Voleur Sinderella
20 Capítulo 20 - Pa’bailar
Notas iniciais
Auckland, Nova Zelândia. 5 de novembro.
Charles tinha ficado inquieto. Bastou dar um passo para fora de casa e o fúnebre tom da noite o alcançou com o frio de 10ºC.
– Você está ciente de que isto é burrice?! – Wallace falou ao telefone, mas a única reação de Charles foi a inércia.
Ele estava próximo ao portão da frente da mansão, encolhendo-se no casaco e segurando o celular colado ao rosto.
– Padrinho, não é burrice. Eu preciso ter certeza de certas coisas, entende? – Charles respondeu com paciência.
– Não me importa se você não quer mais saber de segurança porque brigou com o Rato, mas eu me preocupo com a sua segurança! Vou aí agora mesmo! Não invente de fazer loucuras com aquela mulher!
O rapaz revirou os olhos.
– Não venha, eu sei cuidar de mim mesmo. Como eu já disse, não vou fazer nada muito arriscado, eu posso com ela.
– Não, não pode. Marianne é uma mulher louca, se ela tiver só um lampejo do que você está pensando já será o fim, você sabe muito bem disso. Me espere na frente a mansão que nós iremos para o ponto de encontro juntos! – o padrinho de Charles ficava cada vez mais assustado na ligação.
– Já estou de saída. Não vou envolver o senhor outra vez com eles! – Charles respondeu, desligando o celular de imediato e saindo pelo portão com pressa.
Andar pela rua era mais fácil, principalmente naquele frio insistente. A mansão branca era bem localizada, o que dava rápido acesso aos mais diversos locais de Auckland.
Charles pegou um ônibus para o porto de Waitemata, um dos principais da cidade, procurando por um lugar com as indicações que havia anotado num rasgo de papel.
O ponto de encontro era um tipo de beco por trás dos gigantes galpões portenhos que eram escondidos nas fotos de cartões postais, afinal eram pouco mantidos pelo poder público. Ali, o clima era mais tenso e pesado, causando até calafrios por causa do chão molhado e do vento mais forte.
Ele estava só e precisou desligar o celular antes que seu padrinho ligasse novamente. Tinha conseguido despistar Dannika e Ian também naquela noite, o que o favorecia na discrição. O que menos queria era envolver os dois naquela situação ruim.
O relógio marcou 23h e Charles suspirou, enrijecendo o maxilar. A hora marcada havia chegado junto ao pouco barulho de um carro preto que estacionara na frente do beco em que ele estava. Ele era completamente preto, tendo os vidros quase foscos por causa do fumê, o que deixou o rapaz ainda mais tenso.
Da porta da frente, uma mulher de sobretudo preto e botas de couro saiu, colocando o cachecol de ziguezagues à Misson.
– Marianne... – Charles sibilou, indo ao seu encontro a medida que ela também se aproximava, carregando uma pasta de papel.
– Não está acompanhado hoje, Sin? – ela sorriu com os lábios vermelhos. – Melhor assim, seremos mais rápidos.
Posicionaram-se ligeiramente de frente para o outro, enquanto Marianne retirava alguns papeis da pasta.
– O que será desta vez? – ele sorriu de canto, deixando uma mão dentro do bolso do casaco preto que usava. – Joalheria? Banco privado? Mansão de alguém importante?
– Como é o seu primeiro trabalho desde o incidente dos Perrault, o contratante achou melhor dar a você um trabalho coadjuvante. – ela disse, entregando a Charles o primeiro papel com uma escala de nomes – Três passos: Primeiro você fará uma visita ao apartamento de Jerry McDonnavan, gerente sênior do Banco de Mitzvard, procure por hábitos, fotos de família, qualquer coisa que possa usar de chantagem para ele. Segundo, use o artifício achado para que ele entre no sistema do banco do próprio apartamento e copie os dados necessários. O terceiro passo e último para você é entrar em contado com o número que está escrito no cabeçalho da lista dos nomes dos funcionários do banco. Ligue imediatamente ao conseguir as senhas de acesso aos cofres 23 a 27.
Charles passou os olhos pelo papel e soltou um risinho, dizendo:
– O contratante não quer que eu me envolva mais com a parte física do roubo? É isso mesmo?
– Como eu disse, é seu primeiro roubo desde o incidente. – ela rosnou de cenho fechado – O contratante ainda quer o diamante, sabe disso. Ele está lhe dando o trabalho porque gosta de você, então tente não abusar da sorte, Sin.
Assim, ela deu um passo para trás e virou o corpo para ir embora.
– Gosta de mim, é? – riu ele novamente – É assim que explica o grampo no meu celular e o sistema da máfia pegando mais dinheiro de quem eu roubo?
As palavras provocadoras saíram da boca dele e a atingiram em cheio. Rapidamente, Marianne voltou o rosto de boneca para Charles, que sorria cinicamente. Um rápido arrepio subiu pelas pernas dela, mas manteve o silêncio.
– O que você falou? – Marianne balbuciou.
Charles começou a andar em frente, chegando perto da mulher.
– Falei que tomei conhecimento do sistema de crime organizado que eu encobri desde o início deste ano.
Ela franziu as sobrancelhas e se postou na frente do rapaz.
– Do que está falando?
– Tulip, Rêve en Poudre, Charme de Verre, Bel Diamante, Mr. Frenzo e Ben Oro... Não se faça de desentendida, vocês tem lucrado com todos os passos de Sinderella. – Charles falou com a voz rouca e ardilosa.
A expressão de Marianne foi uma mistura de ansiedade e confusão. Por um breve instante, ela olhou para o lado como se estivesse pensando, ligando fatos, o que chamou atenção de Charles. E, de repente, deu meia volta, começando a andar de volta para o carro.
O rapaz, entretanto, foi ao seu encalço e segurou bruscamente o braço dela, virando-a para si com força e brutalidade.
– Tire as mãos de mim! – ela bufou, tentando se soltar.
– Não enquanto não me responder! – Charles berrou, apertando mais forte o braço dela e a puxando contra o próprio corpo, prendendo seu pescoço com o braço fortemente.
Ele segurava os braços dela e a imobilizava, apertando seu pescoço por um momento.
Rapidamente, Marianne escapou um braço e atingiu o estômago do rapaz e se soltando de imediato enquanto ele gemia de dor. Tentou escapar outra vez, mas ele cambaleou e correu para empurrá-la, o que foi impossível, já que ela desviou o corpo e flexionou o corpo para chutá-lo.
O golpe não foi deferido, pois Charles bloqueou a perna dela com o braço. Instantaneamente, levou o punho no rosto dela, que também impediu com um movimento de braços, interferindo o ataque com outro murro. Entretanto, o rapaz deslizou a própria perna entre as dela, jogando-a no chão.
– Vai mesmo querer brigar, Marianne? – ele zombou.
Os olhos dela se abriram como se fosse um animal. Lançou as pernas no chão para levantar-se num pulo e de imediato socar o rosto do loiro, que novamente cambaleou para trás.
– Vai mesmo querer brigar, Charles Gareth Sinderella? – Marianne cuspiu, chamando-o com um movimento de mãos.
No instante em que Charles tentou se recompor e avançar novamente para cima dela, escutou apenas um estalo. Fitou o rosto pálido de Marianne, em seguida vendo em suas mãos uma pistola Walther P99.
– Vai me matar agora? – ele murmurou desafiador, mas na verdade tinha começado a suar frio. Parecia que todo o sangue de seu corpo tinha sumido.
Marianne encostou a semi-automática na testa de Charles, vendo o suor dele encostar no cano curto e negro da arma lentamente. Cuspiu outra vez e disse:
– O que você sabe sobre máfias?
Ele levantou lentamente os braços, mostrando-se indefeso.
– Então é verdade que vocês têm me usado? Pois saiba você que há mais pessoas que conhecem ess-
– Do que você está falando, garoto?! – Marianne resmungou, apertando a P99 na testa dele – Nós? Usando você?! Depois da sua família mesmo trabalhar conosco, considerando todos que estão na Dinamarca, acha mesmo que nós nos daríamos ao trabalho de passar a perna em você? – então soltou um riso, olhando no fundo dos olhos do rapaz – Seria fácil demais, traria lucros rápidos, mas você é, ou era para ser, um investimento...
– Do Blue Tulip até Charlize Sawson vocês sabiam exatamente onde eu estava, nas semanas seguintes todas as lojas, joalherias, mini-banco de ações e etc perdia quantidades enormes de dinheiro sem prestar queixa. Ou os alvos selecionados eram devedores da sua máfia, ou estamos com uma tremenda coincidência aqui. Admita, vocês roubaram o diamante e eu sou o bode expiatório!
A expressão de Charles não se alterava enquanto ele falava, mas a de Marianne parecia estar ainda processando o que ele falava.
– Está dizendo que a mesma pessoa que seguiu Sinderella nos roubos foi quem roubou o diamante?
– É, exatamente isso que eu estou dizendo... – ele balbuciou, já não entendendo mais.
– Que provas você tem? – Marianne falo, mas ele nada respondeu. Então ela apertou ainda mais a arma – Desembucha, que provas você tem do que está falando?
– Eu tenho uns registros policiais e a grade de lucros e perdas de todos os estabelecimentos. – Charles murmurou, movendo um pouco a cabeça, enquanto Marianne apontava a arma do lado esquerdo da sua cabeça. – Hackeamos o sistema deles, tudo está na internet.
Ela parou por um instante e mordeu os próprios lábios.
– Você tem alguma idéia no que está se metendo?
Lentamente, retirou a arma da cabeça de Charles que recobrou a postura entreabrindo a boca.
– Não foram vocês, não é? – ele disse baixo.
Marianne assentiu com um movimento de cabeça.
– Preciso que venha comigo. Se o que eu acho que está acontecendo está realmente acontecendo, precisamos falar com o contratante o mais rápido possível. – ela disse, guardando a P99 dentro do sobretudo – Necessitamos agir o mais rápido possível ou podemos ser encurralados. Vou lhe contar os detalhes no caminho.
Por um instante, Charles ficou relutante. Imaginou que poderia ser apenas uma armadilha para que ela o levasse para longe, mas anteriormente estava tão surpresa quanto ele. Algo não se encaixava no plano original dele nem no que pensava ser verdade.
“Se ela quisesse me matar, já o teria feito” ele imaginou, em seguida assentindo com a cabeça para Marianne.
Os dois seguiram no beco e entraram no carro dela o mais rápido que puderam, sentindo apenas a aceleração da arrancada brusca que ela fez.
– Diga-me, quem mais sabe das coisas que você sabe? – ela perguntou sem retirar os olhos da rua – O Lourette? Wallace?
– Não, nenhum deles sabe, na verdade. Estou temporariamente separado de Jack. E nem mesmo meu padrinho tem idéia de tudo, ele sabe apenas que eu vim encontrá-la para um novo trabalho. – Charles respondeu.
– Fora eles, mais alguém sabe?
Charles enrijeceu o rosto, respondendo:
– Ninguém.
Passaram por vários bairros renomados, inclusive pelo que ele residia com a família de Maxine Oitava. Chegaram finalmente a um tipo de condomínio de mansões, passando tranquilamente por vários seguranças até chegar numa enorme casa de muros cor de carmim. Pelo exterior, parecia uma mansão normal como as muitas ao redor, mas, ao observar bem, Charles percebeu que havia seguranças armados nos cantos e por trás de arbustos.
Aquela era a casa do contratante.
Os dois entraram pela garagem, deixando o carro de Marianne estacionado ao lado de outros três grandes automóveis esportivos e caros. Adentraram na mansão e a única coisa que Charles tentou fazer foi manter a calma enquanto passava por diversas artes contemporâneas de cobre e quadros de paisagens perturbadoras.
– Ele tem um gosto excêntrico. – ele disse para Marianne que apenas o repreendeu com o olhar pelo comentário.
Tiveram de subir dois lances de escada para chegar ao corredor central a caminho do escritório. Duas moças vestidas igualmente estavam na frente da porta esperando de cabeças abaixadas.
– Marianne e Sin estão esperando convite de entrada, pode anunciar. – Marianne falou com um tom de desrespeito enquanto uma das moças adentrou no cômodo, voltando num pequeno intervalo de tempo e abrindo lentamente a porta para eles.
– Ele os espera ansioso por novidades. – a moça disse com uma reverência de cabeça.
Charles apenas levantou a cabeça e entrou no escritório inexpressivamente. Tinha de manter a calma e tentar descobrir o que estava acontecendo.
O escritório do contratante era grande e mais parecia uma biblioteca com várias estantes de livros velhos de capa dura, uma lareira por detrás da mesa e uma grande poltrona vermelha de couro na qual ele estava sentado.
O contratante levantou-se da cadeira assim que eles entraram, e Charles pôde observar sua aparência. Era um senhor que não aparentava ter passado dos setenta anos, incrivelmente bem vestido mesmo pela hora. Seus cabelos eram meio grisalhos e havia entradas calvas pelos cantos. A pele era manchadinha e seu bigode também era esbranquiçado. O mais interessante era a quantidade de anéis pesados que ele carregava nos dedos.
– Finalmente tive o prazer de conhecê-lo, Charles Gareth. Ou devo dizer, Voleur Sinderella. – sua voz era rouca e seu sotaque mostrava que não era natural da Nova Zelândia. Pela maneira como chamou Charles, voleur ao invés de ladrão, ele presumiu que o senhor seu contratante fosse europeu, provavelmente francês. – E tu, Marianne? Por que trouxe o rapaz apenas hoje? Recuperaram o diamante Perrault?
– Não, senhor. – Marianne respondeu, mordendo o próprio lábio antes de fitar os olhos nos dois homens que vigiavam a porta pelo lado de dentro. – Temos um assunto urgente e sigiloso para tratar com o senhor.
O contratante passou os olhos escuros pela sala, percebendo a indireta.
– Deixem-nos sozinhos. – ele ordenou e os homens saíram no mesmo instante. Então, sentou-se novamente na poltrona carmesim, oferecendo com um movimento de mãos as cadeiras a frente da sua mesa para que os dois se sentassem também. – E então, o que traz os dois ao meu escritório?
Marianne mirou o rosto inalterado de Charles.
– Sin... Quero dizer, Charles descobriu algo que pode alterar nossos planos por completo. Parece que temos uma pista sobre quem pode não só ter roubado o diamante, mas também tem se encobertado pelas ações de Sinderella. – ela falou pausadamente. – Diga a ele Charles o que descobriu.
O rapaz permaneceu inerte por um instante, encarando o contratante. O senhor apenas riu, falando:
– Eu não mordo, Charles. – disse ele passando a mão em cima da mesa e arrumando alguns papéis espalhados.
– O senhor é meu contratante. – Charles falou em meio a um suspiro – Depois de tantos anos é a primeira vez que o vejo e, pelo que sei, meu padrinho Wallace também não o conhecia quando fazia seus trabalhos. Estou apenas curtindo o momento.
Assim, o contratante riu, desconcertando Marianne.
– Não é hora para gozação, rapaz. – ela bufou.
Os três pararam por outro instante até que Charles recostou os cotovelos na mesa do contratante.
– Logo após o roubo desastroso fui atrás de prováveis roubos semelhantes, mas ao contrário disso encontrei pistas que indicavam para perdas enormes de dinheiro de todas as lojas atacadas deste ano. Sinderella levava a fama por acabar com negócios, mas as lojas perdiam dinheiro sem prestar queixas policiais. E o mais suspeito foi uma queixa feita contra um homem chamado Fernando Boulevard que não sofreu nenhuma pena ou multa, pelo contrário, pois ele tinha um grande advogado para safá-lo. Mas como esse homem conseguiu um advogado influente e qual o motivo de ter sido indiciado?
O contratante passou a mão no queixo realmente intrigado, murmurando:
– Então está sugerindo que alguém utilizava Sinderella para encobrir o desfalque. E você acha que essas pessoas foram aquelas que roubaram o diamante Perrault?
– Na verdade, eu achava que vocês o tinham feito. – Charles admitiu ainda encarando os olhos do homem – Apenas vocês sabiam exatamente quais eram os meus roubos, o que eu faria e os meus passos. Apenas vocês seriam capazes de conseguir o diamante primeiro que eu. Isso é o que eu acho.
O senhor soltou um sorriso.
– Mon fils, você sabe o valor daquele diamante, não sabe? – ele disse agravando a voz – Eu envolveria o mínimo de pessoas possíveis para tê-lo em minhas mãos e por isso confiei o trabalho a você. Conheço seus antecedentes e gosto de me gabar de que você tem mais cabeça do que os outros. Mas se eu fosse você, não contaria com essa opção, seria burrice da sua parte. Eu quero o diamante tanto quanto você, por isso trabalhamos juntos.
– Como posso confiar no senhor? – Charles disse.
– Esse é o ponto, mon fils, você não pode. Você apenas deve confiar para continuarmos a trabalhar para reaver o que é nosso. Meu por lucro e seu por altruísmo.
Altruísmo. Aquela palavra não foi bem digerida por Charles, pois ele não fazia aquilo por bondade. Fazia tudo aquilo por necessidade.
Entretanto, as palavras que o senhor falou juntamente com todo o acontecimento com Marianne fizeram com que Charles se convencesse mais da veracidade da inocência deles. Tinha de entrar no mundo deles e encontrar o diamante.
– Então o que posso fazer pelo senhor? – Charles falou seriamente, fazendo com que o sorriso do contratante se abrilhantasse e que o olhar curioso de Marianne se inquietasse.
– Diga-me você quais as suas próximas deduções. – ele falou, alisando com os dedos o bigode. – Temos pouca informação para trabalhar.
Charles pigarreou e se recostou nas costas da cadeira em que estava sentado, dizendo:
– Acho que o primeiro a fazer é descobrir se meu celular e as escutas que eu levei no dia do roubo estavam sendo grampeadas. O verdadeiro ladrão não deve ter conseguido ter acesso às câmeras, mas provavelmente soube do momento em que o sistema de segurança foi desligado pela minha comunicação com o Lourette e Marianne.
– Huum, interessante. E como é o nome do homem que fora indiciado e por qual loja ele foi denunciado?
– Fernando Boulevard foi entregue pela Charlize Sawson. Podemos investigá-lo também e a sua relação com os funcionários da loja, deve haver um motivo para apenas ele ser levado à corte, não acha? – o loiro declarava pegando de cima da mesa um tipo de bolinha de crista com riscos vermelhos no interior. – Existe também a possibilidade de alguém de dentro da casa dos Perrault ter dado continuidade ao roubo. A suíte da família estava vazia quando cheguei, então o trabalho foi feito rápido o suficiente para que o ladrão já tivesse conhecimento da localização do cofre e da senha de acesso.
Marianne e o outro assentiram com movimentos de cabeça.
– Marianne, não faça registro desta conversa. – ordenou o contratante – Quero que descubra quem é Fernando Boulevard, onde nasceu, onde vive, com quem vive. Descubra a vida dele e se há alguma ligação dele com a Charlize Sawson. Mande para a análise técnica o celular de mon garçom Charles. E, por último, quero que designe alguém para seguir os passos de Claire e Cloud Perrault.
Quando ele mencionou o nome de Claire, Charles se sobressaltou sem perceber a própria reação.
– Como assim seguir Clair e Cloud Perrault? – ele indagou.
– Você mesmo disse, Charles, existe a possibilidade de ser alguém de dentro. – o contratante falou tranquilamente – Temos entre os nossos “atores” que são especializados em se aproximar das pessoas.
– O senhor mesmo disse que queria envolver o mínimo de pessoas. Técnicos, hackers e agora atores... Façamos o seguinte, eu conheço Claire Perrault, ela é prima de um grande amigo meu de infância, e já nos encontramos depois do incidente e ela não me reconheceu. Sou a melhor opção para se aproximar dela e extrair informações.
“Não posso deixar envolver Claire diretamente com essa gente. Podem até chegar a Jack, Dannika e Ian. Isso seria um perigo para todos.” Charles pensava e se remoia por dentro com essa idéia de proteção desesperadora.
– Não vejo motivo para que não seja ele. – Marianne disse assentindo com a cabeça. – Eu e ele nos aproximaremos dos Perrault como planejado e visitaremos o Sr. Boulevard se a ficha dele se mostrar suspeita. Concordo com a sugestão de envolver o menor número de pessoas com nossos planos.
– Que assim seja então. – o contratante concordou, levantando-se e sendo seguido por Charles e Marianne. – Até que as análises sejam feitas e a vida de Fernando Boulevard seja averiguada, o papel de vocês é entrar pelas linhas inimigas.
– Sim, senhor. – Marianne proclamou com uma leve reverência de cabeça.
Então ele estendeu a mão para que Charles a apertasse e soltou um sorriso.
– É um prazer tê-lo diretamente envolvido nos negócios, mon garçom Charles.
– Igualmente, senhor... – Charles deixou entreaberta a deixa e o contratante apenas riu.
– Charles também. Charles Marvel...
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