Você quer ser meu?

14 Umas marcas e uma internação


Notas iniciais
Oe minha gente. Não sei o que aconteceu mas o Nyah engoliu esse capítulo que era para ter sido postado ontem, só fui me dar conta muito tempo depois. Dedico este capítulo à minha amiga chanMartins98. Obrigada por me dar a ideia. Vamos conhecer um pouco do passado do Claude? Boa leitura

POV Alois

Cheguei em casa com um atraso de mais de quarenta minutos. Vi Claude na sacada gourmet vigiando a rua, segurava alguma coisa na mão mas por causa da altura eu não conseguia identificar direito.

Entrei no prédio e peguei o elevador. O garoto da cobertura — Ciel — já estava lá dentro e deu alguns passos para o lado quando eu entrei. Olhei de lado para ele e arrisquei um sorriso amigável, o outro devolveu um sorriso mais contido e subimos em silêncio.

Abri a porta do apartamento e dei com o Claude sentado no sofá como se não quisesse nada, mas eu o conhecia, sabia que ele não estava bem. Entrei e fechei a porta:

_Oi.

_Hum.

“Opa! Mau humor à vista”.

_Tudo bem? — perguntei tentando puxar assunto.

_Tudo ótimo — respondeu seco.

_Olha, não precisa ficar assim. Eu só estava estudando e perdi a hora — me defendi sem necessidade, Claude não tinha que agir assim, como se nós tivéssemos algo, afinal, era ele que não me queria…

Ele pareceu se dar conta, pegou a taça que estava sobre a mesinha e tomou o resto do que me pareceu ser vinho branco, voltando a depositá-la na madeira. Fiquei bravo porque ele não podia beber, mas achei que uma tacinha não ia fazer tão mal assim.

_É verdade. Não há motivo — declarou — Me desculpa.

Claude andou para mim, chegou perto e me segurou pelos ombros.

_Como foram os estudos?

Sorri para ele.

_Tudo bem.

Então Claude me puxou para ele e estacou.

Vi seus olhos se arregalarem e se fixarem no meu pescoço. Então fechou a expressão.

_Devem ter sido muito bons mesmo — falou seco e me empurrou um pouco, me pegando desprevenido, dei alguns passos para trás sem entender nada.

_O quê??

O semblante de Claude estava transtornado. Raiva e tristeza se misturavam ali nos olhos dourados e frios.

Claude segurou o colarinho da minha camisa e o afastou um pouco do meu pescoço. Depois sem falar nada saiu pisando duro, entrou no quarto e bateu a porta.

Sem entender mas desconfiando do que ele tinha visto, fui até o banheiro e me olhei no espelho acima da pia: meu pescoço estava todo marcado.

“Droga!!!!” — bati o punho fechado na bancada da pia.

Na volta passei pela porta do quarto do Claude e ouvi uns barulhos abafados lá dentro. Tive vontade de falar alguma coisa para ele, tentar resolver a situação mas não fiz nada.

“O que vai adiantar? Ele está com raiva e eu vou fazer o quê? Meu pescoço está marcado. Ele nunca vai acreditar que eu não transei com o Andrew.”

Fui até a sala e peguei a taça para levar para a cozinha; até o momento eu achava que ele tinha tomado uma única taça. Mesmo sabendo que ele não podia beber, uma dose ou outra bem espaçadas não teria tanto problema mas assim que cheguei na cozinha achei a garrafa aberta no balcão — tinha só três dedos do líquido lá dentro. Fiquei muito bravo, fui até a porta do quarto e bati com força.

_Claude!!!

É claro que ele não me respondeu e eu bati de novo, com mais força.

_Claude!!!! Você é louco???? Tomou uma garrafa de vinho!!

Silêncio.

Bati com mais força.

_E a sua gastrite??? Quer morrer???

A voz me respondeu do outro lado da porta.

_Me deixa em paz. Volte para o seu namoradinho.

_Não é meu namorado!!! — falei quase gritando mas ele não me respondeu e eu acabei indo para a cozinha começar a preparar o jantar.

Eu estava com raiva. Raiva do Andrew por não ter sido cuidadoso, raiva do Claude pelo ataque de ciúme ridículo — afinal nós não tínhamos nada por culpa dele — e raiva de mim por ser desse jeito que eu sou.

Decidi que não ia levar isso com o Andrew adiante. Não por causa do Claude mas por causa do meu amigo, ele precisava de alguém que estivesse 100% com ele. Além de que eu não queria passar por essas situações de novo, teria uma conversa bem franca com o Claude também. Seria do tipo: pegar ou largar.

Eram vinte horas quando terminei de cozinhar. Bati na porta do Claude para chamá-lo para jantar. Agora que a raiva tinha passado um pouco, minha preocupação com Claude aumentava exponencialmente: ele não havia almoçado e ainda tinha bebido muito com o estômago vazio. Não queria nem ver a crise de gastrite que ele teria amanhã.

Como esperado, Claude não me atendeu.

Fui bufando até a cozinha e comi um pouco. Lavei a louça, tomei um banho e fui para o meu quarto onde assisti televisão até o sono vir. Andrew me mandou vários whats mas eu os ignorei, coloquei o celular no silencioso e virei para o lado para dormir.

No meio da noite fui acordado por uma sequência de barulhos estranhos, abri meus olhos e olhei no relógio: 3:15. Cocei um pouco os olhos sonolentos e ouvi nova sequência de barulhos. Resolvi levantar para ver o que era.

A luz do banheiro estava acesa e me encaminhei para lá, Claude estava sentado no chão, abraçando o vaso sanitário enquanto expelia todo o conteúdo estomacal. Me aproximei e afastei seu cabelo do rosto, estava úmido de um suor frio e pegajoso, segurei as mechas enquanto ele lançava novo jato de vômito no vaso. Claude puxava o ar com força, aproveitando os espaços entre um jato e outro.

Finalmente ele esvaziou o estômago, molhei uma toalha na pia e passei pelo rosto dele. Definitivamente Claude estava péssimo: manchas vermelhas se espalhavam pelo rosto e pescoço por causa do esforço, tinha olheiras e os olhos estavam inchados.

_Está tudo bem — falei tentando acalmá-lo — Tá melhor?

É claro que ele não estava. Nem levantar ele tinha conseguido, apenas se escorou na parede e fechou os olhos, levando as mãos ao estômago e gemendo de dor. Seu rosto estava crispado pela dor. Ele não me respondeu.

Fui dar descarga no vômito e me assustei. Se ele não comeu nada e tomou vinho branco, o que era aquele vômito avermelhado na água???

_Claude — chamei tocando-o no ombro — Claude.

Ele pareceu me ouvir em meio à dor. Piscou os olhos brevemente para mim.

_Você comeu alguma coisa?

Claude negou com a cabeça.

_Não comeu nada vermelho? Nem bebeu?

Mais uma negativa.

Olhei de novo o conteúdo do vaso: só podia ser sangue.

_Precisamos ir ao médico. Venha — falei puxando-o pelo cotovelo, mas ele apenas escorregou mais e deitou-se em posição fetal no chão do banheiro.

_Claude? Claude?

Ele não me respondeu mais nada e eu me desesperei. Corri para a sala e liguei para a ambulância. Eles me deram um prazo de dez a quinze minutos. Fui ao quarto e me enfiei na primeira roupa que eu peguei, depois peguei os documentos do Claude. Voltei para o banheiro e joguei uma coberta fina sobre ele, queria ter levado para a cama mas nunca eu teria força suficiente para carregá-lo. Apoiei sua cabeça no meu colo e rezei.

Quando finalmente a ambulância chegou, entraram direto pois eu tinha deixado a porta aberta. Claude não tinha acordado, mas eu também não achava que ele estivesse dormindo, estava era passando muito mal, pois se contorcia de dor e gemia com os dentes trincados.

Eles o colocaram numa maca e fixaram as correias de segurança. Fui caminhando ao lado dele, segurando sua mão por todo o percurso do elevador até entrar na ambulância, então me sentei no banco lateral. Os enfermeiros e técnicos estavam ocupados checando seus sinais vitais.

_Ele está bem? — consegui perguntar e me surpreendi com a minha voz que saiu mais chorosa do que eu achei.

_Está estável — respondeu a profissional — É seu pai?

Neguei com a cabeça e apertei mais os dedos de Claude na minha mão.

Embora externamente eu estivesse relativamente tranquilo, por dentro eu estava desesperado. Um medo irracional se apoderava de mim.

“E se ele morrer???”

Eu estaria sozinho novamente. Como eu ia conseguir prosseguir?

Queria ter alguém para me ajudar nessa hora. Alguém para me dizer que estava tudo bem.

_Você tem algum parente, menino? — o enfermeiro me perguntou.

_Não. Ele é o único.

O homem negro fez uma careta e explicou.

_Vai precisar de algum adulto para assinar os papéis de entrada do hospital. Tem algum amigo?

Pensei por um momento e saquei o celular do bolso. Procurei o número na agenda e toquei o ícone verde. Cinco toques depois, uma voz sonolenta atendeu do outro lado.

_Alô?

_Daniel?

_Quem é? Alois?

_Sim. E-eu…

A voz de Daniel soou alarmada.

_O que aconteceu??

_Claude passou mal, estou numa ambulância… — ele não esperou eu terminar.

_Qual hospital vocês estão indo?

Ouvi um barulho de algo caindo e um resmungo do outro lado da linha.

_Estamos indo para o Mount Sinai Hospital.

_Estou indo para lá.

Daniel encerrou a ligação sem eu nem precisar pedir para ele ir.

Minha admiração pelo editor do Claude aumentou ainda mais. Era um amigo querido do Claude que se tornou um amigo meu também.

Chegamos no hospital e depois de cerca de quinze minutos, Daniel entrou no saguão acompanhado por outro homem, eu estava sentado no enorme sofá de couro branco, estava com a cabeça baixa, tentando segurar as lágrimas.

_Alois — ele me chamou e eu ergui a cabeça.

Sorri aliviado.

_Daniel! — me levantei recebendo um abraço amigável.

_Cadê o Claude?

_Está lá dentro, no pronto-socorro. Não me deixaram entrar — expliquei e o Daniel foi até o balcão de recepção, fui atrás dele sendo seguido pelo outro homem.

_Boa noite — falou para a recepcionista ruiva — Gostaria de informações sobre o paciente Claude Faustus.

A moça sorriu e digitou o nome no computador à sua frente.

_Ele está recebendo cuidados no pronto-socorro. Logo mais o médico virá lhes dar maiores informações. Você é o responsável financeiro por ele?

_Sim.

Daniel sorriu e agradeceu à moça. Olhei para ele e ele me devolveu um olhar tão preocupado quanto o meu, depois olhou para o homem que até o momento se mantinha em silêncio.

_Desculpa, Alois. Nem fiz as apresentações — ele puxou o rapaz moreno pela mão, trazendo-o para o seu lado — Este é o James, ele é o meu companheiro. James, este é o Alois , o...hum...o...éé… o sobrinho do Claude.

Olhei para o homem mais uma vez, ele sorriu amistoso para mim e estendeu a mão. Era um cara bonito também, uma beleza diferente do Daniel. James era levemente bronzeado, com cabelos castanhos bem escuros e olhos verde-água.

_Prazer Alois. Espero que não seja nada grave com o Claude.

Apertei a mão do James.

_Igualmente. Também espero que não seja nada de demais.

Daniel estava assinando os papéis necessários para a entrada do Claude no hospital. Depois se juntou a nós.

_O que aconteceu, Alois?

_Eu não sei. Ele bebeu, nós discutimos, ele se enfiou no quarto e não saiu mais. Acordei no meio da noite com o barulho dele vomitando.

Daniel balançou a cabeça em desaprovação. Depois olhou com mais atenção para mim.

_Brigaram? O que foi? Ele fez idiotice de novo? Vocês ficaram e ele falou merda?

Olhei espantado para o editor.

_O quê??

Daniel apontou para o meu pescoço e eu me toquei do que ele estava falando, automaticamente levei meus dedos tocando as marcas feitas por Andrew.

_Ah, não, não — senti meu rosto ficar vermelho. Tive certeza que o Daniel sabia da gente.

_Aaahh tá. Entendi — Daniel falou um pouco menos preocupado.

Nós estávamos sentados no sofá, eu de cabeça baixa e Daniel apoiado no encosto do estofado, mantinha as mãos juntas, entrelaçadas sobre o colo. James estava lá fora, eu podia vê-lo através das paredes e porta frontal de vidro, fumava um cigarro e chutava pedrinhas no chão.

_Foi tudo culpa minha — murmurei.

_Não, não foi.

_Foi sim — teimei, eu estava me sentindo sufocado por tanta culpa, por tanta tristeza, precisava desabafar — Se eu não tivesse me atrasado, se eu tivesse sido mais cuidadoso…

_A culpa não é sua Alois.

Fiquei em silêncio porque eu me sentia culpado sim.

Daniel se sentou de frente para mim e apoiou uma mão na minha, tocando-a suavemente.

_Se tem um culpado é o próprio Claude — eu olhei para Daniel e ele continuou — Ele mesmo cava a própria cova. Se ouvisse os meus conselhos e tomasse alguma atitude logo, não ficaria doente desse jeito.

_Atitude? Você acha que o Claude…

_É claro. Alois, o Claude é doido por você. Mas é idiota o suficiente para não assumir o que sente.

Neguei com a cabeça.

_Não acho. Já pensei que talvez ele sentisse algo à mais por mim, mas não acho que seja algo tão assim…

_É sim. Eu conheço o Claude há mais de dez anos. O problema dele é que ele é traumatizado.

_Traumatizado??? — olhei para Daniel com interesse.

Daniel suspirou, como se estivesse ponderando se devia ou não falar mais alguma coisa.

_Alois… O que eu vou falar… Tem que ficar só entre nós, ok? Não sei se o Claude gostaria que você soubesse, mas eu acho que você deve saber; para entender porque ele é assim.

Agora, toda a minha atenção estava voltada para o Daniel.

_O Claude é desses tipos de homens que não se apaixonam muitas vezes. Mas quando se apaixonam, é perdidamente.

Fiquei pensando como que o Daniel sabia disso? Será que ele e o Claude já tinham tido alguma coisa? mas Daniel continuou:

_Conheci Claude na antiga editora dele, ele era um jovem escritor, muito promissor mas que só tinha lançado poucos trabalhos, então ainda não era muito conhecido. Ele acabou se envolvendo com outro escritor — é algo relativamente comum no nosso meio, os escritores participam de eventos, salas de discussões, simpósios, então eles acabam se conhecendo e eventualmente se envolvem uns com os outros. O problema é que o cara era um escritorzinho medíocre que se achava melhor do que os outros. Nessa época, eu não tinha amizade com o Claude, conversava apenas coisas do cotidiano da empresa, não era seu editor. Mas conhecida bem Peter, sabia que a coisa não ia dar certo mas fiquei na minha porque não era da minha conta. Meses depois, eu fui designado para ser o editor assistente de um grupo de jovens escritores, Claude era um deles e foi aí que nós começamos a conversar mais.

Claude e Peter já moravam juntos, no apartamento do Claude mas não era esse que vocês moram hoje, naquela época o Claude ainda não era rico. Ele estava trabalhando em um livro, estava indo bem, escrevia rápido e de modo interessante, ia ser um sucesso, com toda certeza. Peter, por outro lado, capengava na escrita, era um sufoco conseguir arrancar algumas páginas. Depois de um tempo, eu já tinha uma amizade sólida com o Claude, tanto que o convidei para vir ao meu noivado com o James, ele veio acompanhado pelo Peter. Mas eu percebi que algo não estava indo bem, Claude parecia triste e desconfortável com o Peter. Embora a festa estivesse ótima e eu e James estivéssemos muito felizes, não pude ignorar o quão Claude estava estranho. Chamei ele de canto e perguntei mas ele negou qualquer problema e eu deixei passar.

Um mês depois, estourou a bomba. Peter havia sumido do mapa, roubou várias coisas do apartamento do Claude, inclusive o computador com o livro em produção e não só isso, roubou o dinheiro dele do banco — acho que o Claude havia dado a senha para ele, ou eles tinham conta conjunta, sei lá. Claude ficou arrasado. Também, pudera, ele havia confiado no Peter e o cara apronta uma dessas…

Daniel deu de ombros e me olhou nos olhos. Eu prestava atenção à sua narrativa, tentando processar as informações.

Claude apareceu lá na editora totalmente derrotado. Eu o levei para um café na tentativa de acalmá-lo e chorando ele me contou tudo. Apoiei ele e depois fui falar com o editor chefe, tinha que ter algum modo de encontrar o escritor ladrão. Ele falou que iria tentar encontrá-lo e o tempo passou. Passou, e nada de ninguém achar o Peter, falei para o Claude dar queixa na polícia mas ele amava muito o cara, não teve coragem — Daniel bufou nessa hora — Eu não podia deixar as coisas desse jeito, se o Claude não tinha coragem de fazer nada, eu faria. Pressionei o editor chefe por semanas seguidas até que acabei sendo demitido.

Mantive contato com o Claude, dois meses depois eu já tinha conseguido um novo emprego: agora era editor de verdade numa outra editora. Estava feliz e o Claude aos poucos, estava refazendo a vida, reescrevendo o livro e montando de novo o apartamento, repondo os objetos roubados.

Então veio a segunda bomba. O Peter lançou o livro do Claude como se fosse dele! Nossa, eu lembro nesse dia. Claude ficou transtornado, quebrou o escritório do editor. Ele sabia de tudo e estava acobertando o Peter. Por pouco Claude não foi preso por agressão. Claude me ligou chorando, contando o que houve e eu fui encontrá-lo no seu apartamento; estava horrível, acabado.

Demorou muito para o Claude se recuperar, ele passou por uma longa depressão até conseguir matar de vez o amor que ele sentia pelo Peter.

Aos poucos, ele se reergueu. Eu o levei para a minha editora e me tornei o seu editor. Ele lançou novas obras e foi angariando prêmios até se tornar o escritor famoso que é hoje.



Eu estava abismado com as revelações, Claude nunca havia sequer mencionado pelo que havia passado. Eu achava que a vida de Claude sempre tivesse sido perfeita.

_Ele acha que eu vou fazer como Peter? Jamais iria roubá-lo — afirmei, me sentindo ofendido por dentro.

Daniel sorriu um pouco.

_Não acho que ele pense nisso.

_Então, por quê?

_Ele tem pânico de se entregar novamente para um amor e quebrar a cara novamente. Além do fato de você ser menor de idade, e claro, isso é um risco.

_Eu nunca iria magoá-lo.

_Ele tem medo, Alois. Sofreu muito e não quer passar por isso de novo. Você é jovem, ele acha que não é bom o suficiente para você.

“Que idiota. Ele não é bom o suficiente para mim? E eu? Sou bom o suficiente?”

_Ele deveria deixar eu decidir isso.

_Concordo.

James havia se juntado à nós no fim da narrativa do Daniel e agora estava sentado ao seu lado com a mão sobre o joelho do companheiro.

Nesse momento um médico se aproximou, os três se levantaram ao mesmo tempo. Me adiantei.

_Como o Claude está, doutor? — perguntei preocupado.

_Ele está bem. No momento está sonolento por causa dos analgésicos mas ainda está acordado.

_Quando ele pode sair?

_Só amanhã e olhe lá. A gastrite dele piorou muito e por pouco não formou uma úlcera. Ele tem tomado os medicamentos?

_Tem sim. Eu não deixo ele esquecer. E tomo conta da alimentação também. Mas ele bebeu vinho hoje e não comeu direito.

O médico ponderou um pouco.

_Uma vez só não seria suficiente para ele passar tão mal. Ele é muito nervoso?

Eu e o Daniel nos entreolhamos.

_Bastante.

_Ah, então está explicado. Bom, ele está medicado e bem, se quiserem podem vê-lo antes que adormeça.

Fiquei feliz e quase corri para ver Claude.

Quando entramos no quarto ele estava deitado na cama, tinha soro ligado à sua veia e tinha os olhos fechados, achei que estava dormindo.

Daniel tinha ficado fora do quarto, já estava menos preocupado depois da conversa com o médico.

Caminhei até a sua cama e fiquei observando-o por alguns minutos. Parecia adormecido, os cabelos negros espalhados pelo travesseiro, uma mão pousada sobre o estômago.

Ele abriu levemente os olhos e eu tentei sorrir um pouco.

_Alois… — ele tentou sorrir também.

Segurei sua mão.

_Melhorou da dor?

_Um pouco.

_Não me assuste mais, Claude, por favor — pedi e minha voz saiu tremida.

Ele não falou nada, apenas sorriu de volta. Levei sua mão até os meus lábios e beijei os nós dos dedos.

_Que bom que você está aqui — murmurou.

_Não está mais bravo comigo?

_Bravo? Nunca! — sua voz estava meio enrolada e os olhos fora de foco por causa dos medicamentos fortes, mas Claude apertou mais minha mão.

_Alois… Eu… eu gosto tanto de você. Não sei o que faria se você me deixasse...

Como o meu coração pulou nessa hora! Parecia que ia pular para fora pela boca. Não consegui falar e quando minha voz voltou não adiantou de nada.

Claude tinha adormecido.

Notas finais
Pois é, é isso aí. Eu juro que estou tentando agilizar a história porque nem eu estou aguentando a lerdeza do Claude! kkkk O problema é que não dá para eu dar um salto gigante na história. Tenho que seguir o rumo das coisas. O que é uma pena porque eu estou louca para escrever um lemon desses dois. kkk Prometo que no próximo capítulo as coisas começam a melhorar. Beijos e não deixem de comentar.