Você quer ser meu?
15 Um jogo sujo e um convite
Notas iniciais
POV Alois
Depois da declaração do Claude, eu ainda fiquei alguns minutos no quarto, segurando sua mão. Ele estava adormecido e não houve chance de responder à ele.
Daniel abriu a porta e entrou de mansinho, seguido por James. Era bonito ver os dois juntos, eram tão diferentes na aparência… os dois bonitos, mas belezas diferentes… diferentes que se completavam. E eu via que tinha tanto amor entre os dois que eu quase acreditava que isso era possível acontecer. Fiz uma anotação mental sobre perguntar para o Daniel sobre a história deles. Talvez numa outra oportunidade, quando minha vida tivesse se acalmado dessa tormenta.
_Ele dormiu — comuniquei ao homem de cabelos prata.
Daniel sorriu.
_Acho que está melhor — comentou se aproximando e olhando o seu rosto.
Fiz que sim com a cabeça e ficamos os dois observando a expressão neutra do Claude dormindo.
_Vocês conversaram?
_Não, quer dizer, mais ou menos. Ele estava dopado por causa dos remédios — falei.
Seguiu-se um breve silêncio. James tinha se aproximado para ver o Claude e agora estava sentado na poltrona num dos cantos do quarto. Era um homem muito calado.
_Acho melhor você ir para casa — Daniel falou — Não adianta ficar aqui.
_Não !! — falei vigorosamente — Eu vou ficar, não vou deixar o Claude sozinho.
_Ele está dormindo. Não tem porque ficar.
_Mesmo assim — teimei.
Daniel bufou mas depois tocou meu ombro, acariciando levemente.
_Eu te entendo, Alois. Mas você precisa estar descansado. Você mesmo ouviu o médico: o Claude está bem. Vá para casa, descanse, tente dormir um pouco… Quando ele receber alta eu o levo para você.
Ponderei um pouco. Daniel tinha razão, mas eu não queria ficar longe do Claude.
_Vamos lá. É o melhor a se fazer — insistiu Daniel, obviamente percebendo a minha hesitação.
_Leve ele, Daniel. Eu fico aqui, para se algo acontecer — a voz do James me deu um susto. Ele era tão calado que eu tinha até me esquecido da sua existência.
Daniel sorriu para o companheiro. Um sorriso de agradecimento que foi respondido por um olhar apaixonado.
“Queria que um dia alguém olhasse assim para mim” — o pensamento invejoso estalou na minha mente estressada e cansada.
Eu percebi que tinha inveja da relação do Daniel com o James, mesmo tendo conhecido o outro há apenas algumas horas. Mas não era uma inveja maligna, daquelas destrutivas. Era mais uma admiração e uma vontade de poder viver aquilo também. Nunca eu desejaria mal ao Daniel, gostava muito dele.
_Está bem, então — concordei.
Ainda apertei um pouco os dedos de Claude nos meus, como uma despedida. Tive vontade de dar um selinho nos seus lábios adormecidos mas achei isso muito forçado, então apenas me despedi mentalmente dele e saí do quarto sendo acompanhado por Daniel. Este sim, se despediu do James com um selinho estalado, se inclinando brevemente sobre o outro que estava sentado e com a cabeça inclinada para trás, oferecendo os lábios ao beijo.
O caminho de volta para casa foi silencioso. Eu me sentia meio anestesiado, agora que a adrenalina causada pelo susto de ver o Claude naquela situação tinha baixado. O dia ameaçava amanhecer, o céu ainda escuro sendo tingido por nesgas laranjas e rosas anunciando o novo dia.
Daniel me deixou na entrada do prédio.
_Fique bem, ok?
_Pode deixar — dei um sorriso murcho e abri a porta do carro — Me mantenha informado.
_Ok.
Saí do carro e entrei no prédio.
O apartamento tinha ficado destrancado. Entrei e passei a chave na porta.
Me deixei cair no sofá e fiquei ainda vários minutos olhando a TV desligada.
Nem sabia direito o que fazer. Não ia conseguir dormir.
Fui até a cozinha e fiz um leite com chocolate.
Talvez eu precisasse de um café mas eu não gostava do sabor.
Tomei o conteúdo da caneca e depois a lavei.
Fui até o banheiro, a manta ainda estava jogada no chão e tinha respingos de vômito no vaso sanitário.
Usei o banheiro e depois limpei os vestígios do vômito.
Tirei minha roupa e deitei só de cueca na minha cama. Fechei os olhos, mas o sono não vinha, eu sentia o corpo cansado mas não conseguia adormecer, fiquei virando na cama até umas oito da manhã.
Eu deveria ter ido para a escola. O celular tocou lá pelas seis e meia mas eu apenas desliguei o alarme e me virei para o lado.
Minha cabeça estava o caos: preocupação com o Claude, ainda me sentia um pouco culpado pela crise dele; meus sentimentos confusos por ele e pelo Andrew; o que eu tinha vivido com o Andrew; a minha incapacidade dupla: de dar um não ao meu amigo ou de conquistar o Claude.
“Que droga!!!” — afundei meu rosto no travesseiro. Eu queria chorar mas as lágrimas não vinham e só ficava aquele bolo ruim entalado na garganta.
Cansei de perder meu tempo na cama e me levantei num pulo, jogando os lençóis para o lado.
Tomei um banho, arrumei meu quarto e resolvi arrumar também o quarto do Claude.
Ele estava uma bagunça e olhe que o Claude sempre foi relativamente organizado com o quarto dele.
Resolvi trocar a roupa de cama, dobrei o edredom e puxei os lençóis, embolando-os numa trouxa e os jogando no chão, mas quando fui tirar a fronha do travesseiro percebi que estava completamente molhada. Claude deve ter chorado de tanta dor que estava sentindo mas uma partezinha ínfima de mim, lá no fundo, se perguntou se ele não teria chorado de ciúme de mim. E essa partezinha se alegrou, pensando em como seria bom se ele me amasse.
Fui até o closet pegar lençóis e fronhas limpas e ele estava pior ainda, tinha gavetas reviradas e papéis espalhados no chão. No meio do closet tinha uma caixinha de madeira, não era muito pequena, era do tamanho de uma pasta de documentos, de madeira escura com umas partes em madrepérola incrustadas. Estava aberta e tinha papéis saindo dela. Me aproximei e comecei a juntar tudo. Papéis de editoras amassados, coisas aleatórias e pedacinhos de fotos rasgadas.
“Fotos rasgadas?”
Comecei a juntar os pedaços, numa curiosidade mórbida. Sabia que eu poderia me machucar, dependendo da imagem presente naquelas fotografias mas não pude controlar o ímpeto. Fui juntando-as, formando um quebra-cabeça. Claude devia estar muito irritado e nervoso, mas não tinha picado elas em pedaços muito pequenos, de modo que foi fácil recompor a imagem.
Um rapaz loiro estava ali, abraçado ao Claude. Reconheci na mesma hora: era o mesmo cara das fotos que eu tinha encontrado no escritório há um tempo.
“Só pode ser o Paul” — pensei, olhando direito para o cara que tinha maltratado tanto o coração do Claude, ao ponto de traumatizá-lo daquele jeito. Olhando para os seus olhos mel esverdeados e para os cabelos penteados para trás com um topetezinho bem estruturado, nunca eu diria que ele era um ladrão safado e pilantra. Tinha cara de gente boa. Claude aparecia na foto, não sorria, mas não estava com expressão triste, e tinha a aparência de ser bem mais novo.
“É claro, mais de dez ano atrás.” — pensei. O cara era claramente mais velho que o Claude. Uns oito a dez anos também.
“Espero que ele esteja bem envelhecido hoje em dia, velho e acabado. E brocha. E infeliz” — pensei rancoroso.
Juntei todos aqueles papéizinhos e os joguei no lixo. Arrumei o closet e a cama.
O telefone tocou e eu corri para atender.
_Alô?
_Alois? — era a voz do Daniel — O médico acabou de dar alta para o Claude. Estaremos aí daqui a pouco.
_Ele está bem? — perguntei ansioso.
_Está sim, fique tranquilo.
_Tá bem. Vou preparar um café da manhã para vocês.
_Não se preocupe com isso. Aliás, você não deveria estar na escola?
_Até parece que eu iria, né Daniel?
_Tá. Até daqui a pouco.
Daniel encerrou a ligação primeiro e eu depositei o telefone do gancho. Peguei o papel com o número do telefone da casa de pães e liguei; não ia sair até lá para comprar nada — meu corpo todo doía — encomendei duas baguetes recheadas, um bolo simples e uns petit fours, além de torradas e pão italiano. Liguei a cafeteira elétrica e coloquei água para ferver, para fazer o chá do Claude.
Em quinze minutos a encomenda chegava na porta do apartamento e mais quinze minutos, Claude entrava pela porta, logo atrás do Daniel e sendo seguido por James que fechou a porta assim que entrou.
Tive muita vontade de correr para abraçá-lo mas fiquei parado em pé perto do sofá, nós tínhamos brigado e eu duvidava muito que ele se lembrasse do que tinha falado para mim no hospital.
_Claude...Bem-vindo — falei calmamente.
Claude esboçou um sorriso fraco, estava claramente abatido.
_Obrigado, Alois.
Não me segurei e pulei nele, abraçando a sua cintura e afundando meu rosto no seu peito. Ele ainda estava com a roupa de ontem e bem, ele não estava cheiroso depois de tudo aquilo, mas Claude estava bem, estava em casa e era isso que importava.
Claude me abraçou de volta e percebi que ele encostou o nariz no meu cabelo e aspirou.
Soltei ele e olhei para Daniel e James.
_Eu preparei o café da manhã. Vamos comer?
Percebi que James, mesmo silencioso, ficou feliz com a possibilidade de comer e os levei para a sala de jantar, a mesa já estava posta.
_Acho que vou tomar um banho primeiro — comentou Claude.
_Precisa mesmo, você está fedendo — Daniel foi muito delicado no seu comentário e ganhou uma cara feia do Claude.
_Vê se não comem tudo — falou e foi até o quarto pegar roupa.
Me sentei à mesa e me servi de uma fatia do bolo. Os outros dois já estavam com a boca cheia.
Minutos depois um Claude limpo e cheiroso se juntou à nós e claro, ficou muito bravo porque não pôde tomar café nem comer as baguetes recheadas. Teve que se contentar com chá preto e torradas.
_Culpa sua por ter fodido seu estômago — brigou Daniel e encheu a xícara de Claude com o chá.
_Ganhei uma mãe agora — respondeu Claude bravo.
_E muito brava — completou James divertido depois fez cara de ofendido — Estou ficando com ciúmes. Você nem me serviu nada…
Daniel virou para o lado onde o companheiro estava sentado, sorriu e cobriu a mão do homem com a sua.
_Deixe de ser bobo, amor — ofereceu os lábios que foram selados rapidamente. Eles agiam muito naturalmente, coisa de quem está cercado por amigos.
Olhei de relance para o Claude e baixei os olhos, subitamente constrangido por aquela demonstração de amor dos dois. Ainda senti os olhos de Claude pousados em mim mais alguns segundos.
Daniel e James ainda ficaram conosco até umas dez horas. Claude queria trabalhar mas eu não deixei, mandei ele para o quarto descansar. Ele se deitou na cama e eu puxei o edredom, cobrindo-o como ele fazia comigo todas as noites.
_Qualquer coisa, me chame — falei e me preparei para sair do quarto.
Claude segurou o meu pulso. Olhei para ele.
_Me desculpa.
Arqueei uma sobrancelha, mas não falei nada.
_Te preocupei à toa. Não devia ter bebido nada…
_Não devia mesmo — concordei.
_Não devia ter ficado com ciúme de você… Nós não temos nada… -sua voz era mansa e eu não sabia onde ele queria chegar.
_Não, não temos — concordei mais uma vez.
“Porque você não quer” — pensei.
_Tudo bem — falei.
Não, não estava tudo bem. Eu estava uma bagunça por dentro.
_Você me desculpa?
_Claro — forcei um sorriso.
Ele sorriu também, um sorriso sem vida e soltou meu pulso. Andei até a porta e parei no limiar.
_Claude?
Claude olhou para mim.
_O que você sente por mim? — a pergunta pulou da minha boca.
Ele afastou o olhar e ficou em silêncio.
_Você se lembra do que me disse no hospital? — pressionei.
Ele ainda não me olhava.
_Lembra? — insisti.
_Lembro — murmurou.
Meu coração começou a pular.
_E então? O que eu devo entender com aquelas palavras?
Claude passou a mão no rosto. Era óbvio que não gostava de ser pressionado mas eu gostava menos ainda de me sentir desse jeito: completamente confuso.
Ele tirou os óculos do rosto e os pôs na mesinha de cabeceira. Suspirou.
_Eu não sei, Alois. Eu não sei. Eu...eu ...tenho tanta...vontade… — parou um pouco — E depois...quando eu te vi… — Claude passou novamente as mãos no rosto e jogou o cabelo para trás — Você estava marcado, Alois… eu...tive vontade…
Me aproximei lentamente da cama.
_Vontade de quê, Claude?
“De me bater? De me expulsar de casa? Me deixar de castigo?” — pensei
Cheguei até a beirada da cama.
_Vontade de quê? — repeti e então Claude me puxou pelo braço e me jogou na cama.
Caí por cima dele e ele me rolou para o lado, invertendo as posições. Estava surpreso pela atitude e fiquei paralisado por alguns instantes.
Claude acariciou meu rosto, passando as pontas dos dedos levemente pela minha bochecha. Os olhos dançando pelo meu rosto, mordi meu lábio inferior. Então Claude me beijou, um beijo muito, muito suave. Depois virou meu rosto para o lado e afastou a gola da camiseta.
Tentei me encolher para que ele não visse as marcas, mas ele me impediu.
_Claude!!
_Eu quero ver!
Deixei ele virar meu rosto e expus meu pescoço marcado pelo Andrew. Claude tocou as marcas com os dedos.
_Claude — falei, não foi um gemido nem nada. Na verdade eu estava sem entender direito o propósito de tudo isso. Ele queria o quê? Me beijar? Fazer sexo? Apenas olhar as marcas que o outro tinha feito em mim? Então por que me jogar na cama?
_Eu… tenho...vontade… — murmurou tocando a pele do meu pescoço e eu comecei a ficar meio nervoso. Claude estava estranho… talvez fosse o efeito dos remédios.
_Claude — chamei mais uma vez mas ele me ignorou.
_Tenho vontade de cobrir cada marca que ele fez com as minhas — falou por fim e beijou meu pescoço.
Imediatamente senti uma corrente elétrica passar por mim, correr pela minha coluna e atingir o meu baixo ventre.
Claude trilhou meu pescoço com beijos, passou a língua suavemente na minha pele, desenhando círculos e sugando de leve, me deixando completamente arrepiado. Eu estava ficando excitado rapidamente.
Afundei meus dedos no cabelo escuro de Claude e arqueei um pouco a coluna. Ele desceu beijando até a junção do pescoço com o ombro e subiu de volta lambendo até a minha orelha.
_Pensar que outro te tocou... Que aquele pivete te teve…
“Não!!!” — minha mente gritou — “Não teve”.
Claude girou a cabeça para atacar o outro lado do meu pescoço e eu já estava ofegante.
Abracei os ombros de Claude e ele me beijou, um beijo profundo e possessivo. Eu queria mais.
_Onde mais ele te tocou? — sussurrou contra a minha pele — Aqui? — tocou de leve o meu peito.
Fiz que sim com a cabeça. Esse era um jogo perigoso e masoquista. Por que ele queria saber os detalhes do que aconteceu comigo e com o Andrew?
Claude deslizou a mãos sob a minha camiseta e a puxou para cima, logo beijando meu peito.
_Claude… — minha voz saiu um gemido — Você está doente…
_É só o meu estômago. Você é o meu remédio, Alois.
Voltou ao meu peito, beijando...lambendo… arrastando os dentes.
Eu estava completamente excitado.
_Onde mais? — sussurrou.
_Hm??
_Onde mais ele te tocou?
Fiquei em silêncio.
Claude desceu beijando meu umbigo e me fazendo contorcer. Apoiei minhas mãos nos ombros de Claude e joguei meu quadril para cima.
_Aqui?? — perguntou e pressionou a boca sobre o meu membro coberto pelo shorts — Responda!
_S-sim.
_Ahhhh, Alois… Por que você deixou??? — lamentou e abriu a peça, puxando o zíper para baixo.
_Claude… eu… não...ahhhh — não consegui terminar a frase, Claude segurou meu pênis e começou a me masturbar.
_Você gemeu assim????
“Por que ele estava fazendo isso? Qual o seu propósito???”
Não respondi.
Claude puxou meu short junto com a minha boxer para baixo e eu abri minhas pernas, ele se posicionou entre elas e voltou a me masturbar. Tocou de leve a minha entrada com a ponta dos dedos e eu me contraí.
_Tocou aqui???
Fiquei em silêncio. Eu queria que Claude me chupasse, que me lubrificasse e me penetrasse logo. Estava morrendo de tesão e via que ele também estava.
_Responda Alois. Ele te tocou assim?
_Não. Ele não me tocou aí.
Percebi que Claude não esperava essa resposta, fez uma expressão surpresa.
_Não????
Neguei com a cabeça.
_Nós não transamos, Claude — falei por fim.
Achei que agora ele iria fazer o que eu queria. Que nós finalmente faríamos sexo. Eu estava morrendo por isso.
_Oooh Céus!!!! Que bom!!!
Claude parou tudo o que estava fazendo e se sentou no colchão. Eu não soube direito o que estava sentindo naquela hora.
_O quêêê??? — perguntei incrédulo.
_Por que não me falou antes?
_Claude — falei manhoso antes que o clime esfriasse de vez — Vemmm.
Tentei puxá-lo mas ele segurou minha mão e beijou meus dedos.
_Que bom que não houve nada — Claude se deitou sobre mim e beijou levemente meus lábios, enlacei seu pescoço e tentei aprofundar o beijo.
_Alois… um dia… um dia….
E se afastou de mim.
_O que você está fazendo???? — perguntei sentindo minhas bochechas começarem a pegar fogo.
Ele nem precisou falar nada. Estava estampado na sua cara que estava fugindo de mim mais uma vez.
A raiva ferveu nas minhas veias. Me levantei e saí buscando minhas roupas.
_Você me leva até esse ponto só para conseguir umas respostas, Claude??? Você é nojento.
_Não Alois, não foi isso… — sua expressão agora era arrependida.
_Foi isso sim. Você deveria ter vergonha de fazer isso — vesti meus shorts.
_Eu queria…
Me descontrolei.
_ SE QUERIA PORQUE NÃO TERMINA?????? VOCÊ É IDIOTA????
_Alois….
_Alois nada. Você é um imbecil, eu te odeio. Odeio o jeito que brinca comigo. Um dia eu não vou estar aqui Claude, disponível para você — fechei o shorts e quando já estava na porta do quarto olhei para o Claude, ele estava sentado na borda da cama, estava com uma expressão desolada e para piorar estava de pau duro. Senti mais raiva ainda por isso.
_E esse dia está muito próximo. Eu não sei o que você realmente quer comigo, o que sente ou o que pensa mas eu estou te avisando: você está me perdendo, Claude. E rápido.
Saí batendo os pés, peguei minha mochila e saí do apartamento. Ainda ouvi ele me chamando mas estava com tanta raiva que nem reconsiderei nada.
Caminhei até o parque e sentei num dos bancos de madeira. Estava com tanto ódio do Claude que tremia.
“Bunda mole do caralho!” — xinguei mentalmente, eu sabia que ele me queria, não estou falando nem de amor nem de qualquer outro sentimento nobre, ele tinha tesão por mim, queria fazer sexo. Eu também não pedia nenhum outro sentimento mesmo estando apaixonado por ele, mas queria transar também. Então por quê? Por que, não se deixar levar???
Meu celular tocou e eu o tirei do bolso achando que era Claude mas era Andrew.
_Oi?
_Oi, Alois. Tudo bem?
_Tudo — menti — E você?
_Também. Por que faltou na escola?
Já era uma da tarde eu me lembrei.
_Claude passou mal. Estava no hospital com ele.
_Ele está bem agora?
_Sim.
_Está em casa? Você está com uma voz estranha.
Suspirei.
_Não. Estou no parque agora.
_Aquele perto da sua casa?
_É.
_Estou indo aí — falou e desligou.
Bloqueei o celular e guardei no bolso. Não queria ver o Andrew, não queria ver ninguém mas mais uma vez não verbalizei isso. Dez minutos depois vejo a figura alta, de cabelos pretos caminhando na minha direção.
Parou do meu lado e eu ergui a cabeça para ele.
_Você não parece bem? — comentou e eu dei de ombros, uma perna minha estava flexionada, com o calcanhar apoiado no banco e eu riscava desenhos imaginários no meu joelho com a unha.
Andrew se sentou ao meu lado.
_Aconteceu mais alguma coisa? É muito grave o caso do Claude?
_Não. Ele está bem agora.
_Então por que…?
_Nada. Eu não quero falar.
Andrew sorriu e segurou minha mão.
“Por que a gente se apaixona pelas pessoas erradas?” — pensei e encarei o meu amigo colorido.
Andrew entendeu a minha encarada de modo errado e começou a se aproximar para me beijar mas eu desviei. Ele sorriu complacente.
_Deixa eu te falar uma coisa.
Olhei para ele novamente.
_Ontem falei com os meus pais e eles concordaram. Você quer ir jantar lá em casa?
Franzi as minhas sobrancelhas.
_Andrew… acho melhor não.
Andrew apertou ainda mais minhas mãos.
_É só um jantar. Ele querem te conhecer.
_Com certeza não — me apressei em dizer — Eles vão achar coisas… Você deveria levar uma garota.
A expressão se fechou.
_Você é o...meu amigo, Alois. É você que eu quero levar para jantar na minha casa.
Fiquei em silêncio, olhando uma árvore distante.
_Como amigo. Vai ser só como amigo.
“Será que eu conseguiria aprender a amar o Andrew?” — pensei amargurado.
_Quando?
_Daqui a uma semana. Será o fim do semestre. Na sexta-feira antes da festa.
Joguei a minha cabeça para trás e fitei o céu.
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