Você sabe quem eu sou?

10 Capítulo 9. A menina que falava com os mortos (parte 1)


Capitulo 9. A Menina Que Falava Com Os Mortos

E antes mesmo que eu me desse conta, era mulher adulta.

E é claro, eu logo perceberia que ser uma mulher adulta não era uma coisa lá muito fácil. Principalmente quando se tem uma mãe como a minha.

A minha maturidade legal chegou com dilemas próprios. Bagunçando ainda mais o que era uma bagunça sem fim: a minha vida.

Conhece a lei de Murphy?

A lei de Murphy diz que tudo o que tiver que dá errado, dará. E de modo que cause o maior estrago possível.

Havia momentos em que eu acreditava que minha vida foi projetada para provar que esse princípio era inequivocamente verdadeiro.

Como eu cheguei a essa conclusão?

Pense comigo: eu tinha uma mãe autoritária e superprotetora, estava apaixonada por um amigo de meu pai, que tinha exatamente o dobro de minha idade. Além de ser mais velho, o sujeito ainda gostava de brincar com minha cabeça, aparecendo em minha frente sempre que eu ensaiava qualquer possibilidade de esquecer ele. Estava lidando com lapsos de memória que escondia de todos com medo de ser outra vez trancafiada num sanatório.

E como “cereja do bolo”, esse mesmo homem que não saía dos meus pensamentos, estava apaixonado por uma mulher com que não podia ficar, ou seja, ele era burro! BURRO! BURRO!

E eu mais burra ainda por arranjar outra complicação em uma vida já tão complicada quanto a minha.

Que homem maduro nessa vida perde tempo com um amor impossível? Sério, com tantas mulheres nesse mundo, incluindo EU, por que ele tinha que ficar esperando a tal fulana?

Eu havia criado uma teoria, despois de muito pensar sobre que tipo de mulher seduziria o Ahjussi. Podia imaginar que a tal da Eun-Tak era alguma dama da sociedade mal casada que o usava como estepe! Apostava que a cada crise conjugal ela procurava o ahjussi idiota para alimentar o próprio ego. Deus, como eu odiava essa criatura.

É claro que comecei a pesquisar sobre mulheres que poderiam ser minha possível rival, mas eu nem mesmo tinha a mínima noção de quem poderia ser. Kim Shin era excluso. Sua vida um total mistérios. Suas relações? Pior ainda.

Então, sem muitas alternativas, eu busquei mulheres relacionadas ao grupo Chunwoo e única possibilidade que encontrei me assustou: era uma das executivas da empresa, linda, rica, mãe de dois filhos e casada. Aparentemente seu casamento passava por problemas pelo fato dela se dedicar demais ao trabalho.

Quem melhor para consolá-la que o próprio chefe?

A inquietação daqueles dias ao menos deixou uma coisa muito clara para minha pessoa: eu tinha preguiça de sofrer por amor.

Isso mesmo: sofrer por amor era algo cansativo e não era para mim.

Sei que toda adolescente curte essas coisas, mas eu sei o que é sofrer e não existe nada de belo nisso. Logo, precisa fazer algo para esquecer aquele homem com urgência e me dedicar a alguém que não me causasse dor.

Na lógica, eu sabia o que fazer. O problema era meu coração. O desgraçado tinha um ritmo próprio quando o ahjussi aparecia e por mais que eu listasse todos os motivos pelos quais aquilo me prejudicava, ele tinha vontade própria e o mundo (e eu mesma) que se danasse.

E foi no dia em que estava deixando minha vida de adolescente para atrás, no meu último dia de aula, que coisas ainda mais estranhas me aconteceram.

O arrepio se espalhou por minha pele sem aviso. Foi como se todo o calor que houvesse em mim, se encolhesse e se escondesse num lugar tão fundo, que se tornou inacessível.

Mesmo minhas mãos tornaram-se trêmulas.

A minha volta, as pessoas comemoravam. Era nosso último encontro enquanto grupo escolar, então fomos nos confraternizar na mesma sorveteria onde muitas vezes terminando nossa tarde. Depois daquele dia, muitos seguiriam seu próprio rumo e era provável que eu só os visse te tempos em tempos... mas isso não foi importante para mim naquele instante. De fato, num momento eu ria de alguma piada que alguém contou, no outro eu olhava para porta em choque.

Ainda assim, eu não tive medo. Pior, de algum modo eu estava familiarizada com aquela sensação e uma calma nascida da sensação de saber o que estava por vir, me dominou.

Encontrar o que encontrei a seguir foi tão natural como comer ou respirar. Era apenas algo que eu sabia ser meu.

Talvez por um breve momento, me questionei se não estava tendo outro surto, mas tão logo esse pensamento veio, ele foi distanciado por aquela familiaridade.

Era, então, contraditório a minha frieza perante tal situação, eu não me recordava de viver uma experiência parecida com aquela, ainda assim, eu a compreendia e sabia o que precisava ser feito. Antes mesmo que a garota notasse que eu olhava diretamente para ela, abaixei a cabeça e fingi me concentrar em meu sanduiche, quando na verdade, um nó se formou na minha garganta e impediria eu conseguisse engoli qualquer coisa.

Alheia a minha inquietação, a garota empurrou a porta como qualquer cliente faria, olhou em volta e escolheu uma mesa num canto. Apesar de usar a mesma farda que usávamos, não se juntou ao grupo. Aliás, ela não fazia parte de nosso grupo, ou de qualquer outro. Era uma solitária que por algum motivo ignoramos por todos aqueles anos.

Eu intuía que ela não fazia ideia que suas roupas estavam cobertas de sangue. Nem do corte profundo que ia do lado direito seu pescoço e seguia até a parte esquerda de seu abdômen, atravessando seu corpo. Outro corte feio em sua testa completava o quadro assustador.

Era triste que eu só a notasse agora, quando muito pouco ou talvez nada eu pudesse fazer por ela. Ainda não sabia, mas seu tempo entre os vivos havia acabado.

Em seu canto, ela nos observava enquanto meus amigos riam, se provocavam carinhosamente. Seu olhar transmitia inveja e um pouco de dor. Aquele era o fim e mesmo se ela não soubesse, esse fim era algo muito mais definitivo para ela que para qualquer um de nós.

Eu nem mesmo sabia o nome daquela garota, nunca quis saber... e agora ela estava morta. E eu era a única que podia notá-la.

— Aconteceu alguma, Yeon Woo?

— O quê?

Fiquei surpresa com a pergunta. Logo a garota fantasma era esquecida em vista de problemas mais reais.

O nome daquele problema era Soo Hyuk. Choi Soo Hyuk.

Ele era lindo, alto e inteligente. Metade da escola estava com inveja de mim por ter atraído a sua atenção, a outra metade estava tentando roubá-lo de mim.

Como se houvesse algo para roubar.

A pura verdade era que eu estava ansiosa pelo dia em que alguma concorrente fizesse o favor que tirá-lo de mim. O namoro, se poderíamos chamar assim, durava pouco mais que dois meses e aquele sujeito grudento estava começando a me irritar.

Bem, não era que ele fosse de todo ruim, antes quando não estava tentando me seduzir ele até era uma companhia agradável, um amigo querido... até o dia em que demonstrei que poderia querer algo além da amizade.

Agora eu estava presa numa situação que eu mesma criei.

O problema era que quanto mais eu demonstrava desinteresse, mais ele ficava interessado.

Tudo começou após minha volta da estação de esqui. No primeiro dia de aula, eu estava decidida a esquecer o Ahjussi, quando meu colega se aproximou, fui muito mais receptiva do que normalmente. Dias depois, estava no parque próximo ao com minhas amigas quando vi o Kim Shin num banco mais adiante, concentrado em um de seus livros. Eu ainda estava furiosa com o nosso final de semana e mesmo sem saber se ele prestava atenção em mim ou não, aceitei os avanços de meu colega e quando percebi, ele confessou que há tempos esperava uma oportunidade de ser “mais próximo” a mim.

— Yeon Woo?

— Não aconteceu nada. Eu estou bem. — Forcei um sorriso voltando a atenção ao sanduiche.

Minha “sombra” não perdia nada. Como eu arranjei um “namorado”? Simples: tentando fazer ciúmes num ahjussi que não estava nem um pouco preocupado com que eu namorava. Ele já tinha a Eun-Tak.

A pessoa que entrou a seguir na sorveteria, era uma bela moça. Estava vestida num terninho preto. Elegante, usava um chapéu também escuro. Caminhou diretamente até a o fundo do salão onde minha colega solitária estava sentada.

Então retirando um carão de envelope, começou a recitá-lo.

— Song Ji-Hye. Data 6 de fevereiro de 2228. Hora 20:56. Causa da morte: acidente de trânsito.

Eu vi quando finalmente minha colega notou seus machucados. Ouvi seu choro e a indiferença da ceifeira enquanto a conduzia para fora.

— O que você tanto olha?

Ele seguiu meu olhar em direção da porta, buscando o que havia despertado meu interesse.

Era exatamente aquilo que me irritava em Soo Hyuk, ele olhava para mim, analisava o meu comportamento e principalmente, parecia conhecer os meus segredos. Sei que tudo o que a maioria das garotas querem é alguém atencioso. Eu não, eu detestava me ver sob a mira de um telescópio. Eu amava passar despercebida a maior parte do tempo.

Estar com o Soo Hyuk causava em mim a mesma sensação claustrofóbica de estar com minha mãe.

— Eu estou pensando sobre Londres. Sobre a vida simples que eu tinha lá.

Ele pareceu confuso e eu expliquei.

— Sinto falta de Londres, então tenho pensado muito se devo estudar no exterior.

Não havia de fato pensado naquela possibilidade, mas agora que ela se desenhava, eu começava a me entusiasmar com a ideia.

— Mas a gente mal começou a...

Eu sabia o que ele queria dizer... como também sabia que não precisava de outro relacionamento que me controlasse.

— A gente nem começou... e eu prefiro que assim seja.

Era a noite das meninas. Saímos para dançar, sem namorados, paqueras ou qualquer coisa que vagamente lembrasse relacionamentos. Elas ainda estavam aborrecidas com meus planos de estudar no exterior, mas por aquela noite decidiram “guardar as armas”.

Eun-Ha e Yuna dividiriam um apartamento perto da universidade que fariam. O terceiro quarto, que esperavam que eu ocupasse ocasionalmente (assim como eu, elas sabiam que não teriam autorização de sair de casa, mas esperavam que eu dormisse lá sempre que fosse possível).

Estavam tristes porque o nosso trio seria desfeito.

O bom de ter boas amigas é que você até pode querer se trancar em casa maldizendo a sorte de um amor não correspondido, mas não tem permissão para isso.

Eu frequentava a universidade com eles enquanto arrumava minha transferência. A guerra lá em casa estava mais que declarada. Mamãe tentando barrar minha mudança, meu pai dando todo o apoio que podia.

De qualquer modo, enquanto minha situação não se resolvia, eu tinha minhas amigas. Numa noite, fui obrigada a sair com Eun-Ha e a Yuna. Fomos dançar e beber como adultas, com uma missão muito clara: seria meu primeiro porre, pois estava decidido que já havia passado da hora de eu viver aquela experiência. Do nosso grupo, eu era a última virgem nesse quesito.

Descobrir a sedução por trás de cada gole. Era a sensação de leveza. Naquele momento, nada é importante ou sério. Eu ri, cantei, dancei sem parar e mesmo nesse meio tempo quando me lembrei do Ahjussi, estava tonta demais para sofrer.

A noite começou bem. Música alta, alguns drinks, rapazes bonitos... quanto mais eu bebia, mais me sentia livre e a sensação era incrível. Logo, eu entendia o que fazia as pessoas tomarem aquele troço amargo sem pestanejar.

A certa altura tive a impressão de avistar meu ahjussi arredio, mas é claro, foi coisa da minha cabeça. Num momento ele estava ali, me olhando com expressão repreensiva, no outro havia desaparecido.

Empurrei a sensação que estava fazendo algo errado para longe, afinal, eu era solteira, livre e desimpedida, e continuei dançando. É claro que três garotas meio bêbadas atraiu a atenção de diversos rapazes.

Em algum momento um desses rapazes se transformou no sobrinho do Kim Shin.

Rindo da minha loucura, segurei o rosto do rapaz com as duas mãos e comecei a massagear suas bochechas esperando que a ilusão de semelhança desaparecesse.

— Você parece o Deok Hwa.

— Eu sou o Deok Hwa.

E de repente, trogloditas se arrastavam para fora do salão, enquanto minhas amigas os estapeavam para que me soltassem.

Do tumulto vi Deok Hwa agarrar Yuna pela cintura e falar algo em seu ouvido que fez com que ela se acalmasse. Ela puxou Eun-Ha pelo braço e logo minha outra amiga também se acalmava.

Deus, será que...

De repente me vi numa sala privada, diante do presidente do grupo Chunwoo. Entre nós, uma mesinha cheira de sobras de aperitivos e garrafas vazias.

Obviamente, algum tipo de reunião, possivelmente de negócios aconteceu ali. E eu não era ingênua a ponto de não saber como eram conduzidas as reuniões de naquele tipo de lugar: muita bebida, comida e mulheres.

Examinei o homem a minha frente, me questionando se ele havia ficado com alguém. Uma raiva latente fervilhava dentro de mim. Sabia que não possuía direito algum sobre ele e por isso a raiva assumia um volume imenso. Ela era direcionada a nós dois.

Uma garrafa com água fora depositada em minhas mãos.

— Beba!

Olhei para o Ahjussi, bem dentro de seus olhos e tive certeza que a ordem seca e a expressão facial soturna tinha o objetivo de me amedrontar. O problema era que eu estava bêbada e enraivada demais para ter medo de qualquer pessoa. Ou se importar com qualquer coisa que não fosse a próxima dose.

— Não quero! — Recusei com determinação.

Nesse momento vi o Ahjussi respirar fundo antes de me explicar.

— Você precisa se hidratar para curar essa bebedeira.

— Não quero curar nada. Quero outra cerveja! Sou uma adulta curtinho minha primeira noite como adulta e sinceramente, você está atrapalhando!

— Eun Tak...

Quando você adverte alguém, não trocar o nome dessa pessoa é o mínimo que se pode fazer.

De repente, o mundo pareceu parar. Ele tinha que trocar meu nome pelo da fulana? Logo pelo dela?

Eu quis atirar a garrafa em minhas mãos naquele sujeito, mas isso não seria uma atitude adulta. E eu queria provar a ele que era adulta.

— Acho que o Ahjussi está perseguindo a mulher errada. Talvez esteja confuso por ter bebido demais. Em todo caso, Yeon Woo é o meu nome e se for me chamar de outra coisa, por favor, me poupe.

Imperturbável, o ahjussi ignorou minha revolta e continuou com seu ataque paternalista.

— Você não deveria beber tanto.

O falso sorriso que apareceu em minha face não escondeu minha revolta.

— Eu já tenho pai, senhor Kim Shin, ele sabe exatamente onde estou, com quem estou e o que estou fazendo. O ahjussi não é nada meu, então, por favor não se meta em minha vida. Vamos meninas!

— Yeon Woo...

Estava a caminho da saída quando me virei.

— O quê?

— Eu estou preocupado...

— Eu não preciso da sua preocupação.

Minha noite estava quase estragada. A raiva ferveu o álcool em meu sangue, quando descobrir que minha conta fora paga. Não precisava ser um gênio para descobrir por quem. Quase voltei para dizer uns desaforos aquele prepotente, mas simplesmente decidi esquecer e seguir para a próxima festa. Naquele lugar, obviamente eu não poderia ficar.

Quando sair senti a frieza da noite e já não tinha vertigem alguma.

— Podemos tomar um taxi para a próxima casa noturna. — Sugeriu Yuna.

— Ela não fica na próxima rua? — Perguntei, querendo me movimentar na esperança de me acalmar para apreciar melhor o resto da noite.

— Fica, mas...

— Vamos.

Dei os primeiros passos sem olhar para ter certeza se era seguida ou não. Havia me distanciado alguns metros quando uma balbúrdia atrás de mim atraio minha atenção, ao virar-me, estanquei. Em minha direção vinha um homem que usava uma máscara cirúrgica e tinha a cabeça coberta pelo capuz de seu casaco. E foi tão rápido o que aconteceu que a faca estava em meu pescoço antes mesmo que percebesse.

Logo eu estava cercada por policiais que tentavam negociar com o assaltante para que ele me soltasse.

A lâmina afiada pressionada sobre minha pele fez correr um fio de sangue. O agressor gritava ameaças, os policiais a nossa frente, a comoção era generalizada, mas eu estava simplesmente congelada.

Então, de súbito, a faca voava da mão do assaltante, eu era atirada ao chão. Uma vez longe de mim, o sujeito foi rapidamente imobilizado.

Enquanto eu ficava estarrecida tentando assimilar os acontecimentos, me vi erguida nos braços de Kim Shin.

— Está tudo bem agora. — Ele sussurrou junto a minha testa.

Meu choque foi tamanho que tive impressão que tempo parou enquanto ele me afastava da confusão.

Talvez eu estivesse mais bêbada do que pensava.

Estávamos protegidos dentro de um carro. O ahjussi pegou um lenço e pressionou contra o pequeno corte em meu pescoço. Sacando o celular, fez uma ligação.

— Ela está comigo, acalme as amigas dela. Estamos no estacionamento.

Depois de interromper a ligação, ele me olhou preocupado.

—Você está bem?

Eu apenas assenti. Não confiava em minha própria voz. Esperei o sermão por estar andando sozinha na rua àquela hora, mas ele não veio.

Ele ainda me encarava com uma ruga na testa. Num impulso, me inclinei e pousei meus lábios nos dele.

No começo ele não correspondeu. Ficou parado enquanto eu aproximava meu corpo e o enlaçava pela cintura. Movi insistentemente meus lábios, até que não resistindo, ele me puxou para seu colo. Foi nessa hora que uma luz intensa nos iluminou.

— Identificação. Dos dois.

Poucas vezes eu fiquei tão envergonhada em minha vida. Enquanto saíamos do carro, eu ajeitava a minha roupa e pensava em como encarar o policial que nos interrompeu.

Kim Shin assumiu o controle da situação.

— Algum problema, policial?

— Estamos procurando um grupo de foragidos. Preciso identificar os dois.

Ele estendeu o aparelho e sem perguntas, o ahjussi colocou o indicador sobre a pequena tela. A identificação se deu em segundos.

— Agora a moça.

Eu me aproximei hesitante e olhei para o policial. De algum modo, ele parecia muito familiar. O problema era que eu não recordava de tê-lo visto antes.

Estendi a mão e coloquei o dedo sobre a tela do aparelho de identificação.

Quando momentos depois o policial recebeu meus dados, ele franziu a testa e virou-se para o ahjussi.

— Você sabia que a moça com que está foi declarada incapaz?