Voo 186

9 O Acidente


– Tudo pronto por aqui. – BR gritou depois de apertar o botão do walkie talkie.

Por cima de todo o barulho da tempestade, um baixo ruído soou, como um bip.

– Ele está se aproximando. – Marcelo gritou do outro lado, com todo o barulho a voz dele era forte e nítida. – Presta atenção, você só terá uma chance. O exploda no ar."

– Então esse era o plano dele? – perguntou o policial. – Explodir o avião?

– Sim. Foi como eu havia dito. – Fernando respondeu, apertando os dedos.

O policial não fez nenhuma pergunta, então ele continuou.

"BR parecia estar mais concentrado no que iria fazer no que em qualquer outra coisa. – Depois que ele se posicionou com a bazuca ele sequer tremeu, por todo o momento que eu estava de olho nele. Ele parecia totalmente diferente de minutos antes, ele sequer deixou se abalar por algum medo ou pelo frio que fazia. Não faço a mínima ideia de como ele conseguia controlar todo aquele desconforto sobre o próprio corpo. Sem falar de como ele conseguia enxergar e distinguir algo naquele céu negro. – Fernando disse, relatando no meio de sua história.

– Já dá para ver o avião no radar. – Marcelo gritou pelo walkie talkie.

O som do avião se aproximando era ensurdecedor, – as turbinas e todo aquele barulho de chuva não eram uma boa combinação – BR parecia não se importa com tudo aquilo. Ele apenas olhava para cima, aguardando.

Ele posicionou a bazuca sobre o ombro novamente e aguardou. Uns minutos depois ele disparou. A força do projétil quase o jogou para trás. O míssil subia e subia, então uma explosão. Todo o barulho que já fazia não foi nem de perto ao som da explosão.

Um avião fora atingido e a única coisa que iluminava aquele céu cinza eram as chamas vermelhas e laranjas que pareciam queimar tudo, até o céu. Nem toda aquela fumaça negra que se fazia escondia a luz.

BR comemorou e comunicou Marcelo pelo walkie taklie que havia conseguido.

A cada segundo as chamas se aproximavam, descontrolada.

As coisas pareciam fora de controle. Tudo pareceu fugir de um contexto óbvio. BR estava assustado, seus olhos vidrados estavam brilhando para as chamas, ele não se mexia..."

– Por quê? – perguntou o policial. – Você narrando esse acontecimento em terceira pessoa não é muito normal. Poderia contar em primeira pessoa, não?

– Sim. Poderia. Mas qual seria a graça de não dizer o meu nome na história? – Fernando riu. – E a propósito, eu não tinha percebido, mas depois percebi que o plano dele tinha falhado. Ele só acertara uma das asas do avião.

BR bipou Marcelo e provavelmente deve ter contado o fracasso. Marcelo com toda a certeza o respondeu, já que BR aproximara o walkie talkie da orelha.

O avião despencava do céu descontrolado, balançando de um lado ao outro. Então BR saiu do transe e percebeu que havia outro avião na pista de decolagem. Ele estava cheio de pessoas, olhando pela janela para o céu, pareciam estar presos, com medo de sair..."

– Sim. Pelo que pesquisamos, aquele era o avião 281, ele aguardava a permissão para decolar.

– Mas que permissão? Naquele tempo? Os voos não deveriam ter sido cancelados?

– Era só uma chuva. Poderia dá uma pane quando estivessem decolando, mas não haveria perigo. Mas se tivesse relâmpagos, aí acho que seria diferente.

– Então por que o voo não foi liberado mais cedo? – perguntou Fernando pensativo.

– Quem sabe? Por causa dos bandidos?

– Talvez. – ele disse por fim.

– Continue então, por favor. – o policial pediu.

"Cada vez mais o avião despencava. Ele inclinou-se para frente, as chamas consumira a asa por completa e o céu ficara negro com toda aquela fumaça. Então de repente.

BOOOM

Parecia ser o impossível, mas o que só parecia, aconteceu. O avião 186 chocara-se com o avião 281 com um tremendo impacto, o chão chegara a tremer.

BR fora lançado longe com o impacto daquela grande explosão. O lugar onde Fernando estava pareceu seguro por alguns momentos, até a onda de impacto jogar o carro onde ele se escondia longe, o levando junto. De longe, ele podia sentir o calor das chamas.

BR levantou-se, assustado, confuso, aproximando-se devagar com o walki talkie na mão. Ele parecia enfeitiçado por aquelas chamas, pelas vozes cantando em sofrimento alto o suficiente. Marcelo gritava pelo walkie talkie.

– Consegui. – repetia diversas vezes BR, apesar de tudo, ele tinha um sorriso perturbado na cara.