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1 Prólogo
Notas iniciais
Entremeio a árvores altas e finas, abria-se um caminho moldado pela natureza. Rochas irregulares cobertas por musgo delimitavam uma estrada estreita, emoldurada por diversificada vegetação, de onde via-se um pôr do sol a projetar-se discretamente sob águas pacíficas e esverdeadas as quais encarregavam-se de esculpir um afunilado riacho.
Ramarias mesclando tons mortos de verde, laranja e rosa pastel desprendiam-se de suas origens e bailavam em sintonia com as lufadas de ar fresco, caindo delicadamente sobre a superfície moderadamente instável da água.
Odores misturavam-se e se confundiam entre doces e cítricos enquanto expandiam-se em direção ao vento.
Estava ali, suas profanações purificadas pelo tempo e pecados depurados pelas ondas silenciosas. Mesclava-se á paisagem, ás texturas, aos cheiros. Deixava-se engolir pela água e, em seguida, repousava serena pelo solo.
Aceitava sua sentença, diante da marcha fúnebre das folhas se debatendo e do riacho correndo. Seus fios claros e luminosos sutilmente cediam ao peso do esquálido corpo. E os olhos, turvos, contemplavam o céu, cada vez mais distantes.
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