Voleur Sinderella
13 Capítulo 13 - Know You Now
Notas iniciais
Auckland, Nova Zelândia. 28 de Outubro.
Estava chovendo como há muito não chovia, por isso Rose não queria sair do carro de maneira alguma. A melhor desculpa que ela tinha para não passar pela chuva para entrar na biblioteca foi arruinar o que tinha feito no cabelo no dia anterior. Era mentira, Charles sabia.
– Vamos logo, Rose. – ele riu sozinho, vendo os pingos de chuva caírem no para-brisa do carro.
– Cãozinho, não adianta insistir, eu não vou...
Ele a olhou severamente. A menina estava reprovada e há um tempo combinava com as amigas de estudar e sempre encontrava desculpas de última hora, colocando a culpa no tempo, na cólica, no sono, na dor de cabeça e (quando Rhonda ou sua mãe perguntavam) no próprio Charlie.
Demorou, mas lhe convenceu que sairia do carro.
Os dois correram e entraram na biblioteca pública, vendo sua entrada rústica e bonita, bem talhada no mármore. Ainda que tivesse andando menos de vinte metros, estavam completamente molhados, e, quando entraram no lugar rindo alto, foram recebidos com muitos olhares censuradores.
– Vou atrás das minhas amigas. – disse Rose, arrumando as roupas abarrotadas – Estou com o celular, certo? Não vá embora sem mim.
Charlie assentiu com a cabeça e a viu seguir para uma das imensas mesas, rindo e encontrando as amigas. Já ele, retirou lentamente o casaco e foi andando de maneira discreta para um fundo mais reservado.
Era uma biblioteca extensa com várias prateleiras de livros, separando seções diversas no térreo e no primeiro andar, enquanto no segundo se concentravam registros históricos e recortes de manchetes importantes dos últimos anos. E lá estava ele, olhando para os lados e entendendo que ninguém o observava.
Ao fundo de uma estante estava o rapaz Leroy, recostado na beirada do corrimão de aço, lendo um pequeno livro de bolso com a maior concentração.
– Dannika disse que estaria aqui... – Charlie falou, chamando a atenção de Ian.
Ian o olhou de lado e riu.
– Boa tarde, Charles. Eu achava que ia chegar mais cedo...
Os dois chegaram mais perto e apertaram as mãos com sorrisos. Agora sim, chamavam atenção de algumas garotas no andar debaixo...
– Então, já começou a reunir o que precisávamos?
– Se reunir o necessário significa pegar qualquer coisa que se relacione a roubos nos últimos anos, já olhei... Nada, nem ninguém, consegue superar Sinderella em seus crimes. – Ian falava, andando para o meio das prateleiras dos registros. — Nada acontece de interessante em Auckland.
Charlie passou os olhos pelas datas se estendendo no corredor e voltou-se para Ian novamente.
– Bem, aqui só temos os registros da mídia... Precisamos de relatórios da polícia também.
– Não está falando sério, está?! – Ian choramingou – Eu já olhei todos eles, não quer que eu procure também na delegacia de polícia.
– Lógico que não, dificilmente o deixariam entrar... – Charlie falou com um sorriso de lado – Mas que seriam vantajosos seria... Estamos procurando por qualquer pista de que exista um grupo ou alguém como Sinderella, todas as opções são poucas.
Então um estrondo ecoou como metal batendo em metal e várias coisas pedadas caindo. Os dois foram até a ponta do andar e viram abaixo de seus pés Rose tentando segurar uma estante enquanto os livros caiam e várias pessoas chegavam para ajuda-la.
– É, parece que sua irmã ainda é bem problemática... – riu Ian sarcasticamente. – Lembro-me de nós três fugindo quase todos os dias dela e da outra.
Olhou em seguida para Charlie, que respondeu como se mal tivesse importância:
– Ela não é minha irmã...
Ian fez uma expressão azeda.
– Bem lembrado... Você é um novo Charlie, agora.
– Você vem me falar isso? – Charlie riu e bateu no ombro de Ian, voltando a andar no meio das prateleiras. – Mas, sinceramente, o que você acha que poderia ter acontecido? Não havia ninguém no andar antes, certo? O herdeiro... qual o nome dele?
– Cloud.
– Isso. – disse Charles. No fundo, Ian tinha uma pontada que lhe dizia ser apenas blefe do loiro para fingir não se importar. – Cloud chegou logo depois de mim, bêbado como um porco, mas poderia ter deixado que alguém o ajudasse a entrar.
Ian negou.
– Ninguém o ajudou a entrar no apartamento, tanto que meu primo o deixou aberto em seguida. Lembra-se de que esbarrou comigo e com a Dannika?
– E com Wolfgang também.
Ele franziu as sobrancelhas, mas Charles não entendeu. Estiveram prestes a falar algo quando, de repente, uma voz vazia ecoou no andar.
– Ian? O que está fazendo aqui?!
Como um fantasma assombroso, o rosto esbranquiçado entre os cabelos castanhos tomou frente e praticamente matou e esfaqueou Charles e Ian de uma vez. Ela – e somente ela – era a única capaz disso.
– Claire?!
Claire estava também um pouco molhada, apoiando no braço o casaco preto e evidenciando sua beleza natural e simples. Charlie, entretanto, não se deu ao luxo de observá-la. Fugiu por dentre os registros.
– Achava que iria se encontrar com a Dannika e te pego com um cara, sabe que Cloud não vai te deixar em paz se eu contar. – ela riu-se, indo ao encontro do primo – O que está fazendo aqui?
– Err... Você não vai contar isso para o Cloud, vai? – Ian riu também, passando o olho por cima do ombro de Claire para ver se encontrava Charles, mas não o viu.
Claire sorriu e lhe esmurrou o braço.
– Lógico que não, idiota. Estava procurando pelo quê na sessão de registros?
– Aqui é a sessão de registros?! – tentou disfarçar – Devo ter me perdido. Quer me mostrar alguma prateleira com livros de... De... Feminina... Quero dizer, medicina?
A moça arqueou as sobrancelhas, dizendo:
– Certo, eu te mostro a sessão de medicina. Espera só eu pegar uma pasta aqui? – enquanto falava, ela se esgueirou no meio das estantes de livros, saindo o mais rápido que podia da vista de Ian.
– Ei, Claire. Espera.
Ela não lhe deu ouvidos, sequer foi lenta para que Ian a segurasse. Simplesmente, Claire saiu andando no meio das prateleiras depressa, passando de uma para outra rapidamente até que, numa “dobra de esquina”, esbarrou em alguém, batendo-se contra o peito desta e cambaleando para trás.
Pensou em dizer “desculpe-me”, mas ao olhar um pouco para cima (afinal, era mais baixa que o homem) ficou estática.
– Desculpe-me. – ele disse.
Charles disse.
Claire o encarou no fundo dos olhos. Mirou seu pescoço, seu queixo e por fim seus olhos novamente.
– Claire, eu... – Ian balbuciou, até que viu que Charles estava ali. Engoliu a seco.
Ela acordou do transe, balançando a cabeça de uma vez.
– Desculpa. – ela falou, soltando todo o ar que tinha. – Sério, sinto muito.
Ela passou por ele, dando dois passos.
O coração dos dois jovens saltou, principalmente o de Ian que mal bombeava sangue. O moreno estava além de assustado, sobressaltando. E passou pelo loiro em câmera lenta, seguindo Claire.
Não poderia tê-lo reconhecido, jamais! Afinal, Charlie estava de máscara, a maior parte do tempo em que se encontraram naquela noite, estava no escuro. “Ela não poderia!” Ian repetia na mente.
– Espera um instante. – Claire falou, parando e olhando para trás... Para Charles. – Ei, você!
Lentamente, o loiro virou-se. Os dois se encararam e ela andou até ficarem frente a frente.
– Posso ajudar?
– Eu conheço você... – ela disse. Os batimentos cardíacos de Ian faltaram soar num mega-fone. – Você é o amigo do Rato! Quero dizer, do Jack.
Alguém no andar debaixo gritou “shiu” para que ela fizesse silêncio, e por isso os três voltaram os olhos para o lado, em seguida voltando para o importante.
– Jack?
– Sim, o Rato! Jack Lourette! Tenho certeza que é você, já vi vocês dois juntos... – Claire insistiu.
“Se Charles negar, ela pode ficar insistindo mais...” pensou Ian.
– Sim, eu conheço o Rato... – Charles falou lentamente, mantendo uma expressão calma e um tanto fria. Fria demais ao ver do amigo e da própria moça.
– Você faz alguma idéia de como ele está? O garoto está vivo, para início de conversa. Vocês são melhores amigos!
Outra vez, alguém fez “shiu”.
Charlie virou um pouco a cabeça com um sorrisinho.
– Não é graças a você que ele está vivo, é? – Charles falou e uma luva de boxe acertou a cara da moça (figuradamente falando).
– Você realmente é amigo dele? Não parece se importar com ele. Se importa? Quem é você?
Charles revirou os olhos e deu de costas. Para sua surpresa, Claire segurou a manga da camisa dele.
Ela repetiu a última frase, perguntou quem ele era e desejou perguntar seu nome e tudo sobre ele, mas se acomodou em apenas olhar para seus olhos, azuis como o céu brilhante e assombroso.
– O que você quer? Quem é você? – Charles falou, desviando dela.
– Espera, espera! – ela não foi fácil, impedindo que ele continuasse a andar. – Conheço você de algum lugar, não conheço?
– Não. – respondeu rispidamente.
Claire levantou uma sobrancelha. Veio à sua mente a arrogância de Sinderella, mas apenas a arrogância.
“Sinderella era muito mais... Elegante e incrível... Muito mais!”
– Vamos, Claire. – Ian balbuciou, mirando Charles por cima da prima e segundo o braço dela para leva-la dali. Ela, entretanto, se soltou.
– Realmente preciso falar com você.
O loiro pestanejou um tanto desconcertado. Então lembrou que estava falando com Claire Perrault. Era possível saber que tipo de ação ela faria por ser, na sua visão, extremamente irritante e persistente (a tirar por uma única noite em que a encontrou).
Charlie chegou a ameaçar falar algo, mas foi subitamente interrompido por um peso pena pulando sobre seu pescoço e agarrando seu ombro de uma vez só, berrando:
– Charles!
Os longos cabelos negros cobriram o rosto dele de uma vez com perfume francês fraco.
– Dannika? – Claire falou, dando um passo para trás.
Novamente, alguém pediu que fizessem silêncio. “Shiu”, falaram.
Os olhos azuis acinzentados da modelo apareceram dentre os longos fios de cabelo e o rosto pálido da moça começou a ficar vermelho ao se deparar com Claire.
– Cl-Claire... – ela disse, soltando Charlie, olhando para ele e para Ian, mas para o segundo de uma forma mais agressiva. – O que está fazendo aqui? Veio com o Ian?
Ela negou com o rosto, enquanto o próprio Ian se segurava para não cair sem sangue no corpo.
– Eu estava aqui quando encontrei com... Charles, certo? – a moça falou e o loiro espalmou a mão no rosto. Ela continuou a mirá-lo e acenou com o dedo. – Você poderia, por favor, vir aqui?
Charles, Dannika e Ian levantaram as sobrancelhas de uma vez, quase cuspindo de surpresa.
“Como ele consegue chamar a atenção da Claire sendo duas pessoas diferentes?! Duas vezes seguidas?!” Ian praticamente vomitou as palavras em silêncio.
Os dois ficaram se entreolhando por um breve momento até que Claire Perrault simplesmente sorriu e segurou o rapaz pelo cotovelo e o levou dali, dando mais e mais sorrisos de explicação para o primo e para Dannika.
Deram alguns longos passos a cabeça de Charles começou a doer. Aquilo era pior do que ter Rhonda e Rose no seu pé todos os dias... Talvez não tão ruim, mas era assustador.
“Ela não vai me reconhecer.” Ele pensou, chegando perto parapeito do segundo andar ao lado de Claire.
– Quer começar a falar ou eu tenho que perguntar por que me chamou aqui? – ele disse calmamente, pousando o braço no corrimão.
Claire suspirou e revirou os olhos, certamente não tinha gostado daquele Charles.
– Olha, eu não sou o tipo de garota que se mete na vida dos outros, mas o caso é sério. Eu sei que você é o amigo do Rato. O melhor amigo dele. E, sinto lhe dizer, mas ele está passando por uma situação um tanto complicada e eu preciso que vocês conversem...
– Fora de cogitação... – Charlie cortou a voz da moça, não mudando a expressão do rosto.
– Escuta. Escuta o que eu estou falando. – ela engrossou a voz – Charles, não é? Charles, escuta. Jack Lourette está mudando cada vez mais. Ele anda devagar e com problemas na escola. Nem mesmo os valentões querem mexer com ele... Alguma coisa foi tirada dele de importante, não foi? Alguém fez alguma coisa para ele?
Charlie desvencilhou e desviou o olhar por um rápido instante.
– O que você tem a ver com isso? O que exatamente ele te contou?
Ela bufou, respondendo de mau humor:
– Nada. Isso que mais me incomoda.
Os olhos da moça passaram lentamente por Ian e Dannika e voltaram para Charles, mirando o rosto do rapaz. Não podia negar, ele era realmente bonito.
“Bem, ele conhece Dannika e estava conversando com Ian... Não deve ser nenhum assassino estuprador, haha. Que falta Allen faz nessas horas com seus comentários.” Claire pensou, rindo para si mesma.
– Bem, agora não é exatamente a melhor hora para conversarmos... Desculpa. – Charlie disse, enfiando as mãos nos bolsos da calça jeans.
– Mas e o Rato?
– Garot-
– Meu nome é Claire. – ela respondeu de imediato. Odiava ser tratada por “garota”.
– Claire, eu não estou com tempo para falar sobre isso ultimamente... – ele disse, continuando a desviar o olhar do rosto preocupado e angustiado dela.
Claire bufou novamente, mordendo o lábio inferior.
– Entendi que não quer ajudar. – ela disse já com raiva – Espero realmente que você se foda com toda essa briga com o Rato. A vida que ele vai levar em Wellington vai ser melhor do que aqui.
Então ela deu as costas, mas foi praticamente arrastada um passo para trás por um grande puxão que Charlie fez, segurando o antebraço dela.
– Vida em Wellington?
A meia risada de Claire mais soou como uma meia bufada... E, novamente, pediram silêncio.
– Muita coisa se explica agora... Você não sabe, mas ele vai embora para Wellington.
– Por que? Como assim? – Charlie gaguejou, deixando transparecer preocupação no seu olhar duro.
– Era exatamente por isso que eu insisti em falar com você... – ela falou, passando a mão no cabelo. – Ele não me diz e parece que está fugindo de alguém. De mim. Ou de, não sei, um satélite que possa rastreá-lo.
Charlie ficou em silêncio e lentamente olhou para Dannika e Ian do outro lado. Eles conversavam com expressões preocupadas pelo que os dois estavam falando. Olhou para o teto a procura de alguma coisa. Pensou. Pensou. E pensou.
– Olha, me faça um favor... – ele disse, acenando rapidamente com a mão para que ela se aproximasse.
Lentamente, ele aproximou a boca do ouvido dela, enquanto sibilou poucas palavras. Ian e Dannika, se pudessem, se transformariam em pequenas moscas apenas para poder escutar o pequeno segredo que ele dizia a ela. Pequeno segredo este que se transformou num arregalar de olhos e um grande tapa no rosto de Charles Gareth.
– Canalha! – ela berrou, batendo o pé.
Por trás dele, uma velha senhora apareceu e cutucou seu ombro.
– Senhores, eu gostaria de pedir que se retirassem ou fizessem silêncio de uma vez só. Estamos numa BIBLIOTECA.
– Não será necessário. – Claire rosnou e saiu andando do andar com raiva e revolta explodindo pelos ouvidos.
Charles apenas continuou a observá-la se retirar da biblioteca rapidamente, passando a mão no maxilar dolorido. Aquilo tinha realmente doído.
– O que diabos você fez para minha prima reagir assim? – Ian não segurou o riso.
– Pobrezinha... – Dannika disse. – O que estavam conversando?
– Digamos que ela não vai mais me procurar... – Charlie falou, desta vez voltando a atenção para os dois. – Onde paramos, Ian? Delegacia de polícia?
– Ah, é mesmo... – o moreno disse. – Espera, você vai continuar com o plano de roubar os registros policiais?
Ele assentiu com um movimento de cabeça, respondendo:
– Precisamos disso. Se você puder aproveitar e tentar tirar qualquer coisa dos peritos do seu tio, ficaria agradecido. Não pode ter simplesmente “nenhuma” pista, certo?
Dannika riu baixinho e os dois rapazes miraram seu rosto pálido.
– Posso ajudar nisso, sabia? – ela falou, enrolando uns fios de cabelo com o dedo.
– Mas e você, Charles?
.
Allen começou a gargalhar.
– Não acredito que você deu um tapa nele. Não acredito. – ela balbuciava entre risos e acenos.
A morena apenas sorriu conformada e fez uma rápida reverência, como se fosse um show de humor. Allen não parava de rir.
– Bem, foi uma atuação, eu já disse. – Claire falou, sentando-se na cama de Allen. – Foi até engraçado. Principalmente olhar a cara que a Dannika e o Ian fizeram depois.
A loira pôs a mão na testa e fez-se dramática.
– Ah, Ian. Meu doce, IAN! Mate-me de prazer! – e falando isso, ela caiu sobre a cama e abraçou o travesseiro. – Você sabe, Claire, eu fantasio mais com seu primo do que com o cara misterioso do seu noivado.
– É, eu me surpreenderia se fosse o contrário. Você devia parar de ser tão tarada, garota.
– E você devia parar de querer se encontrar a sós com caras que não conhece. – Allen bufou e jogou o travesseiro na amiga – Sinceramente, não entendo como você consegue! E eu sou mais bonita que você! O que exatamente ele te disse mesmo?
Claire coçou a testa e riu-se.
– Falando com ele, parecia um grande imbecil, mas depois que ele me falou no ouvido para procura-lo depois e simplesmente fingir que ele falava algo indecente para despistar o meu primo e a Dannika, me pareceu outra pessoa... Não sei, talvez um cara mais sério.
– “Pareceu outra pessoa”. Isso não dá certo. – Allen replicou, arrebitando o nariz – Estou começando a achar que você vai ter uma queda por todos os caras que aparecerem depois do coitado do Wolfgang. O primeiro foi o carinha da festa e agora esse tal Charles. Sei que ele é gatinho, amiga, mas você está se esquecendo que tem um anel de noivado no dedo, não?
– Obrigada pela sua consideração, mas principalmente por acreditar em mim, querida! – a morena riu. – E eu digo para não se preocupar com isso. Só quero falar com Charles para saber o que fazer com o Rato. Você não tem IDÉIA de como eu ando preocupada com ele.
– Mas devia estar preocupada consigo mesma, ou esqueceu que roubaram o diamante de seu pai há alguns dias?
Para falar a verdade, tudo aquilo tinha tirado o diamante de sua cabeça por alguns momentos. Então lembrou-se de que o tal cara misterioso da festa era, na verdade, o Ladrão Sinderella. Mordeu o próprio lábio em ato de reprovação, mas voltou-se para Allen novamente com um ar mais espirituoso.
– Agora basta acreditar nos peritos e na polícia. – ela disse, parando um instante e subindo o olhar para a amiga de uma vez – Sabe, eu meio que achei o cara da festa parecido com o Charles. Ambos tem olhos azuis, são altos e um pouco arrogantes.
– Eu sabia! – Allen berrou – Tem alguma coisa conspirando contra você, Claire Perrault!
– Não é minha culpa, querida amiga. Gosto de viver perigosamente.
E as duas caíram na gargalhada.
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– Byron! – Maxine berrou, esganiçando ainda mais as cordas vocais, sendo capaz de matar uma ou outra mosca.
Ele tomou um susto e entrou correndo no quarto da senhora. Maxine acenou para que fechasse a porta às pressas enquanto ela simplesmente arrumava alguns papéis sobre a mesa de carvalho no meio da suíte gigante.
– Minha senhora?
– Recebi os papéis que queríamos. Queime-os agora! – ela falou mais baixo, dessa vez agoniada.
Eudes foi para perto dela e ajudou-a a juntar o máximo de papéis que podia, colocando-os num envelope que tinha a abertura lacrada completamente rasgada e uma grande etiqueta com o nome de Maxine nele. Os dois se atrapalhavam. Até que, de repente, o telefone tocou. Se entreolharam e lentamente Maxine o pegou e atendeu com a voz gelada e as mãos trêmulas:
– Alô? – então fez uma breve pausa, finalmente respirando de alívio – É você. Por um momento me assustei... Espero que o pirralho não comece com a chantagem. Já recebi o relatório dele. Sim. Sim.
O detetive moveu os lábios como se falasse “quem é?”, mas ela apenas colocou a mão na frente do rosto dele.
– Me ligue com aquele filho da mãe, agora mesmo! – dessa vez Maxine berrou, se levantando. – Não vai ligar? Certo. Diga para seu chefe que quando ele largar as fraudas deve me ligar, estou com os documentos e quero a minha parte do combinado!
Então desligou a ligação rapidamente. Eudes a encarou e Maxine apenas segurou o envelope, levando-o para o móvel da cabeceira da cama e abrindo uma gaveta trancada e retirando um fundo falso, guardando-o junto a outros vários papéis e trancando com duas chaves a gaveta.
– Não existe nenhuma chance de o seu enteado pegar, existe? – Eudes Byron falou.
– Não se preocupe. – ela disse, mais calma. – Nem ele nem ninguém serão capazes de pegar esses papéis. Vou coloca-los num cofre em breve. Só espero que o fedelho não abra este...
– Você está cada vez mais envolvida numa teia de segredos, senhora...
Notas finais
Know You Now é uma música da diva drogada Amy Winehouse (que Deus a tenha)
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