Você sabe quem eu sou?

12 Capítulo 10. Velhos amigos


Notas iniciais
Ainda sem revisora...

Capítulo 10. Velhos amigos

“...me pergunto como podemos sobreviver a este romance, mas se, no final, estiver com você eu aceitarei a chance... ” 1

Era como assistir o surgimento daquela primeira centelha que consumiria em chamas um palheiro inteiro.

Como ver o começo daquela pequena fresta minando a base e que logo traria a represa ao chão.

Grandes emoções podem gerar grandes catástrofes. Eu bem sabia. Uma imensa raiva e sentimento de injustiça me transformou num deus. Um deus lamentável e solitário...

Aquela sala na delegacia era grande demais para tantas emoções represadas. Eu sentia a agonia. A dor. A raiva. Eram tão densas que picavam minha pele e em troca, eu me sentia impotente, frustrado.

Quanto mais eu tentava evitar o sofrimento da minha esposa, mais eu a empurrava para um abismo de dor.

Yeon Woo estava à beira de um grande desastre e eu fui dos responsáveis por coloca-la ali.

Fosse por minha boa vontade, ou a superproteção da mãe dela, minha garota estava no limite. Eu sabia que depois daquela noite uma grande mudança ocorreria... e estava verdadeiramente temeroso.

Aquele fogo gélido que agora eu via brilhar nos olhos de minha amada me assustava.

O quão cruel alguém pode ser quando tenta fazer a coisa certa?

Quantas vezes as nossas boas intenções se transformam em crueldade?

Vergonha. Humilhação. Medo. Revolta.

Eu conseguia ler cada emoção que Yeon Woo escondia sob a sua aparente serenidade. Também havia frustração e impotência. E uma perigosa desesperança.

Se pudesse, a levaria para longe, para um lugar onde não houvesse a dor que eu sentia nela naquele instante. Logo eu, que sempre desejei o melhor para aquela garota, estava diante do resultado medonho de minhas ações.

Uma vez mais eu me dava conta do quanto conseguia agir como tolo. Não havia felicidade para nenhum de nós se não estivéssemos juntos, apenas um desperdício sem precedentes.

Eu sempre fui consciente das coisas que estava abrindo mão ao me afastar. Era consciente do tempo precioso que eu estava perdendo. Tempo que eu poderia passar a seu lado. No fim, havia apenas menosprezado a força do nosso amor: eu não conseguia ficar longe e no fundo, ela não conseguia me esquecer. Ainda não lembrasse do que eu significava para sua vida, ela me reconhecia. Ela me queria, me ansiava. Eu aumentei o nosso sofrimento desnecessariamente.

Como o mundo reagiria se eu fugisse com uma quase adolescente?

Era uma pergunta perigosa que por um momento eu fiquei tentado a responder. Para mim não seria um grande desafio...

Mas eu não estava preocupado comigo mesmo naquele instante. Tudo o que sempre quis foi que ela tivesse a chance de viver e construir uma história sem o peso de ser minha mulher. Eu queria que ela tivesse opções... e ainda assim me escolhesse.

A minha esposa estava frustrada em ser tratada como uma criança, mas era isso que ela era. Eu estava cansado de esperar... parecia que minha vida era apenas isso: uma longa espera, mas moralmente, essa era a minha obrigação.

Enquanto eu estava uma vez mais preso em meu mundo de lamentações, um drama familiar se desenvolvia a minha frente. Pai e filha de um lado, mãe de advogados dos outros. É claro que a influência do grupo Chunwoo fez a balança pender para o lado de minha menina e no final daquele encontro, a hostilidade velada de minha com sogra comigo, tornou-se declarada.

— Fico imaginando como deve ser ter tanto dinheiro a ponto de comprar a consciência alheia. — O policial surgiu ao meu lado, enquanto eu assistia à partida dos envolvidos nos acontecimentos daquela noite estranha.

— Larga o osso, Holliwood.

Um colega que passava sugeriu.

Eu apenas sorri com amargor diante provocação. Esse era o apelido do meu antigo soberano na delegacia em que ele trabalhava. O fato de ser casado com uma atriz muito famosa, que foi minha irmã em outra vida, era algo de piada em os colegas.

Obviamente ele não lembrava de mim, mas eu sabia que por conta de nossos elos em vidas anteriores, eu sempre o fascinaria. Eu sempre o atrairia.

Seu interesse por mim agora não era apenas por meu suposto gosto por ninfetas, mas também pelas lembranças apagadas.

— Acredito que nada mais me prende aqui, correto?

Vi como Holliwood apertou os lábios numa demonstração de contrariedade.

— Por enquanto.

— Nos vemos qualquer hora.

— Mais cedo do que você imagina se depender de mim.

A cerveja gelada deslizava suavemente por minha garganta. Não era um bom dia para beber, mas era uma das coisas que me fazia relaxar... e eu precisava relaxar, ou faria alguma coisa estúpida.

Mais estúpida do que já estava fazendo naquele momento. O tempo havia subitamente se transformado. Ventos fortes castigavam a cidade e arrastando tudo o que encontrava no caminho. Era uma madrugada fria e assustadora.

Mais de mil anos de existência e eu ainda era incapaz de controlar minhas emoções.

O sol logo nasceria. As inúmeras vazias sujavam o telhado do arranha-céu que eu escolhi para passar meu momento de depressão. Olhar Seul do alto sempre me acalmava. E mostrava o quanto eu estava velho. Tudo ali havia mudando tanto... e mudaria muito mais em minha infindável existência.

— Sempre fico surpresa com o quão lamentável você consegue ser. Tão sombrio, tão solitário... tão tristonho. Só de olhar para você e essa eterna áurea de depressão que você emite, eu me sinto velha e cansada. Só você consegue esse feito.

Ela estava, como de costume, usando vermelho. Sua aparência era de uma bela e jovem mulher. Suas roupas eram modernas e elegantes, seu olhar: carregava a sabedoria e a serenidade de milênios de existência. Desviei o meu de sua figura. Ela era tudo o que eu talvez nunca seria.

— Não pensei que ainda tivéssemos algum assunto pendente.

— Minhas crianças sempre são do meu interesse. Assim, ao que parece, teremos muito assuntos pendentes daqui para sempre.

O sorriso na face da mulher não me enganou. Algo na fala da deusa me colocou em alerta. Ela certamente não estava ali para um breve cumprimento. Nas poucas vezes em que cruzou meu caminho no passado, teve um objetivo claro: defender sua criação.

Tomei um novo gole da cerveja, criando coragem para a conversa que se seguiria. E sabendo que não podia evitar o momento doloroso, lancei o primeiro golpe:

— Não acredito que veio de tão longe para debochar de minha lamentável pessoa. Não faz o seu estilo. De modo, apenas me diga o que quer e me deixe em paz.

A deusa não respondeu de pronto a minha provocação. Estava em seu olhar a sua pouca tolerância a minhas atitudes grosseiras e um sutil aviso que eu estava desafiando a mulher errada. Apesar de sua aparência jovem, eu estava diante de uma anciã, talvez tão velha quanto o próprio tempo.

De súbito, ela desapareceu e reapareceu ao seu lado, pegou uma lata que ainda estava na embalagem, tirou o lacre e solveu com gosto.

— Vamos, minha senhora, eu sei que, nenhum de nós quer perder mais tempo que o necessário.

O olhar da deusa estava sobre a cidade adormecida.

— Eu fiquei muito feliz quando criei você.

— A mim? Sempre pensei que era motivo de vergonha para a Ahjuma.

— E você é... ocasionalmente. Você é aquele tipo de filho que dá grandes alegrias e grandes tristezas aos seus pais. Eu sempre soube que você banharia os campos com sangue de seus irmãos... e pagaria por cada gota derramada.

— Sabendo do que a ahjuma sabia, deve ter sido uma decisão difícil me criar.

— Não foi. Cada criança carrega em si uma nova possibilidade. Mesmo com tudo o que eu sabia, eu tive esperança... no fim, cada criança decide se aceita ou não o seu destino. Até o último instante, eu esperei que você fizesse a escolha certa.

— Então foi uma grande decepção quando eu fiz a escolha errada.

— Não. Eu estava pronta a aceitar suas escolhas... mesmo se não concordasse com elas e você não era de todo ruim. O povo te amava, pois apesar de tudo, você se importava e cuidava deles. Os inimigos o odiavam porque sempre foi implacável. Você está aqui porque fez o bem o mal, na mesma medida. Quando vivo, você despertou o amor e o ódio com a mesma intensidade. Muitos rezaram por sua punição. Muitos rezaram por sua redenção. Tempos loucos aqueles.

É claro que ele ainda se lembrava com perfeição de tudo o que aconteceu naquele tempo. Por toda eternidade lembraria.

— Eu sou um guerreiro, ahjuma. Para um filho da guerra, ser vilão ou herói é uma questão de ponto de vista.

— Sim.

A deusa tomou outro longo gole de cerveja. O tempo havia de alguma forma se acalmado. Pela primeira vez estar com a deusa acalmou minhas emoções. Então, nos detivemos, apreciando o silêncio, enquanto acabávamos nossas bebidas.

Quando chegamos as últimas latas do último pacote, uma densa vertigem me dominava, foi nesse momento que SamShin decidiu reiniciar nossa conversa.

— Você não é mais um menino, Kim Shin. Você nem mesmo é um mortal.

Havia uma incrível lucidez e um tom de leve repreensão na voz feminina. Isso me surpreendeu. Por um momento acreditei que havíamos nos entendidos, mas era esperar demais. Sempre haveria algum rancor entre nós.

— Não posso crer que a poderosa SamShin desviou o seu caminho para falar sobre o óbvio.

Ela me olhou com a testa franzida. Obviamente eu a estava irritando um pouco mais a cada segundo. Nossa pequena trégua estava suspensa.

— Tolo... quanto tempo ainda vai ficar olhando apenas para si mesmo?

Tomei um gole de minha cerveja ante de solicitar.

— Direto ao ponto, minha senhora. Não estou com humor para conversas longas.

Um sorriso irônico desenhou-se nas belas feições da dama, como o de uma professora lidando com um aluno teimoso e imaturo. Talvez, do ponto de vista dela, eu fosse isso.

— Muito bem. Nossas conversas poderiam ser muito educativas se você colaborasse, minha criança. E hoje eu pensei que havíamos avançado em nossa relação. Uma pena, você vai escolher, como sempre, o caminho mais difícil.

O tom maternal não me impressionou, apenas lembrou-me de como os deuses gostavam de jogar comigo. Eu não sabia qual era o jogo agora, apenas que eu não estaria me divertindo.

— E que sabedoria a grande deusa pode partilhar hoje?

— Sobre o tempo.

— Sobre o tempo?!

— Sim. O tempo pode ser traiçoeiro com os mortais, mas um grande amigo dos deuses. Normalmente o tempo tende a colocar as coisas no lugar. Corre rápido para os mortais e morosamente para nós. Você é um deus, que ainda pensa no tempo como um mortal.

— Eu fui um mortal.

— E já não é. Você sobreviveu ao julgamento de seus pecados e voltou, contra todas a probabilidades. Voltou por vontade própria. Você escolheu estar aqui, então, precisa aceitar a sua vida como um deus entre os homens.

— E o que isso quer dizer?

A bela dama sorriu como se escondesse um grande segredo, então, tomou o resto da cerveja.

— Você é uma criança esperta. Vai encontrar a resposta sozinho, porém, por que gosto muito de você, vou contar um segredo: sua noiva é uma mortal. O tempo não é amigo dela.

E SamShin desapareceu antes que o eu absorvesse suas palavras. Ainda estava em choque, temeroso do que elas significavam. Não querendo aceitar minhas dolorosas conclusões.

Logo, entretanto, eu era arrancado de meus sombrios devaneios. O celular começou a vibrar segundos antes da voz de meu “sobrinho” soar irritantemente em meus ouvidos.

— Tio, o que o senhor está fazendo?

Finalmente eu encontrei alguém em quem poderia focar minha frustração.

— Deixe-me em paz.

— Tio, já conversamos sobre isso. Se a NASA...

Rosnei e ele se calou momentaneamente. Tateei os bolsos, procurando o aparelho infernal, pensando em atirá-lo longe. Havia acabado de encontrar quando as palavras de Deok Hwa me paralisaram.

— Tio. O senhor precisa voltar para casa... há uma visita e ela veio passar a noite.

Eu estava bêbado e desalinhado. Era um péssimo modo de me apresentar diante do meu sogro. Tentei me manter ereto, mas depois de várias latas de cerveja, isso era impossível.

— Você estava bebendo?!

A pergunta veio de minha esposa. Tentei clarear minha mente, para entender o que acontecia. De todo modo, a situação em si era desconcertante. Em minha sala, a bagagem de uma vida. Em meu sofá, uma jovem visivelmente irritada, um pai constrangido a seu lado e meu sobrinho não muito longe como espectador muito interessado. Ele obviamente estava se divertindo com a situação.

Eu estava meio tonto, mas sabia que não estava tendo alucinações.

— Eu tomei algumas cervejas...

— Com quem?

— Uma velha amiga.

A resposta saiu automaticamente e olhar gélido que Yeon Woo me lançou revelou de pronto meu deslize. Ao mesmo tempo, uma onda de satisfação me envolveu diante de seu óbvio ciúme.

— Você estava com uma velha amiga?! Você passou a noite com uma amiga, depois de...

Ela não concluiu a frase. Eu tentei me defender da melhor forma possível.

— Não é o que...

— Pai, vamos embora. Como o senhor mesmo disse, foi um erro tomar uma decisão tão precipitada sem levar em conta a opinião da outra parte. “ A outra parte, obviamente, está muito ocupada com... amiguinhas!”

Yeon Woo já pendurava a bolsa no ombro e se levantava.

— Querida, já dia, a noite foi longa e todos nós estamos cansados. Apenas se acalme, eu tenho certeza que o senhor Kim Shin tem uma justificativa muito boa para esse mal-entendido.

Apesar de falar com a filha, eu entendi a dica não muito sutil de que eu deveria me explicar.

— Mal-entendido? Ele passou a noite com outra mulher! Eu não quero ouvir nada desse ahjussi.

— Eu não passei a noite com ninguém, Eun-Tak, estava apenas desabafando com uma velha amiga.

— Eun-Tak?! Eun-Tak?!

E isso foi apenas o começo do meu dia...

Minha cabeça pesava quando eu acordei horas mais tarde. A minha volta, barras de ouro. Muitas delas. E eu soube: fiz besteira.

Puxando por minha memória, lembrei-me que havia hóspedes e que eu quase apanhei nas primeiras horas da manhã. E que precisava dar um presente muito bom a meu sogro. Ele não apenas conseguiu conter a fúria de sua filha, como também convencê-la a esperar até eu ficar sóbrio antes de conversarmos.

Quanto a mim, precisava de alguns analgésicos e uma sopa de ressaca.

Após cuidar da minha higiene matutina, abrir a porta de meu quarto com cautela e escutei. Havia movimento na cozinha.

Por um instante, me vi indeciso entre fechar a porta e me esconder o resto do dia ou enfrentar a situação. Conhecendo a Eun-Tak, ou melhor, Yeon Woo, eu sabia que optasse pela primeira alternativa, não tardaria muito a ela aparecer e me arrastar para fora do quarto. Naquela manhã, novo confronto foi adiado pelo incrível jogo de cintura do meu sogro, ao convencer a filha naquela manhã que todos estavam cansados, depois de uma noite de intensas emoções, apenas depois de descansar todos seriamos capazes ter uma conversa definitiva.

Uma conversa definitiva. Eu estaria pronto para isso?

Ela estava sentada a mesa de jantar, numa de suas extremidades. A minha espera. Ao me ver, revirou os olhos com visível irritação e seus dedos tamborilaram sobre a mesa impacientemente.

— Eu não vou esperar por você.

Foi uma daquelas vezes em que a gente pensa não ter entendido o que foi dito, pois as palavras ferem tanto, que desejamos ignorá-las.

— O... quê?

— Conversei com meu pai ontem. Ele me contou sobre o acordo entre vocês.

Yeon Woo me olhou com certo desdém, antes de voltar a falar.

— Sabe o que mais me deixou furiosa? Legalmente, eu deveria ser uma pessoa capaz de tomar minhas próprias decisões, mas todos que me cercam, até os que nada tem a ver com minha vida se sentem à vontade para fazer escolhas por mim.

— Eu sou muito mais velho que você.

— Eu não posso mudar isso. Esperar diante dessa realidade não vai mudar muita coisa.

— Você ainda é uma criança.

— Não. Eu não sou. E não vou acertar ser tratada como tal. A conversa que teremos agora vai determinar que tipo de relação teremos... e se teremos uma relação.

— Agassi...

Ela ergueu a mão num gesto que exigia o meu silêncio, então continuou.

— Para começar, preciso que você me explique exatamente o que fez após me deixar com meus pais.

— Eu precisava beber.

— Seja mais específico.

— Eu fui pego com em meu carro com uma adolescente... fazendo coisas que um homem de minha idade não deveria fazer.

— Bem, eu sou maior de idade e sendo sua namorada, não vejo problema algum.

— Você não é minha namorada.

— Isso é algo fácil de resolver e isso me leva a razão pela qual eu estou em sua casa.

Ela me olhou esperando a pergunta que eu não ousaria fazer. Principalmente por que eu sabia onde ela iria me levar.

Vejo que eu não facilitaria aquela conversa, minha esposa foi direto ao ponto.

— Eu quero regularizar nossa situação.

— Você quer que iniciemos um namoro oficial? — Não resistir e perguntei.

— Não. Quero que casamos. Você tem uma semana para decidir. Depois disso, ou ficamos juntos de uma vez. Ou cortamos nossos laços de uma vez e eu vou arranjar um namorado mesmo complicado.

Havia aquela sensação de ser perseguido. Eu passava a maior parte do tempo fora de casa, evitando contato direto com minha esposa e sua proposta absurda. Eu havia conversado com meu sogro e exigido que ele colocasse um freio em sua filha.

— Se um deus não consegue controlar minha filha teimosa, acha que tenho alguma chance?

Bem, enquanto o ultimato me tirava o sono, eu ganhei uma nova sombra: Holliwood. Por dias, ele me seguiu. E eu permiti, de algum modo, mesmo sabendo que a nossa história havia chegado ao fim, era confortável tê-lo por perto. O familiar era confortável.

Obviamente, ele esperava me pagar fazendo algo ilícito, talvez em algum pátio de escola... mas além de minhas constantes visitas a bibliotecas e ocasionais encontros com meu sogro, nada de muito interessante me acontecia.

Após três dias de monitoramento, finalmente o policial decidiu se aproximar enquanto eu estava numa confeitaria.

— Obviamente você sabe que eu o estou seguindo.

Não respondi a sua provocação. Apenas devolvi seu olhar severo.

— Eu posso ser uma grande pedra em seu...

A fala do rei se perdeu em algum momento quando eu notei uma súbita mudança na atmosfera. Um imenso poder se aproximava e eu não o reconhecia. Então aconteceu, a porta se abriu e então o sujeito entrou. Talvez reconhecendo o meu poder, ele estancou.

Mantivemos contanto visual por um instante, então, o desconhecido sorriu com sarcasmo e comentou.

— Parece que temos muitas coisas em comum.

E de fato tínhamos. Ambos éramos duendes.