Você sabe quem eu sou?
9 Capítulo 8. Momentos Roubados
Notas iniciais
Capitulo 8. Momentos Roubados
“Mesmo que você não esteja ao meu lado, mesmo que eu não possa vê-la agora. Em meu coração você sempre será a mesma...”
A distância entre o agora e o nunca é tão frágil e pequena quanto um fio de teia de aranha. Num segundo você tem no outro, desfez-se no ar.
Eu planejei o futuro com minha esposa cuidadosamente numa madrugada fria. Eu nos daria um dia no paraíso antes de ir embora. E esse foi um dos dias mais mágicos de minha existência.
Eu prometi que só retornaria a sua vida quando ela terminasse a universidade. Que daria a ela a chance de crescer e voltar para mim.
Planos são perfeitos quando são apenas isso: planos.
O primeiro problema foi o principal elemento de meu plano. Um ceifeiro que era amigo de um amigo. Ele não estava disponível, mas gentilmente me apontou uma solução.
Então para colocar meu plano em ação, eu precisaria da ajuda de uma mulher do meu passado. Uma que pagava a pena por seus pecados como Ceifeira.
Por conta do nosso passado não muito agradável, ela poderia se recusar a me ajudar, mas eu realmente contava que até por conta de sua dívida comigo, em algum momento ela se tornaria maleável. Além do mais, em último caso, eu poderia apenas usar os meus poderes para tornar a vida dela complicada até que aceitasse me ajudar.
Parecia simples, mas não havia nada de simples em meus planos.
Minha primeira escolha não era ela, como já disse, era o companheiro mais próximo do rei na época em que ele era ceifeiro, mas apesar do susto ocasionado por minha interferência em seus negócios, ele recusou o meu pedido com um sorriso no rosto.
— Felizmente, eu recebi o meu último envelope. Logo estarei de partida. Vai ter que usar outra pessoa em seus planos.
Minha segunda opção foi a pessoa que esteve presente em minha vida como mortal. Nunca de fato interagimos diretamente, mas ela aceitava sua culpa nos fatos e ao contrário do que eu esperava, não apresentou qualquer resistência ao meu plano.
— Você sabe que meus poderes talvez se comportem de modo estranho com sua noiva. Talvez eu simplesmente não consiga apagar suas lembranças.
— Eu tenho consciência disso. Se for o caso encontrarei outra solução, em todo caso, você precisa fazer exatamente o que eu lhe pedi.
A primeira parte do plano foi realizada com sucesso. A memória de suas amigas alterada sem qualquer dificuldade.
A segunda... um desastre total. Em minha ânsia de fazer as coisas a meu modo, quase a perdi. E era esse medo de perder que me guiou nos últimos meses. E que me fez cometer loucuras...
A neve lá fora persistia. Em alguns momentos da noite a nevasca tornou-se mais amena, em outros mais densa. O suficiente para não ocasionar um grande desastre, mas não para permitir um resgate se alguém decidisse que ele era necessário.
Quando dia amanheceu, o tapete branco estendia-se a perder de vista. Uns vinte centímetros de neve cobriam a porta. Não haveria pedido de resgate para nós. Eu ainda não havia decidido se iríamos embora naquele dia ou teríamos o final de semana para nós.
Eu havia acordado cedo, no mesmo momento em que a moça em meus braços tornou-se rígida por conta de alguns murmúrios descuidados que imiti. Eu tive consciência de quando meu sonho deixou de ser privado, ou pelo menos parte dele.
O fato dela acreditar que eu sonhava com outra mulher, destruiu qualquer chance de uma manhã amena. Talvez por estar tão próximo do meu amor, eu sonhei com a nossa despedida, em como eu tentei me agarrar a ela em nossos últimos momentos. A confissão de amor que escapou de meus lábios antes que minha consciência despertasse.
Foi aquele acontecimento que nos distanciou nas primeiras horas do dia, mas não muito, afinal, estávamos confinados num minúsculo chalé.
Enquanto Yeon Woo fingia que dormia, levantei-me e abrir a cortina sabendo o que veria. A nevasca não pararia até que eu assim o determinasse. Aliás, não haveria nevasca se não fosse por minha causa.
Enquanto olhava pela janela, recriminava-me mais uma vez por minha imprudência. Depois de tudo o que fiz para dar a ela a chance de crescer em paz, simplesmente não consegui ficar longe. Principalmente após o acidente. Aquele maldito acidente me deixou em pânico e consciente da fragilidade de meus planos.
E se a gente não tivesse um futuro?
Um acidente que quase a tirou de mim uma vez mais. E se...
Afastando a onda de medo que sempre ameaçava me engoli quando eu lembrava daquele dia infernal, fechei a cortina voltei para o colchão e a tomei nos braços. A moça continuou fingindo que dormia enquanto eu a levava para o quarto e a colocava na cama. A cobri e me permiti observá-la um pouco, como se não soubesse que estava desperta.
Depois voltei a sala e fiz a primeira ligação, a mais importante que faria naquele dia: para meu sogro.
Ele atendeu no primeiro toque.
— O tempo não melhorou. — Comentou sem qualquer tipo de cumprimento.
— Não.
— Como foi a noite de vocês? — Era uma pergunta direta, a resposta deveria ser simples, mas não era. Se eu contasse como foi difícil resistir a filha adolescente dele, o acordo que tínhamos firmado meses antes estaria desfeito. Pior ainda se ele soubesse que o mau tempo era por minha culpa.
Com toda a indiferença que fui capaz, respondi simplesmente.
— Como sabíamos que seria.
— Onde está minha filha?
— Dormindo no quarto.
— E foi lá que ela esteve toda a noite?
— Não, ela dormiu ao meu lado enquanto víamos um filme. Acabei adormecendo também, mas depois eu a coloquei na cama. De todo modo, mantive minha promessa. Nada aconteceu entre nós e nada acontecerá até...
Não completei a frase. Era difícil tocar no assunto após penar durante toda a noite. O cheiro dela. O calor dela... um dia eu pararia de pagar por meus crimes?
Eu poderia tê-la levado para cama tão logo ela adormeceu, ou mesmo acabar com aquele encontro, mas precisava desesperadamente daqueles momentos roubados. Eu só poderia seguir em frente e manter minha promessa se ocasionalmente eu me permitisse estar próximo.
Como se entendesse meu dilema, meu sogro decidiu me alertar uma vez mais do caminho perigoso que eu estava trilhando.
— Eu confio em você, Kim Shin. Confio tanto que estou permitindo que meu bem mais precioso esteja em suas mãos.
— A tratarei com o devido respeito.
— Eu sei que vai, mas a minha filha foi negada tantas coisas, por tanto tempo que ela tem pressa... ela vai tentar romper sua resistência.
— Eu tenho ciência disso.
— Assim espero. Muito bem, ligarei mais tarde.
Depois que encerrei a ligação, perguntei-me uma vez mais o que estava fazendo. Eu poderia simplesmente arranjar para que a memória de meu sogro fosse apagada e recomeçar nossa relação, sem que ele soubesse de tantas coisas...
Mas eu não queria. Eu havia encontrado não apenas um parceiro com interesses em comum, eu havia encontrado um amigo que logo seria parte de minha família. Obviamente, se precisasse escolher entre essa nova amizade e o meu amor, escolheria o meu amor, mas se houvesse uma única chance de ter os dois, eu queria ter os dois.
— Você está ficando ganancioso, Kim Shin.
Para quem passou tanto tempo querendo com o único desejo de se libertar da vida eterna, ter um amor, uma família e ser feliz era uma ganância desmedida.
Mas eu não precisava pensar sobre isso naquele instante. Eu podia apenas aproveitar o resto da manhã... talvez do dia.
A dia que passava, eu, o poderoso Goblin, via-me preso em uma confusa teia de mentiras, desejos reprimidos e promessas frágeis. Eu estava comprometido até os ossos com meus medos, com minha paixões e esperanças.
Assim era cada dia que passava com minha esposa. Fosse ela a inocente e temperamental Eun Tak, fosse a destemida, madura e surpreendentemente maliciosa Yeon Woo. Eu pensei que já havia pagado minha dívida, que meus crimes estavam sanados, mas havia algo no ar. Algo que mostrava que a história estava potencialmente se repetindo.
Eu sentia a respiração falhar cada vez que pensava que a minha maldição talvez não houvesse acabado, que os deuses supremos ainda guardavam rancor e me fariam penar. Pior, eu temia que a vítima uma vez mais dos jogos do destino fosse aquela que escolheu nascer para me fazer feliz.
Preparei cuidadosamente a nossa primeira refeição do dia, preocupado em criar que recordações que ela pudesse levar consigo. Que permitisse que ela não me apagasse por completo, ou que não buscasse um novo amor em sua vida universitária que começaria dali a alguns meses.
Egoísmo? Sim. Admito minha fraqueza. Eu queria que ela tivesse uma vida normal, mas havia algumas concessões que eu jamais poderia fazer.
De volta a nosso momento roubado, eu esperei pacientemente até que ela decidisse vim ao meu encontro.
Conhecendo muito bem minha esposa, sabia que ela estaria furiosa e logo me encheria de perguntas. Minhas respostas a deixaria ainda mais furiosa e ela ia fazer birra pelo resto do dia.
Minhas previsões se mostraram acertada quando ela horas mais tarde ela deixou o quarto. Batendo o pé, dirigiu-se até a mesa e sentou-se com a cara fechada.
Eu a servir fingindo não perceber seu mau-humor. Tal atitude causou tamanha revolta na jovem que ela bateu o copo sobre a mesa.
— Algum problema, Yeon Woo?
— Nenhum. — Ela respondeu de forma ríspida.
— Mas parece que há algum problema.
— Impressão sua!
— Claro, eu sou apenas um velho sem bom senso! Talvez você esteja apenas cansada de ficar aqui presa, quando poderia estar por aí, paquerando garotos de sua idade.
Por um momento, acreditei que ela atiraria a tigela de arroz em mim. Acredito até mesmo que ela se visualizou fazendo, mas então, inspirando profundamente, olhou diretamente em meus olhos.
— O Ahjussi é muito cruel.
— Eu?!
— Sim. Sabe como eu me sinto. Eu falei como todas as letras. Se não quer retribuir o que sinto, eu aceito, mas ao menos me poupe e pare de atirar sal em minha ferida.
— Você é jovem demais para...
— Pare de fingir que olha para mim como uma criança. Eu não consigo entender o que você espera com isso. Sério. Eu estou entendo seus sinais errado? Vai dizer mesmo não existe essa energia estranha entre nós? É muito simples, quer ser deixado em paz? Se você falar que não há nada da sua parte, eu prometo que esse será o último dia em que me intrometo em sua vida. Prometo que se nos encontrarmos por acaso, finjo que não nos conhecemos.
Eu a observei com cautela. Só mesmo minha esposa para transformar o que seria dois dias agradáveis longe do mundo, num ultimato do tipo “ou me ame, ou me deixe”.
A fúria dela tinha lugar, é claro, mas para sanar suas dúvidas eu precisaria abrir mão de todos os sacrifícios que fiz até aquele momento.
Com uma serenidade fingida, ignorei as batidas descompassadas do meu coração e perguntei:
— O que está acontecendo aqui, menina? Eu preciso entender o que fiz de tão errado para suscitar essa reação.
— O que você fez? O QUE VOCÊ FEZ?
— Sim, eu não entendo seu nervosismo. Ontem quando dormirmos estava tudo bem e agora ao acordar, você está agressiva comigo! Você precisa me contar o que fiz errado para merecer seus gritos, só assim poderei pedi desculpas se necessário.
Meu tom neutro e conciliador a desconcertou. Após me encarar por um instante, ela voltou a atenção a comida.
Depois disso comemos em silêncio.
Ela tomou a iniciativa de cuidar da louça enquanto eu, ainda sentado à mesa, a observava.
— Você precisa mesmo ficar aí me observando?
Por que ela não olhava para mim, a pergunta me desconcertou. E depois divertiu. Ela ficava linda brava.
— Não há muito o que fazer confinado nesse chalé.
— Vá lê um livro, lá no quarto há uma estante repleta deles.
— Eu sei...
Ela parou o que fazia e olhou para mim.
— Essa cabana é sua?
— De certo modo.
— De certo modo?!
— Ela veio com a compra das terras. Faz parte da estação de esqui.
— Então não estamos tão longe assim?
Ela me pegou uma vez mais, não consegui reprimir uma careta.
— A noite era perigoso continuar a viagem...
— E agora?
Eu fui encurralado tão subitamente, que quase fiquei sem palavras.
— Seria imprudente, não precisamos nos arriscar à toa. Não é como se houvesse pressa sair daqui ou perigo no fato de estarmos juntos.
Deus, ela me examinou atentamente, como se pudesse ler minha alma. Quando pareceu encontrar a resposta que procurava, voltou a atenção aos pratos, mas eu pude ver um sorriso no cantinho de seus lábios.
Como sempre, eu tinha a capacidade sublime de complicar minha própria vida.
Numa mais que necessária retirada estratégica, acatando a sugestão de Yeon Woo, fui até o quarto e apanhei um livro. Depois voltei a sala, me acomodei numa poltrona e tentei me concentrar na leitura. Passei a meia hora seguinte preso no primeiro parágrafo de uma página aleatória que escolhi.
Logo que terminou com a louça, Yeon Woo passou por mim e se trancou no quarto. Parei de fingi e tratei de escutar o que ela fazia.
Após atirar-se na cama, ela ligou para a amiga Yuna.
— Você já está vindo?
— Não. Há muita neve na estrada. Além do carro estar parcialmente soterrado.
— Mas ele não tem sistema de prevenção contra a neve? Carro soterrado não é exatamente um empecilho hoje em dia. Se vierem devagar não será um problema.
— Eu sei, mas o ahjussi está querendo ser prudente e acha que não precisamos nos arriscar à toa.
O tom de voz da amiga de Yeon Woo mudou sensivelmente.
— O Ahjussi? Hum, agora isso está interessante. Quer dizer que ele não está com pressa de se livrar de você?
— Isso não é incrível? Quando eu penso que não tem mais jeito, que eu devo parar de insistir ele faz essas coisas.
— O que ele fez agora?
— Ele sonhou com outra mulher.
— Ele sonhou? Como você sabe disso?
— Dormimos juntos.
— Dormiram juntos? Como você só me conta isso agora? Vamos, detalhes. Preciso de todos os detalhes.
— Não é nada do que você está pensando. A gente foi assistir um filme e caiu no sono.
— Sei, e acordaram abraçadinhos?
— É, mas ele estragou tudo sonhando com outra mulher.
— Sei... que idiota! Agora, me diz uma coisa: ele tentou alguma coisa?
— Como assim?
— Não se faça de boba, você sabe do que eu estou falando. Ele tentou se aproveitar do fato de vocês estarem sozinhos?
— Não, fora alguns olhares furtivos que pego aqui e ali, ele tem mantido um distanciamento respeitável.
— Entendo. Muito bem, acho que é hora de conhecer o inimigo. Já que ele não quer se “arriscar”, aproveite para conhecer melhor o inimigo. Tire toda informação que puder do sujeito e sobre essa “zinha” com quem ele sonhou. Aí depois decidimos se vale a pena perder tempo com ele ou se você já deve começar a se preparar para conhecer os “oppas” lindos da universidade.
Precisei morder os lábios para não soltar um palavrão. Não haveria “oppas lindos da universidade”, isso já era algo decidido. Yeon Woo era uma mulher casada e precisava se portar como tal.
— Onde está a Eun-Há? — A conversa entre as garotas continuou.
— Com algum oppa lindo. Eu estou aqui de babá do herdeiro do grupo Chunwoo! Minha família está fazendo o impossível para cavar um romance.
— O rapaz é lindo, porque você não se aproveita da situação.
Deok Hwa lindo?! A pirralha da minha esposa estava cega?
— Por que ele é um babaca arrogante, exibido e vaidoso apesar de lindo! — Respondeu Yuna ganhando um pouco do meu respeito.
— Ou seja, você está caidinha.
— Estou, mas ou ele muda ou não vai acontecer nada entre a gente.
— E ele? Está interessado?
— Do jeito que está sendo exibido comigo? Não duvido, mas ele não quer nada sério com ninguém.
— Nem você.
— É, mas se começarmos a namorar, não será apenas nós dois, seremos nós dois, nossas famílias e os bilhões em empreendimentos que elas acumulam. Meu pai já sabe que eu não serei vendida pelo melhor preço, mas isso significa que ele não vai tentar.
— Entendo. Você vai “pegar” ele escondido.
— Exatamente, mas só se ele valer a pena.
Yeon Woo riu.
— Quero relatórios atualizados da evolução do caso.
— Claro, Agassi. O mesmo serve para você. Yeon Woo?
— Sim.
— Está na hora de parar de correr atrás. O próximo passo tem que ser dele. Se não acontecer nada nesse fim de semana, vamos partir para outros. Há muitos homens no planeta e você não precisa perder tempo com quem não lhe dá valor.
A rajada de trovões que soou lá fora estava perfeitamente fora de controle.
Como assim havia outros homens no planeta?
— Nossa! Parece que o tempo está virando...
— Sim, que tempo louco esse! Os meteorologistas estão enlouquecendo com as mudanças inesperadas. Os jornais não falam em outra coisa.
Falaram mais um pouco antes de encerrar a ligação.
Quando deixou o quarto, passou por mim e foi direto para a cozinha. Ainda fingindo estar concentrado no livro, acompanhei dissimuladamente cada movimento seu. Ela preparou chá e trouxe para sala, sem perguntar se eu queria, me entregou uma caneca, tomou uma para si e sentou-se no chão, próxima ao colchão onde dormirmos.
— Queria ir lá fora. — Ela falou olhando pela janela.
— Acredito que logo o tempo irá melhorar.
— Sei.
Foi seu único comentário, antes de voltar a atenção a seu chá e me esquecer por completo.
Muitas vezes na vida eu quis ter a capacidade de ler seus pensamentos, mas nunca como naquele instante.
Eu sabia que a cabeça de minha esposa trabalhava de maneira misteriosa e completamente imprevisível, por isso estava seriamente preocupado.
— Você parece mais calma.
Ela me olhou outra vez de uma forma que me colocou nervoso. Atenta e friamente.
— Pareço? Talvez por que agora me dou conta que você não me deve nada.
Ah, eu não estava gostando daquela conversa.
— Sei, e o que deixou você tão nervosa antes?
Ela mordeu o lábio. Sei que estava tentando mentir para mim, mas o que segredo que ela não conhecia era que a principal mudança em nosso relacionamento era que ela não poderia mentir sobre qualquer coisa que eu perguntasse.
Era um jogo sujo, mas eu estava jogando com as armas que possuía. Por fim, ela revelou o motivo de seu mau-humor.
— Você sonhou com uma tal de Eun-Tak, estando dormindo a abraçado a mim. Desculpe o meu descontrole, mas achei sua atitude ofensiva.
— Ah...
— Vai me falar dela?
— Bem, você já sabe que há alguém de quem gosto e que não posso ficar com ela.
Ela depositou a xícara que segurava no chão e percebi que suas mãos estavam trêmulas.
— Eu acho estúpido isso de amar alguém que não pode ou não quer ficar com você.
Como eu disse, a mente de minha esposa trabalhava diferente da maioria das mulheres. Eu começava a perceber o erro que cometi e estava apavorado com isso.
— Amar é normalmente algo complicado. — Comentei banalmente.
— Eu não quero isso para mim. Não quero sofrer esperando. Não quero perseguir um homem que não me quer. Quero e acho que mereço um amor calmo, descomplicado e que não me faça chorar.
O livro escapou de minhas mãos... ela estava desistindo de nós?
— Yeon Woo, não é que eu não goste de você, apenas acho que você é jovem demais para se envolver comigo. Em uns anos...
— Ah, você acredita que eu vou apostar minha vida nisso? Que vou ficar quietinha esperando ter a idade certa para ficar com um homem que ama outra mulher? Ah, Ahjussi, eu posso ser muitas coisas, mas estupida não é uma delas...
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