro, não se decepcionando ao encontrar uma banheira de hidromassagem que cabia facilmente ele e Harry, além de um box separado com chuveiro e o vaso.

— Gostou? — Harry deixou as malas aos pés da cama, fitando com um pequeno sorriso e Louis correu até ele, pulando em seu colo.

— Eu amei. — Respondeu com os lábios roçando os do namorado, sentindo as mãos firmes do homem em suas nádegas. — E tenho grandes planos para aquela banheira. — Lançou um olhar lascivo para Harry antes de beijá-lo com paixão, ouvindo-o gemer quando embrenhou as mãos em seus fios cacheados e puxou-os levemente.

— Lou… Amor… Temos reserva…

— Um jantar é realmente mais importante do que eu, Styles? — Afastou seu rosto para encontrar o olhar do namorado, que já tinha a pupila dilatada em desejo.

— Não mesmo.

Harry jogou o namorado na cama, arrancando uma pequena risada de Louis, e pairou sobre ele no colchão, o observando com amor nos olhos, sorrindo pela sorte de ter alguém tão perfeito ao seu lado, pela sorte de ter dois filhos lindos com aquele homem. Capturou os lábios de Louis em um beijo inicialmente calmo e carinhoso, mas que não tardou a se transformar em um lascivo e mais bruto. Harry se sentia duro, e ele estava de fato duro, e se deixou abaixar sobre o corpo de Louis, sentindo-o tão excitado quanto si mesmo. Porra. Harry foi incapaz de segurar um gemido de deleite.

Louis abriu as pernas para receber melhor o corpo do namorado, maravilhando-se com o movimento quase bruto de Harry contra si, e de forma não tão inconsciente assim, Louis ergueu se quadril em busca de mais contato, escorregando as próprias mãos para dentro da camiseta do namorado, arranhando suas costas enquanto recebia beijos e chupões em seu pescoço. Louis levou as próprias mãos até o abdômen de Harry, empurrando-o um pouco para criar um mínimo espaço entre os corpos, o que lhe permitiu subir as mãos até seu peito, beliscando os mamilos apenas ouvir um ofego do homem, e então desceu as mãos novamente e num movimento rápido arrancou a camiseta de Harry para fora de seu corpo.

O empresário correu os olhos pelo rosto do namorado, admirado com cada detalhe de seu rosto, inclusive os charmosos pés de galinha que sempre surgiam quando ele sorria largamente; Louis era maravilhoso, e Harry sentia seu peito aquecido sempre que o via e sabia que poderia beijá-lo e tocá-lo.

— Eu te amo tanto. — Declarou ainda com os olhos presos nos detalhes do namorado, que naquele momento adquiriu um olhar doce acompanhado de um sorriso delicado.

— Eu também te amo, Harry. — Aproximou os rostos, deixando os lábios se roçarem. — Muito.

Contrariando tudo o que tinham em mente, contrariando até mesmo seus jeitos afoitos nos primeiros beijos e toques, quando as roupas deixaram de existir em seus corpos e eles se tornaram um só, não havia pressa, não havia desejo puro, o que eles sentiam era carinho, o que fizeram foi amor, na sua forma mais pura. Quando os corpos caíram cansados e satisfeitos, eles mantiveram sorrisos preguiçosos e olhares cúmplices, compartilhando a alegria e felicidade de estarem juntos.

— Isso foi maravilhoso, como sempre. — Harry o puxou para seu peito, beijando seus cabelos e rindo um pouco. — Se tomarmos banho agora, ainda conseguimos pegar nossa reserva…

— Esse jantar é importante para você? — Apoiou o queixo no peito do namorado, que mordeu o lábio inferior antes de responder que não e voltar a beijá-lo.

A noite se passou entre beijos e gemidos, mordidas e arranhões, além dos sorrisos satisfeitos e corpos cansados, com cochilos para descanso e recuperar as energias. Eventualmente Harry se levantou e, sem se importar com o fato de estar nu, buscou uma garrafa de vinho tinto e alguns petiscos para eles, em sua maioria queijos e biscoitos. Louis não quis beber o vinho, mas deliciou-se com os queijos.

Quando o sol chegou na manhã de sábado, Louis já havia tomado banho e vestia apenas um roupão felpudo enquanto estava sentado no grande e confortável sofá da sala de estar com uma xícara de chá nas mãos — foi uma surpresa agradável descobrir que a cozinha estava muito bem abastecida -. Harry o encontrou quase uma hora depois, com os cabelos pingando pelo banho recém tomado e vestindo uma calça moletom larga.

— Bom dia, amor. — Beijou seu pescoço, onde havia um grande marca roxa e pequenas marquinhas de dentes. — Nossa… Esse ficou muito feio…

— Bom dia… Você acha? — Tinha um olhar divertido direcionado ao maior. — Eu achei que ficou bem bonita, selvagem até.

— Hmm… Olhando por esse lado… — Harry riu e o beijou carinhoso. — Eu te amo.

— Eu também te amo. — Sorriu largo e inclinou a cabeça. — Mas eu estou morrendo de fome, então seja um namorado perfeito e faça nosso café da manhã.

— Mimado.

— Por sua causa.

— Hm… Verdade. — Harry lhe deu outro beijo antes de se afastar e seguir para a cozinha. — Vou fazer panquecas, ovos mexidos e tem bacon também, você quer? — Louis prontamente seguiu o namorado, sentando no banco da ilha e balançando os pés animadamente.

— Quero tudo isso ai que você falou, e ainda acho que poderia fazer um bolo.

— Bolo? Nós temos bolo, amor. — Harry abriu a geladeira e tirou de lá a embalagem de um bolo de chocolate com coberturas de chantilly, deixando-o diante de Louis, junto com talheres e um prato de sobremesa. — Além disso, eu não sei fazer bolo. — Harry deu de ombros e ouviu a risada do namorado antes de se concentrar em fazer o café da manhã para eles.

Quase uma hora depois eles já haviam comido o suficiente para estarem satisfeitos, embora Harry temesse que Louis passasse mal, já que o menor comeu mais do que seria considerado normal. Ainda assim, Harry manteve a ideia de darem uma volta de barco pelo lago.

— Esse lugar é maravilhoso, Harry. — Louis comentou assim que chegaram no píer, onde havia um pequeno barco a remo.

— Menos do que você, para ser sincero. — Harry o beijou e apontou para o barco. — Vamos dar uma volta?

— Barco a remo?

— Acha que não consigo remar?

— Não foi o que eu disse. — Louis fez um biquinho com os lábios. — Está tão romântico… Parece aqueles filmes que eu adoro e você finge detestar.

Harry riu antes de ajudá-lo a entrar no barco e então assumir seu lugar próximo aos remos, já que seria ele a remar pelo lago. O sol estava quente, mas nada que os deixasse desconfortável, na verdade era bem agradável. Louis parecia uma criança, olhando para todos os lados e usando o celular para tirar fotos da paisagem, incluindo o namorado que já estava ficando um pouco vermelho, tanto pelo sol quanto pelo esforço físico. Então, decidido a descansar um pouco e aproveitar o lugar, Harry deixou os remos de lado e sorriu enquanto fitava Louis.

— Vamos tirar uma foto. — Louis sentou-se, com cuidado, perto do namorado, encostando-se no seu peito antes de levantar o celular e tirar uma foto dos dois juntos. E quem poderia julgá-lo por postá-la na única rede social que mantinha? — Hazz… Estou cada vez mais encantado com esse lugar… — Louis tinha os braços de Harry ao seu redor, olhando para a mata e o reflexo do sol nas águas.

— Nós vamos no vilarejo, e tenho certeza que você vai gostar mais ainda.

Ficaram ali por alguns minutos antes de voltarem para o píer e seguirem até a casa, onde apenas entraram no carro e foram em direção ao vilarejo, e é claro que Louis se encantou com tudo, tanto pela arquitetura rústica do lugar quanto pela simpatia dos moradores. Comprou diversos artigos de decoração, presentes para a família e alguns doces que despertaram seu “bichinho da gula” como Harry brincava com os filhos. Almoçaram em um restaurante familiar muito aconchegante e continuaram a passar pelas ruas de pedra do lugar, com direitos a muitas fotos e beijos apaixonados.

Quando Louis reclamou de cansaço e fome, já passavam das quatro da tarde e logo o entardecer se iniciaria.

— O que acha de um piquenique enquanto assistimos o pôr-do-sol? — Os olhos de Louis brilharam com a ideia.

— Sim! Vamos! Agora!

Em meio a risadas, voltaram para o carro e seguiram mais uma vez para a casa. Louis ficou surpreso quando entraram e a cesta de piquenique já estava pronta sobre a mesinha de centro da sala de estar, e Harry explicou que já tinha pensado em fazê-lo, então pediu para que a cesta fosse preparada para ele. Depois de Louis trocar de casaco no quarto, já que estava reclamando de frio, seguiram a pé até um local aos fundos da casa, onde o menor mais uma vez se encantou com a visão que tinham dali.

A colina ali era rochosa, com algumas flores e grama crescendo pelo espaço de terra entre as pedras; dali tinham uma visão privilegiada do lago e da mata que o contornava, além do céu avermelhado pela luz do sol cada vez mais fraca. Harry estendeu uma manta sobre a parte mais reta do chão e tiraram os sapatos para se sentar, com a cesta ao lado deles. Cuidadosamente Harry começou a tirar as coisas de dentro da cesta, e Louis sentiu-se preso com o casaco grosso que vestia, tirando-o e deixando do lado do namorado e logo arrumando melhor as comidas que Harry tirava da cesta. Louis rastejou até ele e sentou-se entre as pernas dele, aceitando de bom grado os beijos em seu pescoço.

Quando Harry era apenas seu cliente, não havia carinho entre eles, era apenas uma transação comercial, mas Louis sempre soube que havia esse lado doce no empresário, seus olhos não conseguiam esconder isso. E mesmo que brigassem e tivessem suas desavenças, o carinho de Harry sempre estava presente, podendo ser em beijos ou apenas nele preparando o chá que Louis sempre tomava antes de dormir. E tinha os meninos, Harry sempre encontrava tempo para os filhos, para brincar, contar histórias, dar conselhos ou apenas sentar e assistir um filme junto.

É claro que no começo Louis não sabia muito bem como lidar com todo aquele carinho, ele não se lembrava de como era ter alguém ali por si… Mas Louis se acostumou e bem… Ele já não sabia como era ficar sem Harry por perto.

— Amor eu esqueci de pegar uma coisa na cesta, pega para mim, por favor. — Harry pediu em um sussurro, soltando-o do abraço para que pudesse se mexer.

— Mais comida, Hazz? — Louis brincou antes de puxar a cesta para si. — Você resolveu pegar esse fim de semana para fazer eu me apaixonar por você? É um tipo um jogo de sedução? — Virou-se um pouco para poder encontrar o olhar do namorado. — Porque eu adorei e… — As palavras de Louis morreram em sua boca quando seus dedos roçaram em algo aveludado dentro da cesta, logo agarrando a caixinha e a trazendo para si. — Harry? — Olhou da caixinha azul para o namorado, que tinha um sorriso largo, incentivando-o a abrir. E Louis engasgou com o que encontrou.

A aliança era de ouro branco com uma fileira de esmeraldas e safiras no meio, Louis a pegou e observou que dentro havia o nome de Harry gravado junto com a data daquele dia e Louis sentiu sua garganta fechar ao passo que as lágrimas surgiam em seus olhos.

— Quando eu te vi, naquela festa do Liam, pensei que talvez fosse divertido conversar com alguém, flertar sem grandes intenções, e então estávamos jantando, depois no meu apartamento… O contrato foi a forma que eu inventei de tentar proteger meu coração, e você estava completamente certo quando disse que eu era um hipócrita, porque bem… Eu era mesmo… O tempo que fiquei longe de você foram os piores dias da minha vida. E agora estou aqui, pedindo para que você assine outro contrato comigo, dessa vez um de casamento, vitalício. — Louis tinha os olhos transbordando lágrimas. — Então, Louis William Tomlinson, aceita se casar comigo, Harry Edward Styles?

Indo na contramão do que ambos estavam imaginando para aquele momento, Louis apenas começou a rir, mesmo com as lágrimas caindo e pequenos soluços lhe escapando. Mas ele logo tentou controlar suas emoções, já que Harry tinha um olhar confuso e um tanto decepcionado sobre si.

— Isso… Foi um não?

— Não. — Harry prendeu a respiração e se afastou um pouco, e Louis correu em tentar corrigir sua resposta. — Não é isso, é só que… Caramba… Tem uma caixa no meu casaco, pode pegar?

Harry estava confuso, para dizer o mínimo, mas inspirou profundamente antes de alcançar o casaco do namorado e procurar pelo objeto em um dos bolsos. Era uma caixa simples e pequena, definitivamente não era uma aliança, mas Harry imaginou que poderia ser um relógio. Teria perguntado o que era, mas Louis tinha um olhar de expectativa sobre si, então abriu a caixa e sentiu-se confuso ao encontrar um pouco de lã branca dentro. Pegou uma e então percebeu que era um sapatinho, um par deles, e no fundo, no meio de um papel amarelo de seda, um teste de gravidez com dois tracinhos no resultado. As lágrimas surgiram no instante em que entendeu o que aquilo significava.

— Surpresa, amor. — Louis estava sentado de frente para ele, ainda segurando a aliança em sua mão. — Logo seremos cinco.

— Deus… — Harry o abraçou apertado, sentindo a felicidade invadi-lo de forma definitiva. — Eu te amo tanto!

— Eu também te amo, Hazz. — Louis se afastou o bastante para encontrar os olhos verdes e marejados do namorado. — E eu aceito me casar com você.

Harry tinha o sorriso mais radiante que Louis já vira enquanto colocava a aliança no dedo dele, beijando sua mão antes de procurar a sua própria dentro do bolso interno de seu casaco, deixando que Louis a colocasse em seu dedo. Beijaram-se mais uma vez, felizes com suas surpresas, com suas vidas; estavam embolados em um abraço confuso enquanto assistiam o sol se esconder e dar lugar à lua e as estrelas da noite, com as alianças em seus dedos e sapatinhos de lã sobre os joelhos.

— Podia ser uma menininha dessa vez… — A voz de Harry soou baixa ao pé do ouvido de Louis.

— Se for, se chamará Harriet. — Louis virou o rosto e observou o perfil do, agora, noivo. — Sua mãe me disse que seria o seu nome se você fosse menina.

Harry apenas sorriu mais largo, encostando sua testa na de Louis. Era apenas mais um passo na vida deles, um dos diversos que eles dariam juntos.

— Depois de nos casarmos — Harry tinha a boca próxima ao ouvido de Louis, então sua voz assemelhava-se à sussurros — posso adotar o Caleb? — Louis não respondeu, apenas virou o rosto para encontrar o olhar do noivo. — Não quero que ele seja o único com sobrenome diferente e a sombra de que não sou o pai dele, porque eu sou o pai dele. — Os olhos azuis transbordaram diante do que ouviu.

— Ele vai adorar ser oficialmente um Styles. — Havia um sorriso largo em sua boca, contrastando com as lágrimas sentimentais que caíram por suas bochechas, rapidamente capturadas pelas mãos carinhosas de Harry.

— E você? Também será um Styles?

Louis pensou por alguns instantes sobre o assunto; ele amava Harry como nunca pensou que conseguiria amar alguém, mas não tinha certeza se deveria mudar seu sobrenome, mesmo que ele não lhe trouxesse tantas boas memórias assim.

— Sim, eu serei.

Notas finais
E o final chegou... É sempre um pouco agridoce o sabor se terminar uma história, porque a gente, como autor, sempre coloca muito carinho nela, nos personagens e em suas histórias de vida, então ao mesmo tempo que é gratificante encerrar esse "ciclo" também já fica a saudade dele. Eu agradeço a todos que leram, se é que alguém leu. rs Se leu, espero que tenha gostado dessa história! Cuidem-se! Beijo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!