Voo 186

7 Quase um descontrole


– Tudo indo conforme o planejado? – ele perguntou. A voz grossa.

– Sim, senhor. – o policial levantou fazendo a continência. – Ele tem cooperado bastante. Mas sinto que ele não esteja contando tudo com exatidão, com todos os detalhes.

– Ele é apenas uma criança. Não devemos força-lo ao tanto. – o maior disse. – Você tem quantos anos? 12? – perguntou a Fernando.

– Não. 14. – respondeu. – Senhor.

– Mas precisamos saber de tudo. Ele parece ser o único que sabe. – questionou o policial magricela.

– Pelo que sabemos sim. Como disse antes, não o force, ele é apenas uma criança. Já é difícil isso tudo, força-lo agora não nos ajudara. Venha, garoto. – o sargento o chamou.

Fernando levantou e o seguiu calado.

Foram 2 horas, mas parece que só haviam se passado 15 minutos.

De volta a sala de interrogatório.

– Viu, não foi difícil. Como estava a comida? – perguntou o policial.

– Não estava ruim. – ele disse.

– Sua cabeça está relaxada. Podemos voltar ao que aconteceu? – perguntou, pronunciando as palavras um pouco devagar.

– Podemos. Eu só quero ir embora logo.

Silêncio.

– Então?

"BR ainda os mantinha todos como reféns. Fernando tremia de frio e a chuva do lado de fora parecia que não queria parar. As pessoas ao seu redor batiam os dentes por causa do frio, suas lágrimas já não desciam.

Outro homem apareceu, ele vinha andando apressado."

– Acho que era o outro homem. – disse Fernando se interrompendo.

– Mas como você sabe que era o outro? Qual era o nome dele?

– Marcelo... Sim. Foi assim que BR o chamou pelo walki talkie.

– Ok. Continue.

"– Caral*** BR o que tu tá fazendo por aqui? – ele gritava que nem louco. – Cê tá maluco? Matou essas pessoas pra quê?

– Tu cala a boca. – BR gritou de volta.

– Você tá perdendo o controle aos poucos. Eles não são o nosso alvo. E que por** é essa ai presa em você?

– Já mandei tu calar a boca. – ele apontou a arma para o parceiro.

Nesse exato momento as coisas pareceram escapar do controle. As pessoas começaram a gritar assustadas novamente com a reviravolta. O braço de BR tremia com a arma apontada para Marcelo, enquanto ele caminhava em sua direção.

– Cara, se controla. Não coloca tudo a perder agora. Falta pouco pro avião chegar. – Marcelo falava baixo, tentando acalmá-lo.

BR ficou em silêncio por alguns segundos e deixou o braço trêmulo descer ao lado.

– Vamos cara. Não vamos estragar tudo agora. Estamos indo com o planejado, mesmo nos desviando um pouco, mas ainda está tudo como o plano. Não há nenhum policial vindo pra cá. A bazuca tá dentro do carro. Vai dá tudo certo. – disse Marcelo.

– Tudo bem cara. Tudo bem.

– E pra que se amarrou nessas bombas? Tá pensando no quê?

Todos gritaram quando ouviram a palavra bomba.

– Calem a boca. – gritou BR. Ele deu um tiro para cima e olhou para Marcelo com culpa.

Marcelo pegou a força a arma da mão dele.

– Prevenção. – respondeu BR, indo de um lado para o outro.

Ele olhou para Fernando e o viu tremendo, viu que seus lábios roxos tremiam de frio em sincronia com o bater dos dentes. Então ele começou a sentir o frio que fazia sem o sobretudo preto.